Hermione foi caminhando com Harry, sempre maravilhada, até chegarem a parte externa do castelo.

-Nossa esse lugar é enorme! – ela exclamou ao ver tudo aquilo.

-Você ainda não viu nada! Vem, vou te mostrar agora o meu lugar favorito. – Harry disse já a puxando para o campo de quadribol.

-Ei! Aquele ali é o Harry Potter! – ouviram um aluno gritar e logo todo o time da Grifinória, que estava treinando, estava em volta deles.

-Harry Potter? É você mesmo? – perguntou um garoto de no máximo 14 anos, maravilhado.

-Sim, sou eu. E você é...? – Harry não ficava tão irritado quando crianças o reconheciam, fazia parte da sua construção de mundo ter um herói. Ele não queria ser esse herói mas não tinha escolha.

-Eric Marvel! Estamos treinando para o próximo jogo contra a Lufa-Lufa. – o garoto respondeu entusiasmado.

-Isto é ótimo! Quando é o jogo?

-No próximo sábado. Você jogava como apanhador, não é? – um outro rapaz, um pouco mais velho perguntou.

-Exato. – Harry respondeu já imaginando onde aquilo ia chegar.

-Será que poderia nos ajudar? – o rapaz perguntou ansioso.

-Ajudar como, Sr...?

- Joey McFlow. Sou o capitão do time. Eric é nosso apanhador e está um pouco de dificuldade para pegar o pomo. Pensei que talvez pudesse voar com ele um pouco, dar umas dicas e tal.

-Hermione, você se importa? – Harry perguntou para a amiga e ao se virar para olha-la ficou surpreso com a expressão dela. – Algum problema?

-Vocês...Vocês voam montados na vassoura? – para ela aquilo parecia muito surreal e perigoso.

-Oh, esqueci que você não deve conhecer o quadribol. Me desculpe. Sim, nós voamos em vassouras é muito divertido. E esse é o esporte típico dos bruxos. Acho legal até você ver um pouco do treino para entender.

-Me parece muito perigoso voar nessas coisas! – ela teimou.

-Sua namorada não conhece quadribol? De onde ela veio? – perguntou Eric.

-Acha perigoso? Ainda nem viu os tombos que tomamos nos jogos! Li que o Harry – falou Joey já com intimidade – levou um balaço na cabeça e caiu de mais de 30 metros de altura! Aquilo sim foi perigoso!

-Isso é verdade, Harry? – Hermione perguntou assustada.

-Bom, é verdade. Essas coisas acontecem nos jogos mas madame Pomfrey já está acostumada a resolver problemas assim.

Hermione só balançou a cabeça. Esses bruxos estavam se mostrando cada vez mais malucos.

-E então, Harry? Vai nos ajudar? – Joey quis saber.

-Acho que não tem problema. Hermione, você pode ficar sentada ali na arquibancada assistindo. – e levou a garota até os bancos.

Hermione assistiu tudo aquilo horrorizada. Harry estava montado numa vassoura, cercado de outros meninos e todos voavam a uma velocidade assustadora. Pior ainda foi quando Harry e o outro menino, Eric, viram alguma coisa no ar e dispararam como dois foguetes atrás daquela coisa. O tempo todo eles faziam tudo isso e ainda gritavam coisas um para o outro.

Mais de meia hora depois todos voltaram para o chão, suados e sorrindo. Hermione foi até o campo encontrá-los.

-Harry você foi incrível! Depois desse treino a Lufa-Lufa não tem a menor chance contra no nosso Eric! – Joey falava ofegante depois de tanto treino.

-Eles não vão saber o que os acertou! Foi demais Harry, muito obrigado! – Eric estava extasiado.

-Obrigado a vocês, garotos! Há muito tempo não jogava, foi muito bom relembrar os velhos tempos.

-OK pessoal, o treino acabou! Todos para o vestiário! – Joey gritou e o time dispersou.

-Aquilo é absurdamente perigoso! – Hermione finalmente falou.

-Não é tanto assim! Nós praticamos muito para fazermos isso, não tem com o que se preocupar. – Harry falou divertido. Estava cansado mas feliz. Realmente não jogava há muito tempo e tinha esquecido de como era bom o vento batendo forte contra o corpo, a adrenalina nas veias ao ver o pomo...Sentiu até saudades do tempo da escola.

-Não consigo nem mesmo entender como podem gostar disso!

-Tenho uma ideia! Por que não voa comigo? – Harry perguntou.

-O que? Está maluco? Não subo numa coisa dessas nem que me pague! – Hermione respondeu indignada.

-Vai gostar, Hermione, estou falando! É claro que não vou voar com você daquele jeito! Podemos ir bem mais devagar. Vamos!

A moça pareceu meio incerta e foi o que precisou para que Harry montasse na vassoura e a puxasse para si.

-Prometo que não vou te deixar cair. – ele falou e ela não teve outra opção a não ser montar na vassoura, à frente do moreno.

Harry passou os braços em volta da cintura dela, deu um impulso e logo eles estavam no ar.

-Abra os olhos! – ele falou no ouvido dela quando percebeu que ela estava com os olhos fechados.

Aos poucos ela foi abrindo os olhos e viu que, conforme prometido, eles não estavam muito rápido nem muito alto. Relaxou um pouco e pode aproveitar a incrível visão que estava tendo do castelo. Apesar de estar voando numa vassoura, sentia-se segura ali, com os braços de Harry a protegendo e sua respiração ofegante em seu ouvido.

-Tem razão. É mesmo maravilhoso. – ela falou enquanto sobrevoavam o lago.

Harry nem mesmo respondeu. Estava se sentindo tão bem que nem ao menos ouvia nada ao seu redor. Era mais que o fato de estar voando. Era ter Hermione assim tão perto, em seus braços, sentindo o perfume doce de canela que ela exalava, sua cintura fina entre seus braços e suas costas coladas em seu peito. Era como se ela se encaixasse ali perfeitamente. Encontrara o nirvana. Não pode controlar o impulso, baixou o rosto encostando o nariz no pescoço da bruxa a sua frente e beijou a pele macia que encontrou ali.

Hermione não sabia bem o que dizer. Era uma sensação maravilhosa estar ali com Harry e ao sentir seus lábios na sua pele não pode evitar o rubor que sentiu arder em sua face ou o sorriso que tomou seus lábios.

Continuaram voando por mais algum tempo até que finalmente voltaram ao campo. Desceram em silêncio mas Harry não conseguia se sentir culpado nem constrangido pela sua ação. Fizera algo que sabia ser o certo e não se arrependia disso.

-O que eram aquelas estufas que vimos perto do lago? – Hermione quebrou o silêncio.

-Eram as estufas de herbologia, onde são ministradas essas aulas. Vamos até lá, você vai gostar.

Sem nem pensar, deram as mãos e foram até as estufas. Hermione adorou o lugar, que já estava sem alunos no final da tarde. Conheceu diversos tipos de plantas bem diferentes e Harry foi explicando o que sabia sobre cada espécie que viam. Nem ele sabia que ainda lembrava essas coisas.

-Tem mais um lugar que quero mostrar a você e esta é a hora perfeita para isso. – Harry disse e a levou até o lago. Tinham sobrevoado o lugar mas assim de perto era mais bonito.

Alguns alunos passavam apressados voltando de suas aulas. Harry levou Hermione até quase a beirada e se sentou, indicando para que ela fizesse o mesmo.

-Agora olhe bem pois é uma das coisas mais bonitas que tem para se ver. – ele disse indicando o céu. O sol começava a se por no horizonte e o céu estava começando a tomar diversas cores diferentes, belíssimos tons de laranja, rosa e azul se misturavam e a lua, apressada, já começava a aparecer.

Sentados ali, no lago de Hogwarts, observando o por do sol, Harry se sentiu vivo de novo. Passou o braço ao redor de Hermione a puxando mais para perto. Ela se ajeitou, encostando um pouco das costas no peito dele e juntos assistiram ao espetáculo.

Depois que o céu já estava escuro de vez eles se levantaram e foram andando de volta para o castelo, as mãos entrelaçadas e uma gostosa sensação no peito.

-Harry, Hermione! Que bom que os encontrei. São meus convidados para o jantar hoje! – Dumbledore disse ao encontrá-los no corredor.

O casal foi até o salão e Hermione ficou impressionada com a quantidade de alunos que tinha ali. Claro que a maioria parou o que estava fazendo quando eles entraram e começou um burburinho geral. Dedos apontavam, olhos curiosos os acompanharam até chegarem a mesa dos professores.

Harry cumprimentou seus antigos professores, todos muito felizes em rever seu antigo aluno e herói. Minerva ficou encantada com Hermione e as duas conversaram a maior parte do jantar. Tudo sob os atentos e curiosos olhares de todos os alunos. Menos a mesa da Grifinória, que estava toda atenta a história dos meninos do quadribol, que faziam questão de contar cada segundo do seu treino do dia.

Depois de uma farta refeição, com direito a sobremesa e tudo, o salão foi esvaziando. A maioria dos professores se retirou e grande parte dos alunos curiosos já haviam saciado seu apetite por fofocas.

-O mais impressionante daqui é o teto! Que grande ideia encantá-lo para parecer com o céu lá fora!

-Como sabe disso? – Harry perguntou surpreso.

-Estava escrito em Hogwarts: uma história, que estava lendo no seu apartamento antes de virmos para cá.

-Fico feliz que goste de nossas instalações. Srta. Granger. É sempre bem vinda para visitar quando quiser.

-Obrigada, professor.

-Será que podemos usar sua lareira de novo, professor? Já está na hora de voltarmos. – Harry pediu.

-Mas é claro! Me acompanhem. - o diretor pediu e novamente o trio passava pelos corredores até voltarem para a sala do diretor.

-Estaria mais feliz se tivesse ajudado mais vocês. Qualquer coisa podem me procurar, estarei sempre à disposição. – Dumbledore se despediu e Harry e Hermione, depois de agradecerem, voltaram mais uma vez para as chamas verdes e o apartamento do moreno em Londres.

Acabou a visita a Hogwarts! É bom matar a saudade do castelo, né? No próximo capítulo, voltamos ao mundo trouxa. Até lá!