Amazonas
Capítulo 8: Facilidade? Não mesmo!
A hora da janta estava chegando e as crianças estavam começando a ficarem irritadas. Até mesmo Kamus, o mais paciente, estava ficando nervoso e bastaria uma faisquinha para tudo ir pelos ares. E as servas estavam demorando a prepararem a refeição! Essa agitação estava contagiando as "babás", também (menos Ikki, que estava dormindo no sofá desde que chegou lá).
– Ai, Zeus, dai-me forças – Shiryu falou alto, ao ver Shura e Aioria brigarem por causa de um carrinho – Shura o que está fazendo?
– Eu quelo o calinho! – Capricórnio falou exaltado.
– Ai, meu anjo da guarda... se todos os dias forem assim, eu não chego inteiro no final da semana! Prometo que, se eu sair inteiro dessa bagunça e se todos eles estiverem inteiros também, vou tentar ser um cara mais responsável, vou ser um bom marido para a Shunrei e serei um bom pai para os nossos filhos! – Shun o olhava meio espantado. Nunca tinha visto Dragão daquele jeito.
– Tio Oga! – Aioria puxou a calça de Cisne, chamando sua atenção – O Milo pegou o cavalinho que eu tava bincando.
– Miro, devolve o cavalinho pro Aioria – Koorime pediu.
– Não, quelo binca! – o escorpiãozinho abraçou possessivamente o animalzinho de pelúcia.
– Ai... – a jovem deu um tapinha na própria testa – Isso tá ficando pior.
– Vem cá, Aioria – Hyoga pediu, pegando o leãozinho pela mão – Vamos procurar alguma coisa para brincar.
"Apesar de ter sido filho único, ele é bem paciente", Patty, que estava próxima, constatou isso do rapaz. Depois olhou para Kamus perto dela e para Shun, que brincava com Afrodite com a fazendinha de montar (na verdade, ele estava tentando desviar a atenção do peixinho da bola que Kamus estava brincando). "E acho que sei porque..."
– O que tá acontecendo aqui? – Seiya entrou na sala de recreação com a maior cara lavada. Aquilo foi o cúmulo! Nem mesmo Shun agüentou.
– NADA! – foi a resposta que Sagitário recebeu de todos. Ele foi a faísca que estava faltando para explodir tudo.
– Onde você estava, sua besta?! – Belier, que estava com Mu no colo, gritou revoltada.
– Como assim "onde"? Na casa de Sagitário, ora essa...
– E ainda diz isso na maior cara lavada?! – Máscara da Morte berrou dessa vez – Putz, vá ser alienado no Submundo!
– Ei, poderiam ser menos grossos com ele? – Saori apareceu ao lado dele.
– NÃO! – foi a resposta curta e direta que receberam. Com aquele berreiro, Ikki acabou acordando.
– Daria para vocês pararem de gritar que eu tô tentando dormir?
– NÃO!! – a retruca calou rapidamente Fênix.
– Por que vocês tão brigando com o tio Seiya, tia Misao? – Saga perguntou silenciosamente, como se com medo de irritar ainda mais sua "babá".
– É porque ele não é responsável. Deveria estar ajudando a tomar conta dos pequenos, mas, ao invés disso, ficou dormindo na casa dele.
– Eu ajudei, né? – os olhinhos dele começaram a brilhar em expectativa. Isso só serviu para melhorar o humor dela.
– Ajudou, meu anjo.
E não era mentira; Gêmeos tentou cuidar dos mais novos, apartando brigas e brincando com eles quando os adultos estavam ocupados com os outros. Uma criança de seis conseguia ser mais responsável que um adolescente de 17 anos!
– Viu?! – Koorime tirou os dois de seus devaneios – Até o Saga, que é bem mais novo que você, tem mais responsabilidade.
Não demorou muito e Mu já estava chorando de novo, junto com Shaka, que estava com Aldebaran.
– Tá vendo o que vocês fizeram?! – Belier colocou o bebê de cabelos lavanda no colo de Seiya – Agora faz o Mu parar de chorar enquanto eu vou até a cozinha ver se as servas terminaram de preparar a janta.
– Ei, eu não sou babá de ninguém, não! – o ex-cavaleiro de Pégaso protestou.
– Dane-se! – a discípula de Áries exclamou, com os olhos faiscando de ódio. Definitivamente todos precisavam jantar.
– E não vem com essa de "não sou babá de ninguém", porque eu estou na sua casa com o Saga – Misao o lembrou – Você vai ter que ajudar, quer queira, quer não. Ou esqueceu disso?
– Pô, é mesmo!
– Aposto que nem notou quando eu entrei na sua casa e ajeitei as coisas na sala.
– Não, não notei.
– Bakayarou*... – suspirou, desistindo de reclamar. Só estava piorando sua situação, e ela não queria que as crianças ficassem ainda mais estressadas – Dá aqui o Mu, que você só tá assustando o coitado.
E era verdade: parecia que, com a saída de Belier e a sua "transferência de colo", o tibetano chorava ainda mais. Um tempinho depois Misao conseguiu fazê-lo parar. Ao que parecia ele gostava de um abraço feminino... pelo menos enquanto pequeno.
– Como você conseguiu? – Seiya olhou-a curioso.
– Simples: eu não tenho essa cara de bobo.
– Nani?!
Os adultos não resistiram e começaram a gargalhar (menos Saori, que não achara graça na piadinha, e Ikki, que tinha voltado a dormir).
– Não sei qual foi a piada, mas pelo visto foi boa – Belier comentou, entrando na sala – Olhem, a janta já tá pronta. Podemos levar os pequenos para lá. Ô, meu anjinho... – ela pegou Mu dos braços da amiga – Ficou comportadinho?
Cada um pegou seu pequenino e foram todos para o salão de refeições. As coisas já estavam lá, como no almoço: dois cadeirões para Shaka e Mu e duas mesinhas para os mais velhos. Depois de acomodados e com os pratos diante deles, os pequenos começaram a comer com gosto. A aprendiz de Áries o levou para um dos cadeirões e, depois de colocá-lo ao lado de sua cadeira e começou a dar o creme de espinafre que fora feito para os bebês ("Eles não podem comer algo muito pesado à noite. Faz mal.", foi o que a tia Manda, a mais velha das servas, falou). Aldebaran fez o mesmo com Shaka (este se sentou de frente para Belier). Depois que os mais velhos estavam acomodados, todos foram comer.
Tudo estava relativamente harmonioso, mas aquilo não durou muito: logo, os cavaleiros de prata entraram no salão de refeições, arrancando algumas caras feias (para dizer a verdade, muitas).
– Bem que eles poderiam se explodirem, né? –KS sussurrou para Hyoga, que estava ao seu lado. Cisne não resistiu e deu uma risada contida.
– Espero que eles fiquem de bico calado – Misao comentou consigo mesma, mas Patty, que estava ao lado, ouviu.
– Relaxa. Depois da "surra" que levaram do Saga na hora do almoço, vão ficar na deles.
– Sei não... estamos falando dos cavaleiros de prata.
– Eles não são tão retardados... – Máscara da Morte, que estava de frente para elas, falou com seu habitual tom de descaso.
– Mas mais uma vez eu digo: estamos falando dos cavaleiros de prata.
– É... acho que tem razão – Câncer olhou para a cara de vou-falar-um-monte- de-asneiras-para-esses-pirralhos de Kapella, o que fez com que o italiano erguesse a voz, e quem não ficou sabendo do episódio vergonhoso (pelo menos para Kapella) da hora do almoço, ficou sabendo naquele momento – Pô, Kapella, nem parece que foi você que apanhou do Saga no almoço! Senta a bunda em alguma dessas cadeiras, come e fica na sua!
– UHU! Dá-lhe MdM! – Misao exclamou. Ficara tão empolgada com o fora, que até esquecera as diferenças que tinha com o cavaleiro (ela nunca gostara muito do cara).
– Eu faço o que eu quiser, caranguejo – Auriga provocou – Não vai ser você quem vai me...
E, antes de terminar de falar, pela segunda vez no dia, o cavaleiro de prata foi jogado na parede... e novamente por Saga.
– Vai comer... que homem chato – foi o que o pequeno disse antes de se sentar novamente à mesinha.
– Ora, seu fedelho... – o homem levantou-se, mas deteve-se ao sentir um cosmo extremamente poderoso e hostil ali perto.
– Encoste um dedo nele, e você vai acordar falando fininho, amanhã – Misao ameaçou-o – Com certeza você não vai querer perder a cabeça que você mais usa para pensar, né?
Gargalhadas ecoaram por todo o salão, e aquilo só serviu para enervar ainda mais o cavaleiro.
– Como uma aprendiz ousa falar comigo dessa maneira!?
– Ousando... deixa a gente comer. Que porcaria.
Como não tinha como retrucar aquele pedido sem parecer infantil demais (se bem que a própria atitude de provocar os pequenos era infantil), e com medo de levar mais uma de Saga, Kapella foi silenciosamente até uma mesa que já estavam outros cavaleiros de prata.
– Sabe de uma coisa? – Shiryu comentou para Shun, que estava ao seu lado – Estou com uma sensação de que as coisas vão piorar.
– Eu também – foi a resposta dada por Andrômeda.
– E o que seria? – Hyoga, que estava na diagonal do amante, se meteu na conversa.
– Sei lá. Pode ser apenas uma sensação.
– Agora que vocês comentaram... não estão sentindo um vento meio forte e úmido? Já faz um bom tempo que estou sentindo isso.
– Verdade... – Dragão constatou a veracidade da afirmação... e aquilo o alarmou – Sabem o que isso significa?
– Que a gente pode ficar resfriado? – Ikki, que estava ao lado do irmão, respondeu, com um sorriso idiota nos lábios.
– Ah, cala a boca, Ikki! – Cisne ergueu o tom de voz – Se não for ajudar, também não atrapalha.
– Puxa... vamos ter sérios problemas MESMO – Andrômeda olhou apreensivo pela ampla janela do salão de refeições – Tá com jeito de que o mundo vai desabar.
– Ah, não, cara... – Hyoga bateu levemente a testa na mesa, propositalmente, como se isso fosse resolver o possível problema deles – Vai ser uma noite bem longa. Criança nessa idade tem pavor de trovões.
– Só quero ver como vai ser na casa de Peixes – Fênix intrometeu-se de novo – Se pelo menos eu tivesse lá...
– Só iria piorar a situação – Belier, que tinha terminado de jantar e ido até lá chamar Shun, retrucou antes que o rapaz terminasse de falar – Que homem pentelho! Eu não vou deixar você ficar na casa de Peixes nem pagando! O Aldebaran tá lá, e vai ajudar numa boa.
– Certo. Com aquele tamanho todo, acho que só vai servir para abafar o som da chuva que vai cair.
– E nem pra isso você serve – e, ignorando os protestos do outro, a aprendiz dirigiu-se para Andrômeda – Shun-san, tô indo na frente, tá? Vou ajeitando as coisas. Não se preocupe, que eu vou levar o Fro. Ele tá com sono.
– Tudo bem. Daqui a pouco eu tô lá... – um movimento à frente de Shun (onde KS estava) chamou-lhe a atenção: ela estava colocando seu laptop sobre a mesa, depois de ter afastado seu prato vazio – O que está fazendo?
– Vou checar uns e-mails... – ela respondeu, acoplando uma espécie de cartucho em uma das entradas do aparelho (era um aparelho para ajudar na conexão com laptops**) – Tô postando umas histórias na net e quero ver se recebi comentários. Além do que, – ela deu espaço para que o outro visse o que estava no seu colo; ou melhor, quem estava no seu colo – Miro não está com um pingo de sono, mas também não quer brincar com o Aioria e o Shura.
– Hum... tomar conta dos mais agitados vai ser um problema – Shiryu comentou – Eles gastam energia de uma vida inteira em um dia.
– Somente... mas não me importo – ela voltou sua atenção para a tela luminosa, enquanto o escorpiãozinho mexia com um carrinho – O Miro tomou conta de mim quando eu era pequena. Por isso, quero retribuir, mesmo que só por um mês.
– Quero ver se vai dizer se é "só um mês" quando a situação apertar – Ikki falou.
– Você realmente é um amor, né, cara? Shun, você é um anjo. Agüentar um cara como esse não deve ser fácil.
– Também não é assim.
Do outro lado da mesa, Aldebaran conversava com a tia Manda, a serva mais velha do Santuário.
– Barata? – a mulher perguntou – Mas não pode ser. O lugar é limpo todo dia...
– Seria um teste do deus Chronos? – Touro falou mais para si mesmo do que para a serva.
– Sei lá... pode ser. E a chuva que vem aí pode ser também. Não é de chover muito nessa época.
– Bom, se o velho quer testar a gente, não vai ficar muito feliz em saber que não teremos problemas – o homem comentou, pegando Shaka do cadeirão.
Bom, se isso era verdade ou não, somente o tempo diria.
Continua...
* Obs: Bom, esse é um termo mais forte que 'baka', que seria algo como 'idiota'; portanto, 'bakayarou' seria algo como 'retardado', ou algo do gênero.
** Obs 2: Parece-me que esse cartucho existe mesmo... meu tio tem laptop e ele comentou que é um treco que faz a conexão, e sai bem mais barato que conectar no celular. Sei lá qual é a empresa que criou esse negócio, mas parece que só funciona em algumas cidades (capitais, pra ser mais exata).
E é isso aí! As coisas vão esquentar, podem ter certeza. Bom, duvido que esses caps estejam tão bons quanto a fic da Pipe-san, mas estou tentando... ^^; Não deixem de comentar, OK? B-jaum!
Para a Prudence-chan, que comentou no cap anterior: Sabe que eu nem me lembro de onde tirei essa da barata? Só sei que veio rapidinho, e acabei escrevendo numa boa... nem lembrava que criança tinha disso. E com relação aos "tapas e beijos" do Chibi-Mu e do Chibi-Shaka... nem vou falar nada, senão entrego o cap seguinte =^.^= E quanto às cenas com o Chibi- Afrodite... pode ter certeza que teremos mais, porque ele é simplesmente UM AMORZINHO quando pequenino! XD Ah, e eu dei uma passada no seu flog. Cara, A-DO-REI a série "banheiro". A do Shun com o Hyoga é a mais fofinha, na minha opinião. Poderia ter uma com os cavaleiros de ouro, né?
Capítulo 8: Facilidade? Não mesmo!
A hora da janta estava chegando e as crianças estavam começando a ficarem irritadas. Até mesmo Kamus, o mais paciente, estava ficando nervoso e bastaria uma faisquinha para tudo ir pelos ares. E as servas estavam demorando a prepararem a refeição! Essa agitação estava contagiando as "babás", também (menos Ikki, que estava dormindo no sofá desde que chegou lá).
– Ai, Zeus, dai-me forças – Shiryu falou alto, ao ver Shura e Aioria brigarem por causa de um carrinho – Shura o que está fazendo?
– Eu quelo o calinho! – Capricórnio falou exaltado.
– Ai, meu anjo da guarda... se todos os dias forem assim, eu não chego inteiro no final da semana! Prometo que, se eu sair inteiro dessa bagunça e se todos eles estiverem inteiros também, vou tentar ser um cara mais responsável, vou ser um bom marido para a Shunrei e serei um bom pai para os nossos filhos! – Shun o olhava meio espantado. Nunca tinha visto Dragão daquele jeito.
– Tio Oga! – Aioria puxou a calça de Cisne, chamando sua atenção – O Milo pegou o cavalinho que eu tava bincando.
– Miro, devolve o cavalinho pro Aioria – Koorime pediu.
– Não, quelo binca! – o escorpiãozinho abraçou possessivamente o animalzinho de pelúcia.
– Ai... – a jovem deu um tapinha na própria testa – Isso tá ficando pior.
– Vem cá, Aioria – Hyoga pediu, pegando o leãozinho pela mão – Vamos procurar alguma coisa para brincar.
"Apesar de ter sido filho único, ele é bem paciente", Patty, que estava próxima, constatou isso do rapaz. Depois olhou para Kamus perto dela e para Shun, que brincava com Afrodite com a fazendinha de montar (na verdade, ele estava tentando desviar a atenção do peixinho da bola que Kamus estava brincando). "E acho que sei porque..."
– O que tá acontecendo aqui? – Seiya entrou na sala de recreação com a maior cara lavada. Aquilo foi o cúmulo! Nem mesmo Shun agüentou.
– NADA! – foi a resposta que Sagitário recebeu de todos. Ele foi a faísca que estava faltando para explodir tudo.
– Onde você estava, sua besta?! – Belier, que estava com Mu no colo, gritou revoltada.
– Como assim "onde"? Na casa de Sagitário, ora essa...
– E ainda diz isso na maior cara lavada?! – Máscara da Morte berrou dessa vez – Putz, vá ser alienado no Submundo!
– Ei, poderiam ser menos grossos com ele? – Saori apareceu ao lado dele.
– NÃO! – foi a resposta curta e direta que receberam. Com aquele berreiro, Ikki acabou acordando.
– Daria para vocês pararem de gritar que eu tô tentando dormir?
– NÃO!! – a retruca calou rapidamente Fênix.
– Por que vocês tão brigando com o tio Seiya, tia Misao? – Saga perguntou silenciosamente, como se com medo de irritar ainda mais sua "babá".
– É porque ele não é responsável. Deveria estar ajudando a tomar conta dos pequenos, mas, ao invés disso, ficou dormindo na casa dele.
– Eu ajudei, né? – os olhinhos dele começaram a brilhar em expectativa. Isso só serviu para melhorar o humor dela.
– Ajudou, meu anjo.
E não era mentira; Gêmeos tentou cuidar dos mais novos, apartando brigas e brincando com eles quando os adultos estavam ocupados com os outros. Uma criança de seis conseguia ser mais responsável que um adolescente de 17 anos!
– Viu?! – Koorime tirou os dois de seus devaneios – Até o Saga, que é bem mais novo que você, tem mais responsabilidade.
Não demorou muito e Mu já estava chorando de novo, junto com Shaka, que estava com Aldebaran.
– Tá vendo o que vocês fizeram?! – Belier colocou o bebê de cabelos lavanda no colo de Seiya – Agora faz o Mu parar de chorar enquanto eu vou até a cozinha ver se as servas terminaram de preparar a janta.
– Ei, eu não sou babá de ninguém, não! – o ex-cavaleiro de Pégaso protestou.
– Dane-se! – a discípula de Áries exclamou, com os olhos faiscando de ódio. Definitivamente todos precisavam jantar.
– E não vem com essa de "não sou babá de ninguém", porque eu estou na sua casa com o Saga – Misao o lembrou – Você vai ter que ajudar, quer queira, quer não. Ou esqueceu disso?
– Pô, é mesmo!
– Aposto que nem notou quando eu entrei na sua casa e ajeitei as coisas na sala.
– Não, não notei.
– Bakayarou*... – suspirou, desistindo de reclamar. Só estava piorando sua situação, e ela não queria que as crianças ficassem ainda mais estressadas – Dá aqui o Mu, que você só tá assustando o coitado.
E era verdade: parecia que, com a saída de Belier e a sua "transferência de colo", o tibetano chorava ainda mais. Um tempinho depois Misao conseguiu fazê-lo parar. Ao que parecia ele gostava de um abraço feminino... pelo menos enquanto pequeno.
– Como você conseguiu? – Seiya olhou-a curioso.
– Simples: eu não tenho essa cara de bobo.
– Nani?!
Os adultos não resistiram e começaram a gargalhar (menos Saori, que não achara graça na piadinha, e Ikki, que tinha voltado a dormir).
– Não sei qual foi a piada, mas pelo visto foi boa – Belier comentou, entrando na sala – Olhem, a janta já tá pronta. Podemos levar os pequenos para lá. Ô, meu anjinho... – ela pegou Mu dos braços da amiga – Ficou comportadinho?
Cada um pegou seu pequenino e foram todos para o salão de refeições. As coisas já estavam lá, como no almoço: dois cadeirões para Shaka e Mu e duas mesinhas para os mais velhos. Depois de acomodados e com os pratos diante deles, os pequenos começaram a comer com gosto. A aprendiz de Áries o levou para um dos cadeirões e, depois de colocá-lo ao lado de sua cadeira e começou a dar o creme de espinafre que fora feito para os bebês ("Eles não podem comer algo muito pesado à noite. Faz mal.", foi o que a tia Manda, a mais velha das servas, falou). Aldebaran fez o mesmo com Shaka (este se sentou de frente para Belier). Depois que os mais velhos estavam acomodados, todos foram comer.
Tudo estava relativamente harmonioso, mas aquilo não durou muito: logo, os cavaleiros de prata entraram no salão de refeições, arrancando algumas caras feias (para dizer a verdade, muitas).
– Bem que eles poderiam se explodirem, né? –KS sussurrou para Hyoga, que estava ao seu lado. Cisne não resistiu e deu uma risada contida.
– Espero que eles fiquem de bico calado – Misao comentou consigo mesma, mas Patty, que estava ao lado, ouviu.
– Relaxa. Depois da "surra" que levaram do Saga na hora do almoço, vão ficar na deles.
– Sei não... estamos falando dos cavaleiros de prata.
– Eles não são tão retardados... – Máscara da Morte, que estava de frente para elas, falou com seu habitual tom de descaso.
– Mas mais uma vez eu digo: estamos falando dos cavaleiros de prata.
– É... acho que tem razão – Câncer olhou para a cara de vou-falar-um-monte- de-asneiras-para-esses-pirralhos de Kapella, o que fez com que o italiano erguesse a voz, e quem não ficou sabendo do episódio vergonhoso (pelo menos para Kapella) da hora do almoço, ficou sabendo naquele momento – Pô, Kapella, nem parece que foi você que apanhou do Saga no almoço! Senta a bunda em alguma dessas cadeiras, come e fica na sua!
– UHU! Dá-lhe MdM! – Misao exclamou. Ficara tão empolgada com o fora, que até esquecera as diferenças que tinha com o cavaleiro (ela nunca gostara muito do cara).
– Eu faço o que eu quiser, caranguejo – Auriga provocou – Não vai ser você quem vai me...
E, antes de terminar de falar, pela segunda vez no dia, o cavaleiro de prata foi jogado na parede... e novamente por Saga.
– Vai comer... que homem chato – foi o que o pequeno disse antes de se sentar novamente à mesinha.
– Ora, seu fedelho... – o homem levantou-se, mas deteve-se ao sentir um cosmo extremamente poderoso e hostil ali perto.
– Encoste um dedo nele, e você vai acordar falando fininho, amanhã – Misao ameaçou-o – Com certeza você não vai querer perder a cabeça que você mais usa para pensar, né?
Gargalhadas ecoaram por todo o salão, e aquilo só serviu para enervar ainda mais o cavaleiro.
– Como uma aprendiz ousa falar comigo dessa maneira!?
– Ousando... deixa a gente comer. Que porcaria.
Como não tinha como retrucar aquele pedido sem parecer infantil demais (se bem que a própria atitude de provocar os pequenos era infantil), e com medo de levar mais uma de Saga, Kapella foi silenciosamente até uma mesa que já estavam outros cavaleiros de prata.
– Sabe de uma coisa? – Shiryu comentou para Shun, que estava ao seu lado – Estou com uma sensação de que as coisas vão piorar.
– Eu também – foi a resposta dada por Andrômeda.
– E o que seria? – Hyoga, que estava na diagonal do amante, se meteu na conversa.
– Sei lá. Pode ser apenas uma sensação.
– Agora que vocês comentaram... não estão sentindo um vento meio forte e úmido? Já faz um bom tempo que estou sentindo isso.
– Verdade... – Dragão constatou a veracidade da afirmação... e aquilo o alarmou – Sabem o que isso significa?
– Que a gente pode ficar resfriado? – Ikki, que estava ao lado do irmão, respondeu, com um sorriso idiota nos lábios.
– Ah, cala a boca, Ikki! – Cisne ergueu o tom de voz – Se não for ajudar, também não atrapalha.
– Puxa... vamos ter sérios problemas MESMO – Andrômeda olhou apreensivo pela ampla janela do salão de refeições – Tá com jeito de que o mundo vai desabar.
– Ah, não, cara... – Hyoga bateu levemente a testa na mesa, propositalmente, como se isso fosse resolver o possível problema deles – Vai ser uma noite bem longa. Criança nessa idade tem pavor de trovões.
– Só quero ver como vai ser na casa de Peixes – Fênix intrometeu-se de novo – Se pelo menos eu tivesse lá...
– Só iria piorar a situação – Belier, que tinha terminado de jantar e ido até lá chamar Shun, retrucou antes que o rapaz terminasse de falar – Que homem pentelho! Eu não vou deixar você ficar na casa de Peixes nem pagando! O Aldebaran tá lá, e vai ajudar numa boa.
– Certo. Com aquele tamanho todo, acho que só vai servir para abafar o som da chuva que vai cair.
– E nem pra isso você serve – e, ignorando os protestos do outro, a aprendiz dirigiu-se para Andrômeda – Shun-san, tô indo na frente, tá? Vou ajeitando as coisas. Não se preocupe, que eu vou levar o Fro. Ele tá com sono.
– Tudo bem. Daqui a pouco eu tô lá... – um movimento à frente de Shun (onde KS estava) chamou-lhe a atenção: ela estava colocando seu laptop sobre a mesa, depois de ter afastado seu prato vazio – O que está fazendo?
– Vou checar uns e-mails... – ela respondeu, acoplando uma espécie de cartucho em uma das entradas do aparelho (era um aparelho para ajudar na conexão com laptops**) – Tô postando umas histórias na net e quero ver se recebi comentários. Além do que, – ela deu espaço para que o outro visse o que estava no seu colo; ou melhor, quem estava no seu colo – Miro não está com um pingo de sono, mas também não quer brincar com o Aioria e o Shura.
– Hum... tomar conta dos mais agitados vai ser um problema – Shiryu comentou – Eles gastam energia de uma vida inteira em um dia.
– Somente... mas não me importo – ela voltou sua atenção para a tela luminosa, enquanto o escorpiãozinho mexia com um carrinho – O Miro tomou conta de mim quando eu era pequena. Por isso, quero retribuir, mesmo que só por um mês.
– Quero ver se vai dizer se é "só um mês" quando a situação apertar – Ikki falou.
– Você realmente é um amor, né, cara? Shun, você é um anjo. Agüentar um cara como esse não deve ser fácil.
– Também não é assim.
Do outro lado da mesa, Aldebaran conversava com a tia Manda, a serva mais velha do Santuário.
– Barata? – a mulher perguntou – Mas não pode ser. O lugar é limpo todo dia...
– Seria um teste do deus Chronos? – Touro falou mais para si mesmo do que para a serva.
– Sei lá... pode ser. E a chuva que vem aí pode ser também. Não é de chover muito nessa época.
– Bom, se o velho quer testar a gente, não vai ficar muito feliz em saber que não teremos problemas – o homem comentou, pegando Shaka do cadeirão.
Bom, se isso era verdade ou não, somente o tempo diria.
Continua...
* Obs: Bom, esse é um termo mais forte que 'baka', que seria algo como 'idiota'; portanto, 'bakayarou' seria algo como 'retardado', ou algo do gênero.
** Obs 2: Parece-me que esse cartucho existe mesmo... meu tio tem laptop e ele comentou que é um treco que faz a conexão, e sai bem mais barato que conectar no celular. Sei lá qual é a empresa que criou esse negócio, mas parece que só funciona em algumas cidades (capitais, pra ser mais exata).
E é isso aí! As coisas vão esquentar, podem ter certeza. Bom, duvido que esses caps estejam tão bons quanto a fic da Pipe-san, mas estou tentando... ^^; Não deixem de comentar, OK? B-jaum!
Para a Prudence-chan, que comentou no cap anterior: Sabe que eu nem me lembro de onde tirei essa da barata? Só sei que veio rapidinho, e acabei escrevendo numa boa... nem lembrava que criança tinha disso. E com relação aos "tapas e beijos" do Chibi-Mu e do Chibi-Shaka... nem vou falar nada, senão entrego o cap seguinte =^.^= E quanto às cenas com o Chibi- Afrodite... pode ter certeza que teremos mais, porque ele é simplesmente UM AMORZINHO quando pequenino! XD Ah, e eu dei uma passada no seu flog. Cara, A-DO-REI a série "banheiro". A do Shun com o Hyoga é a mais fofinha, na minha opinião. Poderia ter uma com os cavaleiros de ouro, né?
