Disclamer: Os Personagens de Naruto não me pertencem, são de criação e autoria de Masashi Kishimoto.
Boa Leitura!
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Assim que chegou em casa e constatou que ele não estava ali, foi até a cozinha e deixou a cafeteira trabalhando, enquanto ia pro quarto tomar um banho e vestir algo mais fresco, um vestido quem sabe. Fazia muito tempo que ela não vestia um, não se sentia feminina o suficiente pra isso. Talvez seria bom vestir e jantar fora; apesar da noite quente, uma brisa refrescante soprava do lado de fora da casa.
Fechou a porta do quarto atrás de si tentando pensar em um plano para não se encontrar com ele. Se ele chegasse antes que ela saísse iria se arrumar e quando ouvisse a porta do quarto ao lado fechando sairia sem fazer muito barulho. Se não, ela simplesmente sairia.
Abriu a porta do armário e olhou as roupas penduradas. Deveria ter algo bonito e fresco para vestir, algo confortável, mas que a deixasse arrumada. Remexeu um pouco dentro de suas coisas e encontrou um vestido azul que Hinata havia lhe dado. Não era muito curto, feito de algodão, vestia muito bem e acentuava os seus pontos certos. A amiga havia lhe dado porque um dia enquanto andavam pela cidade ela se apaixonou por ele em uma vitrine, mas Sakura não tinha o costume de comprar roupas se precisasse. Ficou muito surpresa e feliz quando abriu a caixa em seu aniversário e encontrou-o dobrado perfeitamente. Só tinha usado uma vez.
Deixou o vestido em cima da cama, se despiu e foi até o banheiro, deixou a torneira aberta e enquanto a banheira se enchia, ela se olhou no espelho enrolada na toalha. Ainda tinha olheiras; alguns machucados roxos nos ombros e quadril devido à luta para resgatar os civis. É claro, seus pés ainda estavam enfaixados. Claro que ela poderia curar aquilo, mas só pouco a pouco, tinha perdido muito chakra e ainda estava de recuperação, não podia gastar chakra com ela, se aparecesse um paciente gravemente ferido ele precisaria de ajuda. Fazer uma sessão de cura no banho nos locais certos poderia apagar com os roxos e diminuir as olheiras, o resto ela cuidaria com maquiagem.
Não que ela fosse muito vaidosa, as pessoas tinham se acostumado em vê-la machucado, mesmo que ainda fosse estranho para alguém da sua altura. No entanto, ela era uma das figuras mais importantes no hospital principal de Konoha, cuidava de idosos a crianças, ferimentos graves a simples e não gostava da cara de espanto que os machucados causavam. Também não gostava de imaginar que as pessoas poderiam pensar que ela não podia cuidar de si mesma, quem dirá dos outros; como o vestido era de alças, os ombros apareceriam.
Amarrou o cabelo e deixou que a água a ajudasse a curar e relaxar os músculos tensos.
Entrou na casa silencioso como sempre, tentando não bater à porta. Já tinha escurecido e o vento havia ajudado a aliviar o calor, mas sua camiseta ainda estava suada e isso o incomodava. Tirou-a e colocou em uma das cadeiras da cozinha, se espreguiçou, esticando o máximo que seu corpo podia, foi até o quarto e jogou as kunais em cima da cômoda ao lado da cama. Estava com fome, mas não seria bom comer algo pesado demais, queria tomar banho, mas a fome era maior que a vontade de se limpar.
Lembrou da macieira no quintal e sabia que essa era a melhor refeição que ele poderia escolher depois de treinar. Passou pela cozinha mais uma vez e olhou a cafeteira funcionando, franziu a testa, mas ignorou pensando na suculenta maçã que o esperava no quintal da casa.
Abriu a porta que ligava a casa ao quintal e parou por um momento para admirar o jardim. Não tinha apenas a macieira, na verdade ela a coisa menos interessante ali. No centro no quintal havia uma cerejeira que florescia encantadora, suas pétalas rosadas balançavam levemente com o vento e a lua fazia com que ela quase brilhasse. Perto das cercas tinham outras pequenas flores bem plantadas e cuidadas. As macieiras ficavam plantadas no cantos da cerca. Talvez fosse isso que Sakura fazia até tarde da noite, tinha um portão que ligava a rua direto ao quintal.
Caminhou até as árvores cheias de maçãs, passando debaixo da cerejeira tentando não observar demais. Parecia um lugar íntimo da Sakura. Onde só ela deveria entrar. Quando voltou para a porta da que ligava a casa ao local se permitiu olhar uma última vez. De um ponto de vista diferente. Ficou parado embaixo da árvore sentindo o vento, até que uma das pétalas caísse na sua mão que segurava a maçã. Tinha o cheio dela. Se livrou de objeto cor de rosa deixando que o vento levasse embora quando ouviu um ruído estranho. Uma melodia vinha de algum lugar perto dali. Tentou seguir o som e parou a frente de uma parede, abaixo de uma janela. Era Sakura.
A voz suave cantarolava uma melodia serena, alegre. Sentiu o chakra dela vindo de onde deveria ser o banheiro dela, deveria estar iniciando mais uma sessão de cura. Ela fazia isso quase todas as noites, rápido, mas deixando um rastro forte dela e não tinha porque escondê-lo, ela estava em casa.
Quando o som parou ele caminhou calmamente até a casa, talvez essa fosse a hora de pedir desculpa. E ver se ela conseguia encarar ele. Sasuke queria parar de pensar nela, mas era difícil morando na mesma casa que ela.
Os dois abriram as portas juntos, ela a do quarto e ele a da cozinha, não tendo como disfarçar que um não tinham visto o outro. Ele não reagiu imediatamente e achou que ela voltaria pro quarto assim que o viu, pela expressão em seu rosto. Ela estava arrumada, de maneira simples, os cabelos curtos presos em um rabo de cavalo frouxo, deixando alguns fios bagunçados e o vento que vinha da janela aberta do quarto dela fazia com que o vestido balançasse e colasse no seu corpo, desenhando sua silhueta. Ele se lembrou da árvore de cerejeira a luz da lua. Brilhante e bela.
Ela o olhou e se sentiu uma idiota. Como não tinha percebido a presença dele? Ficou tão distraída se arrumando que não tomou cuidado pra que ficasse em alerta. E agora ela estava ali, parada na porta, olhando pra ele, sem decidir se deveria ir até a cozinha e depois sair ou se esconder no quarto. Mais uma vez ele não vestia a camiseta e os músculos apareciam firmes e levemente suados. O vento que batia do lado de fora da casa bagunçava seu cabelo, o deixava ainda mais encantador. E perigoso.
Segurou um suspiro e soltou o ar, sem nem ter percebido que tinha prendido. Arrumou a postura e caminhou até a cozinha, tentando ignorar a figura extremamente masculina perto dela. Ela só tinha que lavar umas louças e sair. Rápido e fácil.
- Boa Noite. - a voz grossa quase a fez pular de tão repentina e por estar tão perto. Em algum momento ele havia passado por ela e agora estava encostado na mesa mordendo uma das maçãs.
- Devia lavar antes de comer - sentiu raiva por ter aberto a boca. Ela não devia ter respondido. Só ignorado! Se odiava por não ter notado quando ele passou por ela, onde estava com a cabeça? Fechou a cara o continuou lavando os pratos e xícaras sujas na pia.
Era engraçado ver ela reagindo daquela maneira. Ele havia notado que ela quase suspirou quando pôs os olhos nele. Isso era divertido, era a Sakura fácil de lidar novamente, com o bônus de ela estar muito bem naquele vestido.
- Eu acho que posso me cuidar - ele disse com um sorriso torto, mesmo que ela estivesse de costas, ela perceberia pelo tom da voz dele. - já você, eu tenho minha dúvidas.
Ele observou o rosto dela ruborizar e teve vontade de rir, mas se conteve, não sabia se era de raiva e eles estavam muito próximos pra ele conseguir fugir de um soco dela. Ela sabia que ele estava falando daquela noite, mas ele estava brincando com ela e a Sakura tinha ficado constrangida por lembrar do "sonho". Ele tinha decidido esquecer a parte em que eles dormiram abraçados, tinha decidido esquecer da maravilhosa noite de sono, sem pesadelos.
Ela também tinha decidido, mas não teve sucesso. Ele estava tirando sarro da fraqueza dela naquela noite, estava rindo da confissão dela sobre sonhar com ele.
- Pode lavar pra mim? - ele não sabia bem o que estava fazendo, mas estava fazendo algo que levaria pra um lugar difícil de sair.
Ela sentiu ele se aproximar dela, colocando os braços em volta de seu corpo, mas sem realmente tocá-la. Aquilo era torturante, para os dois. Ele estava quase colando seu corpo no dela, Sakura sentia suas mãos tremerem segurando o prato enquanto olhava a maçã estendida para ela. Hesitou por um momento até decidir tirar logo a maçã da mão dele, lavar, devolver e sair daquela armadilha.
Os dedos pequenos e delicados puxaram a maçã de maneira brusca, e ele apoiou as mãos em volta da pia, sem se afastar dela. Pra ela aquilo só podia ser uma brincadeira pra ele, ele estava se divertindo com as reações nervosas dela, mas ele não tinha direito de brincar com os seus sentimentos.
Talvez entrar na brincadeira e fingir que pra ela não passava de atração fosse o caminho certo. Talvez.
Depois de lavar a maçã, se virou para ele estendendo ela, mas antes mordeu um pedaço e arqueou uma das sobrancelhas rosadas o encarando. Ele realmente não deixaria ela passar, ficaria ali, parado, olhando pra ela com aquele meio sorriso terrivelmente lindo? Pelo jeito ia.
