CAPÍTULO 8
— Olá. O que o traz aqui? — Lily deu um passo para o lado para ele entrar. Ele viera direto do traba lho e, como sempre, já havia soltado a gravata e aber to o colarinho da camisa. Sempre fazia isso ao sair da empresa, já era um hábito.
— Então este é seu novo apartamento — James dis se, parando no meio da sala e olhando ao redor.
— Você gosta? É bem pequeno.
Mas ficava em uma boa área, e dava para ela ban car o aluguel. Era difícil arrumar lugares decentes em Londres, e apesar de custar bem mais caro do que ela realmente podia bancar, Lily estava muito grata a Marlene por ter ajudado a segurar o apartamento para ela, apesar de o proprietário ter várias propostas de aluguel.
— Eu não tive oportunidade de fazer muita coisa ainda — ela continuou. — Pendurei duas de minhas pinturas.
— É, reconheci. — Saíram das paredes dele, dei xando espaços vazios que lhe incomodavam mais do que ele esperava. Ele já se acostumara a vê-los lá. O que só confirmava o perigo dos hábitos.
Ele foi até ao quarto, deu uma olhada, depois ao banheiro, e então à cozinha, que era pequena, mas tinha espaço suficiente para uma mesinha quadrada com quatro cadeiras. Não havia nenhum sinal de pre sença masculina, mas também aquele cara, fosse qual fosse seu nome, não teria tido tempo ainda de se ins talar. Se é que realmente pretendia. Lily podia achar que ele não era aflito a compromissos, mas se pensava que ele era o único homem em Londres a agir assim teria cedo ou tarde uma grande surpresa.
Ele enfim terminou sua inspeção e voltou para onde Lily estava, de pé ao lado de um sofá de dois lugares. Bem como ele pensara, ela não estava mais usando aquelas roupas que pareciam sacos e sim cal ças jeans e uma camiseta curta que fazia seus olhos involuntariamente mirarem aqueles seios fartos.
Graças a Deus ele estava sendo magnânimo o sufi ciente para ser amigo dela e ajudá-la com seus conse lhos sobre o sexo oposto. Ele se sentiu muito satisfei to consigo mesmo por sua absoluta falta de egoísmo.
— Nada mal — James disse, desviando os olhos dos dela. — Pequeno, mas não é o tipo de pocilga na qual a maioria dos solteiros costuma morar.
— Eu não moraria em uma pocilga — Lily re plicou. Pensou no local que alugava antes de se mu dar para o apartamento de James e corou. Aquilo não era o ápice da elegância, com certeza não, mas depois de uma temporada em um dos apartamentos mais chi ques que podia conceber, suas expectativas de mora dia mudaram consideravelmente. — Bem, ao menos não mais. Gostaria de beber alguma coisa? Chá? Café?
— Tem algo mais forte? Um uísque seria bem me lhor.
— Você sabe que eu não bebo uísque, James. Por que teria um em casa? — Como ele não estava se jo gando em seus braços e se dizendo um tolo por não ter percebido antes como precisava dela, Lily co meçou a ter dúvidas sobre a razão de sua presença em sua casa.
— E vinho, você tem?
— Acho que sim. Tomei uma taça ontem, e a gar rafa está na geladeira.
Ela começou a caminhar em direção à cozinha e deixou James pensando com quem ela teria tomado aquela taça de vinho.
— Você comeu alguma coisa? — ela perguntou da cozinha, enquanto enchia duas taças de vinho.
— Não precisa se preocupar comigo. Mas não, não comi, vim direto do trabalho.
— Eu também ainda não comi. — Ela sorriu e se sentiu culpada por estar gostando da presença dele. Marlene teria uma crise histérica se visse aquilo. Passou a ele uma das taças.
Ele bebericou.
— Se você for cozinhar para si mesma, posso acompanhá-la. Não estou com pressa esta noite.
Lily estava louca para perguntar o que havia acontecido com Andrômeda. Com certeza ele não esta ria lá se ainda estivessem juntos.
— Vou fazer um macarrão.
— Me fale de seu novo trabalho.
— Você quer macarrão? — Ela quase se ofereceu para fazer outra coisa, mas o bom senso a deteve. Tudo bem que ele tinha vindo visitá-la e parecia estar satisfeito de estar lá, mas isso não anulava a rejeição que ela sofrerá por parte dele.
— Pode ser.
— Não me faça forçá-lo a comer — Lily disse, com um tom rebelde atípico. — O molho é enlatado, e sei que você não gosta de enlatados.
— Simplesmente porque comida caseira é bem mais saudável, para não dizer mais saborosa, do que qualquer coisa em lata. Enlatados são cheios de conservantes.
— E é claro que você sempre teve o privilégio de jamais precisar comer qualquer coisa rapidamente...
— Eu não vim aqui para uma discussão inútil so bre as vantagens e desvantagens da comida industria lizada. Por que não me conta sobre seu trabalho? — Ele se levantou e se serviu de mais uma taça de vinho, e esbarrou nela ao voltar para o sofá, provocando on das de sensações lascivas em Lily.
Distraída pelo breve contato físico, Lily es queceu da pergunta que estava na ponta da língua: por que ele a havia procurado. Em vez disso, come çou a conversar animadamente sobre o novo empre go enquanto cortava tomates, uma pequena conces são devido ao horror que ele tinha de comida enlata da, e socava alho. Acrescentou também umas folhas do manjericão que plantava em um pequeno vaso.
O resultado ficou com uma aparência apetitosa.
— Muito saudável — James disse com um olhar aprovador. — É alguma nova dieta para sua vida nova vida? Você perdeu peso.
Lily estava orgulhosa disso. Mas de jeito ne nhum diria a ele que havia emagrecido de pura infeli cidade e depressão pelo afastamento entre eles dois.
— Pensei que você não ia reparar — ela disse, fe liz por ele ter notado. Durante as semanas gloriosas que passaram juntos, ele sempre comentava como gostava da fartura de seu corpo. — Mas jamais serei magrela. Quer dizer, a não ser pela cintura e pela bar riga, meu corpo continua basicamente o mesmo.
Começaram a comer.
— Também reparei isto. Seus seios continuam atraentes como sempre.
Lily corou e procurou se controlar, mas mes mo assim sentiu uma esperança renovada crescer dentro de si.
— Não precisa ficar me elogiando. Além do mais, você tem namorada, e tenho certeza que ela não fica ria muito satisfeita em saber que você está aqui, na minha cozinha, elogiando meus seios.
— Eu não diria que Andrômeda é uma namorada. Eu apenas saí com ela umas vezes, só isso.
— Ah, meu Deus. Será que ela se tornou possessi va demais com você?
— Não. É que no momento eu ando muito ocupa do cortejando outra mulher.
Lily tentou não transparecer que estava fer vendo por dentro.
— Trabalho inútil...
James começou a ficar irritado com aquela nova Lily. Onde estava a Lily de antes, que não re sistia a ele, que estava sempre às suas ordens, à sua disposição?
— Vem se aconselhando muito com sua amiga?
— Marlene? Sim, ela tem muita experiência na vida. Conhece todo tipo de gente nos tribunais, e é claro que acabou ficando mais esperta e durona. É difícil enrolar Marlene.
Marlene. Nem conhecia a outra, mas já se ressentia profundamente da influência que ela tinha sobre Lily.
— Eu não me lembro de ter enrolado você para que viesse trabalhar comigo. Não a forcei a nada. Na verdade, eu nem precisava ter oferecido aquele em prego, que, aliás, era bem generoso... Moradia de gra ça... Um cheque polpudo no fim do mês... Trabalho leve que permitia que você fizesse seu curso... Mas você podia ter recusado a oferta. — James sabia ven cer uma discussão. — Eu lhe pedi para fingir ser mi nha namorada por causa de minha mãe, mas não lhe forcei a nada. — Fez uma pausa. — Bem, não vim aqui para discutir com você.
Lily começou a tirar a mesa, sentindo as lágri mas ameaçando cair de seus olhos.
— Claro que não. Nem eu quero discutir. Parece perda de tempo, seja nos conhecemos tão... Tão bem. — Lily suspirou discretamente. — Bem, você quer um café? Acho que terei de me recolher em bre ve, estou exausta.
— De quê, de pintar o sete?
Lily sentiu seu tom brincalhão, e sorriu.
— Entre outras coisas. Agora que tenho meu apar tamento, não vejo sentido em ficar parada sem fazer nada.
—Isso também é conselho de sua amiga?
— Não é legal você ficar implicando com ela sem sequer conhecê-la — Lily disse, e olhou para o relógio de pulso.
— Esqueça. Bem, aceito o café. Ainda preciso lhe falar algo.
Ela fez café apenas para ele, mais uma indireta.
— E então?
— Bem, Lily. Não sei bem como dizer, mas eu a vi naquele clube com aquele tal de Anthony...
— Amos.
Ele ignorou a correção.
—... E vi como você é ingênua.
— Como?
— Por exemplo, veja como está sentada agora.
— O quê? Você veio aqui me dar lições de postu ra?
— Quando você se inclinou para me dar o café eu vi boa parte de seus seios.
Ela ficou com raiva e vergonha ao mesmo tempo.
— Então não olhe.
— Impossível. Das duas uma, ou você não tem no ção de certas coisas, ou então está deliberadamente me provocando.
Ultrajada, Lily não pôde crer no que ouvia.
— Você acha mesmo que eu estou aqui tentando te seduzir? Isto é a coisa mais arrogante e pretensiosa que já ouvi na vida!
— Sendo assim, você comprova minha tese de não ter noção do efeito que causa nos homens. E o mundo está cheio de predadores...
— Predadores? Predadores! Nem todos os ho mens são como você!
— Pois eu estou longe de ser um predador — res pondeu com toda a calma. — Sou mais a presa...
— Está querendo se fazer de inocente para mim?
— Não. Só estou dizendo que as mulheres me ca çam mais do que eu a elas. Bem, voltando ao tal su jeito...
— Amos não é nenhum predador.
— Como sabe?
— Você veio aqui me dar lição de moral? — Ela se levantou e estendeu a mão para que ele devolvesse a xícara. — Acho que está na hora de você ir embora. Nem devia ter vindo!
— Calma. Não fique histérica.
Lily começou a rir histericamente e puxou a xícara da mão dele, entornando um pouco de café em suas calças. Ele imediatamente se levantou e come çou a esfregar o tecido.
— E não peço desculpas. Você merece!
— Por quê? Por ter o caráter de querer lhe prote ger?
Lily conseguiu não gritar que só precisava ser protegida dele e de mais ninguém.
— Muita gentileza sua. Lamento derramar café em você, mas não vou pagar a conta da lavanderia.
— Dane-se a lavanderia! — James explodiu. — Eu vim aqui cheio de boas intenções e você as joga na minha cara!
— Eu sei cuidar de mim mesma.
— Pois ouça: cuidado com as roupas que usa, e cuidado para não se exibir involuntariamente, como fez agora há pouco.
— Não vou esquecer. Obrigada.
Ele caminhou lentamente até a porta, e depois ao carro.
Lily então, já só, liberou as lágrimas que lutou tanto para conter.
Enquanto dirigia, James decidiu. Queria Lily de volta. E iria conseguir.
Lily acordou de um sonho bom. O telefone to cava insistentemente.
Ela relutou em atender, e achou que ainda estava sonhando ao escutar a voz de James, pedindo descul pas por acordá-la, mas pedindo, quase exigindo vê-la imediatamente.
— Mas agora? O que foi desta vez?
— Nada que possa ser discutido por telefone. Ela pensou até que ele tivesse sofrido um acidente ao sair da casa dela. Já o estava vendo estirado no chão, sangrando.
— Preciso levar algo? — ela perguntou, já se le vantando.
— Levar o quê?
— Sei lá!
— Bem, em vinte minutos meu motorista estará aí.
— OK.
Ela só teve tempo de lavar o rosto e escovar os dentes.
Ao chegar, Lily não encontrou o que temia ao tocar a campainha.
— Você está bem! — ela disse, surpresa.
— Esperava que eu não estivesse? Entre.
— Não vou entrar antes de você me dizer por que me acordou daquele jeito pedindo para que eu viesse aqui.
— Entre que eu explico. Na verdade, não será pre ciso palavras. É algo que se explica por si só.
Ela entrou.
— Sente-se. Sinto muito perturbar seu sono.
Lily quase caiu para trás ao dar de cara com Petúnia.
Eu disse que James com falsa moral era pior que James fdp, né? Pois é! Hahaha. E a Petúnia? Puta que pariu! Se preparem porque aí vem macumba. KKKKKKKK
Olha, gente, eu sei que não consegui cumprir o prazo, de novo. Mas é porque fiquei sem o notebook e tal. Ah, segunda-feira é o último capítulo! Ah )=
Ah, e não esqueçam das reviews, por favor, hein! Reviews são tudo o que peço pra continuar a adaptação. Rs.
Lady Aredhel Anarion: Amos não tá, mas... Lily deu um balde de água fria no James, hein! Hahah.
Maria: Né? Esses homens de hoje... KKKKKKKK.
Maga do 4: Essa parte é imperdível mesmo! Rs.
Mila Pink: Acho que ele ainda está tentando convencer a si mesmo! Hahah.
Mariana E. Potter: Bem-vinda! Rs.
Colocarei o final aqui segunda-feira, eu acho... Mas só com reviews? Sem reviews? Sem final!
Beijos,
-Maria Flor Black.
