Capítulo 9 – Ignorando
Narrado por Edward Cullen
Eu acordei com uma puta dor de cabeça e descubro que provavelmente transei com minha melhor amiga. É, o dia não podia estar pior.
Bella estava a quase uma hora olhando para um ponto fixo na parede. E eu olhando para ela. Suspirei e passei a mão em meus cabelos. Enrolei-me no lençol e peguei o outro. Levantei-me e fui até Bella, sentando-me ao seu lado. Enrolei-a no outro lençol e encostei sua cabeça em meu ombro.
– Esse nós tivermos mesmo transado? – ela indagou.
– Eu não sei – confessei.
Era estranho pensar que eu havia transado com Bella. E o pior. Eu não conseguia me lembrar. Acariciei os cabelos de Bella. Eu nunca podia imaginar que isso um dia viria a acontecer conosco.
– Bella? – chamei.
Segurei sua cabeça, obrigando ela a me encarar.
– Olha, se nós tivermos mesmo transado, não podemos fazer mais nada, ok? Somos maiores de idade, solteiros, livres e desimpedidos e se o desejo falou mais alto, eu sei. Mas Bella, não precisamos ficar estranhos um com o outro, ok?
Ela não disse nada, apenas abaixou o olhar. Seu silêncio era a pior resposta.
– Bella? – chamei novamente. – Não estou dizendo que o que fizemos foi certo, mas também não foi errado. Consegue entender isso?
– Sim – suspirou. – Não foi um erro, mas não foi um acerto. Entendi.
– Não vamos ficar estranho um com o outro, ok? – pedi.
– Certo.
– Bom, eu vou tomar um banho. Vamos pegar o avião às sete horas da noite e já são mais de uma. – sorri nervoso – Pode ir guardando suas roupas se quiser, ok?
Bella assentiu e eu fui para o banheiro.
Assim que fechei a porta me encarei no espelho. Soquei a parede com força.
– Idiota, burro! – xinguei-me.
Como eu pude dormir com minha melhor amiga? Como? Tinha que ser um débil com eu, para fazer algo assim.
Alguns flashes da noite passada vinham em minha mente, mas eu não me lembrava de quase nada. Na verdade, apenas me lembrava da nossa dança, de quando no beijamos na areia, e depois quando resolvemos vir para o hotel. Mas, estranhamente, eu não me lembrava da parte em que tirávamos a roupa e tudo mais. Suspirei e entrei no chuveiro. Agora não podíamos apagar o que havíamos feito.
Eu nunca tomei um banho tão demorado em toda a minha vida. Meus dedos já estavam mais que enrugados, quando eu resolvi desligar o chuveiro. Vesti uma roupa mais social, já que iríamos viajar em algumas horas, e fiz minha barba. Escovei os dentes e dei uma secada no cabelo com a toalha.
Saí do banheiro e encontrei com Bella sentada na cama. Ela apenas sorriu e entrou. Olhei no relógio e vi que já se passavam das duas. Suspirei e fui arrumar minha mala. Foi enquanto eu fazia isso, que notei um pedaço de pano jogado ao lado da cama. Franzi as sobrancelhas e peguei o pano. Assustei-me quando notei ser uma calcinha.
E não era uma simples calcinha. Era a calcinha dela. De Bella.
Fiquei tão absorto em pensamentos, que não notei que o chuveiro já estava sendo desligado. Na pressa, joguei a pequena peça em minha mala e a fechei de qualquer jeito.
Bella saíra do banheiro, totalmente linda e arrumada. Colocamos as malas em um canto do quarto, e depois fomos comer algo. Sentamos em uma mesa mais afastada, e comemos em silêncio.
Um toque engraçado preencheu o local e eu percebi que se tratava do celular de Bella.
– Oi Alice... É, hoje... 19 horas... Estou contando com isso... O quê? Não,
eu estou normal... Ele está ao meu lado... Quer falar com ele?... Certo... Não se atrase... Um beijo.
– Alice vai nos buscar? – perguntei.
– Vai sim, acho que o Jazz vai com ela.
– Claro, claro.
Silêncio.
Terminamos de comer, em silêncio, pra variar e fomos para o quarto. Pegamos nossas malas, paguei o hotel e depois pegamos um táxi.
Dei o nome do aeroporto para o taxista e logo estávamos lá. O voo seria daqui há uma hora, mas mesmo assim, Bella e eu fizemos o check-in. Alguns minutos depois, tivemos o desprazer de encontrar com Tanya e James.
Eu teria que sentar ao lado de Tanya, e Bella ao lado de James, já que já havíamos comprado as passagens antes e tudo mais. Sentei a cadeira que me resignada e coloquei meus fones de ouvido. Não queria ter que ouvir Tanya reclamando a viagem inteira.
O voo fora longo, pouco menos que 3 ou 4 horas, eu não fiquei reparando. Incrivelmente, durante o caminho, Tanya não falou muito na minha cabeça. Agradeci mentalmente por isso.
Quando saímos do avião, Bella estava bêbada de sono, por isso eu a ajudei. Apoiando parte de seu peso em mim. Pegamos nossas poucas malas e eu liguei para Alice.
– Edward! Espere mais cinco minutos, ok? O povo todo de Forks, resolveu comprar um carro. O trânsito estava impossível, mas já estou chegando.
– Oi, Alice. – ri – Tudo certo, vamos esperar.
– O que aconteceu? – Bella perguntou se soltando de meu abraço.
– Você não vai acreditar... – ri.
– Fala logo. – pediu.
– Trânsito em Forks.
Bella riu, mas não era aquela gargalhada que ela dava antes. Dei de ombros e resolvi pensar que tudo fora por causa do sono. Sentamos em um dos vários banquinho que tinha ali no pequeno aeroporto de Port Angeles, e ficamos a espera de Alice.
Não demorou muito para que ela chegasse. Assim que nos viu, Alice pulou em meu colo e depois pulou em Bella. Cumprimentei Jasper com um abraço rápido, e depois ele foi abraçar Bella.
No caminho até o carro, fiquei em silêncio, tentando imaginar o motivo de estar com essa sensação estranha em meu peito.
Balancei a cabeça. Chegamos ao carro de Alice, colocamos as malas no porta-malas e depois seguimos para Forks. No caminho, Alice tagarelava sem parar, comentando sobre como foi o primeiro mês desse verão de 2010.
Bella estava tão calada, e tão quieta, que, se não fosse por seus orbes chocolates, extremamente arregalados, eu julgaria que a mesma estava dormindo. Eu sabia que ela não estava ouvindo nem metade do que Alice falava, mas ela assentia e às vezes sorria.
Alguns minutos depois, chegamos ao nosso prédio. Alice percebeu que estávamos cansados, e apenas nos deixou e disse que amanhã era pra Bella aparecer comigo na casa de meus pais, para todos conversarem melhor. Bella concordou e subimos.
Subimos pelo elevador os poucos andares daquele minúsculo prédio, e fomos para nossos apartamentos – que ficavam de frente para o outro.
– Boa noite, Bella – eu disse.
– Boa noite, Edward.
Ela entrou em seu apartamento, e eu fiz o mesmo. Fechei a porta, joguei a mala em qualquer canto e depois fui para meu quarto.
Narrado por Bella Swan
Eu tentei ignorar que o clima entre eu e Edward estava diferente. Mas não consegui. Por Deus! Eu havia transado com meu melhor amigo!
Mas havia um lado bom nisso tudo. Seria mais fácil de ignorar esse fato, já que eu não conseguia me lembrar de nada. Absolutamente nada. Suspirei e deite em minha cama, adormecendo logo em seguida.
(...)
Acordei no dia seguinte um pouco mais calma. Então toda a calma foi-se embora, quando eu me lembrei que eu teria um almoço na casa dos pais de Edward. Não. Eu não estava pronta ainda. Precisava de no mínimo uma semana para que tudo voltasse ao normal entre nós dois.
Escutei o telefone na sala tocar e corri para atender.
– Alô?
– Bells! Oh, minha filha! Esqueceu-se de seu pai?
Nunca fiquei tão feliz em falar com meu pai.
– Claro que eu não esqueci! – rebati – Por isso mesmo que hoje irei almoçar com o senhor e com a mamãe.
– Venha mesmo! O Edward vem também? – indagou.
– Acho que ele vai almoçar com os pais dele.
– Certo... Não demore a chegar.
Concordei e depois desliguei o telefone. Tomei um banho rápido, vesti uma roupacasual, amarrei meus cabelos e coloquei umas roupas na minha bolsa. Iria passar um tempo com meus pais, assim não precisaria dar de cara com Edward todos os dias.
O único problema, era que a casa dos pais de Edward ficavam a menos de 10 metros da casa de meus pais. Mas ainda sim, seria melhor. Coloquei roupa suficiente para uma semana. O tempo que eu precisava.
Abri a porta e dei de cara com Edward, que também estava saindo.
– Bom dia – ele disse.
– Bom dia – respondi.
– Já ia te chamar – riu. – Vamos?
– Hm, eu vou almoçar com meus pais. – disse – Meu pai ligou hoje cedo...
– Ah – disse. – Quer carona, então?
– Acho melhor eu ir ao meu carro, sabe? Eu vou ficar com eles uma semana, e não quero ficar dependendo do carro do meu pai. – ri.
Edward me encarou sério. Agora estávamos no elevador. Ele colocou uma mão de cada lado do meu corpo e me encarou.
– Você não está fugindo de mim, está? – perguntou, seus olhos verdes me perfuravam.
– N-não. Porque eu fugiria? – indaguei de volta.
– Não sei... Mas, de qualquer forma, não quero que fuja.
– Não vou – o assegurei.
– Acho bom.
Edward então me soltou e saímos do elevador. Entrei em meu carro e ele entrou no seu. Não esperei por ele. Acelerei e em poucos minutos estava adentrando a rua que meus pais moram.
Toquei o interfone e logo Renée abriu a porta. Deu-me um abraço apertado, alegando estar com saudades da filha. Rimos e eu entrei. Antes de fechar a porta, pude ver o carro de Edward adentrar a rua, e eu juro que ele estava olhando para mim.
Balancei a cabeça e entrei. O almoço ocorreu tranquilamente. Meu pai ficou super animado quando eu lhe contei que passaria uma semana aqui. Já se passava das quatro horas, meu pai pediu desculpas e teve que ir até a delegacia ajudar uns amigos e minha mãe foi ao mercado.
Fiquei navegando pelos canais na televisão, então, quando percebi que não agüentaria mais fui para o quarto dormir. Antes de realmente cair na cama, olhei pela janela e meu coração acelerou – mesmo sem eu saber o motivo – quando eu vi Edward saindo da casa dos pais. Seu olhar cruzou rapidamente com o meu e eu saí da janela, caindo na cama segundos depois.
(...)
Os dias foram se passando rapidamente, acabei ficando por quase três semanas com meus pais. Eu saía às vezes, quando via que Edward não estava por aqui, dava uma rápida passada para visitar Carlisle e Esme.
Terminei de tomar meu banho, coloquei minhas poucas roupas em minha bolsa, sequei meus cabelos rapidamente com a toalha e saí do quarto. Despedi-me de meus pais, prometendo voltar mais vezes.
Dirigi rapidamente pelas ruas molhadas e frias de Forks e em menos de 10 minutos, já estava estacionando meu carro na garagem. Olhei para o lado, vendo o carro de Edward ali, e suspirei.
Tranquei meu carro e subi pelo elevador. Assim que a porta se abrira no andar desejado, eu me arrependi de ter voltado da casa de meus pais. Edward entrava em seu apartamento, e ao seu lado uma mulher alta e ruiva, ria. Apenas suspirei e com passos firmes segui para meu apartamento, sem ligar para Edward e a ruivinha que estavam ali.
Edward, assim que me viu, sussurrou algo para a ruiva e ela assentiu, entrando no quarto.
– Bella! – eu podia ver que ele estava bêbado. – Minha linda, que saudades! – fez bico. – Você sumiu... – choramingou.
– Garanto que não sentiu minha falta!
Eu não entendia o motivo de estar com tanta raiva assim.
– Claro que eu senti...
Ele veio me abraçar, chegou a rodar seus braços em minha cintura.
– Me solta! – exigi. – Volte para sua ruivinha! – cuspi e o empurrei.
Entrei em meu apartamento e bati a porta com força. Escorei-me na parede e fui escorregando pela mesma, até sentar-me no chão, enquanto as lágrimas invadiam meu rosto.
Por Deus! O que estava acontecendo comigo?
~x~
O que será que está acontecendo hein, Bella? Hahahaha. Dois burricos! Mas para quem perguntou nos reviews: está é uma short fic e ela tem mas um capítulo e um epílogo! Deixem muitos reviews que eu posto o último capítulo ainda nesta quarta feira. :3
Bjs
