Primeiro encontro.

Ah, o quente solo grego. Era chegada a hora de viver um pouco mais e amargurar menos. Sofrer menos por causa do passado e tentar não sofrer pelo presente, porque o lugar era anestésico, entorpecente, pelo menos para mim. Enquanto estava em seu solo estava protegido de qualquer tragédia, mesmo as gregas. Nada me atingia, nenhum problema pessoal, sentimental ou coisa que o valha. Eu era totalmente sozinho ali, só meus pensamentos me acompanhavam. Pela primeira vez eu iria dividir o silêncio escaldante daquele lugar com alguém.

Mas o que me incomodava era esse certo alguém. Uma Weasley? Era extranha toda a nossa cordialidade e educação, fingindo que estávamos de bem e não estávamos. A rixa nunca terminaria, mas talvez para me salvar a trégua era válida e ela queria se vingar, idiota que era. Tudo bem, entraríamos no jogo, jogaríamos, venceríamos e iríamos embora com mais uma importante vitória para encher nossa estante. Uma perspectiva animadora...

Estava na praia desde às quatro da manhã. Não tinha sono e tinha muito a pensar. Papel nas mãos, sentado na areia, a listar o que ia fazer e a escrever recomendações para planos. Estava longe no lugar onde certamente tinha alguém que dependia de mim, que precisava de mim e a quem eu estava disposto a dar tudo que pudesse. Mesmo que ela não quisesse minha ajuda. Talvez tenha querido antes, mas eu não estava lá. Dessa vez, estaria. Perdi-me nesses pensamentos, planejando, calculando e escrevendo recomendações e mais recomendações e pedindo, quase implorando a Mary, a enfermeira, que me ajudasse naquilo. Talvez por ser um Malfoy ela não confiasse em mim e era pela educação e personalidade Malfoy que me feria tanto o orgulho implorar, doía tanto , ainda que por uma boa causa. E no meio de uma série de argumentos foi que cabelos de fogo apareceram na minha visão, caminhando devagar, com ar de cansaço notável no rosto à distância e com uma curiosidade de matar.

-A boa e velha pontualidade inglesa... Estamos na Grécia, não precisamos nos preocupar com isso, aqui me parece ser o oposto.

Eu apenas sorrira, não tinha muito a falar. Melhor que o sorriso respondesse tudo

-O que estava escrevendo, Draco?

Primeiro: Ela me irritava com a intimidade, eu não era acostumado a ver isso em pessoas que eu conhecia de maneiras estranhas. Segundo: Quando ela chegou a mim, já tinha guardado os papéis há tempos. Será que ela não percebia que eu não queria comentar o assunto?

-Nada que te interesse, Weasley.

Ela sentara-se ao meu lado, quase despencando.

-Tudo bem, estou morta de sono, não vou insistir nisso.

-Não dormiu bem?

-Até demais. Eu sempre durmo muito, mas hoje tive de acordar cedo.

-Sei...

-Sabe? Você também está sofrendo com isso? -Seu tom era descontraído

-Não. Na verdade eu quase nunca durmo.

Então a conversa se encerrou naquele ponto e ela se deitou na areia, os cabelos compridos e vermelhos se espalharam pela areia e a areia branca neles, dando a impressão de que os fios eram o céu numa noite de frio e a areia as estrelas. Deve ter sido a visão mais bonita que eu já tinha visto, e a conversa demorou ainda mais a ser retomada, tamanho meu encantamento. Seu rosto se converteuem uma expressão de admiração e ela finalmente quebrou o silêncio do lugar deserto:

-Esse lugar é realmente lindo, Draco. Você tem bom gosto.

-Bem, eu só tinha vindo aqui uma vez, mas não é uma paisagem que se possa desprezar. Acho que foi o mais bonito que vi daqui.

-Definitivamente - sua voz parecia séria - Da até vontade de dormir! - Ela bocejou preguiçosamente, se espalhando e acomodando na areia macia.

-E então? Vamos combinar logo, agora que já viu o lugar bonito que queria na Grécia! Tenho pressa, tenho muito a resolver, Weasley!

-Sim...

Ela se levantou e sacudiu os cabelos retirando de maneira não muito eficiente a areia dos fios de fogo.

-Bem. Vou te expicar tudo que tem na minha cabeça e depois você pode acrescentar, mas por favor, não complique as coisas.

Deixaria ela falar. Quanto mais rápido aquilo se resolvesse, mais tempo eu teria para resolver os outros problemas, ainda que a distância. Os que tinha deixado na Inglaterra.

-Eu soube que ele mandou alguém me vigiar.

Mas minha língua implorava para responder

-Quem é?

-Não te interessa, mas está do meu lado.

-Como é que você tem certeza?

-Eu tenho certeza.

Não tinha não. Eu era o exemplo vivo de que nunca se pode confiar em decisões e escolhas. E muito menos na certeza das pessoas, essa era a coisa de que mais se tinha que desconfiar. Ninguém sabe até quando a certeza das pessoas dura. Elas podem falhar no último momento, ou no primeiro passo. Como eu já tinha provado antes, dos dois lados da moeda.

-Então está bem, vamos fingir que tem certeza, Weasel.

Ignorou-me e seguiu adiante.

"Então, nos casaremos legalmente, faremos uma cerimônia religiosa simples, daqui mesmo - andei me informando e são muito bonitas - mandaremos os documentos e fotografias para ele através do nosso espião duplo. Eu pago sua dívida amanhã mesmo, mas precisaremos ficar juntos por mais algum tempo depois do casamento, porque ele vai nos procurar. Também vamos mandar os documentos de uma suíte de hotel para nossa Lua-de-Mel.

Depois disso, ele vai falar com o Harry, mas não vai falar com o resto da família, porque sabe que eles matariam a você e a mim e aí estarei vingada e você salvo, porque eu exigirei que para que nos separemos ele te deixe vivo, principalmente porque você pagou suas dívidas e foi honrado comigo. Mas não se esqueça, é pra parecer que nos gostamos e que tudo que ele viu de desavença entre nós foi um mal entendido."

-E como vai explicar que você não sabia do envolvimento dele com o tráfico?

-Você estava tentando me proteger.

-Assim como ele tentou fazer?

Eu realmente a tinha magoado, mas graças a deus, ela não se deixou abalar.

-Direi que confiava no seu amor, e que você já tinha me contado o seu envolvimento, mas que só não tinha me contado pela falta de tato que tinha com os sentimentos. E tinha medo de me magoar.

-Que profundo, Weasley!

-Gina, por favor! Afinal, nós vamos nos casar...

Houve mais silêncio e ela se deitou na areia, olhando o céu que agora começava a brilhar mais forte

-E como nos conhecemos?

Deitei-me a seu lado.

-Pensei nisso também... Depois da briga com o Harry e da minha vinda ignorada por ele até aqui, eu me cansei de ter que viver às sombras dele e mandei uma carta terminando tudo, essa parte é verdade, e resolvi me entregar ao primeiro homem que vi, essa parte não, e aí descobri que estava apaixonada por você e você também tinha se apaixonado por mim pela minha beleza, inteligência e bom coração - ela fazia gestos teatrais para ilustrar cada qualidade.

-Pensei que a modéstia fosse uma virtude Malfoy.

Me virei para ela e vi que ela sorria calmamente, mesmo que em seus olhos houvesse mágoa. Estava aprendendo a simular sentimentos. Pelo menos era uma evolução depois das mentiras mal contadas que eu a vira pregar.

-Agora que sou a futura Senhora Malfoy...

Espirituosa, essa Weasley... Para quem vinha de um ninho de ratos, era um humor bastante irônico e requintado. Talvez fosse a mágoa, que faz coisas incríveis com o ponto de vista das pessoas.

Outra vez naquela manhã, o silêncio predominou sobre nossas palavras e só houve o silêncio do céu que contemplávamos e o barulho apaziguador do mar. O mundo poderia cair sobre nós, que nenhum dos dois perceberia, tão absortos que estávamos em nossos pensamentos, que talvez, tivessem se entrelaçado.

-É engraçado não é?

-A maneira como fomos nos unir, você diz?

-Exatamente! Como será que nossas vidas serão depois que tudo acabar?

-Olha, Weasley...

-Gina!

-Gina, eu garanto que depois tudo voltará ao normal. Viveremos nossas vidas normalmente e você será somente Ginevra Weasley.

-Ginevra Molly Weasley.

-Ainda estou em dúvida se o Malfoy ficaria bem em seu nome.

-Acho que sim...

Então ela virou-se de bruços e continuou a conversar, apoiada nos cotovelos. Os cabelos cheios de areia voltanto ao meu ponto de vista.

-Sabe, Draco... Acho bom que estejamos nos dando bem... Seria impossível obter algum avanço se não deixássemos de lado nossas rivalidades infantis.

De repente, às costas dela, bem ao longe, uma pessoa vinha sozinha, caminhando devagar e trazendo ao lado um cão enorme. Me preocupava a cor dos cabelo.

-Rivalidades infantis à parte, você não acha que seria melhor se pagássemos agora seu irmão?

-Eu não tenho o dinheiro aqui.

-Mas ele está aqui.

Ela pensou ser uma brincadeira, mas quando olhou a expressão séria que eu fazia, convenceu-se.

-Está? Onde?

-Bem atrás de você, mas não olhe. Ele ainda não te percebeu aqui, e eu nem sei como, pela cor desses cabelos...

-Vamos encenar! Vamos! É melhor que ele veja com seus próprios olhos.

-Está bem, mas o que vamos fazer, Weas... Gina?

Ela se aconchegou em meu peito e começou a cena.

O irmão ainda demorou bastante para se dar conta que tinha outra Weasley ali, mesmo que a praia estivesse completamente vazia naquela manhã à excessão dele, do cão e de nós, ali deitados na areia branca. Ela cochichara em meu ouvido que eu passasse as mãos em seus cabelos devagar, o que confesso: não foi um trabalho duro a se fazer.

Quando o outro Weasley finalmente se deu conta de que sua irmã e um Malfoy estavam deitados romanticamente nas areias de uma bela praia grega era impossível distinguir cabelos e rosto, tão raivoso estava. Fosse qualquer fosse sua reação nos segundos seguintes, eu já havia me arrependido profundamente.

Gina também parecia arrependida, mas levou até o fim a farça. Sentou-se na areia e disse entre dentes:

-Como vai, Gui?

-Eu é quem pergunto.

-Vou bem, como pode ver.

O cão foi em direção à Ginny e foi o único momento em que ela sorriu verdadeiramente depois de saber da presença do irmão. Abraçou-o forte, como se fosse o único que merecesse alguma demonstração de carinho.

-Olá Scraps!

-O que está fazendo aqui com ele? - Weasley interrompia a interação entre a irmã e o cão.

Eu era mero espectador, não me atrevia a participar.

-Estamos combinando algumas coisas.

-Que coisas?

O tom das vozes estava aumentando e meu arrependimento era proporcional.

-Coisas sobre... nosso casamento.

Ele até soltou a guia do cão, um enorme labrador amarelo, que veio se sentar ao meu lado tranquilamente.

-Você está louca ou o quê?

Era a mesma pergunta que eu queria fazer. Como é que diz as coisas assim?

-Talvez esteja.

Ela ficou de pé, e atmosfera foi tão tensa que eu também tive que ficar de pé. Pelo menos seria mais fácil correr caso precisasse.

-Talvez? Você ESTÁ louca, definitivamente.

-Não estou não.

Ela tomou minha mão.

-Nós nos amamos - ela disse com convicção e creio que meu rosto desmentia o que ela disse. - E vamos nos casar logo logo.

-Vou contar pros nossos irmãos!

-Não vai não, porque você não gostaria que eu morresse, gostaria? - Um a zero para Gina. - Ele te deve dinheiro e vai te pagar. Você não vai querer ficar sem seu dinheiro, vai? - Dois a zero - E além do mais, se nossos pais souberem, vão achar que a culpa é sua de eu ter me envolvido com um Malfoy, porque no fim, eu sei que eles te mandaram milhões de recomendações quando souberam que eu viria pra cá.

Placar final: Três a zero. Mas existem os bons e os maus perdedores e já era sabido que Weasleys tinham o péssimo hábito de serem maus perdedores.

-E você, Malfoy?

Não é nada agradável ser intimidado por um Weasley, especialmente quando ele está armado de um cão enorme que se põe de pé quando o dono fala mais alto com outra pessoa.

-Eu o quê?

Apesar do despeito, eu tinha medo.

-Cuidado com minha irmã! Não toque nela ou eu te mato. Hoje estou desarmado e não digo isso pelo fato de não ter comigo minha varinha, mas se fizer algo a ela que eu não aprovo, eu te mato.

-Não sem antes eu te devolver o dinheiro. Certo?

Um soco muito forte me atingiu no rosto e caí no chão a partir daí, só me atingiram golpes de sorte.

O primeiro:

-Se tocar nele, Gui, você irá me atingir. Tire suas mãos dele!

Interpôs-se entre nós minha heroína.

O segundo:

O cão começou a morder a canela do dono, puxando-o para longe dali. Meu herói Scraps.

Mas antes de sair uma promessa ou desafio ou desaforo ou coisa que o valha:

-Você ainda me paga, Malfoy!

E cuspiu a maldição. Dizem que as pragas dos Gregos são as piores, ainda que ele não tivesse nascido ali, confesso que foi o momento em que mais me arrependi de ter aceitado aquela bobagem de vingança com a Weasley. E o pior é que nem sabia se ele só queria o dinheiro ou se queria também meu sangue.

Infelizmente era tarde e só coube a mim deixar que Gina cuidasse do soco e entre um cuidado e outro me dissesse:

-Me desculpe por isso. Prometo que te livro dessa.

Deu-me pena o real arrependimento que vi em sua voz de ter me colocado naquela enrascada e aquele primeiro encontro entre Weasleys e Malfoy era um mau presságio.

N/A: Essa semana não tenho aula porque tem olimpíadas na escola, e como eu não sou esportista de equipe (só futebol e basquete com as amigas :D) não participo. Vou ter tempo pra escrever, isso se tiver inspiração, então prometo tentar escrever mais um ou dois capítulos ainda essa semana. Ai, mini-férias, que felicidade! Vou nadar, ir no cinema dia de semana, passear com minha cachorra! IHA! E vocês podem ler enquanto isso.

Thaty- Continua mandando reviews! E tenha paciencia, porque agora vai esquentar a história:D