Nota: "Quem é vivo sempre aparece" eu tiro o meu chapéu para o autor dessa frase.
Depois de quase três meses (me desculpem por isso) finalmente um capítulo inédito em IDF. Eu precisei reescrevê-lo, por isso a demora, e os últimos meses foram tão corridos para mim.
Preciso urgentemente dos serviços do Albieri, um clone seria perfeito em minha vida! Brincadeiras à parte, conversaremos na nota final.
Música citada no início se chama Hard to say i'm sorry, Westlife. A música que a Bella está ouvindo se chama Broken, Lifehouse.
Espero que gostem do capítulo! *-*
Hold me now
It's hard for me to say I'm sorry
I just want you to stay
After all that we've been through
I will make it up to you
I promise to
Capítulo 9, Droga.
#
Durante todo o retorno para casa, eles não comentaram nada sobre o pequeno "incidente" de Edward no restaurante em que almoçavam. Bree sabia que algo torturava o irmão – provavelmente relacionado à Bella –, no entanto, não forçou os limites daquela linha tênue que estava entre os dois. O rapaz se mantinha absorto enquanto a irmã guiava com destreza o Volvo pelas ruas de Los Angeles em direção ao apartamento que pertencia ao ruivo.
Brianna não podia deixar de notar que Edward parecia uma criança indefesa. Embora o rapaz fosse um adulto de vinte e seis anos, era carente de algo que eles precisavam descobrir – juntos – o que era. Apenas assim, talvez, ele pudesse ser novamente feliz. Ao lado de sua amada Isabella, ou com alguma outra mulher que ele se envolvesse futuramente.
– A comida do restaurante estava maravilhosa! – ela introduziu um assunto qualquer para findar a nuvem de silêncio que pairava sobre eles de modo angustiante.
A formada em Psicologia, Brianna Cullen, não era adepta ao silêncio, embora tivesse que suportá-lo quando algum paciente – geralmente em sua primeira estadia ao divã – recusava-se a falar. Algo que ela achava "normal" se contando o fato que, mesmo se tratando de um profissional que está disposto a ajudá-lo, essa pessoa não deixa de ser um estranho. E ao estar deitado no divã para confidenciar coisas de sua vida para esse desconhecido, algumas pessoas ficavam tímidas. Outras desatavam a falar, contando desde as lembranças às decepções da vida adulta. Ela sempre os escutava com calma, anotando em seu bloquinho partes resumidas do monólogo para em seguida fazer a análise sobre o comportamento do paciente em questão.
– Estava como outra qualquer – depois de algum tempo mudo, Edward enfim respondeu à questão da irmã quase perdida na imensidão de segundos que se passaram.
– Não seja tão rude, Edward – admoestou Brianna, meneando a cabeça de um lado a outro. – Para quem estava sem comer por vários dias, eu esperava que você fosse lamber os pratos!
– Agora você acredita quando eu digo que não sinto fome? – ele virou-se para fitá-la, com aquele olhar que claramente queria dizer "eu lhe avisei!".
– Não, eu não acredito – contrapôs. – Você acha que não sente fome. Se eu tirar uma foto de você, nesse instante, e enviá-la à sua esposa, como Bella reagiria ao vê-lo?
Edward abaixou a cabeça ao ser questionado.
Bella. A sua Bella.
– Eu não sei.
– Bem, você está mais magro. Bem mais magro. Sem contar nessa barba horrível em seu rosto. Nós podíamos ser expulsos do restaurante, sabia? Ou então que o gerente do hotel chamasse o exército por conta de uma possível ameaça vinda de um homem com semblante de terrorista! – gracejou.
Edward rolou os olhos com o exagero da irmã.
– Menos, Bree. Bem menos.
– Estou falando sério! – seu timbre aumentou. – Você parece um primo distante do Osama Bin Laden!
– E desde quando eu tenho barbas compridas?
– Se eu aparecesse aqui daqui a dois meses, com certeza estaria tão semelhante, ou pior.
– Eu estou tão ruim assim? – levou os dedos ao queixo, tocando uma cama espessa de barba.
– Péssimo! – fitou-o com uma expressão disfarçada de piedade.
– Certo. Há uma barbearia duas quadras antes do condomínio – anunciou, vencido. Se ele desejava se tornar uma "boa" pessoa para reconquistar novamente o amor de sua Bella, tinha que estar ao menos com uma aparência humana.
– Sua melhor escolha do dia, Edward – Brianna bateria palmas se não estivesse no volante. Então, canalizou a sua alegria a penas sorrir, apoiando a sábia decisão do irmão tão perturbado.
– Devo ressaltar que estou fazendo isso por motivos pessoais – argumentou fitando à estrada pela janela aberta. – Essa barba incomoda e coça pra caralho.
– Não seja mal-educado! – repreendeu.
– Foda-se.
Ignorou a pirraça de Edward, não mais aderindo a um assunto até chegar à barbearia citada pelo irmão.
Era um prédio enorme – provavelmente cerca de 20 andares – e no térreo havia um espaço para uma lanchonete e ao lado a barbearia. Após passar pela porta giratória, entraram no salão. Havia cerca de 10 homens sentados em algumas cadeiras, enquanto cinco estavam sendo atendidos. Ambos faziam cortes em seus cabelos.
– Boa tarde, senhores! – uma jovem moça os cumprimentou. – Gostaria de marcar um horário? – por ser um espaço reservado ao público masculino, a ruiva direcionou a sua atenção apenas a Edward.
No entanto, antes que Edward pudesse abrir a boca para falar, Brianna tomou à frente da situação.
– Quais os serviços são oferecidos?
– Oh, sim. Queiram me acompanhar, por favor.
A jovem moça com o semblante de uma pessoa com mais de 30 anos, os guiou até uma sala ao fundo que era acoplada à barbearia. Brianna lançou um olhar sugestivo para o irmão, que rapidamente ruborizou.
– Bella me "obrigava" a fazer uma massagem relaxante duas vezes por semana. Em suas palavras, eu andava tenso demais.
– E eu concordo com isso – disse em um sussurro, enquanto continuavam a seguir a jovem que estava logo à frente.
– Era desnecessário – deu de ombros.
– E você continuou a fazer as massagens?
– Claro que não! – olhou-a como se tivesse sofrido alguma ofensa.
– Chegamos! – anunciou a garota, virando-se para eles. Os passos dela eram lentos quando rodeou o balcão, ficando por trás da madeira. – O senhor está para se casar? – inquiriu, buscando alguns livrinhos.
– Já sou casado – resmungou.
– Oh, sim, peço perdão por esse erro – ela ruborizou. – É que nós estamos com uma promoção ótima para os noivos. Perdão mais uma vez.
– Sem problemas – interferiu Brianna. – Qual é o seu nome?
– Grace – respondeu com simpatia.
– Certo, Grace. Esse rapaz, – apontou para Edward logo atrás –, ele precisa de uma repaginação completa. Em outras palavras, quero que ele "nasça" de novo.
Grace analisou a figura de Edward que encarava qualquer ponto daquela pequena sala que não fosse a irmã ou mulher que já conhecia há algum tempo, embora nunca tivesse tido nenhum contato direto com ela. Era sempre Bella que resolvia tudo.
– Ele precisa de um corte de cabelo, talvez uma hidratação capilar, evidentemente precisa fazer a barba, a menos que ele curta algo mais "selvagem" – sorriu abafado. – Bem, nós também oferecemos massagem, depilação. Estamos com ótimos preços para depilação na virilha e íntima...
– Sem depilação – interferiu Edward, quase em um rugir.
– Certo, sem depilação. Cortar, lixar e aparar as unhas também é algo que o senhor deseja fazer? – inquiriu anotando em sua ficha.
– Qualquer merda, menos depilação íntima.
– Tudo bem – riscou algo na ficha que escrevia. – Qual é o seu nome? Ou o senhor já possui cadastro?
– Edward Cullen – respondeu entediado.
A mulher batucou os dedos no teclado do computador procurando se havia algum cadastro com o nome oferecido.
– O senhor já está cadastrado – informou.
"Puta novidade", disse em pensamentos.
– O senhor Cullen já está na lista de espera. Há alguns rapazes na frente, então precisarão aguardar. No máximo uma hora.
(...)
Aguardar nunca foi uma das virtudes que Edward possuía. Os sapatos batiam incessantes vezes sobre o solo da barbearia enquanto aguardava o último cliente ser atendido. Brianna permanecia muito sorridente enquanto mais rapazes que estavam na barbearia ficavam surpresos com a presença feminina que não fosse Grace – a esposa do dono do estabelecimento.
Edward também não conseguiu evitar notar alguns olhares em direção à irmã.
– Quase duas horas, Bree – informou ao olhar pela... trigésima nona vez o relógio no pulso.
– Quanto tempo você gastou para se arrumar para o casamento?
– Hum... – pensou. – No máximo quinze minutos.
Bree olhou chocada para Edward.
– Você não teve um dia do noivo?
– Claro que não! Não perderia o meu tempo fazendo essas merdas, se o momento interessante seria a lua de mel.
– Você não presta, Edward.
– Ao contrário de Bella, que demorou quase um ano para chegar à igreja – exagerou. – Foi complicado ter que encarar os olhares tristes em minha direção, daqueles que acreditavam piamente que eu havia sido abandonado no altar – lembrou nostálgico. – O engraçado é que ela realmente me abandonou, mas não no altar. E apenas após dois anos de casados.
– Por sua culpa – lembrou.
– Sim, eu sei disso – abaixou a cabeça.
Não puderam continuar o diálogo, pois havia chegado o momento em que Edward voltaria a ser novamente uma pessoa normal. Ao menos era isso o que Brianna ansiava para o irmão.
Quase três horas depois, completamente famintos, eles pararam em um restaurante para comprar alguma comida para comerem ao chegar ao apartamento de Edward.
Após dividirem a refeição, Brianna entregou a Edward um envelope. Antes de abrir, sabia exatamente sobre o era aquilo.
– Seja o mais honesto que puder, por favor – orientou.
– Eu tentarei – garantiu.
– Edward, mesmo que alguma situação seja bizarra, não hesite em contar ou ocultar detalhes importantes. Por mais insignificante que possa parecer, esse questionário é muito esclarecedor.
– Para quando?
– Para amanhã, de preferência. Já que você "abandonou" a empresa por mais de um mês, o que será um dia? – perguntou retoricamente.
– Quantas perguntas?
– O suficiente.
– O suficiente para mim ou você?
– O suficiente – repetiu.
– Tudo bem – levantou-se do sofá. – Vou tentar responder antes de dormir.
– Leia atentamente as questões, Edward.
– Boa noite, Bree! – beijou-a na testa. – Apesar de irritante quanto um carrapato, eu estou apreciando a sua presença. Muito.
– Eu sei disso.
(...)
– Dormiu bem? – perguntou Bree assim que chegou à cozinha. Ainda era cedo da manhã, constatou ao encarar o relógio na parede da cozinha. Os ponteiros marcavam sete e meia.
Edward limitou-se a responder com um aceno positivo.
– Respondeu o questionário? – derramou o café na xícara de porcelana.
– Está no envelope em cima da estante – respondeu com uma careta, mordendo a sua torrada.
– Todas as questões?
– Brianna... – Edward respirou profundamente. – Não entendo no que "ajudaria" eu responder quantas vezes eu e a minha esposa fazíamos sexo!
A irmã apenas sorriu para o aborrecimento do ruivo.
– Por que eu tenho a certeza de que vocês resolviam os conflitos através do sexo – ergueu a sobrancelha quando fitou o irmão, desafiando-o a contestar. – E por essa sua carinha de culpado, eu tenho certeza de que estou certa.
– Quando você pretende ir embora? – mudou de assunto.
Brianna fingiu uma expressão ofendida.
– Eu nem bem cheguei, e já estou sendo expulsa?
– Se você continuar com essa sua idiota petulância, não vou pensar duas vezes antes de chutar a sua bunda para longe daqui.
– Sempre tão gentil, meu amado irmão – revirou os olhos. – Mamãe ficaria exultante em saber que lhe fiz uma visita, e como agradecimento, eu fui expulsa antes de completar quinze dias.
– Você não foi convidada – rangeu os dentes.
– De qualquer modo eu estou aqui – mostrou-lhe a língua. – E eu preciso do seu carro.
Edward cerrou os olhos.
– Você tem o seu carro.
– Por que usaria o meu, quando o seu está mais próximo? E, diga-se de passagem, está sendo uma ótima experiência desfilar por aí com o seu Volvo. E chama menos atenção do que o Jaguar.
– Você está fazendo isso para me irritar, Brianna – desferiu o punho contra a mesa, fazendo com o que o café em sua xícara respingasse na toalha branca.
A irmã ficou calada diante da acusação tácita do ruivo.
– Eu não vou lhe emprestar o meu carro – levantou-se. – E que vá à merda toda essa porra de questionário. Não são essas perguntas estúpidas que trarão Isabella de volta. E muito menos essa sua postura de "eu sou a porra de uma sabe-tudo".
Pisou para fora da cozinha deixando uma Brianna completamente estática. A torrada ainda estava em sua mão erguida em direção à boca, seus olhos em choque com a brutalidade das palavras de Edward. Se não fosse a sua fé no ruivo, teria, naquele instante, desistido dele e o deixado se afundar naquele buraco negro que ele escorregava dia após dia, até que o alívio funesto viesse para dragá-lo.
(...)
FLASHBACK.
Siesta Key, Flórida.
Quase completando seis meses de casados, o jovem casal arrumava as malas dentro do carro alugado para seguirem em direção à casa de praia pertencente aos pais do ruivo. Bella, sentada ao lado do marido, tinha os seus ouvidos preenchidos com a voz rouca de Jason Wade, enquanto ouvia a música Broken.
– Acho que eu quero ir para Las Vegas em nosso primeiro ano de casamento – Isabella comentou aleatoriamente.
– Las Vegas? – Edward repetiu, desviando momentaneamente a sua atenção na estrada para fitar a esposa. – Pensei que você escolheria algo como Itália. Itália me parece bastante romântica.
– Eu gosto de Las Vegas – a morena rebateu, tirando os fones do ipod do ouvido.
– Bella – Edward revirou os olhos. – Você está dizendo isso só porque assistiu Jogo de Amor em Las Vegas.
– E se nós ganhássemos 3 milhões de dólares, como o personagem do Ashton Kutcher?
– Bom, aí nós poderíamos fazer uma volta ao mundo... eu não sei. Comprar uma ilha isolada em algum país e nos esconder do mundo...
– Você se cansaria de mim – rebateu. – Ao menos eu me cansaria de olhar para sua linda face durante todos os 365 dias do ano, todas as estações, sem mais nenhum habitante.
– Richard e Emmeline estavam presos numa ilha, e eles não se cansaram.
– Eles estavam presos na ilha por causa do naufrágio, e não porque decidiram se esconder do mundo.
– Mas eles estavam felizes.
– Será mesmo? Que eu bem me lembre, no final Richard e Emmeline morrem envenenados.
– Porque encontram o filho deles, Paddy, comendo a frutinha venenosa. Isso é uma prova de amor, Bella.
– Você se mataria por minha causa, Edward? – o timbre de Isabella estava sereno, embora cauteloso.
– Sem pensar duas vezes – foi rápido em sua resposta. Bella engoliu em seco. – Você não faria isso? – pararam em um sinal de trânsito.
– Eu não gosto de pensar nisso – encostou a cabeça no vidro da janela do Volvo. – A morte é inevitável, isso sabemos desde que chegamos a esse mundo, mas lidar com ela... é complicado. Principalmente se for alguém que amamos com toda a nossa alma.
– E se eu morresse, Bella – iniciou Edward. – Você se casaria novamente?
Isabella suspira.
– Essa conversa sobre morte não está me fazendo muito bem – cerrou os olhos para impedir que as lágrimas teimosas escapassem. – E quando começamos a fazer análises sobre A Lagoa Azul?
– Você está certa – encerrou a conversa.
O trajeto até a casa de praia perdurou por mais trinta minutos até o ruivo estacionar o Volvo próximo à calçada. As janelas de vidro estavam abertas, e uma canção alegre explodia dentro do cômodo. Provavelmente a diarista ainda estava ali fazendo a arrumação; entraram de mãos dadas e foram recebidos por uma adolescente, provavelmente californiana, pois seus cabelos e pele bronzeada denunciavam a sua naturalidade.
– Boa tarde, Sr. e Sra. Cullen – cumprimentou a garota, tirando a poeira da estante com um espanador.
– Boa tarde – respondeu Edward, indiferente, seguindo com a esposa até o quarto para deixar as bagagens, quando foram interrompidos com as apologias da moça.
– Eu já estou terminando – a menina apressou-se em dizer. – Eu não sabia que vocês chegariam tão cedo. A Sra. Cullen, sua mãe, só me ligou agora pela manhã, e eu moro há duas horas daqui...
– Pode ficar à vontade – Bella disse com um sorriso. – Qual é o seu nome?
– Leah. Leah Clearwater. O meu irmão está no jardim regando as plantas da Sra. Cullen.
– Finjam como se a gente não estivesse aqui, ok?
– Sim, senhora.
– Por favor, Leah, me chame de Bella.
– Ok...! Bella...
A esposa de Edward despediu-se da jovem californiana para seguir o ruivo até o quarto. Ao chegar ao dormitório, o lençol de seda vermelha cobria o colchão. As janelas abertas foram fechadas assim que a esposa acabara de retirar o sutiã vermelho, e ele vislumbrou um garoto de mais ou menos dezessete anos fitar com lascívia sua mulher.
– Crianças – Edward rugiu, tirando a própria camisa.
– O que disse? – perguntou Bella com curiosidade.
– Nada – sibilou. – Vamos conhecer a praia. Estou esperando por você lá fora. Não demore.
Edward saiu apressado do quarto, batendo a porta com força ao passar. Isabella encarou o desenrolar com espanto, pois não entendia que bicho mordera o seu marido para ele agir com tanta incivilidade.
Ao terminar de vestir o seu biquine, colocando um vestido estampado e calçar uma sandália rasteira, a morena seguiu até a cozinha para procurar algo líquido para beber. De dentro da bolsa retirou um frasco com comprimido, pegando um e o colocando na língua, engolindo-o após sorver água natural.
– Eu odeio esse anticoncepcional – comentou para o marido que acabara de adentrar o cômodo.
– Então simplesmente para de tomá-lo todo maldito dia – apesar das palavras ácidas, ele conservava um sorriso zombeteiro em sua face angelical.
– E aparecer grávida, antes mesmo da formatura? Nem morta, Edward!
– Qual o problema em engravidar? – entortou os lábios em uma careta. – Eu já tenho vinte e cinco anos, acho que estou numa idade perfeita para paternidade, você não acha?
– Mas eu tenho dezenove. Estou estudando. Por que acrescentar uma terceira pessoa em nossa vida, quando nós dois é mais do que suficiente?
– Você sabe que eu vou querer um filho, Bella – tocou a barriga da esposa com a ponta dos dedos. – Um dia. Nem que para isso eu precise trocar esses malditos anticoncepcionais por pastilha de menta.
– Eu saberia reconhecer o cheiro de menta. Não é tão fácil me enganar – tirou as mãos do rapaz que permaneciam a acariciar o seu abdômen.
– Você às vezes se esquece de tomar o remédio. Eu poderia usar isso ao meu favor.
– Então eu acho que preciso trocar esses comprimidos por algo injetável. Rosalie toma uma injeção a cada três meses, é tão mais prático!
A expressão de Edward mudou radicalmente. Ele afastou-se da morena, e quando estava distante o suficiente, gritou sobre os ombros: – Acho melhor nos apressarmos.
(...)
A estadia de Brianna na casa do irmão durou um mês. Depois dos trinta dias, a psicóloga precisou regressar à sua cidade por conta de compromissos inadiáveis. Quando estava sozinho, Edward tentava pôr em prática todas as lições que aprendera com a irmã sobre controlar o seu ciúme obsessivo. Sentia mais do que nunca a falta de sua esposa Bella, mas sempre resistia ao anseio de capturar o telefone com o seu novo número e ligar para ela e implorar por seu perdão. Ajoelhar-se aos seus pés e derramar-se em lágrimas suplicando por sua volta. Mas resistira à tentação sempre que isso lhe permeava a mente.
– Você ainda não está pronto – a voz de Brianna ressonava em sua mente. – Você ainda não está preparado para reencontrar Bella. Espere mais alguns meses. Quem sabe sair com outras pessoas não ajude?
Lembrara-se de entrar em uma discussão com a irmã, ao tornar-se ciente de sua "proposta" em incentivá-lo a sair com outras mulheres. O pensamento de que Bella podia estar fazendo isso lhe dava náuseas.
– Você só pode estar louca, Brianna! – Cullen gritara para a irmã; enfiando as mãos pelos fios embaraçados, ele pisava de um lado a outro da sala.
– Edward...
– Me deixe sozinho, Brianna, por favor – pedira antes que cometesse uma besteira com a loura.
Brianna levantou-se da cadeira e pisou duro até a varanda.
Não havia salvação para o irmão.
Ele era um viciado. Sua droga era Isabella.
(...)
Fazia uma quantidade significante de meses – ou anos – que Edward não fazia uma visita à família. Sentia-se culpado por ter magoado a irmã, quando ela apenas queria ajudá-lo. Então, aproveitando-se da oportunidade única que encontrara em que teria a família reunida, o aniversário de Esme, ele deixou a covardia de lado e dirigiu até a mansão dos pais.
– Edward! – Esme o recebeu com um caloroso abraço.
– Feliz aniversário, mãe – circulou os ombros magros da genitora. – Eu não trouxe um presente por que... – sentia-se envergonhado em confessar –, eu decidi que viria de última hora. Não deu tempo de passar no shopping, mas eu trago o seu presente amanhã. Eu prometo.
– Eu não me importo com presentes, filho – limpou uma lágrima que escorrera, borrando a maquiagem. – Você é o melhor presente que eu poderia receber neste dia especial para mim.
Abraçou-o novamente.
– Eu estive tão preocupada com você – ela segurou em concha as laterais do rosto do ruivo. – Você está bem? Por que não veio para casa? Oh, meu menino. Eu sinto tanto pelo o que aconteceu com você e Bella...
– Eu não quero falar sobre Bella, mãe. – Edward pediu, estranhando o fato de não sentir-se desesperado apenas em ter seu nome deslizando de sua língua.
– Você já está "curado"? – segurou a mão esquerda dele, fechando a porta de madeira.
– Acho que "curado" não é a palavra certa, mas acho que me acostumei. Os primeiros dias foram difíceis, acho que se não fosse Bree eu teria cometido suicídio.
Esme controlou-se para não chorar copiosamente.
– Eu queria ter estado lá para confortá-lo, Edward – apertou a mão dele. – Mas você impôs um muro entre você e Bella e a sua família.
– E eu sinto muito por isso – desculpou-se com o olhar. – Onde está Brianna?
– Bree está ajudando... – Esme mordeu a língua. – Eu não sei se você ficaria contente em ouvir.
– O que aconteceu?
– Você nunca aparece em meu aniversário, Edward. — o tom de Esme era cauteloso. – Nós não tínhamos como saber que, justamente nesse, você viria. Mas...
– Onde eu coloco essa torta de frango, Esme? – a matriarca foi impedida pela voz musical e infantil dela.
O corpo de Edward vibrou ao reconhecer aquela voz. Lentamente ele virou o tronco em direção à voz, e o mesmo assombro passava por aquelas íris marrom que ele tanto sentira falta nos últimos três meses. Ela estava diferente. Seus cabelos estavam presos por uma trança lateral, deixando-a com aspecto infantil. Usava um vestido estampado folgado ao corpo e uma sapatilha dourada nos pés.
Seu coração perdeu uma batida, ou talvez já tivesse sucumbido à morte ao vê-la.
A menos de três metros de distância.
Bella.
#
Perdoem-me por parar nessa parte. Próximo capítulo não demorará tanto tempo assim, eu prometo! Bella apareceu. No próximo saberemos o que ela andou aprontando no último mês que se passou (adiantando que terá algo interessante) e que houve uma mínima dica sobre o que será. Eu cortei algumas cenas que estavam previstas para acontecer na fic, resultando em encurtá-la. Primeiramente eu disse que ela teria apenas 15 capítulos, mas eu acho que será em torno de 12 e um epílogo. Isso é uma short-fic, logo são poucos capítulos.
Agora eu estou ansiosa por saber se eu ainda tenho algum leitor... Sei que com o tempo sem postagem, alguns pensaram que eu tinha abandonado a fic, mas isso não aconteceu. E nem acontecerá.
Certo. Deixem um comentário, por favor. Nem que seja para xingar essa pobre autora que vos fala.
Até muuuuito em breve! ;)
Beijos, Annie.
