Jared acordou sentindo-se tão bem quanto a muito tempo não se sentia, a mente serena e o corpo tão leve que o lobo pensava que podia levitar.
Demorou alguns segundos para lembrar-se de onde estava, mas o peso sobre o seu peito logo o lembrou. Olhou para baixo e viu a figura loira enrolada no seu tronco, enquanto ele mesmo estava enrolado com as pernas nas do menor.
Um leve sorriso brotou em seus lábios e Jared se remexeu devagar para não acordar o outro.
O alfa estava com a pele repuxando, seca nas partes onde seu sêmen e suor haviam se misturado.
Não existia a culpa que passara pela sua cabeça na noite anterior; tudo parecia certo daquele jeito, mesmo com um pequenino sentimento de orgulho ferido cutucando-o bem internamente.
Jared tentou puxar o braço que estava embaixo da cabeça de Jensen para poder levantar e ir tomar banho, mas o loiro se mexia junto todas as vezes. — Para de se mexer, droga. Tem alguém tentando dormir aqui. – Resmungou o mais velho ainda de olhos fechados, suspirando quando Jared abafou uma risada.
— Você sabe onde está e como está? – Perguntou Jared com uma sobrancelha arqueada e um tom de sarcasmo.
— Sei, na sua cama, pelado e te abraçando. Qual é, nós transamos ontem, não é como se não tivéssemos essa intimidade.
Jared deu de ombros, ainda olhando diretamente para Jensen de olhos fechados.
Abre os olhos, quero ver como é o seu olhar logo pela manhã. Disse a mente traiçoeira do lobo negro.
— Isso foi mais gay do que eu ter dado pra você. – Afirmou Jensen, rindo ao sentir que o outro ficou tenso, abrindo os olhos logo em seguida e o olhando diretamente nos olhos. — Feliz?
O alfa balançou a cabeça, contraposto e envergonhado.
— Eu tenho certeza que não tem nada mais gay do que dar o cu.
O ômega revirou os olhos e se afastou de Jared, rolando na cama e sentando sobre o colchão, focando seu olhar no chão em qualquer ponto distante, ficara incomodado com o comentário do moreno.
Assim que disse as palavras, Jared soube que tinha dito besteira.
— Eu não... – Começou o moreno, mas não sabia como completar. — Olha, só me desculpa, tá legal? Não vai ficar chateado por causa disso, né?
Jensen virou-se bruscamente para o lobo negro e o beijou nos lábios, segurando seu cabelo com força e dominando os movimentos da língua. Só se separaram quando o ar fez falta e o alfa ainda ficou desorientado quando o ômega se afastou de novo.
— O que você sentiu com isso? – Quis saber Jensen, com a respiração meio ofegante, mas totalmente concentrado no seu propósito de questionamento.
Jared piscou algumas vezes, passando a mão pelo cabelo para ajeitá-lo no lugar e respirando fundo.
— Eu... não sei. Como assim o que eu senti?
— O que você sentiu quando estava me beijando? Tipo, quando eu beijava minha ex namorada eu sentia meu coração acelerar, o corpo esquentar, o meu pau ficava meia bomba... esses tipos de sentimentos. O pau meia bomba já está descartado, mas e o resto? – Jensen disse naturalmente, como se fosse um assunto do cotidiano.
Jared ajeitou sua posição na cama e limpou a garganta, coçando o queixo para ter tempo de pensar na sua resposta.
— Eu acho que... o calor no corpo. Uma vontade de mais... se tivesse durado mais eu teria ficado de pau duro. Mas que porra de pergunta é essa? – O alfa estava confuso sobre qual caminho aquela conversa estava tomando e sentia-se extremamente vulnerável, pois sabia que não podia mentir para o ômega.
— Eu também senti isso. Um atração forte pra caralho, vontade de montar no teu colo ou te colocar no meu; vontade de foder. Mas e o coração acelerado? Sentiu?
O moreno meneou que não com a cabeça.
— Então é isso.
— É isso o que? Jensen, você está bem? – Indagou Jared, colocando a mão na testa do mais velho, que se afastou com um pouco de agressividade. — Pensei que ia surtar de alguma forma hoje de manhã por causa de ontem. Negou tanto que não iria transar e aí tudo aconteceu como aconteceu...
Jensen revirou os olhos mais uma vez, levantando da cama e começando a andar de um lado para o outro.
— É isso, Jared. Nós temos essa atração muito forte, mas não sentimos aquela paixão quando nos tocamos. É puro desejo.
— E...?
— E daí que eu posso lidar com desejo. Não tenho problema com isso.
— Nem se for desejo por um homem?
O loiro pensou por alguns segundos.
— Bom, eu achava que não, mas agora eu vejo que sim... Pelo menos com você.
O moreno cruzou os braços no peito e se escorou na cabeceira da cama, olhando para o ômega nu a sua frente.
— Então você não tem problema com sexo nem que seja com um homem...
— Com você.
— Tá, tá, comigo... desde que não exista um sentimento?
Jensen virou-se de costas por um instante e o olhar do mais novo foi parar direto na bunda dele, observando as marcas roxas que deixara e orgulhoso de si mesmo por isso;
— Pare de ser nojento! – Jensen exclamou, virando de frente para Jared novamente. — Tenho que lembrar de nunca mostrar minha bunda para você... – O loiro pensou alto. — E eu acho que é isso mesmo. Sentimentos são complicados.
— Então agora podemos transar?
— Sei lá. Você quer?
— Quero. – Jared respondeu rápido, com a boca começando a ficar mais molhada.
— Bom, se vamos fazer isso, saiba que eu não vou ser sempre o passivo. Você também tem uma bunda e eu também tenho um pau que adoro usar, inclusive.
— Espera, como assim? – Jared fez uma cara de desentendido, sentindo todo aquele calor que veio até o seu corpo de repente escorrer para fora na mesma velocidade.
— Não se faça de bobo que você não é. Eu gosto de foder e não vou abrir mão disso. Se quer transar comigo no seu cio, fora dele vai ter que deixar eu te foder. Se não, nada feito. Eu fico na mão e está tudo certo, mas e você? Aguenta?
Jared bufou, fechando a cara e desviando o olhar. Aquela possibilidade nem passava pela sua cabeça. Ele era um alfa, o mais poderoso alfa do pack. Não tinha nascido para ser possuído. O que o resto da alcateia iria pensar se descobrisse uma coisa como aquela?
— Se a sua necessidade de sexo é menor do que a opinião do resto da sua alcateia, então sinto muito.
O ômega provocou, virando de costas para o alfa e rumando para a saída.
— Não, espera. – O alfa fechou os olhos, mordendo o lábio e ponderando. Durante o seu cio ele iria precisar de Jensen, inevitavelmente, caso contrário coisas muito piores poderiam acontecer. Teria que passar por cima daquele tabu. — Tudo bem, eu topo, mas isso vai ser proporcional.
— Justo. – Jensen sorriu malicioso. — Então eu estou com duas em haver...
O ômega voltou para perto de Jared, engatinhando sobre a cama e chegando mais perto do alfa, que foi se afastando até sair do móvel.
— Nada disso, o acordo vale a partir do momento que nós o fizemos. O que passou antes, passou.
— Eu sabia que você iria vir com alguma desculpinha. – Falou o mais velho, sentando no colchão com uma cara amarrada.
Jared se aproximou dele lentamente e sentou ao seu lado.
— Tenta me entender, por favor. Eu sou um alfa, nunca pensei que fosse precisar fazer isso...
— Não é porque eu sou um maldito ômega, que eu pensei que teria que fazer.
— Eu sei, mas... é diferente. Você sabe que é, Jensen.
O loiro ficou em silencio.
— Eu vou tentar fazer um esforço, prometo, só me dá um tempo. – Pediu Jared, sendo sincero e olhando Jensen nos olhos.
Jensen suspirou longamente e suavizou um pouco a expressão, pousando as mãos sobre as coxas.
— Fazer o que, né.
Jared sorriu largo, colocando a mão sobre a de Jensen na coxa dele. Ambos direcionaram seus olhares para lá e ficaram em silencio por alguns segundos, até que o alfa segurou o rosto do loiro e o beijou novamente, sentindo as mãos dele abraçarem-lhe as costas e lhe puxarem para o seu colo. O alfa colocou uma perna de cada lado do corpo do mais velho, sentando sobre as coxas dele e descendo alguns beijos para o seu pescoço.
Deram mais um selinho e então ambos explodiram em uma gargalhada, rindo até que ambos caíram deitados na cama, um ao lado do outro, olhando para o teto.
— Isso foi bem mais fácil do que eu sequer poderia imaginar. – Jared disse.
— Eu sou prático... – Jensen falou e Jared riu. — Quer dizer... na maioria das vezes.
— Na verdade a minha grande surpresa foi essa. Até agora você só tinha sido um cabeça dura com tudo, concordar com algo que tinha repudiado tanto é até meio assustador.
Os dois lobos conversaram por mais algum tempo, outros assuntos além daquele discutido no começo da manhã. Um clima tranquilo pairava no recinto, algo que não se via há tempos.
-J2-
Genevieve jogou a xicara na parede e a porcelana de despedaçou, fazendo o café manchar o bege claro da sala de estar.
— Ai que ódio! – Esbravejou ela.
— Meu deus, amiga! Como ele pode ter sido tão baixo assim? – A loira perguntou chocada. Genevieve havia acabado de lhe contar sobre a noite anterior e como ela havia sido humilhante. — Ele sabia que você gostava do Jared e te levou pra uma emboscada pra ser humilhada... que asqueroso. Sabia que aquele Jensen não prestava assim que o vi.
— Eu também sabia que e ele era um escroto, mas não a esse ponto. E porque ele fez isso? Só porque eu queria o alfa dele? Aquele maldito vai me pagar, eu vou dar um jeito de ferrar com ele. Esse ômegazinho vai se arrepender de ter se metido comigo, oh se vai.
Jenna gargalhou, balançando a cabeça ao final. Sabia do que a sua amiga estava falando, pois conhecia o que ela era capaz de fazer quando estava com raiva.
— O que tem em mente?
— Eu ainda não sei, tô com muita raiva para pensar direito, mas eu vou descobrir alguma coisa.
— Sabe o que dizem por aí, né? Que o ômega era ou é hétero e por isso não queria fazer a cerimonia do elo tradicional, para ninguém ver ele sendo fodido pelo alfa... tenho certeza que uma gravação disso acabaria com ele.
Genevieve pensou na ideia e ela até que não tinha soado tão mal. Seria fácil de espalhar e Jensen com certeza se sentiria tão humilhado quanto havia feito a mulher se sentir. Ele pagaria o preço mais cedo ou mais tarde.
-J2-
Chad saltou sobre suas patas pelo tronco de árvore caído e acelerou a velocidade, cuidando para saltar sobre todos os montes de folhas secas que pudesse apenas para vê-las se espalhando pela brisa.
O lobo negro parou ao lado da margem de um pequeno lago e bebeu a água, esperando algum tempo para descansar antes de continuar sua corrida. Faziam algumas semanas que ele não passava por aquele trajeto e um cheiro estranho um tanto ao longe chamou sua atenção.
Andou até lá em um trote devagar, olhando ao redor, sentindo uma estranha sensação de estar sendo observado.
Quando finalmente pôde vislumbrar o que era aquele amontoado que chamava a sua atenção, o beta sentiu seus pelos se eriçarem e um calafrio percorrer a coluna.
Partes estraçalhadas de animais indecifráveis estavam espalhadas em formas geométricas pelo campo. Não havia sangue algum, apenas o vestígio seco nas carnes em decomposição.
Surpreendentemente o cheiro não estava forte, os animais pareciam recém mortos, entretanto a aparência da carne dizia o contrário.
— Que merda é essa? – Chad pensou em voz alta. Andando entre os símbolos e tomando precaução em não pisar em nada desagradável.
Voltou seu olhar para a floresta densa que se estendia a sua direita, há muitos metros de distância e focou entre as árvores para tentar encontrar alguém.
Sem sucesso em sua busca na floresta, o beta virou seu olhar para os símbolos de carne por mais alguns instantes, então voltou a sua forma animal e rumou para a alcateia, Jared precisava ver aquilo que o loiro nem sabia ao certo como chamar.
Alguém havia invadido o território Shawnee e deixado um recado macabro.
-J2-
— Eu quero um emprego de verdade aqui no pack. – Jensen disse de repente, fazendo Jared franzir a testa.
— Você já tem um, faz parte do pequeno conselho.
Jensen revirou os olhos.
— Isso não é trabalho.
O alfa riu, fechando a pasta que continha os gastos do mês e olhando diretamente para o ômega.
— Porque não seria? Os outros membros do pequeno conselho encaram isso como um trabalho...
— Eu não sei, não é nada realmente importante.
— Na verdade, eles me ajudam a tomar as decisões mais importantes. Pode ser que agora as coisas não estejam mais tão agitadas quanto estavam a três meses atrás, durante os confrontos, mas eles ainda são muito úteis sim. São a voz do resto da alcateia.
O loiro balançou a cabeça em concordância, levantando da cadeira giratória e andando até os livros na parede.
— Eu não sabia muito de como era a política em Tuskegee, mas com certeza o meu pai não tinha um conselho que o ajudava nas decisões. Tudo sempre foi com ele...
O moreno deu de ombros, se espreguiçando na cadeira e bocejando logo em seguida.
— Quem bolou essa ideia foi meu avô, funcionou muito bem quando ele estava no comando. Depois que o comando da alcateia passou pro meu pai as coisas meio que desandaram, ele não ouvia os conselhos dos outros e só agia por impulso. Quando eu assumi, prometi a mim mesmo que seria diferente dele, que não transformaria o serviço que eu tenho que prestar ao meu povo se transformasse em um controle absoluto meu.
Jensen ficou em silencio por alguns segundos, passando os dedos por alguns volumes de livros empoeirados.
— Muito nobre da sua parte, ganhou alguns pontos no meu conceito. – Falou o mais velho, sorrindo de canto. — Já leu algum desses livros?
Jared sentiu sua boca se contorcer em um sorriso sem nem mesmo se dar conta, não prestando atenção na pergunta de Jensen.
— Desculpe, o que?
O loiro revirou os olhos.
— Perguntei se já leu algum desses livros.
— Não, eram do meu avô. Agora só ficam aí por ficar.
Jensen soltou uma risadinha.
— Sabia. Você não tem cara de quem lê, mesmo.
A porta do escritório abriu-se bruscamente e uma figura suada e ofegante entrou. Os dois lobos presentes no recinto olharam para o ponto na mesma hora e viram que se tratava de Chad.
— Chad? Ei, cara, o que foi? – Jared perguntou, se levantando e indo até o amigo, que se jogou na cadeira em frente à mesa grande.
— Tem uma coisa... no campo. – Disse ele pausadamente, esperando alguns segundos para respirar e então voltando a falar. — É bizarro pra caralho.
Jared se apoiou na mesa, juntando as sobrancelhas em curiosidade e uma leve preocupação.
— Que coisa? – Jensen se manifestou.
O beta olhou para o loiro desconfiado, só então percebendo a existência dele no lugar e ponderando se deveria falar na presença dele. Por fim, decidiu que sim.
— Eu não sei explicar, são umas formas esquisitas feitas com partes de diferentes animais.
Jensen e Jared se entreolharam e fizeram cara de nojo.
— Como um código? – Perguntou o alfa.
— Talvez... sei lá que merda é aquela. Você precisa ver, está dentro do nosso território.
Jared concordou com a cabeça, ajeitando sua postura em pé.
— Então vamos.
— Só me dá uns minutos pra recuperar o fôlego, vim o mais rápido que pude. – Pediu o mais novo, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.
— Eu vou ir junto. – Jensen avisou. Jared e Chad lançaram seus olhares para o ômega ao mesmo tempo. Chad foi o primeiro a falar.
— Não vai, não. Isso não é coisa para você.
Jared coçou a nuca e concordou com a cabeça.
— É, realmente Jen.
O loiro bufou, olhando seu alfa nos olhos.
Eu vou ir, sim. Você não me manda e principalmente esse seu amiguinho aí.
Jensen, não tem nada para você lá. É assunto do alfa do pack. Jared tentou tranquilizar.
Não era você que estava agora mesmo dizendo que sempre ia levar em consideração a voz do resto do conselho? Eu faço parte do resto do conselho e não pode me impedir de qualquer forma. Eu vou ir.
Jared revirou os olhos, mas concordou com a cabeça. A única coisa que poderia fazer era obrigar Jensen a ficar com a voz de comando, mas ele tinha prometido que nunca mais a usaria.
— Tudo bem, ele vai.
Chad ergueu as mãos no ar, indignado.
— Mas por que?
— Chad, não tente entender. Ele não vai atrapalhar e nem fazer diferença se ir, então...
O beta chacoalhou a cabeça contraposto, enquanto Jensen comemorava internamente pela cortada que Jared havia dado nele.
O caminho de volta para o lugar onde Chad encontrara os símbolos fora rápido, Jared estava muito curioso quanto aquilo e se perguntava se havia alguma relação com o que JJ havia lhe contado no dia anterior.
Chad, que guiava o grupo, parou em algum ponto do campo aberto, sendo seguido por Jared e Jensen. O lobo beta olhou em volta, farejando no chão e ficando confuso.
— Era aqui... bem aqui. – Disse ele, voltando a sua forma humana acompanhado dos outros dois.
— Não tem nada aqui. – Jensen falou.
— Não diga? – Chad respondeu com ironia, entretanto não levou a provocação adiante. Estava mais preocupado com o sumiço dos símbolos que vira mais cedo.
— Tem certeza que era aqui, Chad? Esse lugar é todo igual, pode estar se confundindo.
— Não! Era aqui, eu sinto o cheiro. É como se fosse carne fresca...
Jared fechou os olhos e respirou fundo, focando todos os seus sentidos em captar os cheiros do lugar para tentar identificar odor de carne, porém nada lhe veio.
— Eu não sinto nada.
— Eu também não. – Jensen apoiou, tentando farejar de novo.
— Como vocês não sentem? O cheiro está por todo lugar! – Exclamou o loiro, levantando os braços no ar e articulando sua fala.
Jared olhou para o amigo com o cenho franzido e uma mão na cintura.
— Olha, Chad, eu não estou dizendo que você está mentindo para mim, só estou dizendo que não consigo sentir nada.
Não é possível que eles não estejam sentindo esse cheiro, nunca um cheiro foi tão intenso. Pensou o beta e Jensen ouviu, sentindo a preocupação dele.
— Mas isso é... não, cara, não. Onde toda aquela carne foi parar? – Perguntou ele mais para si mesmo do que para Jensen e Jared.
— Você tem certeza absoluta que era esse o lugar? – Insistiu Jared e Chad lhe lançou um olhar fulminante. — Tá legal, só tô querendo me certificar...
— Se tinha mesmo esses símbolos feitos de carne e agora não tem mais, alguém anda perambulando pelo seu território. – Pontuou o ômega, olhando para Jared de braços cruzados. — Só tem defesas nas áreas de fronteira com outros packs, certo?
— Sim, não há porque mandar pessoas para vigiar todo o território. Isso seria impossível, na verdade. É muito extenso.
— Então pode ser que outra alcateia ou mesmo uma matilha de coiote tenha percebido isso e anda invadindo seu domínio.
— Por que fariam isso? O único pack capaz de se igualar a mim numa luta é Tuskegee e eu acho muito difícil que eles estejam por trás de alguma coisa assim. Não arriscariam perder a água.
— Meu pai é honrado em seus acordos.
— JJ me falou ontem sobre uma coisa estranha no território neutro, como símbolos ou algo assim. — Informou Jared, levantando os ombros. — Será que tem a ver?
— Pode ser que sim, você viu pessoalmente? Pode descrever? – Chad perguntou afoito, querendo saber se eram parecidos com os que vira.
O alfa negou com a cabeça.
— Não tive muito tempo e achei que não era tão importante por estar fora do nosso território.
— Nós temos que ir até lá agora mesmo, eu posso dizer se são iguais ou, pelo menos, parecidos.
— Tudo bem, vamos até lá. Depois disso vou convocar uma reunião do pequeno conselho, você pode desenhar e quem sabe alguém dos mais velhos conheça os símbolos.
Chad concordou e os eles viraram os grandes lobos novamente, voltando na direção em que haviam vindo.
-J2-
JJ avistou os três lobos correndo juntos até o seu posto e desceu da guarita, preocupado com a motivação da visita repentina.
— Alguma coisa errada, alfa? – Perguntou o lobo alfa assim que os três se aproximaram na forma humana.
— Onde está aquela coisa estranha que você disse?
JJ enrugou a testa, Jared parecia sem o mínimo de interesse sobre o que ele havia lhe contado no dia anterior. O loiro até mesmo achou que seria completamente ignorado, mas não disse nada contrapondo o alfa, levando-os até o local onde havia avistado as formações de pedra.
Chad olhou para os símbolos e balançou a cabeça
— Não, não eram assim. Os que eu vi pareciam mais quadrados, com quinas bem definidas.
Jensen observou tudo quieto, tendo uma estranha sensação de déjà vu.
— O que você viu? – Perguntou o comandante dos tenentes.
— Uns símbolos bizarros feitos com carne de animais no nosso território, há uns quarenta quilômetros do pack.
— Mas eles sumiram quando voltamos para eu ver.
Jay está duvidando de mim, eu tô sentindo isso. Tá achando que eu tô mentindo, mas eu não tô! Chad pensou e isso não passou despercebido por Jensen.
Jared, eu ouvi o Chad e ele está achando que você tá duvidando dele. Tá nervoso... Jensen disse na mente do alfa, olhando para ele discretamente.
Mas eu não estou, juro que não. Só é muito estranho...
Eu sei, mas ele não sabe. Converse com ele quando voltarmos ao pack.
Jared balançou a cabeça em sinal de concordância e voltou a conversa entre Chad e JJ.
— O que vocês acham que é isso? – Perguntou Jared.
— Algum tipo de comunicação de um pack inimigo que está rondando a nossa área? – JJ sugeriu.
— Pode ser... – Chad consentiu.
— Tenho uma impressão que já vi isso antes, mas não consigo lembrar...
Os três lobos negros olharam para Jensen, Chad e JJ desconfiados e Jared curioso.
— Será que não é alguma coisa dos dourados? – Chad perguntou com suspeita e Jensen fechou a cara no mesmo instante.
— Não é coisa do meu povo, pode ter certeza. Eu já vi isso antes, mas não foi em casa.
-J2-
Retornando a mansão, a reunião com o pequeno conselho foi feita rápida. Chad tentou desenhar o que viu e o alfa mostrou fotos dos símbolos no território neutro, mas ninguém conseguiu identificar o que era aquilo.
Decidiram esperar até a sexta-feira para tomar alguma iniciativa sobre o assunto. Talvez pudesse ser mesmo uma ameaça e se fosse, eles teriam que se precaver.
À noite o jantar foi servido no mesmo horário de sempre, Samantha estava muito feliz com o relacionamento crescente dos dois lobos habitantes da mansão e Jensen quase sentiu vontade de vomitar com os pensamentos de planos futuros para eles da mulher.
— Está preocupado com os símbolos? – Jensen perguntou, largando seu celular na cama e olhando para o alfa, que prestava atenção na tela do seu notebook.
Estavam no quarto do alfa, Jensen de pernas cruzadas no que seria os pés da cama e Jared encostado na parede.
— Não muito, na verdade. É muito estranho, mas não sei se é uma ameaça real. Só gostaria de saber o que significam.
— Queria lembrar de onde já vi aquilo, quem sabe poderia saber a resposta. Steve com certeza deve saber, eu contava tudo para ele e ele tem uma memória excelente.
Jared levantou o olhar do computador imediatamente, focando em Jensen com intensidade.
— Quem é Steve? – Pergunto ele automaticamente, sem nem se dar conta do que havia feito.
Jensen sorriu debochado, sentindo o ciúme nas palavras do alfa e decidiu provoca-lo um pouco.
— Ah, o Steve é meu melhor amigo. Ele é gay, sabe... me ajudou algumas vezes durante o cio. É um ótimo amigo.
O alfa crispou os lábios e desviou o olhar, voltando a olhar para a tela do computador. Nem sabia porque sentiu aquela vontade enorme de socar alguma coisa, mas ela estava ali.
— Pensei que eu era o único homem que já tinha te tocado.
Jensen segurou a risada e controlou a voz para que ela saísse em um tom indiferente.
— Tecnicamente, não.
— Tecnicamente, Jensen? – Perguntou o moreno, olhando para o ômega com as narinas estufadas.
— É, tecnicamente. Ele me ajudou a decidir qual vibrador seria melhor para usar e me ensinou como usava.
Jared franziu a testa, olhando para o colchão, atordoado.
— Ele nunca usou o pau pra me ajudar, se está com dúvida nisso. – Jensen disse soltando uma breve risada no final e atraindo a atenção do alfa.
— Se tivesse usado, para mim não faria a menor diferença. – Disse o moreno fingindo desdém.
Jensen riu mais ainda, pois o alfa só havia se entregado mais dizendo aquilo.
— Sério mesmo? Então não se importaria se outro alfa já tivesse tocado em mim antes? Sabe, no cio eu ficava sem controle, qualquer alfa poderia fazer o que quisesse comigo e eu iria até gostar.
Jared bufou, apertando os punhos e fazendo os olhos brilharem, imaginando contra a sua vontade outros homens com o ômega.
— Mas nenhum fez, então pode parar com isso.
— Está com ciúmes de mim? – Jensen questionou com falsa inocência, se aproximando do alfa devagar.
— Talvez eu esteja, mas o que tem isso?
— Acho que nada, só perguntei porque nunca ninguém sentiu ciúmes de mim. Minha ex namorada era bem liberal quanto a isso, achei legal o sentimento.
O alfa nem havia se dado conta de que Jensen já estava do seu lado, pois sua mente ainda estava quente com os possíveis casos anteriores do loiro.
— Legal para você, só se for. Você nunca ficou com outro cara, né? – Indagou o moreno para ter certeza absoluta.
— Não, Jared, nunca fiquei. Isso tá estranho, sabe... parecemos dois namorados tendo uma DR.
— Não somos dois namorados, somos só amigos.
Jensen deu de ombros, apoiando o cotovelo na cabeceira macia da cama.
— Eu sei disso. — Ele pensou por uns instantes e então aquele questionamento de semanas atrás veio até a sua cabeça. — Aquela vez que você e o Chad foram até a cidade e voltaram de madrugada... você transou mesmo com as tais gêmeas? – Perguntou ele despretensiosamente.
O alfa precisou forçar sua mente para entender obre o que o loiro estava falando, mas acabou lembrando.
— Não, claro que não! Elas tentaram dar em cima de mim, mas eu disse que já estava comprometido. Desde que você chegou aqui eu não consegui mais ficar com outra pessoa, não me sentiria bem comigo mesmo se o fizesse.
Jensen sorriu de canto, de certa forma aliviado.
— Legal...
Os dois lobos caíram no silencio, olhando-se diretamente nos olhos sem conseguir desviar, até que ambos tomaram a inciativa de se aproximar.
O beijo foi lento e calmo, cada um com a mão no rosto do outro, acariciando as bochechas carinhosamente e enrolando suas línguas numa dança macia e saborosa.
Quando tiveram que se separar para respirar, ainda deixaram tempo para mais três selinhos estalados.
— Bom, eu... eu... vou pro meu quarto. Amanhã eu tenho que ir consultar com Alex cedo. – Jensen disse, levantando da cama e passando as mãos pelo cabelo nervosamente.
Jared limpou a garganta e consentiu, olhando para Jensen com o olhar baixo.
— Claro, vai lá.
— Boa noite, então.
— Boa noite. – Disse o moreno com mais confiança dessa vez, firmando seus olhos nos de Jensen.
O ômega saiu pela porta e o alfa levou as mãos até o rosto, soltando a respiração que nem sabia que havia prendido.
Continua...
