O preço do amor


Capitulo VIII – The End

Your House - Alanis Morissette

Eu fui até a sua casa
Subi as escadas
Abri sua porta sem tocar a campainha
Andei até o corredor
Na sua sala onde eu pudesse sentir teu cheiro
E eu não devia estar aqui
Sem permissão
Não devia estar aqui...

Você me perdoaria, amor, se eu dançasse no seu chuveiro?
Você me perdoaria, amor, se eu deitasse na sua cama?
Você me perdoaria, amor, se eu ficar a tarde inteira?

Eu tirei minha roupa
Pus o teu roupão
Passei pelas suas gavetas
E achei a sua colônia
Desci até a sua guarida
Achei seus CDs
E toquei o seu Joni

E eu não devia ficar muito tempo
Você pode chegar em casa logo
Não devia ficar muito tempo...

Você me perdoaria, amor, se eu dançasse no seu chuveiro?
Você me perdoaria, amor, se eu deitasse na sua cama?
Você me perdoaria, amor, se eu ficar a tarde inteira?

Eu queimei o seu incenso
Tomei um banho
Eu percebi uma carta que estava na sua escrivaninha
Ela dizia:
"Oi amor.
Eu te amo muito, amor.
Encontre-me à meia-noite."
E não, não era a minha letra
É melhor eu ir logo
Não era a minha letra

Então me perdoe, amor, se eu chorar no seu chuveiro
Então me perdoe, amor, pelo sal na sua cama
Então me perdoe, amor, se eu chorar a tarde inteira

Bella's Point Of View

- Encontraram um rapaz, com características parecidas com a de Edward em um hospital perto de onde aconteceu o acidente, ele foi vitima de afogamento, e estava morto, mas não se sabe se era mesmo Edward ou outro cara que estava desaparecido.

- Você ta ... di dizendo que... – Eu não conseguia falar a frase por inteiro, pois meu mundo estava se desabando e eu não tinha ninguém para me ajudar naquele momento.

- Não estou dizendo nada Bella, apenas acham que seja ele, mas já fizeram o DNA e o resultado vai ser informado no segundo que sair. E Emmet e Carlisle já estão averiguando em outros hospitais a chegada de Edward, ver se ele não está em outro lugar.

- Mas... não é possível... Alice ...

- Eu sei, você tem que ser forte Bella, por você e por Edward, eu realmente acredito que não é ele – Falou me abraçando. Mas aquilo não era reconfortante, não estava ajudando a evitar a minha queda naquele buraco negro abaixo dos meus pés.

- Mas...

- Ele está bem, acredite nisso. A gente precisa pensar positivo.

- Mas... deixa eu ir para casa? Eu quero ir para casa.

- É claro – Ela respondeu parecendo confusa. Me abraçou mais apartado e se separou quando alguém entrou – Olha, Jasper chegou.

- Oi Bella, oi amor. E então?

- Bella quer ir para casa. Pega as coisas dela.

Dizendo isso Jasper obedeceu Alice e nós saímos do hospital. Ao lado de fora tinha algumas equipes de jornalismo, que aparentemente queriam falar comigo pelo fato de eu ser a namorada de Edward Cullen.

Jasper conseguiu afastá-los ate chegarmos no carro.

Eu passei o tempo em silencio, e só prestei atenção na conversa entre Alice e Jasper quando citaram o nome de Edward.

Mas não falaram nada importante, apenas disseram que as chances do homem encontrado ser Edward estavam ficando cada vez menores.

Quando chegamos em frente a casa, Alice desceu comigo, e já procurava as chaves no caminho ate a entrada.

- Eu posso te pedir uma coisa? – Perguntei quando a porta se abriu.

- O que?

- Deixa eu ficar sozinha?

- Bella, você vai...

- Eu vou ficar bem, só me deixa ficar sozinha, por favor.

- Promete me ligar caso precise de algo?

- Eu vou ficar bem. Não precisa ficar preocupada. Se Jasper ou alguém tiver alguma noticia, por favor...

- Eu aviso – Ela me passou as minhas coisas e voltou ate o carro onde Jasper estava estacionando.

Esperei eles saírem da rua para entrar naquela casa que era tão parecida com ele.

O perfume dele nunca me pareceu tão forte, tão inebriante a ponto de me fazer vê-lo na minha frente quando fechei meus olhos. As coisas estavam bagunçadas, e faziam-me lembrar como fizemos ficar daquela maneira. Eu queria tanto ele ao meu lado.

Fechei a porta, deixando que a mascara que estava ali desaparecesse, deixando que as lagrimas saíssem e demonstrassem para aquele vazio a dor que me possuía.

Aquilo tinha acabado. Finalmente estávamos livre da perseguição, mas ele havia ido embora, tudo me fazia acreditar nisso. Não tinha como ele ser salvo antes de mim, e por que o levariam para outro lugar?

A única resposta era a que eu menos aceitava, a que eu menos queria acreditar. Mas era a única com lógica.

Eu podia sentir a presença dele ali, viva. Andando e perguntando pelas coisas, a procura de algo em meio à bagunça, ou tentando me agradar ao fazer alguma coisa na cozinha, mesmo nunca dando certo.

Meus olhos vagaram em direção a cozinha e a lembrança da tarde que o encontrei preparando um bolo de chocolate tomou minha mente. Ele estava sem camisa, usando apenas um avental todo sujo de farinha e chocolate, uma colher na mão e um rosto branco pelo pó da farinha. Eu podia visualizar tão bem aquela cena, que um sorriso se formou em meu rosto, mas meu coração se comprimiu lembrando-me que eu jamais teria aquela visão novamente.

Dei um passo à frente, sentindo-me mal em está ali. Aquela casa era nossa, dele e minha, sem ele ali não fazia sentindo a minha presença. Mas eu precisava tanto está naquele lugar.

Um banho me pareceu ser a idéia mais brilhante, eu poderia mentalizar a presença dele.

Depois de passar por cada canto da casa, cheguei ao banheiro e retirei toda a minha roupa, um banho na banheira com espumas seria perfeito, e eu pouco me importava com o gesso em meu braço.

Deixei a banheira enchendo e vesti o roupão dele, que ainda exalava o perfume doce. Enquanto esperava a banheira encher, coloquei uma música de fundo que no mesmo instante me pareceu perfeita ao descrever aquele momento, e apaguei algumas luzes, deixando o lugar parecido com o que ele gostava.

A música estava programada para se repetir quantas vezes fosse possível. E com o som dela eu mergulhei na banheira, tendo um pequeno choque com a temperatura fria da água

- Eu acho que não vou conseguir – Murmurei passando minha mão por meu ventre – Não vou conseguir.

Prendi minha respiração e mergulhei na banheira deixando-me cobrir pela espuma. Pretendia ficar ali embaixo ate que meu ultimo segundo chegasse. Ate que meu coração palpitasse uma ultima vez e eu pudesse encontrar Edward.

Ao poucos o ar começava a se tornar mais necessário, e eu lutava comigo mesmo para não cair na tentação de respirar. Concentrava-me na recompensa que eu teria. No que eu iria ver e fazer quando aquilo terminasse para mim também.

Eu podia sentir que aos poucos uma câimbra me tomava. Eu apertava meus olhos esperando que daquela maneira as coisas fossem mais rápidas.

Uma luz de uma cor ofuscante começou a me chamar atenção, e eu comecei a seguir ela, mas algo me puxou para fora de tudo aquilo, e eu pude sentir o ar entrar em meus pulmões novamente. Quem havia me tirado dali?

- Bella – Alguém falou aliviadamente quando dei um suspiro, ainda não tinha aberto meus olhos – Você é louca? O que estava fazendo meu amor.

Senti-me ser abraçada, e então percebi quem era.

- O que estava fazendo? Você ficou louca? Quer me matar? – Era Edward me metralhando com suas palavras, e sufocando-me em seu abraço – Não faz isso, por favor.

- Edward – Falei quando consegui – Você está vivo.

- Sim, eu estou, e graças a Deus eu cheguei a tempo.

- Você está vivo. Eu prensei que tinha te perdido.

- Mesmo se tivesse, esqueceu de nosso trato?

- Eu não consegui, pensar em ficar sem você foi pior que eu imaginava, ou lembrava. Eu não conseguiria. Me perdoa, por favor.

- Está tudo bem – Garantiu. Soltou-me do abraço e passou seus olhos por meu corpo – Você está toda machucada meu amor, me desculpa.

- Eu estou bem, com você comigo eu sempre estarei bem. Mas, como? Onde você estava? Está bem agora?

- Me levaram para um outro hospital, eu só consegui falar com meu pai a pouco tempo. Pensei que tivessem te avisado.

- Mas você está bem?

- Estou, nunca estive melhor.

- Eu fiquei com tanto medo, essa loucura tinha acabado e... Eu quero esquecer isso.

- Eu também- Ele beijou-me na testa e suspirou, olhando mais uma vez meu corpo- Vem, vamos sair daqui.

Percebi que ele estava na banheira junto comigo apenas quando ele saiu. Colocou-me em seus braços e levou-me ate a nossa cama.

- Bella, o seu braço, ele estava engessado? E o que é isso? O curativo. Bella você...

- Não briga comigo, por favor, eu só queria ir para onde você estava.

Fechou seus olhos e eu vi algumas lágrimas descerem pelo seu rosto. Ele ajoelhou-se ao meu lado na cama e apertou minha mão.

- Você tem noção do desespero em que eu fiquei quando te vi naquela banheira?

- Desculpa, eu estava desesperada.

- Não faz mais isso ta bom? Por sua causa eu vou tirar essa banheira daí, e na nossa futura casa não vou deixar ter banheira nenhuma.

- Com você comigo eu quero viver. Prometo que nunca mais faço isso.

- Obrigado – Ele falo aliviado - Sabe? Eu te amo.

- Eu também, sou louca por você – O puxei para ficar comigo na cama, mas ele não deixou que eu avançasse mais – O que foi?

- Eu vou cuidar de você, e vou colocar em pratica o que aprendi sobre engessar, e fazer esses curativos, agora você é minha paciente.

- Eu não quero ser sua paciente. Eu quero ser a sua namorada.

- Não, não quero que seja minha namorada – Ele falou. Me deu um beijo e foi ate o armário onde tinha as coisas dele, quando voltou ele ajoelhou-se novamente e me mostrou a caixinha de veludo azul escura – Eu tinha comprado alguns meses atrás. Quando vi esse anel, foi como se você estivesse ali, mas como estávamos em uma fase de brigas, eu preferi guardar para uma hora mais perfeita. Para quando terminasse a faculdade e tivéssemos certeza do que estávamos fazendo. Mas com tudo isso, eu não preciso de mais nenhum segundo para ter a absoluta certeza de que você é a pessoa que eu quero para o resto da minha vida...

- Você...

- Espera, eu ainda não terminei – Sussurrou calando-me com seu dedo. Ele abriu a caixinha e revelou o anel prateado com um diamante em forma de coração entre duas pedras vermelhas – Você aceita casar comigo?

- Eu seria louca se não aceitasse, é claro que aceito. Mas com algumas condições.

- Condições? – Ele parecia assustado.

- Sim, por exemplo, nada grande. Quero uma cerimônia pequena, nossos pais e alguns amigos. E na nossa futura casa vai ter banheiras sim.

- Eu também tenho condições, a lua de mel vai ser surpresa para você.

- Mas não me venha com lugares malucos Edward.

- E outra condição – Ele falou.

- O que?

- Nós vamos casar o mais rápido possível.

- Seria perfeito se fosse agora. Vamos para Vegas – Falei fazendo como se eu fosse levantar, mas ele me segurou.

- Não senhora, agora você vai ficar quietinha, e eu vou cuidar da minha noiva.

- Tecnicamente, eu não sou sua noiva, meus dedos ainda estão livres – Eu brinquei balançando a minha mão direita para ele.

- Não seja por isso – Ao dizer isso ele colocou o anel em meu dedo e beijou minha mão – Agora é minha noiva.

Fim.