Segundo Ato: Parte II
Alguns minutos passaram após os soldados inimigos deixarem o pequeno prédio onde mora Rosário e a arqueóloga Alexandra Carter aguardava na porta do mesmo a chegada de Tovalieri, que havia se atrasado um pouco. Logo a jovem oficial da GDF apareceu esbaforida e preocupada.
- Alex! Perdoe-me pelo atraso. Tive de enfrentar inimigos espalhados pelos arredores da cidade...
A policial notou a expressão fechada da americana.
- Que cara é essa, o que aconteceu?
- A Rosário, Paola. Eles a pegaram.
A noticia do rapto da hacker faz a pequena dos cabelos rubros levar as mãos a boca, espantada.
- Essa não! É tudo minha culpa. Se eu não tivesse demorado...
- Não tente assumir a responsabilidade por uma fatalidade. - Alex repreendera Paola
- Mas o que faremos agora?
- Entraremos em contato com os outros e arrumaremos um jeito de ir atrás da Rosário.
- Mas não sabemos para onde a levaram.
- Daremos um jeito de descobrir. o que não podemos fazer é ficarmos paradas.
A dupla então para um taxi e vai ao encontro de seus companheiros.
Longe dali, em Turim:Na sede da divisão I-2, o clima era o melhor possível. Vários capitães estavam presentes assistindo a operação feita por seus companheiros das tropas alemãs em Roma por via de micro câmeras implantadas nas roupas dos oficiais germânicos. A capitã, Vita Artico permanecia entretida conversando com sua conselheira enquanto os outros debatiam sobre os métodos pouco ortodoxos usados pelos Alemães.
- Vou telefonar para o líder da divisão que realizou essa operação e dar os meus parabéns. – Artico tomou em mãos seu celular e discou
Em Dusseldorf, na Alemanha, o telefone da sala principal da primeira divisão Germânica tocou e o supervisor das atividades alemãs da ISIS logo atendeu.
- Helmut falando.
- Boa noite, Helmut, aqui é a capitã da I-2, Vita Artico. Liguei para te dar os parabéns pela missão em Roma. Usar lanternas e teisers. Quem pensaria nisso? Você é mesmo um crânio.
- Apenas segui uma sugestão de uma pessoa da alta cúpula. Não tive grandes méritos. – o alemão não parecia muito feliz com os elogios de Artico
- Quanta humildade. Mas mesmo assim achei de bom tom lhe parabenizar pela ótima execução. As divisões italianas têm muito a aprender vendo o trabalho de vocês alemães.
- Ah, se você diz… - Helmut não era muito fã de bajulação – mas eu tenho de desligar. Estou com muito que fazer.
- Certo. Certo. Vai lá. – a italiana não percebeu a pressa do germânico em despacha-la.
A ligação se encerrou e Artico escutou uma pergunta de sua conselheira.
- Senhora, para onde levarão a hacker? Para a Alemanha ou para a divisão carcerária aqui mesmo na Itália?
- Isso fica para o grão mestre decidir, Nieddu.
- Muito bem, então. – a resposta não é satisfatória, mas Nieddu se cala.
De longe, Rinaldo apenas observava as interações entre as mulheres da I-2. O homem da I-1 não entendia todo aquele êxtase por uma singela missão.
Dusseldorf, Alemanha:Sonhos... Desde os tempos remotos, o segredo para se desvendar e entender um sonho sempre foi saber como interpretá-lo. Seja ele macabro ou maravilhoso.
No mar de sua consciência, o jovem rapaz de vinte anos andava sobre um tapete vermelho. Ao seu lado esquerdo várias imagens, algumas delas importantes acontecimentos do passado. No direito, imagens de lugares conhecidos: o Coliseu, a Grande Muralha da China, a Casa Branca. A cada imagem uma história, seja ela de horror, alívio, ou até mesmo ódio... Sentimentos opostos que se completavam no ser chamado humano.
Seus sonhos eram mais como profecias. Não sabia o porquê, mas possuía o sentimento de que podia ver o futuro, sendo que de forma intrigante. Em 2001, observou o choque dos aviões às torres gêmeas do World Trade Center ocupando a visão do piloto de uma das aeronaves. Em 2004, vislumbrou os atentados de Londres ocorridos no ano de 2005. Suas aclamadas visões não escolhiam tempo para aparecer, pois enquanto ele viu o atentado de 2001 dois dias antes de acontecer, os atentados a cidade de Londres ocorreram um ano após seu sonho. Instável, porém confiável... Essa era a natureza de seus sonhos.
Tinha certeza na incapacidade própria de impedir algum acontecimento, pois numa sociedade cujas pessoas só acreditam vendo, seria impossível fazê-los acreditar em sua suposta habilidade. Iriam pedir teste para drogas em seu sistema, talvez até considerá-lo lunático. Lembrara-se da resposta de sua mãe quando disse que poderia ver o futuro.
Se você pode ver o futuro, eu posso fazer uma vaca voar.
Se ela não acreditaria, quem mais acreditaria? Então manteve seu segredo para si mesmo. Porém tudo mudou quando certa pessoa apareceu. Tinha uma aparência de um garoto de quinze anos, de pele escura. Imaginava que poderia ser africano. Por que essa pessoa era especial? Devido a uma coisa que ele tinha dado como certo em suas visões. Ele, como ele mesmo, não poderia interagir com os outros. Quando tentava conversar com ajudar alguém, passara despercebido ou era confundido com a pessoa com que ele compartilhava a visão. Então suas visões eram mais como se ele estivesse assistindo a um show num teatro, tendo somente a si como espectador. Nunca de forma direta. Mas o garoto dirigiu-se a ele, o chamando de Alejandro Rivera. Seu nome real...
- Este sonho é seu, jovem?
A surpresa foi tamanha que o fez cair sentado.
- Quem é você? – a voz falhava – e como chegou aqui?
- Eu sou o Vitorioso, o mais poderoso ser que vence a todos seus inimigos.
Não imaginou, no instante, que um garoto de quinze anos pudesse ser ameaçador. Seu olhar profundo não aparentava mentir sobre quem era e todos os sentidos de seu corpo, ainda que fossem em outro mundo, o alertavam sobre aquela ameaça.
- Você foi o escolhido, filho do homem. Escolhido para ver o futuro do mundo. Escolhido para ver a irracionalidade dos deuses.
Dos deuses? Foi o que ele murmurou de imediato. Vivemos em uma sociedade onde quase todas as religiões eram monoteístas, porque ele se referiu a deuses?
Não havia percebido, mas o cenário havia mudado. Estava agora em uma sala branca com uma cadeira de madeira ao centro desta onde o ocupante era o próprio dono do sonho.
- Como você pode mandar em meu sonho? – a voz ganhava força à medida que Alejandro ficava intrigado com aquela entidade que poderia se mover livremente através de uma realidade que seria só dele – será que é algo relacionado a mim? A primeira profecia que envolve minha pessoa? Ou é outra personalidade se manifestando dentro de mim?
- Não. Se eu fosse lhe dizer algo, diria que sou seu guia. Aquele que lhe mostrará o futuro, não mais aleatório e sim o escolhido por mim.
E num estalar de dedos do adolescente que se introduzira como Vitorioso, as paredes brancas se transformavam em inúmeros noticiários de várias localidades: Estados Unidos, Brasil, Itália, Espanha, China... Se aproximando a passos lentos e com sua voz de criança, ele continuou o que parecia ser uma lição.
- Que fascinante... Você é um vidente estranho, Alejandro Rivera. Os antigos videntes que viveram antes de você, me amaldiçoaram. Já você manteve a sanidade... – o garoto continuou a conversa aproximando seus lábios nos ouvidos do jovem de vinte anos – isso lhe faz especial não?
Para que amaldiçoar a primeira pessoa com quem converso em uma visão? Disse a si mesmo e o Vitorioso parecia gostar de sua serenidade para com o assunto.
- Eu apareci para você por causa de suas músicas. Suas músicas, ou melhor, suas letras são um incômodo a mim, afinal elas descrevem o futuro, não é?
Verdade. Tinha feito sua estreia como cantor de música latina dois dias antes e escrevia suas letras com a finalidade de fazer que alguém percebesse e o ajudasse a prevenir eventos catastróficos. Tinha esperança, ainda que pequena, de que um teórico da conspiração, um jornalista procurando uma história observasse esta ligação. Entretanto o tiro ricocheteou. Devido às metáforas das rimas atreladas ao ritmo dançante e contagiante das músicas, ele teve uma ascensão quase que meteórica. Seu hit "Pássaros" atingiu o topo das paradas em poucos dias...
- Pássaros... Fala da história de seis passarinhos, que seriam mulheres jovens que se unem para roubar um banco em ordem para impressionar o namorado de uma delas... Seis dias depois, certo fundo de investimento é roubado e as assaltantes são todas mulheres. Estranho não, Alejandro?
Os olhos denunciaram. Estava completamente a mercê das palavras de Vitorioso. Medo, decepção, uma pitada de desespero... Estes sentimentos começaram a tomar conta de Alejandro. A revelação latina não sabia o que fazer para reverter à situação.
- Se pensa em suicidar-se para sair do sonho e voltar à realidade, não conseguirá – Vitorioso levantou seu dedo – sua mente está controlada por mim, esse espaço está controlado por mim. Se você morrer...
- Cairei em um loop espacial dentro de minha própria mente. Voltarei para o mesmo lugar quando abrir os olhos.
Tudo que ele estava sentindo antes se transformou em conformidade quando o cantor complementou o raciocínio.
- Mas não se preocupe. Hoje só vim lhe avisar que se tentar interferir com o futuro que você viu, sérias consequências o aguardam, mas nada impede que continue escrevendo. Manteremos contato.
Ele sumiu e quando Alejandro se deu conta estava em sua cama. Sua aparição, seis meses atrás, o fez pensar duas vezes antes de continuar a escrever as metáforas disfarçadas. Mas aquilo era sua marca, seu estilo e decidiu manter mesmo que morresse. Pensava em si como algo valioso para aquele pequeno garoto com o dom de mexer dos sonhos alheios. Recordou que foi procurar sobre ele na internet e achou inutilidades, exceto por uma página a qual dizia que o Vitorioso seria o senhor da guerra invencível e o deus da luz na mitologia persa. Só que como um mito do oriente aparecera em seu sonho? Ou será que aquele era mais uma de suas estranhas visões? Não possuía a coragem para perguntar.
Nesses seis meses, já se acostumara com ele. Indicando os acontecimentos que Vitorioso achava relevante e fazendo-o ver diferentes futuros: pessoas com suas datas de morte evidenciadas, roubos espetaculares, fugas dignas de filme... E agora, sentava em um sofá de sua antiga casa esperando pacientemente a aparição dele para mostrar a próxima visão escolhida e selecionada.
Não demorou a aparecer. Com uma túnica branca e sandálias de madeira, parecia que estava vivendo no primeiro século da história mundial, apesar de que suas roupas o confundiriam facilmente com um padre da ordem franciscana. Ele caminhou até o outro dos dois sofás e sentou-se. Olhou em volta e esboçou um leve sorriso, pois sabia que aquele lugar dava certa tranquilidade ao jovem sentado aos poucos metros.
- Dessa vez sua visão é mais simples, Alejandro.
A voz tinha um tom sarcástico. Nenhuma visão era simples.
- É o que hoje? Fim do mundo?
Já que seria para zombar, Alejandro manteve o nível da conversa, só que se utilizara da ironia.
- Mais ou menos. Já ouviu falar de Gabriela Vianna e Victor Ribeiro – O Vitorioso fitou o cantor – pessoas, aparentemente comuns, no Brasil?
- Não. Como você quer que eu conheça essas pessoas, se nunca as vi na vida? – a resposta de Alejandro veio seguida de murmúrios incompreensíveis por parte de Vitorioso.
- Porque eles serão o tema de suas próximas visões. Só isso, pode voltar ao mundo real.
Ele então acordara ao lado de sua namorada, em um dos hotéis mais luxuosos da cidade da moda. Levantou assustado, incrédulo com dois nomes dos quais não era famosos dentro do círculo mundial. Quem seriam essas pessoas? Qual a importância dela ao mundo? E por que elas? Vittoria não poderia saber daquela visão, já que ele não revelaria para nada ou ninguém, mas tinha que fazer a After Light seguir os caminhos dados por aquele homem, o chamado Vitorioso.
Tanger, Marrocos:Adham Nagi, agora você está conectado ao porta voz do alto escalão. – o computador usado pelo estrategista faz o anuncio.
- Saudações. Quis falar com vocês da grande casta sobre a empreitada que se iniciará dentro de três dias. Estou aqui em nome do general Al-Said. – com voz mansa, Nagi inicia a conversa.
- Pode saltar as formalidades, meu caro árabe. O alto escalão só se interessa por objetividade. – a voz de sotaque eslavo debochara sutilmente do soldado
- Eu tento manter o respeito ensinado em minha terra. Até mesmo com aqueles que não o possuem. Mas, já que deseja ir direto ao ponto, que assim seja… - o parceiro do general Al-Said dá uma ligeira tossida - Passe-me ao grão mestre.
- Ele está ocupado. Você deve falar comigo. – a pessoa russa parece demonstrar irritação
- Pediste-me para ir direto ao ponto. O que eu tenho para falar concerne algo que só o grão mestre pode cuidar. Espero que não veja isso como uma ofensa, mas você não tem poder para tomar atitudes sobre isso.
- Eu não tenho poder? Por acaso você sabe com quem está falando? – a pessoa perde a paciência
- Sou bem informado, minha cara Luule Nemanjic. – o homem árabe se refere a Luule de maneira cínica - E sei que para o local dessa empreitada, seus poderes são nulos. Mas não precisa ficar triste, quando eu for trabalhar na Bielorrússia, você será a primeira de minha agenda. – Nagi esboçara um sorriso - Agora chame o grão mestre. – o tom debochado dá lugar a um tom imperativo
Sem nada responder e bufando, a bielorrussa deixa a cadeira da sala de comunicação e vai convocar Pasteur, porém este não se encontrava no recinto no momento por causa de uma reunião em outro ponto do globo, logo quem atendeu ao telefone foi um jovem escandinavo, irmão mais novo de Luule.
- Diga - uma voz, notavelmente jovem, ecoou - Sou o líder de operações da maior organização do submundo. Todos reportam a minha pessoa. Agora, pode falar.
-Não esperava que ela passasse a fala ao estrategista. O destino é mesmo fascinante colocando os dois equivalentes em contato. - Nagi conhecia a posição de Vassili na organização - Agora, sem mais delongas, direi o porquê de eu estar contatando: Como você deve ter conhecimento, as forças alemãs agiram hoje na capital Italiana em uma operação contra uma grande facção anti-ISIS que tem uma base de operação por lá. Está seguindo até aqui?
- Continue...
-Eu deixei uma tropa em meu nome nos arredores de Zaragoza, que é onde se encontra a sede da organização e a jurisdição exclusiva do alto escalão. Meu pedido era que o senhor convocasse essas forças alemãs para se unirem ás minhas tropas que estão em acampamento aí. Como sabe, minha tropa tem a função de trazer para o combate os grupos terroristas que povoam a península Ibérica e para isso ela precisa do auxílio de uma força tarefa que conheça bem a Europa. Pensei nas forças alemãs devido ao grande aproveitamento delas em missões. O que o senhor me diz?
Nagi utiliza um tom sério, porém respeitoso para com seu companheiro estrategista do alto escalão.
- Pedido aceito. Pode usar as forças alemãs... Com um adendo: Trabalhe em conjunto dada particularidades na personalidade dos líderes dessas divisões.
- Como o senhor julgaria esses líderes?
- Orgulhosos. De suas divisões. Levemente soberbos pela eficiência em suas missões.
- Entendo, então são similares ao general Al-Said. Posso lidar com eles.
Nagi fez uma pequena pausa.
- Agradeço pelo seu tempo.
Vassili se despediu do árabe e a comunicação fora encerrada. O jovem braço direito de Pasteur então se prepara para contatar os alemães, como foi pedido.
Em algum lugar entre Ibiza e Zaragoza.Não demorou muito para o líder da conhecida Nova Ordem Mundial se por em uma aeronave em direção ao paraíso das baleares. Tinha entrado no primeiro avião após a reunião em que seu braço-direito, o jovem escandinavo de quinze anos, decidira as diretrizes da organização. Lembrava que parecia mais um fantoche dançando no teatro de marionetes das forças ocultas dos mandantes da história. E só sobrevivia graças a seu grande poder de persuasão.
Com a modernização, ficara fácil o monitoramento das diversas ações de cada ser vivente. O projeto "Big Brother" instaurado pelos americanos dentro da NOM, fazia com que inúmeras pessoas e suas vidas ficassem a mercê de um clique, cujo grande irmão – o estado maior – seria aqueles que os monitorava. Perfis de redes sociais, grandes fóruns, nomes indexados a sites de pesquisa... Não existiam pessoas fora de alcance. Satélites orquestravam os sistemas e vigiavam tudo e todos, pelo alto, a tempo real e diferentemente das câmeras postas nas ruas e vielas, não era possível se esconder delas.
Perguntam-se por que almejo a árvore da vida, se já tenho tudo a meu controle... Vassili não faz nada sem eu mandar.
Era relativamente simples e resumida em uma palavra, segundo seu próprio raciocínio: Imortalidade... E diferente de certa propaganda televisiva de uma marca de uísque, era a real imortalidade, como os vampiros em diversas histórias.
Se os seres humanos fossem imortais, estariam procurando a mortalidade, mas como não são, é a busca incessante pelo desconhecido que os move.
Não era de hoje que os humanos os quais tinham uma idade média de vida que beirava os setenta e cinco anos, procuravam viver para sempre. Até imperadores já quiseram ter esse poder em suas mãos, sendo o caso mais famoso o do primeiro imperador chinês. Fizera seus médicos produzirem um elixir que o daria a vida eterna, porém quando tomou, morreu, aos cinquenta e cinco anos. Só que já havia deixado seu nome cravado na história.
É a busca pelo o que não se conhece... Como muitos historiadores diriam, nós temos medo do oculto, do desconhecido, mas existem aqueles aventureiros, desbravadores, as pessoas – sejam homens ou mulheres – com sede de aventura que quebram barreiras e descobrem novos mundos.
Mas havia o limiar. A fronteira entre ser um descobridor e um lunático que iria morrer fracassado... Os ufólogos, que creem em visitas extraterrestres eram um exemplo clássico para o líder da Nova Ordem cujo nome pegara emprestado de um químico famoso. Sempre tentaram provar a sociedade, a qual com o avanço da ciência se tornaram bastante cética, que ETs existiam. Todavia, sempre houvera peculiaridades a cada uma das provas apresentadas e a maioria era taxada de lunáticos.
Bem como o primeiro Louis Pasteur, que provara uma hipótese inteira, com sua inteligência fora do comum, além de criar o método da Pasteurização do leite... Como todo desbravador, era taxado de lunático e maluco, mas ao provar seu ponto, fora colocado em um dos mais altos graus da química moderna. Pioneiro, descobridor.
Claro que o ceticismo tinha seu lugar na sua organização, porem seria de forma diferente do que no resto do mundo. Por deterem um alto grau de conhecimento sabiam, por exemplo, que certos mitos eram realidades. Himiko, uma imperatriz japonesa de quinze anos, existira? Apesar de esta se tornar uma deusa? Existiu. E havia documentos de posse do alto escalão da ordem que comprovavam isso. Para o planeta, estes eram duvidosos, já que muitas das coisas escritas dos mundos antigos foram feitas posteriormente à suas épocas.
Temos conhecimento de que parte dos mitos e lendas é baseada em fatos reais. Só não se quer ver, só não se quer enxergar...
Sorriu. Alguns mitos eram mitos. Atlântida era um deles. Mas e os deuses e a mitologia? Os humanos, por morrerem, serem seres mortais, sempre pensaram na vida após a morte. Porém, não era somente isso que os preocupavam. Raios, trovões e chuva. Sol escaldante, sessões de caça mal sucedidas... Para culpar a própria incompetência, para culpar a própria irracionalidade, criaram um panteão de deuses e deusas, seja em qualquer parte do mundo – Nórdica, grega, egípcia, persas e indianas. E, em todas, haveria histórias a respeito dos heróis.
As mais conhecidas pelos ocidentais eram os doze olimpianos, e Pasteur utilizou de um desses mitos para convencer o grão-mestre da seita dos assassinos... O mito de Cassandra, que particularmente, não achava um "mito". A mulher que fora amaldiçoada por Apolo e caíra em desgraça, fora ressuscitada pelo profeta mais famoso de todos os tempos, Michel de Nostradamus. Seu método era idêntico ao que, supostamente, Cassandra usava em suas previsões: Um espelho d'água. Obviamente, com uso diferente para cada um deles, mas esse era o ponto em comum.
Dizem que a maioria das quadras do profeta – metáforas – de certa forma era atribuída de um jeito arbitrário. Analistas ligaram eventos simplórios somente para evidenciar seu ponto. Entretanto, a estes céticos havia uma prova... Na segunda guerra mundial, a Luftwaffe, a força aérea nazista, espalhou por toda a Europa as referidas quadras do profeta as quais mostravam o massacre alemão. Como se dissessem que até os céus estavam ao seu lado. Quando a situação da guerra mudou de lado, os Aliados lançaram mão da tática dos nazistas, mostrando ao povo as quadras seguintes, visando salientar que nem os "céus" poderiam deter seu avanço.
Dizem que foi uma espécie de Guerra psicológica... O estado de espírito dos Europeus estava tão abalado que se apegariam a qualquer coisa, e por isso, o motivo das quadras serem jogadas ao relento... Cada um acreditava no que quisesse, mas era inúmera a quantidade de pessoas que conheciam as profecias do médico de Henrique IV da França.
Houve também o "Vidente dormente" ou "O dorminhoco profeta" Edgar Cayce. Este previa as situações dormindo e criara uma nova base para o atual espiritismo e fora precursor de um movimento chamado "New Age" ou Nova Era, movimento que diziam amplamente ser da Nova Ordem Mundial... O que ninguém sabia era que o próprio Edgar tinha sido o único líder, aquém da nova fase dos Illuminatis, a comandar a NOM.
Foi ele que criou a chamada Távola Redonda. O conselho que realmente mandava na organização. Doze pessoas, como na lenda do Rei Arthur. Doze pessoas que com uma palavra poderiam mudar o rumo do planeta. Eram cientistas, políticos, membros influentes dos governos, CEO e presidentes de grandes corporações... Todos estavam ali por uma coisa: poder de mudar o mundo. Dinheiro não valia nada dentro de suas salas de reuniões. Gostava de Edgar, porque fora um líder visionário, tanto é que fora em seu comando que o mundo passou pelas maiores fases de descobertas, nas primeiras décadas da história do século XX.
Porém interesses distintos dentro da Távola fez com que eclodissem duas guerras mundiais sobre seu comando, desgastando a imagem dele frente à cúpula. Nos anos finais de sua vida, já não controlava nada e ficou como mera figura ilustrativa, tendo em vista que nunca errara a respeito de suas profecias e se tornou uma figura emblemática dentro e fora da NOM.
Tenho que tomar cuidado para meu destino não ser o mesmo de Cayce.
Depois da segunda guerra, houve uma reformulação. Para não se haver brigas e disputas pelo poder de decidir como mandar no destino do mundo. Foi à Nova Ordem que decidiu a crise dos mísseis de Cuba bem como a disseminação do ebola na África... Essa tranquilidade fora abalada somente quando acabara a guerra fria e a multipolaridade dos povos se sobrepôs sobre o domínio bipolar. Os Illuminatis mantiveram o controle com as mãos de ferro até o estopim para a revolução das seitas menores, com a desculpa de que a organização era visada demais. A gota d'água foi à invasão americana ao Iraque em 2009. Foi nessa hora que a cúpula, a távola redonda, já incrementada com mais de seis mil seitas e sociedades secretas menores, decidiu por em prática uma espécie de golpe de estado.
Limpo e cirúrgico... Tudo voltou a sua normalidade.
O escolhido para assumir a posição foi um líder de um culto voltada à deusa mãe egípcia, Ísis: O teólogo Louis Pasteur. Sua primeira ordem como líder foi manter a prática dos novos Illuminatis, de manter o mundo na ignorância e provar primeiro à Távola Redonda, certos mitos que pairavam no ar eram verídicos. A árvore da vida vista nos mitos de diversos povos seria o primeiro deles, porém para isto acontecer ele tivera que expandir a área de influência de sua própria organização, a ISIS, a fim de utilizar o mínimo possível as seitas e organizações que eram ligadas a Nova Ordem Mundial.
Convencer as pessoas foi à parte mais difícil.
Aconchegando-se em sua poltrona, Pasteur depois do longo processo de reflexão pegara no sono. Ele somente esperava o momento certo para brilhar dentro da NOM, como Edgar Cayce fez no passado...
