Capítulo IV – Aquele em Paris

Narrado por: Katherine Mackenzie

Aquele fim de semana seria bom. Muito bom. E no sentido maléfico da coisa. As férias de Natal aconteceriam entre 18 de Dezembro e 3 de Janeiro, e eu não tinha nenhum plano para esses dias além de tentar não congelar. Até receber o melhor convite da minha vida.

O Sr. Potter, em sua ingenuidade, sugeriu que James convidasse dois amigos pra (tentar) velejar, mesmo no inverno, com os Potter entre os dias 19 e 23. Tia Ashley adorou a ideia, e sugeriu que Petúnia e Lily também o fizessem.

Então estamos todos aqui, no iate dos Potter, um olhando para a cara do outro. Eu sorria, mas era a única. James havia convidado Sirius e Remus. Lily havia convidado Marlene e eu. Petunia havia convidado Chelsea e Emmeline. Realmente, adorável.

Havíamos passado uma hora no trem de Londres para Dover, onde o iate ficava ancorado, e atravessaríamos o Canal da Mancha até a cidade de Calais, na França. De lá deixaríamos o iate e enfrentaríamos outra hora de trem até Paris.

Em Paris, tio Jason e tia Ashley ficariam em um hotel. No entanto, nós abusaríamos da hospitalidade da mãe de James.

A Sra. Aileen Chevalier, antiga Sra. Potter, era casada com um francês e, juntos, tinham as irmãs gêmeas de James, Claire e Annelise, de sete anos. Moravam em um mini-Château fora da cidade, um dos históricos castelos que os franceses e suíços ricos habitavam, que seria exatamente perfeito pra nossas férias.

- Eu só queria que fosse verão. – Chelsea reclamou pelo que parecia a milésima vez. – Quer dizer, imagine toda essa viagem com sol! Seria perfeito.

- Concordo! – Petunia disse – Queria aproveitar a piscina do iate.

- Imagine um Château francês no verão! – Emmeline completou. Olhei pra Lily e Marlene rindo discretamente.

- É um mini-château. Tem apenas a metade do tamanho de um Château normal. – James nos lembrou outra vez.

- Mesmo assim! – Chelsea disse, abraçando James pela cintura – Amor, promete que você me traz aqui no verão? Estou tão ansiosa pra conhecer sua mãe!

- Eu nem sei se nós... – James olhou pra Sirius, de forma desesperada, pedindo ajuda. – Não sei se venho pra cá neste verão.

Eu tive a impressão de que ele queria dizer que não tinha certeza se estariam juntos até o verão. Ainda faltavam (longos) seis meses. Sirius ainda ria do amigo quando Remus apareceu na área externa outra vez:

- Por que vocês estão congelando ai? Venham pra cá.

E então resolvemos acompanhá-lo em direção ao interior do iate. Tudo era bastante espaçoso e decorado com tanto bom gosto quanto a própria casa dos Potter.

- Quem quer jogar sinuca? – Sirius sugeriu, dirigindo-se ao Salão de Jogos. James e Remus o acompanharam. Lily nos chamou até a cozinha.

- Vamos fazer chocolate quente? – sugeriu, e nós concordamos, animadas.

- Quanto tempo dura essa viagem? – Marlene perguntou, depois de uns minutos trabalhando em silêncio no nosso chocolate.

- Normalmente, três horas. – Sirius respondeu, voltando a sala. Todo mundo olhou pra ele.

Marlene não falava com Sirius desde ele arruinara o encontro dela com Matt, há mais de um mês. Quando ele falava, ela o ignorava. E aparentemente não seria diferente hoje.

- O que ele quis dizer com normalmente, James? – Marlene voltou a perguntar.

- Que tem tanto gelo aqui que estamos há uma velocidade incrivelmente lenta. Acho que chegaremos daqui a outras duas horas.

- Não queremos uma cena de Titanic, certo? – Remus perguntou, sorrindo.

- Não mesmo. – eu respondi, séria. – Vocês já terminaram de jogar?

- Fomos atraídos por esse chocolate quente. – Sirius respondeu.

- Não tem pra você. – Marlene falou, sem parar de cozinhar.

- Que maldade. – Sirius respondeu, sarcástico, revirando os olhos. Todos riram.

- O que vocês estão cozinhando? – Petunia perguntou animada, descendo as escadas, seguida por Chelsea e Emmeline. No segundo andar ficavam três suítes.

- Chocolate quente. – Sirius respondeu – Mas não tem pra vocês.

- Credo. – Emmeline disse, sentando-se no banco alto da cozinha americana. – Por que o egoísmo?

- Fizemos pra todos, Emmie. – Lily disse, animada.

- Menos para Sirius. – completou Marlene, olhando de lado pra Lily. Eu sabia que ela nunca superou completamente o fato de Lily gostar de Emmie. Mas isso era porque a ruiva não tinha que ouvir as reclamações de Emmeline sobre o almoço de sexta.

Não conseguia entender como alguém tão fútil podia ser tão genial em cálculos (único motivo de Lily gostar dela). Era estranho.

Quando o chocolate ficou pronto, o distribuímos em nove canecas (mesmo com os protestos de Marlene) e seguimos até a sala, onde nos acomodamos enquanto procurávamos algo para assistir na TV.

- Só passa filme sobre o Natal quando está assim tão perto do dia 25. – Chelsea reclamou. Lily fez uma careta. Remus e eu rimos. – Até Friends fica passando os episódios especiais de Natal! Que merda!

- A TV é por satélite aqui. – James informou, pacientemente – Há mais de 300 canais.

- Não é possível que você não encontre nada que goste. – Sirius se intrometer.

- Pois é possível, sim. – respondeu, irritada. – Não gostei de nada.

- Por que sempre que você abre a boca é pra reclamar, garota? – tomos fomos testemunhas do quanto Lily se esforçou pra ignorar Chelsea, mas ela falou o que todos estávamos pensando.

Chelsea reclamou de ter que ir de trem até Dover, não sei por quê. Reclamou (muito) de não ser verão, como se fosse culpa de alguém. Reclamou do iate (disse que era errado ter apenas um banheiro no primeiro andar. Como se aquilo fosse uma casa, e não um barco). Reclamou do que o frio fazia com o cabelo dela. Reclamou das escadas que levavam para o segundo andar. Reclamou mais uma vez de ser inverno. E agora reclamou da programação da TV.

Não podia ser mais irritante.

- Porque você está aqui. – respondeu, com cara de nojo.

James revirou os olhos. Sirius e Marlene riram, ao mesmo tempo, mas pararam ao perceber que eram os únicos e que faziam isso juntos.

Certeza que os dois ficavam de novo nessa viagem.

Sirius e Emmeline não estavam mais juntos. Ela agora estava namorando um cara mais velho e que frequentava a faculdade. Era uma mudança grande, considerando que Sirius era quase dois anos mais novo que ela.

Quando Emmeline terminou com Sirius, há duas semanas, ele chamou Marlene pra sair. Ela, ainda dominada pela raiva, não aceitou. Ele então ficou com a intercambista, Duda, "irmã" da Chelsea. Apesar de ter sido uma única vez, não ajudou em nada a diminuir a raiva de Marlene.

- Eu estava pensando... – Remus disse, para mim, quando Lily e Chelsea voltaram a brigar e James se desesperou. – Eu conheci seus pais quando nem estávamos juntos ainda. Já se passaram três meses e você ainda não conhece os meus.

- Só estamos namorando há um mês, na verdade. O que você teria dito em Setembro ou Outubro? "Mãe, essa é a Katie, minha... Katie, somos o que?"

Ele riu.

- Eu conheci o seu pai assim... homem zangado. Não gosta muito de mim.

- Claro que gosta! – tentei parecer confiante – Ele só sente ciúmes.

- 'cause daddy's lttle girl is now my baby. – cantou em meu ouvido, me fazendo rir.

- Mais ou menos isso. Ainda bem que ele tem a Lucy pra ocupar a cabeça dele, também.

- A peste da sua irmã. – comentou, sorrindo – Quantos anos ela tem mesmo?

- Vai completar quatro em fevereiro.

- Eu queria ter irmãos. Na verdade, queria ter uma irmã mais nova. – Remus disse, sério.

- Por quê?

- Pra cuidar dela. Seria o melhor dos irmãos. Ela seria conhecida por todos como "chumbinho".

- Chumbinho? – perguntei, sem acrescentar que era um apelido horrível.

- É. Comeu, morreu.

Narrado por: Marlene McKinnon

- Isso é tão lindo! – suspirei outra vez.

Todas as vezes que ia a Paris era a mesma coisa, a magia e as luzes da cidade me encantavam. A sensação era a mesma de quando estive lá pela primeira vez.

- Sei que sou. – Sirius fez graça, sorrindo daquela forma outra vez. Ignorei meu coração acelerado e revirei os olhos. James e Remus riram da careta que fiz.

- Crianças, vamos voltar para o hotel. – a mãe de Lily anunciou.

- Não voltem muito tarde, não esqueçam que a casa é longe e vocês não querem incomodar os Chevalier. – o tio Jason disse sério, fazendo James revirar os olhos.

- Tudo bem, pai. Boa noite.

Quando eles finalmente foram caminhando até o hotel, voltei a apreciar a vista. Era tudo maravilhoso. Tinha visto paisagens espetaculares desde que havia deixado Londres. Calais era mágica, assim como todo o caminho de trem até Paris. E o mini-Château da mãe de James havia feito com que eu me sentisse uma princesa dos contos de fada da Disney.

- O que você tanto olha? – Sirius perguntou, fazendo com que eu desviasse o olhar da Torre Eiffel que brilhava à minha direita e prestasse atenção nele.

- A Torre. – respondi, rapidamente. Era difícil continuar ignorando-o, estando em Paris.

- Certo. Pensei que fosse para algum francês. – disse, parecendo realmente enciumado. Ouvi as risadas de Lily e James, mas resolvi ignorar todos. Havíamos tido um dos melhores jantares de toda minha vida em um restaurante maravilhoso, cuja vista era perfeita. Não tinha tempo para as loucuras de Sirius.

- E se fosse? – Katie brincou.

- Ahh.. – disse, antes de soltar uma risada irônica – Ela não ousaria.

James, Sirius e Lily voltaram a rir alto, fazendo com que eu tivesse que desviar o olhar da Torre outra vez.

- Cala a boca de uma vez, Black, você está...

- Que tal uma caminhada à beira do Sena? – sugeriu, interrompendo o que eu tinha a dizer. Todos concordaram, então levantei, sabendo que eu deveria estar furiosa com ele, mas não conseguindo. Londres não exercia tamanha influência no meu humor. Mas talvez fosse porque eu morasse lá.

Enquanto caminhávamos pela margem do Rio Sena, fazíamos constantes paradas, usando Remus e Sirius como fotógrafos. Aparentemente, Chelsea precisava de James em suas fotos, então usou Emmeline como fotógrafa, que não se importou, afinal já estivera em Paris centenas de vezes antes, segundo ela.

Lily não quis mais fotografar quando o casal começou a se beijar pras fotos, então usamos o frio como desculpa pra voltarmos para o Château. James também não pareceu se importar de voltar pra casa; na verdade, pareceu até bastante aliviado por se libertar da grudenta namorada.

O caminho foi tranquilo, exceto pelo taxista que insistia em responder em francês quando fazíamos perguntas em inglês, apesar de ser claro que ele compreendia a língua. James nos salvou. Com a mãe morando aqui desde que tinha nove anos, suas visitas a França eram bastante frequentes.

Apesar de passar de meia noite quando voltamos ao Château, os quatro estavam a nossa espera, com sorrisos acolhedores.

- Que bom que chegaram! – a mãe de James disse, em um inglês que já trazia certo sotaque francês. – Tiveram um bom jantar? – perguntou, beijando o filho, que corou.

Vi os olhos de Lily brilharem depois disso.

- Vocês ainda estão acordadas? Vão dormir, meninas! – eu sabia francês suficiente pra entender que eram essas as instruções que James dava para as irmãs mais novas, enquanto as mesmas o abraçavam pelas pernas.

Lily ainda o encarava com ternura em sua expressão enquanto James conversava em francês com as irmãs. Os olhos dos dois se encontraram e ele sorriu, fazendo com que a garota corasse enquanto sorria de volta. Ao presenciar tal cena, a mãe de James olhou do filho para a ruiva com uma expressão maravilhada.

- Suas irmãs não falam inglês? – Remus perguntou.

- Falamos. – Claire respondeu, em inglês. Ou talvez fosse Annelise.

- Mas na França deve-se falar francês. – Annelise completou. Ou talvez fosse Claire.

- Nada disso, meninas! – o pai delas censurou, em inglês – Precisamos ser gentis com todos, incluindo turistas. Especialmente se os turistas forem seu irmão e seus amigos.

- E namorada. – Chelsea completou, com aquele tom de quem está morrendo de tédio. Aileen perdeu a expressão de ternura no rosto.

Segurei-me pra não rir, assim como Lily e Katie.

- Você é a namorada dele...? Mas eu pensei que... – Aileen parou de falar subitamente e olhou pra Lily, sorrindo. – Bem, pensei que você fosse a namorada dele.

Chelsea, Emmeline e Petunia abriram a boca, em choque. Sirius e Remus riram alto. James olhou para Lily. Lily corou de novo. Bastante.

- Ah, não! – disse, rapidamente. O rosto ardia mais que os cabelos – Nós somos só...

James riu de lado antes de dizer:

- Não seja inconveniente, mãe. Essa é Lily Evans. Filha de Ashley.

- Ah, claro! Mil perdões, querida! Então vocês todos moram juntos agora, não é? Ele tem se comportado?

- Tem, sim. – respondeu, ainda sem conseguir desviar os olhos dos próprios pés.

- Qual delas é sua irmã?

- Petúnia Evans, prazer. – a mãe de James pareceu feliz de que não fosse Chelsea a irmã de Lily. Mas não demonstrou nenhum sinal de que se importasse com a real namorada do filho.

Minutos depois, mostrou a todos os quartos que ocuparíamos, e então se retirou, dando ordens expressas para as gêmeas irem dormir. Cansadas da viagem, Lily, Katie e eu deitamos no quarto em que dividiríamos e não demoramos a dormir.

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Quando acordei, pensei que seria a última vez que faria isso. Abri os olhos e em seguida soltei um grito pelo susto que levei.

- Você quer me matar? – consegui dizer, ainda com a respiração acelerada.

- Bom dia, meu amor. – Sirius disse, antes de beijar meu rosto de novo.

- Sai daqui, Sirius. – eu disse, olhando em volta e encontrando um quarto vazio. – Onde estão as meninas?

- Tomando café. Não quiseram te acordar, então eu vim. – disse, sorrindo torto – Você parece um anjo dormindo.

Revirei os olhos, mas senti meu rosto corar. Droga.

Ele sorriu outra vez.

- Vá trocar de roupa, estamos a sua espera.

- Certo. – eu concordei, levantando da cama. – O que você está fazendo? – ele havia deitado na cama que Lily ocupara, usando os braços como apoio pra própria cabeça, sorrindo da forma mais safada, digo, sedutora que ele tinha.

- Assistindo você se trocar.

Não consegui ficar séria.

- Idiota. – usei meu travesseiro para bater nele.

- Ah, você não fez isso. – em um gesto rápido, ele me puxou pra cama. Eu estava literalmente em cima dele, e tentei me libertar. Mas a força dele era surpreendente. Trocou nossas posições sem esforço algum, ficando perigosamente próximo. Prendi a respiração.

- Peça desculpas! – ordenou, tentando parecer sério.

- Nunca!

- Resposta errada, McKinnon. – e então ele começou um ataque de cócegas. Ah, não.

- Para... Sirius... – implorei, entre gargalhadas – Não... consigo... respi... rar.

- Peça desculpas!

- Ta bom.. HAHAHAHAHAHHA. Des... culpa!

- Não entendi.

- Desculpa!

- Mais alto! – ordenou, rindo alto.

- DESCULPA! – gritei. Ele me soltou e me distanciei o máximo que pude, ainda com a respiração acelerada.

- Também não precisa implorar. Vá trocar de roupa, McKinnon, te vejo lá em baixo. – quando eu o xinguei, ele apenas sorriu outra vez, fechando a porta atrás de si.

Narrado por: Lily Evans

- Vocês não querem mesmo entrar nesse museu, não é? – Chelsea perguntou de novo. – Tudo bem tirar fotos aqui fora, mas por que entrar no Louvre?

- Por que é o maior museu do mundo? – perguntei, irônica.

- E daí? Quer dizer, todo mundo já veio aqui, certo? O professor de história faz a excursão pra Paris todos os anos. – Emmeline completou.

- Pra que gastar nove euros aqui? Podemos gastar esse dinheiro na Starbucks. – Chelsea completou.

- Nove euros não são nada pra quem gastou dois mil deles em uma bolsa – Sirius perdeu a paciência.

Eu estava contando até dez para manter a paciência. Estava mesmo. Tentando com todas as minhas forças cumprir a promessa que fiz pra James três meses antes, quando me mudei pra casa dele. Mas era difícil ficar sem dizer nada. Ela tinha mesmo que reclamar de tudo? Qual é, estamos em Paris! Não há nada pra reclamar (tirando os franceses, talvez, e nem são todos).

- Tenho uma sugestão, querida Chelsea. – disse, sorrindo irônica. Todos olharam pra mim com humor. – Por que você não vai com minha querida irmã e minha querida amiga Emmeline fazer compras na Galeria Lafayette enquanto ficamos por aqui? Não vamos demorar mais de duas horas no Museu, e então nos encontraremos lá.

- Ótima ideia. – Petunia disse. Eu sabia que ela não era fã de Museus.

- Lafayette? – Chelsea perguntou, cruzando os braços em uma expressão desafiadora. Ela não aceitaria uma sugestão minha tão fácil. – É, é boa, mas prefiro a Champs-Élysées.

- Mas como todos querem ir a Champs, você vai à Galeria. – James disse, e ela pareceu irritada, mas sorriu.

- Não quer ir as compras comigo, amor? – se derreteu para o namorado. Revirei os olhos.

- Prefiro o Museu. Desculpe.

Irritada, a garota jogou os cabelo pra trás e saiu andando decididamente, seguida pelas amigas, até o ponto de taxi mais próximo. Marlene e Katie sorriam para mim, mas fingi que não percebi porque James me olhava de forma estranha.

Enquanto caminhávamos pelo Museu, demos um jeito de nos afastar dos garotos com a desculpa de usar o banheiro. Mas eu precisava desabafar.

- Por que diabos ele está com ela? – suspirei, me apoiando na pia – Quer dizer, ela é insuportável.

Marlene revirou os olhos, mas riu antes de dizer:

- Essa é uma pergunta retórica, certo?

- Dá pra ver que ele está tão cheio dela quanto todos nós, Lils. – Katie me tranquilizou – Remus me disse que ele comentou com os amigos que não suporta o ciúme doentio que ela sente.

- Então por que eles não terminam?

- Bem, obviamente esse relacionamento é muito cômodo pros dois. A AEHS segue o modelo de educação americana, o que custa o dobro mensalmente para nossos pais do que uma escola local custaria, porém nos livra daqueles uniformes ridículos...

- Aonde você quer chegar, Lene? – Katie fez a pergunta que não quer calar.

- Ele é um astro do futebol. Ela, uma Líder de Torcida. É meio óbvio que personalidades assim se atraiam, certo? Nós já vimos filmes sobre isso.

- Certo. – Katie e eu dissemos, juntas.

- Aparentemente, eles são o casal perfeito. E é isso que importa. Apesar de sabermos que não é bem assim. Ela o traiu no Halloween. Ele a traiu antes naquela boate, você viu, Lily.

- Meu Deus! Tinha esquecido completamente! É verdade!

- Ela faz tudo que ele quer. Em todos os sentidos. E é mesmo linda. Odeio desapontar você, mas as coisas são assim.

- Você tem razão, Lene. É só que...

- Eu sei. – completou Katie.

Saímos do banheiro e encontramos os três parados a porta, com expressões desconfiadas no rosto como se soubessem que eram os protagonistas de nossa conversa.

E assim prosseguiu nossa visita ao Museu do Louvre, com silêncios constrangedores e trocas de olhares sugestivos que ninguém entendeu bem. Esqueci tudo ao descer algumas estações à frente do metrô, entrar na Galeria e encontrar Chelsea, Petunia e Emmeline com mais compras do que podiam carregar.

- Mamãe vai lhe matar. – avisei Petunia. Ela riu, jogando os cabelos loiros pra trás.

- Estamos em Paris. O que mais tem pra fazer? Vamos, aqui tem umas calças Dolce que vão ficar lindas em você.

- Dolce&Gabbana? – perguntei, incrédula. Cada calça daquela custava oitocentos euros.

- Óbvio. – as três responderam, revirando os olhos. Até os meninos estavam rindo, então não vi opção melhor além de ir às compras.

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- Eu mato! Mato o idiota que teve a ideia de subir... aqui... nessa... desgraça. – Chelsea estava furiosa, reclamando outra vez e xingando. Mas dessa vez eu não tinha energia pra iniciar uma briga. Também queria matar Sirius Black.

- Você concordou. – Sirius se defendeu, pela milésima vez. – Só mais vinte e cinco minutos e continuaremos subindo.

Estávamos a alguns metros do chão. Na metade da Torre Eiffel. Três horas de fila na base, e finalmente entramos no elevador, que nos levou até a metade. A partir desse ponto, teríamos que esperar mais quarenta e cinco minutos antes de continuarmos subindo em direção ao tão esperando pico. O problema maior era o vento frio.

- Quer dizer, quando chegar lá em cima vai valer a pena. A vista será linda. Certo?

- Ah, cala a boca, Sirius. – Marlene disse, também parecendo furiosa, mas o puxando para um abraço sugestivo. Olhamos para os dois marotamente, mas sem dizer nada. – Calem a boca vocês também.

- Nem estamos falando nada. – Katie disse, sorrindo.

Sirius a abraçava de volta com a mesma vontade, mas tinha aquela expressão presunçosa de quem tinha certeza que era só uma questão de tempo até a garota demonstrar o quanto ainda gostava dele. Ou talvez eu veja isso porque sei que é assim que as coisas funcionam.

- Alguém me explica por que diabos eu ainda sigo o Felipe no Twitter. – Petunia reclamou alto, mexendo impacientemente no celular. – Quer dizer, eu faria de tudo pra ficar com ele, o cara é o maior gato, e só pega menina linda...

Tive um acesso de tosse inconveniente que irritou minha irmã mais velha por ter interrompido a fala dela, enquanto corava furiosamente quando todos olhavam pra mim.

-...mas ele tinha MESMO que postar tudo em Espanhol? Quer dizer, algumas coisas até dá pra jogar no Google e saber que ele está metendo o pau na comida inglesa. Mas quando eu estou ao celular simplesmente não dá pra saber. E se ele já estiver solteiro?

- Não é o intercambista? – Sirius perguntou, olhando pra mim com aquele sorriso sugestivo. James levantou as sobrancelhas impacientemente. – Porque se for, Petunia, ele é brasileiro. E no Brasil se fala Português.

Ela jogou os cabelos pra trás, como sempre fazia quando era corrigida.

- Que seja.

- E você não já tem namorado? – Marlene perguntou.

- Dois namorados? – Remus completou, rindo, e Petunia revirou os olhos.

- Tenho namorado. Não sou casada. – disse, como se fosse óbvio, e foi impossível não rir.

- Mas a Lily já pegou. – James disse, sem sorrir, ainda com as sobrancelhas erguidas. – Não foi, Lily?

Todos voltaram a olhar pra mim, e eu voltei a corar.

- O quê? – Petunia exclamou, incrédula. – E você não me contou? Que tipo de irmã você é? E eu que pensei que você nunca tivesse beijado!

- Meu Deus do céu. – disse, revirando os olhos. – Já chega, né?

- Claro que não! – Emmeline disse. – Como ele beija?

- Bem. – respondi, ficando mais vermelha a cada segundo pela forma como James olhava pra mim. Chelsea queria a atenção de James para perguntar alguma coisa, mas ele a ignorava veementemente, enquanto me observava.

- Sério? Quando foi isso? Vocês ficaram mais de uma vez?

- Foi há muito tempo. – desconversei.

- Não pode ter sido há tanto tempo assim, ele só está aqui desde Setembro. Ah... meu Deus! Foi no dia anterior a nossa mudança, não foi? Vocês foram pra algum lugar! Eu sabia que vocês não ficaram assistindo Titanic na casa da Katie, sabia!

- Petunia, que merda...?

- Nós também estávamos lá! – Remus concluiu, como se tivesse descoberto a América. – Foi em Piccadilly, certo? Não sabia que vocês tinham ficado naquele dia.

- Ela estava lá no dia que você saiu pra Piccadilly com os caras do time de futebol e não quis me levar? – Chelsea perguntou, indignada, para o namorado.

- Ai, caramba, chega! Não respondo mais nada. Olha, está na hora, vamos continuar subindo.

Durante toda a subida, Emmeline, Petunia, Sirius e Remus continuavam fazendo perguntas sobre o que aconteceu com o Felipe, e eu os ignorava, desejando não ter deixado meu fone de ouvido na mala. Katie e Marlene riam; Chelsea parecia profundamente irritada, lançando olhares raivosos a mim e ao namorado; James a ignorava, enquanto continuava me encarando daquela forma que parecia ser capaz de ler cada pensamento meu.

Quando chegamos ao topo, tiramos todas as fotos do mundo, apreciando a vista maravilhosa e tentando ignorar Sirius que se vangloriava por ter razão sobre subir na Torre.

- Eu estava certo, viram? Sempre estou.

- Ok, Sirius. – Katie disse, revirando os olhos.

- E vocês reclamando... o que é um ventinho frio comparado a essa vista? Quer dizer, e demorou tanto que agora está escuro. Não é perfeito? Ainda podemos apreciar as luzes da cidade daqui de cima. Mas tudo o que vocês sabem fazer é reclamar...

- Eu vou ter mesmo que calá-lo? – Marlene perguntou, séria.

- Por favor. – Remus e James disseram. Eu ri. No momento seguinte, Marlene empurrou Sirius, que deu três passos pra trás, confuso, até bater em uma parede. Ele estava prestes a dizer qualquer outra besteira quando ela o mandou ficar quieto e o beijou.

HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA.

Ninguém deixou de rir. Ele a segurava com firmeza e os dois se beijavam com grande entusiasmo, enquanto James e Remus riam, parecendo entretidos especialmente com o fato de que Marlene havia controlado a situação melhor do que Sirius jamais seria capaz.

Petunia já havia fotografado o casal na parede e estava postando em primeira mão no Facebook a todos os contatos online. Emmeline estava no meio de uma ligação com o namorado novo e Chelsea mantinha os braços cruzados, com uma expressão irritada, há alguns poucos metros de nós.

Remus e James pareciam fascinados pela forma como Marlene havia conduzido a situação.

- O que tem demais em garotas que tomam iniciativa? – Katie perguntou.

- É verdade. Eu faço isso quando o garoto é muito lerdo. – completei, e James voltou a olhar pra mim com as sobrancelhas erguidas.

- Você me surpreende mais a cada dia. – disse, finalmente. Eu ri, sem ter certeza de que aquilo era um elogio.

- Não tem nada demais. É até legal. – Remus disse – É só que aquele cara é Sirius Black, famoso por suas conquistas. No entanto, nunca o vi mais dominado.

- Agora vocês três estão amarrados. – Katie disse, animada. – E nós duas. Só falta você, Lils.

Muito obrigada por lembrar a todos que sou uma encalhada, amiga. De verdade.

- Er... – disse, voltando a corar.

- É claro que não precisa ser assim. Pra que a pressa? Você só tem quinze anos. – James disse, sério.

- Eu tenho quinze anos. – Katie me defendeu. – E o aniversário dela é mês que vem.

- E você só tem dezesseis. – disse a ele, sem compreender realmente o argumento dele. "Pra que a pressa?" Ele mesmo havia me dito, naquela primeira tarde em que precisei dele pra achar a cozinha da casa, que eu precisava de um namorado.

- Teríamos aqui um irmão mais velho enciumado? – Remus brincou. James e eu olhamos pra ele como quem questiona sua sanidade mental.

- Não mesmo. – eu disse.

- Às vezes eu acho mesmo que o sentimento que me despertou por você é fraternal – ele disse, olhando para mim com aquele sorriso de lado que derretia meu coração. Não literalmente. – Mas então eu percebo que é bem mais que isso.

Meu coração bateu forte daquela forma que sempre estava associada a ele. Eu estava a ponto de perguntar o que ele queria dizer com isso, quando a namorada dele apareceu de lugar nenhum, o puxando pelo braço para ajudá-la com alguma coisa. Ele foi, não sem antes sorrir pra mim.

Katie me puxou para o lado oposto de onde eles estavam. Lembro de ter passado cinco minutos inteiros gritando.

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N/A: Olá, queridos leitores! Como vocês estão? Aproveitando as férias? Pegando sol e indo a praia? Viajando? Morgando em casa e lendo fanfics? Melhores do que eu, em qualquer opção, que ainda estou em aulas e sem previsão de férias. Talvez, em janeiro, Deus mande essa graça na minha vida. Eu amo universidade pública.

Mas enfim, época de Natal em Paris (assim como em NYC) é um sonho que ainda vou realizar. A cidade das luzes deve ficar maravilhosa, especialmente quando se está hospedado em um projeto de Château. Ai, que viagem! Fui rica em outra vida, certeza! Hahahahaha. Vou me desculpar pela demora em atualizar, mas infelizmente não tive como fazer nada antes disso. To atolada de provas, trabalhos, resumos, fichamentos e seminários nesse curso (não tão) maravilhoso que escolhi, e to postando pra vocês às 1:10 da manhã, com os olhos ardendo de sono, e tendo que acordar em seis horas pra ir pra aula de francês. C'est la vie, mes amis. Só espero que vocês gostem do capítulo e mandem muitas reviews divertidas e exóticas que o próximo capítulo não irá demorar, com fé em god. Muito obrigada a todo mundo que comentou no último capitulo, favoritou a fic ou só leu o capítulo. Quando eu tiver de férias não vejo a hora de ter tempo pra ler outras Lily/James, nada melhor do que fanfics bem escritas para melhorar meu merecido descanso! Espero que todo mundo esteja se divertindo bastante e, caso eu não volte a tempo, boas festas para todos! Até mais.

Elisa x