"O que você esta fazendo aqui?" – foi a minha primeira reação.

Ele sorriu sarcasticamente e logo vejo Emily se escondendo atrás das pernas do pai.

"Oras.." – ele coloca a mão nos bolsos – "vim pegar minha mulher para irmos jantar fora..."

"Eu estou de carro.." – disse me aproximando dele – "que palhaçada é essa?"

"Pensei que não atrapalharia.." – ele desviou o olhar até o Cory – "atrapalho?"

Ao falar ele não obteve respostar. Cory pegou Emily a colocou nos braços e continuou parado sem falar nada.

"Acho que o silencio já diz tudo.." – ele se aproxima me puxando pela mão – "essa é a famosa Emily?" – Dylan sai me puxando até onde estavam eles.

"Emily Michele.." – ela diz abraçando o pescoço do pai – "quem é ele pai?"

~.~

"Sou o marido da tia..." – ele diz abraçando Lea.

Não sei por qual razão me subiu uma raiva de repente. Ela sorria sem jeito, encarando o chão sem saber o que dizer.

"E o que você veio fazer aqui?" – Emily pergunta e eu não a repreendo.

"Isso são modos menina?" – ele vem se aproximando e como reação dou um passo pra trás.

"Acho que já vamos.." – de repente Lea diz evitando qualquer desconforto a mais.

"Já?" – Emily fala baixinho – "o filme nem acabou.."

"Prometo que depois venho ver com você.." – Lea se aproxima dando um beijo nela. – "Desculpa..." – ela para e me encara.

"Tudo bem..." – não desvio o olhar dela – "entendo..." – respiro fundo – "qualquer problema.. pode me ligar.."

~.~

Sai o mais rápido que pude da casa dele. Não falei mais nada com o Dylan também, entramos no elevador e ele me encarou de cima a baixo.

"Vou no meu carro.." – disse saindo do elevador – "nos vemos em casa.."

Nem escutei o que ele começou a praguejar. Dei a partida no carro e dirigi sem a menor pressa de chegar em casa.

Liguei o som tentei relaxar, mas parecia que a raiva, a cada minuto que passava, só aumentava.

"Filho da puta.." – xinguei em voz alta respirando fundo ao sair do carro.

"Boa noite pra você também.." – ele disse me esperando na porta.

"Boa noite?" – rio passando por ele – "pra que o mini showzinho de hoje?"

"Só estava curioso para ver o que você tanto faz naquela casa.." – ele começa a me seguir.

"Ficou satisfeito em saber que eu não estava fazendo sei lá o que passou por essa sua cabeça com ele?" – parei e o encarei.

"Não estava fazendo, mas quem garante que já não o fez ou ia fzer?"

~.~

"Não gostei dele.." – Emily diz quando eu ajudo a vestir sua camisola.

"Dele quem?" – me faço de desentendido.

"O homem que levou a tia Lea"– eu puxo o edredom da cama e dou espaço pra ela deitar.

"É o marido dela.." - me sento ao seu lado ajeitando o lençol em volta do seu corpo.

"Pra mim ela não gosta dele.." – Emily diz se virando para me olhar.

"Não sei.." – respondo deitando ao seu lado. – "gosta sim.."

"Não gosta..eu sei que não" – Emily insiste – "já vai dormir pai?"

"Acho que vou..." – sorrio para ela me levantando indo ao banheiro – "amanhã preciso acordar cedo.."

~.~

"Repete.." – digo me aproximando dele – "me diz que você tem a cara de pau de repetir isso.."

"Você ouviu bem.." – ele se afasta de mim – "não preciso repetir"

"Acho que você esta confundindo as bolas" – comecei a rir – "eu não sou como você.."

"Ah não?" – ele também ria – "te conheço Lea.. se tratando dessa criatura aí.. você abre as pernas e grita gol.."

Preciso confessar que a minha vida não é sempre o mar de rosas que aparenta ser.

"Eu já te disse.." – falei respirando fundo tentando me controlar – "se por acaso algum dia algo passar você vai ser o primeiro a saber.." – agarrei de novo as chaves do meu carro.

"E agora?" – ele estava segurando uma cerveja aberta – "vai sair pra onde?" – ele toma um gole – "não vê que vai chover? Que tal se.."

"Vai se fuder.." – disse apressando o passo e andando até o meu carro – "não me procure.. você não me achara.. não essa noite.."

Saio de casa e acelero o carro evitando que ele me seguisse. Ando mais ou menos uns 10 minutos sem saber aonde ir. Paro em um Subway e desço para pegar um sanduíche. Podia ir a um hotel. Podia voltar pra casa... podia ir ver o John. Já são quase Meia noite.. que saco... podia.. hum..

"Moça.. qual o seu pedido?"

~.~

Não sei por qual razão não pude dormir. Como Emily andava dormindo no meu quarto, sai com cuidado e deixei a luz da luminária ligada indo para meu escritório. Mas não antes de preparar um café forte e amargo. Sento-me ao computador e começo a navegar pela Internet. Meus olhos passeiam por vezes pelo telefone e penso, não sei por qual razão, em ligar para ela.

Agarro meu celular disco seu numero. Eu já tinha decorado não sei bem por qual razão. Digito uma vez. Apago. Olho. Deixo de lado... tomo mais um gole de café e pego de novo meu celular. E se ela tivesse? Bom.. será? Se demorar a atender eu desligo... só quero saber se ele não fez nada.. vai saber né?

O telefone não chama duas vezes..

"Cory?" – ela logo atende. Respiro aliviado.

"Oi.." – coloco o café de lado – "esta tudo bem?"

"Sim.. algo aconteceu?" – ela pergunta apreensiva.

"Não.." – sorrio não sei por qual razão – "eu que pergunto.. algo passou?"

~.~

"Está tudo bem.." – olho ao redor sem saber se falava ou não.

"Certeza?" – ele fala tão suavemente.

"É que.." – falo e paro.

"Onde você esta Lea?" – talvez ele já sabia como eu era. Fugia. Brigava.. e fugia.

"Tô aqui.." - respondi me fazendo de desentendida.

"Vem pra cá.." - ele me conhecia mais do que eu possa imaginar.

"Cory.." - respirei fundo - "você sabe que não posso.."

"Porque não pode?" - ele fala exaltado - "venha Lea.. não vou fazer nada contigo.. não se preocupe..."

"Eu sei.." - sorri sentindo que a qualquer momento... - "o problema não é você..."

"Então.. vem.." - ele não me deixa com outra alternativa – "a Emily vai amar ver você aqui.."

"Ela ainda esta acordada?" – limpo meus olhos antes que uma lagrima me escapasse.

"Não.." – ele fala mais suavemente – "você vem ou eu vou ter que ir ai te buscar?"

~.~

"Não.." – ela falava pausadamente – "Cory.."

"Lea venha.." – eu já estava prestes a sair pra não sei aonde.

"Ok.." – ela responde devagar – "vou... to chegando.. ok..?"

"Estou te esperando.." – sorrio nem sei bem por qual razão.

"Até..." – logo escuto ela desliga o celular.

Olho para o relógio e logo saio desligando o computador. Ando pela sala impaciente e me sento no sofá encarando somente o relógio. Já estava por ligar para ela de novo quando escuto o interfone.

"Peça para ela entrar com o carro" – pedi ao porteiro.

~.~

Estacionei o carro e nem sei bem por qual razão minhas mãos começaram a tremer. Parei um pouco e respirei antes de apertar o botão para chamar o elevador. Olhei meu celular e desliguei colocando-o dentro da bolsa. Eu também não sabia porque não queria que ninguém me incomodasse. Apertei seu andar e não esperei nada até que abri a porta. A porta de seu apartamento já estava aberta e eu bati uma vez antes de dar um passo para dentro.

"Entra..." – ele disse se levantando e vindo em minha direção me estendendo uma mão.

"Desculpa... está..." – eu começo a falar e ele aperta minha mão forte.

"Sem desculpas Lea.." – ele sorri tocando de leve meu rosto.

Não me viro e solto minhas coisas no sofá ao lado. Torno a encará-lo e ele seguia com a mão dele na minha bochecha. E sorria.

Sorria daquela maneira. Da forma que ele me recebia depois que passávamos nem que fosse um dia sem nos ver. Sorria da mesma forma que sorria quando prometíamos algo mais. Sorria mesmo cansado após de um longo dia de trabalho. Sorria da forma que ele me desejava boa noite e me prometia até o impossível. Sorri de volta. Esqueci a razão pela qual estava triste e comecei a sorrir para ele até sentir doer a minha bochecha. Sorria sem razão, sorria pelo momento, sorria por sorrir.

~.~

Deslizo meus dedos lentamente pelo seu rosto e lentamente recuo minha mão. Ela seguia ali parada em silencio. Eu seguia igual, somente encarando-a.

"E.. ela?" – Lea olha ao redor.

"No meu quarto.. dormindo.." – falo sem deixar de encará-la.

Novamente ela torna a sorrir e não tira o olhar de cima de mim.

Torno a levar minha mão para seu rosto, toco o seu cabelo de leve e deslizo minhas mãos por toda sua extensão passando meus dedos pelo seus braços. Ela acompanha minha mão com o olhar e logo me encara mordendo o lábio inferior de leve. Reparo que ela começa a respirar fundo e paro minha mão, retirando-a. É quando ela de repente entrelaça minha mão com a sua e aproxima um pouco mais o seu corpo do meu. Sinto a doce fragrância de seu perfume e sorrio para ela que já não disfarçava nenhum sorriso. Ela desliza seus dedos pelo meu rosto e fecho meus olhos somente sentindo.

~.~

Em silêncio caminhamos até seu quarto. Olhamos recostados a porta como ela dormia calmamente. De repente seus braços tocarem minhas costas e senti um arrepio percorrer todo o meu corpo. Virei o meu rosto e observei o seu olhar para a cama. Eu sabia que nessa vida eu já tinha me privado de muitas coisas as quais eu me arrependi antes. Dizem que não devemos nos arrepender de atitudes tomadas, mas infelizmente sim, eu me arrependo.

Busquei sua mão e logo a segurei firmemente. Ele me encarou assustado, ia falar algo, mas eu movi a cabeça indicando que não.

Saímos de seu quarto e fui olhando de porta em porta sem saber o que queria encontrar. Ele somente me seguia sem soltar minha mão. Passamos pelo quarto dela e na próxima porta eu passei a mão pela parede procurando um interruptor acendendo as luzes.

~.~

"Ninguém dorme aqui..." – não sei por qual razão eu disse aquilo.

Ela deu um passo à frente e soltou minha mão. Olhou tudo ao redor e sentou na cama me observando. Eu continuei parado na entrada do quarto.

De repente flashbacks começam a passar pela minha mente..

"..nao aqui não Cory.." – ela sorria segurando o meu rosto com as duas mãos – "aqui podem nos pegar..."

"E quem se importa?" – sorri abraçando-a mais forte e beijando-a com maior intensidade.

"Cory?" – ela olhava ao redor.

"Vamos.." – eu a puxava pela mão – "aqui.. no meu trailer.."

"Você esta louco?" – ela ria batendo de leve no meu ombro.

"Nunca.." – sorrio beijando-a encostando-a na parede – "só estou tirando o atraso.."

"Cory?" – notei ele distraído.

"Oi?" – de repente noto a sua respiração tornando-se mais pesada.

"Que foi?" – sorri vendo-o respirar fundo para se acalmar.

"Nada.." – ele ainda não se aproximava. – "você pode dormir aqui.. nesse quarto.." – ele para de falar e olha ao redor – "se quiser.."

Não falo nada e somente sorrio para ele, passando as mãos em cima do colchão. Ele torna a piscar e eu sorrio mais ainda me levantando.

"Você esta com sono?" – coloco minhas duas mãos sobre o seu peito.

"Por?" – ele passa a mão pelos seus cabelos.

"Não sei..." – eu não sabia ao certo qual minha intenção naquilo tudo. – "pensei em sei lá..."

~.~

"Sei lá?" – sorri cruzando meus braços e me aproximando dela.

"É sei lá.." – ela mordeu de novo o lábio inferior. Engoli em seco e me sentei ao seu lado na cama.

"Ta com fome?"

"Comi no Subway.." – ela sorri, Subway.. boas memórias – "o máximo que aceito é algo doce.."

"Doce.." – repeti a palavra e ela moveu a cabeça confirmando – "tipo.. chocolate? Sorvete? Fruta?"

"Cory..." – ela apoiou uma mão em minha coxa – "pode ser alguma fruta.."

"Ainda com mania de comer fruta de madrugada?" – levei a minha mão até próximo da sua.

"Às vezes.." – ela virou a mão e entrelaçou nossos dedos.

"Uva ou morangos?" – respiro fundo vendo que ela olhava cada vez mais fixamente para mim.

"O que tiver.."

~.~

Ele solta minha mão e desaparece por pouco tempo do quarto. Eu estava começando a ficar com uma idéia fixa na cabeça e tentando raciocinar para evitar aquilo. Olho tudo ao redor e me jogo na cama de costas me espreguiçando. Fecho os olhos e juro que começo a sentir umas coisas estranhar. Coisas? Exatamente isso.. não sei definir...

"Aqui Lea.." – escuto sua voz e logo me sento de novo na cama – "precisa de algo pra dormir?"

"Acho que não.." – digo pegando uma uva do cacho.

"Quer uma roupa?" - ele cruza os braços e permanece em pé na minha frente.

"Sua?"

"Da minha filha que não seria.." – ele sorri levando um dedo, passando de leve no meu rosto. – "você é pequena.. mas nem tanto.."

Senti de repente um calor correndo por todo o meu corpo. Parei de morder a uva, parei de respirar, parei me mover, parei o meu olhar. Ele permanecia com a mão na minha bochecha. Comecei a sentir minha cara 'queimando' e me surgiu uma vontade imensa de chorar. Tentei não piscar, não falar, me controlar, mas não pude evitar. Ele me encarou sem entender e se aproximou de mim, sentando-se na cama e me puxando para um abraço. Enterro minha cabeça em seu peito e tento buscar um pouco de ar. 'Se controla'.. pensei comigo antes de falar ou fazer qualquer coisa. 'Não fala mais isso perto de mim'.. levei uma mão ao meu rosto e limpei meus olhos ainda sem me afastar dele.

~.~

'Que foi que eu disse?', pensei nas minhas palavras enquanto a abraçava. Pergunto o que aconteceu? Ou não? Fico em silencio, somente a abraço? Não sabia o que fazer. Optei pela opção de mantê-la ali entre meus braços, ela não se movia e eu tampouco o fazia.

De repente sinto ela beijando de leve meu pescoço. Fecho meus olhos. Que fazer? Que falar? 'Não.. Lea..pare..! Pare!? Eu queria isso... eu precisava disso.. mas porque ela estava fazendo isso?

Não me movi, não mesmo. Senti seus lábios passando de leve pelo meu pescoço dando pequenos beijos. Suas mãos deslizavam pela minha nuca e eu abaixo a cabeça sentindo ela atingindo o meu ponto fraco. Respiro mais fundo que posso e deslizo minhas mãos pelas suas costas.

"Lea.." – me atrevi a falar mas ela parecia não querer me escutar.

Uma de suas mãos entrou por dentro de minha camisa e fecho meus olhos já imaginando que tudo aquilo poderia ser um sonho. Ela seguia beijando minha nuca, acariciando meu peito por baixo da camisa. Abro meus olhos uma vez e viro o meu rosto encontrando o seu olhar e a sua boca.

~.~

Ele parecia assustado, e eu o compreendia. Não queria explicações nem perguntas, eu só queria viver o agora.

Encarei a sua boca somente mais uma vez e avancei beijando-o. Suas mãos receosas começaram a passar de leve pelas minhas costas e eu levo minhas mãos segurando o seu rosto, querendo senti-lo um pouco mais. Aprofundo o beijo, sinto sua língua na minha, seu gosto no meu. Atraio o seu corpo para mais perto, queria sentir toda a sua pele em contato com a minha. Queria por pelo menos mais uma vez nessa vida esquecer o passado, viver intensamente o presente e deixar de me preocupar com o futuro.

Puxo o seu corpo de tal forma, fazendo com que ele cobrisse o meu. Prendo uma de suas pernas entre minhas coxas e me afasto por um momento encarando-o mais uma vez.

"Esquece o mundo.." – respirei fundo – "pelo menos por agora... faz isso... por mim.. por nós.."

Ele segurou uma de minhas mãos e beijou a ponta de meus dedos.

"Não quero ver você triste.." – ele seguia beijando minha mão.

~.~

"Me deixe lembrar você.." – eu percebia que lágrimas queriam escapar de seus olhos.

"Lembrar?" – eu me aproximei falando bem perto de sua boca – "...eu nunca esqueci..." – comecei a beijar o seu pescoço e subir minha mão tocando com um pouco de receio seu peito.

A partir desse momento nossas bocas já não mais se separavam. Nossas mãos buscavam incessantemente tocar um ao outro. Cada pedaço, cada detalhe, nada era esquecido. Deslizei sua camisa por sua cabeça e depois de anos pude admirar seu corpo o qual não tinha mudado muito. Ela pousou suas duas mãos sobre meu
peito e eu puxei minha camisa encostando o meu peito no seu. A abraço forte e tornamos a nos beijar.

"Deus.." – ela suspirou fundo enquanto eu mordia de leve seus seios – "ninguém sabe o quanto eu senti falta..."

Sorri com suas palavras e segui com aquilo. Lá sabe Deus se aconteceria isso de novo com a gente. O mais provável seria que..

"Não vai me odiar depois?" – parei tudo e a encarei.

~.~

"Porque odiaria?" – deslizei meus dedos pelo seu peito – "se só estou fazendo o que há tempos tenho sonhado em fazer isso tudo de novo contigo?"

Com aquelas palavras nossas bocas se encontraram novamente, nossos peitos colaram. Ele me manteve em um abraço profundo e depois suas mãos começaram a deslizar já sem nem mais pudor por todo meu corpo.

Eu queria falar tanto, mas sabia que não seria nem um pouco apropriado fazer isso nesse momento. Fechei meus olhos tentando somente senti-lo, mas logo me lembrei que precisava mantê-los bem abertos para não esquecer nenhum detalhe depois. Eu ainda guardava na memória tudo o que havíamos vivido entre quatro paredes. Às vezes achávamos que estávamos indo rápidos demais pela intensidade do que acontecia. Quase sempre nos mantínhamos as mãos afastadas porque sabíamos que era somente alguém avançar um passo que as coisas começavam a se descontrolar. E quase sempre acabávamos na cama.

Sem pressa cada peça de roupa foi sendo tirada. Nunca havíamos feito isso com tanta calma. Nossos olhos não deixaram de se encontrar. Talvez sabíamos que poderia ser novamente a ultima vez, ou quem sabe o recomeço. Eu já nem sabia o que queria dessa vida. Já tem dias que eu me peguei imaginando uma vida ao lado dele e me perguntava o que estava fazendo com meu marido. Amor, consideração, paixão ou comodismo? Com ele também podia ser somente uma obsessão, um sei lá... as coisas quando não acabam como gostariam que fossem, sempre deixam uma vontade de saber como seria "se eu tivesse tomado outra atitude..", ou nos faz pensar que talvez não seja tarde para tomá-la.

~.~

Era tão bom recordar o seu gosto, o seu corpo pequeno, sentir suas mãos me tocando de tal forma que jamais alguém soube tocar. Ela tinha o seu jeito de me levar a loucura.

Mas no mesmo instante uma raiva me tomava porque eu sabia, que a maneira que as coisas fossem daqui pra frente eu não a teria tão cedo, tão novamente entre meus braços.

Sinto muito Lea, se você me deu espaço não era agora que eu iria desistir tão fácil.

Nos abraçamos fortemente enquanto nossos corpos tomavam um ritmo lento, paciente, onde nossos instintos pareciam obedecer aquilo que mais queríamos. Quando já não mais suportávamos permanecemos sem nos separar por um longe tempo em silêncio. Ficamos imóveis, nos encarando, ainda nos acariciando, sentindo e desejando que aquilo não fizesse parte de mais um sonho.

"Você.." – disse beijando mais uma vez sua boca – "quer alguma coisa?"

Ela negou com a cabeça. Senti um brilho diferente em seus olhos e encontrei sua mão, apertando-a forte.

"Eu não vou mais falhar com você.. pequena.." – respirei fundo acariciando de leve a palma de sua mão – "nunca mais.."