Bem, meninas, desculpem, mas só consegui publicar hoje. Este mês tive muitas coisas que providenciar, mas este agora será um pouco mais tranquilo. Por isso, vai dar para postar mais um capítulo além deste (dessa vez eu prometo). Espero que curtam o capítulo! Boa leitura!
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-Eu te falei... - disse Shisui mesmo com o risco de ser alvo de uma das canetas ou outros objetos da mesa de seu primo, se este tivesse um raro ataque de ira no estilo Uchiha – Não contrarie as leis da lógica.
-Hhmmppffhh ...
A luz fraca era filtrada pelo vidro da janela do escritório de Uchiha Itachi. Ele estava deitado com a cabeça apoiada sobre a superfície da mesa, com um ânimo de um moribundo e o rosto submerso num mar de documentos e faturas.
-Eu não queria ter que falar ... - continuou Shisui. - Mas é assim que as coisas funcionam. Você tem que saber quem é mais conveniente, e quem não é.
Ele se levantou e foi até o filtro de água que ficava num canto. Pegou dois copos descartáveis e sentou-se, deixando um na mesa de Itachi.
O decadente Uchiha ergueu um pouco o rosto e pôde ver que seu primo pegava uma garrafa de bolso de dentro do paletó. Derramou um líquido claro como água nos dois copos.
- Você é um maldito alcoólatra, sabia disso? – Itachi relutantemente pegou o copo e observou seu conteúdo. Shisui apenas esboçou um sorriso presunçoso – Que porra é essa?
-Uísque. É muito popular no Ocidente. Se queimar sua garganta é sinal de que você ainda tem terminações nervosas.
Itachi bebeu quase tudo, sentindo que a garganta ardia como o inferno. Bem, pelo menos o calor o lembrou que ainda havia vida nele.
-Mer...da ... – quase engasgou quando sentiu a quentura em suas narinas como se tivesse jogado soda nelas - Se meu pai descobrir que você dá pra beber no trabalho ...
- Bah. O chato do titio não está, por isso não tô nem aí. Também falta uma hora pro expediente acabar. Que importa? – Shisui bebeu o conteúdo de seu copo em só um gole.
A mão trêmula de Itachi lhe arrebatou a garrafa.
-Sim, mas isso não é motivo pra você trazer essa coisa para o escritório, bestão – disse e encheu o copo para a surpresa do próprio Shisui.
Este olhou para o relógio com desinteresse; seis e quinze e ainda não haviam terminado de conferir a pilha de faturas que faltavam. Nenhum deles disse algo sobre isso. Era terça-feira e podiam deixar o serviço para o dia seguinte.
No terceiro copo, Itachi se sentia um pouco melhor, embora a voz estivesse rouca devido ao licor e até mesmo a menor engolida de saliva lhe queimasse a garganta; mas doía menos do que aquele músculo cardíaco, agora desanimado e destruído.
A ideia ainda estava lá, e talvez, com o tempo, pudesse ser capaz de realizá-la.
Talvez ...
- Você disse alguma coisa? – Shisui arqueou uma sombrancelha.
-Não ...- Itachi respondeu com desengano. – Eu não disse nada.
A etiqueta ainda estava em sua mão esquerda, e ele estava relutante em jogá-la, rompê-la ou fazê-la desaparecer de sua vida.
Shisui teve a consideração de não fazer mais perguntas. Além do respeito que ele tinha por Itachi, fê-lo por perceber a sombra que via na expressão de seu primo. Shisui poderia se considerar um desastre em questões pessoais, poderia ser um convencido e safado com mulheres e um chato com os amigos, mas nunca um vilão ou um traidor. Pelo menos era um amigo confiável quando queria e ignorava seus impulsos em interferir no que não era de sua alçada. Com o assunto de Itachi, havia jurado solenemente não dizer uma palavra a ninguém, fosse por familiaridade, companheirismo, e porque era jovem demais para morrer estrangulado por seu primo e chefe.
Pairava um silêncio no escritório, ninguém disse mais nada. Shisui olhou para o relógio; faltavam dez para sete.
-Bom, acho que já está na hora de picar a mula.
- Não é um pouco cedo?
-Dez minutos mais, dez minutos a menos, que é que tem? Não vamos terminar esse trabalho nem com vinte minutos de vantagem – apontou para a pilha de contas. Pensou em perguntar a Itachi se ele queria carona para casa, porém, o brilho sem vida que viu no olhar do primo fê-lo desistir –Você vai ficar mais um pouco?
Itachi acenou com a cabeça.
- Talvez. -Itachi apoiou o queixo na mão – Nos vemos amanhã.
E agora vai se fechar em seu trabalho, concluiu Shisui com acerto.
-Humpf – deu de ombros – Até amanhã.
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Shisui descia as escadas pensativo. Tão distraído que quase foi derrubado por uma sombra que se dirigia ao portão da entrada.
- Ei, olha pra onde você anda, Obito cabeça de bagre! – espetou sem dó.
O desavisado girou sobre os calcanhares e olhou o outro, um pouco envergonhado.
-Desculpe, Shisui-san ... é que ...
- Você tem saído muito cedo pra quem sabe onde. E posso saber por que a pressa, cara?
Obito passou a mão atrás da cabeça, escondendo um sorriso insolente de nervosismo.
- Trabalho? – murmurou estúpido .- Quer dizer... pra minha casa. Sim.
Shisui levantou uma sobrancelha, com ar grave.
O atrapalhado jovem de óculos laranja se despediu com um simples "com licença" e fez menção de deixar o edifício. Shisui não disse mais nada.
Podia ser só isso. Pelo o que Shisui sabia, durante a semana, o rendimento de Obito no trabalho foi o mais impecável possível. Apenas deixava o expediente dez minutos mais cedo. Falava muito menos do que costumava e quase sempre se retirava para seu cubículo sob o pretexto de analisar as contas.
Shisui não deu mais importância ao caso e deixou o rapaz passar.
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Sete em ponto.
Impossível.Não havia lugar para ele em sua vida. Ela amava Sasuke, essa era a única realidade.
O que ele faria agora? Havia traçado um plano ou algo semelhante?
Sim, o que lhe restava agora era ... seguir em frente.
Claro, continuar a viver, apesar das feridas. Poderia suportar aquilo mais uma vez, igual ao fracasso de sua relação com Hana Inuzuka. Podia voltar para sua casa, continuar com a maldita rotina e vê-la novamente de vez em quando. Ver Haruno Sakura ali, no sofá de casa ao lado do bastardo de seu irmão.
Porque assim que as coisas deveriam ser, certo?
Não precisava dela, não porque não a quisesse, mas porque não havia espaço para ele, exceto ser o irmão mais velho do namorado dela. E talvez se o destino fosse benéfico para ela e devastador para ele, algum dia, Sakura seria sua cunhada.
E se não precisava dela e não se importava, por que diabos doía em sua alma?
Talvez Shisui estivesse certo o tempo todo. Aspirar a ideias quase inatingíveis não fazia parte da realidade nua e crua. Os fatos que lhe ocorreram eram uma prova disso.
Sakura não era e nem seria para ele.
Mas será que realmente não teve importância para Sakura?
Os beijos ... o primeiro eo segundo. Sakura havia se arrependido? Talvez depois de alguma reflexão, ela percebeu que foi um mero impulso. Não é necessário que haja amor para se beijar alguém.
Não deve ter significado nada para ela.
Itachi balançou a cabeça enfaticamente.
Apesar de seus inexperientes dezessete anos, ela não agiu sem pensar, refletiu ele, tentando conter a angústia que ameaçava transbordar novamente. Sakura não é assim.
Sentia que estava faltando saliva em todo seu corpo. Havia coisas que não poderia afogar em um copo de álcool.
Sete e quinze. Ele deu um último olhar para o local de trabalho, não exatamente para as faturas sobre a mesa. Apenas uma olhada distraída.
Pegou a etiqueta e colocou-a de volta na gaveta.
Se ela lhe desse apenas uma chance... Se pudesse abrir os olhos ...
-Itachi-kun.
A voz soava distante, como uma sombra em um nevoeiro. Ele olhou para cima, confuso. Achou que fosse o cansaço ou culpa da bebida, mas não. O som da voz dela foi tão real quanto o pulso em suas veias.
No umbral da porta e tão estática quanto ele, estava Sakura. Seu olhos cor de esmeralda estavam lacrimejantes e um pouco inchados. Havia resquícios de algo devastador em seu rosto.
Ele só chegou perto de onde ela estava. Notou que os joelhos dela tremiam e que sua mão segurava hesitante a soleira da porta.
-Sakura ... o que...?
A pergunta ficou no ar no instante em que ela venceu a própria resistência e lançou-se ao seu corpo. Um ato impulsivo, mas que era uma resposta ao medo. Em seus braços, como tantas vezes, ela sentia a confiança que sempre quis ter com Sasuke. Sakura começou a chorar.
-Sasuke... – as palavras soavam estranhas, como se tivesse passado anos desde a última vez que se viram. Ele se esforçava para entender a tempestade por trás daqueles suspiros e gemidos – Ele... eu... a gente terminou.
A voz se quebrou completamente. As lágrimas começaram a deslizar pelas bochechas, e molhavam a camisa de Itachi. Não importava. Ele oferecia seus braços de bom grado para dar a ela a necessidade de abrigo.
A última frase dela não era difícil de compreender, não pela modulação de sua voz, mas pela própria mensagem.
Sasuke a tinha deixado ... o imbecil de seu irmão havia dado o o golpe final. Ele já conhecia aquela mecânica e o evento em si não era grande coisa... se tivesse sido com qualquer garota.
Um impulso vago de ira tomou conta dele, como a noite em que ouviu de seu quarto os gemidos de Sakura com Sasuke em que este a tomava como se fosse um artigo disponível em sua posse, que podia descartar a qualquer momento que lhe desse na telha.
Sakura não merecia ter um coração partido. Não era justo. Não depois de quase dois anos com seu irmão.
-Me desculpa ... - Sakura disse ao soluçar como uma criança.
- Pelo quê?
Um brilho de luz surgiu nos olhos expectantes dela.
-Pela última vez ... eu não deveria ter feito aquilo com você... eu ...
Sussurrou e voltou a esconder o rosto em seu pescoço. Ele colocou a mão em sua bochecha e delicadamente ergueu seu rosto. Passou o polegar pelas lágrimas restantes em sua face.
-Então... você se deu conta – não era uma pergunta, era uma afirmação clara e concisa. Ele trouxe seu rosto perto do dela e encostou sua bochecha na dela, acariciando-a.
Ele não tinha parado de abraçá-la e sentiu como o corpo frágil de Sakura se encaixava no seu.
-Sim ... – Sakura o fitou nos olhos, num contato mudo livre do sentimento de culpa e da hesitação que antes havia entre eles.
Itachi precisava ouvir de seus lábios aquela resposta e Sakura queria comprovar.
Beijou-a com suavidade. E, naquele momento, Itachi soube o que era estar apaixonado de verdade. A euforia percebida com os lábios contra os dela, a dor brutal que havia causado a ausência de Sakura. Ele sentiu que era capaz de dar a vida por ela.
Sakura umedeceu os lábios e buscou os de Itachi novamente. O contato acendeu o sangue de Itachi que passou os braços atrás dela e aprofundou o beijo. Era muita ansiedade, o martírio sofrido por ambos. Eles se beijavam como se fossem perder o mundo de vista. Nem fecharam os olhos. A respiração estava ficando lenta. Sem pausa.
Itachi enrolou os dedos sobre os fios cor-de-rosa de do cabelo da jovem, deixando o rosto dela exposto. Ele se debruçou sobre ela passando a mão sobre sua têmpora. Sakura fechou os olhos e sentiu o toque de Itachi continuar em sua testa, as bochechas e voltar para os cantos. Ela ficou quieta, completamente perdida entre o calor das mãos dele e o doce sabor de seus lábios. Cada toque, cada atenção era um tratamento totalmente diferente do toque brusco de Sasuke.
Não, não valia a pena lembrar maus momentos. Para ela, esse nome tinha sido enterrado e coberto com cal e terra no momento em que o Uchiha a deixou. O presente era tudo o que realmente importava.
Era só Itachi e ela.
Sakura rodeou o pescoço dele com os braços, e as mãos dele desceram para sua cintura, agora com menos calma. Sentia-se fraca, uma fraqueza não só física e agarrou-se mais a Itachi que, por sua vez, não confiava em sua estabilidade. Então, lentamente, sem se desgrudar dela e de sua boca, buscou apoio na parede, deixando Sakura entre esta e ele.
Lançou-se mais ainda sobre ela e apertou-a mais contra a parede. Suas mãos perderam o controle, buscando tocar mais, buscando sentir mais. Sakura correspondia as investidas de Itachi; suas carícias a faziam se sentir bem. Seu corpo respondia de uma forma estranha, sua mente estava um turbilhão, a luta entre cautela e curiosidade. Mas quando uma leve mordida dele em sua orelha fê-la gemer, a probabilidade de separação foi reduzida a nada.
Um calor abrasador e delicioso se apoderou gradualmente do corpo do Uchiha. Suas mãos deslizavam sobre os quadris de Sakura para baixo, sentindo as bordas de sua saia curta, parando nas curvas suaves de suas nádegas. Ela se agarrava às suas costas, ainda se beijando. Seu corpo respondia mais por impulso do que por lógica.
Não, isso não está certo. Pelo menos não aqui, uma parte consciente de Itachi lutava para manter a compostura. Um esforço inútil.
Seus quadris começaram um ritmo lento, quando sentiu uma das mãos de Itachi ir na sua coxa direita, separando-a com moderação, e aproximando mais do seu corpo. Um toque muito íntimo apesar das roupas entre eles. Uma pressão forçava a virilha do Uchiha, fazendo-o sentir um desconforto em sua calça.
-Sakura ... – a voz profunda de Itachi, agora convertida em um suspiro rouco fez ela sair completamente de seu devaneio -. Hmmphh ... ...
Parar... antes que acontecesse algo mais.
Parar.
O calor era sufocante.
-Itachi ... – a respiração dela atrapalhava um pouco o timbre de voz sair firme – Não ...
Ela respirou fundo, fazendo um esforço para voltar à realidade. Ambos se separaram, pelo menos o suficiente para manterem um mínimo de espaço entre eles.
Itachi encarava o olhar perplexo de Sakura, que corava como ele, e que também estava com a respiração rápida. Ambos estavam tremendo com a lembrança da emoção, da expectativa de algo que desejaram fazer, mas que sabiam não era chegado o momento.
O ar fluía através de seus pulmões em velocidade normal, mas o calor ainda estava presente em ambas as expressões. O pensamento sutil sobre o que quase aconteceu ainda estava em suas mentes, mas não o verbalizavam. A pressão na virilha de Itachi tinha abrandado, pelo menos o suficiente para permitir que ele colocasse as mãos nos bolsos sem esbarrar em "determinada área".
Sakura recuperou a segurança. Seu rosto tinha uma expressão suave e evocativa de cumplicidade, que encarava o rosto expectante de Uchiha Itachi.
-Eu não acho que podemos ser amigos – disse.
O moço balançou a cabeça.
-Nós nunca fomos – ele replicou.
Não foi capaz de remover o sorriso bobo em seus lábios. Ele não era adepto a este tipo de demonstrações de afeto, não gostava de expressar seus sentimentos e achava que quem o fazia era extravagante e estúpido. Todavia, naquele momento, não pôde fazer o contrário.
E não queria fazer nada, a não ser estar com ela e nada mais.
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- Dattebayo! – os dedos faziam pressão continuada na tecla de discagem rápida, obtendo a mesma resposta: correio de voz em curso – Vamos, responde, Sakura-chaaaan ...
Não, não houve resposta do outro lado da linha. Naruto abafou um suspiro de frustração.
Ele tinha tentado a manhã toda. Embora em "termos Uzumaki" toda a manhã significava depois das onze e meia. O loiro só conhecia o dia depois dessa hora.
Estava confuso no início. Supôs que talvez ela estivesse com o "teme" e que tivesse esquecido o convite que ele, Hinata e Ino fizeram para ir ao cinema naquela tarde, como nos velhos tempos. Em seguida, foi a vez de Ino gastar um pouco do seu saldo para tentar chamar a amiga.
O resultado foi o mesmo, e sem rodeios, ela marcou o número da casa da rosada. O telefone chamava, mas ninguém respondia. Por fim, quando deu seis horas, Naruto, Hinata e Ino decidiram ir somente eles quatro, incluindo a Sai. Este tinha feito o comentário de que Sasuke e Sakura provavelmente tinham "dado uma fugida" como na escola e talvez a rosada havia deixado o telefone em casa de propósito.
Ino o repreendeu por tal pensamento, chamando-o de pervertido e a questão foi deixada de lado, embora as preocupações permanecessem.
Eram oito horas. Naruto acompanhou Hinata até sua casa. Nenhum dos dois mencionou o sumiço de Sakura e o rapaz voltou para seu apartamento. Tirou o celular do bolso.
Não havia mensagens ou chamadas não respondidas do número dela e era isso o que mais o preocupava. Teve a idéia de ligar para a casa dela, mas as coisas poderiam se complicar se a senhora Haruno não estivesse ciente da saída da filha, caso ela estivesse mesmo com Sasuke. E Naruto havia aprendido que ficar em apuros com as Haruno (mãe ou filha) dava dor de cabeça.
Ele morava a três ruas da residência de Sakura e, naquele exato momento, ainda não havia entrado apenas para fazer uma chamada rápida. Seu apartamento tinha um péssimo sinal e ele queria garantir que sua melhor amiga estivesse bem, ainda que lhe gritasse e dissesse o quanto ele era irritante.
Estava prestes a pressionar a tecla de chamada, quando levantou a vista e quase deixou o telefone cair.
A iluminação era fraca naquele trecho, porém, deu para ele enxergar tudo perfeitamente. Na rua, viu que Sakura caminhava ao lado de alguém.
Cabelo preto, roupa formal e andar firme. Não havia muita distância entre ela e seu companheiro, Sakura segurava a mão dele ... e agarrou-se a seu corpo. Nem perceberam o garoto loiro assisti-los atrás de um poste.
De início, Naruto pensou que fosse Sasuke. Contudo, nunca o tinha visto com roupa formal, e menos ainda com o cabelo preso em uma ...
Um momento! O teme não tem cabelo comprido!
E Sasuke era um pouco mais alto do que Sakura, mas por dez centímetros ... não por vinte.
Naruto podia ser tão distraído como um menino da escola primária, mas se prestasse atenção, era capaz de se ater a detalhes. Não era tão idiota quanto suponham. Podia perceber mesmo sob as sombras escuras os traços do suposto desconhecido. A aparência, o modo de andar, as profundas olheiras.
Eh... É Itachi ... o irmão mais velho do teme...
E com Sakura?
- Dattebayo?!
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- Quer almoçar comigo amanhã? – perguntou à Sakura enquanto ela lhe devolvia o paletó.
Itachi o tinha colocado em cima de seus ombros. A brisa era fria, mas não o suficiente para ser considerada uma tempestade de neve. Porém, a rosada considerou um gesto atencioso de sua parte.
- O que estamos fazendo, Itachi? – ela o inquiriu, por sua vez, com um olhar preocupado.
Havia tempo de pararem antes de enfrentar tudo e todos que iriam surgir em seus caminhos. Itachi tinha mais a perder do que ela. Sakura sabia que ela é quem devia tomar a decisão, mas não queria perdê-lo de novo. E no fundo do seu coração, sabia que era tarde demais.
- Eu acho que nós estamos fazendo o que podemos, Sakura-chan. O resto a gente vê depois.
-Isso é arriscado. – ela o advertiu enquanto alisava seu cabelo. Adorava sua aparência, sua altura, seu rosto cinzelado, as costas largas, os olhos que a fitavam profundamente. Era a sua loucura, seu sonho. Não podia resistir mais à atração que aquele homem exercia sobre ela. A mesma coisa acontecia com ele.
-A vida é um risco – replicou calmamente. Sorriu e tornou a beijá-la – Não tenho medo de apostar no que eu acredito. E aí... vamos comer juntos?
Sakura hesitou antes de concordar. Ela queria estar com ele o maior tempo possível.
Na verdade, a situação era perigosa, mas era tarde demais para voltar atrás, e concluiu que valia a pena o risco.
E para Itachi, Sakura valia qualquer risco.
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- Então ele ainda não deu uma resposta? – perguntou uma voz profunda que ecoou no ambiente escuro da sala.
A câmara superior daquele prédio, ambientada como um escritório executivo, estava quase na penumbra. Atrás de uma mesa de mogno brilhante, estava uma silhueta negra de um homem, que se destacava pelo tom peculiar de seu cabelo.
Uma figura austera de cabelo laranja-avermelhado e semblante rígido e inflexível.
-Não, ainda não. Mas eu sei que ele vai ter que aceitar mais cedo ou mais tarde – respondeu "alguém" na mesa. Um homem jovem, cujo rosto estava bem escondido entre sombras.- Só é uma questão de esperar que a neve se derreta ... por assim dizer.
Eles não estavam sozinhos na sala, havia outros quatro em silêncio, contemplando aquela conversa.
-Hum ... Tem certeza de que podemos confiar nele? - a voz veio de um daqueles indivíduos. Era a figura alta de um homem cujo cabelo possuía um brilho azul sob a luz fraca e que também incindia sobre sua pele. -Como você está tão certo de que não suspeitam de você?
A segunda pergunta não foi direcionada ao moço de cabelos laranja-avermelhado atrás da mesa, mas ao jovem magro em frente a ela.
- Sei que Uchiha Itachi seria um elemento útil à Akatsuki - afirmou arrastando as sílabas das palavras – Nós somos uma família, ninguém desconfia de mim.
Em seguida, tirou um par de óculos do bolso da camisa. Óculos com lentes alaranjadas.
-Depois de tudo ... Obito é um bom garoto.
Seu rosto esboçava um sorriso sinistro.
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É isso aí, gente! Finalmente, esses dois se acertaram. Mas ainda tem obstáculos pela frente (se não tivesse não teria graça). Quanto à primeira vez deles, tenham paciência. Bem, aguardo reviews.
Até a próxima.
