Cap IX – Momentos

O quão importante alguém pode ser para você a ponto de você duvidar da verdade?

O quanto alguém pode ser para você a ponto de você preferir um mundo de mentiras?

Era o que pensava Layla atônita na frente de Yuri e de dela.

- Srta. Layla? – May disse - há quanto tempo!

May estava sendo sarcástica com Layla e isso a irritou muito, May? Ela? Como? Layla sabia que ele era capaz de mais e também sabia que ele a estava usando, mas ela estava duvidando se May realmente estava se deixando usar, algo havia por trás de tudo aquilo e Layla estava farejando o suspeito. Mas ainda assim queria Leon, queria ele para poder de certa forma irritar Yuri mas também para ter alguém em quem procurar apoio, onde estaria Leon?

Leon se encontrava parado ruas acima de Layla, ele estava assustado com quem estava a sua frente. Sora Naegino estava lá. Olhando para ele, vindo em sua direção e mais do que nunca mexendo com a alma de Leon.

- Jovem Leon? – ela disse docemente e vindo na direção de Leon – há quanto tempo?

- Sora... Agora não podemos conversar tenho que achar uma pessoa, se me dá licença... – ele disse pronto para fugir de lá, iria correr para salvar a sua "princesa" mas foi interrompido.

- O senhor vai atrás dela não é? – Sora falava olhado para o chão.

- Dela quem? – Indagou Leon, ninguém sabia de nenhum envolvimento dele com ninguém, mas ele desejava que ela dissesse o nome desse alguém.

- A Srta. Layla. É dela que o senhor gosta não é? – Sora foi direta e mudou de fisionomia de uma pessoa desprotegida para aquela batalhadora que era, que Leon tanto prezava – você a escolheu não é? Como sua nova...

- Parceira? Não, Sora. Ainda te prezo como minha parceira, mas nesse dado momento eu estou com a Layla – Leon precisava sair mas não conseguia.

- Não! Como a sua "pessoa especial!" – Sora disse aquilo e abalou Leon tanto quanto o alegrou, conforme falava ela tentava disfarçar as lagrimas que marejavam seus olhos – quando o senhor disse que aceitaria a proposta de trabalhar com ela, naquela hora na sala de Kalos eu achei que seria provisório, mas ai...O senhor aceitou a proposta de Alan sem hesitar...Diga-me a verdade, o senhor já gostava dela não é? Apesar de o jornal ter flagrado ela entrando em seu apartamento e aqui com as inúmeras fotos de vocês juntos, você iria fazer tudo por ela porque...Você gosta dela...

- Sora... – Leon não conseguia escapar, mas sentia dor por abandona-la, quando ele caiu na penumbra de sua alma quem o ajudou foi ela, ele estava novamente sendo injusto com os outros e sabia disso. Machucar os outros era um "dom", mas o que ele iria fazer? – Eu tenho que ir me desculpe...

- Por favor, Jovem Leon...Diga-me a verdade...Diga que a ama assim eu...Farei de tudo para te esquecer...- Sora começou a derramar lagrimas sem piedade, chorava como alguém que amava, mas não era amada – eu sei...Que... É errado sentir raiva da Srta. Layla, pois ela não escolheu ser amada por você...E eu a considero demais, mas...

- Sora eu... eu... amo ...a ...Layla ...eu amo a Layla, - ele disse com convicção, com paixão e com um brilho nos olhos que somente uma pessoa apaixonada poderia dizer, e começou a andar rápido e a sair da reta de Sora - eu amo a Layla mais do que minha alma pode queimar em chamas nos palcos e eu preciso dela, e ela de mim.

Ele saiu em disparada em busca dela e com Sora em seu encalço, ele corria e descia as ruas, agora mais do que nunca precisava dela.

- Eu e May iremos participar do F.I.C. Layla iremos competir contra você e Leon – Yuri disse aquilo serio e com cara de quem iria lutar ate o final não importava o quanto, e deixou Layla insegura, já não bastava Julian e agora ele também. Conforme falava May se aproximou de Yuri e passou a mão dela por dentro do braço dele como um casal, Layla tremeu por dentro e então desviou o assunto.

- Se me permitem tenho que encontrar uma pessoa – Layla ameaçou andar quando viu Leon descer as ruas correndo seguido por Sora. May e Yuri se viraram para ver o que Layla observava tão surpresa.

Leon atravessou uma rua antes de avistar Layla, Yuri e May. May com Yuri. Ele se sentiu perdido mas continuou a avançar, sem perceber atravessou uma avenida sem olhar, seguido de buzinas e xingamentos, distante ouviu a voz de Sora dizendo:

- Jovem Leon! Apesar de você não me amar eu sou fiel aos meus sentimentos! Eu te...

Algo não a deixou terminar, ele chegou à outra extremidade da calçada e olhou para trás, Layla o avançou para interceptá-lo e correr para seus braços quando ela apenas gritou:

- Sora! – Layla soltou um grito abafado.

Leon ameaçou correr mas era tarde aquela cena se repetia, mas dessa vez ele presenciou, o carro, a avenida, e...ela, suas asas, perdendo o brilho, o som dos pneus no asfalto, o motorista desesperado tentando controlar a arma, seu carro, as pessoas na rua assustadas, gritos abafados ao longe, sangue voando, a batida, o vidro pelo chão, o soar de um corpo tão jovem interceptado por tamanha foice que ceifa vidas.

Por sobre o carro Sora.

Ele ameaçou avançar, correr para salva-la mas o medo o consumiu antes, Leon adquiriu aqueles olhos perdidos, sua alma gritava, suas pernas não sustentavam seu corpo, e ele começou a ruim, escorregou até o chão e rastejou em direção ao carro ajoelhado.

Ele pôde apenas segurar a mão dela que aos poucos perdia o calor, os olhos de dor, não mostravam mais dor, apenas lagrimas e um breve sorriso, sangue por sobre a roupa e pelo rosto de pele de pêssego, suas lembranças se revivam. Acima do corpo de Sora a única coisa que Leon via era uma imensa luz que consumia a dor dele.

Yuri e May ficaram atônitos, May saiu em direção ao carro e a Sora e gritava:

- Uma ambulância! Alguém chame uma ambulância!

Yuri ameaçou parar Layla que andava em direção ao acidente, sirenes já eram ouvidas ao longe, ela fugiu dos braços de Yuri, e ajoelhou-se atrás de Leon, e o envolveu em seus braços. Leon apenas chorava e deixava as lagrimas correrem, olhava a luz ao seu redor e a dama branca no teto do carro a olhar por ele, porque ela era tão familiar? Seria um anjo? Seria Sophie? As mãos de Layla circundaram Leon, pararam sobre a linha dos quadris, ela apenas chorava com ele, aquela em cima do palco era sua "supernova", sua filha de palcos, que também perdia o brilho na cidade luz, Layla recostou a cabeça nas costas dele e permaneceram parados até a ambulância chegar e levar Sora para o hospital.

Por momento Yuri, a verdade, a técnica e a vida deles foram esquecidas, Sora estava sendo tratada as pressas pelos médicos, na sala de emergência, furos atingiam seus braços fortes, medicamentos corrompiam seu sangue de guerreira, sua vida se esvaia mais e mais conforme os minutos passavam, o mesmo corredor, o mesmo cheio de morte circundavam o perímetro.

Layla estava parada em pé perto de uma janela no fim do corredor, olhava os brotos de flores nascendo enquanto aguardava uma resposta dos médicos, Leon estava sentado ao seu lado, recostado em suas pernas, com os braços por entre elas em contato com seu corpo quente aguardando também algo dos médicos. A noticia já correra e todos do Kaleido Star estavam a caminho, e mesmo aqueles que não foram convidados foram para o local como fotógrafos e jornais que começavam a cercar o local.

Layla viajava na penumbra de sua alma, corrompida por duvidas e anseios, ela ouviu Sora gritando "eu te..." e o resto já sabia, ela mais do que nunca agora queria virar para Leon que estava apoiado em suas pernas e gritar a plenos pulmões o que Sora disse ao mundo "EU TE AMO!", mas era incapaz de ter tal coragem naquela hora.

A verdade sobre o que ocorreu naquela noite caía mais a fundo nas profundezas de sua alma, agora ela definitivamente estava convicta que contar só machucaria mais o pobre ser de Leon, que gemia de dor, também não era sequer capaz de virar para ele e dizer seus reais sentimentos nesse maremoto que assolava novamente o ser dos mais belos cabelos prateados e dono de todo o seu calor, seria o mesmo que ser o motorista que atingiu Sora, saber que ela também o amava e de certa forma "rouba-lo" pela segunda vez iria ser muito mais do que jogar baixo, seria ferir a pessoa na qual mais a valorizou no mundo e por quem tem um amor de irmã.

Mas mesmo ela se sentia perturbada em amar alguém e não poder contar, não poder revelar seus sentimentos, por mais que esse talvez não fosse correspondido tamanha era a força pela qual Leon amara a tal moça de nome Cléo. Layla ansiava por conhece-la, mais do que o borrão que pairava na sua mente após ser interceptada por Julian, saber se ao menos seria trocada por alguém que valesse a pena, ela sabia que um amor nunca era perda de tempo, mas encarar a verdade ao menos podia ser um consolo. Ela estava confusa o suficiente também para saber o que era verdade e se ela era justa com ela, com Leon, com Julian e até mesmo como o destino que destruía ela aos poucos e roubava seu calor de deusa.

Já Leon entrou em transe. Recostado nas pernas fortes de Layla e com os braços envoltos nelas, ele vagava pela memória, quando ligou para Yuri e ele disse que não iria ver Sophie, quando buscou ajuda de Cléo e ela estava na cama com outro, e na hora da batida do carro de Sora, mais uma vez não conseguiu salvar seu anjo, que morria no quarto ao lado.

Layla. Layla ao seu lado, e ele sequer tinha forças para virar para ela e dizer "EU TE AMO!", seria ele capaz de um dia dizer isso a ela? Seria ele capaz de contar para ela que ele a ama mesmo ele sabendo que talvez ela amasse Yuri? E Cléo, onde foi parar naquela historia? Ele finalmente estava acreditando que a esquecera, mas amar agora seria correto?

Leon vagava em um canto não muito escuro de sua mente, mais precisamente no dia em que viu Sora, e no tempo que passou com ela e no que ela sofreu em sua mão, ele a amava naquela época, seu brilho doce, o acalmava como a brisa do mar, seu calor abrasava qualquer dor que adormecia nele, lembra do dia em que ele a viu limpando o display no qual exibia a foto dele com May na peça "Drácula" e sua vontade de correr por entre a ponte e beija-la, deflorar aqueles lábios rubros igual ao que fez com Cléo, tocar-lhe a pele pela primeira e saudosa "primeira vez", aquele amor que ele esqueceu quando ele passou a ser um coadjuvante, e a tirou de sua mente. Não poderia tê-la nunca e não iria jamais se aproximar cela por mais que ela o amasse agora. Nunca, repetiu para si mesmo.

May para ele era a digna parceira, e ela lá ele nem sequer teve forças para avançar e dizer sobre o convite, apesar de ter visto que ela tomara certa decisão. Ele gostava dela como a grande profissional que era é só, e estava feliz por ela não causar-lhe problemas.

Mas Cléo, ainda mexia com ele, só de vê-la algo nele queimava, prazer, talvez? Amor, Quem sabe? Ele apenas sabia que ela não lhe pertencia mais, pena, ele iria adorar ser a pessoa com a qual ela faz amor todas as noites, e ser aquele que beija seus lábios, para ele agora ela era um desejo carnal, como todo homem sente ao ver uma bela mulher nas ruas ou revistas, mas que sempre volta para casa e tem o amor de uma grande mulher, mulher essa que tinha nome: Layla.

Yuri corrompia-se em ódio por ver os dois juntos, não sabia o que sentia, se era dor por Sora ou raiva por Leon. Layla. Era ele que deveria aquece-la em seus braços, era ele quem deveria protege-la e então encarou a triste verdade, sua fênix partira de sua morada em busca de um novo local para viver e ele por mais que lutasse talvez nunca mais teria ela com ele.

May andava de um lado para o outro no corredor, mas vidrada apenas em uma cena: Leon e Layla, maldita cena aquela de afeto, de amor, de esperança, enquanto Sora morria eles permaneciam um ao lado do outro se apoiando, até que dois seres avançaram pelo corredor.

[CONTINUA...]