Capítulo 08

Andando pelo corredor até o quarto da minha irmã, continuei nossa conversa – Ah, mas o vovô está lá no Hospital. E no Hospital, as pessoas têm injeção. Você sabe? Igual àquelas que têm na escolinha do papai.

Dei três batidas na porta e esperei Alice abrir.

- Quelo falar com a titia Alice, papai. - Sorri. A tática da injeção sempre funcionava.

Alice surgiu em nossa frente com os olhos fechados, cabelos bagunçados, pantufas e camisola rosa. – Quem incomoda?

Comecei a gargalhar ao vê-la tão desarrumada. Lilly imitou-me.

Ao ouvi-la, Alice arregalou os olhos e esqueceu o sono. – Gatinha da titia! Bom dia, princesinha! - Alice esticou os braços e Lilly se jogou, a abraçando pelo pescoço. – A que devo esta visita pela madrugada?

- Exagerada... – resmunguei. – Você pode ficar algumas horas com a Lilly? O papai me chamou no Hospital e não pode esperar – desdenhei.

A cara que Alice fez deu a entender o que eu já sabia: "Carlisle Cullen não pede. Exige!".

- Lilly e eu vamos nos divertir muito!

Dirigi sem muita pressa para o Hospital, afinal, o trajeto não durava mais que dez minutos. Havia anos que eu não voltava àquele lugar, justamente a razão por eu ter escolhido minha profissão. Passei horas de minha infância correndo pelos corredores estéreis, fazendo amizade com médicos e enfermeiras... Bons tempos que não voltariam.

Antes de eu bater, a porta foi aberta e uma Esme chorosa me puxou para um abraço surpresa. Meio sem reação, levei as mãos às suas costas e acariciei. Ergui o olhar e vi Carlisle nos encarando.

- Esme, você vai assustar o menino.

Mordi a língua para não responder a Carlisle. Há muito tempo eu já não era um menino. Ele me obrigou a virar homem!

Minha mãe afastou-se e puxou-me pela mão para entrar. – Quando vocês vão me dizer o que está acontecendo? – perguntei sério. Cruzei os braços na frente do peito e esperei.

Vi meu pai agir meticulosamente ao se aproximar. – Edward, você sabia que Bella tem um filho?

- Eu vi a criança estes dias. Eu não sabia, com certeza, se era seu, apenas imaginei que ela tivesse seguido a vida e se casado. Por quê?

Esme não parava de chorar. – O nome dele é Eric Swan. Sem o sobrenome do pai. Ele é quarenta dias mais novo que a Lilly.

Eu não conseguia enxergar o que quer que eles quisessem que eu visse. Pensar em Bella doía. Falar dela era excruciante. Eu nunca mais tinha falado sobre ela com ninguém desde o dia que rompi nosso namoro.

- E quando o viu você não reparou nada? – Carlisle sondou.

- O que eu deveria ter visto, Carlisl? Prefiro que você seja mais claro, Carlisle. Não suporto seus jogos de palavras.

- Edward, o que estamos tentando dizer é que Eric Swan é igualzinho você quando pequeno. Se passariam por gêmeos se não fossem os anos de diferença.

Meu mundo parou. Passei a ver meus pais interagirem comigo, mas eu não ouvia nada. Uma mistura de sentimentos me tomou. Raiva por ter sido enganado; Alegria por um filho; Medo de Bella fugir... Tudo estava confuso e, por um segundo, refleti. – Como vocês sabem?

- Eric entrou na emergência há cerca de uma hora. Foi trazido desacordado por Charlie Swan e quando prestei o primeiro atendimento quase desmaiei com a semelhança. Depois de encaminhá-lo para uma tomografia, peguei seu prontuário no Sistema.

O choque me deixou lento demais. Demorei para entender o que cada palavra significava. – Como assim desacordado? O que aquele velho alcoólatra fez?

Comecei a andar de um lado para outro com a mente trabalhando a mil por hora. Tantas coisas para pensar que nada era concluído.

- A criança sofreu uma queda da escada, segundo o avô. Os exames apontaram um leve traumatismo craniano.

Meu sangue ferveu. Eu precisa quebrar alguma coisa antes de quebrar o velho Charlie. Infelizmente, eu estava em um Hospital e tive de controlar meu instinto.

- Eu quero vê-lo, Carlisle.

- Não sei se-

- . .Swan. – interrompi meu pai.

- Ele está na pediatria. Quarto oito.

Eu sabia que Carlisle e Esme estavam no meu encalço., mas sequer preocupei em esperá-los. Parti pelos corredores do Hospital de Forks em passos acelerados e, em menos de cinco minutos, cheguei à Pediatria.

Com a porta do quarto oito fechada bem à minha frente, parei e respirei. Eu estava nervoso demais e aquele deveria ser um momento, no mínimo, especial, afinal meus pais não teriam tais desconfianças sem razão.

Abri a porta lentamente e eu não precisei me aproximar. A pele branca, os cabelos cor de bronze, os lábios avermelhados... Definitivamente havia um parentesco. Dei alguns passos e parei ao lado da maca. Eric tinha uma intra-venosa em sua mãozinha esquerda, com a tala limitando seus movimentos, um curativo na testa e os olhinhos fechados.

Foi mais forte do que eu. Levei minhas mãos ao seu rosto e acariciei com cuidado. Ao tocá-lo, Eric abriu os olhos sonolentos e ofeguei com o verde-esmeralda.

- Oi, bebê – sussurrei. – Você se lembra de mim, anjinho?