Título Original: The High-Society Wife

Autora: Helen Bianchin

Sinopse:

Isabella e Edward Cullen aceitaram um conveniente casamento com os olhos bem abertos. Eles agiam como um casal feliz para criar uma aliança entre suas poderosas e milionárias famílias e dispersar as fofocas da imprensa. Mas, um ano depois, as coisas mudaram: o casamento pode não ser real, mas a paixão de Edward pela mulher, sim...


CAPÍTULO SETE

Isabella saiu de casa no meio da manhã para fazer a prova final do vestido com Alice. Os sapatos que pretendia usar estavam na caixa e usou os retalhos de amostra do tecido para escolher o batom certo.

O baile beneficente não estava marcado para a próxima quinzena, mas era melhor estar preparada.

— Ah, sim — Alice aplaudiu. — Os sapatos são magníficos — e fez uma cara séria. — Você se lembrará das minhas sugestões para as joias e usará os cabelos presos para cima... Sim?

— Claro.

— Você pretende sair para fazer compras? Pode deixar o vestido aqui e pegá-lo na volta para casa. Ninguém deve ver este vestido no seu carro.

O pagamento foi feito e ela despediu-se da talento sa costureira com um abraço rápido.

— Obrigada.

— Agora, vá — Alice ordenou.

A manicure era a próxima na lista de Isabella, se guida do almoço e depois gastaria o tempo escolhendo a maquiagem. Batom, sombra para os olhos, até que tudo estivesse perfeitamente combinado.

Eram quase cinco horas da tarde quando chegou em casa. Assim que guardou as compras, Isabella tomou um banho, colocou uma calça jeans e uma camiseta e foi juntar-se a Edward para o jantar.

— Suponho que tenha tido um ótimo dia.

— Fazendo compras — Isabella esclareceu. — Um dos pecados mais agradáveis para uma mulher.

A suave gargalhada dele tocou-a profundamente.

— Eu deveria sugerir que você definisse outros pecados?

Ela fingiu fazer uma lista mentalmente enquanto dava a última garfada.

— O que mais?

— Posso enumerar alguns.

— Bem, comida de boa qualidade, chocolate belga, champanhe Cristal... Agora os prazeres da carne: uma boa massagem corporal, facial, ser mimada em um luxuoso SPA... — ela fez uma pausa.

— Acho que bom sexo merece um espaço.

Era melhor não contar a ele que o último da lista figurava em primeiro lugar na preferência dela. Ele não só era capaz de fazer um ótimo sexo como de transformá-lo em um banquete sensual... Uma festa dos sentidos. Edward era o tipo de amante que primeiro proporcionava a sua mulher os maiores e melhores prazeres antes de se juntar a ela para satisfazer-se também.

Isabella olhou o relógio.

— Hora de me trocar.

Ela arrumou a mesa, colocou a louça e os talheres na máquina de lavar e subiu as escadas correndo.

Escolher o que vestir não era um problema, Isabella optou por uma calça preta de seda, um colete com binando e, por cima, um blazer de veludo delicada mente bordado com fios dourados. Os sapatos pretos, as delicadas joias de ouro e a maquiagem leve completavam o visual.

Edward enfiou-se no seu terno preto e ajustou a gravata, enquanto ela pegava a bolsa.

A presença deles dominou o ambiente, Edward tinha uma aura que transparecia poder, sem falar na ir resistível sensualidade que sempre chamou a atenção de Isabella.

Com terno Armani e sapatos Magli, ele estava maravilhoso. Nenhum outro homem chamava mais a atenção do que ele.

Deve ser genético. Tinha que ser, Isabella ponderou, ao entrar no carro.

Não era de admirar que ele atraísse a atenção de mulheres dos dezessete aos setenta anos.

Os ingressos para o Cirque Du Soleil que se apre sentava no cassino da cidade se esgotaram em poucos dias e segundo a crítica, o show era sensacional.

Esplendor e o glamour reinavam no salão quando eles entraram, e Edward passou o braço pela cintura de Isabella quando eles entraram no auditório.

Cuidado? Demonstração de posse? Projeção da imagem pública?

Oh, pelo amor de Deus, Isabella censurou-se. Pare de analisar cada ação dele!

Qual seria o problema com ela? Desde quando se tornou uma super sensitiva?

A resposta era simples. Desde que certa atriz alta e de pernas longas entrou em cena.

— Você está muito quieta.

Aquela voz mansa lhe tocava profundamente.

— O que gostaria que eu falasse? — Isabella olhou Para ele e sorriu. — A noite está linda? O show promete ser maravilhoso? — Você está saindo com Tanya?

— Posso lhe trazer uma bebida

Ela lembrou. Uma taça ou duas de champanhe a faria flutuar pelas próximas horas.

— Não, obrigada.

— Tem alguma coisa a aborrecendo?

Alguém, ela disse para si mesma.

— O que o faz pensar isso?

Ele a conhecia muito bem. O sorriso muito força do, a tensão que deixava seu pulso acelerado...

— Vamos para os nossos lugares?

Em poucos minutos a luz diminuiu, as cortinas se abriram e o show começou.

Naquele momento, o lanterninha passou para acomodar duas pessoas nos assentos que estavam livres ao lado deles.

— Isabella.

Ela não acreditou.

— Rosalie?

— Ideia do Edward — Rosalie confessou em voz baixa.

A noite ficou melhor e eles sentaram-se para assistir ao show.

O colorido, as demonstrações de equilíbrio e simetria, a beleza na fluidez dos movimentos e as performances impecáveis arrancavam aplausos deles. A plateia estava entusiasmada e aplaudia com veemência. Isabella lamentou quando o show acabou.

— Vamos procurar um lugar tranquilo e tomar uma bebida — Rosalie sugeriu, enquanto segurava Isabella pelo braço.

— A mãe de Emmett está em casa, por isso não precisamos correr para liberar a babá e...

— Minha mulher quer se divertir.

A expressão de lamentação de Emmett estourou em gargalhadas no mesmo momento em que Isabella aderiu à sugestão.

— Bem, então o que estamos esperando?

— Uma hora — Rosalie aproximou-se e lascou um beijo na boca do marido — eu prometo.

— Reservei uma suíte aqui para passarmos a noite.

Rosalie virou-se para Isabella.

— Deixe-me refazer a proposta — Rosalie deu uma risada travessa. — Dez minutos, uma bebida — e virou-se para abraçar o marido. — Eu adoro você.

— Eu também.

Isabella sentiu um pequeno aperto no peito quando eles se entreolharam. Era o ato do desejo... A emoção e o amor incondicional, acima de qualquer preço.

Por um momento, tudo aquilo a fez sofrer, mas colocou o sentimentalismo de lado e trocou tudo por um sorriso.

Eles encontraram um bar, Edward pediu champanhe, Isabella mal tomou alguns goles quando Rosalie perguntou baixinho.

— Aquela não é...

— Edward! Quem teria pensado em encontrar você aqui?

— Tanya — Rosalie concluiu.

Isabella abandonou de vez o pensamento antipático de achar que a atriz se empenhava em descobrir cada movimento dela. Coincidência era uma opção que estava descartada.

— Estou com alguns amigos — Tanya declarou, enquanto passava os dedos com as unhas pintadas de vermelho pela lapela de Edward. — Vamos nos juntar a vocês.

Não se ela pudesse evitar.

— Obrigado, mas...

— Obrigado? — a atriz sorriu para Edward de for ma sedutora. — Da próxima vez, caro, certo? — Ela não esperou pelo consentimento e saiu andando.

Dominadora seria a melhor definição. Com uma perfeita tática cronometrada, Tanya parou a uns dez passos e lançou um olhar provocativo por cima dos ombros para Edward.

— Devemos aplaudir?

Isabella percebeu o cinismo de Rosalie e revirou os olhos.

— Definitivamente, é um bombardeio.

— Ela é uma bruxa.

— Perigosa.

— E mais alguma coisa. Precisamos de uma estratégia — Rosalie disse com firmeza, e Isabella levantou uma das sobrancelhas.

— Precisamos?

— Sim, claro — ela aproximou-se e disse. — Vou lhe telefonar. — Depois disso, pegou a mão do marido e partiram.

Isabella deu um sorriso ansioso enquanto eles partiam.

— Quer tentar a sorte no cassino?

— Por que não? Tudo bem.

Luzes fortes, multidão e barulho. Diversão, Isabella pensou, enquanto trocava o dinheiro pelas fichas, e logo escolheu um caça níquéis. Ela apostou, perdeu e deixou Edward jogar, que por sua vez, ganhou. Naturalmente.

— Você está satisfeita?

Um grito de alegria veio de uma mesa próxima, quando Isabella virou-se, viu o operador da mesa empurrando uma pilha de fichas na direção do ganhador.

Uma rodada de dados seria interessante, mas antes ela queria retocar a maquiagem.

— Estarei de volta em cinco minutos — disse Isabella.

Isabella ajeitou o cabelo e estava retocando o batom, quando percebeu a presença de Tanya pelo reflexo do espelho da bancada das pias.

A ideia de que a atriz os estava seguindo era estranha. O olhar agressivo e assustador indicava que não haveria nenhuma intenção de civilidade.

Ótimo. Discussão à meia-noite. Era tudo que ela precisava. Que tal usar o ataque como estratégia de defesa?

— Há algo que queira falar? — Nada como se jogar de cabeça no precipício.

— O Edward é meu.

Isabella levantou uma das sobrancelhas.

— E eu sou uma história?

— Acertou uma, querida.

— Se você pensa que me afastarei humildemente... Esqueça.

Tanya lançou um olhar de piedade.

— Querida, eu posso fazer coisas com ele que você nem sequer ouviu falar.

Oh, céus. A coisa estava se tornando uma baixaria.

— Você acha?

A atriz passou a ponta da língua pelo lábio superior.

— Sem dúvida.

Hora das piadas.

— Truques sexuais, Tanya? É triste você ter usar este artifício.

Ela disse isso quando estava saindo.

— Com ciúmes, querida?

Isabella não respondeu ao insulto.

— Quer ir embora? — Edward perguntou quando ela se aproximou.

Agora, tinha que decidir rapidamente! Fugir ou ficar. Ela sorriu para ele.

— Depois de uma rodada de dados. E certifique-se de que Tanya não esteja me vigiando como um guerreiro ferido.

Parecia que a sorte estava de férias, os dados também não a fizeram ganhar. Ela afastou-se, achou melhor observar ao invés de participar.

Já era quase meia-noite quando Edward pegou a estrada principal na direção de Toorak. A noite estava clara e o céu estrelado indicava que o dia seguinte se ria ótimo.

— O Cirque Du Soleil foi fantástico — ela declarou, quando estacionaram o carro, acrescentando: — Foi muito gentil você ter convidado o Emmett e a Rosalie.

— Foi um prazer.

Eles subiram a escada juntos e entraram no quarto.

Primeiro, ela tirou os sapatos, depois, a calça. O blazer, a blusa... A maquiagem e, por último, o prendedor do cabelo.

Ele fez o mesmo, sem conseguir tirar os olhos daquela sofisticada mulher que soltava os cabelos e sacudia-os.

Isabella era pequena, delicada e com um falso ar de fragilidade que contrastava com sua força interior.

Uma máquina de energia portátil, Edward pensou ao olhar para aquela mulher que, devido à sua riqueza, poderia facilmente ter se transformado em uma dondoca preocupada com os eventos sociais. Em vez disso, escolheu a empresa e estava determinada a ser bem-sucedida. Preocupada em preservar e ampliar o patrimônio deles.

As mulheres com quem ele dormiu no passado estavam mais interessadas nas rendas e nos vestidos de noite de seda... Ou em se exibirem nuas para ele.

Contudo, essa mulher desafiava as normas e escolheu uma camiseta de algodão duas vezes maior que o número dela. Caramba, ela ficava muito mais sexy assim do que vestindo qualquer vestido de seda ou renda.

— Deixe assim.

Isabella estava fazendo uma trança para não deixar os cabelos soltos.

— Eles ficam embaraçados se eu deixá-los soltos durante a noite.

Edward posicionou-se atrás dela e segurou suas mãos para impedir que ela continuasse. Em seguida, passou os dedos pelos cabelos sedosos de Isabella.

Imediatamente, ela sentiu o corpo vibrar e esquentar, sentiu-se viva como só ele era capaz de fazê-la sentir-se.

Ele usou os dedos para fazer uma massagem circular, apertando, aliviando, até ela quase suspirar de prazer.

Estava tão bom que ela soltou um gemido quando ele começou a massagear as têmporas, a base do pescoço e os ombros.

Ele afastou os cabelos da nuca, beijou o pescoço e quando percebeu que ela estava toda arrepiada, retirou a camiseta e abraçou-a por trás passando o braço pelos seios dela.

O desejo de excitá-lo e provocá-lo aumentou conforme ela se virou e começou uma exploração sensual pelo corpo dele. Ele arfava de prazer.

Com alguns toques suaves nas partes mais sensíveis do corpo, ela pôde perceber a musculatura dele se contrair enquanto testava seus limites.

Prazeres primitivos, táticas e intimidades.

Não satisfeita, ela passou a língua pelo bico do peito dele, sugou, lambeu e, finalmente, deu uma leve mordida.

Um gemido rouco saiu da garganta dele quando ela fez o mesmo com o outro peito e passou a explorar a região do umbigo com a língua. Continuou lambendo o abdome definido e seguiu pela fileira de pelos até chegar ao pênis.

A ereção dele deixou-a fascinada e provocou uma contração muscular nas suas partes mais íntimas, era uma antecipação do que ela sentiria quando Edward a penetrasse. Os movimentos sincronizados de vai e vem que ela fazia deixaram-no louco. Ele levou-a para a beira da cama, inclinou-se sobre ela e possuiu-a de tal forma que Isabella chegou a gritar de prazer. — Satisfeita? — a voz de Edward era quase um sussurro inaudível quando ele puxou-a para junto de si e tomou a boca de Isabella em um beijo.

Com um movimento rápido, passou as pernas em volta da cintura dele e o segurou, regozijando-se de prazer na medida em que ele se movimentava sobre ela, utilizando toda a energia primitiva de um bom sexo.

Sexo maravilhoso, ela admitiu mais tarde, deitada nos braços dele.

Anthony Cullen adorava companhia, era generoso e um excelente anfitrião. Enquanto Marie Swan era uma pessoa metódica e gostava de tudo em seu devido lugar, Anthony parecia viver satisfeito em uma bagunça organizada... Por sua empregada que tentava manter tudo em ordem.

A casa dele, ele afirmava para todo mundo, era dele, tudo que precisava era de conforto, limpeza e boa comida. Os bens e os jardins, todavia, eram algo mais.

Era surpreendente que os avós se confrontassem em todos os níveis, Isabella percebeu isso, enquanto caminhava ao lado de Anthony pelo jardim. A única ex ceção era a paixão que os dois nutriam pela jardinagem. Entretanto, a comparação entre o avô e o neto era evidente.

Ícones na corporação da indústria e impelidos pelo sucesso. Olhando para os dois homens, era fácil perceber a conexão... A mesma estatura, as feições bem-definidas, o olhar direto que percebia tudo, e mais profundamente, a frieza que os diferenciava.

Será que daqui a trinta anos Edward assumiria a personalidade do avô, sugaria a vida com as duas mãos e ainda sacudiria um pouco?

Ela estaria por perto para saber! Ou faria parte de um compromisso passado e se juntaria ao clube das primeiras esposas? Seria substituída por qualquer coisa nova que aparecesse?

— Você está pensando!

Isabella percebeu o olhar reflexivo de Anthony.

— Algum problema?

— Depende da importância do pensamento.

Bem, era muito difícil não dar importância a uma mulher que parecia estar com o seu coração despedaçado.

E o pior, ela não podia falar sobre seus medos e in seguranças com relação à manutenção do casamento com Edward. E se ele hesitasse em tranquilizá-la ou considerasse suas preocupações como irracionais?

— Você pode confiar na lealdade de Edward.

De onde teria vindo àquela avaliação? Ela seria tão transparente?

— Eu sei. — Será que sabia? Que engraçado. Ela tinha sérias dúvidas sobre sua habilidade em ter certeza sobre qualquer coisa.

— Já caminhamos pelo jardim todo — Anthony disse gentilmente. — E você ainda não disse o que a está preocupando.

Seria óbvio? Ela tinha que sorrir muito e se esforçar mais ainda para continuar fingindo estar perfeita mente bem.

— Por que você acha que há algo de errado?

— Leve em consideração os anos que venho tentando compreender a mente feminina.

Ela quase chegou a perguntar o que ele tinha lido em seu pensamento... Mas temeu ter que ouvir o que não gostaria.

Edward estava falando ao celular e quando eles entraram na antessala, ele interrompeu a ligação... A terceira ligação consecutiva desde que seu avô levou Isabella para dar uma volta no jardim.

Ele assumiu uma aparência levemente capciosa, deu um sorriso e seus olhos se estreitaram um pouco. A probabilidade de Anthony ter dito alguma coisa que a tivesse aborrecido não existia. Então o que...?

— Me falem sobre o Cirque Du Soleil — Anthony pediu, enquanto saboreavam a massa ao forno que sua empregada havia preparado.

— Foi incrível — Isabella exaltou e descreveu os pontos altos... Sem a interferência de Tanya.

Eles tomaram o café na antessala e lá pelas nove horas da noite Edward insinuou que precisavam ir em bora.

— Tenho que preparar um relatório. — O relatório tomaria no mínimo uma hora do tempo dele e ainda pretendia pegar um voo bem cedo na manhã seguinte para Sidney. Tinha reuniões marcadas durante todo o dia, negociações na terça-feira e esperava que as soluções fossem satisfatórias. Algo pelo que lutaria com unhas e dentes... E de que fugiria, se fosse pre ciso.

Isabella despediu-se de Anthony com um beijinho, en quanto Edward ligava o carro.

— Você conseguirá resolver tudo amanhã?

Edward deu uma olhada para Isabella enquanto pe gava a estrada.

— Não. Algum problema?

— Claro que não.

Tanya sabia que Edward estaria fora da cidade? Junto com esta pergunta veio outra... A atriz estava planejando encontrá-lo em Sidney?

Só de pensar na possibilidade, Isabella ficava arrasada.

Não pronunciou mais nenhuma palavra até chegarem em casa, e nem moveu a cabeça quando ele reiterou que precisava terminar o relatório.

Levou um livro para a cama na esperança de se envolver com a história, com os personagens fictícios... Uma situação onde Tanya não poderia se intrometer.

Pura ilusão, a imagem de Tanya nos braços de Edward não lhe saía da cabeça.

Era quase meia-noite quando Edward entrou no quarto, despiu-se, deitou-se ao lado dela e puxou-a para junto dele.

Ela não se mexeu e ele resistiu à tentação de excitá-la.

Havia uma vantagem em manter-se ocupada, Isabella se deu conta depois de atender várias liga ções, participar de uma conferência telefônica e par ticipar de uma reunião.

À proporção que o dia avançava, era impossível evitar pensar no que Edward faria à noite. Um jantar de negócios... Ou um jantar a dois na suíte de seu ho tel com Tanya?

Oh, pelo amor de Deus! Pare de paranoia! As chances de Tanya saber algo sobre a agenda de negócios de Edward eram mínimas.

Mesmo assim, em uma semana, a atriz conseguiu um lugar como convidada no jantar de caridade, a publicação de uma foto na coluna social do jornal da cidade, aparecer no show de domingo à noite... E não esqueçamos das ameaças verbais.

As intenções de Tanya eram claras como cristal.

A reação de Edward, no entanto, não era tão clara assim.

O celular de Isabella tocou e ela viu que era Rosalie na linha.

— Gostaria de sair para jantar e pegar um cinema?

— Onde está Emmett?

— Com Edward fora da cidade, você deve se sentir como uma garota em uma despedida de solteira.

Ter bons amigos era maravilhoso!

— Aceito — ela concordou de primeira. — Diga-me a hora e o lugar que encontrarei você lá.

Rosalie festejou com entusiasmo. Isabella terminou de falar com a amiga e, em seguida, ligou para Ângela.

De repente, o dia ficou animado, ela teria tempo de passar em casa, tomar um banho e trocar de roupa antes de encontrar Rosalie no South Bank.

— Uma taça de vinho com o jantar. Nós duas temos que dirigir — Rosalie lembrou enquanto lia o menu. Ela escolheu e fez o pedido.

— Certo... Agora, conte — Rosalie pediu, assim que o garçom se afastou da mesa delas.

Isabella arqueou as duas sobrancelhas.

— Seja específica.

— Tanya.

— Ah.

— O que tem feito com relação a ela?

— Além de querer mandá-la para o inferno?

Rosalie recostou na cadeira.

— Graças a Deus. Por um momento, tive sérias dúvidas.

— Ela e Edward...

— Eu sei. Mas isso foi há anos e terminou antes mesmo de começar.

Ela lembrava-se mais das semanas do que dos dias. Angústia, dor no peito, sofrimento. A imaginação era terrível.

— Mas agora ela está divorciada e...

— Tem Edward como alvo.— Rosalie tomou um gole de vinho e ficou contemplativa. — Não que ela tenha alguma chance com ele.

— Você acha?

— Por quê? — Rosalie perguntou. — Ele tem você.

— Rosalie, eu adoro você. Mas não esqueçamos que o meu casamento não é exatamente uma união amorosa.

— Não?

— Talvez da minha parte, não da dele.

— Oh... Besteira.

Como você chegou a esta conclusão?

O garçom serviu as entradas e Rosalie esperou que ele se afastasse.

— Eu percebo o jeito como ele olha para você.

Isabella analisou a amiga por cima da borda de seu copo.

— Luxúria.

— Tem gente que não é cega, mas não consegue ver.

— Sim. E tem gente que só vê o que quer ver.

Rosalie levantou as duas mãos e sacudiu.

— Certo, vamos dar um tempo — Rosalie ficou séria. — Mas se você acha que estou errada, esqueça.

O fato de Rosalie não ter tocado mais no assunto até que tivessem terminado o prato principal era significativo para ela.

— Você não pode permitir que Tanya perceba que a estratégia dela está funcionando com você.

— Tenho tentado.

— Não a subestime — Rosalie aconselhou. — Ela é uma cadela.

— Ela já deu provas disso.

O garçom apareceu, recolheu os pratos e perguntou se elas gostariam de sobremesa.

— Frutas frescas e café... Preto.

Rosalie conferiu as horas.

— Temos que nos apressar se quisermos ir ao ci nema.

Elas entraram no cinema na hora que estavam apa gando as luzes. Leve e engraçado, com boas interpretações, personagens convincentes e um ótimo diálogo, o filme provocou boas gargalhadas.

— Café? — Rosalie sugeriu, assim que chegaram ao saguão.

— Você não tem pressa para chegar em casa e Emmett sugeriu o horário em que a carruagem vai virar abóbora.

Isabella pareceu desconfiada.

— Cinderela... Meia-noite?

Ela deve ter compreendido. O fato de ela não ter falado muito a respeito do seu estado de espírito!

Café... Descafeinado. Caso contrário, não conseguiria dormir. Parecia uma boa ideia. Elas entraram juntas em um badalado café.

— Parece que todo mundo teve a mesma ideia.

O café estava lotado. Elas conseguiram uma mesa por sorte e pediram dois cafés descafeinados.

— O que você precisa fazer — Rosalie começou — é ser amigável com a inimiga, em público.

— Você não vai desistir, vai?

— Olhe, nós frequentamos o jardim de infância juntas, o internato e fomos damas de honra uma no casamento da outra. Eu sou a primeira da fila a chutar o traseiro dela.

— Lealdade é uma coisa maravilhosa e eu agradeço por isso. — Isabella disse de forma descontraída.

— Mas a vez de chutar o traseiro é sua, não é?

— Sim.

— Rosalie, Isabella. Duas das minhas mulheres favoritas.

A voz com sotaque arrastado era familiar. Elas se viraram juntas e se depararam com Alec Volturi e seu irmão, Demetri. Alec apontou as duas cadeiras vazias.

— Parece que não tem outra mesa vazia. Podemos nos juntar a vocês?

— Claro.

— Nenhuma mulher na cidade esta noite? — Rosalie provocou, depois que eles sentaram-se e pediram os cafés.

— Jantar de negócios — Alec encolheu ombros. — Uma caminhada pela noite pareceu uma boa ideia, um café...

Dois poderosos homens de negócios, amigos e sócios tanto de Emmett como de Edward. O que poderia ser mais prazeroso do que tomarem um café juntos e conversarem?

O único momento chato foi quando um fotógrafo tirou várias fotos quando eles estavam de saída. Um dos paparazzi de coluna social que ronda a noite em busca de um furo de reportagem.

Uma legenda maldosa poderia transformar um encontro inocente em compromisso, tudo para vender mais jornais.

Alec resmungou algo cruel.

— Bem, a noite foi divertida.

Demetri colocou uma nota sobre a mesa para pagar a conta.

— Onde vocês estacionaram?

Primeiro, foram até a Ferrari de Isabella. As meni nas se abraçaram e, minutos depois, Isabella já estava entrando na estrada principal.

Era quase meia-noite quando ela entrou em casa, ouviu os dois recados na secretária eletrônica, nenhum deles era de Edward. Não havia nenhuma mensagem no seu celular. As dúvidas que ela manteve de lado, agora vieram à tona, invadindo seus pensamentos e eventualmente seus sonhos.