Capítulo 9

Elle depois do dia de aulas, chegou ao seu quarto e deitou-se na cama cansada.

- O dia foi assim tão cansativo? – Laura perguntou observando-a.

- Oh se foi… É horrível assistir a algumas aulas. – Elle falou. – De qualquer maneira, tenho algo a dizer-te. – Elas voltaram-se uma para a outra. – Matheus Guild. Do quarto ano, conhece-lo? – Elle perguntou.

- Já o vi mas… Não é alguém com quem eu tenha falado muito. – Laura disse.

- Sim, pois. Eu estive a observá-lo durante algum tempo porque ele não é um dos miúdos do primeiro ano mas tu podes falar com ele. – Elle deu-lhe uma folha de papiro. – Escrevi aí como deves abordá-lo e assim, tu já sabes.

- Percebo… Está bem. Deixa-me ler. – Laura leu o que a amiga lhe dera. – Ok, acho que já percebi. Falo com ele amanhã. – Elle queimou a folha de papiro. – Bem, nós somos mesmo cuidadosas, não somos? – Laura perguntou-se.

- Acho que sim, pelo menos temos cuidado e pensamos que um dia podem desconfiar de nós e invadir o nosso quarto. – Elle disse.

- Diz-me uma coisa, tu estás a fazer o teu trabalho de Transfiguração? – Laura perguntou levantando-se e caminhando até à sua secretária.

- Tem que ser. – Elle respondeu.

- Pois, ainda bem que estás a fazer. A McGonagall parece que te odeia. Chega a meter medo quando te olha. Acho que não confia muito em ti. Se calhar pensa que por alguma razão vieste para Hogwarts, alguma razão que envolva o Senhor das Trevas. – Laura disse.

- Ou então se calhar é por saber que eu fui expulsa de Pahtellons. – Elle disse fazendo Laura olhá-la. – Fugi para ir a uma festa. De qualquer maneira, ela não vai muito com a minha cara.

- Sim, e ainda bem que não te recusaste a fazer o trabalho por teres como companheiro o Malfoy. É claro que eu perceberia se não quisesses fazê-lo, é o Malfoy, um Devorador, mas isso seria dares mais uma desculpa à McGonagall. – Laura disse. – Espero que esteja tudo a correr bem. Ele não te tem magoado, pois não?

- Ele só quer fazer o trabalho, Laura, eu acho que ele não me vê como uma ameaça, sabes? – Elle disse encolhendo os ombros. – De qualquer maneira, o trabalho está quase pronto, temos que o entregar até depois de amanhã.

- Está bem. – Laura encolheu também os ombros e deitou-se também na cama. – Não sonhas como será depois de isto tudo acabar?... Porque isto um dia acabará, sabes?

- Espero que seja enquanto eu estiver viva. – Elle disse. – E sim, sonho com o dia do fim disto.

- Eu também. – Laura sorriu-lhe. – O que fazias tu numa escola só de raparigas? Devia ser uma seca não ter rapazes.

- Não era, não era. Eu gostava tanto. Podia queixar-me de tudo, mas agora… só nos apercebemos da importância das coisas depois de as perdermos, nunca esta frase foi tão boa de se usar. Sim, não tinhamos rapazes, mas isso não nos impedia de namorar, e até fazia com que dessemos mais valor aos nossos encontros aos fins-de-semana. Ficar com um rapaz… E nós tinhamos professores homens. – Elle disse sorrindo.

- Percebo. Então quer dizer que tens experiência com rapazes? – Laura perguntou.

- As raparigas que estão num colégio só de raparigas não são santas, Laura. – Elle disse. – Eu acho que até tenho a minha parte de experiência com rapazes.

- E eu a pensar que tu não sabias como lidar com eles. – Laura disse.

- Oh, eu sei! – A outra exclamou. – Eu sei lidar com eles.

- Está bem. Gosto de saber mais uma coisa sobre ti. – Laura disse. – Isto é muito arriscado, não é? O que nós estamos a fazer?

- É, e se quiseres desistir, podes fazê-lo, eu compreendo. Por mais que eu avalie alguém, posso falhar e isso atormenta-me porque tu é que vais correr o perigo directo. – A francesa falou.

- Mas eu quero fazer isto, e eu sei que tu és muito boa no que fazes. – Elas sorriram uma para a outra. Bateram à porta e elas olharam-se perguntando-se quem seria. Laura foi lá. – Malfoy, que fazes aqui?

- Eu quero falar com a Rouchouse. – Ele entrou no quarto e Elle levantou-se automaticamente da cama. – Temos que acabar o trabalho, Rouchouse.

- Claro, bom, então vamos. Eagle, não sei a que horas volto. – Ela informou e saiu com ele. – Para onde vamos, Malfoy? – Eles já caminhavam por um corredor.

- Shiu!... Estou a pensar numa coisa. – Ele disse.

- Bem, para pensares numa coisa precisas assim de tanto silêncio? – Ela perguntou.

- Não, preciso de pessoas silenciosas. – Ele disse olhando-a e eles riram-se.

- Essa é boa. – Ela disse. – É uma boa resposta. No que tanto pensavas?

- Nada de mais. Pelo que vi, também não te dás muito bem com a tua colega de quarto. – Ele disse. As aparências realmente iludem, pensou Elle.

- Pois, é normal. Todos nesta escola têm uma certa aversão por mim. Nunca estive num lugar em que não fosse aceite, é muito doloroso não ser aceite, ser vista como alguém que não merece ser conhecido. – Elle disse entrando numa sala. – Ficamos aqui. – Tirou as coisas e sentou-se. – Só nos falta a conclusão do trabalho.

- A Eagle nunca te dirigiu a palavra? – Ele perguntou curioso.

- Malfoy, por favor, nós somos colegas de quarto, temos que falar, nem que seja pela vez do banho, ou se se pode apagar a iluminação… E de vez em quando um olá, sei lá. Nós falamos, Malfoy por muito que te pareça estranho as pessoas falarem. – Ela sorriu.

- Mas vocês não falam como tu, por vezes, falas comigo? – Elle olhou-o estupefacta. A que estava ele a referir-se? Elle observou mentalmente todas as conversas que tivera com ele e havia realmente muitas coisas nelas que eram absurdas de se falar com ele mas Elle tentara perceber se a hesitação de matar Dumbledore seria algum sinal. E ainda não conseguira perceber. Aliás, tinha sido ela a revelar mais coisas sobre si do que ele e isso era realmente assustador agora que pensava. – Tu sabes, às vezes, tens aqueles momentos em que dizes, por exemplo, "Oh, morro de saudades de França".

- Ah, pois… - O que havia de dizer? Se dissesse que sim, poderia expor a amiga. Se dissesse que não, Malfoy pensaria que ela queria alguma coisa dele. – Na verdade, acho que não. Sinceramente, passo muito tempo a ler quando estou no quarto, a ler francês, a ver imagens de França… Não tenho realmente disponibilidade para falar com ela.

- Então, e comigo, porque falas desse modo comigo quando é certo que não falas com mais ninguém? O que queres? – Ele perguntou o que ela temia.

- Não quero nada, mas é que, bom, eu vou-te dizer a verdade… - Elle olhou-o séria. – Eu nunca confiei em raparigas, ok? Cresci rodeada por raparigas da mesma geração que eu e nunca confiei nelas porque eu sei que elas conseguem ser muito mesquinhas. Ao contrário dos rapazes. Eles não interpretam cada palavra como um sinal, eles sabem que o real é isto que está a ser dito, que não é preciso tudo ter uma segunda intenção. É por isso que tinha tão poucos amigos, tinha conhecidas com quem partilhava algumas coisas mas que não eram de confiança, pelo menos para mim.

- Ah, percebo. – Ele disse. – Confias em mim?

- Não. – Elle calou-se imediatamente. A sua voz tinha sido bastante séria e a sua resposta demasiado rápida como se aquilo fosse bastante óbvio, como se ela tivesse uma razão. – Não te conheço, não posso confiar em ti. – Ela tentou desculpar.

- É compreensível. – Ele concordou. – Vamos fazer a conclusão que eu não quero que a Eagle pense que nós fomos para a cama. – Elle olhou-o espantada. – Tu disseste que não sabias a que horas voltavas.

- Nem tudo tem uma segunda interpretação, sabes, Malfoy.

- Sim, mas pelo que disseste sobre as raparigas… - Ele disse fazendo-a sorrir. – Eu tenho uma conclusão feita, toma. – Elle leu-a pensando que tinha urgentemente que falar com Irina, já tinha saudades…

- Está bom. Eu vou passar. – Elle passou sob o olhar atento do seu colega. – Gostas da escola, Malfoy?

- Sempre quis estudar, saber mais coisas, mas não me sinto muito animado às vezes para assistir às aulas. – Ele respondeu.

- É por isso que faltas algumas vezes? – Ela perguntou.

- Não, eu falto porque mo pedem. – De certeza que Elle não queria ter ouvido aquilo.

- E de férias, gostas de férias? – Ela perguntou.

- Gosto, gosto… Gostei muito de uma vez em que fui a França. A história é bastante interessante e todos se vestem tão bem…

- Já está. – Ela pousou a pena. - Vê se tem algum erro. – Ela pediu. Ele leu rapidamente.

- Está óptimo. Já podemor ir embora. – Elle levantou-se e saiu.