Pov Bella.

Eu estava no colo, estilo noiva, por um rapaz alto de cabelos cor de mel que me olhava entre divertido e incomodado.

–Como uma garota pode dar tanto trabalho?- ele ergueu uma das sobrancelhas, dando um sorriso zombeteiro. Ele não falava comigo, falava para os três que me olhavam fixamente. Olhei para eles. Edward me olhava... frustrado? Damon com certa impaciência e Klaus... definitivamente estava furioso. Sem me dar conta agarrei o pescoço daquele que me segurava. Eu estava apavorada. Uma sensação de tranquilidade me tomou e eu de repente estava à vontade, apesar de onde me encontrava, afrouxei minhas mãos, mas não o soltei. Por mais tranquila que eu me encontrava era impossível ignorar o olhar assassino dos três a minha frente. Eles pareciam conversar entre eles, mas tudo que eu via era seus lábios se movendo muito rápido, eu não conseguia ouvi-los, falavam muito baixo e mesmo aquelas que chegavam aos meus ouvidos eram desconexas devido à rapidez que eram ditas, seja lá o que foi dito eles amenizaram seus olhares e sua postura, como se concordassem com algo, estava cansada de mais e tinha medo de perguntar o que eles falaram, provavelmente não iria gostar.

-Você está cansada, eu vou te levar pro quarto. – disse o anjo de cabelos cor de mel, ele caminhou comigo para dentro da residência, chegamos a uma sala muito bem decorada, ele foi passando pelos cômodos sem se dar o trabalho de me colocar no chão, o hall e a escada central da casa separavam a sala de estar. Ele subia a escada em passos humanos, cheguei a olhar para trás para ver onde estavam os outros, e não encontrando nenhum deles, olhei de volta para o rapaz que me mantia nos braços, eu me sentia a vontade com ele, o que era estranho. Naquele momento veio o constrangimento de estar nos braços de um desconhecido.

– Pode-me por no chão. Eu sei andar. – Ele riu, mas não o fez.

– Eu sei que pode. – ele continuou a andar.

– Então? – perguntei sugestiva.

– Então o que? – ele perguntou inocente, inocente até de mais pro meu gosto. Era obvio que ele estava se divertindo com algo, no caso eu.

– Não se faça de inocente. Coloca-me no chão. – ordenei.

– Eu não sou inocente? – ele perguntou fingindo-se de indignado, eu quase acreditei, quase. Se eu não o visse reprimir um sorriso.

– Dificilmente.

Ele me colocou no chão, inclinou a cabeça ligeiramente e disse.

– Desculpe, madame. – tão formal que eu quase ri meu humor com certeza não estava dos melhores, com tantas oscilações de humor provocadas pelo dia, eu me sentia exausta. – Seu quarto. – Ele abriu uma porta de madeira maciça, eu entrei. Deparei-me com um grande quarto, uma imensidão de laços e madeira branca com acabamento dourado, além de uma cama com dossel. Gemi.

– Mobília de princesa. – resmunguei em voz alta, minha mãe uma vez queria decorar meu quarto assim, eu, no entanto bati o pé, dizendo que não. Era algo ridículo. Pelo menos para mim.

– Não gostou? Achei que todas as garotas da sua idade gostavam. – Ele me olhava curioso.

– Se você tem cinco anos... Além do mais eu não sou como outras garotas.

– Certamente que não. – ele continuava a me olhar com intensidade.

– O que foi? Nunca viu não? É melhor bater uma foto, dura mais. – sibilei pra ele, estava cansada de tantos olhares pra cima de mim, para alguém que gostava de passar despercebida, eu já me encontrava farta de tanta atenção, uma atenção indesejada por sinal devo acrescentar. Ele continuou a me olhar. Bufei. Comecei a caminhar pelo quarto, sem prestar atenção, estava imersa a meus próprios pensamentos.

Até pouco tempo atrás a única preocupação era me dar bem com meu pai e minha madrasta, então veio o acidente e tudo mudou. Se não fosse ele, eu não teria entrado na floresta e consequentemente Klaus não teria me visto e eu não estaria naquela situação. Apesar de não gostar particularmente deles, uma vez que eles sequer perguntaram o que eu queria o que eu desejava...

Ah, é claro que eles deixaram claro que minha opinião não era importante, se não com palavras com gestos e atitudes. Eu estava realmente frustrada, sendo tratado como criança ou pior como objeto, sem chance de opinar sobre minha própria vida ou fazer minhas próprias escolhas.

Devo admitir que eles eram muito bonitos, eu tinha olhos afinal de contas e posso dizer que se os outros beijar tão bem assim... foco, Bella foco, recriminei a mim mesma, eles estão te mantendo contra a sua vontade. Respirei profundamente tentando arejar minha cabeça. Tinha tido um dia muito atribulado. O dia mais atribulado da minha existência é agora oficialmente o dia mais infernal da minha existência.

Justo eu que nunca havia tido um relacionamento antes agora me encontrava envolvida com quatro vampiros... quatro vampiros...quatro? Olhei de volta ao rapaz que ainda me olhava, definitivamente irritante esse excesso de atenção. Arghhh!

– Você pode mudar a decoração a seu gosto. – ele disse suavemente.

– Eu não quero ficar aqui. Eu quero ir para minha casa.

– Você já está em casa.

– Não, não estou. Eu quero ir para casa de meu pai, meu lugar não é aqui.

– Não. Seu lugar é exatamente aqui. Precisamos aprender a conviver, Isabella. Assim, sugiro que pelo menos tente cooperar conosco nessa questão.

– Não.

Ele abriu um pequeno sorriso.

–Você tem vontade própria. – o sorriso sumiu. – Este não é o momento de usá-la. Descanse, você está cansada, amanhã conversaremos. –fiz menção para protestar-Você precisa de tempo para digerir tudo, e nada como uma boa noite de sono. Não conseguirá nada agora.

Ele tinha razão, o cansaço não era só físico era mental. Era muita coisa para assimilar, eu precisava de tempo para pensar. Era perda de tempo tentar discutir agora. Ele sorriu como se soubesse que eu havia desistido de arrumar "briga".

– Quem é você? – Perguntei sem graça, desde que ele me pegou no colo depois de Edward ter arrancado a porta, literalmente falando, eu não havia sequer lhe perguntado o nome.

Ele caminhou até mim, seu sorriso era sereno. Ele levou a mão ao meu rosto tocando levemente com seus dedos minha face numa leve caricia por um momento me perdi em seus olhos dourados... olhos que me olhavam com doçura, fui incapaz de desviar meus olhos, ele roçou seus lábios nos meus, fechei meus olhos, um gesto involuntário, senti seu sorriso contra meus lábios, não senti mais o seu toque, ele não me beijou... Abri meus olhos de súbito, ele se encontrava perto da porta, pronto para sair.

Antes de ele fechar a porta ele me olhou com um sorriso e disse.

– Eu sou o Jasper.