N/A: Capítulo gigante pra vocês. Fiz o possível, mas eu se eu separasse em dois capítulos ia ficar muito fragmentado.
Madame Anita Azevedo: Menina, quem rachou de rir fui eu com tua review. Não desmaia não. Deixa pra desmaiar quando as coisas esquentarem mais. Mwahahah! Que bom que você está gostando. Essa é minha primeira fic e eu posso cometer alguns erros...
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Helena estava mais calma. Havia tomado um banho, vestido uma camisola e deitado na cama... Para se levantar em menos de quinze minutos: Estar mais calma significava "não estar tão enfurecida quanto antes" e não em estado de nirvana. Na verdade, com diriam os trouxas, ela estava puta da cara com Snape e isso estranhamente fazia seu coração doer.
Levantou-se. Caminhou pela casa. Ficou vários minutos observando o quarto de Amy, sentindo-se a pior mãe do mundo. Por um momento desejou voltar a ser uma garotinha de 11 anos sem preocupações, encantada com a recém-descoberta Hogwarts, com toda aquela biblioteca fantástica à sua disposição e a eterna diversão com os amigos. Entretanto, mais ou menos com a idade de Amy, seu mundo se tornara escuro e opressor, salvo o amor que tinha por aquele homem... Amor que ele sequer chegou a ter conhecimento. Então veio Amy.
"Por Merlin, como tento entender por que Amy reclama tanto da vida!"
"[...] E este conceito distorcido de injustiça que ela tem!".
Correu os olhos pelo quarto da filha, todo decorado em tons de roxo. Eram tantos pôsteres e tantas bugigangas que mal dava para ver a cor da parede. Helena sempre foi muito organizada e certamente não gostaria e nem conseguiria dormir em meio a tantos astros do rock bruxo sacudindo cabelos e quebrando guitarras... Mas aquele era o santuário de Amy, onde ela passaria, mais uma vez, boa parte das férias sem querer saber do convívio com a mãe, barreira esta que Helena não conseguia ultrapassar por mais que tentasse.
Passara mais de uma hora desde que Helena havia se sentado ao chão do quarto para manusear fotos de "família". Era meia noite, aproximadamente, quando a campainha tocou. Ficou de sobressalto, mas imaginou que fosse Eleonor, que ao sentir sua ausência prematura na festa, lhe enviou um patrono passando sermão. Helena propositalmente não respondeu. Era incrível como Eleonor assumia uma postura de mãe protetora para com ela, mesmo sendo mais nova. Eleonor, todavia, era uma boa amiga; embora fosse muitíssimo ocupada, o que fazia Helena conformar-se com sua boa e doce elfinha Nany, que também se achava sua mãe.
Desceu as escadas. Estava certa de que era Eleonor. Em um assomo de irresponsabilidade, destravou os ferrolhos e abriu a porta sem ter olhado pelo visor. Não era Eleonor, mas sim, Severo Snape que se postava do lado de fora. Ela sabia que o descuido poderia sair caro, mas era tarde demais para tentar barrar-lhe a entrada.
Contudo, para a surpresa dela, Snape continuou no mesmo lugar. Ele apenas levantou uma das mãos que segurava o casaco dela.
- Você esqueceu isso e eu imagino por que – disse ele com voz suave e um sorriso.
O instinto de Helena lhe dizia para arrancar o casaco da mão dele e bater a porta, mas a lição aprendida horas antes a impediu de agir drasticamente, embora a raiva e a mágoa que sentia a queimassem por dentro.
- Eleonor o encontrou quando íamos saindo e eu me ofereci para trazê-lo.
- Obrigada, mas não precisava ter tido este trabalho. Eleonor e eu nos vemos frequentemente. – e indo direto ao assunto: - Como você descobriu meu endereço?
- Acredito que se deva saber o máximo sobre o adversário.
- Não sou sua adversária. O leilão já acabou.
- O leilão acabou, mas meu desejo de possuir aquela mansão permanece. Ela foi de meus antepassados e creio que isto seja um argumento irrefutável, Helena.
O silêncio desconfortável se instaurou. Snape prosseguiu:
- E você, como justifica seu empenho?
- Eu me apaixonei pela casa, já disse.
- Pela casa?
- Sim, pela casa. – disse lacônica.
- Isso me deixa curioso. Você não me parece uma mulher dada a este tipo de frivolidades ou sentimentos...
- Muito menos você.
Snape ficou sem resposta e ela percebeu:
- Mais uma vez, obrigada. Não devo prendê-lo por mais tempo. Sua esposa, acompanhante, amiga ou quem quer que seja deve estar imaginando o que aconteceu. – disse ela enquanto dava um passo à frente e apanhava o casaco com a mão trêmula.
Snape percorreu o olhar por seu corpo, num inventário sensual de suas curvas que se insinuavam pelo robe de seda e, ao mesmo tempo, explicava com um meio-sorriso, deliciado:
- Duvido muito. Eu a deixei em casa quando vinha para cá. Não estou com pressa. E ela não é minha esposa e nem minha amiga. Agora, uma acompanhante... Talvez.
O coração de Helena disparou. E – mas que diabos! – ela sentiu-se aliviada ao saber que aquela não era a mulher de Snape. Por mais intragável que ele fosse, merecia algo melhor...
Deixando as divagações desnecessárias e sem sentido de lado, Helena prosseguiu:
- Imaginei que não fosse, já que ela teria idade para ser sua filha e não a mãe dela.
- Me chamando de velho?
- Não, apenas sendo prática. E isso só me confirma seu caráter detestável. Eu vi que você usava aliança no dia do leilão.
- Estou usando alguma aliança agora? – Snape mostrou as mãos. – Não estou, viu.
- Pior ainda. Você tira a aliança para aprontar com as suas acompanhantes. É para não ficar com a consciência pesada?
- Não. É porque até a ocasião do leilão eu realmente era casado, mas não com a mãe de Sofia.
- Você realmente não consegue ficar com nenhuma mulher, mesmo. – Helena disse sem pensar, afinal, para raiva e infortúnio de Snape, seu amor por Lily Evans foi exaustivamente explorado pela mídia alguns meses depois da guerra.
- Não vai me convidar para entrar, Helena? É falta de educação com um convidado deixa-lo plantado para o lado de fora. – disse sem importar-se com o comentário dela.
Helena cedeu. Acomodou Snape em uma das poltronas da sala. Acendeu a lareira e foi até a cozinha preparar um chá. Na volta, os reflexos dos espelhos no corredor lhe chamaram a atenção: O robe fino de seda negra revelava-lhe as formas do corpo, especialmente as dos seios. Morrendo de vergonha, depositou a bandeja sobre um balcão e subiu para seu quarto a fim de colocar algo mais "decente". Enquanto isso pensava no quão "perigoso" foi ter deixado que Severo entrasse em sua casa, àquela hora da noite e ainda por cima estando ela trajada daquela forma.
Finalmente Helena voltou com o chá. Assim que irrompeu na sala, Snape comentou, casualmente:
- Não precisava ter trocado o robe. Estava ótimo...
Helena, envergonhada, tratou de mudar de assunto:
- Então, Sr. Snape...
- Severo...
- Tudo bem, Severo... Então sua filha se chama Sofia. – bebericou o chá. - Ela estuda em Hogwarts?
- Não... Seria loucura.
- É mesmo. Ser diretor tem seu bônus, mas também tem seu ônus.
- Sofia tem algumas necessidades que nossa escola não pode atender. E eu nunca quis coloca-la sob os holofotes de Hogwarts. Eu a ensino em casa, mas já pensei em lhe matricular em outra escola... Ela é muito sozinha. Mas vem sendo difícil lidar com ela, que não quer estudar fora de jeito nenhum.
- Puxou o seu gênio? – ironizou. Snape também tinha uma "mini rebelde" em casa e isso lhe parecia hilário, por mais que ela soubesse que na prática não era nada engraçado.
- O incrível é que não. Ela sempre foi doce e vivaz. Depois que a mãe faleceu e ela teve de vir morar comigo que as coisas pioraram.
- Oh, sinto muito por você e pela menina... – Helena corou, sem graça.
- Eu nunca fui casado com a mãe de Sofia. Nunca fui verdadeiramente casado com ninguém. Eu acabei de me divorciar e dou graças a Merlin por isto, se é que me entende. Pensei em ter uma esposa para ser amiga de Sofia e o que aconteceu foi justamente o contrário.
Helena assentiu com a cabeça e lhe serviu o chá. Até que Snape não era tão detestável como vinha aparentando.
- Eu também nunca fui casada. Nem verdadeiramente, nem juridicamente, nem nada do tipo. Tive Amy sozinha e sozinha lhe criei – disse sinceramente.
- O que aconteceu com o pai dela?
- É melhor deixar esta conversa pra lá.
Helena sentiu uma pontada no peito e uma aguda vontade de chorar, mas se segurou. Seus olhos ficaram desfocados por um instante, como se estivesse se lembrando de algo.
- Helena? Helena? O que foi?
- Nada...
- Você ficou distante e parecia não me ouvir. Está tudo bem?
Ele delicadamente tocou o rosto dela com as duas mãos, tentando virá-lo em sua direção, para que ela o olhasse frente a frente. Percebeu que os olhos dela marejavam.
Instintivamente, como tudo o que faria a seguir, ele amparou uma lágrima solitária com o polegar de sua mão.
- Eu sinto que já te conheço de algum lugar. Que você fez parte do meu passado de alguma forma, que você não me é estranha. Me diga, por Merlin, me diga, de onde você saiu...
- De Hogwarts, Severo. Obviamente...
- Não. Não é só isso. – disse terminantemente decidido.
Ela permaneceu calada. Ainda segurando o rosto dela, ele lhe beijou na testa, depois nos olhos e no canto da boca. Em reação, ela segurou suavemente os cabelos dele com uma das mãos: Nem um pouco sebosos como todo mundo costumava dizer na escola. Com este sinal, Severo avançou para um beijo intenso, desejoso. Todo o corpo de Helena se aqueceu. Inconscientemente, ela comprimiu o ventre contra o dele e passou a movimentar levemente os quadris, num convite mudo ao prazer. Ela sabia que não podia estar fazendo o que estava fazendo, mas se deixou levar. A mão firme dele se insinuou por dentro do robe e prosseguia com as carícias quando...
*Flashback*
Uma moça de cabelos loiros acizentados, franzina, voltava do trabalho cansada.
O plantão tinha sido exaustivo. O bairro onde morava era um lugar era escuro, úmido e fétido. Havia névoa. Uma esquina. Sufocamento. Mãos que agrediam. Gritos. Ela se debatia. Urros masculinos. Uma dor lancinante. Lágrimas. Sangue.
*Fim do flashback*
Helena se soltou bruscamente do beijo. Parecia desnorteada.
- Você está bem? – ele perguntou sinceramente preocupado.
- Oh, eu... Desculpe.
- Por que está se desculpando?
- Eu não posso fazer isso. Não posso.
Ao ouvir aquilo, num relance pensou entender o que se passava na cabeça dela, mas Helena era boa oclumente. Para um homem que achava difícil abrir-se com outras pessoas; dizer tudo o que ele e ela disseram em uma única noite era algo notável, ainda que ele sentisse que a conhecia de algum lugar e a rixa entre os dois fosse tão grande.
- Eu... Acho que é melhor você ir para casa. - gaguejou, sem achar mais o que dizer. Levantou e se recompôs.
- Parece que estamos nos consumindo na mesma chama, Helena. Eu não consigo lembrar e você não consegue esquecer.
Helena estancou o passo, sem entender o que ele dizia.
- Esquecer? Esquecer o quê?
- O seu passado. Não é esse o problema? O que te fizeram de tão ruim?
Ela poderia esperar por tudo, menos aquilo. O tempo todo havia procurado dar a impressão contrária. Das duas, uma: ou ela havia fracassado debilmente, ou Severo era realmente um grande legilimens. Isso a deixou em pânico. Ninguém poderia saber de seu passado ou as coisas poderiam ficar ainda piores. Mal sabia ela que isto não era obra da legilimência, mas sim, que diante de si havia um homem. Um ser humano com sentimentos e sensibilidade em potencial, embora preferisse ocupar parte do seu tempo sendo sarcástico ou beijando mulheres à força. Ele. Severo Snape.
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N/A #1: Roubei o "mini-rebelde" do vocabulário da Minna MontClair. AHAHA!
N/A #2: A partir deste capítulo as máscaras caem. *_*
