Disclaimer – Inuyasha é todo de Rumiko-sensei, infelizmente isso inclui o Sesshy. u-u
Revisão – Mitz-chan!
Notas da autora – Na verdade, aqui é pra ser notas da revisora. Pois é, eu to invadindo aqui... a Lis está um tanto quanto MUITO ocupada com a faculdade e não tem postado ultimamente e pediu que eu pedisse desculpas aqui por ela pela demora, mas ela não esqueceu de ninguém e nenhum fic! E vai continuá-los logo que possível.
Como a autora está ausente... eu vou apenas agradecer a todos os que deixaram reviews, e ela poderá vir logo no próximo capítulo ou editar esse para agradecer um a um. Mas saibam que todos os comentários de vocês são muito importantes pra continuar escrevendo!
Portanto... continuem deixando reviews e implicando pra ela publicar mais! XD
Até a próxima!
Para Mai Amekan porque ela é minha maninha e é niver dela. Amo você, querida!
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Dake wo Aishite
Apenas te Amando
By Palas Lis
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Dai 9 Kai – Yuuyake
Capítulo 9 – Pôr-do-sol
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A luz do Sol entrava pela janela assim que começara a aparecer no horizonte, incomodando diretamente os olhos de Nakayama Rin. Ela levou o travesseiro para cobrir o rosto e voltar a dormir, mas ao ver quem dormiaao seu lado, sorriu amplamente, como se tivesse ganhado um presente de Dia das Crianças. Sesshoumaru dormia tranqüilamente, com o braço ainda sobre a cintura dela.
Ela arregalou os olhos, sem tirá-los da direção do rapaz, como se ele fosse um fantasma, ao perceber que eles estavam praticamente abraçados na cama. Rin corou violentamente, sentindo o rosto muito quente. Eles pareciam tão íntimos daquele ângulo. No minuto seguinte, a morena tirava delicadamente a mão dele de cima de si, para sentar na cama e poder se espreguiçar cuidadosamente. Não queria acordá-lo.
A primeira coisa que passou por sua mente ao analisar o que fizera, era o fato de que se Bankotsu sequer sonhasse com aquilo, Sesshoumaru seria castrado e ela seria mandada para um reformatório, de tão ciumento que o irmão mais velho era. É, definitivamente, seu irmão jamais poderia descobrir aquilo, se ainda quisesse continuar viva. A segunda coisa que assolou sua mente foi pensar que... Gostara de dormir com Sesshoumaru.
Rin corou ainda mais, puxando as pernas para abraçá-las, sem tirar os olhos do executivo.
Não escondia nem mesmo dele que sentia um carinho imenso por Sesshoumaru, mas não a ponto de ficar tão feliz por dançar e dormir com ele. Era um sentimento tão estranho e novo para ela. Nunca antes se apaixonara... Será que isso estava acontecendo com ela naquela viagem e logo por alguém que fazia de tudo para ficar longe dela?
Rin sorriu mais ainda.
É, o rapaz conseguira conquistá-la involuntariamente. Apaixonara-se por ele e isso era bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque como isso nunca antes acontecera com ela, agora entendia por que as pessoas ficavam bobamente suspirando pelos cantos quando isso acontecia. E ruim porque sabia que eles nunca teriam algo juntos, pois Sesshoumaru deixara bem claro o descontentamento de ficar com ela.
O sorriso de Rin aumentou.
Não se importava com o lado ruim de gostar do rapaz. Queria aproveitar o sentimento que nutria por ele. Ia olhar pelo lado bom das coisas, como sempre fazia. Aproveitaria para ficar o mais perto que conseguisse dele, até chegar o dia de irem embora. Ainda que não ficassem juntos quando chegassem em Tóquio, poderia guardar ótimas lembranças. Ótimas lembranças de sua primeira paixão.
Sesshoumaru se mexeu na cama ao seu lado, tirando Rin de seus pensamentos. Ele abriu os olhos e levou a mão à cabeça, fazendo uma careta imediatamente, sentando-se na cama em seguida. Ele passou a mão pelos cabelos e ainda continuou com o rosto emburrado. Rin piscou ao ver que ele parecia bem mal humorado.
- Que maldita dor de cabeça é essa?
Rin pode confirmar que o humor dele era péssimo naquela manhã apenas pela voz áspera de Sesshoumaru. O tom dele chegava a ser agressivo.
- Ressaca. – Rin riu.
Ele mexeu na cama, desconfortável ao ouvir aquela palavra, aquela maldita palavra. Inuyasha e Hakudoushi que tinham problemas com bebidas, não ele, Inokuma Sesshoumaru, o responsável e disciplinado. Ele olhou feio para Rin e ela nem notou. Ela continuava a rir da cara dele, e ele não gostou daquilo. Droga! Era tudo culpa daquela louca varrida que inventava mil maneiras de tentar arruinar com a vida e a viagem dele.
- O que você fez comigo? – Sesshoumaru reclamou, sentindo a cabeça latejar e o corpo como se tivesse passado com um caminhão sobre ele. Ele se mexeu mais na cama e todos os músculos se contraíram, fazendo-o sentir dor pelo corpo. – Kuso!
- Ora, eu não fiz nada! – Rin desfez o sorriso. – Não tenho culpa se você bebeu demais.
- Bah! – ele se levantou da cama e foi para ir ao banheiro, cobrindo os olhos se ardiam com a claridade da janela aberta. – Feh!
- Você está de péssimo humor. – Rin fez uma caretinha. – Credo!
- Fique calada. – ele praticamente ordenou, antes de entrar no banheiro. – Sua voz de araponga faz minha cabeça doer ainda mais.
- Voz de quê?! – Rin deu um grito fino.
- Sua voz é aguda demais. – Sesshoumaru parou frente ao espelho e olhou seu reflexo nele, não gostando da aparência desgastada, com os cabelos desgrenhados e olhos quase inchados. – Devia fazer um bem à humanidade e ficar de boca fechada.
- Ora, seu... – Rin jogou o travesseiro na cabeça dele, mas se arrependeu quando ele quase gemeu de dor, apesar de não demonstrar. – Bem feito pra você!
Ele levantou a mãos num pedido para ela ficar calada e fechou a porta do banheiro em seguida, segurando a vontade de descontar toda sua raiva nela. Sesshoumaru era do tipo frio e sério, mas quando ficava nervoso, não era uma pessoa que você gostaria de ficar perto. Era extremamente grosseiro e acabaria por fazê-la chorar. E, apesar de Rin merecer uma bronca, não queria vê-la chorar.
Rin então obedeceu. Não era aconselhável provocá-lo quando ele a encarava de maneira tão... Assassina. Ela ainda tinha noção do perigo e não queria morrer tão nova. Devia deixá-lo mais vezes bêbado, pois quando não estava sóbrio Sesshoumaru fora bem mais educado com ela. Ele era muito imbecil mesmo. Blá, um imbecil arrogante. Como fora se apaixonar exatamente por alguém daquele jeito?
Rin esticou o braço e pegou o telefone, ligando para o serviço de quarto, para pedir o café da manhã e analgésicos para o rapaz irritado que tinha no quarto. Quem sabe assim ele ficava mais calminho, não é mesmo?
O serviço de quarto chegou antes que Sesshoumaru saísse do banho. Rin pediu também para eles arrumarem a bagunça que os dois fizeram na noite anterior, mas falaram que arrumariam quando eles saíssem, para não atrapalhar o casal – Rin riu quando a mulher pensou que eles eram recém-casados. Ela se sentou à mesa quando a mulher que trouxe a comida saiu, começando a devorar tudo que tinha à sua frente, com uma agilidade descomunal.
- Há quantos dias você não come? – Sesshoumaru perguntou, ajuntando-se a ela para o desjejum ao sair do banho, com os cabelos molhados e a outra roupa que Rin trouxera na madrugada para ele. – Merda, minha cabeça está me matando.
- Que palavreado. – Rin o repreendeu. – É feio falar esse tipo de palavra. Vou contar para sua mãe.
- ... – Sesshoumaru se limitou a encará-la. – Vou fingir que não escutei isso e focarei minha atenção em saber quantos dias você não come.
Rin riu.
- Desde ontem. – ela respondeu, com a boca cheia de doce. – 'Tava faminta!
- Parece que não come há uma semana. – Sesshoumaru fez uma careta. – Coma devagar. Vai ter uma congestão.
Rin deu de ombros, ainda comendo como uma desesperada.
- Ah, pedi café sem açúcar e analgésicos para você. Isso vai ajudar na ressaca. – Rin sorriu, apontando com a mão que segurava o doce para o frasco com o remédio. – Seria melhor você tomar um chá, algo natural, mas aqui não terá a erva certa para fazê-lo. O comprimido mesmo deve resolver.
- Pelo jeito você deve viver bêbada. – Sesshoumaru pensou, pegando os comprimidos e engolindo sem ajuda da água.
- Hei! Precisava ter comido alguma coisa antes de tomar os remédios! – Rin repreendeu o rapaz, que apenas deu de ombros. – E não gosto de bebidas e não bebo, mas via meu irmão cuidando de uma namorada louca dele que vivia bêbada.
Sesshoumaru apenas levou a xícara de café à boca, ignorando o que ela falava. Fez uma careta e sentiu vontade de cuspir tudo por causa do gosto amargo, mas apenas engoliu e deixou a xícara de lado. Pensou em comer alguma coisa, mas sabia que o estômago não aceitaria depois da quantidade exagerada de líquido alcoólico que ingerira. Maldição! Por que tinha que inventar de beber?
- AH! – Rin gritou, quase cuspindo a refeição em Sesshoumaru.
- O que foi agora? – ele fechou os olhos e alisou a fronte. – Precisa gritar assim? Estou à sua frente.
- Sabe aonde vamos hoje? – Rin perguntou, inclinando o rosto na direção de Sesshoumaru, piscando os grandes olhos castanhos de maneira feliz. – Sabe? Sabe?
- Não sei e nem quero saber. – ele largou a xícara e se levantou, extremamente sério.
- O que foi, Sesshy? – Rin foi atrás dele prontamente.
- Não quero nem ouvir essas suas histórias de ter um lugar legal para me levar. Sua definição de algo legal é muito deturpada. – ele não se virou para falar com ela. – O passeio legal de ontem quase me deixou em coma alcoólico.
- Não seja exagerado. – Rin bateu de leve no ombro dele. – Você não ficou em coma.
- Mas seria melhor do que essa dor de cabeça infernal.
- Aí você teria que tomar uma injeção de glicose. – Rin fez careta. – Isso seria realmente muito doloroso.
- O que tem de doloroso em uma agulhada, Rin? – ele rodou os olhos, parando inconscientemente de andar para discutir com a menina.
- Tudo! – Rin bradou como se ele tivesse ameaçado dar uma injeção nela. – Deteeesto injeções!
Sesshoumaru balançou a cabeça para os lados e voltou a andar, não querendo conhecer mais nenhuma esquisitice de Rin.
- Aonde você vai, Sesshy? – Rin quis saber antes que ele atravessasse a porta.
- Para o quarto de Jakotsu. – ele respondeu.
- Eu, hein. – Rin provocou. – Você gostou muito do homem de saia...
Um olhar estreito moldou um aspecto irritado no rosto de Sesshoumaru.
- Brincadeira. Não precisa ter pensamentos homicidas. – Rin soltou uma risada divertida.
- Espero não vê-la mais hoje. – Sesshoumaru falou ao mover os pés em direção a porta. – Vou aproveitar e dormir um pouco.
- Então durma e descanse bem que mais tarde apareço lá no quarto do Jakotsu para sairmos! – Rin falou, animada, empurrando-o pelas costas para fora do quarto. Ela riu ao completar divertida: – Tenha bons sonhos... Sonhe comigo!
- Não quero ter pesadelos. – ele respondeu, sério.
- Seu idiota!
Rin fez uma carranca e colocou Sesshoumaru para fora do quarto, irritada. A menina caminhou pisando duro até o banheiro, xingando Sesshoumaru em voz alta. Quem ele pensava que era para falar com ela daquele jeito, ora? Poxa, ela só queria ajudá-lo a se divertir um pouco... Por que tratá-la tão mal? Fazia tudo na melhor das intenções... Não tinha culpa se tudo acabava dando errado...
Rin deu uma risadinha.
Era tão divertido vê-lo irritadinho.
Saltitando e cantarolando, Rin decidiu preparar suas coisas para ir à praia naquela manhã extremamente ensolarada. A menina entrou no banheiro e fez uma cara de espanto ao ver o estado do lugar: a bagunça que fizera com Sesshoumaru quase destruíra o cômodo, mas ela não se importou, já que nunca fora uma pessoa organizada. Rin ligou o chuveiro para tomar banho, deliciando-se com a água morna no corpo, sem tirar os pensamentos do rapaz de cabelos prateados e olhos dourados...
-o-o-o-
O rapaz viu a porta se fechar em sua cara e teve vontade de abri-la com um soco e dar uns gritos em Rin, até deixá-la assustada. Menina abusada! Quem ela pensava que era para fechar a porta na cara dele, Inokuma Sesshoumaru? Nem mesmo o irmão ou o primo teriam audácia para tanto. A morena o irritava, ah, como irritava. Às vezes, tinha que se controlar para não colocar os pensamentos homicidas em prática.
Ele deixou a vontade de estrangulá-la de lado e pegou o elevador para descer para o andar de Jakotsu. Por sorte, ainda estava com o cartão de acesso e não precisou acordá-lo para entrar. Rapidamente, Sesshoumaru abriu a porta e entrou no quarto escuro. Jakotsu dormia profundamente na cama de casal e, próximo à varanda, a cama de armar continuava arrumada para ele dormir.
Sesshoumaru sorriu.
Pelo menos uma coisa boa naquela manhã: poderia dormir tranqüilamente, sem Rin, sem cantorias dela, sem barulhos, sem nada. Tudo na mais perfeita paz... Pelo menos era o que ele esperava.
Ao sentar na cama e puxar o lençol para se cobrir, deu um pulo com o susto que levou. Jakotsu sentara na cama e começara a falar sem parar. Não saía nada inteligível da boca do rapaz de saia, mas ele murmurava sem parar. Jakotsu pegou o travesseiro e meio que brincava com ele, ainda dormindo.
- Inferno... O imbecil é sonâmbulo. – Sesshoumaru ficou ainda mais irritado com sua sorte e deitou, puxando o travesseiro para cobrir a cabeça e conseguir dormir. – Maldição!
Alguns minutos depois Jakotsu voltou a deitar e a ficar calado. Sesshoumaru aproveitou da oportunidade para dormir. Se não fosse pela cabeça doer intensamente, teria dormido rapidamente, então acabou levando vários minutos para conseguir pegar no sono de vez. Pelo menos conseguiu dormir...
Vozes ao longe. Ouvia pessoas falando sem parar. Parecia que era uma conferência como que tinha no trabalho de tanto que as pessoas conversavam, mas elas estavam mais animadas que os executivos da empresa. Antes de abrir os olhos, percebeu que só conseguia ouvir dois tipos de vozes. Eram apenas duas pessoas que faziam todo aquele barulho? Como era possível?
Sesshoumaru abriu os olhos e sentou na cama de armar; o rosto contraído. Olhou para as duas figuras conhecidas sentadas na cama, conversando como se tivessem uma amizade bem antiga. Ele contraiu mais o rosto. Ela olhava para ele, com um largo sorriso no rosto de traços delicados e meigos.
- O que você faz aqui, Rin? – ele perguntou, mas não se encontrava mais irritado, talvez pelo fato de ter melhorado da ressaca e não sentir mais dor de cabeça.
- Eu vim ver se você tinha melhorado. – ela sorriu. – E me parece bem melhor.
- Minha cabeça não dói mais. – ele falou, passando a mão pelo cabelo para ajeitá-lo. – E não tenho sono.
- Que bom! – Rin levantou os braços para cima em comemoração. – Também, né, você dormiu praticamente o dia todo!
- Dia todo? – Sesshoumaru levantou as sobrancelhas. – Que horas são?
- Quase 6 da tarde! – Jakotsu respondeu, rindo.
Sesshoumaru piscou, surpreso. Devia estar muito mal para conseguir dormir tanto, ainda mais com Rin e Jakotsu falando sem parar. Nunca dormia mais do que cinco horas diretas e o seu sono era realmente muito leve, acordando com qualquer mínimo barulho no seu quarto ou pela casa. Era estranho, mas ele não ligou para o fato.
- Como está acordado e menos rabugento, vá se arrumar pra gente passear! – Rin falou, colocando-se de pé num salto.
- E quem disse que vou com você a algum lugar? – ele voltou a deitar, olhando para o teto.
- Ah, Sesshy, vai ser legal! – Rin agachou ao lado da cama dele, apoiando os cotovelos no colchão fino e o rosto nas mãos. – Olha, dessa vez nem vou fazer surpresa, para você ver como será legal.
- Rin, eu não quero ir a lugar algum.
- Então... – ela continuou, sem dar atenção para o que ele falou. – Vamos fazer um piquenique!
- Hã? – Sesshoumaru virou a cabeça e ficou cara a cara com Rin; os narizes quase se tocaram. Ela se afastou um pouco corada e ele quase sorriu do ato dela. – Não tem algo mais infantil para fazer? Que tal brincarmos de Barbie?
- Oh, eu também quero! – Jakotsu se intrometeu na conversa, fazendo os dois olharem para ele com uma gota na cabeça. – Er... Esqueçam.
- É divertido, Sesshy. – Rin fez cara de choro. – Além do mais, você não comeu nada hoje.
- E quem disse que eu estou com fome? – Sesshoumaru sentou na cama e cruzou os braços, sob os olhos atentos de Rin.
Segundos depois o estômago de Sesshoumaru roncou alto, deixando-o levemente constrangido quando Rin começou a gargalhar.
- Agora não tem mais desculpa alguma. – Rin ainda ria ao se colocar de pé e puxá-lo pelo braço. – Vá se arrumar!
Sesshoumaru olhou feio para ela e entrou no banheiro, resmungando xingos. Ele voltou minutos depois, após lavar o rosto e escovar os dentes. Ele colocou apenas uma regata branca com uma bermuda cáqui. Ele parou na porta do banheiro ao ver Rin com uma cesta enorme, segurando de maneira desajeitada. O sorriso dela era tão grande que parecia que tinha ganhado na loteria federal.
Ele segurou para não rodar os olhos.
Que pessoa em seu estado mental normal ficaria feliz com um piquenique? Rin era a garota mais estranha que conhecia, definitivamente.
- Podemos ir, Sesshy? – Rin perguntou, levantando a cesta da cama com dificuldade. – Achei um jardim lindo pra gente ficar!
- Deixe que eu levo isso. – ele falou ao se aproximar e pegar a cesta com facilidade, mas reparou como ela estava abarrotada de alimentos. – Isso aqui dá para alimentar a população da Etiópia.
- Exagerado. – Rin fez uma caretinha e acenou para Jakotsu antes de caminhar para fora do quarto. – Até mais, Jakotsu-kun!
- Até mais, Rin-chan! – ele acenou para ela. – Ah, Sesshoumaru, eu preciso falar com você e...
- Fala depois, fala depois! – Rin puxou Sesshoumaru pela mão para fora do quarto antes mesmo que ele tivesse a chance de encarar o rapaz. – Vamos, Sesshy, vamos!
Sesshoumaru preferiu não discutir e a seguiu pelo hotel, até o hall. Saíram do Shikon no Tama e caminharam mais de vinte minutos por entre as árvores, até chegarem a um jardim, sob a sombra de uma imensa árvore. Ele tinha que admitir que o lugar era muito bonito e agradável. Naquela sombra e com aquela brisa soprando, ele nem sentia o calor insuportável do Verão japonês.
Rin imediatamente forrou o gramado verde e fofo com uma toalha e espalhou a comida, sentando-se depois. Sesshoumaru fez o mesmo, ficando frente a ela.
- Eu arrumei um pequeno banquete para você, Sesshy. – Rin sorriu, estendendo um lanche para ele e pegou um para si. – Um lanche natural que eu preparei.
Os dois ficaram em silêncio, enquanto comiam. Os únicos sons que se ouviam eram do cantar dos pássaros, das folhas das árvores balançando nos galhos e de ondas batendo nas pedras, ao longe.
- Por que está sorrindo? – Sesshoumaru perguntou, ao perceber que ela não tirava o sorriso bobo dos lábios. – Quer dizer, por que sorri tanto?
- Ah, estou feliz. – ela falou, deixando o lanche de lado para servir os dois com suco. – Carpe Diem.
- Hã?
- É latim.
- Desde quando você sabe latim?
- Ora, não sou somente um rostinho bonito, tenho conteúdo também.
Sesshoumaru ficou com uma gota na cabeça e Rin gargalhou.
- Aproveite o momento. – Rin traduziu ao se ajoelhar para procurar dentro da cesta os doces que levara. – Legal, né?
- Eu nunca esperava isso de você.
- O quê? – Rin piscou, desviando por um instante os olhos da cesta. – Aproveitar o momento?
- Não. Isso você faz até muito. – ele fez uma careta. – Saber latim.
- Acha que eu sou burra?
- Eu não disse isso.
- Ou que eu não tenho inteligência?
- Não distorça minhas palavras.
- Bobo.
- Boba.
Rin sorriu. Sesshoumaru sorriu.
- Ah, achei! – ela sorriu ao pegar um doce que trouxera e começar a comer. – Eu adoro estudar dialetos antigos. Latim é meu favorito.
Sesshoumaru parecia muito surpreso com o que ela falava. Rin era uma garota muito inteligente, disso não tinha dúvidas, mas nunca esperava que ela – uma pessoa completamente louca – pudesse se interessar por Latim. Estranho, mas admirável. Sesshoumaru gostou de conhecer essa esquisitice dela.
- Conhece alguma frase em latim? – Rin perguntou, lambuzando-se toda com o creme de dentro do doce. – Ih, sujei minha roupa. Droga.
Sesshoumaru acabou de comer o lanche e tomou o suco, mas ainda sentia fome. Não era para menos: passara o dia todo sem comer nada, nada mais natural que estar faminto. Ele procurou na mesa improvisada algo mais para comer e quase sorriu ao ver um pote com morangos. Adorava morangos.
- Amor caecus. – ele respondeu a pergunta de Rin, comendo morangos.
- Paixão cega a razão. – Rin traduziu de imediato, tentando tirar a mancha marrom do creme de chocolate. – Não está saindo, saco.
- Faça isso. – Sesshoumaru esticou o braço e pegou um guardanapo, para depois puxar a camiseta dela para limpar. Ele sorriu ao tirar quase todo o doce. – Pronto.
- Hum... – Rin ficou em silêncio, emitindo apenas um som com a garganta, mordendo o doce.
- O que foi? – ele perguntou, quando ela ficou calada.
- Acredita nisso?
- Sim.
- Então você já se apaixonou.
- Você me pegou. – ele sorriu de lado, mordendo um morango e deitando-se de barriga para cima, usando o braço como travesseiro.
- Isso foi um "sim"?
- Uma vez eu me apaixonei. – ele respondeu, num suspiro triste.
- Por que essa cara?
- Estávamos noivos... – Sesshoumaru continuou. – Quando faltavam poucas semanas para o casamento, ela morreu em um acidente de carro.
- Eu... Sinto muito. – Rin respondeu, baixando os olhos. – Não devia ter perguntado.
- Não tem problema. Eu superei isso. – Sesshoumaru pegou outro morango e voltou a comer. – Sara foi a única mulher por quem me apaixonei, mas é passado.
Rin ouviu as palavras dele e ficou pensativa. Talvez fosse por isso que o rapaz era daquele jeito – abitolado pelo trabalho, ranzinza e xarope –, uma maneira de esquecer a mulher que morreu. Isso era triste, Rin pensou.
- Agora que sabe meu segredo, terei de matá-la.
Rin riu.
- E você?
- Eu o quê?
- Você já se apaixonou?
- Iie. – Rin nem pensou para falar e corou. Ela ficou sem jeito de mentir para ele, mas não contaria que se apaixonara justamente por ele. Ela completou a mentira com uma verdade, para Sesshoumaru não perceber: – Sempre gostei de ser livre e não me prender a ninguém.
- Ou por que se você se apaixonasse seu irmão ia ficar muito bravo? – Sesshoumaru olhou para ela, lembrando do dia que ele quase bateu nela pelo telefone.
- Bem... – Rin fez uma careta. – Isso também.
Foi a vez de Sesshoumaru rir.
- Até que você é uma garota legal.
- É o que eu estou tentando te dizer desde que te encontrei.
- Mas não deixa de ser uma maluca desastrada.
- Você tem que estragar o momento, não? – Rin fingiu estar emburrada e ele riu.
- Sim. – ele riu ainda mais.
- Você deveria fazer mais vezes isso.
- Isso o quê?
- Rir.
- Rir?
- Você fica mais bonito ainda quando dá risada.
- Isso era para ser um elogio?
- Não pareceu?
- Pareceu uma cantada.
- Você é tão arrogante e presunçoso. – ela deu um soco no braço dele, brincando. – Fale-me mais sobre você!
- Falar o quê? – Sesshoumaru olhou para ela.
- Ah, qualquer coisa... Quero te conhecer melhor.
Sesshoumaru levantou uma sobrancelha, sem saber o que falar.
- Deixa que eu pergunto e você vai respondendo. – Rin falou, deixando de lado a comida e encarando o rapaz. – Com quem você mora?
- Sozinho.
- Você tem irmãos?
- Apenas um. – Sesshoumaru respondeu, sem tirar os olhos das folhas verdes das árvores.
- Ele é igual a você?
- Ele é chato, rabugento e irritante.
- Que legal! – Rin gargalhou. – Você tem um irmão gêmeo!
- ... – Sesshoumaru estreitou os olhos para ela e Rin riu.
- Quando voltarmos para Tóquio vou apresentar seu irmão para minha amiga. – Rin sorriu. – Sabe, ela precisa de um namorado.
- Não acha que ela mesma deveria procurar alguém?
- Ela é muito tímida. – Rin balançou a cabeça para os lados. – Então vou dar uma ajudinha.
Sesshoumaru a olhou demoradamente, enquanto Rin voltou os olhos amendoados para as diversas árvores que serviam de sombra para eles. Não queria admitir, mas gostava dela. Rin o fazia se sentir bem. Também o fazia ver a vida de um outro ângulo, que nunca pensou que fosse um dia querer ver. Era uma sensação que nunca sentira nem com Kato Sara, sua falecia noiva. A simplicidade e carisma de Nakayama Rin eram singulares.
Ela inclinou o corpo para trás, alisando o estômago ao se sentir satisfeita. Somente naquele momento ele reparou nas roupas masculinas que ela usava: uma camiseta vermelha cobrindo metade da bermuda branca e larga, com chinelos surrados; os cabelos amarrados num coque desleixado. Por estranho que possa parecer, ele não a achou feia com aquela roupa... Ela estava linda, tinha que admitir.
- Sesshy! – Rin interrompeu os pensamentos dele com um grito. – Vamos lá ver!
- Ver o quê, Rin? – ele perguntou ao se levantar e seguir a menina que corria para a esquerda. – Rin!
Ela parou e esperou ele chegar o lado dela. O lugar que o casal ficou parado dava vista para a praia, com o Sol começando a se pôr no horizonte.
- Não é lindo, Sesshy? – ela perguntou, virando-se um pouco para ele.
- Sim. – ele sorriu, sem tirar os olhos da paisagem.
- Podemos ficar até o Sol se pôr, podemos? – Rin pediu e ele não conseguiu evitar concordar com a cabeça. – Ebaaa!!
Sesshoumaru sorriu e sentou ao lado dela, para acompanharem aquele lindo fim de tarde. Ela, carinhosa como sempre, deitou a cabeça no ombro dele; ele, frio como sempre, se limitou a passar o braço pelo ombro dela. Sem perceber, depositou um beijo na cabeça dela, num ato gentil e afetuoso. Nem ele mesmo acreditou quando se deu conta do que fizera.
Ela virou aqueles grandes olhos castanhos para ele e sorriu. Ele também sorriu, como um adolescente... Apaixonado.
Sesshoumaru ficou levemente confuso.
Ele, Inokuma Sesshoumaru, frio e calculista, estava... Apaixonado?
Uma coisa totalmente inusitada, não poderia negar.
Talvez estivesse se apaixonando novamente. Somente talvez.
Ele suspirou, desanimado.
Apaixonar-se por uma completa louca... Que absurdo.
Contudo, Sesshoumaru não se importou.
Ele sorriu largamente, com os olhos postos na menina morena ao seu lado.
No momento, tudo que queria era aproveitar o resto de suas férias... Com Rin.
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