Notas do cap: Bom, aqui está a última spin-off dessa fanfic, agradeço o carinho e paciência de quem acompanhou até aqui. Vamos lá, um passeio pelos gêmeos com a mama dos NEET. Boa leitura!
Nashi – by Anjo Setsuna
- Está tudo bem, Matsuyo?
- Hum? Sim, tudo tranquilo.
- Mesmo? Parece tão distraída. Não tá doendo nada, certo?
- Mas que coisa Matsuzo, sempre tão desconfiado. Já disse que tá tudo bem, vê, estão chutando, deve estar apertado haha!
A mão hesitante do meu querido tocou minha barriga enorme, acho que os gêmeos ficaram mais animados ainda, pois os chutes aumentaram. Eu ri da cara assustada do Matsuzo, a ideia de sermos pais ainda nos assustava, quando descobrimos que seriam gêmeos então... Os exames mostraram quatro coraçãozinhos batendo forte, mas algo me diz que essa conta tá errada.
Voltei a olhar pela janela de casa as pereiras que começavam a florescer no vizinho, engraçado pensar que flores tão bonitinhas vão virar frutas tão gostosas.
- Matsuyo, o que tanto você olha aí fora?
- Querido, eu quero comer nashi!
-Ah!? Mas ainda é maio, você sabe que só começa a vender em agosto.
- Se vi-ra! - eu ri da cara de desespero, aquele homem bobo provavelmente daria um jeito de arranjar pêras importadas no lugar da nacional, aposto. – E, querido.
- O quê? – ele calçava os sapatos para sair.
- Está na hora. – sorri me levantando com dificuldade.
- O QUÊ!
xXXx
- Miau!
- Ah Gojira, está sozinho hoje? Que tarde fria não é? Vem cá.
- Miau!
- Shhh! Seu papai está dormindo, não quer acordá-lo, quer? Sabe que o humor dele fica terrível.
Sentei perto da maca do Ichimatsu, haviam o mudado de ala novamente, mas ainda continuava no térreo, agora era longe do pátio onde os pacientes tomavam banho de sol, então era bastante silencioso e eu odiava isso. Crescer com seis crianças ao redor sempre deixava tudo barulhento, você meio que acostuma, porque se fica silêncio onde tem criança pode saber que tem algo errado.
- Né Ichimatsu, esse gatinho parece mesmo com você, fofo e arrisco.
- Ah... – ele resmungou.
- Acordei você querido?
- Não.
- Ainda falta algumas horas pro Karamatsu chegar, quer pêra? A do começo da estação sempre é tão docinha.
- Merdamatsu… - esse tom aborrecido ai ai.
- Prefere o Osomatsu hoje de noite então? Ou o otousan?
- Kaachan… - ele me chamou fraquinho.
- Quanto tempo você não me chama assim querido.
Deixei o gato solto no chão e me aproximei da maca, era a quarta semana do Ichimatsu internado, ele piorou do nada nos últimos três dias, eu ainda acho que tem alguma coisa a ver com a volta dele pelos corredores do hospital sozinho, será que ele viu algo na televisão do saguão? Não, não pode ser, já faz duas semanas desde o acidente, não estaria mais no jornal.
- O que foi querido?
Ele parecia tão desconfortável, os remédios para dor já não estavam fazendo o mesmo efeito. Baixei a grade lateral da maca e me deitei ao seu lado, segurei uma de suas mãos enquanto fazia carinho em sua bochecha. O Gojira deu um salto e deitou sobre a coberta do Ichimatsu em cima de suas pernas, ele riu baixinho e apertou minha mão.
- Você está cansado, não é?
- ...
- Tudo bem, a kaachan entende, eu te amo muito, muito, meu Gatomatsu.
O aperto de mão do Ichimatsu ficou frouxo e sua cabeça encostou na minha, pela primeira vez eu chorei na frente do meu menino naquele hospital, eu chorei tanto que não percebi o Osomatsu entrando pela varanda e tirando o Gojira. Ou quando ele chamou as enfermeiras. Meu chapeuzinho vermelho, me desculpe.
xXXx
- Matsuyo?
- ...
- Matsuyo?
- …
- Velhota!
- Sua mãe, Matsuzo…
- Vamos querida, não fique nervosa assim...
- Matsuzo, eu esperava esse tipo de comportamento mentiroso de qualquer um deles, menos do Karamatsu! Eu aposto que isso é má influência do Osomatsu!
- Er... Vamos querida, ele sempre foi meio tapado, mas você sabe que ele não fez por mal.
- É por isso que eu fico com mais raiva querido! Porque ele não fez por mal – coloquei meu rosto por entre as mãos agoniada – por que esse garoto tinha quer ser tão sensível entre os seis... Eu vou arrancar as orelhas do Osomatsu! Ele sempre tava de olho neles, por que ele não me avisou antes! Eu vou! Eu vou...
- Você vai comigo visita-lo agora. Aqui sua bolsa.
- Eu vou visitar o Jushimatsu antes, o horário de visita daquele hospital é menor, você sabe.
- Certo, então vamos. - Matsuzo pegou em uma das minhas mãos e com a outra carregava uma sacola de pêras. – Querida, você já tomou um espresso?
xXXx
Eu olhava as pereiras carregadas de frutos através da janela do quarto, eu podia jurar que ouvia risadas de crianças lá fora. Tudo parecia tão parado, eu coloquei a mão em meu peito, mas acho que minha visão me enganava, não tinha sangue nem nada, mas doía tanto... O cheiro adocicado finalmente me chamou a atenção, um prato de pêras cortadas estava do lado da cama.
- Matsuyo...
Eu não conseguia responder, eu realmente queria, mas a voz não saía. Meu querido apenas me ajudou a recostar na cama e colocou um pedaço da fruta na minha boca para eu comer. Foi aí que percebi que estava com muita sede, peguei mais alguns pedaços e encarei meu marido, ele parecia ter envelhecido mil anos em tão pouco tempo.
Perder três filhos em um intervalo de tempo tão pequeno, kami-sama você foi bastante cruel comigo. Mas eu ainda tenho mais três, eu devia dar a devida atenção a eles, certo?
- As do final da estação são tão sem graça...
- Temos uma visita, ela pode entrar?
- Que escolha eu tenho.
Quando vi a enfermeira que cuidava dos meninos entrar no quarto meu coração apertou.
- Onde está o Osomatsu? E o Choromatsu? Todomatsu! – eu chamei agoniada.
- Calma querida!
- Boa noite, a senhora não deve se lembrar do meu nome, foram dias muito... conturbados. Eu sou a Yukiko – ela fez uma pequena referência e sorriu para mim. – Vovó.
xXXx
- Ei meus queridos, olha só! – eu levei uma grande bacia de pêras para a sala.
- Pêras! – meus netinhos gritaram felizes.
- Yay pêra!
- Você não Osomatsu!
Esse NEET não toma jeito, fazer o quê. A risada dessa Homura é tão estranha, realmente ela devia ser dar muito bem com o Jushimatsu, só ele para ter um gosto tão peculiar, aquele garoto. Hoje o Nobuko faz dois aninhos, ele está tão fofo! O Shiro também está uma graça, espero que a Homura fique o mês todo das férias aqui em casa, ela mora tão longe. Eu coloquei um prato de pêras no altar e arrastei o Todomatsu, que já começava a chorar, dali.
Eu perdi três filhos e ganhei dois novos com essas crianças, talvez kami-sama tenha ficado com um pouco de dó de mim com tanta dor. Talvez eu mereça um pouco dela, por ter deixado um pouco desse fardo nas costas dos três que ficaram. O Choromatsu mesmo tendo passado esse tempo todo não deixou de trabalhar demais, bom cada um tem seu jeito de lidar com a dor. O Todomatsu por mais que eu peça não volta pra casa, talvez eu devesse ter uma conversa realmente séria com ele sobre o tal Atsushi. O Osomatsu com esse papel de babá pra Yukiko não me engana, bom, tudo ao seu tempo. Eu não sei o que o destino reserva pra essa família agora, todos passaram por exames, mas nunca se sabe se esse fantasma vai voltar. Mas eu tive força pra criar seis até ali, enquanto eu tiver pêras para descascar para eles, eu tenho certeza que conseguirei continuar.
Owari – Fim
Notas da Setsu: Primeiramente queria dizer que coloquei pêra com acento, mesmo sabendo que na nova ortografia é sem, por motivos de birra, não consigo conceber sem o acento.
Falado nisso, ainda sobre essa fruta, as que os gêmeos comem são a variedade asiática nashi, ela é diferente da que a gente come aqui no Brasil, por isso a fala da mama Matsuyo sobre pêra nacional e importada.
A contagem dos bebês foi só uma brincadeirinha, afinal antigamente os ultrassons não eram tão precisos quanto hoje.
E por último, um enorme obrigada pra quem leu até aqui, mesmo quem não tenha comentado, espero que minha fanfic de algum modo tenha agradado. Se quiserem ler algumas considerações sobre essa fanfic, visite meu perfil no Spirit, tenho o mesmo nick lá e leia um journal que postei sobre essa fanfic.
Por fim THANK YOU, KING-SIZED, GAME-WINNING HOME RUN!
