PARTE II
Os dias que se seguiram aquela quarta-feira foram extremamente puxados para Harry e seus amigos, mas principalmente para Rony Weasley que ainda estava começando os treinamentos e não conseguia acompanhar o ritmo que os outros já haviam estabelecido e inclusive o ruivo estava com um físico pior do que Neville estivera quando eles haviam começado aquela cessão diária de treinamentos mais de duas semanas antes.
Cada vez que eles terminavam a cessão de treinamentos físicos o moreno precisava dar uma Poção Revitalizante para o ruivo que parecia que morreria a qualquer momento sempre que terminava a cessão de musculação.
Por isso no final de semana o moreno de olhos verdes pegou pesado com o ruivo e fez com que ele treinasse por muito mais tempo do que os outros, tanto no sábado como no domingo, afinal o moreno sabia que o amigo precisava pegar um ritmo físico para poder acompanhar os outros ou então ele ficaria muito para trás visto que Harry já estava aumentando o ritmo dos treinamentos tornando-o mais puxado e intenso.
Os dois perderam praticamente todo o final de semana dentro da Sala Precisa treinando exaustivamente, mas no final valeu a pena e quando chegou a parte da noite quando eles se reuniram novamente na Sala Precisa para a parte do treinamento mágico onde eles veriam o primeiro livro que ele pedira para que todos o tivessem na ponta da língua, Rony já estava bem melhor fisicamente e Harry tinha certeza que ele não ficaria muito mais para trás e a partir daquele dia as coisas aconteceriam de maneira natural.
Harry havia dito para Rony que eles iriam treinar a parte mágica também e mostrou o próprio monte de livros que seriam do ruivo para ele ler, felizmente o ruivo havia encontrado tempo o suficiente para ler o livro de Defesa Contra as Artes das Trevas do primeiro ano.
Naquele livro eles encontraram apenas um repertorio incansável de feitiços de defesa e de ataque para serem utilizados caso encontrassem algumas determinadas criaturas das trevas ou não, na verdade eles não encontraram verdadeiros desafios naqueles feitiços uma vez que todos eles já tinham estudado aquela matéria antes, mas Harry não havia passado aquela parte do treinamento por causa dos feitiços, ele havia feito os amigos lerem os livros porque eles eram bastante instrutivos e o conhecimento podia ser uma arma extremamente poderosa.
Enquanto se levantava da cama naquela segunda-feira depois do primeiro domingo de treinamento mágico que ele e os amigos haviam tido o moreno de olhos verdes subitamente lembrou-se da saída que ele fizera no sábado depois do almoço.
Flashback
Harry acabara de sair do Salão Principal depois de ter almoçado em completo silêncio, ele apenas murmurou uma desculpa qualquer para os amigos antes de dizer que precisava dar uma volta sozinho e que o amigo o encontrasse as três horas dentro da Sala Precisa como eles haviam combinado para continuar o treinamento físico do ruivo.
O moreno retirou o Mapa do Maroto de dentro de suas vestes assim que virou o corredor a esquerda, afinal não estava muito interessado em ser descoberto saindo da escola escondido de tudo e de todos os professores e estudantes.
- Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom. – murmurou Harry apontando sua varinha para o pergaminho velho e amarelado e imediatamente linha e mais linhas começaram a se formar no papel que logo transformou-se em um perfeito mapa de Hogwarts, o moreno observou os caminhos que poderiam levá-lo para fora do castelo e os encontrou quase todos ocupados, exceto aquele que ele sabia que havia desabado dois anos atrás, olhando com mais cuidado lembrou-se de uma passagem secreta próximo das masmorras do castelo que levaria ele direto até o norte da Floresta Proibida, exatamente as margens do povoado de Hogsmeade, aquela passagem secreta não estava demarcada no Mapa do Maroto e o moreno duvidava que mais alguém soubesse sobre ela, ele próprio a descobrira apenas em seu último ano em Hogwarts enquanto estava em uma detenção com o Zalador Argus Filch. – Vamos as masmorras então.
O moreno caminhou rapidamente pelos corredores do castelo sempre verificando o Mapa do Maroto e utilizando seus poderes para rastrear qualquer um que pudesse estar por perto, mas seu caminho foi levemente tranqüilo até as masmorras, apenas teve de escapar do próprio zelador e de sua gata irritante por uma vez.
Harry passou rapidamente pelo local onde ficava a Sala de Poções e dirigiu-se diretamente para uma das antigas masmorras que estava abandonada a algum tempo, o moreno adentrou fundo naqueles aposentos úmidos e escuros até que encontrou o corredor que estivera buscando, passando a caminhar um pouco mais apressadamente e depois de verificar a posição de cada um dos professores dentro do castelo e se certificar de que estava sozinho o moreno foi até uma tapeçaria de aparência desgastada e a afastou da parede revelando uma pequena porta de madeira acinzentada com entalhes de uma cobra no centro.
- Salazar Slytherin. – sibilou o moreno de olhos verdes na língua das cobras fazendo um clique alto soar um segundo antes da porta simplesmente se abrir revelando um corredor escuro e levemente úmido.
Harry havia cogitado a possibilidade daquele local ter sido enfeitiçado pelo próprio Voldemort, mas descartara essa idéia pelo simples fato do Lorde das Trevas nunca ter usado aquela passagem secreta para invadir Hogwarts, afinal por meio dela Voldemort poderia invadir Hogwarts e quando finalmente alguém descobrisse sobre isso já seria tarde demais para evitar o domínio do Lorde das Trevas e então ele poderia ter seu tão adorado castelo para ele.
Então o moreno havia percebido que aquele local deveria ter sido feito pelo próprio fundador da casa das serpentes, afinal era uma maneira de sair de Hogwarts sem que qualquer outro descobrisse e um dia se ele quisesse poderia invadir Hogwarts para tomá-la totalmente para si próprio, o que o moreno sabia que não acontecera apenas pelo fato de Godric Griffyndor ter encontrado Salazar Slytherin em uma batalha fora de Hogwarts e o ter matado logo depois.
Balançando a cabeça e jogando seus pensamentos para as profundezas de sua mente o moreno adentrou o túnel escuro e em seguida fechou a porta enquanto sacava sua varinha e murmurava o feitiço de iluminação que passou a mostrar o caminho a sua frente.
Harry finalmente conseguiu atravessar o túnel depois de quase vinte minutos caminhando pelo interior escuro e sombrio, mesmo com um pouco de dificuldade o moreno conseguiu sair pelo final da passagem secreta que era embaixo de uma enorme rocha, do lado de fora era impossível de saber que havia uma entrada naquele local, apenas quem a conhecia poderia encontrar a abertura para entrar na passagem.
Depois que o moreno percebeu a leve sujeira que havia em suas roupas ele apontou a varinha para si próprio e murmurou um feitiço de limpeza antes de usar um feitiço de transfiguração para modificar suas roupas e transfigurando um sobretudo verde musgo com capuz por cima de suas roupas, afinal não estava nem um pouco interessado em ser reconhecido por alguém estando fora de Hogwarts, principalmente naquele momento.
Harry também sabia que o Ministério da Magia jamais conseguiria detectar que fora ele quem estivera utilizando magia a poucos instantes atrás, afinal ele estava próximo a uma escola bruxa onde encontravam-se mais de mil e duzentos estudantes, além de menos de cem metros estar o inicio do povoado bruxo de Hogsmeade.
Haviam muitos bruxos ao redor deles para que eles pudessem sequer pensar em se tratar de um estudante utilizando magia, quanto pior aparatando, que foi exatamente o que o moreno de olhos verdes fez no momento seguinte.
Ele apareceu em um beco do outro lado da rua de onde ficava o Caldeirão Furado, em seguida Harry saiu do beco escuro e atravessou a rua encaminhando-se em direção de onde ficava a entrada para o Caldeirão Furado que estava da mesma maneira que ele se lembrava da época em que estivera naquele local.
O Caldeirão Furado continuava sendo um barzinho repleto de sujeira e mal cuidado, o moreno sabia que muitas pessoas nem mesmo reparavam que aquele bar existia, as pessoas passavam apressadas pela frente do bar e nem sequer olhava em direção do bar, os trouxas nem mesmo se fixavam no Caldeirão Furado, eles olhavam da livraria que ficava de um dos lados do bar até a loja de discos que encontrava-se do outro lado do Caldeirão Furado, o moreno nem mesmo precisou se concentrar para saber que havia um feitiço que repelia os trouxas naquele local.
Ignorando completamente esse pequeno fato Harry adentrou o interior do bar encontrando-o exatamente como se lembrava de antes das coisas mudarem radicalmente no mundo da magia, o Caldeirão Furado estava muito escuro e parecia um local miserável, o moreno de olhos verdes observou algumas bruxas velhas sentadas em uma das mesas no canto do bar enquanto bebiam algo que lembrava muito a pequenos cálices de xerez, estreitando os olhos para uma delas que fumavam um longo cachimbo o moreno lembrou-se vagamente de já tê-las visto naquele mesmo local em algum lugar de seu passado, mas balançou a cabeça e começou a se encaminhar rapidamente para os fundos do bar.
Havia alguns homens mal vestidos sentados em outra mesa próximos ao balcão onde Tom estava limpando o balcão e olhando esperancosamente para o moreno, que percebeu que ele esperava que fosse um novo cliente, mas Harry apenas ignorou a expectativa do bruxo e seguiu para os fundos do bar em silêncio.
Quando o moreno chegou na parede de tijolos aproximou-se rapidamente enquanto contava os tijolos e batia a ponta de sua varinha em cada um deles, mal o moreno terminou de tocar os tijolos e um deles começou a estremecer e em seguida torceu ficando de lado, então no centro apareceu um pequeno buraco que foi se alargando cada fez mais, pouco mais de um segundo depois o moreno se viu novamente diante daquele tão conhecido arco que era maior inclusive do que seu amigo meio gigante Hagrid, o arco abria-se para a rua de pedras irregulares que serpenteava e desaparecia de vista fazendo uma curva, estava de volta no tão conhecido Beco Diagonal.
Enquanto Harry atravessava o arco e entrava nas ruas do beco diagonal o arco pelo qual havia acabado de passar começou a se fechar e solidificar-se até se tornar novamente um muro de tijolos maciços. O sol estava alto naquele momento, mesmo que o dia estivesse levemente frio desde que o mês de novembro estava chegando ao fim.
A loja mais próxima de Harry era uma de caldeirões para poções, como ele bem lembrava havia de todos os tipos e de todos os tamanhos, um misto de saudade e nostalgia infiltrou-se por dentro do moreno ao tempo em que observava as mercadorias e as lojas enquanto andava pela rua mais movimentada que ele já vira em sua vida.
O Beco Diagonal do futuro era completamente diferente daquele local que parecia exalar magia por todos os poros, aquele mesmo beco fora completamente destruído em um ataque efetuado por Voldemort e seus comensais da morte e quando ele fora reconstruído depois da guerra, tudo fora modificado e alterado, o Beco Diagonal nunca mais voltou a ser o mesmo, pelo menos não para o moreno de olhos verdes que nunca mais sentiu satisfação ao entrar naquelas ruas repletas de lojas de todos os tipos de coisas.
Quando o moreno passou em frente a Loja de Quadribol viu um exemplar de sua Firebolt, um sorriso discreto curvou os lábios de Harry ao pensar na possibilidade de voltar a voar o mais rápido possível, ele faria questão de voar nem que fosse dentro da Sala Precisa.
Um sorriso friamente perverso curvou os lábios de Harry no momento em que divisou o enorme edifício braço que erguia-se imperiosamente acima das lojinhas mais próximas, estava na hora de dar o primeiro embate verdadeiro desde que "voltara" e os duendes do Banco Gringottes iriam se arrepender se não lhe respondessem sinceramente suas questões porque ele conhecia as respostas para aquelas perguntas.
Um sorriso ainda maior curvou os lábios de Harry quando ele divisou o duende imponente que estava usando um uniforme vermelho e dourado que estava parado em frente as portas de bronze especialmente polidas.
Enquanto o moreno subia os degraus de pedra branca até a entrada do banco, observou exatamente como era o duende, ele tinha uma cara espessa, escura e de aparência inteligente, tinha uma barba que se afinava em ponta, as mãos e os pés eram muito compridos. O duende cumprimentou o moreno com uma reverência quando ele adentrou pelas portas de bronze e em seguida encontrou um outro par de portas onde havia gravado a frase que ele tão bem conhecia.
Entrem, estranhos, mas prestem atenção,
Ao que espera o pecado da ambição,
Porque os que tiram o que não ganharam
Terão é que pagar muito caro,
Assim, se procuram sob o nosso chão,
Um tesouro que nunca enterraram,
Ladrão, você foi avisado,
Cuidado, pois vai encontrar mais do que procurou.
Harry sorriu de maneira sombria enquanto passava pelas portas de prata e entrava em um enorme salão onde dois duendes se curvaram em reverências antes de abrirem espaço para que ele passasse e entrasse no saguão de mármore polido.
O moreno observou a estrutura do banco naquele momento em que ficou parado por um segundo em frente ao saguão, havia cerca de cem duendes sentados em diversos baquinhos altos atrás de longos balcões, eles examinavam diferentes pedras preciosas com óculos muito parecidos com o que os joalheiros normalmente utilizavam, ao redor do salão haviam centenas de portas, eram demais para se contar e ainda tinha outros quantos duendes acompanhando as pessoas que entravam e saíam por essas mesmas portas.
Depois de analisar detalhadamente e da melhor maneira que conseguiu cada um dos bruxos presentes no interior do banco o moreno percebeu que não seria seguro falar sobre o que queria tendo Lucius Malfoy e outros bruxos puros sangues ouvindo sua conversa, por isso dirigiu-se até o duende mais distante da entrada que estava desocupado.
- Boa tarde. – cumprimentou para o duende que encontrava-se mais ao fundo do banco sendo um dos últimos no balcão. – Eu gostaria de retirar algum dinheiro do meu cofre, mas antes eu quero falar com o presidente desse banco.
- E posso saber o que o Senhor teria para falar com Rankock, Senhor Potter? – perguntou o duende de maneira firme e olhando carrancudo para Harry, o moreno nem mesmo comentou o fato do duende saber quem ele era exatamente, afinal de contas conhecia a magia que vinha dos duendes e sabia que descobrir disfarces era a principal habilidade daqueles baixinhos.
- Assuntos de negócios. – respondeu Harry em tom firme e determinado não deixando nenhuma margem para outras perguntas.
- Por aqui, Senhor Potter. – murmurou o duende em tom pensativo depois de ter ficado encarando Harry por mais de dois minutos, o moreno nem mesmo piscou porque sabia exatamente o que o duende estava tentando fazer, a magia deles era muito mais aperfeiçoada do que a dos bruxos e eles possuíam um talento natural para a legilimência.
O moreno seguiu o duende em silêncio por uma porta que encontrava-se praticamente camuflada logo atrás dos balcões onde os duendes estavam atendendo os bruxos, quando chegou a uma ante-sala o duende pediu para que o moreno esperasse por alguns instantes enquanto o próprio duende bateu em uma porta de madeira envernizada que havia do outro lado do aposento, depois de ouvir uma ordem de que poderia entrar o duende que atendera Harry adentrou na sala e ficou pó cerca de dois minutos em seu interior antes de sair novamente.
- Pode entrar Senhor Potter, o Mestre Rankock irá recebê-lo. – disse o duende fazendo uma curvatura de leve antes de se dirigir para a mesma porta pela qual haviam entrado naquele local, o moreno olhou com a sobrancelha erguida para a porta onde o duende havia saído antes de se virar e ir diretamente para a porta envernizada e entrar no aposento.
O interior da sala do presidente do banco era imensamente maior do que qualquer outra que Harry já tenha visto antes, incluindo a do próprio Ministro da Magia. Todo o aposento parecia refulgir a riqueza dos duendes, os móveis eram peças antigas e provavelmente bem caras também, mas o moreno concentrou-se mais na figura do presidente do Gringottes, o presidente do banco estava exatamente como ele lembrava-se, a mesma barba esbranquiçada e os mesmos olhos ferozes e negros, lembrou-se do dia em que estivera no Gringottes para receber sua verdadeira herança e o vira pela primeira vez, lhe parecera alguém bem perspicaz.
- Keltar disse que estava querendo conversar comigo, Senhor Potter. – disse Rankock com uma voz séria enquanto olhava para o moreno de olhos verdes que estava parado observando a sala, Harry nunca havia estado no interior daquele aposento e o achava fascinante. – Eu poderia saber em que eu poderia lhe ser útil, Senhor Potter?
- Eu vim tratar da minha herança, Senhor Hankock. – disse Harry encarando o duende diretamente nos olhos enquanto se concentrava no que viera fazer naquele local. – Quero meu verdadeiro cofre imediatamente.
- Eu não sei do que está falando, Senhor Potter. – disse Rankock com um cenho franzido de preocupação naquele instante, mas Harry abriu um pequeno sorriso desdenhoso enquanto abaixava o capuz que levava cobrindo seu rosto e então olhava diretamente para o duende, fazendo com que o mesmo pudesse observar seus olhos verdes e ferozes.
- Eu não esperava precisar passar por isso, Rankock. – murmurou Harry em tom sério e frio enquanto olhava para o duende.
- Isso o que Senhor Potter? – perguntou novamente o presidente do Gringottes olhando levemente preocupado para o moreno.
- Eu tenho certeza de que você sabe muito bem sobre o que eu estou falando, Rankock. – grunhiu Harry deixando que sua voz ficasse mais séria e gélida, adquirindo uma leve entonação mortal, fechando os olhos Harry conjurou de maneira não-verbal um feitiço de proteção ao redor da sala que protegeria aquela conversa tornando-a particular enquanto ele estivesse ali dentro, quando o moreno voltou a falar sua voz saiu praticamente em um rosnado baixo e ameaçador. – Sei muito bem o que vocês fizera e a mando de quem o fizeram, então não me venha com essa preocupação falsa de merda porque comigo não funciona.
- Eu não sei do que... – começou a falar Rankock novamente, mas foi cortado bruscamente pela voz seca do moreno.
- Sei muito bem que Lílian e Tiago Potter construíram uma das maiores fortunas desse planeta antes de morrerem, assim como sei também que ainda tenho um outro cofre que pertence a Família Potter a gerações, então não venha me dizer que aquele tesouro de merda dentro do cofre que vocês disseram que era meu seja uma das maiores fortunas do mundo. – o duende arregalou os olhos com as palavras do garoto a sua frente.
- Senhor Potter, eu não... – tentou falar novamente o duende, ele estava fazendo o possível para parecer inocente, mas o garoto já tinha completo conhecimento daqueles detalhes para se deixar enganar por um rosto confuso.
- Eu também sei que Lílian e Tiago Potter eram sócios de várias empresas trouxas e bruxas, além de serem donas de metade das propriedades do Beco Diagonal, sendo que em sua maioria elas estão alugadas, assim como sei que eles possuíam algumas empresas no mundo trouxa. – a voz de Harry trovejava ameaçadora naquela sala fazendo o presidente do banco se remexer levemente desconfortável em sua cadeira.
- Olha Senhor Potter... – o presidente do Gringottes foi novamente interrompido pelo moreno de olhos verdes que ergueu sua mão direita apontando-a para o duende que imediatamente começou a flutuar antes de ser prensado contra a parede diretamente a suas costas, naquele momento Rankock estava com os olhos esbugalhados de medo.
- Escute aqui Rankock, já cansei de ouvir você negar o que fez. – disse Harry em tom gélido sem nem mesmo se mover do local onde estava, mas sua mão continuava apontada para o duende que fazia força para se soltar do feitiço. – Sei muito bem que Dumbledore fez um acordo com vocês para que vocês ficassem com minha fortuna, aposto como ele ofereceu trinta por cento de toda a fortuna dos Potter para vocês.
- Como...? – perguntou Rankock chocado com as palavras do garoto, mas calando-se em seguida ao perceber que estava se entregando.
- Agora sim estamos chegando em algum lugar. - disse Harry abrindo um sorrido divertidamente perverso nos lábios, sorriso que assustou o presidente do Gringottes que estava tentando a todo custo se libertar daquela estranha "força" que o estava prendendo, mas nem utilizando toda sua habilidade mental ou a magia que conhecia ele estava obtendo êxito em se soltar daquele forte pressão. – Como eu disse, sei muito bem a proposta que o velhote do Dumbledore fez para você, mas fique sabendo que ele nunca poderá se apossar do cofre dos Potter, simplesmente porque ele não tem a chave e nem nunca ira encontrá-la.
- Como sabe que ele não a encontrará ou quem sabe até mesmo já a encontrou? – perguntou Rankock olhando pela primeira vez com curiosidade para o bruxo parado a sua frente, afina não eram muitos bruxos que podiam fazer magia sem varinha daquela maneira, ainda mais um bruxo de quatorze anos de idade.
- Ele nunca vai encontrar a chave simplesmente porque ela já está comigo. – respondeu Harry em tom frio olhando desdenhosamente para o duende, em pensamento o moreno desdenhou dos duendes, afinal nunca descobriram a maneira como os Potter adentravam em seus cofres, eles jamais precisaram de um chave, pois a única maneira de entrar nos cofres da família era utilizando o próprio sangue de um verdadeiro Potter. Agora, ou você me diz quais são os meus cofres e manda um outro duende me levar até eles ou então eu vou fazer churrasco de duende antes de entrar com um processo contra o Baco Gringottes para conseguir minha fortuna de volta, com um ótimo bônus adicional da multa que vocês terão de me pagar por terem compactuado na tentativa de roubar minha fortuna. Ou então eu poderia por a baixo todo esse banco e então pegar todas as fortunas existentes em todos os cofres das famílias bruxas...
Nesse momento os olhos verdes de Harry escureceram a tal ponto de ficarem completamente negros, um negro selvagem e bestial que assustou Rankock de tal maneira que ele começou a literalmente tremer de medo, mas nada o preparou para a sensação seguinte quando uma aura negra começou a circular o corpo do garoto a sua frente, a primeira coisa que veio a mente do presidente do banco foi que aquele garoto era demoníaco, somente aquela aparência macabra seria capaz de matar qualquer um de susto, mas então toda a sala de Rankock começou a tremer fortemente, ele viu sua mesa se mover sozinha devido a intensidade do poder que o garoto deixava a mostra, então tudo parou e voltou ao normal, até mesmo o garoto já não tinha mais a aura o circulando e os olhos haviam voltado para o habitual verde esmeralda.
- Tudo bem, eu confesso. – gritou Rankock com a voz tremendo e no momento seguinte ele sentiu-se livre da magia que o estava prendendo a parede e então caiu pesadamente no chão, olhou para suas mãos e percebeu que elas estavam tremendo. – Dumbledore nos procurou logo depois que seus pais foram atacados por Voldemort e me ofereceu esse acordo, confesso que estava muito tentado a aceitar logo de cara, mas relutei por algum tempo, mas no final ele acabou me convencendo de que seria muito lucrativo e proveitoso para todos nós. Você não ficaria desamparado e teria um cofre com uma pequena fortuna para suas necessidades, eu ficaria com trinta por cento de todo o total que existe em seus cofres e Dumbledore ficaria com o restante.
- Dumbledore nunca conseguiria se apossar dos meus cofres, nem ninguém jamais poderia adentrar neles, apenas um verdadeiro Potter ter permissão de fazer isso. – disse Harry calmamente enquanto olhava para o duende sentado no chão.
- Isso agora não importa mais. – disse Rankock levantando-se do chão e se sentando novamente em sua cadeira.
- Vamos fazer da seguinte maneira Rankock, eu vou começar a usar meus verdadeiros cofres a partir de agora, mas você não vai falar para ninguém que eu vim até aqui e reclamei a posse deles. – disse Harry em tom sério olhando para o presidente do banco que nesse momento o encarava sem compreender o que ele queria dizer. – Deixe aquele antigo cofre ainda em aberto que eu vou utilizá-lo sempre que precisar, mas não mencione para ninguém sobre o Cofre da Família Potter, deixe que Dumbledore pense que ainda pode tomar posse do que é meu, quero que ele descubra a verdade apenas quando for tarde demais. Além do mais, eu garanto a você que vou triplicar minha fortuna dentro desse banco e com isso você irá lucrar uma verdadeira fortuna...
- Se você quer dessa maneira... – murmurou Rankock balançando a cabeça em assentimento antes de bater em um sino pequeno que havia em sua mesa, em menos de dez segundos um outro duende adentrou a sala do presidente do Gringottes. – Darius, leve o Senhor Harry Potter até os cofres da Família Potter.
- Sim senhor. – assentiu o duende que havia acabado de entrar fazendo uma reverência para o presidente do banco antes de fazer outra para o moreno de olhos verdes antes de apontar para a porta. – Por aqui, Senhor Potter.
- Nos vemos Rankock. – murmurou Harry balançando a cabeça em direção ao presidente do Gringottes antes de sair pela porta seguindo o outro duende chamado Darius.
Chegaram em frente a uma outra porta semi-oculta que o duende abriu e ficou segurando enquanto esperava o moreno de olhos verdes passar, encontrando-se em seguida com uma longa passagem estreita de pedra que era iluminada por archotes chamejantes, mas Harry também percebeu que aquela não era uma das entradas habituais que os outros duendes utilizavam para levar os bruxos até seus devidos cofres.
A passagem estreita tinha uma descida levemente íngreme acabando em variados e pequenos trilhos, mal entraram no local e Darius assobiou fortemente e então um vagonete disparou dos trilhos em direção de onde o duende se encontrava, Harry não precisou de mais nenhum incentivo para embarcar em cima do vagonete depois que o pequeno duende subiu a bordo.
Mal aquele vagonete começou a se movimentar e ele adquiriu alta velocidade passando por um labirinto de passagens cheias de curvas que mal davam para serem divisadas pelo moreno de olhos verdes, mas ele conseguiu memorizar o caminho mesmo não conseguindo observar todos os detalhes do local, conforme eles andavam pelos trilhos o ar ficava cada vez mais frio, então de repente eles mergulharam bem fundo nas passagens subterrâneas depois de terem passado por um enorme lago repleto de rochas pontiagudas no teto.
De repente o vagonete começou a diminuir de velocidade até que finalmente parou ao lado de uma porta estreita na passagem, em seguida o duende saltou para a passagem sendo seguido imediatamente por Harry que observou a maneira como o duende adentrava pela passagem e parava exatamente no local onde ficava o final da mesma e onde começava um escuridão sem fim, nem mesmo Harry usando seus poderes de rastreamento conseguiu divisar alguma coisa no meio de toda aquela escuridão a frente deles.
- Os cofres da Família Potter ficam logo a frente, meu senhor. – Darius disse com a voz baixa enquanto se virava para olhar para a figura do moreno de olhos verdes que devolveu um olhar intensamente frio ao duende. – Nós não temos permissão para passar daqui, a partir desse momento o Senhor precisa seguir sozinho. Estarei esperando pelo Senhor.
Harry murmurou um agradecimento em tom praticamente inaudível enquanto começava a caminhar pela passagem e adentrava a escuridão a sua frente, como já estivera ali dentro uma vez não se preocupou muito com o que encontraria, pois sabia que a porta de entrada do cofre estava a cerca de quinze metros a sua frente, lembrava-se muito bem da primeira vez que fora até aquele local, estava completamente receoso com o que encontraria e descobriria naquele lugar, embora naquela vez ainda estivesse surpreso por ter descoberto que tinha tanto dinheiro e nem mesmo sabia, o que o deixara com um ódio mortal de Dumbledore depois que ficara sabendo o acordo que o velhote havia proposto aos duendes do Gringottes.
Conforme o moreno andava pela escuridão alguns archotes começaram a se acender através do corredor, em um flash lembrou-se do pulo de susto que dera quando o primeiro archote se acendera quando visitara seu cofre pela primeira vez a tanto tempo atrás, mas mesmo com as tochas acesas não era possível se enxergar muita coisa naquela escuridão.
Como sabia o que o esperava o moreno não precisava ser tão cuidadoso enquanto caminhava mesmo com o túnel estar cheio de pedras com cortes estranhamente toscos e desnivelados, a superfície era levemente irregular, conforme o moreno avançava ele precisou virar em uma espécie de curva para a esquerda, mais archotes acendiam-se conforme Harry andava enquanto todos aqueles archotes que Harry deixara para trás se apagavam logo depois dele ter passado por eles, o corredor era levemente úmido e o ar era rarefeito devido a profundidade em que se encontravam nas profundezas da terra embaixo de Londres.
Alguns passos depois Harry entrou em um grande e amplo salão de pedra, mas mal pode observar o que havia ao redor do local, pois os dois archotes as suas costas se apagaram e mais nada acendeu-se a sua frente, o moreno sabia que não adiantava ele tentar utilizar magia para ver alguma coisa, pois a magia não funcionaria naquele local.
- Eu sou Harry Tiago Potter, filho de Lílian e Tiago Potter. – proclamou Harry em voz alta e firme fazendo com que uma claridade instantânea surgisse ao redor do enorme salão, as pedras eram batidas e haviam figuras entalhadas em cada uma delas, mas o moreno não se prendeu a nenhuma delas visto que já as conhecia de cor e então segui diretamente para a porta vermelha escarlate que havia no fundo do salão.
Havia uma serpente prateada entalhada na porta vermelha escarlate, o moreno se aproximou da porta de madeira envelhecida e então retirou uma pequena faca de caça que ele havia transfigurado ainda em Hogwarts e cortou sua mão esquerda de um lado a outro na palma, em seguida encostou a palma da mão exatamente na boca da cobra.
No momento seguinte foi como se duas presas extremamente afiadas houvessem se fincado na mão de Harry e estivessem sugando-o avidamente, o moreno sabia que aquele era um pequeno efeito colateral que precisava sofrer para ser reconhecido como o verdadeiro herdeiro da família Potter, Harry sabia que naquele momento ele estava sendo radiografado não apenas no sangue, mas também nas profundezas de sua alma.
Durou pouco mais do que alguns segundos, mas para o moreno passou-se como se fosse uma hora inteira devido ao desgaste que aquela ação lhe causara, por isso quando finalmente sua mão foi "liberada" pelas presas da cobra o moreno caiu sentado no chão enquanto respirava com um pouco de dificuldade, lembrava-se muito bem daquela sensação, parecia inclusive que havia sido no dia anterior que ele sentira aquela mesma vertigem.
Mas a atenção do moreno voltou-se para a porta de madeira quando ela começou a brilhar fortemente chegando ao ponto de Harry precisar fechar os olhos devido a intensidade da luz, mas quando passou ele pode ver finalmente a entrada para um gigantesco salão circular, o moreno lembrava-se muito bem do interior daquele local.
Sorrindo Harry levantou-se do chão e atravessou a porta que fechou-se as suas costas, mas o moreno não estava se importando muito com aquele fato naquele momento, na verdade estava com um sorriso estampado nos lábios por poder finalmente ver aquele tesouro novamente, até mesmo parecia que ele o estava vendo pela primeira vez, embora tecnicamente falando ele realmente estivesse entrando no Cofre dos Potter pela primeira vez em sua vida.
O salão era completamente circular e era feito de pedra maciça, embora diferentemente das pedras que existiam no corredor até ali aquelas eram muito bem recortadas e inclusive envernizadas pelo que ele sabia, apresentando assim uma superfície incrivelmente lisa.
A iluminação brilhante havia simplesmente desaparecido e o que iluminava o enorme cofre eram dezenas de archotes espalhados por todos os lados do imenso aposento, havia tochas também no alto das paredes e próximos ao teto.
Haviam várias portas espalhadas pelas laterais das paredes, a maioria delas era de madeira maciça e possuíam alguns desenhos entalhados em sua superfície, mas três portas destacavam-se, pois cada uma era feita por um metal diferente, uma delas era de bronze, outra de ouro e ainda havia uma terceira de prata.
Harry sabia exatamente o que encontrar nessas três portas, cada uma delas representava uma das moedas utilizadas pelos bruxos e o moreno nem mesmo precisava abrir aquelas portas para saber que cada uma delas era do tamanho do campo de quadribol que havia em Hogwarts e que estavam repletos de moedas, montanhas e mais montanhas completamente empilhadas e enfileiradas, cada uma daquelas salas continha uma fortuna praticamente incalculável.
O moreno começou a caminhar para a esquerda da Sala Circular que lembrava a Harry a sala de mesmo formato que havia no Departamento de Mistérios do Ministério da Magia, o moreno adorava aquele ar de mistério e suspense que havia naquele local, a primeira porta que o moreno passou tinha um livro entrelaçado com um pergaminho entalhado na madeira da porta, o moreno empurrou a porta que abriu-se com um leve rangido revelando seu interior para Harry.
A sala que revelou-se diante de Harry era de tamanho retangular, o chão daquele aposento era de um granito intensamente liso e polido embora fosse negro como a noite, as paredes e o teto aparentavam serem feitas de ouro puro, pois emitiam um brilho muito fugaz. O lado direito da sala estava completamente tomado de prateleiras de madeira envernizada e pintada em vermelho escuro, cada uma dessas prateleiras continhas diversas pastas de cores e tamanhos diferentes, algumas outras estantes possuíam algo que lembrava muito os livros, mas que o moreno sabia serem cadernetas de contabilidade.
Enquanto o moreno adentrava o aposento olhou de relance para dois quadros do lado frontal da parede onde estavam retratados duas pessoas em tamanho real, o casal encontrava-se um ao lado do outro sendo que havia uma outra tapeçaria em verde e prata do lado esquerdo dos quadros, por um segundo o moreno desviou seus olhos encarando as duas pessoas no quadro.
O primeiro dos quadros representava uma mulher que era belíssima e tinha os cabelos loiros que brilhavam como se estivesse debaixo de um sol imponente e chamejante, os olhos dela eram de um azul límpido e quase transparente enquanto um sorriso quente e acolhedor iluminava as feições da mulher, os olhos azuis demonstravam uma bondade sem fim e as roupas eram antigas denunciando que ela tinha vivido a aproximadamente mil anos atrás, mas o moreno de olhos verdes podia sentir o poder que exalava daquela mulher inclusive sendo apenas um quadro, havia uma leve aura amarelada circulando o corpo da bruxa mostrando claramente que ela não era nem um pouco indefesa, havia também uma adaga esverdeada presa em sua cintura. Sob a moldura do quadro era possível divisar o nome da mulher: Isabella.
Aquele era um nome bonito e imponente, pensou Harry. Aquela era sua antepassada, uma das primeiras para falar a verdade, visto que sua família tinha mudado o nome para poderem viver em paz sem o perigo de serem caçados pelos inimigos. Harry também sabia que a Arvore Genealógica de sua família começava com aquele casal justamente por causa do enorme poder que seu ancestral possuía, ainda mais porque tinha sido filho de trouxas e jamais admitiria aquilo em voz alta para ninguém, com exceção da própria mulher.
O quadro do homem era imponente, os cabelos negros caiam de forma majestosamente autoritária até a altura dos ombros dele e os olhos de um azul cobalto que Harry nunca havia visto antes a não ser naquele quadro possuíam a profundidade do mar, as feições daquele homem eram duras e frias deixando incomodado qualquer um que recebesse o escrutínio daquele bruxo, havia um cinismo e uma astúcia sem igual no semblante daquele homem, mas aqueles olhos frios escondiam o incrível mago que ele fora um dia.
No quadro ele estava trajando uma armadura prateada com detalhes em verde intenso, sobre os ombros tinha uma capa verde musgo pela parte de fora e preta pela parte interior, na cintura dele o moreno viu uma espada embainhada, uma adaga de cabo curto e também uma varinha enegrecida, todas elas colocadas em um cinto de couro negro. A aura verde escura que circulava o bruxo mostrava que ele com certeza fora um dos maiores bruxos não apenas de sua época, como de todos os tempos. Mesmo com todos os defeitos e deslizes que aquele bruxo cometera em sua vida, Harry tinha orgulho de saber que era descendente daquele homem.
O moreno desviou seus olhos dos dois quadros e da tapeçaria de sua família e se dirigindo para onde encontravam-se os documentos, aquela sala era especialmente feita para portar todos os documentos referentes a Família Potter, desde certidões de nascimento, que o moreno sabia serem as que estavam nas estantes do lado direito da sala, documentos trouxas que os membros da família que haviam morrido por ventura tivessem adquirido, mas aquela sala era principalmente para guardar qualquer documento referente as empresas que pertenciam aos Potter, desde contratos de aluguéis, escrituras de imóveis ou propriedades que agora pertenciam única e exclusivamente a Harry, que era o último Potter que ainda estava vivo.
O moreno ignorou os documentos referentes aos membros de sua família que já estavam mortos e dirigiu-se para as estantes onde encontravam-se todos os documentos e papéis referentes as propriedades e empresas que ele possuía, Harry sabia que os documentos de seus pais encontravam-se naquele local, mas não tinha tempo para sentimentalismos naquele momento, por isso decidiu se concentrar no que era mais importante naquele instante.
Depois de vasculhar por alguns minutos o moreno encontrou as escrituras que estivera procurando, duas propriedades que pertenciam integralmente aos Potter, a primeira se tratava de uma loja no Beco Diagonal que naquele momento era de um boticário, mas que o moreno sabia que fecharia até a metade do ano seguinte, a segunda escritura pertencia a um enorme castelo na Escócia do qual ele era dono e do qual pretendia fazer uso muito em breve.
Ali também encontravam-se as escrituras do local onde ficava o Hospital Saint Mungus que o moreno tinha conhecimento de que fora doado por um de seus antepassados, embora ele não pudesse reaver aquele local para ele próprio, ele tinha o direito legal de gerenciar as doações e todo o capital financeiro que entrava e saía dos setores do hospital, que o moreno havia descoberto certa vez que era um pouco corrupto, sendo que um pouco da verba anual que o hospital recebia era desviada pelo atual administrador que era ninguém menos do que Lucius Malfoy, mas em breve o moreno daria um jeito naquela situação.
Harry sabia que era dono inclusive de algumas lojas da Travessa do Tranco, mesmo que nada daquilo estivesse realmente associado ao nome da Família Potter, todas as lojas tinham contratos com uma empresa imobiliária bruxa, que por algum acaso pertencia a eles, embora o nome da família realmente não entrasse em nenhum contrato.
Não tendo mais nada para fazer no interior daquela sala o moreno de olhos verdes dirigiu-se para a saída e em seguida adentrou na porta seguinte que tinha jóias entalhadas na porta, o local era simplesmente impressionante, mesmo já tendo estado inúmeras outras vezes naquela mesma sala o moreno sempre se surpreendia com o lugar.
Balcões e mais balcões repletos de jóias estavam espalhados por toda a sala que tinha o tamanho do Salão Principal de Hogwarts, o moreno já havia estado antes naquele local e por isso conhecia cada uma das jóias que estavam ali dentro, desde o balcão que tinha apenas anéis de todos os tipos até o balcão que estava repleto de colares e gargantilhas. Mas Harry ignorou as preciosidades que tinham naqueles balcões, um dia ele levaria Gina até aquele cofre para que ela escolhesse algumas jóias para ela, ou então ele mesmo as daria para a ruiva, uma por dia, pensou Harry com um sorriso sonhador nos lábios ou poderia muito bem mandar fazer outras jóias para Gina, afinal dinheiro ele tinha de sobra e jamais precisaria se preocupar com isso.
Balançando a cabeça e saindo de seus devaneios o moreno dirigiu-se diretamente até os fundos daquela sala onde estava uma das coisas que ele fora procurar aquele dia, uma espécie de balcão negro estava em uma espécie de um pequeno altar.
Quando se aproximou o moreno pode observar melhor o que havia em cima daquele balcão, os objetos que ele sabia que Alvo Dumbledore tanto cobiçava e que procurava incansavelmente a tantos anos, além é claro das Relíquias da Morte que o diretor também caçava e procurava, Harry sabia que Dumbledore somente não sabia onde a Pedra da Morte estava, por que a Varinha já estava com ele e o diretor sabia da Capa que estava com Harry.
Em sua frente Harry via alguns objetos que ele próprio utilizara no futuro, naquele balcão encontravam-se uma varinha enegrecida, uma luva de duelo feita de couro de dragão enegrecida com uma serpente prateada e dourada afixada em suas costas, uma adaga e uma espada completavam o quadro. As armas de seu antepassado, faltava apenas a armadura que ele utilizara durante sua vida e isso o moreno sabia que encontrava-se na sala de arsenal.
Harry pegou apenas a varinha enegrecida das armas que estavam em cima do balcão, afinal ele pretendia fazer uma pequena excursão durante suas férias escolares e não poderia usar magia com sua varinha normal, em breve o moreno também iria voltar ao Gringottes para pegar o restante daquelas armas.
O moreno saiu daquela sala logo depois de ter depositado a varinha enegrecida em um dos bolsos no interior do sobretudo que ele havia conjurado por cima de suas roupas, então Harry entrou na sala onde havia um monte pequeno de livros entalhado na porta de madeira.
Quando entrou naquela sala o moreno encontrou o aposento que tinha o dobro do tamanho do Salão Principal de Hogwarts, aquele aposento estava repleto de estantes cheias de livros, ali encontrava-se uma verdadeira biblioteca, cem vezes maior que a que existia em Hogwarts, o moreno sabia que aquela era a maior biblioteca particular do mundo, mas principalmente por que os livros que haviam no interior daquela sala eram raros e antigos, muitos daqueles exemplares vinham inclusive da época do próprio Merlin.
Harry retirou uma moeda de bronze que encontrava-se no seu bolso e então murmurou um feitiço de transfiguração transformando a moeda em uma mochila preta muito parecida com a mochila que ele havia transfigurado quando estava copiando os livros que haviam na Seção Restrita da Biblioteca de Hogwarts.
Harry lera aquela biblioteca de um lado ao outro, conhecia cada um daqueles livros e os assuntos que a maioria deles tratava, embora houvesse alguns que ele descartara depois de perceber que o assunto não o interessava, por isso dirigiu-se para as estantes que ele sabia onde estavam os volumes que ele queria levar.
Entre os principais exemplares que o moreno pegou antes de sair daquela biblioteca estavam os mais importantes como: "Oclumência – Uma Arte Obscura", "Os Poderes da Mente – Os Maiores Mistérios da Oclumência e da Legilimência", "A Arte da Legilimência", "Protegendo Sua Mente" e "Aparatando em Todas as Situações".
Aqueles eram os exemplares que ele estava precisando para que seus amigos pudessem aprender oclumência e legilimência com mais eficácia e mais rápido, além é claro do moreno ter pegado alguns outros livros que abordavam o mesmo assunto sendo que esses eram para aqueles que eram iniciantes na arte da mente.
Sem querer ficar muito mais tempo no interior daquela biblioteca o moreno saiu da sala e dirigiu-se a seguinte porta dentro da Sala Circular e encontrando entalhado na porta de madeira um escudo com duas espadas cruzadas.
Como o moreno não estava muito interessado em pegar nenhuma daquelas armas ainda passou direto até a ultima porta que existia naquele cofre, a porta tinha entalhado algumas pedras de diferentes cores e tamanhos deixando claro que aquela sala servia como uma espécie de estoque para metais preciosos e de imenso valor.
O moreno abriu a porta e adentrou aquela sala encontrando um local três vezes maior que a Sala Comunal da Grifinória, aquela sala estava repleta de metais preciosos de todos os tipos e tamanhos, desde safiras, rubis, ouro, prata, diamantes, e muitos outros metais preciosos, cada um deles estava separado em pilhas enormes e em grande quantidade. Rapidamente Harry dirigiu-se até o monte de pedra de safira e pegou uma de tamanho levemente razoável, afinal não queria nada extravagante para dar de presente a ruiva.
Antes de sair o moreno lembrou-se que precisava de um pouco de dinheiro bruxo e por isso adentrou na sala de porta dourada onde encontravam-se os galeões e então encheu dois saquinhos com moedas, aquele dinheiro era suficiente para cinco anos escolares em Hogwarts, mas ele pretendia usar o dinheiro em breve.
Logo depois disso Harry saiu da Sala Circular entrando novamente no corredor que o levara até seu cofre, o moreno ouviu um barulho seco e quando virou-se novamente percebeu que a porta do cofre havia se fechado novamente.
Com a mochila firmemente presa em seu ombro o moreno encaminhou-se novamente pelo corredor escuro fazendo com que os archotes se acendessem e se apagassem novamente, quando chegou ao fim da passagem sinuosa e estreita encontrou Darius esperando pacientemente por ele, sem dizer nem mesmo uma palavra o moreno subiu no vagonete e sentou-se sendo logo seguido pelo duende que logo pôs o carrinho em movimento.
Dessa vez eles subiram pelos trilhos pelo mesmo caminho em que haviam vindo, o carrinho sacolejava por ravinas subterrâneas e depois de algum tempo o vagonete foi diminuindo a velocidade até que parou exatamente no mesmo lugar de onde eles haviam partido, naquele momento Harry sorriu internamente ao comparar aquela viagem com um brinquedo trouxa chamado Montanha Russa, embora ele secretamente admitisse que aquele percurso com o carrinho do Gringottes fosse mais perigoso e divertido do que o Parque de Diversões.
- Ah Darius... – chamou Harry logo depois que eles desembarcaram de dentro do vagonete, em seguida o moreno perguntou com uma inocência capaz de enganar até mesmo o pior dos bruxos. – Eu gostaria de ter uma conta em algum banco trouxa, como eu faço para transferir uma quantia de dinheiro para um dos bancos dos trouxas?
- Vou encaminhá-lo até um de nossos caixas Senhor Potter, ele saberá o que fazer. – respondeu Darius enquanto se encaminhava para a porta, mas antes que o duende tivesse aberto a porta o moreno de olhos verdes já havia colocado o capuz sobre sua cabeça para esconder seu rosto, em seguida o moreno seguiu o duende até um dos caixas mais afastados do banco que olhou-os de maneira intrigada, Sarius em seguida murmurou quase em um sussurro para que mais ninguém além deles ouvisse. – O Senhor Potter deseja utilizar dinheiro trouxa sem precisar vir até aqui para trocar, ele quer abrir uma conta em um dos bancos dos trouxas.
- Certo. – respondeu o outro duende e então olhou para Harry enquanto apontava para a cadeira a frente da mesa indicando que o moreno se sentasse enquanto esperava que as papeladas fossem feitas. – Vai demorar apenas alguns minutos, Senhor Potter.
Realmente, em poucos minutos Harry já tinha assinado alguns papéis que ele sabia que seriam encaminhados até um banco trouxa que era afiliado ao Gringottes, aquele era o mais importante banco do mundo trouxa e eles tinham cedes na maioria dos países do mundo, Harry também conseguiu uma espécie de cheque no valor de quinhentos galeões que ele pretendia enviar o quanto antes para a Senhora Weasley poder comprar o vestido da ruiva, quando saiu do Gringottes o moreno tinha um cartão de crédito trouxa e uma seqüência de números de cinco contas bancárias diferentes que o duende havia aberto a pedido do moreno, cada uma daquelas contas tinha uma quantia de cem mil libras e Harry pretendia multiplicar aquele valor por cem em muito pouco tempo, no máximo até o final daquele ano escolar.
- As moedas de ouro são os galeões. – o moreno ouviu uma mulher explicando para um garotinho de pouco mais de quatro anos que estava segurando algumas moedas em suas pequenas mãozinhas. – Dezessete sicles de prata fazem um galeão de ouro e nove nucles fazem um sicle, é bastante simples meu filho...
O moreno não ouviu mais, pois estava atravessando o beco diagonal diretamente para a loja onde vendiam ingredientes para poções, no interior daquela loja o moreno comprou diversas ervas e produtos que precisaria nas próximas semanas, o que incluía um pouco de guelricho, afinal ele não queria precisar roubar da sala de Snape.
O atendente da loja bem que ficou desconfiado do moreno e do que ele estava comprando, afinal os ingredientes para poções que ele havia comprado eram variados e não faziam muito sentido se fossem utilizados juntos, mas o moreno nem mesmo se dignou a prestar atenção nas desconfianças do bruxo e depois de pagar pelos ingredientes o moreno colocou tudo dentro de sua mochila e depois de colocá-la novamente em seu ombro o moreno saiu da loja.
Cerca de quinze minutos depois o moreno encontrava-se dentro de uma loja especializada em eletrônica em um shopping trouxa de Londres, Harry havia acabado de comprar um notebook para ele e naquele momento o técnico da loja estava instalando os programas necessários para que o aparelho funcionasse com a internet.
Assim que recebeu o aparelho do técnico da loja o moreno dirigiu-se para a saída do shopping e quando chegou a um beco próximo ele retirou o aparelho eletrônico da caixa que viera junto e então passou a executar alguns feitiços no aparelho.
Aqueles eram feitiços que haviam sido inventados no futuro e que permitiam o uso dos aparelhos eletrônicos trouxas nos lugares com magia concentrada, inclusive em Hogwarts, aqueles feitiços foram muito úteis no futuro antes dos aparelhos começarem a serem inventados já com as proteções necessárias.
Naquele momento Harry aparatou de novo para a entrada da Floresta Proibida e em seguida encaminhou-se para a entrada da passagem secreta logo depois de verificar se não havia ninguém por perto, em menos de meia hora o moreno de olhos verdes já se encontrava dentro da Sala Precisa auxiliando o amigo no treinamento.
Fim do Flashback.
Harry saiu de seus devaneios depois de sair do chuveiro e ter se vestido, naquele momento ele desceu as escadas do dormitório encontrando-se com Hermione na Sala Comunal da Grifinória, a garota estava esperando Gina para elas irem para a Sala Precisa para o treinamento daquela segunda-feira, o moreno cumprimentou a amiga antes de sair da sala comunal e seguir sozinho para o corredor do sétimo andar e depois adentrar a sala precisa.
Mais de duas horas depois o moreno abriu novamente a porta e saiu sendo logo seguido pelos amigos que estavam exaustos, pois o moreno havia aumentado o ritmo de treinamento e todos eles estavam mais do que exaustos naquele momento.
Naquele dia enquanto encaminhavam-se para o Salão Principal para tomarem o café da manhã o moreno propositalmente caminhou ao lado de Gina forçando os outros a seguirem caminhos separados, mas Harry somente parou de andar e encarou a ruiva depois de estarem completamente sozinhos no meio de um dos corredores do castelo.
- Hum... Gina, eu gostaria de falar com você sobre uma coisa... – começou o moreno e sentiu a garganta secar de repente enquanto falava, ele precisou respirar fundo enquanto se amaldiçoava mentalmente.
- Pode falar Harry. – murmurou Gina olhando para o moreno com um pouco de curiosidade na face, principalmente ao ver a hesitação dele.
- Bem... – começou Harry encarando a ruiva diretamente enquanto sentia que seu estômago despencava até seus pés, nem mesmo quando tomara coragem para convidar Cho Chang par ao baile da outra vez o moreno sentira-se tão estranho, o moreno percebeu o olhar da ruiva que o encarava com uma expressão intrigada e curiosa, por isso as palavras soaram anormalmente baixas. – Você quer ir ao baile de inverno comigo?
- Desculpe Harry, mas eu não ouvi direito... – murmurou Gina com uma estranha expressão no rosto enquanto encarava o moreno de olhos verdes.
- Eu queria saber se você não gostaria de ir ao baile de inverno comigo? – perguntou Harry enquanto sentia que seu rosto tingia-se de um tom levemente róseo, algo que não acontecia a muito tempo, por isso se amaldiçoou novamente pelo deslize.
- Ah! – exclamou Gina também ficando levemente vermelha enquanto abaixava de leve os olhos. – Eu adoraria ir com você ao baile Harry.
- Sério? – exclamou Harry abrindo um sorriso nos lábios antes de perceber que praticamente havia gritado aquelas palavras. – Quero dizer, que ótimo Gina.
- Ah, Harry?... – chamou Gina depois que os dois andaram alguns minutos em silêncio pelos corredores do castelo.
- Sim, Gina? – questionou o moreno olhando de relance para a ruiva que estava com a cabeça levemente tombada em curiosidade.
- Para que baile exatamente você me convidou? – perguntou Gina em um tom estranhamente calmo e somente naquele instante o moreno lembrou-se que os estudantes ainda não estavam sabendo nada sobre o baile de inverno, pelo menos não a maioria deles.
- Bem, é o Baile de Inverno. Ele é uma tradição do Torneio Tribruxo, esqueci que os professores ainda não avisaram os alunos sobre ele, mas acho que McGonagall vai comentar algo nas aulas dela essa semana. – respondeu o moreno sabendo muito bem que a diretora da Grifinória iria brindar os estudantes com aquela notícia.
- Tudo bem então. – disse Gina com o rosto tão vermelho quanto um tomate enquanto voltava a olhar para frente.
Pouco depois eles chegaram ao Salão Principal e enquanto Harry se sentava ao lado de Rony e Hermione, a ruiva dirigia-se até onde suas amigas se encontravam. Durante todo o café da manhã o moreno permaneceu completamente absorto em seus pensamentos, afinal não podia acreditar que ficara envergonhado enquanto convidava Gina para o baile, não podia ficar envergonhado depois de tudo o que já fizera em sua vida, mas o moreno também sabia que quando o assunto envolvia sua ruiva, ele nunca podia saber exatamente o que esperar.
