Logo o episódio do ataque dos dementadores a Hogsmeade foi esquecido, pelo menos aparentemente. O Ministério tratou de explicar com meias palavras o ocorrido e, dentro da escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, isso já não tinha mais importância. O que realmente estava aguçando o ânimo de todos era a proximidade da próxima partida de quadribol da temporada: Grifinória X Sonserina.

Albus estava revirando na cama há horas, mal tinha conseguido dormir. Sempre que engrenava no sono, tinha um pesadelo no qual o pomo escapava por entre seus dedos e ia parar em cheio nas mãos de Scórpio. Para piorar, quando toda torcida verde e prata vinha comemorar a vitória, Rose se sobressaía na multidão, pulava no pescoço do sonserino e o beijava. Foi assim até o castelo inteiro acordar e ele ser arrancado da cama pelos colegas de quarto que o encorajavam.

Vamos lá, cara! Sua estréia! – Saulo Finnegan dizia. – Eu estaria com o estômago revirado!

Eu estou... – ele disse, remexendo o mingau em seu prato sem coragem de levá-lo a boca.

Coma alguma coisa, Albus! – Rose insistia. – Desse jeito não vai agüentar nem subir na vassoura!

Não dá, Rose! Não desce nada! – ele explicava.

Dêem um espaço para o cara! – Hugo chegou, abrindo espaço para se sentar ao lado do primo. Já estava uniformizado. – Relaxa, brother! – ele falou, sorridente. – A primeira partida é assim mesmo, depois você se acostuma com a fama e fica tudo bem!

Meu Deus! – Rose revirou os olhos. – Ainda bem que você não é empresário de ninguém, não é?

Hei, Potter? Não é o seu pai? – um aluno gritou de outra mesa, chamando a atenção de todo o salão.

Eu não acredito... – Albus falou com os olhos arregalados.

Harry caminhava em direção a mesa da Grifinória, encabulado. Queria ter passado despercebido, como se fosse possível, mas como sempre, um aluno da Sonserina tinha que interferir.

Por que é que ele pode assistir às partidas e meu pai não? – um sonserino "cochichou" audivelmente.

Porque ele é Aquele - que - salvou - o - mundo, não é? – outro respondeu.

O que faz aqui, pai? – Albus perguntou, vermelho até a raiz dos cabelos.

Vim te ver jogar! – Harry respondeu, incomodado, mas tentando se controlar. – Esses sonserinos! Não mudam nunca!

Não são todos assim, tio! – Rose se prontificou. – Como vão todos? – ela desconversou.

Bem. E vocês? – ele preferiu continuar a conversa a prestar atenção à zombaria dos adversários.

Estamos bem. E como vão as investigações sobre os ataques dos dementadores?

Muito esperta, srta Granger! – ele brincou. – Mas eu conheço sua mãe e todos os truques que ela usava para descobrir pistas, não vou cair na mesma lábia! – ele sorriu. – Como vai, Lily? – ele perguntou para a filha.

Bem pai... – ela respondeu apenas, meio desanimada.

E o James? Ainda não o vi. – Harry se endireitou e olhou pelo salão.

Albus, Hugo e Rose também começaram a procurar. Lily se encolheu um pouco, torcendo para o irmão não aparecer.

Amelie também não está no salão. – Hugo afirmou. – Será que... – mas Rose o interrompeu com um olhar significativo.

Está de namorico, só pode... – Harry concluiu. – De qualquer maneira duvido que ele perderá o jogo. – ele se sentou no espaço que alguns alunos haviam aberto para ele. – Vim hoje também para conversar com o Neville e a Prof. McGonnagall. Por que não me disseram que seu irmão estava indo tão mal, hein?

Eu queria dizer, mas eles não me deixaram! – Albus se defendeu.

Achamos que poderíamos resolver, tio. – Rose argumentou. – Não sabíamos que ele estava faltando às aulas, até pouco tempo atrás.

Hum... De qualquer maneira ele não é responsabilidade de vocês, não é? – ele pegou uma torrada e mordeu. – Hoje resolvo isso! James Potter tem que ter uma boa explicação para essa atitude.

Aí, galera! Todo mundo para o vestiário! – César Hickman gritou ao lado da mesa da Grifinória. – Temos umas cabeças de cobra para esmagar hoje!

Uivos de concordância e vaias se misturaram no salão comunal, fazendo Harry sentir saudades de sua época no colégio. Hugo saiu animado, depois de um aceno para o tio. Lily saiu atrás do primo, mas não parecia no seu melhor dia. Albus parecia ter se auto-enfeitiçado, como Rony em seu segundo ano, pois parecia estar meio esverdeado.

Vai dar certo, filho. – Harry falou. – É assim mesmo. – e apertou a mão dele. – Boa sorte!

Obrigado. – Albus respondeu, incerto.

Bom jogo, Albus! – Rose levantou-se e deu um beijo na bochecha do primo. – Vai dar tudo certo.

Uhum... – ele respondeu abobado, antes de começar a andar.

Vamos, padrinho? – Rose perguntou. – Ou não pegamos um bom lugar!

Claro! – ele concordou, sorridente. Já tinha visto aquela cena.

hr

Albus flutuava bem acima das cabeças dos demais jogadores. Scórpio Malfoy estava na mesma altura que ele, há alguns metros de distância. Mais abaixo Teddy já estava no meio do centro, com o baú em sua frente e a goles na mão.

Queremos assistir um jogo limpo, galera! Beleza? – ele gritou lá de baixo.

Com certeza não vai ter sangue, filhote de lobisomem. – Albus ouviu um jogador sonserino falar, alguns metros abaixo de onde estava, mas Teddy não ouviu. – Ninguém vai se arriscar tanto.

Todos os jogadores estão em campo, galera! – o locutor começou. – Pela Grifinória: Hickman, Weasley, Potter, Potter, Creevey, Otero e Rodriguez! – Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa os saudaram, Sonserina vaiou. – Pela Sonserina: Flint, Malfoy, Goyle, Morgon, Politzer, Tyndall e Lowe! – quase não se pôde ouvir os aplausos sonserinos em meio às vaias dos demais.

Isso não muda nunca! – Harry comentou, ao lado da sobrinha e do filho, que acabara de chegar. – Tudo bem James? – mas ele não lhe deu atenção.

Aí vai a goles! – Teddy lançou a bola e três pontos vermelhos e três verdes partiram para cima dela. O Jogo havia começado. Logo os balaços e o precioso pomo de ouro também estavam libertos.

Finalmente começa a segunda partida do campeonato de quadribol entre as casas. Hickman toma a dianteira, levando a goles para longe de suas balizas, mas Goyle não está a fim de facilitar! Partiu para cima do capitão adversário que lançou a bola para Potter, que lança para Creevey. Ela é muito rápida! Creevey avança para Flint, vai lançar... NÃO! – a torcida urrou. – Vá com calma, Lowe! Não queremos nenhum jogador decepado! – ele comentou.

Creevey está bem. O balaço passou raspando, mas deu a posse para o adversário. Goyle escapa do balaço de Otero, desvia também do de Rodriguez, são apenas ele e Weasley agora... GRANDE DEFESA!!!!! E ele lança rápido para sua prima, que passa como um raio por Morgon! Potter, aliás, temos uma presença ilustre hoje...

Sr. Weasley, por favor... – Neville, sentado ao lado do locutor, o alertou.

Desculpe, professor! – ele respondeu. - Potter manda para Creevey, novamente, como eu ia dizendo, mas Creevey se atrapalha de novo com o balaço... PRESTA ATENÇÃO GAROTA! Lily recupera, quer dizer, Potter recupera, e manda para Hickman, Hickman avança. Passa por Morgan, passa por Politzer, desvia de um balaço, manda para Potter, que apareceu do nada, ela lança e GOOOLLLL!!!! 10 A ZERO PARA GRIFINÓRIA! – a arquibancada quase veio a baixo.

O pomo! – Harry sussurrou.

Onde? Onde? – Rose se levantou, assustada.

Droga! – Harry falou.

Parece que Malfoy viu o pomo, pessoal! – o narrador avisou. – E o que o Potter está fazendo que ainda não foi atrás dele? FAZ ALGUMA COISA, ALBUS! Quer dizer... Ah sim! Alb... Potter parece ter notado o pomo também, pois arrancou em direção a Scórpio Malfoy. Será que vai alcançá-lo? Potter tem que ficar mais atento, afinal a posição de apanhador não é apenas para dar uma visão privilegiada do jogo.

Fred, por favor! – Neville tentou novamente.

Desculpe, professor! Potter inclina o corpo numa tentativa louca de ganhar velocidade, mas Malfoy está muito a sua frente, e essa nova vassoura... Uhf! Os Malfoy sabem mesmo no que investir... Ah sim... Desculpe, professor. Malfoy tenta sua primeira investida, o pomo parece estar muito perto dele, ele estendeu as mãos, Albus está desesperado. Será que vai perder o pomo logo em sua primeira partida? Na frente do pai? Um dos melhores...

FRED!

Foi mal, foi mal... Scórpio se joga para frente, mas o pomo faz uma curva fechada, vai direto para Albus, mais uma curva! Essa bolinha está brincando com a gente! – ele quase arranca os cabelos. – Parece que ela sumiu novamente. Os dois apanhadores estão com cara de bobos no ar. Quer dizer... A partida continua, não é professor... Então... O placar está 20 a 10, mas quando a Sonserina fez esse gol?

Enquanto você comentava a distração do seu primo, Weasley! – o professor Longbotton informou.

Ah... Desculpe. É pessoal, o pomo sumiu de vista. Potter e Malfoy voltam às suas posições iniciais, mas desta vez muito atentos. Potter sobrevoa lentamente o campo, Malfoy resolve imitá-lo, como sempre... Ops... Goyle retoma a goles, passa para Morgan, mas Hickman rouba dele. PERDEU, MANÉ! Hickman passa para Creevey, dela para Potter, dela para Hickman, Potter, Hickman e GOOOOLLLL! Hei! Hei! – Fred se levantou, indignado, assim como grande parte da torcida. Teddy estava no meio do campo, com o apito na boca e a mão levantada.

ISSO FOI FALTA!

FAÇA ALGUMA COISA, JUIZ!

ISSO NÃO É JUSTO!

Corine Creevey fora atingida por um balaço, mas nem estava perto da goles. Agora caía, como em câmara lenta, em direção ao campo. A gravidade não foi maior porque mme Garden, que sempre assistia às partidas, amorteceu sua queda.

Falta a favor da Grifinória! – Teddy falou, indicando o jogador que fizera a penalidade. Em seguida pousou sua vassoura e abriu caminho entre os jogadores que haviam descido para ver se a colega estava bem.

Não, não! Essa menina não pode mais jogar! – mme Garden dizia.

Mas mme, se ela não jogar... Se ela não jogar... – César não tinha coragem de completar a frase.

Ela não pode jogar! Está desacordada! Não há condições! Cancelem a partida, façam o que quiser, mas a srta Creevey não joga mais!

Ganhamos o jogo! Ganhamos! – Flint montou sua vassoura e passou pelas arquibancadas gritando a plenos pulmões.

Não pode ser... Não pode ser... Corine! Acorde Corine! Você precisa jogar!

Pára César! Ela está mal, não está vendo? – Lily falou.

Mas...

Vocês não têm um substituto? Se vocês arrumarem um substituto podem dar continuidade ao jogo.

Mas quem? – Hugo perguntou.

James! – Albus respondeu.

Mas aí...

Ele pode entrar no meu lugar, e eu jogo como artilheiro. O apanhador é muito mais...

Nem continue essa frase, Albus! – Lily interveio. – Nós vamos convidar o James sim, mas como artilheiro! Mesmo que quiséssemos não poderíamos substituir um jogador sadio! – resoluta, ela montou em sua vassoura e voou até o irmão, sentado ao lado do pai e da prima.

Mas o que foi que houve? – Harry perguntou, preocupado. – A filha do Denis está bem?

Com certeza vai ficar bem, tio! – Hugo, que a havia acompanhado, respondeu. – Mas nosso time não!

Precisamos de um substituto! – Lily explicou. – James vem jogar! - James não respondeu. Parecia não estar ouvindo o que ela dizia. – James?

Os fones! – Albus gritou, impaciente. – Tire os fones!

James? – Lily arrancou um dos fones do ouvido dele. – Vem jogar!

Tire suas mãos daí, garota! – ele gritou, assustando-a. – Eu não quero participar desse jogo idiota! Tenho coisas mais importantes para fazer. – deixando todos boquiabertos, James abriu caminho pelos estudantes e desceu, sem olhar para trás.

Mas o que deu nesse garoto? – Harry perguntou, indignado.

Ele anda estranho pai, mas não é o que importa agora. – Albus respondeu, gravando na mente a cara espantada da irmã.

Droga! – Hugo bateu a mão fechada na palma da outra. – E agora?!

Rose! – Albus exclamou. – Rose! Você pode jogar!

O quê?! – ela arregalou os olhos. – Ficou maluco, Albus? Eu?

Você! Você voa super bem! – ele insistiu.

Albus tem razão! Você voa bem Rose! Sempre jogou com a gente lá n'A Toca! Você sabe jogar!

Não... – Hugo balançava a cabeça, incrédulo. – Ela não sabe jogar!

Sei sim! – ela se levantou, ofendida.

Então vamos! – Albus estendeu a mão para ela. – Você pode usar a vassoura da Corine. Deve ter um uniforme sobrando.

Meio insegura, Rose segurou a mão de Albus e montou na vassoura dele. – Não sei não...

Boa sorte, Rose! – Harry sorriu. – Sua mãe vai ficar admirada!

Acho que o meu i pai /i vai ficar mais admirado, padrinho! – ela sorriu.

Rose estava meio trêmula, mas aceitou o desafio, principalmente diante da incredulidade de seu irmão, que ainda estava boquiaberto.

Não acredito, Weasley! Você vai jogar? – César correu em direção a ela no vestiário.

Sai César! – Lily gritou. – Ela tem que se trocar!

Mas... Mas você sabe jogar?! – ele ainda ficou na ponta dos pés e gritou para dentro do cômodo.

É... Acho que sei! – ela falou lá de dentro, insegura.

NÃO É JUSTO!

ISSO É MARMELADA! – a torcida verde e prata gritava, enquanto todas as outras comemoravam.

Caramba... – Rose entrou no campo e teve, pela primeira vez, noção do que seus primos e irmão diziam sobre entrar num jogo e ter todas as pessoas te olhando ou gritando seu nome. – Eu não levo jeito para essas coisas, gente.

Não se preocupe! – Hickman passou ao lado dela e falou: - Basta o Potter pegar o pomo! – em seguida deu impulso e ganhou os céus, pronto para recomeçar a partida.

Meu Deus... – ela montou a vassoura e também ganhou os céus.

Sobrou para mim... – Albus reclamou. – De novo.

O jogo recomeça. Agora com Rose Weasley, minha prima, substituindo Corine Creevey. FORÇA ROSE! Goyle sai com a goles, mas Rodriguez está atento, um balaço certeiro faz o grandalhão se desequilibrar, e Potter está por perto. Potter com a goles, Tyndall se aproxima perigosamente, o bastão em riste, BATEU! - a torcida fez ooohhhh. – GRANDE OTERO! Ele rebateu com força. Um dos balaços está fora do jogo galera. Potter continua com a posse, mas Goyle e Morgon não desistem! Eles vão cercá-la! Potter lança a bola para Hickman, mas ele está muito marcado! Politzer rouba a bola, mas WEASLEY SURGIU DO NADA!!! – ele quase teve um treco. - VOCÊS SE ESQUECERAM DELA?!!! - ele ria com vontade.

Weasley! O jogo!

Claro professor! Weasley rasga o céu com a goles em baixo do braço. Quem diria que nossa priminha CDF era boa de bola! – muitos ruivos acenaram e gritaram das arquibancadas. – Mas é hora de passar, priminha! Weasley para Potter, para Hickman.Vai perder! Boa chegada Potter! Mais uma vez com Weasley, Potter, acho que é uma tabela! Weasley, Potter. Flint não vai ter chance! Weasley, Potter, Weasley GOOOOLLLLL!!!!!!! Grifinória 50, Sonserina 30, mas o que é aquilo? – ele se levantou para ver melhor, muitos outros o imitaram. – POTTER VIU O POMO!

Rose se distraiu nessa hora, curiosa para ver como o primo reagiria numa situação real, com outro apanhador de verdade e com muitas pessoas vendo e torcendo.

POTTER! POTTER! POTTER! – ¾ da torcida gritavam.

MALFOY! MALFOY! MALFOY! – o outro 1/3 se manifestou.

Era a chance de Albus provar que era tão bom quanto todos esperavam, ou assinar em público sua carta de demissão. Ele viu o pomo voar muito perto do joelho de Tyndall enquanto ele se distraiu com a tabela de Lily e Rose. Sem pensar duas vezes ele inclinou o corpo e partiu em direção ao batedor, mas Scórpio percebeu a deixa. Seria uma batalha entre os dois, corpo a corpo, um contra um.

i "Essa você não vai levar, Malfoy!" /i – ele pensava. Scórpio colado com ele. – i "Nem pensar! Já levou a Rose, mas a vitória não!" /i – ele insistia.

Jogou o corpo para frente, estendendo o braço o máximo que pode. Scórpio fez o mesmo. Ele podia sentir o deslocamento de ar das asas do pomo, seus dedos eram tocados de vez em quando.

A arquibancada, e mesmo os outros jogadores, pareciam não respirar. Na verdade, a sensação que Albus tinha é de que só havia ele, o pomo, Scórpio e Rose...

i "Rose?" /i – ele se distraiu. – i "Por que estou pensando nela justo agora?" /i – ele se desequilibrou. Scórpio havia empurrado o braço dele para afastá-lo do pomo, agora tomava a dianteira. – Não mesmo Malfoy! – ele gritou.

Inclinou o corpo e jogou-o para cima de Scórpio, tirando-o da reta em que seguia. O caminho estava livre. Bastava esticar os dedos, o máximo que conseguisse novamente, Scórpio já se recuperara, era um ótimo piloto de vassouras. Ele se endireitou e os dois voltaram a disputar o pomo palmo a palmo, milímetro por milímetro e...

PEGOU!!! POTTER CAPTUROU O POMO! GRIFINÓRIA GANHOU!!!!

Ele nem acreditava. Havia se jogado para frente sem pensar em nada. Havia fechado os dedos em volta do ar, mas percebeu que o fechara em volta do pomo. A sensação era incrível. Todas aquelas pessoas gritando. Grifinória havia ganhado, seu pai estava vendo, ele era tão bom quanto James.

Aquela sensação de triunfo. Parecia até estar flutuando... Não. Não estava flutuando. Estava caindo! Abriu os olhos e se deu conta de que, tão entusiasmado ficou por ter pego o pomo, que se soltou da vassoura. Agora as pessoas gritavam, não de felicidade, mas de susto.

Ele sentiu uma fisgada no braço, na altura do ombro. Algo pressionava sua mão. Alguém o havia segurado.

Você é louco, Potter?! – Scórpio Malfoy segurou-o pela mão, amparando-o antes que se estatelasse no chão. – Você tem que pegar o pomo, mas não se esqueça da vassoura, cara!

Albus sentiu seus pés baterem no chão, com muito menos força do que esperava.

Hei, Malfoy! – Flint gritou de onde estava. – Era para você pegar o pomo, não o apanhador!

Você ta legal, Potter? – perguntou, sem dar atenção ao capitão de seu time.

Tô! – ele se reequilibrou e balançou o braço que havia sido puxado. Estava tudo ok. – Valeu Malfoy! De novo!

Não foi nada...

Albus seu louco! – Rose apareceu do nada e pulou em seu pescoço. – Você quase se matou! Você ficou maluco?!

Eu peguei o pomo, Rose! – ele exclamou, contente por ela ter abraçado-o, e não Scórpio.

Claro que pegou! Eu disse que você pegaria! – ela sorria.

Parabéns Albus! – Harry surgiu também e deu bons tapas nas costas do filho. – Mas nunca mais faça isso, filho! Se sua mãe estivesse aqui!

GRIFINÓRIA! GANHOU! GRIFINÓRIA! GANHOU!

A festa se estendeu até o salão comunal. Harry acompanhou o time até o quadro da Mulher Gorda, por quem foi cumprimentado com saudosismo, mas em seguida partiu para sua reunião com a diretora McGonagall e o diretor da casa em que seu filho estudava, Neville Longbotton.

Ninguém, a princípio, sentiu a falta de Lily na comemoração, ou de James, que estava sumido desde a pequena discussão na arquibancada.

Está fazendo o que aqui? – Scórpio a surpreendeu saindo pelos portões do saguão de entrada.

Ia até o pátio. – ela se virou e sorriu. – Ia ver se você estava lá!

Vai me cobrar os 10 galeões, Potter? Só porque perdi a partida? – ele se recostou no batente da porta, sério.

O quê?

Estou brincando! – ele se descontraiu. – Foi um bom jogo. – a puxou pela mão e a levou até o canto em que os dois sempre ficavam. – Mas para quem ganhou você parece estar bem desanimada, não?

Ai... – ela suspirou encostando-se na mureta em que costumavam ficar. – Eu perdi o Essência da Vida, Scórpio...

Perdeu o quê? – ele perguntou, confuso.

Aquele meu colar em forma de coração! – ela abriu os primeiros botões do uniforme. – Meu pai vai me matar!

Hum... Perdeu é? E quando? Foi hoje? – ele perguntou.

Não. Acho que foi lá em Hogsmeade...

Não se preocupe com isso, linda... – ele a abraçou. – Se é mesmo uma jóia de família alguém vai acabar encontrando e te devolverá, afinal, muita gente soube daquele colar quando seu pai o descobriu, não?

É, mas...

Mas nada! – ele a calou. – É melhor você voltar para o seu salão comunal. Vão sentir sua falta!

Tem razão... – ela se afastou, chateada. – Não está triste por ter perdido o jogo?

Decepcionado, mas vou sobreviver. – ele sorriu. – Não levo quadribol tão a sério assim.

Não vai ficar com raiva do meu irmão?

Foi só um jogo! A primeira rodada! – ele enfatizou. – Ainda tem muito chão, linda! Agora vá!

Tá bom... – ela falou. – Beijo! – beijou a palma da mão e mandou para ele, como se arremessasse uma bola de beisebol.

Ela caminhou, chateada, de volta à torre da Grifinória. Não se conformava por ter perdido a jóia de família que seu pai havia lhe confiado. Não conseguia nem curtir a vitória de seu time, ou o bom desempenho do irmão em sua estréia.

Aí está você! – Rose a surpreendeu quando ela estava próxima à entrada do salão principal. – Foi encontrar o Scórpio, não foi? Ficou louca?

Ai Rose! Que susto! – ela levou a mão ao peito, sobressaltada.

Estavam todos perguntando de você lá na torre. Está tendo uma festa! – e a puxou pelo pulso.

Eu já estava indo... – falou, desanimada, deixando-se puxar pela prima.

Que foi que houve? – ela parou, notando que havia algo errado. – Não me diga que você e o Scórpio brigaram por causa do jogo?

Não! – Lily recomeçou a andar. – O problema é que eu perdi o camafeu que meu pai me deu.

O quê?! – Rose parou novamente, já na porta da torre. – Quando?

Acho que em Hogsmeade...

Mas faz uma semana, Lily!

Eu sei! É que eu estava tão preocupada com outra coisa que nem notei!

O movimento era grande por ali. Vários alunos barulhentos passavam para lá e para cá, aparentemente alheios à conversa das duas.

O que pode ter te distraído Lily, a ponto de você não perceber isso?

É que o James...

Que tem ele?

O James me viu com o Scórpio...

Como assim viu?

Me viu! Lá em Hogsmead! Enquanto namorávamos!

Mas Lily! – ela se desesperou. – E ele não fez nada?

Essa foi outra coisa que eu estranhei, Rose. Acho que aquele dia perto da árvore ele não estava mentindo. Ele realmente está perdendo a memória!

Do que está falando?

Quando eu pedi para ele não contar nada para o meu pai, sabe o que ele disse?

Não.

Que não se lembrava de nada, Rose! James me viu beijando o Scórpio, mas não se lembra de nada!

O quê?!!!

Ai meu Deus! – Rose falou.

Albus?! – Lily exclamou.

Que história é essa, Lily Potter? Como assim beijando o Malfoy?

Albus eu... Eu posso explicar...

Mas não era a Rose que estava saindo com o Malfoy? – Hugo perguntou, confuso. Os dois haviam atravessado o buraco do retrato sem que as duas percebessem.

Não! – Rose falou. – Eu disse que não tinha nada como Malfoy, não disse? E não estava mentindo!

Então era você quem estava saindo com ele, Lily? – Albus perguntou, incrédulo. – E Rose a acobertava, e não o contrário.

Sim Albus! Eu estou saindo com o Scórpio desde o começo do ano. Nós trocamos cartas desde o meio das férias! – ela disse, tomada de coragem.

E você acobertou? – ele olhava para Rose, incrédulo.

Papai vai ficar aliviado! – Hugo falou.

Cala a boca, Hugo! – Albus gritou. – Lily, mas...

Você ouviu a parte realmente preocupante da questão, Albus? – Rose interveio. – Seu irmão está realmente perdendo a memória!

Eu não acredito nisso! Minha irmã namora Scórpio Malfoy e eu achando que era a Rose...

Albus! Escuta! – Lily tentou. – O James...

Não tente mudar de assunto, Lily! Você está namorando escondida! E com o Malfoy! Mesmo sabendo que nossos pais não aprovariam!

Por isso mesmo era escondido! – ela gritou. – Por que eles não aceitariam se soubessem!

E quando é que ficaríamos sabendo, Lily? Quando estivessem casados?

Os quatro se viraram, assustados. Harry estava parado atrás deles, com o semblante carregado, os braços cruzados e uma cara nada satisfeita.