Heero arrumou o restaurante, passou pano nas mesas e depois limpou o chão. Fazia algum tempo que não trabalhava como garçom. Não tinha nada contra a profissão, mas não gostava de ficar lidando com pessoas, ainda mais, quando existiam clientes como Willian. Não era do tipo que se ofendia facilmente, por tanto as ofensas do almofadinha não o incomodaram realmente, mesmo assim não deixava de ser desgastante lidar com seres tão desprezíveis. Apesar que se surpreendeu muito com a reação de Relena, mas estava tão cansado que esqueceu logo do ocorrido.

Tudo que o moreno fazia era bem feito, poderia ser qualquer coisa, simples ou complicado, ou mesmo coisas que nunca experimentou. Trabalhou com maestria, arrancando elogios do gerente do local, tanto que queria efetiva-lo e coloca-lo para trabalhar junto de Duo.

_ Obrigado pela oportunidade senhor. Mas eu não poderei aceitar. - polidamente recusou a oferta, até cogitou a ideia, mas trabalhar com Duo seria além de sua capacidade de tolerância. Também já tinha muitas coisas a fazer, várias pessoas humildes dependiam dele no prédio, sem contar que precisava se dedicar as aulas com Relena.

Se trocou e partiu, estava exausto, fazia algum tempo em que não dormia direito e quando conseguia conciliar o sono, Duo o interrompia. Sem o acréscimo de suas obrigações terem aumentado consideravelmente.

Assim que chegou a casa tomou um banho quente e se deitou, apagou instantaneamente.

Relena já havia se deitado, como se arrependeu de ter aceitado o convite. Sabia que aquele jantar era só o começo do tormento, seu passado estava de volta, se perguntava por que ele tinha de aparecer. Ele não era feliz com as várias mulheres que ele teve e com certeza, ainda tem. Lembrou-se de quando descobriu que estava sendo traída, foi uma dor tão grande, mas o que realmente a destruiu, foi saber que foram inúmeras vezes e com várias mulheres diferentes. Ele nunca havia sido fiel, nunca a amou de verdade. Embora o passado não pudesse ser apagado, felizmente não doía mais, mesmo assim, não o considerava alguém digno de se ter por perto.

Soltou um suspiro, cansada de pensar no passado focou em Heero, mesmo sendo uma pessoa de poucas palavras e até mesmo um tanto quanto frio, tinha um bom coração e ajudava os demais do jeito que podia. Poderia ter conhecido ele antes, não poderia? Poderia ter sido Heero no lugar de Willian. Ou será que ainda poderia ser assim.

- Heero…

Não demorou muito para que a jovem pegasse no sono, estava sendo assim nos últimos dias, acordava pensando no professor e dormia da mesma maneira.

A morena de olhos violetas saiu correndo do quarto, imaginando o que poderia ter acontecido. Antes de chegar à porta encontrou seu irmão no corredor, todo sujo de vinho.

- O que aconteceu?!

Teyuki se aproximou do irmão, preocupada, nunca viu uma expressão tão zangada antes.

- Me deixa sozinho? Estou nervoso agora, depois conversamos. Volte para cama. - tentou dizer em um tom brando. Depositou um beijo na testa da jovem e fora direto para o quarto.

O comportamento de Willian com Teyuki era um pouco estranho, sempre atencioso com ela, a protegia de maneira exagerada, os empregados achavam esquisito porque conheciam o chefe que tinham. O que despertava rumores cruéis sobre o relacionamento entre os meios-irmãos. A moça sempre foi malhada pelos funcionários da casa.

A jovem ficou parada no corredor, sem saber o que fazer. Devia ignorar o que Willian lhe pediu e ir atrás dele ou deixa-lo sozinho? Sabia que ficaria bravo, mas resolveu por ir vê-lo. Não poderia deixa-lo sozinho, alterado do jeito que estava.

Antes de entrar no quarto pôde ouvir barulho de coisas se quebrando, preocupada abriu a porta sem pedir licença.

_ Aquele garçom miserável acabou com meu encontro!

_ Maninho, calma! - Teyuki gritou para que ele parasse de quebrar as coisas. - Me fala o que aconteceu…

Willian virou-se para porta e viu o rosto aflito dela, aquilo o acalmou o suficiente para parar de gritar.

_ Não te falei para ir deitar?

_ Dá para ouvir você gritando e quebrando as coisas de longe…

Dando-se conta que tinha destruído quase tudo que tinha no quarto, sentou na cama, realmente precisava se controlar, não poderia se irritar tanto por causa de um encontro que não deu certo. Afinal, Relena voltaria para ele cedo ou tarde e precisava mostrar que era um homem diferente, estava disposto até mesmo casar-se com ela.

Depois que Relena saiu do restaurante, ele foi atrás dela, ia tentar acalma-la, porém ela já tinha partido em um taxi, ficou pensando se devia ir até a casa dela, foi até metade do caminho, mas preferiu se acalmar antes de falar com a moça.

Na manhã seguinte Relena levantou cedo e logo se arrumou para a aula prática. Segundo Heero devia usar um tênis, então se vestiu bem à vontade, um shorts curto, jeans azul claro e uma blusinha preta de alça fina, justa ao corpo. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto, como estava calor e o Sol parece que estava escaldante pegou seus óculos escuros e passou protetor solar. Pra finalizar, escolheu um par de brincos pequeno e se perfumou como sempre.

_Bom dia, Noin!

Cumprimentou a governanta ao vê-la entrar no quarto, com o intuito de desperta-la, mas para a surpresa desta, ela já estava arrumada e parecia muito bem disposta. Apesar do encontro com Willian ter sido desgastante e chato, ela iria ver Heero. Aquilo era o suficiente para animar seu dia. Também precisava pedir desculpas a ele, e se ele tivesse tido problemas por culpa dela no trabalho?

_ Vejo que está de bom humor. - Noin sorriu ao vê-la alegre, temeu que a visita de Willian a fizesse ficasse depressiva novamente.

_ Por que não estaria? - Relena sorriu. - Bom, vou descer, daqui a pouco Heero vai chegar e sei que ele detesta esperar!

Assim que a loira terminou de descer as escadas escutou o interfone tocar, devia ser o porteiro avisando que Heero havia chego.

Relena se surpreendeu quando abriu a porta e ao lado de Heero estava Duo todo sorridente.

_ Bom dia Relena! - Duo já estava dentro do saguão. - Soube que hoje você vai começar a dirigir e vim te dar apoio moral e dicas! – piscou um olho pra ela.

_ Você vai ficar calado, ou eu te jogo pela janela do carro.

Heero exalou seu mal humor. Recriminou-se mentalmente por ter dito ao americano sobre as aulas práticas. Já devia ter aprendido que quanto menos Duo souber das coisas menos ele se estressaria.

_ Oh rapazes, por favor… - ela sorriu com a discussão entre os amigos. - Sejam bem vindos, entrem.

Duo colocou a mochila no sofá da sala foi se sentando bem à vontade, enquanto Heero, ainda entrava no lugar. O trançado sempre se sentiu confortável na casa de quem ele considerava amigo.

_ Lena, eu acordei muito cedo, posso assaltar sua geladeira?

_ Mas é um folgado mesmo. - Heero não acreditava como ele era cara de pau, sempre foi assim. Já devia ter se acostumado.

_ Por que não aproveita que o café da manhã ainda está na mesa? - a loira ainda não havia comido nada, mas teve receio de falar isso para o professor e desagrada-lo.

_ Vamos aproveitar, então! Estou morrendo de fome! - Duo não deu brecha para o amigo reclamar. Até porque, notou que a amiga ainda não tinha tomado café.

Heero apenas seguiu o amigo, resignado. Notou como Relena sempre ria e sorria quando Duo estava por perto, não queria admitir que ele fosse divertido, e mesmo se estressando quase que diariamente com o jeito espalhafatoso, apreciava a amizade do rapaz que o conhecia há anos. Mas, o que realmente lhe chamava a atenção era o sorriso doce e sincero dela. A moça era o oposto das pessoas ricas que ele conheceu.

Os três se sentaram a mesa e Heero bebeu café preto puro, enquanto o trançado e a loira tomavam um café da manhã com bom apetite, Heero apenas observou a conversa descontraída entre os dois. Ele que já havia comido, ficou a espera com ar de tédio.

Cléo continuava deitada, não estava animada para levantar. Só de pensar que dali uns dias iria encontrar com seu futuro noivo lhe revirava o estomago. Já havia decidido que não casaria, não importava o que tivesse de fazer para acabar com aquele circo, como gostava de chamar o noivado.

_ Cléo, vamos levanta. - Hadja foi chamar a irmã, ainda tinham muitas coisas para fazer, e uma delas era preparar um plano anti-casamento.

_ Não to muito afim… - a ruiva cobriu o rosto com a coberta, sabia que tinha de levantar tinha compromissos como trabalho e um almoço de negócios. Mas ainda não tinha digerido aquela informação, nunca imaginou que seu pai fosse lhe oferecer como um "contrato".

_ Se você ficar deitada não vai mudar nada, agora levanta daí que temos um casamento para destruir... E é o seu! – A morena retirou a coberta de Cléo e começou a puxar o pé da irmã para tira-la da cama.

_ Certo... Estou levantando! - Rendida, ela foi se arrumar, ia fazer as coisas como sempre fez, ou pelo menos iria tentar.

Hadja ajudou a irmã a se arrumar, sempre andavam juntas, e tinham gostos parecidos, apesar de Cléo ser um pouco mais extrovertida e que Hadja. Ambas tinham um bom humor invejável, porém Cléo se destacava em seu jeito juvenil, espoleta. Enquanto Hadja tinha um humor mais acido, irônico.

_ Hoje vai ser um longo e dia… - a ruiva se olhava no espelho que ficava em sua penteadeira. Estava com olheiras porque não dormiu nada durante a noite, pensando no pesadelo que estava vivendo. Imaginava como devia ser o seu "futuro marido". Devia ser um velho, com o pouco cabelo que tinha, branco, além de pançudo e mal cheiroso. Pensar naquela hipótese deixava a garota com calafrios. - Esse casamento não vai acontecer! Não mesmo! - Cléo levantou da cadeira abruptamente.

_ Calma! Fico feliz que tenha acordado… Mas poderia não destruir os móveis, por favor. - a morena riu da forma que a irmã mais nova derrubou o banquinho, que era conjunto da penteadeira e entrou no banheiro batendo a porta.

_ Desculpe!

Gritou de dentro do banheiro, rindo divertida. Aos poucos o sorriso voltava para os lábios de Cléo, assim como a tensão de ira desaparecia do ambiente.

Trowa estava perto da escada principal da casa, situada no meio do hall de entrada da mansão, esperando que seu chefe descesse. Logo mais ele iria sair para trabalhar, e já estava quase na hora da troca de turno de segurança.

_ Bom dia! - Teyuki descia as escadas, sorridente. O mesmo sorriso que vira no aeroporto, contagiante e doce.

_ Bom dia. - Trowa respondeu, porém sua expressão era a mesma. Taciturna.

_ Trowa, por favor, você avisa meu irmão que eu vou sair? Irei visitar uma amiga!

_ E o seu segurança?

Questionou. Sabia que a moça não tinha permissão de sair desacompanhada, e não queria enfrentar a ira do chefe. Teyuki não queria sair com o seu suposto segurança, mas como não tinha escolha.

_ Está lá fora com o carro! Eu volto depois do almoço. - a garota acenou com a mão e saiu apressada.

Assim que fechou a porta, dois empregados que estavam por perto começaram a cochichar.

_ Eu a vi saindo do quarto do senhor Willian quase três horas da manhã, estava só com uma camisola minúscula! Aposto que ela e o chefe estavam se divertindo…

_ E você acha que ela foi visitar amiga? Foi dar por aí...

_ Vocês não têm mais o que fazer além de ficar falando da vida dos patrões?

O segurança interrompeu as duas empregadas, falou firme e podia-se sentir certa irritação na voz. Tinha como característica, a discrição e odiava os intrometidos. Mas sem esperar uma resposta foi até ao pé da escada ao ver Willian descendo.

_ Vocês duas estão despedidas.

Willian ouviu aquele comentário e sentiu sua ira crescer. Sabia que os empregados falavam de sua irmã pelas costas, mas não poderia demitir ninguém sem antes confirmar os culpados. Mas também não imaginava que tipo de coisas falavam e aquilo era muito pior do que ele temia.

_ S-senhor… Nós… - a empregada não sabia o que dizer, sentia-se apavorada não podia perder o emprego.

_ Nós o que? Eu ouvi cada palavra que vocês disseram, estão insinuando que eu e minha irmã estávamos transando ontem à noite... E que ela é uma vagabunda. Ou eu estou errado?

Trowa observava sem demonstrar qualquer reação, geralmente achava Willian um arrogante e um pouco estúpido, mas daquela vez não poderia tirar-lhe a razão. Estavam denegrindo a imagem de uma garota que mal conheciam e gratuitamente, apesar de não saber o que a Teyuki foi fazer no quarto dele durante a madrugada, o pouco que viu da jovem, não lhe demonstrava ser uma qualquer. Não acreditava que os dois pudessem ter um caso, apesar de Willian ser um mulherengo não iria transar com a própria irmã, iria?

Até porque o pouco que viu notava que seu chefe tratava aquela menina diferente das outras pessoas, era sempre com muito respeito e carinho, aquelas fofocas não pareciam ter fundamento. Eles tinham sim um carinho especial, mas ele nunca poderia julga-lo diferente do fraterno.

_ Eu não quero ver mais a cara de vocês... Vocês tem uma hora para arrumar suas coisas e vazarem daqui. E se considerem com sorte por eu não abrir um processo de danos morais contra vocês. - Terminou de falar Willian e saiu de casa, tinha muito trabalho a fazer.

Trowa se adiantou em abrir a porta de saída para o chefe, e em seguida a do carro. Entrou no carro e saiu apressadamente dali.

Ao terminarem o café da manhã, o trio foi para a garagem da mansão. Em meio a uma grande quantidade de carros zero km, um Volvo v40 2014 de cor branco com detalhes em preto se destacava, brilhando, nunca havia sido usado. Miliardo deu de presente para Relena e ele seria usado para as aulas práticas.

Entraram no carro, os bancos eram de couro branco, assim como a maior parte interna, espaçosa, do veículo. Heero me posicionou no banco do motorista e quase esboçou um discreto sorriso ao ver a tecnologia do transporte. Realmente era uma ostentosa e gratificante aquisição.

Duo por sua vez não se conteve e ficou todo animado com o carro, comentando sobre o aparelho de som, o couro, as qualidades, o poder do motor, fazendo com que Relena corasse com o entusiasmo do amigo. Mas, por outro lado, o que mais o deixava empolgado, era o fato de que por primeira vez iria ver Heero dando aula. Estava contando os dias para a amiga tirar sua carta e eles poderem, finalmente, sair para se divertirem os três juntos.

Heero começou explicando o básico como os pedais, volante, como se deve ligar e sair com o carro…

_ Alguma duvida? Entendeu até aqui?

Perguntou Heero, olhando atenciosamente para a moça a seu lado, quem sustentava o olhar do moreno com demasiado apreço.

_ O que acontece se eu não pisar na embreagem para trocar de marcha?

Duo como sempre, se fez presente, fazendo perguntas no lugar de Relena, fazendo com que a loira abrisse um doce e largo sorriso para o amigo de trança, mas não comentou nada, só observou a expressão de tédio que o professor fez.

_ Não estou dando aula para você Duo.

Heero se arrependeu de tê-lo trazido. Como diz frase: "se arrependimento matasse", ele teme que já estivesse morto há anos, provavelmente logo em seguida que conheceu o de trança.

_ As minhas duvidas podem ser as dela também! - Se defendeu.

_ Prefiro ouvi-la perguntando, do que você... Mais uma palavra eu te jogo do carro e te atropelo!

A voz glacial de Heero não demonstrava nenhum sentimento, mas pelo olhar que dirigiu ao amigo, Duo soube que o melhor era se calar no momento.

_ Tá bom, tá bom! Minha boca é um tumulo! - respondeu se encolhendo no banco do carro. – Mal humorado. Sussurrou mas, o casal da frente pode ouvir.

Relena suprimiu um sorriso de diversão, mordendo o lábio inferior. Achava divertida a relação dos amigos, não conseguia se lembrar de nenhuma vez em que não discutiram ao estarem juntos. Aquilo lhe falava muito sobre um companheirismo de verdade. Deviam se conhecer a muito tempo. Heero não deixou escapar nenhuma reação da moça, até mesmo sem que ela notasse estar sendo analisada. Ele terminou de mostrar os comandos básicos para ela e ela se esforçou para decorar tudo.

_ No começo você vai sentir dificuldade, é normal. Só não entre em pânico.

O moreno alertou, ao notar a expressão confusa da loira. Sabia que poderia ser complicado dirigir pela primeira vez, mesmo que ele próprio não se lembrasse de ter dificuldades. Mas, não se considerava um bom exemplo a ser julgado, afinal começou a ser treinado desde cedo, aprendeu a pilotar um gundam desde muito novo, e para quem conseguia comandar aquele robô, dirigir se tornava um brinquedo de criança.

Relena trocou de lugar com o instrutor, enquanto ele abriu a porta e deu a volta no carro, para entrar no banco do passageiro, ela pulou o cambio e o freio de mão, se instalando no banco do motorista. Estava um pouco insegura, suspirou algumas vezes tentando se acalmar, enquanto apertava seu cinto e via como os outros dois no carro a imitavam. Heero era um ótimo professor, ela só desejava que fosse uma ótima aluna.

Ligou o carro, e ficou feliz por ele não ter "morrido", concentrou-se em qual o segundo passo que deveria tomar, e ligou a seta para o lado esquerdo, fazia tudo sob o olhar silencioso e vigilante de Heero. Pisou na embreagem e engatou a primeira marcha, tentou "sentir" o carro, que fora a dica que o Heero deu, não devia ter uma demora grande para pisar no acelerador. Surpreendeu-se, com alegria, que definitivamente havia se tornado uma boa aluna, pois sem dificuldade, pois o carro em marcha saindo a sua esquerda.

Ela estava indo bem, aprendendo a controlar o carro calmamente, ainda faltava aprender usar a marcha ré, mas isso ficaria para outra aula, junto com a baliza.

Era por volta do meio dia quando Heero decidiu encerrar a aula. Já haviam se passado três horas que estavam dentro do carro, e para uma primeira vez, já havia sido um tempo exagerado, mas ele não se atreveu a interromper a aula antes, já que notou como ela se empenhava e ia relaxando com o passar do tempo.

_ Continue assim Lena que logo, logo você vai levar a gente para jantar fora! - Duo finalmente abriu a boca e já estava do lado de fora do carro, se espreguiçando.

_ Espero que esteja certo Duo...

Relena sorriu timidamente, imaginando onde gostaria de ir assim que tirasse a carta, porque depois que acabassem as aulas, teria um teste para passar, mas não seria Heero que o administraria. Apesar de ser uma pessoa socialmente importante, faria a prova como as pessoas comuns, a diferença era que seria uma prova particular.

Foi sugerido que pagasse pela carta, assim não teria de fazer o exame, mas Relena recusou fazer qualquer coisa desse tipo, afinal, tinha confiança que iria passar, e mesmo que não, poderia ter mais aulas com Heero, assim pensou.

_ Eu preciso ir urgente ao banheiro! E quando voltar vamos sair para almoçar, e não aceito não de resposta, de nenhum dos dois!

Duo disse apressado, e logo entrou na mansão. Relena aproveitou que os dois estavam sozinhos e resolveu que iria tentar falar sobre Willian para Heero, devia uma justificação a ele.

_ Heero, me desculpe por ontem… Devo ter causados problemas a você.

Ela sentiu as bochechas corarem fortemente, enquanto desviava os olhos dos dele, para suas mãos, inquietas. Ele a observava, atentamente, escondido atrás das lentes escuras de seu óculos aviador.

_ Não me causou nenhum problema. Na verdade... Eu achei bem feito e até divertido. Não gostei dele.

Heero resolveu ser sincero, aos poucos se abria para aquela mulher que estava a sua frente, mesmo que fosse de maneira inconsciente. Aquilo o surpreendia interiormente, mas não o incomodava, por alguma razão. O que realmente o incomodou, foi vê-la com aquele ser na noite anterior. Ela ficou mais animada com a resposta dele e resolveu continuar.

_ Ele veio me atormentar depois de um ano... Perdi a cabeça naquela hora. Fico feliz que não tenha te causado problemas… Não sei o que ele quer comigo.

_ Posso imaginar... – as palavras dele, chamaram a atenção dela, mas antes que pudesse responder, ele completou. – Falando no individuo.

O moreno viu Willian saindo do carro em frente à mansão. Bufou, realmente não gostava daquele rapaz. E pelo que entendeu Relena também não, não soube explicar, mas sentiu-se aliviado.

_ Ai não! – ela reclamou e revirou os olhos.

Assim que Willian avistou Relena foi em direção a ela, notou que ela estava acompanhada, mas como ele estava de boné e óculos escuros não reconheceu como o indivíduo que estragou o seu encontro. Vê-lo conversando com a loira o fez sentir ciúmes, ainda mais que os dois estavam encostados na porta do carro, bem próximos e pareciam estar tendo uma conversa intima.

Willian desconhecia o fato de que Relena estava tendo aulas de direção, e como nunca havia visto aquele carro antes, supôs que pertencia ao rapaz que a acompanhava. Conhecendo o valor do veiculo, julgou que Heero seria alguém da alta sociedade, o que o tornava um rival a altura pelo coração da moça.

Porém se fez de desentendido e se dirigiu a ela com um sorriso.

_ Bom dia, Leninha! Eu vim me desculpar por ontem… E te trouxe um presente… Queria ter entregado ontem, mas acabou acontecendo aquilo…

_ Willian... – começou tentando soar calma. - Não estou interessada nas suas desculpas, nem no seu presente. – Mas, logo sua voz começou a se tornar irritada. - Você não se manca, não? Não basta o que me fez há um ano? - Relena fava entredentes, foi ríspida.

_ Aquilo foi um erro e eu quero concertar. Vamos sair para almoçar, tenho muito que falar pra você!

Relena colocou a mão no rosto, estava estressada e cansada por causa dele, não sabia o que fazer para ele deixar de incomodá-la.

_ Sinto lhe informar, mas você chegou um pouco tarde. Nós já estamos de saída, vamos? Ela vai almoçar comigo.

Heero enfatizou a ultima palavra e dirigiu seu olhar para a loira. Não sabia o que estava fazendo, mas como pareceu que Willian não o tinha reconhecido, e ela estava, visivelmente, incomodada com a presença do indivíduo, acabou falando aquelas coisas sem pensar direito, o que era incomum tratando-se dele.

A jovem arregalou os olhos, surpresa com a atitude do professor. Não entendeu na hora, mas era a chance de ficar mais tempo com Heero e de se livrar de Willian, então sem pestanejar, entrou no jogo.

_ Ah, vamos! - disse com um sorriso genuíno, sentiu-se incrivelmente feliz por Heero tê-la convidado.

Heero deu a volta no carro e abriu a porta do passageiro para ela entrar, sem demora ela o fez. Depois, com a chave em mãos, subiu do lado do motorista e dando uma ultima olhada para o playboy, ligou e saiu rapidamente da mansão, sob o olhar assombrado de Willian.

_ Quem é aquele…

Com raiva ele voltou para dentro do carro e seguiu para o escritório, morrendo de ódio e ciúmes. Precisava descobrir quem era o moreno que levou a sua Relena para almoçar, e precisava separa-los urgentemente.

Duo saiu do banheiro e foi para o carro. Arregalou os olhos e abriu a boca ao notar que não já não havia ninguém. Por um minuto se sentiu ultrajado, depois sorriu de forma maliciosa, se perguntando se havia perdido algo entre os dois. Mas, por fim, a fome o superou e voltou para dentro da mansão de novo, pensaria nisso depois.

_ Fabi, faz um rango para mim?! – Gritou animadamente.

Continua...

N/A – Ai pessoal! Demorei? Olhem pelo lado bom, pelo menos não foram mais cinco anos! He He He

Primeiramente obrigada Lica por betar e ser a co-autora dessa história, você dá o charme que a fic precisa ;)

Também as meninas que sempre me apoiam!

Espero que tenham gostado do capítulo e até a próxima!