Ufa! Até que enfim! Deu um trabalhinho mas finalmente chegou. O próximo está quase pronto, não deve demorar.
Mais uma vez obrigada a:
Sadie (que dispensa apresentações, grata, por tirar leite de pedra e dar uma olhadinha no texto)
Reggie Jolie autora de Of Elves and Humans(Em português, apesar do título internacional...)
Gessi - Ane Sekhmet ( esperamos ansiosamente que os dias turbulentos de provas lhe concedam uma trégua para atualizar 'As Areias do Tempo')
Dani ( Que se propôs a atualizar sua "Se Você Partir", uma história cheia de surpresas e sustos deliciosos, que a inspiração não tarde!)
Vindalf Dvergar, que tem compartilhado comigo essa paixão pelos khazâd. Suas fics O Problema Com Kili e O Mundo de Acordo com Dis são minhas preferidas!
Marina, querida Marina, como esquecer de você? Beijos mil! E obrigada pelas postagens que sempre me inspiram!
Para você também, Marcela, que o ffnet não permite que deixe reviews, mas que sempre encontra um jeitinho de me inspirar!
Gilda H, você sumiu hem, mellon! Não pense que não senti sua falta!
Danda, obrigada por começar a ler a fic e parabéns por sua longa lista de publicações.
Gostaria de mandar um abraço especial à minha querida Myriara, minha eterna mestra, da qual sou fã incondicional. Sua Trilogia com Haldir e Darai é insuperável. Que Mordor não a mantenha por muito tempo longe de nós.
Todas as fics indicadas estão nos meus favoritos. Cliquem e confiram que vale a pena!
Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.
Reviews! Please! Deixem-me saber o que acharam. Sugestões, críticas, impressões e questionamentos serão vistos com carinho e respondidos no menor tempo possível.
Após haver deixado de forma inesperada a sala onde o almoço fora servido, Frigga se encaminhou até o lugar onde, tantas vezes, se recolhia a fim de refletir. O rol estava vazio, como de costume. Do início do corretor, com a mão apoiada na parede, fitava a tela que jazia em seu final. A princesa venceu lentamente a distância que havia entre ela e arte pendurada na parede antiga. A pintura feita em tamanho original chamava a atenção de quem passava pelas proximidades, contudo, apesar da decoração bem cuidada e do estado de limpeza impecável, o local não era muito frequentado. As poucas portas encontradas ao longo do corredor levavam a cômodos dantes utilizados somente pela antiga Senhora das Colinas de Ferro: Nira, cujos cabelos cor-de-fogo emolduravam o rosto reproduzido na arte que adornava a parede.
Frigga aproximou-se, mirando o quadro com uma devoção ímpar. Um trabalho primoroso. As mãos da jovem percorriam o pescoço da mãe em um movimento contínuo. Uma tentativa de alcançar o passado. De conceder uma última carícia àquela cujas mãos tantas vezes lhe afagaram o rosto. E a alma.
Os sentimentos que a absorviam em ocasiões como aquela, onde um mergulho no passado fazia-se inevitável, pareciam conduzi-la a um mundo apenas seu. Em tal lugar escondido no íntimo da jovem, mãe e filha encontravam-se novamente e se davam ao direito de rir e conversar como dantes, durante tanto tempo quanto a princesa pudesse dispor. Contudo, vezes havia em que a interrupção de tal colóquio era inevitável.
O khuzd que, no início do corredor, mirava a cena, tinha diante de si a impossível tarefa de tentar adivinhar qual seria a expressão no rosto da princesa. As novas informações que recebera durante a refeição deram-lhe um vislumbre da razão pela qual Frigga pensava e agia de forma tão diversa.
Thorin observava curioso. E também com um certo receio. Palavras não eram o seu forte. Na verdade, poucos filhos de Mahal, Balin estava entre eles, poderiam sentir-se confortáveis em tais situações. Todavia, o anão mais velho não se encontrava no palácio e o herdeiro de Erebor não poderia contar com seu toque sutil.
O príncipe aproximou-se cuidadosamente.
- Incomodo? – indagou.
A princesa olhou para trás, surpresa por ser tirada de seus pensamentos.
- Não – respondeu incerta sobre o que deveria dizer – lamento ter saído daquele jeito...
- Não é necessário que se desculpe – disse erguendo a mão – Tal hábito não deve tornar-se uma constante entre nós. Vim apenas dizer que estou de partida.
Frigga franziu o cenho.
- Algo errado? Não é costume partir ao raiar do dia aproveitando um maior período de luminosidade?
- De fato, entretanto Balin me perguntou sobre a possibilidade de visitarmos alguns conhecidos seus antes de retornarmos a Erebor. Estes residem em um pequeno vilarejo próximo ao rio a algumas horas daqui. Lá pernoitaremos antes de tomarmos a estrada principal.
- Entendo... – balbuciou Frigga, de certa forma surpresa pela demonstração de simplicidade de seu futuro marido. Hospedar-se em um vilarejo a fim de atender ao pedido de um amigo era uma atitude, no mínimo, digna de nota, vinda de que vinha.
O filho de Thrain não sabia por que, mas não queria ir embora tendo como últimas apenas aquelas palavras suas.
- Eu a aguardarei para a cerimônia – disse propondo um diálogo
- Tenha uma boa viagem. Estarei lá no dia acertado.
- Isso seria uma surpresa, pois devo admitir que nunca uma anã me deixou esperando tantas vezes como você logrou fazê-lo – comentou com voz firme, porém desprovida de críticas.
Frigga estreitou levemente os olhos tentando adivinhar o que ia pela mente de seu interlocutor. Que intenções poderiam estar guiando aquela trégua aparente. Sim, pois pelo que conhecia de si mesma e levando em consideração o pouco que já descobrira sobre seu noivo, Frigga estava certa de que uma trégua seria o máximo que poderia esperar antes que já estivessem novamente envolvidos em outra discussão.
O anão encarou a princesa ainda por algum tempo antes de se ver atraído pela figura por trás da mesma. Os olhos masculinos pousaram por sobre a tela mirando-a mais atentamente. A semelhança era inegável, assim como o bom gosto da dama por ela retratada.
- Sua mãe?
A princesa voltou-se novamente para o quadro que chamara a atenção do noivo.
- Sim – respondeu.
A jovem volveu a passar a mão por sobre o pescoço, ou melhor, por sobre o colar.
- Trata-se da única joia que eu realmente gostaria de possuir e, ironicamente, a única que me fora negada – disse a moça.
O príncipe aproximou-se da pintura, e de Frigga, naturalmente.
- Por quê?
- Foi levada... – a princesa interrompeu a fala ao se recordar do segredo de família.
- Na emboscada dos rakhâs?
Frigga olhou o anão agora atrás de si.
- Seu pai me contou. Não se preocupe. Não se trata de algo que comentarei sem sua anuência.
A princesa voltou a olhar a figura mais por constrangimento do que pela tela em si.
A mão do anão pousou próxima a dela como quem também desejasse tocar a joia.
- Como era esse colar?
Frigga, respirou fundo. Seu novo pretendente não era diferente dos outros. As conversas sempre girariam em torno das riquezas dos khazâd.
- Zigil*1- respondeu – chamava-se Kibil-nâla*2.
- Veio de prata... – repetiu Thorin intrigado com a beleza da peça.
- Costumava brincar com ele enquanto estava no colo de minha mãe. Às vezes ela o tirava do pescoço e colocava em mim. Dizia que eu a usaria quando...
- Quando...
A jovem baixou os olhos.
- Quando me casasse...
O príncipe silenciou por um momento, mais uma vez incomodado com o fato de aquela união ser mais um fardo do que qualquer outra coisa para a moça que o desposaria.
- Que pedras são essas?
- Safiras, rubis, diamantes, todas sustentadas pelos dois cordões de prata que serpenteavam o pescoço. Era uma joia alegre, colorida.
- Uma bela arte.
- Por certo...
O príncipe se afastou antes de se despedir.
- Bem, devo ir agora. Balin foi providenciar o necessário a nossa partida e já deve estar a minha espera.
- Por isso não esteve presente durante almoço?
- Sim.
- Gostei dele...
'Mais do que de você', foi o que Thorin imaginou que a princesa diria caso pudesse... E tal pensamento lhe deixou um gosto amargo na boca ante a lembrança da capacidade do amigo em conquistar a simpatia de todos. Ao contrário de si mesmo.
- É bom ter um amigo mais velho que o chame de volta à razão quando a mente já não consegue pensar claramente... – disse Frigga recordando-se de Davur – infelizmente, perdi o meu...
- Pois se quiser, minha jovem, esse khuzd estará sempre a sua disposição! – disse Balin revelando-se e arrancando um sorriso melancólico do rosto de Frigga.
Parecia que realmente só estava aguardando uma deixa a fim de manifestar sua presença.
- Está vendo, uzbad – disse o simpático Balin – acautele-se ou esse velho anão aqui vai acabar por lhe tomar a noiva!
- Pode sonhar o quanto quiser, meu caro – disse Thorin sem esconder um certo descontentamento,mais por haver sido surpreendido pela aparição do conselheiro do que pela provocação amiga. O herdeiro de Erebor não se agradava do fato de ser observado sem seu conhecimento, como supunha que ocorrera há pouco.
- Ora, ora, quanta rabugice – comentou com a mão no ombro do príncipe – até parece que o mais velho aqui é você e não eu – concluiu sorrindo. Contudo, o bom humor do mais velho não foi suficiente para dirimir a contrariedade de Thorin.
Frigga estremeceu. Pelo pouco que conhecia do noivo, algo em si lhe dizia que aquele tipo de comentário não agradaria ao jovem. Apesar do pouco conhecimento entre eles, lia nos olhos do noivo uma disposição para o conflito que, por certo, não seria tão facilmente contida.
- Traga seu machado e comprovaremos quem é o mais velho dentre nós – comentou o herdeiro de Erebor persistindo em expressar seu descontentamento.
- Então já se julga digno de medir forças com quem lhe ensinou a usar o machado? – indagou o mais velho com uma expressão levemente austera e levando as mãos às costas. O sorriso mitigado pela seriedade com a qual a pergunta fora feita.
Foi a vez de Thorin estremecer. Queria Balin como a um pai. Custava-lhe muito contrariá-lo, especialmente quando, por um motivo fútil como aquele, deixava-se levar por seu temperamento irascível. Baixou levemente os olhos antes de voltar a encarar o mais velho.
O conselheiro realmente conhecia o segredo de lidar com o jovem khuzd. E sabia como ninguém até onde utilizar a severidade ou o bom humor. Thorin possuía em si a ira dos valentes guerreiros e a sabedoria própria dos grandes reis. Fazia-se necessário apenas que aprendesse a hora e a forma correta da fazer uso de ambas. E era a isso que o velho anão se dedicava. O príncipe compreendera que passara dos limites tratando daquela forma um khuzd mais velho. Para Balin, foi o suficiente.
O mestre voltou a sorrir. Um breve silêncio se seguiu durante o olhar trocado entre o guerreiro mais velho e o príncipe da Montanha Solitária. Balin olhou para a princesa que presenciava, com certo constrangimento, o leve confronto.
- Não se preocupe, minha cara, nossas disputas são bem menos frequentes do que nossos bons momentos – comentou com a mão no braço do mais jovem que assentiu relaxando ao toque da mão amiga de Balin – e eu realmente hesitaria antes de desafiar a força de Thorin, filho de Thrain.
- Não mais do que eu em me confrontar com a habilidade e experiência de Balin, filho de Fundin – respondeu fitando o conselheiro com reconhecimento no olhar.
Frigga quedou-se enlevada diante da cena. A princesa descobriria, com o tempo, que os laços que uniam Thorin e Balin permitiam ao conselheiro liberdades ainda maiores do que aquela.
- Vamos, já está na nossa hora – determinou Thorin.
- Será ansiosamente aguardada em Erebor, minha cara – concluiu Balin.
- Façam uma boa viagem – desejou a princesa.
- Obrigada – respondeu o mais velho.
Thorin apenas assentiu.
Após a saída dos anões de Erebor, Frigga voltou a olhar a pintura da mãe.
À noite, Dáin recolhera seu corpo adormecido diante da imagem e colocara-o na cama, saindo do quarto depois de cobri-la. Sua irmãzinha. Seu maior tesouro. Thorin que se atrevesse a magoá-la.
*1Zigil: prateada.
*2Kibil-nâla: veio de prata
