9.E Agora?
Não havia nada para dizer sobre o dia, na opinião de Harry, nada era o que ele sentia, o que ele era sem seu Draco. Ele estava preocupado com seu namorado e seus amigos, estariam bem? Voltariam para Hogwarts? O moreno suspirou e abocanhou seu pedaço de torta. O almoço não era o mesmo sem o seu namorado do outro lado do Salão Principal, sorrindo maliciosamente para ele.
-Harry? -Hermione estalou os dedos na frente dele para chamá-lo a realidade- O que foi?
Ela o fitou, seu sorriso era meigo e convidativo.
-Ah, sei lá -Ele bufou- É que...
-Sente falta dele?
-Também.
-E?
-E eu estou preocupado. -Admitiu
-Porque? Harry, pense assim -Ela começou, ao notar que o moreno pretendia interrompê-la. - Ele está num local onde desde pequeno foi mimado e teve tudo o que queria? Porque se preocupar?
Harry pensou um pouco. E concluiu.
-Tem razão, obrigado, Mione.
Ela piscou e se retirou. Harry, na esperança de se distrair um pouco, foi a biblioteca. Uma ruiva e uma loira vinham apressadas em sua direção, exclamando:
-Harry! Harry!
Quando o alcançaram ele pode ver que eram Anne e uma garota... Parecia aquela que o apontara quando saiu de cuecas pela escola...
-O que foi, Anne?
-Eu.. e a... Marlene aqui... -Ela arfava- Entramos no dormitório masculino dos sonserinos -O que não deve ter sido difícil, Ele pensou, a loira é da sonserina- E achamos o 'L.N' do Draco!
-Quê?! -Harry questinou. E porque ela fazia aquela cara como se ele tivesse que saber sobre o que ela estava falando. - O que é isso?!
-É tipo um diário... Ah, leia você mesmo! -Disse a ruiva, entregando o livreto de capa dura para Harry e puxando a amiga.
Harry praticamente correu para a biblioteca. Ao chegar lá, arranjou um bom lugar longe das pessoas e começou a ler.
"Acho que me apaixonei por Harry Potter", "O perfume dele é maravilhoso. Fora a sensação de beijá-lo, Hmmm'', "Aquela vadia da Patil, beijando meu Harry..", " Ele é tão fofo, tão tímido.", "É uma pena, queria ter ficado mais tempo com minha cicatriz".
O sorriso no rosto dele era enorme, suas bochechas nunca ficaram tão vermelhas, porém teve uma frase que fez Harry pensar...
"Eu ouvi o Weasleybee, ou melhor, o Ron dizendo que amava o Blaise! E eles só namoram a... dois dias! Eu quis dizer isso ao Harry, mas ainda não estou pronto."
Aquele dia ele não estava pronto. Aquele dia. Mas e agora? Harry parara para pensar um pouco, para ser sincero nunca ouvira Draco dizer que o amava. Isso o chateou um pouco.
Talvez ainda não tivesse chegado a hora certa ou... Ou...
Harry sinceramente não sabia quais poderiam ser as explicações.
Levantou-se e caminhou a passos lentos para o seu Salão Comunal, numa desesperada tentativa de se distrair. Encontrou Luna no caminho.
-Olá, Harry Potter. -Ela disse, sem ao menos virar-se para ver se era mesmo ele.
-Como sabe...
-Sua cabeça, continua cheia de zonzóbulos. -Ela o olhou e sorriu. - Alguma razão para isso?
Harry pensou um pouco, com certeza Luna já deveria saber sobre ele e Draco, e, bom, estava com uma coisa queimando em sua cabeça.
-É que, sabe, Luna, -Ele começou, decidindo contá-la, afinal, Luna era muito esperta e podia dar bons conselhos, cabia a Harry decifrá-los. - Eu andei pensando e notei que Draco nunca disse que me ama...
Harry esperava que a menina o encarasse como se ele fosse louco por falar em tais assuntos com ela, mas ela sorriu gentilmente.
-E você?
-Hã? -Harry não compreendera.
-Você já disse a ele que o ama? -Luna perguntou, virando um pouco a cabeça para o lado, tornando a olhar o espaço vazio que encarara antes.
-Ahn... -Ele ainda estava um tanto confuso.
Ele ficou pensando, pensando e pensando, tentando recordar-se se alguma vez, nem que tivesse sido em meio um sussurro, já se declarou para Draco?
-Então vá dizer isso a ele. -Luna sorriu, assumindo que o silêncio dele era um não, e saiu andando.
Ela tem razão, pensou Harry.
O moreno correu pelo castelo inteiro, procurando por Anne e Mione, para ajudá-lo, encobri-lo. Para a sua sorte, encontrou as duas saindo de um banheiro, conversando empolgadamente.
-Anne! Hermione! -Ele correu para elas- Preciso de ajuda!
-Draco, querido -Narcisa entrou no quarto do loiro.
-Ah, fale mãe. -Ele se arrumou em sua cama, onde estava escrevendo em um pergaminho, já que esquecera o L.N. em Hogwarts.
-Vamos jantar. -Ela convidou.
-Mas e o papai?
Lúcio tinha ido ao Ministério da Magia, ele havia se acalmado um pouco, mas ainda olhava feio para o filho.
-Ele logo irá chegar, venha.
Draco e sua mãe desceram para a Sala de Jantar e começaram a refeição. Os olhos de Draco estavam vermelhos por chorar demais. Seu pai estava realmente chateado, e a culpa era dele, melhor, dele e do Harry. Sua mãe tinha sido um mar de rosas para ele, sempre o consolando; e ela gostava de conversar sobre o Harry. Mas ela havia avisado Draco, o Lorde das Trevas não podia saber, se não...
Um rugido alto, anunciou que alguém havia acabado de chegar na sala de estar deles, via pó de flu. Draco podia jurar que era o seu pai, até os elfos começarem a gritar "INVASOR, INVASOR!". Narcisa levantou em um pulo, a varinha em punho.
-Fique aqui. -Disse para o filho, se dirigindo para a Sala de Visitas.
Draco começou a tremer de medo, quem seria? Puxou a varinha, caso fosse necessário. Tudo ficou silencioso, o que era muitíssimo estranho. E então, alguém começou a se aproximar lentamente de aonde Draco estava. Ele se encolheu na cadeira, e preparou a varinha. Estava perto, muito perto.
-DRACO! -Um garoto moreno, alto, magrelo, cabeludo, com um cicatriz em forma de raio na testa e quatro-olhos gritou, Harry correu para o loiro, o puxando e agarrando. -Senti tanto a sua falta!
-MAIS QUE DROGA VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?! -Draco gritou, sorrindo e abraçando o namorado, bem apertado.
-Vim te visitar, como eu disse, eu estava com saudades! -Harry sorriu, tirando todo o fôlego dele.
Narcisa ria da expressão de surpresa no rosto de Draco. Ela nem se importou quando Harry deu um curto beijo em Draco.
-Ah, desculpe, -Ele pediu, olhando-a cabisbaixo e corando, Draco também corou, sorrindo constrangido para a mãe, o moreno acrescentou baixinho- Não consegui me controlar.
Draco estapeou o ombro dele, de leve.
-Vai ficar para jantar? -Narcisa perguntou, docemente.
-Adoraria. -Assentiu Harry.
Os elfos serviram o moreno.
-Hm.. Cuomo voc veio prarr cha? -Draco perguntou, de boca cheia, estava tão feliz em ver o namorado que ignorou as boas maneiras.
Harry, por outro lado, queria passar uma boa impressão à Narcisa, mesmo que ela já soubesse bastante sobre ele. Ele engoliu e falou:
-Hermione e Anne me ajudaram, elas mantiveram o distraído enquanto eu usava a lareira.
-E ninguém o viu? -Narcisa perguntou, curiosa.
-Harry já está cansado de fugir da escola, mamãe. -Contou Draco.
Narcisa arregalou os olhos, juntando invisíveis peças de quebra cabeça em sua mente.
-Mas eu sempre fico no meu dormitório, quietinho, quentinho, no meu lugar. -Draco logo acrescentou.
-Sei. E onde pretende passar a noite?
-Eu ia pedir a senhora que me deixasse ficar até o meio da noite, já que eu deixei a rede de flu aberta por lá, assim eu posso ir no meio da noite, que não haverá ninguém lá...
Draco o fitou.
-Você pode ser pego. -Ele comentou, seriamente- E se fecharam a rede de flu? Como você vai voltar?
-Nós podemos mandar uma carta à Dumbledore, avisando que Harry está aqui, para ninguém se preocupar. -Disse Narcisa. -Gostaria de ficar?
Harry trocou um rapido olhar com Draco, como se predisse permissão, o loiro retribuiu sorrindo largamente.
-Com cert...
Outro rugido na Sala de Visitas interrompeu Harry. Dessa vez não houveram gritos ou exclamações. Mas logo alguém alcançou a cozinha, tirando o casaco de viagem. Era Lúcio Malfoy. Ele ficou pálido de ver Harry Potter fazendo a refeição em sua sala de jantar, junto à seu filho e esposa. Começou a ficar vermelho.
-COMO OUSAM TRAZER ESSE GAROTO AQUI?! EU SABIA QUE ERA APENAS UMA QUESTÃO DE TEMPO ATÉ ISSO ACONTECER E...
-Hey, mano -Fred e George entraram no quarto do ruivo, que estava com as luzes apagadas e o garoto, embaixo das cobertas.
George puxou o cobertor enquanto seu gêmeo acendia a luz. Ambos sentaram-se aos pés da cama do irmão, que rangeu sob o peso deles.
-O quê? -Ron murmurou, com voz abafada pelo travesseiro em seu rosto.
-Vamos lá embaixo -Fred o cutucou.
-Não.
-Vai, cara.
-Não.
-Ron...
-Nem pensem nisso. -Ele alertou, sabendo pelo tom do irmão que provavelmente iriam enfeitiçá-lo ou..
-Pega ele, George!
Os gêmeos pegaram o irmão pelos pés e braços e o arrastaram escada abaixo, até a sala Ron lutou, mas não adiantou muito, então desistiu e realmente, se dexou levar.
Na sala de estar da família estavam Gina, Gui, Fleur e Sra. Weasley. Era impressão de Ron, ou todos estavam o fitando com esperança? A sentiu-se mal por ver o menino com os olhos vermelhos e o rosto inchado.
-Ron, querido...
