Chapter 8 - Compras.
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- As pastas com os financiamentos não estão aqui. Pegue no meu apartamento. – Eu falei, jogando as chaves para Alice. – Estão na segunda gaveta do criado-mudo do lado esquerdo da cama.
- Esquerdo? – Alice pegou as chaves no ar e me encarou, tentando se lembrar. – Segunda gaveta do criado-mudo do lado esquerdo da cama.
- Exato. – Concordei, sabendo que ela não se lembraria disso e possivelmente, fuçaria nas outras gavetas. – E coloque ração para Bruce!
Continuei com Ângela nas contas de despesas e lucros até que Alice voltasse, enquanto Rosalie resolvia algumas coisas no computador.
Depois de quase uma hora, Alice chegou com as pastas pretas nas mãos, tirando os óculos do rosto e os dependurando no decote do vestido.
- Finalmente. – Suspirei, pegando as pastas de sua mão. – Demorou demais!
- Você tem dois criados-mudos, quatro gavetas. Como eu ia saber em qual estava? – Ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Eu disse que era a segunda do criado mudo da esquerda, não disse?
Suspirei e revirei os olhos, analisando os números dos papéis que Ângela já estava encarando há algum tempo.
- Sabe o que eu encontrei na primeira gaveta do criado-mudo da direita? – Alice perguntou, sussurrando para nós.
- Ah, fala sério. Porque você abriu aquilo? – Eu revirei os olhos e me amaldiçoei por corar.
- Você provavelmente acha que eu estou falando da quantidade EXAGERADA de preservativos, mas não me referi a isso, ok? – Alice riu. – Estou falando que encontrei uma das coleiras daquele seu cachorro pulguento.
- Bruce não é pulguento. – Eu torci o nariz. – E eu aposto que essa coleira não estava lá. Aliás... Colocou comida pra ele?
- Sim. – Alice revirou os olhos e eu suspirei antes de me virar para ajudar Ângela. Era bom finalmente ter alguém que pudesse me ajudar.
- Ângela, eu tenho que te agradecer. – Comecei, tirando sua atenção dos papéis pra que ela me olhasse. – Sua ajuda tem sido muito boa pra mim. Olha só quantas pastas! – Eu apontei pra pilha não muito grande. – Provavelmente levaria mais tempo pra terminar tudo isso sozinha. Muito obrigada.
Ângela sorriu, encabulada.
- Poxa, Bella, eu que agradeço. – Ela sorriu. – A companhia de vocês é ótima.
Eu sorri e nós voltamos a encarar os números em silêncio. Ângela começou a tiquetaquear uma caneta e de repente me encarou, séria.
- Bella. – Ela chamou e eu a encarei. – Gostaria de te pedir um favor.
- Diga. Se estiver ao meu alcance... – Dei de ombros.
- Bom, é que eu tenho uma amiga do curso que está desempregada. – Ângela franziu o nariz, envergonhada. – Mas eu juro que não estou te metendo em alguma roubada. A menina é ótima! Já trabalhou em várias lojas. Só precisa de uma oportunidade.
- Qual o nome dela?
- Reneesme.
- Certo, peça pra Reneesme trazer seu currículo. – Eu pedi, arrancando um sorriso enorme de Ângela antes que ela me abraçasse.
- Ai, obrigada. – Ângela pareceu animada.
Eu me afastei do balcão, entediada pela quantidade de números dos papéis a nossa frente. Ainda eram duas e meia da tarde, e apesar de ter feito um monte de coisas ao lado de Ângela, eu sentia como se aquilo fosse levar mais de uma semana pra ser terminado. Esfreguei o rosto com as mãos e suspirei.
- Uma pausa. – Eu pisquei pra Ângela e ela riu, concordando com a cabeça.
- Vou ligar pra Reneesme. – Ela quase quicou no lugar, sorrindo de orelha a orelha antes de puxar o celular do bolso e ir pra sala dos fundos.
Eu passei os dedos da mão pela raiz do cabelo e o joguei pra trás, na esperança de me sentir mais leve. Comecei a me mexer na cadeira de rodinhas, me forçando a girar de um lado para o outro. Seria tão mais fácil e fofo se eu estivesse em casa, deitada no sofá, assistindo TV com Bruce e esperando Edward chegar.
Infelizmente ainda faltava um pouco mais de três horas até que eu saísse de lá e pudesse ir pra casa esperar Edward.
Eu estava quase em transe de tanto girar na cadeira, que pulei de susto quando ouvi uma voz masculina pronunciar meu nome.
Daí foi meio difícil encarar a sombra a minha frente sem que a pessoa se transformasse em três vultos do além, mas eu quase podia dizer que era Edward à minha frente.
Ótimo, estou tendo alucinações.
- Bom dia, flor do dia. – Ele disse, sorrindo. Pisquei três vezes antes de fechar os olhos por alguns segundos. Deus, rodar não foi uma idéia feliz, estou tonta. – Ou seria "Boa Tarde"? Ah, não tenho uma frase fofa pra Boa Tarde, então esqueça.
Esfreguei o rosto três vezes e encarei... Edward.
Edward? Como assim, "Edward"?
- O que você está fazendo aqui, Edward? – Eu perguntei em choque.
Eu espero que não seja uma alucinação. Imagina o que nossas funcionárias pensariam de mim...
- Também é um prazer te ver, meu bem. – Edward piscou, franzindo o nariz. Ele se encostou no balcão e esticou a mão na minha direção. – Nem um beijo de "Oi", é?
Segurei sua mão e ele me puxou da cadeira pra que eu ficasse em pé. Apesar da tontura, Edward me manteve equilibrada e me puxou pra perto do balcão, colando os lábios nos meus assim que estávamos perto o suficiente.
Definitivamente, aqueles lábios não eram uma alucinação.
- Olha a safadeza na minha loja... – Rosalie murmurou, repreendendo nosso beijo com uma voz de falsamente irritada. Eu ri, me separando de Edward.
- O que você está fazendo aqui? – Eu repeti, num tom mais receptivo. Impressionante como os lábios de Edward nos meus tinham feito o mundo parar de girar. – Achei que ia pra faculdade agora.
- Eu fui, mas não teve aula. – Edward deu de ombros. – Então eu vim te buscar pra gente ir ao shopping.
- Shopping? – Eu perguntei, franzindo o nariz e fazendo um biquinho.
- Desfaz essa carinha. – Edward mordeu meu lábio inferior antes de se afastar. – Mulheres gostam de compras.
Eu não. Principalmente quando era pra comprar uma roupa pra desafiar uma loura mais bonita que eu. Mas eu não ia dizer isso a Edward. Tinha dito que ia por não querer decepcioná-lo.
- E então, topa? – Edward balançou as sobrancelhas e eu concordei com a cabeça, abrindo meu melhor sorriso. – Certo. Pegue sua bolsa e eu te espero no carro.
Edward virou as costas e foi em direção a porta na maior tranqüilidade, encarando as lentes do óculos Ray Ban antes de limpá-las com a camisa.
Não fazia a menor noção dos milhares do olhares que o secavam da cabeça aos pés.
Ou fazia.
- Rosalie, eu... – Comecei, mas ela levantou a mão, me impedindo de falar.
- Vá. – Ela piscou. – Meu bofe vem daqui meia hora mesmo.
Eu ri e peguei minha bolsa antes de ir atrás de Edward, agarrando sua cintura com os braços e o puxando pra perto. Encostei a cabeça nas costas largas dele e esperei Edward parar na calçada. A risada dele fez a barriga tremer e eu senti na ponta dos dedos.
- Espero que não seja uma fã. – Edward começou. – Minha namorada talvez seja ciumenta quanto a isso.
- Talvez não, ela é. – Eu falei e Edward riu de novo, se virando pra me puxar pro seu lado antes de abrir a porta do carro pra mim. Antes de eu entrar, Edward demorou um beijinho nos meus lábios.
Nós fomos ao Shopping e no caminho eu fiquei imaginando como seria fazer compras com Edward.
- Por onde começamos? – Edward perguntou, balançando as sobrancelhas pra todas as milhares de lojas chiques por lá.
Deus, as coisas deviam custar horrores.
- Por onde você quiser. – Dei de ombros.
- Eu adoraria ir a um lugar, buscar algo que encomendei. – Edward sorriu, animado. – Mas vamos deixar isso por último.
- O que você encomendou? – Eu perguntei por curiosidade, ignorando o nome de todas aquelas lojas.
Aqueles nomes eram famosos. Famosos demais pra serem honrados em mim. Deus, isso seria um problema.
- Vamos deixar isso por último. – Edward repetiu, caminhando e apoiando o braço nas minhas costas para que eu o acompanhasse.
Edward praticamente me arrastou, literalmente, até uma loja feminina chique, cheia de vestidos de todos os cortes, todas as cores, todos os tamanhos e todos os decotes.
Nós entramos e Edward foi imediatamente reconhecido pelas atendentes, que murmuram coisas entre si com sorrisinhos maliciosos no rosto.
Eu não era tão invisível assim, era?
Enquanto elas decidiam qual delas iria nos atender, uma morena se apressou em vir a nossa direção.
- Em que posso ajudá-lo? – Ela perguntou, tirando o cabelo de um ombro e o jogando no outro, fazendo uma cara que devia ser o momento "sexy" dela.
Pigarreei, mas ela não me encarou.
- Pode deixar, não precisamos de ajuda. – Eu entrei na frente de Edward, abrindo um sorriso mais falso que podia quando ela me olhou sem esconder a careta. – Meu namorado me ajuda a escolher um vestido.
E sem esperar que ela dissesse alguma coisa, puxei Edward pra um canto afastado, perto de uma arara de cabides cheia de vestidos.
- Vad... – Comecei, mas Edward segurou meus lábios com o indicador, se divertindo com um sorrisão no rosto.
- Calma. – Ele pressionou os lábios nos meus, talvez pra me acalmar, ou talvez pra deixar claro as chances que essas ... Essas garotas da loja não tinham.
- Vamos embora. – Eu comecei, indo em direção a porta da loja, mas Edward segurou meu braço e me puxou pro peito dele, nos aproximando da arara de vestido.
Edward me mostrou dois vestidos que ele tinha gostado, que achou que ficariam "lindos em mim".
Ambos iam até um pouco abaixo da metade da coxa, perto do joelho. O primeiro era um tomara-que-caia em forma de coração, cor de zinco e meio drapeado que provavelmente ficaria justo a silhueta. O tecido era clássico e não muito brilhante; Já o segundo era de um ombro só, preto e marcado na cintura, com as costas vazadas, e, diferente da primeira opção de Edward, era de um tecido com brilho e liso. Edward tinha um bom gosto, mas eu não deixei de olhar os outros vestidos. Peguei mais duas opções, do mesmo comprimento dos outros que ele havia escolhido. Um de mangas longas, texturizado e preto, que parecia ter algumas lantejoulas e ficaria lindo com um cinto preto pra marcar a cintura; E um outro branco também tomara-que-caia com decote em coração, drapeado e marcado até a cintura; A saia não era justa e caia solta pela coxa. Eram lindos vestidos, definitivamente.
- Vou experimentar. – Eu quase quiquei no meu lugar, segurando os quatro cabides.
- Não, nós vamos experimentar. – Edward sorriu maliciosamente, me empurrando delicadamente em direção aos provadores. Virou pra olhar o grupinho de atendentes que nos encaravam com caretas. – O provador é por aqui, certo? – Uma delas concordou com a cabeça e Edward agradeceu com um aceno, me acompanhando por ali.
Havia duas salas no corredor de provadores, um que parecia cheio de mulheres e o outro a nossa direita, que foi o que Edward e eu escolhemos. A sala estava vazia, mas eu optei pelo último box dos três dali pra me trocar. Edward ia esperar no sofá que havia ali em frente. Entrei e demorei pra escolher qual vestido eu experimentaria primeiro, então comecei pelo branco que eu havia escolhido. Tirei a saia bandage escura e a camiseta cinza que eu estava usando e fiquei só de lingerie antes de provar o vestido. E eu admito que ficou lindo. Era clássico e light. Já podia até imaginar com que salto eu poderia usar. Havia um meia-pata bege lindo no guarda-roupa de Alice e eu deduzi que ela não negaria em me emprestá-lo.
Saí do box e caminhei em direção a Edward, visualizando como era o caimento e o movimento do vestido pelo espelho maior dali de fora. Definitivamente, o vestido era lindo.
- Bonita. – Edward comentou, me olhando da cabeça aos pés exageradamente, com um sorriso nos lábios.
- Gostou? – Eu sorri, me olhando em frente o espelho. – Acha que esse é bom pra ir até a festa da garota lá?
Edward riu.
- Experimente os outros, veja qual você mais gostou. – Edward deu de ombros. – Ou compre todos.
Experimentei o preto que Edward havia escolhido e depois o drapeado cor de zinco. Ambos ficaram maravilhosos e eu imaginei como seria difícil escolher apenas um deles.
Por fim experimentei o único que eu ainda não havia colocado. O preto de mangas longas e justo. Era um vestido cheio de atitude e eu me senti muito bem nele. Este não me deixou com dúvidas: Era O vestido!
- Maravilhosa! – Edward sorriu, os olhos brilhando. Ficou de pé e veio por trás de mim, me encarando pelo espelho assim como eu fazia.
Eu quase podia dizer que estava linda, apesar de acreditar que aquilo nunca seria pronunciado por mim.
- É um lindo vestido, não acha? – Eu coloquei as mãos na cintura. – Vou colocar um cinto pra marcar mais a cintura, o que você acha?
Edward pigarreou.
- Eu não entendo dessas coisas não, Bella. – Ele franziu o nariz. – Assim desse jeito não está bom o suficiente?
- Acho que fica mais bonito... – Eu murmurei, pendendo a cabeça para o lado e analisando o vestido, o imaginando com o cinto ali.
Definitivamente, ficaria melhor.
- Por mim, você poderia ficar sem o cinto. – Edward deu de ombros. – Sua cintura já é linda sem essa coisa toda que você quer acrescentar. E eu posso enxergá-la daqui, não precisa de marcação.
Eu ri. "Coisa toda que você quer acrescentar" é só um cinto.
- Bobo. – Revirei os olhos.
- Aliás, seu corpo todo é lindo. – Edward continuou me encarando pelo espelho e eu percebi que estava começando a corar com o rumo do assunto. – Sério. Adoro seus braços, sua cintura, sua barriga, suas pernas... – Edward murmurou, descendo as mãos dos meus ombros até minha cintura e dali pra baixo até a coxa, parando na última tira de tecido do vestido. Os lábios aproveitaram minha cabeça tombada e desfrutaram da pele livre de meu pescoço, arrancando arrepios instantâneos.
Eu gemi baixinho quando ele colou seu corpo nas minhas costas e mordeu o lóbulo da minha orelha. As mãos subiram levemente, puxando parte do vestido com elas.
- Edward, se lembre de que isso é um provador de uma loja. – Falei, minhas mãos foram pra cima das dele na tentativa de parar o que ele ia fazer, mas eu me perdi com o traço de fogo que elas fizeram na minha pele.
- Estamos sozinhos aqui, meu bem. – Edward continuou o trabalho no meu pescoço.
- M-Mas alguém pode entrar. – Eu me desvencilhei de suas mãos com relutância e abanei o próprio rosto antes de voltar ao box que minhas roupas esperavam.
Edward parou em frente a porta e ficou me encarando com os braços cruzados.
- Precisa de ajuda pra tirar o vestido, meu bem? – Ele perguntou, balançando as sobrancelhas.
Eu nem respondi e logo Edward estava atrás de mim de novo, a porta já fechada e as mãos no fim do meu vestido, os dedos roçando na pele das minhas coxas.
Ergui os braços e Edward deslizou o vestido por cima de meu tronco até que ele estivesse jogado em cima do porta-cabides preso a parede. Os olhos desceram pelo meu corpo, cheios de cobiça, e o sorriso torto e malicioso dançou pelos lábios vermelhos.
Edward se aproximou de mim, juntando minha barriga nua com a dele e chegando perto do meu ouvido.
- Eu simplesmente adoro suas lingeries azuis. – Edward sussurrou, mordendo meu lábio.
- Eu vou me trocar e nós vamos embora. – Eu murmurei, talvez pra mim mesma. – Nada mais, ouviu?
Edward concordou com a cabeça, apesar de enlaçar minha cintura com os braços e juntar os lábios nos meus com pressa. Começou com um beijo apressado e cheio de intensidade. Não demorou pra que nossos lábios permitissem que nossas línguas se juntassem numa sincronia sensual e em menos de alguns minutos, minhas pernas estavam enlaçadas ao quadril de Edward e minhas costas pressionadas a parede do provador. E aquela pressão básica dos nossos quadris estava me tirando do sério.
Merda, merda. Alguém pare Edward?
Não é certo! Ninguém faz sexo no provador de uma loja chique, faz?
Edward desceu os lábios pelo meu pescoço e eu agarrei os dedos por cima da camisa dele.
- E-Edward... – Eu chamei. – Chega.
Mas ele não me ouviu. As mãos começaram a deslizar pelas minhas pernas, subindo pelas costelas, e eu quase sorri ao vê-lo gemer quando eu encravei as unhas em sua nuca.
Quase porque eu sabia que havia alguma parte de mim que estava racionalizando muito bem. Só não me lembrava onde ela estava e como fazê-la ser predominante na minha mente.
A fricção da pélvis de Edward tinha passado dos limites e eu gemi alto demais quando senti um chupão BÁSICO no pescoço.
Merdaaa!
Ouvi um pigarro do lado de fora do box e Edward se afastou, me olhando sério.
- Tem alguém aqui? – Uma voz feminina perguntou e eu pigarreei também.
- Eu. – Murmurei sem conseguir deixar a voz falhar, arrancando um sorriso engasgado de Edward.
- Precisa de alguma ajuda?
- Não, já estou terminando de provar uns vestidos, obrigada. – Novamente tentei parecer normal, apesar de ter sido uma falha completa.
Ouvi os passos da mulher se afastarem e pulei do colo de Edward, respirando fundo e puxando os cabelos soltos por cima da nuca num coque frouxo.
- Tava tão bom... – Edward gemeu no meu ouvido, secando uma gotinha de suor que escorreu pelo meu pescoço.
- Ai, Edward. – Eu abanei a nuca, tentando fazer minha melhor cara de irritada pra ele. –Acha que ninguém sabe que você está aqui?
- Claro que sabe. – Edward revirou os olhos. – Pelo menos vão saber quem é a única pessoa com quem eu faria sexo no provador.
Edward foi tão descarado que eu bati no ombro dele, apesar de não ter certeza se o que ele dizia era algo bom, ou não.
Ele estava meio suado também e eu sorri ao perceber que provocava nele coisas que ele provocava em mim o tempo todo.
- Me espere lá fora. – Eu torci o nariz, abrindo a porta do provador.
- Ah, deixa eu te ajudar com a sua roupa. – Edward fez um biquinho e eu quase me entreguei.
- Edward, eu quero colocar as roupas, ok? – Eu expliquei e Edward deu de ombros.
- Sem elas é melhor. – Ele tentou, mas saiu. – Tudo bem, te espero aqui.
Eu precisei de alguns minutos pra me recompor até finalmente começar a me trocar. Arrumei os vestidos que havia experimentado nos cabides e saí do provador. Edward estava assoprando o peito por debaixo da camiseta e eu sorri ao ver como ele parecia interessado em continuar o que nós quase começamos no provador.
- Pronto? – Eu sorri. – Acho que vou ficar com o preto de mangas longas.
Edward ficou de pé e esfregou os cabelos.
- Estou com um... Problema. – Edward franziu o nariz, apontando pra calça. Engasguei uma risada quando percebi que o zíper parecia mais saltado do que o normal e Edward revirou os olhos. – Não é engraçado andar por aí nesse estado.
- Você ouviu o que eu disse? – Eu desviei o assunto pra disfarçar minha risada. – Vou ficar com o preto.
- Leve todos, Bella. – Edward deu de ombros. – Nunca se sabe quando você vai precisar de vestidos assim...
Não quis entender o que isso poderia significar.
- Eu pago por eles. – Disse de imediato, segurando firme os vestidos nas mãos.
- Claro que não. – Edward negou, puxando um cabide da minha mão. – Eu te trouxe aqui, eu pago por eles.
- Então leve todos. – Eu entreguei os cabides a Edward, mas ele saiu andando.
- Esse aqui é o suficiente pra cobrir. – Ele riu e eu entendi o porquê de ter o tirado da minha mão.
Nós não demoramos muito no balcão e meu olhar evitou qualquer atendimento carismático demais, então logo nós estávamos saindo da loja.
- Fica assim... – Edward me puxou e abraçou minha cintura, me mantendo em frente ao corpo dele e arrancando uma risada minha.
- Não é muito eficiente... – Eu avisei.
- Só precisamos disfarçar. – Edward deu de ombros.
- E se eu acidentalmente fizer isso... – Eu rebolei demais, esfregando e colando ainda mais o corpo de Edward no meu. Definitivamente, Edward estava animado demais.
Ele gemeu no meu ouvido antes de enterrar o rosto na minha clavícula. Manteve nossos quadris juntos por alguns segundos até conseguir manter o controle.
- Não faça. – Ele engasgou com a voz quase numa súplica, apertou os braços em volta da minha cintura, mas evitou tanto contato assim da sua calça em mim. – Urgente, preciso de algo gelado.
- Que tal um sorvete? – Eu sorri animada e Edward concordou com a cabeça simplesmente, fechando os olhos com força. Foi inevitável não rir.
Nós compramos o sorvete e ficamos andando pelo shopping enquanto Edward realizava um mantra qualquer pra se sentir mais calmo. Na verdade, Edward devorou o sorvete em menos de cinco minutos e eu nem tinha terminado de experimentar a calda de chocolate.
- Melhor? – Eu perguntei enquanto Edward segurava minha mão e caminhava sem problemas.
- Muito. – Ele piscou pra mim. – A mente domina a matéria.
Eu ri, balançando a cabeça negativamente enquanto nós andávamos por um dos corredores do shopping.
- Posso buscar minha encomenda? – Edward perguntou, me olhando. – Você se comporta?
- Não posso ir junto? – Eu perguntei com um biquinho e Edward negou com a cabeça, os olhos fixos no meu lábio.
- Chega, Bella. Sossega. – Edward fez uma falsa cara de bravo e depois riu. – Não demoro, prometo.
- Dois minutos. Estarei por aqui. – Eu estreitei os olhos e Edward sorriu, me dando um selinho antes de sumir pelos corredores.
Eu resolvi dar uma olhada nas lojas de sapatos por ali enquanto tomava meu sorvete. Todos aqueles scarpins, peep-toes, sandálias de salto alto, oxfords, pumps, ankle boots, open boots... Deus, aquilo me tiraria do sério. Depois de pelo menos dez minutos encarando os saltos, eu resolvi continuar a caminhada. Seria estranho se Edward voltasse e eu ainda estivesse no mesmo lugar, encarando as mesmas coisas há um tempão
Eu continuei andando, apesar de manter os olhos fixos nos saltos maravilhosos a minha frente e quase me esqueci do sorvete que eu ainda carregava na mão esquerda, e que provavelmente estaria derretendo ali.
Só lembrei que tinha algo na mão quando alguém que estava vindo na minha direção e que provavelmente não prestava atenção assim como eu, bateu de frente comigo e levou uma bela de uma melecada com chocolate gelado. Por sorte, o sorvete não encostou em mim, mas eu não podia dizer o mesmo sobre o que vi no cara que bateu de frente comigo.
- Meu Deus! – Eu encarei a camisa branquinha cheia de chocolate que ele usava.
Havia um moreno alto a minha frente. Os cabelos pretos e brilhantes eram curtos, os olhos castanhos não davam nenhum sinal de que ele estava bravo ou algo do tipo, e ele sorria amigavelmente pra mim. Nem parecia que eu tinha destruído a roupa dele...
- Desculpe. – Eu tapei a boca em choque. – Eu... Eu estava olhando os sapatos e nem percebi que você estava aqui e... – Eu gaguejei, confusa. A blusa branca dele estava arruinada por minha causa. – Desculpe.
- Tudo bem. – Ele segurou uma parte da camisa com o indicador e o polegar, a empurrando pra longe da pele. Devia estar gelado. – Eu também não estava prestando atenção pra onde ia.
Eu ainda estava envergonhada com a situação e, achando que podia melhorar, ofereci o guardanapo que envolvia a casquinha do meu sorvete pra que ele tentasse limpar. O garoto pegou e esfregou ali, tentando desfazer a caca que eu tinha feito.
- Nossa, eu estou me sentindo muito mal por isso. – Eu mexi no cabelo nervosamente. – Me desculpe.
Mas apesar de tudo, o garoto riu. Parecia até uma criança alegre que em vez de perder uma camisa, ganhou um sorvete.
- Esqueça. – Ele deu de ombros, amassando o guardanapo melado e oferecendo a outra mão pra que eu o cumprimentasse. – Sou Jacob.
- Oi Jacob. – Eu segurei sua mão e retribui o cumprimento. – Sou Bella.
- Certo, Bella. – Jacob sorriu, olhando o sorvete esmagado e derretido na minha mão. – Não vai jogar isso fora não?
Eu ri com ele antes de me dirigir até uma lixeira mais próxima e jogar fora o resto de sorvete que restava. Pelo menos minha mão não estava suja.
- Posso te pagar outro sorvete? – Jacob perguntou. Esse garoto sorria o tempo todo?
- Ah, outro dia. – Eu sorri. – Meu namorado já vem pra nós irmos embora.
- Ah sim. – Ele concordou com a cabeça, o sorriso murchando um pouco.
No mesmo instante, Edward surgiu de algum lugar, carregando uma pequena sacola de papel branca com um nome de alguma loja chique. Ele se aproximou de Jacob e eu, colocando a mão na minha cintura e me puxando pra perto dele, os olhos fixos no garoto ao meu lado. E eu me senti meio obrigada em apresentá-los.
- Edward, esse é Jacob. – Eu pigarreei. – Eu esbarrei meu sorvete na camisa dele.
- Oi. – Edward simplesmente balançou a cabeça num aceno simples e Jacob retribuiu o gesto. Os olhos verdes pararam em mim. – Vamos, meu bem?
- Vamos. – Eu concordei, avançando um passo na direção contrária a de Jacob, acompanhada por Edward. – Até, Jacob. E desculpe mais uma vez.
- Tchau, Bella. – Ele sorriu antes de se virar e caminhar pra longe de nós.
- "Bella" é? – Edward perguntou, erguendo uma sobrancelha. – Já está íntimo assim, é?
- Para de ser bobo. – Eu bati no ombro dele, rindo. – Todo mundo me chama de Bella.
Eu abracei a cintura de Edward e me aninhei em seu peito enquanto nós andávamos pra fora do shopping e seguíamos até o local onde o carro de Edward estava estacionado. Havia alguns fotógrafos a nossa direita, mas eu resolvi ignorá-los assim como Edward fez o mesmo.
Edward entrou no carro e abriu a porta de passageiro do volvo pra que eu entrasse, mas eu parei no lugar quando percebi quem estava saindo do shopping. Andando por cima do salto das ankle boots pretas e com um vestido cinza claro solto, uma loura metida saiu de lá.
E antes que Edward visse Tanya, eu simplesmente entrei no volvo e me afundei no banco. Edward não ficaria bravo se eu não contasse a ele que vi Tanya, não é? Pois bem, eu não vi nada.
O que aquela mulher estava fazendo no mesmo shopping que Edward e eu? Porque ela saiu de lá olhando pros lados como se estivesse procurando algo?
Edward arrancou com o volvo e eu resolvi guardar a lembrança de Tanya numa gaveta bem fechada que logo seria esquecida.
- E então? – Edward me tirou dos meus pensamentos. – Não vai perguntar o que é a encomenda?
Eu olhei pra ele, que parecia realmente muito animado.
- Estava pensando nisso. – Menti. – O que há dentro dessa sacola?
- Não vou contar. – Edward ergueu o queixo e eu o olhei com a minha melhor cara de bunda.
Como assim? Ele queria que eu perguntasse e não queria responder?
- Edward! – Eu reclamei e ele riu. – Edward, agora eu quero saber!
- Não vou contar. – Ele deu a língua pra mim.
- Edward... – Eu choraminguei.
Edward simplesmente negou com a cabeça.
- Ai como você é bobo! – Eu resmunguei, cruzando os braços.
- Quando chegarmos em casa, eu te mostro. – Edward sorriu torto e eu não tive como não sorrir de volta com o rosto animado dele.
Nós conversamos sobre qualquer coisa durante o caminho até o prédio e assim que Edward estacionou o carro, eu cobrei:
- Quero saber o que é sua encomenda. – Murmurei, arrancando um sorriso enorme de Edward.
Ele puxou a sacola branca de dentro do porta-luvas e me entregou.
- Não, pode mostrar em suas mãos mesmo. – Eu ri, empurrando a sacola na direção dele.
- É pra você, Bella. – Edward revirou os olhos e eu estaquei.
O que ele havia encomendado naquela loja chique era pra mim? Como assim pra mim?
- M-Mas... – Eu comecei, mas Edward prendeu meus lábios com o indicador.
- Abra. – Ele sorriu, empurrando a sacola nas minhas mãos de novo.
Eu hesitei, encarando o sorriso enorme de Edward por debaixo dos cílios. Ele definitivamente estava empolgado.
Eu abri a sacola e vi uma caixinha preta de veludo quadrada escondida e bem acomodada ali embaixo. Eu encarei Edward com a minha melhor cara de surpresa e ele só me incentivou a continuar, balançando as sobrancelhas pra sacola. A caixa era do tamanho da palma da minha mão e só de imaginar quanto deveria ter custado o que quer que estivesse lá, minha mão já começava a pesar e coçar. Estava prestes a devolver a caixa e o que havia dentro dela junto com a sacola, mas Edward começou a ficar impaciente ao meu lado, mordendo o lábio e mexendo no cabelo e eu achei melhor abrir logo e fazê-lo se sentir mais calmo.
Abri a caixa e dei de cara com uma pulseira oval de prata extremamente brilhante. Em uma parte da pulseira, havia um pingente de um coração que quando se mexia, causava reflexos de luz nos meus olhos. Parecia diamante puro e eu engasguei ao imaginar o quanto Edward havia gastado.
- Oh meu Deus. – Eu soltei num suspiro. – É simplesmente lindo, Edward.
- Você sabia que "diamante" é uma palavra grega? – Edward perguntou, tirando a pulseira da caixinha delicadamente e esperando que eu esticasse o braço pra que ele pudesse colocá-la ali. Obviamente ele ia continuar, então eu fiquei o olhando, meio boba por sentir que poderia começar a babar a qualquer instante. – Significa indomável, invencível, inconquistável. – Edward falou, soltando a pulseira no meu braço. Deu de ombros e me olhou. – Espero que você entenda a relação com essa pulseira. Meu coração era inconquistável. Nenhuma mulher conseguiu alcançá-lo. – Edward sorriu mantendo os olhos fixos nos meus enquanto depositava um beijo nas costas da minha mão. – E como essa pulseira, agora é igualmente seu.
Eu poderia chorar, já que minhas emoções estavam oscilando em sentimentos fortes demais que eu nem lembrava de ter sentido, mas eu me preocupei em levar a mão até a boca e verificar se eu estava babando mesmo, só pra ter certeza.
- Edward, isso é tão lindo. – Eu murmurei, surpresa. Minhas mãos foram até seu pescoço e logo meus dedos estavam enroscados nos fios do cabelo da nuca de Edward. Fixei meus olhos nos dele e me aproximei um pouco. – Eu nunca esperei ouvir uma coisa dessas e agora você me deixou sem palavras. Não podia imaginar alguma coisa tão linda como essa. – Parei, encostando a testa na de Edward enquanto ele sorria torto. – Meu coração também é seu, desde o dia que você apareceu naquele saguão do hotel de Veneza. Cuide dele. – Eu pisquei e Edward riu.
- O mesmo pra você. – Edward murmurou antes de juntar os lábios nos meus.
Meia hora depois, nós estávamos com um pé pro apartamento, literalmente. Foram longos minutos nos amassando no carro até que nós decidimos terminar o que deveria ser terminado e pegamos o elevador depois de passar pelo saguão do prédio com a melhor cara de "Não estávamos nos amassando no banco do volvo"
- Acho que poderemos terminar tudo agora. – Edward murmurou com a voz aveludada na minha orelha e eu sorri, fechando a porta do apartamento com o pé.
Definitivamente, nós terminaríamos tudo.
Olá leitoras :D
Voltei. Capítulo praticamente enorme. q
Espero que vocês gostem :B
Vejo vocês quarta?
XxX :*
