Epílogo: A hora e a vez de Jacob Black

JakePOV

16 anos depois...

Definitivamente, Alice Hale tinha o gene para o mal. Me pergunto como alguém tão pequena e frágil pode ser tão diabólica? O fato é que eu nunca conseguia ignorar um pedido dela e duvido que alguém consiga tal proeza. Agora eu estava ali, na entrada de Cullen House, de onde vinha a música e as risadas que preenchiam o ar. Eu estava de volta aquela casa, onde eu jurei nunca mais por os pés, depois de dezesseis anos.

Eu estava diante de todos os meus fantasmas e não havia como sair de lá sem encará-los frente a frente. Respirei fundo e atravessei a porta de carvalho maciço entrando no hall principal, onde várias pessoas conversavam, sorriam e dançavam. Eu estava fazendo aquilo por uma amiga e nada mais, afinal era o aniversário e também o debute de Hellen na sociedade.

Quando se está enterrado dentro de sua própria dor como eu estava, é muito complicado permitir que alguém toque nela. Depois de um tempo que já está habituado ao sofrimento você se esquece dele, mas quando alguém resolve mecher nele, a dor volta mais forte e devastadora, como um monstro adormecido que se alimentou de sua própria miséria e se fortaleceu.

As causas da minha dor estavam naquele salão, em algum lugar. Bella devia ter algumas rugas leves a esta altura, os cabelos talvez tivessem alguns fios brancos, mas com certeza ainda seria linda. Eu a imaginei durante todos esses anos, até mesmo quando soube que ela estava grávida. Eu a via com nitidez em meus sonhos, brincando com as crianças. Ela seria uma boa mãe e disso eu não tinha duvida. Edward também estava lá, sempre vigilante e possessivo com sua mulher, enlouquecido por sua própria vaidade. Ao menos ele tinha os filhos para ostentar como troféus, provando que ele havia ganhado a dama.

Enxerguei Alice do outro lado do salão, tentei chegar até ela sem chamar muita atenção, mesmo sabendo que com a minha altura e porte isso seria bem difícil. Hellen trocava breves palavras com sua mãe e sorriu quando me viu chegar. Eu conhecia a menina dês do dia em que nasceu, era como uma sobrinha para mim. Eu a cumprimentei e entreguei o presente que havia escolhido para ela, uma bela pulseira que ela colocou no braço prontamente. Alice veio me cumprimentar também.

- Obrigada por vir, Jacob. – ela agradeceu com grande consideração. Ela sabia, melhor do que ninguém, o quanto àquilo era difícil para mim. – Como você está?

- Claustrofóbico neste lugar, mas vou sobreviver. – eu disse num esforço de aliviar a tensão e minha amiga sorriu – Eles estão aqui?

- Chegaram a meia hora. Vieram apenas Edward, Bella e Renesmee. Os meninos preferiram ficar em Londres com a governanta. – fiz uma careta quanto ao ultimo comentário.

- Esses garotos Cullen têm realmente uma atração por governantas. – Alice riu.

- Mrs. Hellington tem cinqüenta anos, cheira a mofo e é meio surda. – não pude conter a risada.

- Há pessoas que tem gostos estranhos neste mundo, não me surpreenderia se eles preferissem uma dama mais "madura" e experiente. – eu ainda sabia usar sarcasmo – E por Deus, que nome é esse que deram à menina?! – Alice me olhou com reprovação.

- Renesmee é uma homenagem. Foi muito nobre da parte de Bella, e você deveria ver o quanto ela é adorável.

- Claro, claro. – e este era o fim da conversa, não porque eu estivesse sem assuntos para tratar com Alice, mas porque o fantasma que assombrou minha vida por tanto tempo estava vindo em minha direção. Os mesmos cabelos escuros, presos num coque alto, os olhos deslumbrantes, a figura esquia e bem feita, vestida com cores pálidas e rosadas, realçando o tom suave da pele clara. Ela não havia mudado em nada, nem uma ruga ou fio branco, era como se o tempo tivesse parado para ela.

Minha respiração falhou. Como ela conseguia ser ainda mais cruel depois de dezesseis anos, desafiando a natureza daquela maneira e se mantendo tão jovem e linda que até mesmo as deusas do Olimpo se ofenderiam? Como eu consegui sobreviver todos esses anos sem contemplar aquele rosto? No entanto, havia algo de diferente, algo que eu não sabia identificar, mas estava tornando-a ainda mais atraente.

- Falando nela, ai está! – Alice disse fazendo com que eu despertasse do meu transe e visse minha amiga abraçando aquele fantasma de carne e osso. – Jacob, esta é a nossa pequena Renesmee. – se eu estivesse bebendo alguma coisa, com certeza teria me engasgado. Aquela não era Bella, era a filha dela!

- É um prazer conhece-lo, senhor... – ela me encarou com duvida quanto à forma de tratamento.

- Black. Jacob Black. – eu fiz uma reverencia a ela – Encantado, senhorita.

- Jacob Black? O conde de Fife? – ela também fez uma discreta reverencia.

- O próprio. – eu confirmei.

- Eu pensei que não viesse a Cullen House. – ela disse surpresa.

- De fato, é algo que evito o máximo possível, mas sua tia tem o dom para me convencer de certas coisas. – Alice riu diante do comentário.

- Eu nunca entendi por que eu recebia presentes do senhor em todos os meus aniversários, sendo que nunca fomos apresentados. – ela olhou para mim com aqueles lindos olhos castanhos, fazendo com que eu me perdesse dentro deles.

- Em consideração a sua família. Tenho grande estima pelos Cullen, fui praticamente criado como um filho dentro desta casa. – ela acenou com a cabeça.

- Eu adorava as bonecas quando era menor, e amei quando recebi o cordão com o pingente de prata. – eu notei a jóia que ela trazia ao pescoço. Era o cordão que ela mencionou, com um delicado pingente de prata em forma de coração, com um diamante no centro. Havia pertencido a minha mãe, eu quis dar a Bella quando fosse pedi-la em casamento. Como nunca ficamos noivos, achei que me livrar daquilo afastaria as lembranças, então o dei de presente a filha dela.

- Fico satisfeito em ouvir isso. – aquela garota, assustadoramente parecida com Bella, estava conseguindo me deixar confortável naquele lugar. Eu estava gostando de conversar com ela e não podia deixar de reparar o quanto ela era mais sociável que a mãe. Alice tocou meu braço, me chamando a atenção.

- Se não se importam, Jasper está me convidando para uma valsa. – Alice disse.

- De forma alguma. Pode ir Alice. – eu disse para ela e logo ela estava junto do marido.

- O senhor não dança, Lorde Black? – Renesmee perguntou.

- Só dançaria esta noite com a jovem mais bela deste lugar. – eu estendi a mão para ela – Me daria está honra, senhorita? – ela corou e sorriu para mim, aceitando meu convite prontamente.

- Me chame de Nessie. – ela disse enquanto caminhávamos para o centro do salão. Eu sorri. Nessie era um belo apelido para uma garota escocesa e estranhamente combinava com ela.

Aquela foi à primeira de muitas danças. Por sorte eu não cheguei a me encontrar com Edward ou Bella e isso me deu uma boa oportunidade de conversar com Nessie. Ela era adorável de várias maneiras. Havia nela uma graça natural e uma determinação que a mãe não tinha. Era divertida e agradável na conversa, sempre muito franca, algo que havia herdado da tia. O que era para ser um acréscimo a minha dor, tornou-se alivio e até recompensa.

Voltei para casa naquela noite muito mais satisfeito com minha vida do que deprimido pelo meu fracasso. Fui para o meu quarto, onde peguei de dentro de uma caixa as cartas que recebi de Bella e Alice naquele ano em que fui trocado pelo meu ex melhor amigo. Algumas delas eu conhecia de cor, outras eu não me dei ao trabalho de ler, mas mantinha guardada. Reli a carta que Bella havia me mandado após o casamento.

"Caro Lorde,

Não posso deixar de pensar na dor que estou lhe causando neste momento. Talvez o senhor me odeie, talvez me ignore pelo resto da vida, mas saiba que será sempre lembrado por mim como o mais nobre e gentil cavalheiro.

Quando o mundo estava contra mim, o senhor me estendeu a mão, me ofereceu sua amizade e sua ajuda, pelas quais serei eternamente grata. Eu não pude aceitar o seu pedido, mesmo querendo retribuir tudo o que havia feito por mim. Amo o senhor como amaria a um irmão e cedo ou tarde isso não seria o bastante para nenhum de nós. Acabaríamos nos odiando, ou perdendo aquilo que sentimos um pelo outro.

Não intercederei por Edward, ou por mim, pois ambos erramos em nossa conduta. Apesar de tudo o que fez, eu amo meu marido e estou absolutamente feliz com ele. Tudo o que desejamos é viver nossas vidas e esperamos que um dia o senhor encontre alguém que lhe faça tão feliz quanto ele me faz.

Ontem o doutor Collin veio ver Alice e o que suspeitávamos se confirmou. Ela está grávida novamente, mas a grande surpresa foi saber que eu também estou. As crianças deverão nascer no começo da primavera. Se eu tiver um menino, gostaria de batizá-lo de Jacob, mesmo sabendo que Edward não aprovará minha decisão. Se as circunstancias fossem outras, eu pediria ao senhor que fosse o padrinho de batismo.

Espero que me perdoe um dia.

Com carinho,

Bella Cullen"

Pela primeira vez em anos, ler aquela carta não me doeu como antes. Havia uma pontada leve no coração, algo nostálgico, mas não aquela sensação de ter o peito dilacerado. Bella queria dividir sua felicidade comigo e me pedir perdão. Foi a primeira vez que ouvi falar da criança em questão e até aquela noite, jamais quis vê-la, com medo de que aquilo piorasse minha situação.

Uma semana depois enviei um convite à Alice, Hellen e Nessie para que viesse tomar o chá da tarde em Black's Hall. Leah estava me visitando mais uma vez, isso dava a desculpa perfeita para convidar as senhoras e rever a filha de Bella. Seth estava servindo na marinha britânica, nas Índias.

Elas vieram com seus chapéus de inverno e luvas com punho de pele. Nessie ainda estava usando o colar que eu havia mandado de presente e aquilo me fez sentir bem. Era como ter a certeza de que ela carregaria sempre um pedaço de mim e aquilo era bom. A tarde foi agradável, mesmo Leah sendo uma terrível companhia para qualquer um.

Após anos reclusos em minha mansão, voltei aos ciclos sociais mais uma vez. Seja qual fosse à ocasião do evento, eu estaria lá na esperança de flertar com o fantasma do meu passado. Foi ai que percebi que eu não estava enxergando Nessie como à cópia viva de Bella, ou como sua filha. Para mim ela passou a ser apenas Nessie, a garota mais linda do mundo e eu estava parecendo um velho babão correndo atrás de uma ninfeta.

Eu poderia até não ser tão novo, mas com quarenta e cinco anos eu ainda era notado pelas damas onde quer que eu fosse. Eu não estava tão mal. Alto, com músculos ainda fortes, um rosto de traços firmes e apenas uma meia dúzia de fios brancos na cabeça. Sim, eu podia me orgulhar de ter uma boa figura nessa idade. Além da aparência eu ainda possuía um título respeitável e belas propriedades. Tudo isso, aliado a experiência me tornavam um bom pretendente.

Nessie era uma jovem extremamente madura e sensata para a idade. Além de bonita era incrivelmente inteligente. Ela falava vários idiomas e tocava piano maravilhosamente bem, algo que herdou do pai. Ela sempre tinha assunto, mesmo quando eu começava a falar de carruagens e cavalos velozes. Aliás, cavalgar era uma paixão para ela e era sobre cavalos que passávamos a maior parte do tempo juntos, percorrendo as trilhas de Duftown e Cullen.

Estávamos passando cada vez mais tempo juntos, aproveitando o fato de que os pais dela estavam em Londres. Sempre havia uma desculpa para encontrá-la fazendo compras em Duftown, ou caminhando próxima a Cullen House. Nos muitos bailes que comparecíamos, havia sempre a oportunidade para uma dança. Às vezes Alice e Jasper iam jantar em Black's Hall e Nessie os acompanhava. Jogávamos cartas, tomávamos chá, conversávamos por horas e às vezes ela tocava piano para mim. A vida com ela era mais plena, mais completa.

Então chegou o dia. Foi durante um baile qualquer que estava acontecendo na região. Nos dois estávamos presentes e ela decidiu dar uma volta pelo jardim depois de ter dançado de mais. Eu a acompanhei. Estávamos falando sobre qualquer banalidade quando ela tropeçou e eu a segurei para que ela não caísse. Daí para frente foi tudo muito rápido.

Eu a puxei contra o meu corpo, para que ela pudesse se firmar. Nossos rostos a apenas milímetros de distancia, a respiração dela contra a minha pele. As mãos dela sobre meu tórax e os olhos dela encarando os meus. Os lábios rosados dela estavam entreabertos, macios e convidativos, então ela passou a língua sobre eles e eu não me contive mais. A beijei no meio dos jardins, numa noite fria de lua cheia, com carinho, com cuidado e toda segurança que só a experiência pode trazer. Nessie se rendeu sem resistência, deixou-se guiar pelos meus desejos e minhas vontades, correspondendo com igual entusiasmo e ânsia. Afastamos-nos apenas para recuperar o fôlego.

Nessie me encarou com aqueles olhos devastadores e eu não sabia dizer se aquilo era expectativa ou outra coisa. Os olhos dela queimavam como as chamas do inferno, queimavam por mim.

- Lorde Black... – ela sussurrou – Isso foi...

- Errado? Provavelmente, mas eu não me arrependo. – eu disse ainda segurando-a em meus braços. – Você está me deixando louco, garota.

- Como minha mãe? – ela me encarou desconfiada e ao contrario do que eu imaginava, fiquei até bem calmo.

- Não, Nessie. – eu respondi – Sua mãe foi uma grande paixão e também um grande trauma para mim. Você não. Você colou os meus pedaços, me reviveu.

- Estaria aqui mesmo que eu não parecesse com ela? – Nessie não parecia certa quanto aos meus motivos.

- Sim. Mesmo que você fosse à cara do seu pai, eu estaria aqui. Ridiculamente apaixonado por uma garota que tem idade para ser minha filha e que por ironia é filha de um homem que eu odeio. – ela se aconchegou no meu peito e eu a abracei com força.

- Ele vai ficar furioso se souber. – ela disse e eu não me importava.

- Edward pode fazer o que quiser, até engolir o próprio chapéu, que eu não ligo. – ela riu.

- O que faremos agora? – ela me olhou por um minuto.

- Bem, depois disso eu a pedirei em casamento e você deve responder "sim" ou "não". – o sorriso dela foi a coisa mais linda que eu já havia visto.

- É claro que sim. Sim e mil vezes sim! – então eu a beijei mais uma vez, extasiado com as sensações que ela provocava em mim. – Meu pai não vai concordar.

- Dane-se Edward. Ele me impediu de casar uma vez, mas não vai me impedir de novo. – eu acariciei o rosto dela – Você é a mulher da minha vida. O que importa é que você me aceitou, mesmo sendo eu um velho ranzinza.

- O senhor não é velho. Ranzinza, talvez, mas velho não. – eu ri uma risada gutural diante do comentário dela.

- E você, sua pequena indomável, será a esposa de um ranzinza. – ela riu novamente – Minha futura senhora Black.

Após dois meses de namoro e noivado as escondidas, finalmente recebi a noticia de que Edward e Bella estavam chegando a Cullen House para passar uma semana e levarem Renesmee de volta a Londres. Não seria uma tarefa fácil rever meu desafeto e a mulher que eu amei um dia, mas por Nessie eu iria ao inferno mil vezes.

Um dia após a chegada deles em Cullen House, preparei a carruagem e fui até o covil de Edward. Quando cheguei, Alice, Hellen, Bella e Nessie estavam tomando chá na sala de visitas. Alice pareceu pasma, Hellen me cumprimentou alegremente como sempre fazia, Nessie estava apavorada porque sabia o que eu pretendia fazer e Bella ficou mais branca que um pedaço de giz. Eu as saudei com um breve aceno de cabeça e fui me encontrar com Edward, no escritório.

Edward havia mudado pouco. Os cabelos avermelhados estavam rajados de branco, ele usava bigode e cavanhaque e havia ganhado algumas rugas perto dos olhos. No mais era exatamente como eu me lembrava. A mesma aparência altiva e sólida de alguém que nasceu com o mundo nas mãos. Ele me encarou curioso, mas seus olhos ainda destilavam veneno.

- A que devo a honra da visita, Black? – ele me perguntou com seu ar arrogante de sempre.

- Queria que houvesse um outro meio de fazer isso, mas já que não há, vou direto ao assunto. – eu respondi, tentando conter a raiva e a vontade de arrancar a cabeça dele – Eu estou aqui para pedir oficialmente a mão de Renesmee em casamento. – ele me olhou por um minuto, esperando que eu dissesse que aquilo era uma brincadeira, mas eu não disse nada.

- Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi! – ele disse com a voz exaltada – Acha mesmo que eu, em sã consciência, daria minha filha em casamento a você?! Vá para um asilo, Black! Você já está ficando senil!

- Diga o que quiser, estou aqui por uma questão de tradição apenas, porque vou me casar com ela quer você queira, quer não! – minha voz subiu dois tons. Edward esmurrou a mesa entre nós.

- Só por cima do meu cadáver! – ele berrou – Encoste na minha garotinha e eu te mato, Black!

- Para o seu governo, Cullen, já encostei mais que um dedo nela. Nessie me aceitou, por tanto, o que você pensa ou deixa de pensar não me interessa. – minha voz saia venenosa e a raiva queimava em meu sangue – Se está me ameaçando, esteja à vontade para começar a briga. Tenho dezesseis anos de ódio guardados para esta ocasião. Se preferir, posso possuí-la na sua frente, exatamente como fez com a mãe dela!

- É isso, não é? Vingança! – Edward deu a volta na mesa indo para cima de mim – Seduziu minha filha pra se vingar de mim!

- Sei que pensa que o mundo gira a sua volta, mas este não é o caso. Eu amo Nessie e graças aos céus ela sente o mesmo por mim. O fato de ela ser sua filha não tem nada a ver com isso. – antes que Edward retrucasse qualquer coisa à porta foi aberta e Bella entrou como um furacão, seguida por Nessie.

- Edward! Que gritaria é essa? – Bella perguntou nervosa enquanto Nessie me lançava um olhar preocupado.

- Este débil mental teve a audácia de vir aqui, pedir a mão de nossa filha em casamento! – Edward respondeu, a beira de um ataque de nervos – E tem a coragem de dizer que Nessie o ama e já aceitou o pedido!

- Mas é verdade, pai! – Nessie finalmente se pronunciou – Eu amo Jacob e já faz um mês que ele me fez o pedido. Ele veio até você somente porque eu queria que o senhor concordasse. – Edward e Bella a encararam boquiabertos e eu sorri satisfeito quando ela veio para os meus braços.

- Renesmee, você não pode estar falando sério! – Edward disse – Olhe para ele, é velho de mais para você!

- Renesmee querida, não acha que está sendo muito precipitada? – Bella interveio.

- Eu estou falando sério e esta é uma decisão mais do que pensada. – Nessie falou com determinação – Jacob veio até aqui, mesmo depois de tudo o que aconteceu, unicamente para ficar comigo. Isso não tem nada a ver com o passado de vocês três, apenas comigo. – eu estava orgulhoso de minha pequena loba, defendendo seus interesses com tamanha veemência. Definitivamente ela era a mulher feita para mim.

- Está fazendo isso para nos punir, Lorde Black? – Bella perguntou me encarando diretamente nos olhos. Eu me mantive sereno.

- Não, Bella. – eu respondi – Um dia, há muito tempo atrás, eu amei você e fui trocado. Foi difícil, doloroso, mas eu vivi até hoje, na esperança de recuperar um pouco daquilo que eu era antes de ter meu coração partido. Nessie me curou. Quando a vi pela primeira vez, pensei que fosse o fantasma do meu passado voltando para me assombrar, mas então eu vi que ela não se parece em nada com você. Nessie me alegra, me faz querer seguir em frente e tem uma convicção que encanta. Eu amo esta pequena, muito mais do que amei você. Ela foi feita para mim, sob medida.

- Sendo assim, acho que não temos outra opção, Edward. – Bella se virou para o marido – Acho que eles devem ficar juntos.

- Não pode estar falando sério, Bella! – Edward gritou.

- Pense bem. Olhe esses dois. – ela apontou para mim e Renesmee, que se escondia em meus braços – Eles se amam, Edward, e nem eu nem você podemos mudar isso. Nós cometemos muitos erros no passado, talvez seja esse o preço que devemos pagar. Abrir mão de nossos preconceitos pelo bem de Renesmee. Talvez seja o destino dela amar a quem eu não consegui.

- Bella, meu bem, não foi culpa sua. – Edward a encarava com doçura e afagava suas bochechas.

- Não foi culpa de ninguém, apenas aconteceu conosco, assim como aconteceu com eles. – ela disse.

- Está bem. Têm a minha permissão. – Edward disse, dando-se por vencido. Nessie se apertou mais contra mim.

- E a nossa benção. – Bella olhou para mim sorrindo. Seus olhos tinham rugas leves pela idade, à pele não era tão firme e sedosa, mas ainda era bonita. Finalmente eu pude enxergar minha boa amiga dentro daqueles olhos, pois a mulher que eu amava estava presa entre meus braços, de onde ela jamais sairia.

- Obrigado, Bella. – então eu sorri para minha amiga e futura sogra.

Alice ficou histérica quando soube da novidade e já fazia planos para um grande casamento. Os outros membros da família ficaram satisfeitos com o acontecimento e deram todo apoio. Com o tempo, minhas diferenças com Edward foram deixadas para trás, já que eu e ele tínhamos um objetivo em comum, fazer Nessie feliz.

Depois de um noivado de dois meses, eu e Nessie nos casamos e fomos viver juntos em Balck's Hall. Eu voltei a freqüentar a casa dos Cullen e minha relação com Edward só se abalou mais uma vez quando ele soube que seria avô.

Este foi um acerto de contas mais do que justo.

Eu costumava reger o mundo

Mares se agitavam ao meu comando

Agora, pela manhã, me arrasto sozinho

Varrendo as ruas que costumava mandar

Eu costumava jogar os dados

Sentia o medo no olhos dos meus inimigos

Ouvia como o povo cantava:

"Agora o velho rei está morto! Vida longa ao rei!"

Por um minuto segurei a chave

Próximo as paredes que se fechavam pra mim

E percebei que meu castelo estava erguido

Sobre pilares de sal e pilares de areia

Eu ouço os sinos de Jerusalém tocando

Os corais da cavalaria romana cantando

Seja meu espelho, minha espada e escudo

Meu missionário em uma terra estrangeira

Por um motivo que eu não sei explicar

Quando você se foi não havia

Não havia uma palavra honesta

Era assim, quando eu regia o mundo

Foi o terrível e selvagem vento

Que derrubou as portas para que eu entrasse

Janelas destruídas e o som de tambores

O povo não poderia acreditar no que me tornei

Revolucionários esperam

Pela minha cabeça em uma bandeja de prata

Apenas uma marionete em uma solitária corda

Oh, quem realmente ia querer ser rei?

Eu ouço os sinos de Jerusalém tocando

Os corais da cavalaria romana cantando

Seja meu espelho, minha espada e escudo

Meu missionário em uma terra estrangeira

Por um motivo que eu não sei explicar

Eu sei que São Pedro não chamará meu nome

Nunca uma palavra honesta

Mas, isso foi quando eu regia o mundo

Tradução da música Viva La Vida do Cold Play. Esta foi escolhida por mim como musica tema da fic XD

The End

Este foi o fim oficial da fic, fora ele haverão mais dois extras, que não são fundamentais a história e sim um presente para os leitores. Espero que tenham gostado de ler esta fic tanto quanto eu gostei de escrever. Um grande beijo para que me acompanhou até aqui, em especial para as meninas que têm comentado ( as vezes me assustado) ao longo da história. Valew galera!