Kanon POV
Passaram-se já três dias e duas noites desde quando tomei coragem para rever meu querido gêmeo. E reavê-lo também. Como é delicioso relembrar suas palavras: "Você é mesmo maravilhoso, meu irmão..."; "Temos o mesmo tipo de mente, as mesmas ambições" O quão isso é bom! É um bálsamo que compensa ou vale até mais que os seis anos de solidão e desgraça pelos quais passei.
Sei que o lado bom de meu amado se ressentiu. Não vou destruí-lo, pobre frustrado... mas sim conquistá-lo aos poucos, para que seja como eu e não precise mais dividir-se em dois.
- Senhor Dragão Marinho!
Um dos soldados bate à porta de meu recinto. Diabo; o que estará acontecendo?
- O que foi?
- Um intruso adentrou o templo! Diz que quer falar com o senhor.
- Hum... como ele está vestido?
- Com um capuz, todo coberto da cabeça aos pés. Apenas deduzimos que é um homem pela estatura elevada e a voz grave.
- Deixe que eu resolvo! Leve-me até ele.
Vamos até a Entrada Principal do Templo e nos deparamos com um vulto escuro, parado a nossa espera, rodeado de soldados. Tem a mesma altura que eu, a mesma compleição física, a mesma energia cósmica. Está dando muita chance para lhe reconhecerem, aliás...
O estranho sorri por detrás do capuz. Ninguém vê, nem eu, mas posso transcender as barreiras e sentir o sorriso em minha própria alma.
- Venha – é o que digo a ele, indicando para que me siga.
- Mas senhor! Ele... – o guarda tenta interferir.
- Cale-se! Sei muito bem o que estou fazendo.
Tanto ele quanto os demais soldados de fato calam-se, enquanto levo o maravilhoso encapuzado diretamente para meus recintos privados.
Fazemos o percurso sem dizermos palavra. Assim que entramos no meu quarto principal, porém, retiro seu capuz e vislumbro os lindos e alvos contornos de seu rosto. A cor de seus cabelos fica indefinida pela falta de luz, pois a noite é de lua nova; mas seus olhos apresentam, além do costumeiro azul, uma matiz avermelhada.
Nossos lábios atraem-se como ímãs, unindo-se antes que percebamos o que acontece. Mesmo após um tempo considerável não se deixam, querendo matar a saudade que apenas três dias incompletos causaram-nos.
- Então você veio... – digo, assim que nossas bocas separam-se, quentes e avermelhadas pelo vigoroso contato anterior.
Vejo e sinto seu belo sorriso outra vez:
- É claro, minha criança... como eu poderia deixar de vir? A nostalgia infinita que a lembrança de seu belo corpo me traz... seu cheiro... acho que estou dependente de você.
- Eu também estou dependente de você...
Pouco antes de eu terminar tal frase, nossos lábios unem-se outra vez, parecendo que queremos engolir um ao outro.
- Agora vai ser assim – meu irmão diz – Sempre virei aqui para visitar a parte marítima de nosso legado. E você, querido, quando desejar saber como está a parte terrestre dele, pode ir quando quiser ao Santuário de Atena. Não se faça de rogado.
- Não me farei. Mas então... quais são os seus planos para esta noite?
Cinjo sua cintura com meus braços voluptuosamente, colando meus quadris aos dele com o contato estreito.
- Hum... poderíamos passá-la aqui, nessa cama macia. Mas... eu gosto de fazer amor na água, você sabe...
- Sem problemas! Eu também gosto bastante, e lá fora há fontes e açudes escondidos dos olhos alheios. Vamos?
- Vamos.
E realmente há, logo perto, uma fonte que ostenta uma linda cor azul escura à noite. Ao mesmo tempo em que despimos nossas roupas e deixamos que o toque excitante e lúbrico da água nos entorpeça lentamente, abraço-o e deixo-me levar por um estímulo estranho e maravilhoso... um sentimento, quase uma voz interior, que diz: o sexo é comumente uma tentativa de complementar os próprios genes com os de outrem. Mas a soberba faz com que eu pense que não precisamos de filhos, eu e meu adorado amante gêmeo. Quando fomos concebidos, éramos apenas um óvulo fecundado; apenas uma criança que viria a ser. Eu sou uma cópia genética de Saga, e portanto já passo seu DNA adiante.
Não, não precisamos de descendência! Somos o que há de melhor e não necessitamos de nada que nos aperfeiçoe. O fato de fazermos amor é reafirmarmos que nossos genes merecem apenas nossos genes. Somos um fim em nós mesmos, o ápice do aperfeiçoamento.
Não somos humanos... todos diziam, irmão, que você se assemelhava a um deus. E enquanto estou aqui, sinto que isso é verdade por sermos três: eu, o "bom Saga" e você, que na verdade, segundo você mesmo, é o amor de Saga por mim. Mais que isso: é o vínculo que fez com que, mesmo nos separando, tivéssemos o mesmo destino.
Somos três... na maioria das mitologias sempre há uma tríade de deuses principais. Nós somos uma tríade... o "bom" Saga, o que cria; o "mau"Saga, o que destrói; e eu, como mediador dos dois, o que conserva e une.
Sim... formamos assim um perfeito e indestrutível Triângulo Dourado.
FIM
OoOoOoOoOoOoOoOoO
E
acabou! Mas caramba, que Kanon chato esse do final! Só na
arrogância ao descrever ele e o Saga... rs. Gostaria de
dizer que essa foi uma das fics das quais mais gostei de escrever.
Muito obrigada a Um beijo a todos e todas!
