Capítulo 08 – Pesadelo

Passos apressados podiam-se ouvir claramente, lá longe. Alguém estava correndo. Era Elsa e seu jeito de correr denunciava que estava correndo de algo. Algo estava atrás dela. Corria o máximo que podia, mas com seus saltos complicava um pouco as coisas. Olhava para trás insistentemente, não queria que chegasse perto. Sentia um peso pairando sobre sim, que a deixava muito inquieta, com medo.

- N-Não chegue perto de mim! –grita –Você não existe!

- Oh, é mesmo, minha cara? –fala em seu ouvido direito, fazendo-a se virar bruscamente, assustada –Se eu não existo, o que estou fazendo aqui então?

Olhou para os lados, repetidamente, tentando achar alguma saída, algum lugar para que pudesse se esconder dele, mas não havia nada. Apenas a escuridão.

- Seu medo é tão encantador, Elsie. –gargalha

- Não se atreva a me chamar assim, insolente. –ergueu sua mão direita, mas Breu a segura pelo pulso

- Não faria isso se fosse você. –deu um meio sorriso –Você está morrendo de medo de ficar sozinha. Sua irmã não está aqui. Você pode aparentar bravura, mas por dentro é uma mera menininha assustada.

- O que sabe? Você não sabe nada de mim, Breu. Nada.

- É mesmo? –sorriu –E sabe o que é isto? –em suas mãos havia uma caixa dourada e estava destinada somente à ela –Estas são as suas lembranças, minha cara. Suas memórias esquecidas.

- Mentira! Lembro-me de tudo que me aconteceu até hoje. É um mero blefe!

A gargalhada de Breu ecoou na escuridão mais alta, intensa do que minutos atrás. Aquilo havia feito seu coração gelar como uma pedra de gelo. Aquela cara satisfatória de Breu estava deixando-a inquieta, inquieta demais.

- Dê uma olhada, minha cara. Saberá de toda a verdade. –disse, abrindo a caixa vagarosamente

Flash Back

Em uma tarde pouco ensolarada por causa do inverno, uma menina de 8 anos chorava inconsolavelmente em seu quarto coberto de neve, com uma Anna do lado de fora tentando convencê-la a sair.

- Ei, Elsa... Você quer brincar na neve? –batia insistentemente na porta –Elsa, por favor, vamos brincar...

- Vá embora, Anna. –limitou-se a dizer, enquanto ouvia os passinhos se afastando do outro lado

Abraçou seus joelhos com lágrimas nos olhos e abaixou a cabeça. Não conseguia entender por que somente ela tinha poderes. Queria ser uma garota normal como sua irmã, poder brincar com ela sem ter que esconder nada. Era muito doloroso ficar ali, trancada e sozinha. De repente, escuta barulho vindo da janela. Achou estranho e se aproximou para tentar ver o que poderia ser. Ficou sem entender ao ver o vidro parcialmente congelado e sabia que não era obra sua.

- Ei, garotinha. –deu um pulo pra trás ao ouvir um sussurro em seu ouvido e se virou

- V-Você... Q-Quem é você?

Como eu não percebi ele entrar? E por que está descalço?

- Sua cara de confusa é impagável, sabia? –riu mais ainda com a cara emburrada de Elsa –Perdoe-me entrar assim, garotinha, mas meio que me atraí até seu aposento.

- Como disse? –colocou sua mão direita em seu rosto, pensativa –E ainda não me disse quem é.

- Ah, sim, claro. Eu sou Jack Frost, guardião da neve e das tempestades e da diversão. –disse, fazendo uma referência –Gostaria de brincar, bela dama da neve?

Acenou que sim com a cabeça e imediatamente Jack pega em sua mão até a janela e saem voando. Soltou um riso ao sentir o nervosismo de Elsa por estar voando ali com ele. Como seria possível uma coisa dessas? Estaria em um sonho? Fechou os olhos.

Se for um sonho, não quero acordar.

Flash Back

- O-O que foi tudo isso que acabei de ver? –colocou a mão na cabeça, ainda lembrando do que havia visto

- Foram apenas algumas lembranças do seu passado, Elsa. Se quiser saber mais, venha me procurar que lhe direi com prazer. –gargalhou e começou a se formar uma fumaça negra

- Espere! –tentou impedi-lo –Como posso saber se isso não é armação sua?

E, mais uma vez, estava sozinha naquela escuridão. O desespero estava voltando a tomar conta de seu coração e sentiu perder o ar quando notou algo atrás de si.

- NÃO! –gritou, levantando bruscamente da cama e ao olhar em sua mão direita viu a mesma caixa dourada

O que foi tudo aquilo? Sonho? Não... estava mais para pesadelo. Mas a caixa está aqui, comigo. Como pode?

Olhava tudo com cautela. Aquilo tinha sido real demais. Levantou-se, e suspirou ao ver que ainda era de madrugada e parou na janela, observando a bela lua cheia. Jack não havia voltado ainda. Estava se sentindo angustiada, mas não sabia dizer o porquê.

Continua...