Não, eu não possuo Naruto, eu possuo todo o resto do universo, dominando espaço e tempo, mas Naruto não me pertence, ainda...

É mais uma das fic da Li, isso é: Yaoi. Se não gosta, não leia, possivelmente haverá relações entre pessoas do mesmo sexo, possivelmente um pervertido Itachi corrompendo um não tão puro e inocente Naru-chan. Por isso, se não curte, não continue.

Naru-chan

Itachi tivera um dia infernal, cheio de problemas, mas após o expediente, fora para a casa de Naruto, onde seu irmãozinho já estava, assim como Neji. Fora recebido por Naruto na porta, ganhara um beijo enquanto o loiro tirava seu paletó e maleta e o mandava subir para seu quarto e tomar um longo banho. O jantar, dissera Naruto, seria servido em vinte e cinco minutos. E Itachi se vira fazendo exatamente isso.

Depois do banho, encontrara uma yukata escura sobre a cama de Naruto, uma yukata que lhe servia perfeitamente, e com ela, descera as escadas para encontrar todos na cozinha, já entorno da mesa, enquanto Naruto terminava de preparar o jantar, todos usavam yukatas como a dele, completamente confortáveis. O bento que Naruto sempre deixava sobre a pia junto à louça suja foi preparado e então as travessas foram colocadas sobre a mesa e eles atacaram a comida.

Depois do delicioso jantar, deixaram toda a louça suja na pia e foram para a sala de estar, onde tinham se aninhado em casais nas poltronas e sofás da sala, conversando animadamente, comentando sobre o relacionamento nada lento ou cauteloso de Kakashi com Iruka, riram e brincaram até Naruto bocejar. Só então tinham decidido dormir, felizmente nenhum deles tinha aula ou trabalho no dia seguinte, poderiam dormir até tarde se quisessem. Subiram as escadas e se despediram no corredor que ligava os quartos, depois de desejarem boa-noite, entraram cada casal em seu quarto e fecharam as portas, todos fingindo algum grau de sono, mas Itachi pensava que como ele e Naruto, todos os demais tinham parado de fingir ao fecharem as portas, isolando-se dos demais e finalmente a sós com seus companheiros. Eram uma família, apreciavam imensamente a companhia uns dos outros, mas haviam momentos em que desejavam estar apenas com a pessoa mais importante para eles, e no seu caso, essa pessoa era Naruto, assim como esperava ser a pessoa mais importante para o loiro.

Naruto andou até a cama, soltando sua yukata clara e a deixando cair no chão, como um lago claro enquanto a pele azeitonada ia criar contraste com os lençóis muito alvos da cama. Não havia nenhum resquício de sono no rosto de Naruto, e seus lindos olhos cerúleos brilhavam sedutoramente enquanto ele se acomodava no meio da grande cama de casal, abrindo as pelas pernas sugestivamente enquanto seus braços se erguiam para que suas mãos pudessem segurar o metal trabalhado da cabeceira.

- Você não vem? – Naruto perguntou travesso.

Itachi se afastou da porta, sorrindo sedutoramente enquanto aceitava o doce convite de Naruto. Sua yukata foi aberta, enquanto os olhos azuis se deslocavam de seu rosto para contemplarem apreciativamente seu corpo, gerando ainda mais desejo. Como se fosse necessário, pensou Itachi, como se precisasse mais do que apenar se saber sozinho com Naruto para incendiar seu desejo plenamente, como jamais havia sentido antes. Naruto o despertava como ninguém jamais havia despertado, entorpecia seus sentidos e anulava sua mente racional. Quando estavam apenas os dois, havia somente Naruto, o corpo de Naruto, as coisas que desejava fazer com Naruto, o desejo e amor que sentia por Naruto. Quando estavam somente os dois juntos, a única coisa que conseguia focar sua mente era possuir Naruto e se deixar possuir por ele, afastando tudo que os impedia de sentir a pele um do outro, o contato total com o outro.

Naruto, quando questionado sobre isso, dissera que eram os feromônios ayakashis agindo, que era normal entre companheiros. Era apenas normal, dissera Naruto, sem jamais dizer que amava Itachi, nem mesmo quando Itachi lhe sussurrava palavras de amor, quase sempre depois de transarem. Mas não era hora de perder tempo com pensamentos como aquele, com dúvidas ou questionamentos, era o companheiro de Naruto, seu companheiro escolhido, isso queria dizer que o loiro o amava. Não era?

Deixando a yukata sobre a cadeira diante da penteadeira, ele foi despido para a cama, indo de gatinhas até Naruto, que o olhava sedutoramente. Sabia o que aconteceria, acabaria fazendo amor com Naruto, de forma selvagem, quase brutal. Era isso que sempre acontecia, era assim que o loiro o dominava e comandava a fazer, mas naquela noite não. Naquela noite iria mostrar com seu corpo o quanto amava Naruto, e ouviria do corpo dele sua resposta. As palavras não eram importantes, decidiu Itachi, os atos sim.

- Tachi? – Naruto chamou soltando a cabeceira e evolvendo o pescoço de Itachi, que tinha os cabelos soltos desde o banho. As melenas negras eram como rios sobre a pele alabastro, caindo até mesmo sobre ele. Os cabelos de Itachi eram macios, assim como sua pele era suave, mas não eram delicados. Não havia nada frágil ou delicado em Uchiha Itachi, ele era o aperfeiçoamento de seu clã, um retrato de sua genética – o que está errado?

- Nada – sussurrou Itachi sorrindo, se deitando sobre o loiro, ignorando o prazer gerado pela fricção de seu pênis ereto com o de Naruto enquanto beijava do ombro ao pescoço do loiro – nada está errado, Naru.

Naruto concordou, dando espaço para Itachi lhe beijar e então o moreno lhe beijou a linha do maxilar e finalmente os lábios carnudos, tirando suspiros de Naruto, que ainda achava que alguma coisa estava errada, e Itachi percebia isso.

- Hoje eu vou comandar – Itachi sussurrou de encontro aos lábios de Naruto, enquanto suas mais acariciavam a pele macia do loiro, descendo de seu peito para sua cintura e finalmente para suas coxas grossas, separadas para acomodarem Itachi em seu convite – hoje você vai deixar que eu lhe ame lentamente, não vai?

- É isso que quer? – Naruto perguntou sorrindo – me dominar?

- Não – Itachi sorriu enquanto seus lábios deixavam o rosto de Naruto e desciam por sua garganta até o mamilo escuro do loiro, lambendo-o com a ponta de sua língua antes de sugar, arrancando um gemido baixo do loiro enquanto suas mãos apertavam os glúteos de Naruto, os separando levemente antes de seus dedos irem se aprofundar dentro do loiro, que gemeu lascivamente – eu quero amar você. Me deixe amar você.

Naruto concordou enquanto Itachi ia dar o mesmo tratamento ao outro mamilo, os dedos, dois dos dedos longos de Itachi, dentro dele, estimulavam o loiro que gemia entregue.

Itachi sorriu para Naruto enquanto seus lábios desciam para o estomago dele, os olhos azuis estavam tempestuosas enquanto observava Itachi provocá-lo, percorrendo com a língua o redemoinho negro entorno de seu umbigo, até acabar dentro do mesmo.

- Eu vou lhe mostrar o quanto eu o desejo – Itachi sussurrou com voz rouca – o quanto eu te amo, Naru, para que você jamais esqueça, para que jamais duvide.

Naruto o olhou levemente confuso, mas os lábios de Itachi não estavam mais em seu umbigo e sim entre seu membro, em uma cena erótica demais para ser ignorada, por isso tentou não fechar seus olhos. Mas Itachi não o ajudou em seu empenho, sugando sua glande com força e o fazendo segurar com uma mão a cabeceira da cama enquanto a outra apertava o ombro do moreno.

- Tachi – Naruto chamou desejoso – onegai...

Itachi sabia o que o loiro desejava, e desejava o mesmo, por isso beijou a glande vermelha e úmida de Naruto antes de tirar seus dedos de dentro dele e tornar a se deitar sobre Naruto. Com as mãos, guiou as pernas de Naruto entorno de sua cintura enquanto se encaixava no ânus úmido do loiro, lubrificado para seu companheiro, como Naruto também lhe explicara. Deslizou lentamente para dentro do loiro, como uma katana desliza pela bainha que foi feita sobre medida para ela. Seu gemido se uniu ao do loiro enquanto entrava profundamente e então parou, completamente dentro do loiro.

- Mova-se – Naruto pediu.

- Lentamente – Itachi sussurrou subindo as mãos pelos braços do loiro e entrelaçando as mãos as do loiro quando as encontrava, descansando-as na linha da cabeça do loiro enquanto se movia lentamente, saindo e entrando, arrancando o máximo prazer que podiam com o contato. Não queria perder nada, queria apenas amar Naruto.

E Itachi arrancou todo o prazer, que beirava ao desespero, enquanto Naruto ofegava e implorava por mais. E Itachi dava, mais fundo, mais forte, mas não mais rápido. O ritmo foi crescendo lentamente, nem mesmo quando Naruto gozou a primeira vez, Itachi não esqueceu seu desejo, sua predisposição. Amou Naruto até as raias da loucura, mostrando a intensidade de seu desejo, a profundidade de seu amor. Até que não restasse mais sanidade, até que não houvesse mais como adiar. Só então investiu com a rapidez e força que Naruto implorava, até que ambos gozaram juntos, entrelaçados.

- Eu também te amo – Naruto sussurrou e Itachi quase riu, usando o resto de suas forças para abraçar o loiro apertado junto a ele, rolando e invertendo as posições, fazendo Naruto deitar sobre ele, beijando seus cabelos e o aconchegando assim.

Estava quase adormecendo quando Naruto se afastou gentilmente dele, se sentando na cama, parecendo alerta como uma raposa na floresta, quando fareja ou pressente um predador. O loiro se moveu rápido, se erguendo da cama. Ia perguntar o que Naruto ia fazer quando sentiu um alarme dentro dele, indicando que não estavam mais sozinhos na casa, que não havia mais somente a sua família ali. Podia jurar que havia mais pessoas, não na cozinha, como era comum sentir uma presença enquanto a água da torneira aberta soava. Não, era diferente, a presença de Susugi jamais o alarmara. Naruto se ergueu e pegou a yukata que estivera usando até ser despida para Itachi, e o próprio Itachi pegou sua yukata sobre a cadeira, a fechando enquanto seguia Naruto para fora do quarto. No corredor, as portas dos quartos de Gaara e Sai se abriam e seus proprietários saiam dos mesmos, seguidos por Sasuke e Neji. Os seis estavam vestindo suas yukatas amassadas, indicando que nenhum deles tinha realmente ido realmente dormir, mas o alarme nos olhos de todos indicava que nenhum deles iria comentar o obvio, não era momento de brincar.

- Naruto? – Gaara chamou apreensivo quando Naruto começou a descer a escada.

- Calma – Naruto falou olhando para todos por sobre o ombro antes de continuar a descer – não se preocupem, é apenas um ciclo que chega ao fim.

Gaara olhou para Sai e juntos eles arregalaram os olhos e seguiram apressadamente Naruto, seguidos por Itachi. Sasuke e Neji o seguiram prontamente, incapazes de deixar que seus companheiros seguissem para o desconhecido sem suas companhias. Ao chegarem ao fim da escada, viram a porta da casa completamente aberta. Mas foi um vulto no escuro da cozinha que lhes fez se voltarem.

- Você chamou, eu vim – uma voz forte e masculina soou quase amedrontada e Naruto se virou para a porta da cozinha, estendendo a mão na semi-luz do luar que entrava na casa pela porta aberta. O sorriso de Naruto era confortador e uma mão esquelética apareceu primeiro, pegando a mão de Naruto, depois apareceu o manto desfiado e antigo e finalmente o que estivera na cozinha apareceu completamente, sua cabeça grande e cadavérica, seu corpo esquelético, e o bento que Naruto fizera na outra mão – você chamou, eu vim.

- Obrigado, Susugi – Naruto falou sorrindo docemente – você é sempre muito bem vindo aqui. Infelizmente, acredito que seja melhor você partir por hoje. Haverá muitos perigos para você aqui, muita luz.

Susugi concordou com a cabeça e apertou a mão de Naruto mais uma vez antes de reverenciar e soltar Naruto, voltando para a cozinha e sumindo na escuridão que reinava lá. Pouco depois ouviram a porta da cozinha abrir e fechar cuidadosamente, e só então a cozinha foi banhada pelo luar, como se cortinas tivessem se aberto finalmente, deixando a luz entrar.

- O que era aquilo? – Sasuke perguntou baixo.

- Um ayakashi – Gaara respondeu enquanto observava Naruto se virar para a porta da frente e seguir para fora da casa – Susugi não é forte, nem perigoso ou violento. Ele pode parecer assustador, mas é completamente bom. Ele gosta de humanos, antigamente, ele lavava a louça das casas a noite em troca das sobras de comida. Estava morrendo de fome na floresta, já que ninguém mais acredita nele e as cidades estão cada vez mais iluminadas, mesmo a noite. Ele foi atraído pela energia de Naruto, e pelo cheiro da comida, vem toda a noite ver se consegue alguma coisa, mora com outros na floresta, todos pacíficos, por isso Naruto sempre deixa um bento pronto para ele, mesmo quando não temos louça que não a que Naruto usou para fazer o bento.

Sasuke se espantou com a velocidade com que Gaara dissera aquilo, mas se moveu junto com ele quando o ruivo começou a se encaminhar para fora da casa também. Itachi já estava no jardim, ao lado de Naruto, parecendo inseguro e protetor. Mas foi somente quando os pés de Sasuke, Gaara, Neji e Sai se colocaram sobre a grama do jardim, que os pontos de luz começaram a aparecer, primeiro pequenas bolas de luz, como bolotas, e então crescendo e se solidificando, até se tornarem rostos e então pessoas espectrais. E não quaisquer pessoas, mas os Uchiha que tinham esperado até então o fim da maldição. Todos aqueles que tinham esperado, mesmo aqueles que já tinham sido libertados, estavam ali reunidos no momento do adeus, no momento em que maldição que recaia sobre os Uchiha finalmente chegava ao fim.

Sasuke puxou Gaara pela cintura quando reconheceu os dois fantasmas mais próximos a ele, eram seus pais, que estavam ali, sorrindo abraçados, com seu pai mantendo o braço entorno da cintura de sua mãe exatamente como ele fazia com Gaara.

- Gaara, meus pais – Sasuke falou e Itachi olhou sobre o ombro quando ouviu as palavras de seu irmãozinho, mas então a luz mais próxima de Naruto brilhou e um homem estava abraçando seu companheiro.

- Izuna – Naruto sussurrou emocionado, abraçando o fantasma tão forte quanto era abraçado – finalmente.

- Finalmente – Izuna falou se separando de Naruto, que deu espaço para Sai, que se atirava nos braços de Izuna, sendo recebido carinhosamente enquanto Izuna observava Neji, que se aproximara silenciosamente, incapaz de deixar seu companheiro desprotegido entre aqueles fantasmas. Não importava para Neji que Sai fosse um hanyou, que fosse muito poderoso, quase imortal, Sai era seu amado companheiro e seus instintos lhe impediam de deixá-lo sozinho ou desprotegido – como vocês cresceram, meus meninos. E esse é o seu companheiro, koneko?

- Hai – Sai falou se afastando de Izuna e estendendo a mão para Neji, que a pegou enquanto os dedos se entrelaçavam – esse é Hyuuga Neji, meu companheiro de alma.

Izuna sorriu para Neji, enquanto outros Uchiha iam se solidificando ali. Neji se viu sorrindo de volta, reconhecendo as semelhanças entre Izuna e Sai, já sabia que Sai havia imitado a aparência de Izuna, e podendo os comparar agora, via que Sai era a cópia mais jovem do homem.

- Obrigado por cuidar e proteger meu Sai, Izuna-san – Neji falou reverenciando com a cabeça.

- Eu é que agradeço pela felicidade que deu ao meu lindo Sai – Izuna falou e então olhou Itachi – e você, meu descendente, obrigado por aceitar o cuidar de meu Naruto.

- Eu o amo – Itachi falou simplesmente, vendo que Sasuke e Gaara chegavam com seus pais – eu o amo com todo o meu ser.

Izuna concordou enquanto Fugaku passava o braço pelas costas de Itachi e o abraçava junto de Mikoto.

- Não pudemos nos despedir, meu filho – Mikoto sussurrou enquanto Sasuke ia ser apresentado a Izuna por Gaara, que sorria feliz.

- Quem diria, um Uchiha para Sabaku no Gaara? – Izuna perguntou sorrindo amplamente, enquanto Gaara concordava com a cabeça – todos vocês escolheram muito bem, tanuki. Estou tão orgulhoso de vocês. Nenhum filho de minha carne e sangue me deu mais alegria e orgulho do que os meus três demônios. Nenhum pai é mais feliz do que eu por ver os homens que vocês, meus filhos, se tornaram. Infelizmente, hoje nos despedimos.

Gaara concordou se atirando nos braços de Izuna, abraçando-o pela última vez, como não fizera quando se despedira de Izuna quando ele ainda vivia. Naquela época, Izuna não era o mais importante, embora soubesse que poderia jamais tornar a vê-lo, não, naquela época, nenhum deles era importante para o outro, Naruto era o centro de tudo, e Naruto estava faltando, por isso não tinham amor para dar a nenhum outro ser.

- Estamos tão orgulhosos de vocês – Mikoto sussurrou de afastando de Itachi e abraçando Naruto – obrigado por permitir que Sasu-chan fosse feliz com seu irmão, e obrigado por fazer meu Itachi tão feliz.

- Sasu-chan? – Gaara perguntou maliciosamente, se separando de Izuna enquanto Sasuke corava.

- Mãe! – Sasuke repreendeu em um lamento e Mikoto riu, Fugaku tirava Naruto dos braços da esposa e colocava a mão sobre seu ombro.

- Obrigado, Kyuubi no Kitsune – Fugaku falou emotivo – eu não fui um pai amoroso em vida, mas a maldição que hoje se desfaz me permitiu aprender com meus erros e me despedir de meus filhos como eles merecem. Obrigado.

- Quem diria que um Uchiha, um dia, iria agradecer a Kyuubi no Youko pela maldição que foi lançada? – uma voz rouca soou e os fantasmas dos Uchiha espalhados pelo jardim se afastaram, dando espaço para o homem de longos cabelos ruivos que passava. A massa ruiva caia despontada e indomável por seus ombros e costas, o corpo magro era cheio de vigor e força, e seu rosto, quase malicioso e belicoso demais, tinha um sorriso indolente nos lábios, enquanto os olhos estavam fixos em Naruto.

Itachi o observou cautelosamente, sentindo o poder que ele emanava enquanto se aproximava mais de Naruto, que sorriu amplamente, correndo para o homem e se atirando em seus braços.

- Chichiue – Naruto gritou ao ser recebido pelo ruivo, que fechava os olhos e escondia parcialmente o rosto no pescoço de Naruto, aspirando seu cheiro.

- Kyuubi, Minato – Izuna falou animado, andando para o loiro que aparecia atrás de Kyuubi e observava sorrindo o abraço entre pai e filho. Um homem que era a cópia fiel de Naruto, em traços e cores, uma versão mais velha do rapaz nos braços do ruivo.

- Izuna – Minato sorriu para o amigo, mas seus olhos azuis idênticos aos de Naruto se moveram para o casal que se abraçava – meu filho.

- To-chan – Naruto falou choroso, se atirando para os braços de Minato, que o apertou em seus braços, lhe beijando os cabelos – to-chan.

- Tão lindo – Minato sussurrou afastando o rosto para ver melhor seu filho – tão lindo o nosso filhote, Kyuubi.

- Sim, a minha grandeza e a sua aparência – Kyuubi falou arrogante enquanto apertava o braço de Izuna, que sorriu indulgente – mas agora, eu quero conhecer o companheiro de meu filhote. Quem é o Uchiha sortudo?

- Eu, eu – Obito gritou ficando entre Kyuubi e Itachi, que tinha se aproximado – é claro que sou eu, Kyuubi-san!

Kyuubi sorriu indulgente, afagando os cabelos rebeldes de Obito, que sorriu amplamente. O espectro de Obito, congelado aos treze anos para sempre, sorria tão amplamente quanto Naruto e Kyuubi sabia quem ele era, como Naruto sabia. Aquele ser tinha acreditado fielmente na maldição do clã, mesmo sem encontrar o diário de Izuna, mesmo sem saber nada além dos contos que seus pais tinham sussurrado antes dele dormir, pensando que eram contos de fadas, ele acreditara, e vivera para encontrar uma resposta. Mas Kami-sama, que parecia sempre escolher os melhores para voltarem antes para ele, havia decidido semear muito cedo aquela linda vida. Mas Kyuubi sentia que aquela alma estava entrelaçada com a de seu filhote e dos irmãos dele. Não era a última vez que Uchiha Obito iria encontrar com seu Naruto, embora a próxima vez estivesse em uma nova roupagem de carne, esquecido dos anos em que vivera como Uchiha Obito e como fantasma de Uchiha Obito.

- Você teria sido um bom companheiro, se tivesse encontrado meu filhote – Kyuubi falou e Obito riu deliciado.

- Não tive tempo – Obito falou – mas se Kami-sama tivesse me dado mais uns dois ou três anos, eu seria o companheiro de Naruto-kun!

- Mas não é – Itachi lembrava de Obito, pouco, mas lembrava. Obito tinha sido sua pessoa favorita na família – eu sou o companheiro de Naruto, Kyuubi-san.

Kyuubi viu Obito dar espaço para o primo, a quem tinha dado a língua, então olhou demoradamente para Itachi, o julgando completamente antes de sorrir.

- Hn, e não é que meu filhote escolheu bem? – Kyuubi comentou olhando para Naruto e Minato por sobre seu ombro, vendo que seu companheiro e o filhote deles se aproximavam para que Minato pudesse conhecer também o companheiro do filhote deles – tão diferente do meu companheiro quanto eu sou de meu filhote, e mesmo assim, tão corajoso e justo quanto ele. O que acha, meu amado?

- Acho que Naruto escolheu bem – Minato falou entregando Naruto para Itachi, que deixou o loiro se acomodar em seu peito, segurando sua cintura com as mãos – você o fará feliz.

- É o meu objetivo – Itachi falou determinado e Minato sorriu.

- E graças à maldição de Kyuubi, pudemos conhecer a todos – Mikoto falou depois de acariciar a face de Sai e Neji, indo com o marido para junto do grande grupo que se formava, vendo Naruto apresentando seus irmãos e os companheiros deles aos pais.

- Ichibi no Shukaku – Kyuubi sussurrou maliciosamente, depois de ser apresentado a todos os demais – então, foi derrotado pelo pai e pelo filho, como é isso?

- Pelas memórias que o antigo Shukaku me deixou, foi esperado, mas humilhante perder para você – Gaara falou serenamente – mas as minhas memórias de perder para Naruto são preciosas. Não sei se foi à melhor coisa que aconteceu na minha vida, ela perde apenas para o dia em que eu me tornei um com meu companheiro. Mas minha indecisão é apenas por saber que se eu não tivesse perdido para Naruto, não teria encontrado Sasuke.

- Você tem uma sabedoria que Shukaku não possuía – Kyuubi falou olhando Gaara e então Sai – foram ótimos irmãos para meu filhote, meu Minato lhes agradece.

- Porque Kyuubi no Youko não consegue dizer isso – Minato falou rolando os olhos, para diversão de todos, até de Kyuubi.

- E agora, o que acontece? – Sasuke perguntou curioso.

- Agora, a maldição se acaba, Sasu-chan – Obito falou animado – agora, finalmente, todos os Uchiha, do passado até seus pais, podem finalmente descansar, podem seguir para seus lugares de direito, os lugares que fizeram em vida por merecer.

- Eu, que jamais estive preso, Obito, assim como poucos outros que já fora libertados por usarem suas vidas procurando por Naruto, assim como todos os demais, vamos finalmente poder cumprir nossos destinos – Izuna falou sorrindo – mas antes...

- Mas antes, temos que chamar o verdadeiro maldito – Kyuubi rosnou começando a se enfurecer.

- Madara – o nome foi sussurrado como um palavrão pelos demais fantasmas, enquanto os Uchiha se aproximavam, sabendo que o fim estava ainda mais próximo.

Como que convocado pelo som de seu nome, um fantasma apareceu pouco atrás de onde estavam, fazendo com que muitos rosnassem, muitas palavras duras serem murmuradas e Kyuubi, Gaara e Sai se abaixarem levemente, como que prestes a pular sobre o fantasma que se andava na direção deles.

Mas Madara ergueu a mão, indicando que não desejava ameaçar ninguém e andou até diante do grupo formado por aqueles a quem ferira durante sua vida. Seus últimos descendentes se aproximavam, Itachi, Sasuke e Neji pareciam querer brigar, como todos os demais, mas ele não desejava isso, não desejava fazer qualquer mal. Tinha aprendido sua lição, tinha entendido seus erros e não os aumentaria, ainda tinha uma punição a receber e não a temia, sabia que a merecia.

- Eu vou destruí-lo, Madara, como deveria ter feito antes de meu filhote nascer – Kyuubi rosnou, mas não avançou, Naruto o segurava e negava com a cabeça – meu filhote?

- É meu direito punir Uchiha Madara – Naruto falou calmamente – todos tiveram escolhas, todos vocês, chichiue, to-chan e Izuna, tiveram o poder de escolher como viver e como morrer, menos eu. É meu direito e dever decidir a punição de Uchiha Madara. Afinal, eu sou Kyuubi no Kitsune, eu sou o legado de Namikaze Minato, o humano com coração de Tenshi e Kyuubi no Youko, o Senhor dos Demônios.

- Sim, é seu o dever e poder puni-lo – Kyuubi falou acariciando os cabelos macios e ainda úmidos do acasalamento de seu filhote – meu demônio com coração de anjo.

Kyuubi então se deixou abraçar por seu companheiro, Minato sorria, tão orgulhoso quanto ele do filhote que tinham tido, da criança que nascera como fruto do amor que tinham partilhado e que sempre partilhariam. Enlaces como os deles eram eternos. E ambos olharam Izuna, agradecendo, mesmo que o irmão mais jovem de Madara olhasse seu irmão com uma mistura de amor e raiva. Izuna sempre amara Madara, mas não permitiria que ele ferisse Naruto mais uma vez. Mas queria o fim daquela maldição, queria paz para Naruto e para os seus parentes. Queria paz para todos, mas Madara ainda deveria ser julgado e pagar.

Naruto encostou em Itachi ao se afastar ele, que quase ergueu os braços para impedi-lo, mas não teve coragem para isso, aquele era o dever de Naruto e não poderia interferir, apenas rezar para que tudo saísse bem. O sorriso de Naruto para ele foi rápido, e então o loiro estava novamente sério, avançando até parar uns dois passos de Madara.

Naruto ergueu a mão, deixando-a diante do rosto de Madara, que o encarava, querendo pedir perdão, querendo declarar os sentimentos doentes que tinham se aprofundado e sido compreendidos, os sentimentos que o fizeram sofrer e purgar a loucura e ganância durante todos aqueles anos de espera, completamente sozinho, sem qualquer descanso. Aqueles anos tinham sido já uma punição para ele, não somente por ver aqueles que partilhavam seu sangue e que não tinham descanso, como ele, mas também por não poder ver Naruto, não poder alimentar o amor que sentia por ele, não poder vê-lo sorrindo e brincando, crescendo e finalmente amando. E aprendera muito vendo Naruto e Itachi, observando-os de longe, sofrera muito vendo Itachi sendo aceito por Naruto, sendo amado pelo mesmo. Sofrera por ver que Itachi fazia todas as escolhas certas, colocando sempre Naruto diante de si mesmo, os desejos de Naruto antes dos seus próprios. Não havia orgulho para Itachi se isso ferisse Naruto, não havia nada além de Naruto no coração de Itachi. E Itachi amava seu irmãozinho, o protegia, e estava feliz em deixá-lo ir, em vê-lo feliz com Shukaku, mesmo que isso tivesse acontecido antes dele ter seu kitsune. Itachi, que agora parecia dilacerado por ter deixado Naruto desprotegido diante dele, mas que não interferiria no desejo de seu amado, na tarefa que ele decidira executar. Mas que mantinha os olhos fixos em Naruto, pronto para interferir e proteger seu companheiro de Madara, que também olhava o loiro.

- Como já foi dito, é meu o direito de punir, Uchiha Madara – Naruto olhava diretamente nos olhos de Madara, que baixou as mãos, humildemente se entregando a punição que Naruto escolhera para ele – mas para isso, você deverá tomar sua verdadeira forma, esse é meu primeiro comando!

Madara se tornou grande youkai canino, todo brando, com uma runa vermelha sobre o focinho, e parecia tão espantado quanto todos os demais Uchiha que assistiam aquela cena, assim como Sai e Gaara estavam. Todos sabiam que Madara tinha se aprofundado demais na desgraça, absorvido a força e vitalidade de muitos seres, humanos e ayakashis, mas não esperavam que ele tivesse uma forma primaria como aquela. Sempre tinham achado que Uchiha Madara era humano, um homem que se tornara demoníaco e monstruoso, não um ayakashi que se tornara humano e então novamente demoníaco.

- Com essa forma você vagara até que encontre alguém para proteger, ensinar e finalmente amar – Naruto comandou – até que compreenda, que sinta o que desdenhou e o que destruiu. Como ayakashi, como demônio, nesse mundo que se torna cada dia mais perigoso para eles. Sem jamais poder assumir uma forma humana que não para proteger, que não para cuidar e amparar. Madara, você está livre para vagar pelo mundo, até que seu débito consigo mesmo e com Kami-sama tenha terminado.

Madara baixou a cabeça, e então ouviu o sussurro de Naruto. Procure Natsume Reiko², com ela você entenderá, e dela virá àquele que pode lhe salvar. Ergueu apenas os olhos e então viu Naruto sorrindo.

- Eu o perdôo por mim e por meus pais – Naruto falou – nossos caminhos jamais tornarão a se encontrar. Como Madara, e apenas Madara você deve vagar, já sem sobrenome, sem família, pois nem a aqueles que tinham o seu sangue você respeitou em vida. Apenas Madara você é de agora em diante, jamais podendo usar novamente o nome Uchiha, jamais podendo retornar para onde foi seu lar, para junto daqueles que tiveram o seu sangue e partilharam com você a maldição que sua ganância trouxe para essa nobre casa. Eu o proíbo de se aproximar de qualquer Uchiha de hoje ou do futuro, eu o proíbo até mesmo de falar o nome deles, ninguém além de você saberá da ligação que antes existiu. Agora vá, siga o caminho solitário que você mesmo construiu com suas próprias mãos, e tente conquistar a redenção que seu coração anseia. Eu sou Kyuubi no Kitsune, eu decretei sua punição, agora vá!

Madara reverenciou com a cabeça, Naruto poderia ter lhe dado uma punição ainda maior do que aquela, algo muito mais doloroso, mas não fizera. E o ajudara, murmurando o nome da humana que seria a chave para sua redenção, para que pudesse se salvar. Nenhum dos sofrimentos que se infringira naqueles anos todos, nem mesmo a total racionalidade que eliminara a loucura dos anos mortais, esfregando como sal sobre as feridas que causara em si mesmo por ganância, fora em vão. Ele aprendera, como jamais poderia ter aprendido quando vivo, aprendera e honraria aquela oportunidade que Naruto lhe dava, pois sabia muito bem que merecia a destruição, para sempre desprezado por Kami-sama.

- Em nome dos Uchiha, eu o perdôo, não mais Uchiha Madara – Izuna se adiantou, se colocando ao lado de Naruto – vá em paz, sendo apenas Madara, cumpra sua penitencia e um dia talvez voltemos a nos encontrar. Adeus, irmão.

- Adeus, Izuna – Madara sussurrou e então saiu voando de lá, sabendo que havia um débito ainda a saldar, um débito com todos os youkais que destruíra em sua ânsia por poder – adeus, Uchiha. Adeus, Kyuubi no Kitsune, eu lhe desejo felicidade, por que eu o amei. De todas as formas erradas, mas eu o amei. Que você seja feliz, muito feliz e que seu companheiro, que carrega meu sangue maldito e o sangue de meu honrado irmãozinho, sempre esteja ao seu lado. Adeus.

O imenso cão branco, o poderoso ayakashi que era Madara saiu voando, se retirando finalmente livre. Porem ele sabia que a liberdade estava longe de ser alcançada, uma nova maldição o prendia a terra, mas uma maldição mais branda e generosa do que a de Kyuubi. Partiu para longe, sentindo os olhos sobre ele até que estivesse longe o suficiente para não ser mais visto, sabia que o silêncio reinaria até que estivesse muito longe, até que não representasse mais perigo. Porque todos ali sabiam que as palavras de Naruto eram verdadeiras, jamais tornariam a se ver agora que se afastava, mas levaria as recordações dos sentimentos que sentira, de quão mal ele fizera a ele e aos outros, e jamais erraria novamente, assim como jamais esqueceria Uzumaki Naruto, Kyuubi no Kitsune e companheiro de seu descendente.

- Filhote – Kyuubi chamou cheio de orgulho em sua voz agora que Madara estava longe – tão régio, tão forte, tão generoso. Muito me orgulha, mas esse é o momento do adeus. Estaremos lhe esperando, sempre velando por você, meu filhote amado, única cria de meu corpo e alma.

- E eu estarei vivendo para não os envergonhar quando tornarmos a nos encontrar – Naruto sorriu – adeus a todos aqueles que partilharam comigo a espera, nesses anos de maldição, eu lhes desejo paz.

Os Uchiha foram desaparecendo, alguns sorriam, outros reverenciavam antes de seguirem em frente, até que somente Mikoto, Fugaku, Obito e Izuna tivessem permanecido. Minato e Kyuubi sorriam abraçados, tinham se despedido dos irmãos de seu filhote e seus companheiros, e tinham se despedido do companheiro de seu próprio filhote. A emoção era forte, aquele eram os últimos segundos daquele encontro esperado por séculos. Nenhum deles queria realmente partir, mas todos eles sabiam que não podiam ficar.

- Nós vamos agora – Izuna sussurrou sorrindo.

- Não, eles vão agora – Naruto falou tocando o ventre – você que esperou sem precisar é que foi à última parte da maldição a se realizar, Izuna. Não como pai, não como protetor você retorna, mas como um filho, o meu filho. E somente com isso a maldição será desfeita e tudo que foi tirado é devolvido. Diga até logo aqueles a quem tanto amou, uma nova vida se iniciará para você.

Izuna arregalou os olhos enquanto os demais batiam em suas costas, empurrando-o para diante de Naruto e então ele sentiu o feto que se formava dentro de Naruto naquela hora, unindo a fertilidade demoníaca dele e o sêmen de Itachi, voltaria como um Uchiha, voltaria para estar com aqueles a quem também amava, sendo parte deles, mesmo que sem aquelas preciosas lembranças. Uma nova chance, uma nova vida para Uchiha Izuna. Feito carne e sangue de Naruto e Itachi, fruto do amor que partilhavam, que construíam, solidificando a união que possuíam.

- Uchiha Hiro – Naruto sussurrou baixo e Itachi o segurou pela cintura, lhe beijando os cabelos, um filho, um filho dele e de Naruto. Uma criança com a alma de Izuna, pensou emocionado. Não poderia haver alma melhor, pensou Itachi, a não ser a de Obito, que chorava agora, assim como Mikoto, se despedindo de Izuna. Todos o abraçavam, lhe beijavam e se despediam emocionados, até mesmo Kyuubi, que murmurara que Izuna merecia aquilo.

Izuna desapareceu, sugado para dentro de Naruto, para dentro de seu ventre, já protegido pelas mãos entrelaçadas de Naruto e Itachi.

- Um dia todos nos encontraremos novamente – Naruto falou aos demais, sorrindo entre lágrimas – vão em paz, o tempo de espera acabou. Vão em paz, e levem a certeza de nosso amor.

Mikoto limpou suas lágrimas enquanto seu marido a amparava, Obito ria feliz, assim como Minato e Kyuubi, que também estavam abraçados. Os cinco tocaram levemente o ventre de Naruto, como que abençoando ou se despedindo momentaneamente daquela alma e só então os cinco viraram luz, que foi levada pelo vento gentil, como uma nuvem de vagalumes, deixando Naruto, seus irmãos e os companheiros deles sozinhos finalmente no jardim.

Naruto fungou, se virando entre os braços de Itachi e chorou de encontro ao seu peito, chorou por todos que conheceu e amara e que demoraria a rever. Chorou as dores de toda a vida de caça que tivera, por todos os anos de prisão e finalmente por aquela vida livre e feliz que encontrara quando fora finalmente libertado.

- O kitsune – Sasuke sussurrou abraçado a Gaara, mas olhando para Naruto – você é o filhote de raposa que encontramos no sótão. Fomos nós, sem sabermos, que libertamos Naruto do selo que Madara forjou.

Itachi concordou com a cabeça enquanto beijava os cabelos de Naruto, as memórias do filhote de raposa finalmente restauradas. Mas isso não importava agora, o que importava era que Naruto estava finalmente parando de chorar, que estavam juntos, que se amavam, tinham sua família ali com eles, e que teriam um filho.

- Eu te amo – Itachi sussurrou de encontro aos cabelos de Naruto.

- E eu a você – Naruto falou fanhoso em retorno, enquanto Itachi simplesmente o pegava no colo e o levava para dentro de casa.

- Vamos dormir – Itachi falou subindo as escadas e indo para dentro de casa – foi um dia longo demais, seguido por uma noite ainda mais longa. Amanhã, a luz do dia, conversaremos sobre tudo o que aconteceu e decidiremos como será de agora em diante.

- Vamos – Neji sussurrou puxando Sai para mais próximo de si enquanto começava a seguir Itachi.

Sasuke e Gaara ficaram um pouco mais no jardim, deixando a lua os iluminar. E então se olharam felizes, se beijaram e seguiram para dentro da casa, onde a família deles estava. O dia fora longe, a noite cheia de emoções, mas estavam juntos, estavam felizes e assim continuariam. Sasuke fechou a porta depois de entrar, sabendo que dessa vez ela ficaria fechada até que um deles abrisse-a novamente. E não estranhou a paz que sentia em seu peito, nem a alegria que sentia. Tinha seu Gaara, que fora aprovado por seus pais, assim como ele fora aprovado pela única pessoa que poderia ser descrita como pai por Gaara, e logo seriam tios. Uma criança, pensou enquanto seguia Gaara pelas escadas, uma criança de Itachi e Naruto e então, depois de entrar no quarto do ruivo, encostado na porta, ele perguntou:

- Nós podemos, um dia, ter nosso próprio filho também? – Sasuke perguntou curioso – você pode engravidar, gestar e dar nascimento a uma criança nossa também?

Gaara, que tinha parado na porta do banheiro o olhou longamente e então sorriu maliciosamente, um sorriso que Sasuke sabia que era apenas seu.

- Por quê? Quer fazer um filho ainda hoje em mim? – Gaara perguntou antes de entrar no banheiro.

Sasuke entendeu a resposta, perdendo alguns segundos ainda na porta do quarto, assimilando tudo aquilo, agradecendo ao fato de amar não apenas um homem, mas um ayakashi poderosíssimo. Um que poderia gerar os filhos dos dois, os frutos do amor que sentiam. Riu deliciado enquanto corria para o banheiro, o convite de Gaara era fascinante demais para deixar sem resposta.

Naru-chan

Cinco anos depois

Naru-chan

Itachi saiu de casa, seguindo pelo jardim bem cuidado de sua propriedade ancestral até quando a grama bem cuidada e artificial acabava, dando espaço para uma área mais selvagem, completamente natural. Haviam caminhos entre as árvores, caminhos que levariam ao lago onde Kyuubi no Youko e Namikaze Minato tinham se conhecido, se apaixonado e concebido Naruto. O lago também era o limite das três propriedades, comprara aquelas terras depois de conhecer Naruto, de se apaixonar pelo loiro, assim como Neji comprara ao se apaixonar por Sai. Hoje, o mapa daquela região, quase a única de floresta natural de Konoha, era dividido em três partes, Sabaku no Gaara possuía uma parte de floresta e a campina onde o chalé de contos de fada estava construído, e que pela floresta, estava a vinte minutos de caminhada entre as propriedades. Havia a sua parte de floresta e então a de Neji, também há vinte minutos, como um triangulo perfeito, estava à casa que Neji construíra para Sai e ele viverem. Claro que todos eram e sempre seriam bem-vindos nas casas dos demais, e sempre se encontravam nos fins-de-semana. Como viviam na Mansão Uchiha, que era a maior casa, os demais vinham se instalar ali, evitando as idas e vindas e manter a família junta.

E como hoje era sexta-feira, e tinha acabado seu trabalho no tecnológico escritório que criara para si mesmo ali na mansão, ele se deu ao luxo de sair e ir encontrar sua família. Não havia mais empregados na Mansão Uchiha, dispensara todos, haviam servos ayakashi que vinham a noite cuidar de tudo, mantendo tudo limpo e perfeito, como pagamento, queriam apenas a comida de Naruto, que ele fazia generosamente. Dez minutos de caminhada até o lago, foi o tempo que levou para encontrar aqueles que tinham seu coração, sua confiança e a luz de sua existência.

Naruto estava sentado na beira do lago, vestindo uma yukata laranja enquanto seus pezinhos brincavam com a água. Ele sorria olhando o lago, onde Gaara estava com Hiro, ambos ensinavam Ryuu a nadar. Sai estava mais afastado, deitado sobre uma manta confortável, com a cabeça sobre as pernas de Neji, que lhe afagava seus cabelos enquanto ambos observavam o bebê pequeno dentro de uma cesta. Koneko, o gatinho que tinha unido Sai e Neji, e que já era um gato adulto, estava deitado com o bebê, sendo usado como travesseiro pelo mesmo e abraçado pelos bracinhos pequenos e rechonchudos. Itachi sorriu ternamente, vendo Sasuke sentado em outra manta, encostado no tronco da árvore que gerava sombra para ele.

Os três pequenos milagres, como chamavam Hiro, Ryuu e Shigure, cujas existências tinham sido atribuídas a Senju Tsunade, que estava há par da concepção e gestação das crianças, mas que jamais divulgaria. Tsunade, com a ajuda de Naruto, havia conseguido desenvolver um composto que unido a células reprodutivas, as estimulavam a se duplicarem até reproduzirem desordenadamente, se tornando seu oposto. Com isso, inúmeros casais homossexuais puderam finalmente ter seus filhos biológicos com seus parceiros, já que graças ao estudo de Tsunade, espermatozóides acabavam gerando óvulos fecundáveis e óvulos podiam se tornar espermatozóides férteis. A única desvantagem, dizia Tsunade, era que as mulheres, como só produziam células reprodutivas com o cromossomo X, só podiam ter meninas, enquanto os homens, como produziam células X e Y, podiam ter meninos ou meninas.

Era esse o novo desafio de Tsunade, que com mais de sessenta anos, se mantinha jovem e ativa pesquisando mais sobre isso, para que um dia, as mulheres que a procuravam pudessem também ter meninos com suas parceiras usando apenas o material genético delas. Naruto a ajudava algumas vezes, assim como Gaara, apenas por diversão, eles diziam. Sai, naqueles anos, tinha feito seu nome nas galerias de arte, se tornando um pintor extremamente excêntrico e rentável, seus quadros eram descritos pelos críticos como "janelas" para o que quer que o moreno desejasse retratar.

Claro que a concepção do milagre deles, já que nenhum de seus companheiros grávidos tivera sua aparência alterada, fora atribuída a mães de aluguel. Uma besteira, mas necessária para manter a natureza de Naruto, Gaara e Sai em segredo. E eles tinham tido o prazer de acompanhar as três gestações, sentindo os movimentos das crianças geradas através da pele quente e macia dos ayakashis, mesmo que essas barrigas se mantivessem quase planas. O nascimento, Itachi lembrava agora, fora espantoso também, pois não fora necessária nenhuma incisão, como Tsunade temera. A própria natureza seguiria seu curso, dissera Naruto à mulher, muito calmo antes de relatar como era o nascimento de filhotes ayakashis gerados em corpos masculinos. Naruto contara, mas Itachi não acreditara, até ver o selo no ventre de Naruto se abrindo como uma flor para deixar Hiro passar, e então se fechando logo depois disso. Tsunade ficara pasma, e estudara isso detalhadamente, ou o mais detalhadamente que podia, com a ajuda de Uzumaki Nagato, que observara os três partos com seu Rinnegan. Itachi, Sasuke e finalmente Neji haviam aceitado aquilo apenas porque Tsunade, sendo uma Senju, era família, já que provinham da mesma fonte primaria. O mesmo se aplicava a Nagato, que era um Uzumaki. Eles descendiam do mesmo homem, o Rikudou Sennin, que não confiara o poder de Juubi, o demônio original, a nenhum de seus filhos de carne e sangue, dividindo o Juubi em nove partes, criando as nove Bijuus, e esses produziram Naruto e Gaara, companheiros dos Uchiha e amores de suas vidas.

Observara, fascinado, assim como Neji e Sasuke, selos como o de Naruto aparecendo nos ventres de Sai e Gaara enquanto suas gestações seguiam seus cursos, até que estivessem maduras, como Naruto dizia, e o negro com que eram contornadas e preenchidas se tornar rubro e finalmente completamente incandescer, como o selo de Naruto momentos antes dele abrir para Hiro nascer.

Observou seu Hiro, tão idêntico a ele como se fosse uma cópia sua naquela idade, e então, como que pressentindo seu olhar, o menino o olhou diretamente, abrindo um enorme sorriso e mostrando que não era apenas ele que fizera aquele lindo menino. O sorriso de Hiro, assim como a cor que tingia suas íris, era de Naruto.

- To-chan – Hiro gritou feliz, enquanto Ryuu batia os bracinhos na água, respigando em Hiro e Gaara, que saiam da água também.

- Tachi – Naruto sussurrou e Itachi, incapaz de ignorar o seu chamado, foi se sentar atrás do loiro, envolvendo-o com seus braços e pernas até que seu filho saísse da água e corresse para eles – Hiro.

Ambos beijaram o menino de quatro anos, grande e inteligente demais para sua idade. Hiro era seu orgulho, o fruto do amor que ele e Naruto partilhavam, mas era o loiro em seus braços a luz de sua existência, enquanto Hiro era a luz do amor de ambos, a redenção dos Uchiha.

Sasuke passou por eles deixando uma toalha cair sobre a cabeça de Hiro, que riu feliz enquanto seus pais se moviam para acomodá-lo entre eles e Naruto começava a secá-lo. Sasuke, porem, não tinha os olhos na linda, e costumeira, cena que seu irmão e Naruto protagonizavam com Hiro. Seus olhos estavam fixos em seu companheiro e no filho deles de dois anos, o lindo Ryuu, que nascera com o rosto e olhos verdes de seu Gaara e seus cabelos negros. Abriu uma das toalhas e envolveu Ryuu, pegando-o no colo enquanto Gaara puxava a outra toalha, que apoiara em seu ombro e começava a se secar, indiferente ao fato de estar nu. Sasuke quase tivera um ataque quando descobrira que Gaara, Naruto e Sai nadavam nus ali, mas relaxara um pouco ao notar que Itachi e Neji eram completamente indiferentes a nudez de qualquer um que não seus companheiros.

- Aqui, amor – Sasuke falou tirando a yukata de Gaara de seu outro ombro enquanto pegava a toalha úmida das mãos dele.

Gaara apenas lhe sorriu enquanto colocava a yukata e a fechava, e então Ryuu riu, estendendo os braços para Gaara, que o pegou novamente, enquanto Sasuke envolvia sua cintura com o braço, o guiando para a manta onde estivera sentado.

- Quem trouxe comida? – Gaara perguntou se acomodando junto a Sasuke em sua manta.

- Naruto trouxe mais cedo – Sasuke indicando o monte junto a cesta de Shigure, era outra cesta, uma propícia para piqueniques que Neji acabara usando como apoio.

- Vamos comer então – Naruto falou beijando os cabelos de Hiro e então os lábios de Itachi, que se ergueu e estendeu a mão para o loiro, ajudando Naruto a se erguer com Hiro nos braços. O menino era grande, mas não grande demais para ser mimado pelos pais, e Itachi sabia que Hiro amava seu chichiue acima de todas as coisas, assim como ele amava. Se aquele amor era fruto da ligação de Naruto e Hiro desde a gestação, ou eco da ligação de Naruto e Izuna, Itachi não sabia, e não se importava. Hiro era o filhote amado deles, fruto do amor dos dois, e a alma que habitava aquele corpo gerado por eles estava ligada aos dois. E sabia que Hiro o amava tão intensamente quanto amava Naruto, e que como ele, apreciava muito os carinhos que trocavam, mas que sempre seriam mais gostosos se o loiro estivesse junto.

Neji sorriu afastando os cabelos da face de Sai, que se erguia pegando a cesta com Shigure, de apenas quatro meses, koneko tinha acabado de se esquivar do bebê e correu pela floresta, indo brincar com alguma coisa, Neji e Sai, assim como o pequeno Shigure, sabiam que ele voltaria mais tarde, já que koneko adorava dormir com o bebê. Neji pegou a cesta de piquenique e foi com seu companheiro e filho para a manta onde os demais estavam. Ryuu e Hiro se uniram para mimar Shigure quando a cesta foi colocada entre eles. Os três mostravam a mesma união que Naruto, Gaara e Sai possuíam, e que Neji, Itachi e Sasuke tinham desenvolvido com o passar daqueles anos.

Naruto abriu a cesta de piquenique, mas antes de tirar seu conteúdo, sorriu para o caminho que Itachi percorrera um pouco antes.

- Iruka – Naruto saudou aminado, tinha parado de chamar o moreno de sensei há alguns anos, para contentamento de ambas as partes, já que queria dizer que Naruto via Iruka como um igual – Kakashi, e o pequeno Sakumo, sejam bem vindos.

Iruka sorriu amplamente, o menino de três anos estava nos braços de Kakashi, que andava ao seu lado, Sakumo era fruto da pesquisa de Senju Tsunade e filho de Iruka e Kakashi com a ajuda de uma barriga de aluguel. Sakumo fora, na verdade, a primeira criança concebida assim. Era um menino inteligente, com cabelos cinzentos como Kakashi, e sua pele clara, mas os olhos castanhos de Iruka, da cor de chocolate, tão afetuosos quanto os de Iruka, e seu temperamento era idêntico ao de seu chichiue, no caso, Iruka.

- Hiro-nii-chan, Ryuu-chan – Sakumo gritou se remexendo e fazendo Kakashi o colocar no chão para vê-lo correr para os três meninos. Ryuu ria feliz enquanto Hiro observava Sakumo com olhos de irmão mais velho preocupado – Shigure-chan.

- Passamos pela mansão, como não havia ninguém, sabíamos que os encontraríamos aqui – Iruka falou se acomodando no círculo formado pelos outros três casais e as crianças – e então, prontos para encontrarem todos amanhã?

- Vai ser uma grande festa – Kakashi sorriu amplamente – por isso viemos para ficar até segunda-feira.

- O que é amanhã, chichiue? – Hiro perguntou, tinha ouvido sobre a festa que dariam em sua casa, mas não sabia o que estariam comemorando.

- Amanhã, meu filhote lindo – Naruto sorriu começando a tirar a comida da cesta – nossos amigos virão comemorar conosco os cinco anos de nossas uniões.

- Mas tio Sasu e tio Gaara já comemoraram, assim como tio Neji e tio Sai, não faz muito tempo – Hiro apontou – assim como você e o to-chan, chichiue, e Sakumo-chan me disse que tio Iruka e tio Kakashi também.

- Sim, meu lindo – Naruto sorriu enquanto os demais começavam a se servir – comemoramos cinco anos do início de nossos namoros, mas amanhã comemoramos o dia em que oficializamos isso, o dia em que eu fui morar com seu to-chan, em que Sasuke foi morar com Gaara e Sai com Neji. Assim como é também o dia em que seu to-chan colocou Kakashi para fora de casa e Iruka o abrigou.

Iruka riu da explicação de Naruto, embora fosse verdadeira. Ainda lembrava de Kakashi batendo na porta de sua casa, com uma mala na mão e um olhar de cachorro pidão, dizendo que Itachi o expulsara e mandara tomar responsabilidade. Kakashi dissera que se não se sentia confortável, podia ficar em um hotel até encontrar um apartamento ali e providenciar sua mudança de Kemuri para Konoha, mas que desejava morar com Iruka no futuro. Graças a isso, estavam casados há cinco anos agora.

- Vocês comemoram duas vezes, chichiue? – Hiro perguntou interessado, enquanto Ryuu e Sakumo olhavam seus pais com a mesma dúvida – é justo?

Naruto riu e estendeu a mão, afagando os cabelos negros e lisos de seu Hiro. O menino fechou momentaneamente os olhos, aproveitando a caricia tão conhecida e apreciada antes de abri-los sorrindo amplamente.

- Claro que é – Naruto falou sorrindo enquanto Itachi lhe beijava o ombro, sorrindo para o filho com orgulho – assim como comemoramos duas vezes o aniversário de vocês, não? Uma no dia em que nasceram, e outra, meses antes, quando foram concebidos, não?

Hiro pensou sobre isso e então concordou com um sorriso. Era verdade, sempre comemoravam duas vezes, primeiro com uma reunião só de família, como os pais deles comemoravam o namoro, e mais tarde com uma festa para todos, como os pais deles fariam amanhã.

- Eu também – Sakumo falou orgulhoso – eu também comemoro duas vezes.

- Porque vocês são muito importantes para nós – Naruto sorriu para as quatro crianças – tão importantes, que os amamos desde o momento em que soubemos que vocês tinham sido gerados, muito antes do nascimento de vocês. Vocês são nossos bebês amados, os frutos nosso amor.

Os três meninos maiores sorriram, e Shigure riu de sua cesta, batendo feliz as mãozinhas, mostrando que entendia as palavras de Naruto.

Aquela era sua família, pensou Itachi, ou pelo menos parte dela, já que amanhã se reuniriam realmente, com a chegada de todos os amigos, todos os parentes distantes, todos aqueles que faziam parte daquela história. Todos eles, em algum grau, compreendiam o que Naruto e seus irmãos eram, mas nenhum deles se importava realmente com aquilo. O que importava realmente é que tinham se formado uma grande família, com sobrenomes diferentes, aparências diferentes, mas uma família. O que importava era que todos sabiam que se precisassem, teriam sempre uma porta aberta para eles, um lugar onde poderiam expor seus medos e dores, onde achariam apoio e compreensão. Um lugar onde sempre seriam aceitos por quem eram, pelo que eram e não por seus sobrenomes, um lugar onde poderiam rir e chorar, e onde sempre teriam apoio incondicional.

E era nesse lugar que Itachi vivia, ao lado de seu kitsune dourado, junto com o filho deles, quase sempre cercado por seus irmãos e sobrinhos. Era em um lugar cheio de luz e vida, uma casa finalmente cheia de calor e amor em que ele vivia, junto a sua família, sendo mais feliz do que qualquer Uchiha já sonhara em ser. Afinal, o único outro Uchiha que poderia competir com ele era Sasuke, e nenhum deles jamais poderia superar o outro em felicidade e realização, afinal, ambos viviam plenamente felizes ao lado de seus companheiros, com os filhos que haviam gerado no corpo amado daqueles que faziam parte de suas almas.

Naru-chan

Senju Tsunade suspirou, observando pelo vidro a mulher que sua afilhada se tornara e sentindo muito pesar por aquela vida perdida.

Haruno Sakura, cinco anos atrás, tivera uma crise histérica na escola ao saber que Uchiha Sasuke tinha ido morar na casa de Sabaku no Gaara e que agora eles eram um casal mais do que oficial, já que tinham usufruído de uma pequena e discreta cerimônia de união no Templo de Fogo. Tsunade ficara preocupada com a afilhada, mas os pais de Sakura haviam afastado a garota de Tsunade, garantindo que era apenas uma crise passageira e que logo Sakura superaria aquilo.

Mas Sakura não superara, tinha se tornado mais e mais obcecada com Sasuke, o perseguindo na escola e finalmente sendo impedida de se aproximar dele por uma ordem judicial que a fizera ser presa muitas vezes e finalmente ser punida por Sabaku no Gaara, ninguém mais via, apenas Tsunade e os amigos do ruivo e seu companheiro, mas Gaara tinha colocado algum encantamento que impedia Sakura de se aproximar de Sasuke, agia muito melhor do que a ordem judicial, já que ela ficava completamente sem ar, como que sufocada quando rompia propositalmente a ordem de restrição, sendo encontrada desacordada e cianótica muitas vezes, sem jamais aprender que não deveria se aproximar de Sasuke.

E então, quase três anos atrás, quando foi noticiado que Uchiha Sasuke e Sabaku no Gaara tinham encomendado um bebê, Sakura simplesmente surtara, tentara matar Gaara, sendo impedida por Sasuke. O choque da notícia, bem como as verdades que Sasuke jogara na cara de Sakura, junto com as ameaças do mesmo de vingança caso ela apenas pensasse em tocar em seu Gaara e no filho deles, fizera com que Sakura mostrasse finalmente o que corrompia sua mente. Dessa vez, os Haruno não tinham conseguido evitar que Tsunade descobrisse o mal de Sakura, ela tinha esquizofrenia paranóide, e desde então, estava internada ali, na ala psiquiátrica do Hospital de Konoha, delirando sobre o filho que gerava de Sasuke.

Ela vivia naquele mundo de mentira, fingindo que Sasuke logo chegaria em casa, que estava trabalhando para que ela e o bebê tivessem uma ótima vida. Delirava que Sasuke a amava, delirava que todo mundo a amava, mas o que mais magoava Tsunade era quando ela delirava sobre sua morte, dizendo que finalmente herdara todo o dinheiro Senju, como seus pais sempre tinham dito que herdaria se fingisse amar Tsunade.

Jamais esqueceria a palidez dos Haruno quando Sakura tinha delirado daquela forma pela primeira vez, eles tinham agüentado serenamente todos os outros delírios de Sakura, com estóica calma, mas não conseguiam fingir que não pensavam, que não tinham planejado e ensinado exatamente aquilo a filha. E esse fora o fim da ligação de Tsunade com os Haruno, mas ainda passava ali, para saber o quadro de Sakura, mesmo sabendo que ela jamais poderia sair dali, que jamais poderia viver livremente. Ainda mais porque sabia, e avisara para os Haruno, de forma que eles jamais duvidassem de suas palavras, que se Sakura saísse dali e fosse atrás de Uchiha Sasuke ou sua família, seria morta. E ninguém, absolutamente ninguém em Konoha, se importaria com isso, já que o casal Haruno, bem como sua filha, jamais tinham feito nada para merecer o apoio e admiração dos demais.

Mas Sasuke, e principalmente Gaara, contava com o apoio e amizade de muitas pessoas, principalmente dos grandes clãs de Konoha, fora que eram muito ricos, podendo destruir a vida dos Haruno com um simples desejo. Os Haruno, que agora via sempre terem sido arrogantes, pretensiosos e gananciosos, sabiam que não contavam com o apreço ou apoio de ninguém, que ninguém realmente os julgava vítimas e sim os causadores do mal de sua filha, ou pelo menos agravadores da condição de Sakura.

Olhou mais uma vez Sakura, que ninava uma trouxa de lençol em seus braços, enquanto sussurrava que Sasuke-kun logo estaria ali com eles, que finalmente perdera o peso que ganhara durante a gestação do bebê e voltara ao corpo que Sasuke-kun adorava. E então Sakura parou, deixou a trouxa cair no chão e começou a gritar, arranhando seu rosto e arrancando seus cabelos, como acontecia sempre que tinha um momento de lucidez e lembrava que Sasuke jamais a amara, que jamais a amaria, e que o único corpo que o Uchiha adorava era o de Sabaku no Gaara, que os únicos filhos que Sasuke teria seriam com o ruivo.

Se afastou enquanto a equipe entrava e injetava o tranqüilizante em Sakura. Era triste demais saber que Sakura escolhera aquele caminho para ela, incentivada por seus pais. Mas não podia fazer nada por Sakura, nada além de lamentá-la e Tsunade possuía seus próprios fantasmas para acalentar. Assim como possuía novamente uma família, pensou com um sorriso, sabendo que logo estaria junto deles. Os Sarutobi, os Akimichi, os Aburame, os Yamanaka, os Nara, os Mitsashi, os Hyuuga, os Inuzuka, os Rock, seus amigos Orochimaru e Jiraya, Uzumaki Nagato, que se casara com Shizune há dois anos e meio, e tantas outras famílias que tinham se unido ao grande clã que formavam. E os Uchiha, pensou finalmente, e sorriu ainda mais ao lembrar do sorriso de Naruto, que fora herdado pelo pequeno Hiro. E havia Kakashi e Iruka, Sakumo, Ryuu e Shigure. Por estar um pouco deprimida e precisar de forças, pegou no bolso de seu jaleco a foto que Naruto lhe dera no último natal, logo depois do nascimento de Shigure, onde os quatro meninos estavam juntos sobre as luzes da árvore de natal, eles usavam gorros vermelhos e os três maiores sorriam para a câmera, enquanto Shigure, com seu pequeno gorro, dormia com um pequeno sorriso nos lábios. Aqueles eram seus netos, pensou animada, suas crianças especiais. Junto com aquela foto, estava outra, uma mais recente, onde Nagato e Shizune estavam abraçados, a ampla barriga de Shizune era afagada pelos dois. Logo Shizune teria os gêmeos, o sangue dos Uzumaki e Senju prosseguiria por mais uma geração. O sorriso do casal não mostrava a dor que tinham sentido logo depois do casamento, quando tinham descoberto que Shizune não podia ter filhos. Não, aquela segunda foto mostrava apenas a confiança e amor que sentiam, a profunda alegria, graças a Naruto, pensou Tsunade passando o dedo pela barriga de Shizune na foto. Fora o loiro que sugerira que usasse seus próprios óvulos para criar os embriões para Shizune e Nagato, idéia que fora aceita prontamente pelo casal. Afinal, eles preferiam adotar a aceitar óvulo de alguma desconhecida, mas se Tsunade fosse à doadora, teriam muito prazer em gerar e amar as crianças que poderiam surgir. Seria parte deles, explicara Shizune emocionada, enquanto Tsunade chorava, porque para Shizune, Tsunade era sua mãe.

Tsunade riu sozinha, Shizune, sobrinha de seu Dan e último elo que tinha com ele, sempre fora e sempre seria sua única herdeira, algo que tivera o prazer de comunicar aos Haruno, que ainda esperavam alguma herança da parte dela. Não seria a madrinha das crianças de Shizune, um casal, seria a avó deles, afinal, Shizune era sua filha, como Naruto, Gaara, Sai e Nagato tinham se tornado seus filhos também. O fato de ser seu material genético que ajudara a gerar aquelas crianças apenas tornaria o laço que a unia aqueles pequenos por nascer e aos pais deles ainda mais estreito, mas aqueles eram os seus netinhos, filhos de Shizune e Nagato e já tinha coletado mais material, caso Shizune e Nagato desejassem mais filhos no futuro.

Era feliz, tinha tudo que uma vez pensara ter perdido. Não tinha sido como sonhara na infância, como almejara na adolescência. Não tinha Nawaki e Dan junto dela, mas era feliz com o que tinha conseguido. E confiava, confiava nas palavras que Naruto lhe sussurrara cinco anos atrás, quando lhe comunicara que estava esperando um filho e que precisava da ajuda dela para acobertar aquele nascimento. Naruto confiara nela, ele a procurara porque sabia que podia contar com ela e a ajudara a conquistar a maior conquista de sua vida, algo que a tornaria eterna nos anais da medicina. Mas não fora a pesquisa que realizara, a imortalidade que conquistara, que haviam marcado sua existência e enchido completamente de luz a sua vida, levando consigo toda escuridão e pesar que ainda habitavam dentro dela.

"Não se preocupe, hime – Naruto sussurrara perto de sua orelha enquanto lhe abraçada, depois de lhe beijar a bochecha em agradecimento por sua ajuda – no futuro, em uma outra vida, você acalentará em seu seio a criança de seu Dan, enquanto observa seu irmãozinho Nawaki acalentar a esposa. Não podia ser dessa vez, mas vocês tornarão a e encontrar, eles estarão lhe esperando, Kami-sama os deixara vir buscá-la quando seu tempo aqui chegar ao fim, e vocês seguirão junto para a próxima vida, uma vida que você não saberá que esperou e sonhou, mas que será a realização de todos os sonhos que acalentou. Apenas espere, sendo feliz, para que eles se orgulhem de você e não haja pesar quando sua hora chegar, para que nada fique pendente para a próxima vida". Podia ainda sentir nos lábios o calor daquela pele, calor que sentira ao beijar a testa de Naruto enquanto ele lhe sorria e se afastava, indo para os braços de Itachi, que o acompanhava.

Ela sabia, no fundo de seu coração, que aquilo era verdade, e cumpria a palavra dada a Naruto, vivendo completamente, sem arrependimentos. Sabia que um dia, não logo, pois ainda tinha muito o que fazer, veria seu irmãozinho e seu amado, eles viriam buscá-la para a próxima existência, onde poderia estar juntos, e não os decepcionaria de nenhuma forma. Acreditava, mesmo contra toda a lógica e razão, porque nem ela, nem ninguém, informara a Naruto o nome de Nawaki e Dan, mas o loiro soubera o nome daqueles que estavam em seu coração, assim como parecia saber o que estava em seu passado e estaria em seu futuro.

Chegou as escadas, descendo o primeiro lance e olhando pelos vidros amplos que deixavam a luz natural entrar nas escadas do hospital, olhou para a cidade lá fora, e acima dela o horizonte, sorrindo amplamente. Logo, pensou, logo estaria com sua família, comemorando os cinco anos de casamento de quatro uniões distintas, mas igualmente sublimes. Naruto e Itachi, Sasuke e Gaara, Neji e Sai, Iruka e Kakashi. Quatro casais que ninguém podia negar que tinham nascido para estarem juntos. Como ela nascera para estar com Dan, como Shizune nascera para estar com Nagato. Como tantos casais que tinham se formado naqueles anos.

Com o sol iluminando seu rosto, o calor acalentando sua pele, fechou os olhos e suspirou, feliz novamente. Sakura estava esquecida, ela apenas colhera o que plantara para si mesma, assim como seus pais estavam colhendo o que tinham plantado. E quando a si própria? Bem, tinha plantado coisas boas, pensou animada, pois tinha quase tudo que desejava, e na próxima vida teria absolutamente tudo, e podia esperar mais um pouco. Afinal, já tinha suportado tantos anos de tristeza e desolação para finalmente encontrar novamente a alegria e contentamento, e não queria abrir mão disso ainda, não quando tinha tanto para fazer, tanto para sentir, tanto para viver.

A simples promessa de uma próxima vez, de uma nova chance, já validava tudo, e enquanto esperava, faria aquela vida valer à pena. Exatamente por isso decidira terminar mais cedo seu turno, deixando tudo para sua eficiente equipe enquanto seguia para casa, onde tomaria um longo e relaxante banho antes de ir mimar Shizune e acariciar sua barriga. Afinal, os anos de solidão auto-impostos tinham acabado, Shizune e Nagato moravam com ela na grande mansão e eram sua família. Sim, sua família era imensa, separada em pequenos núcleos, e amanhã a encontraria toda, mas hoje...hoje aproveitaria seu pequeno núcleo.

Naru-chan

Legenda:

¹Natsume Reiko, avó do protagonista de Natsume Yuujinchou, não resisti a colocar Madara como o Nyanko sensei da série. Claro que é apenas uma brincadeira...

Naru-chan

Nota da Li:

Olá pessoal! Espero que tenham gostado do final, pois eu gostei muito de escrevê-lo, assim como adorei escrever toda a fic.

Muito obrigado pelo apoio de todos, e como o site ainda não disponibilizou a página em que replicamos os comentários. Por isso, abaixo, seguem as replicas dos comentários enviados para o cap 8 e 7.

Agradeço a todos que não comentaram também, a todos que leram e apreciaram. Espero que nos vejamos em breve e,

Beijos da Li.

Naru-chan

Cris UchihaxSasuNaru Freak

* - Replicas do capítulo 7: Confesso, confesso, eu morro de inveja do Naruto, sempre morro de inveja dele, embora eu o ame!

* - Replicas do capítulo 8: Sim, você pode retornar a reler sempre que sentir saudades. Muito obrigado pelo apoio, e eu também sentirei um pouco de saudades de Youkais, já que é parte de mim (ou da minha mente um pouco insana).

Até mais e,

Beijos da Li

Cris

* - Replicas do capítulo 7: Espero que o capítulo 8 e esse último tenham mantido sua atenção e apreciação. Também acho o Tachi fofo quando ele tem ciúmes, na verdade, acho todos os personagens fofos quando sentem ciúmes, menos a Sakura!

Muito obrigada pelo apoio e,

Beijos da Li

UchihaDarkMoon

* - Replicas do capítulo 8: Desde o início da fic, eu pensava no relato de Naruto sobre sua história, sobre a história de seus irmãos, que era revelado aos poucos, do ponto de vista de cada um, conforme a fic se desenrolava, mas não sabia exatamente como aconteceria. A reunião com os professores foi apenas a forma como eu pensei em encaixar tudo, e ainda trazer os personagens que faltavam para o texto.

Espero que goste do final, assim como eu gostei, embora seja o final. Muito obrigado por ter apoiado e comentado, espero não decepcionar no fim e,

Beijos da Li

* - Replicas do capítulo 7: Todo mundo gosta do Iruka belicoso, eu mesma adoro, mas acho que isso acontece porque quase sempre ele aparece sendo muito cordato, muito bonzinho. Eu adoro ele de qualquer jeito, mas gosto de apimentar um pouco as coisas, e não acho que o Kakashi mereça alguém que sempre passa a mão na cabeça dele. Um Iruka que bate de frente fica muito melhor, não? Bem, pelo menos em Youkais ficou!

Quanto ao Naru ser fodão (não me importei nem um pouco, e acho que essa definição é perfeita, porque eu tentei escrever ele sendo fodão mesmo!), é porque encaixa completamente com o quem e o que ele é, afinal, a fic se baseia na maldição, no que veio antes mesmo dele nascer. Ele não poderia ser o filhote de Kyuubi no Youko, ser Kyuubi no Kitsune, ter o poder da onisciência e ser abobalhado. Nada contra quem escreve Naruto sendo fraco, mas para mim, ele é o mais forte personagem, com mais camadas e profundidade, cheio de dons escondidos, e outros nem tanto. Transmito isso quando escrevo sobre ele, quando crio uma nova história entorno dele e para ele.

E quanto ao Tachi com ciúme ser bonitinho, isso foi consenso, todo mundo notou, e comentou sobre isso. Ele fica mesmo uma graça, não?

Muito obrigada novamente e,

Beijos da Li

* - Replicas do capítulo 8: Muito obrigada pelo apoio oferecido durante toda a fic, e infelizmente, é o último capítulo mesmo, mas espero que você tenha apreciado. O lemon Itanaru mais acima é um bônus adicionado para você, uma resposta ao seu pedido, e espero que goste.

Eu gosto muito de KakaIru (nossa, mesmo? Nem deu para notar, deu?). Acho eles muito fofos, e exatamente por isso acabo deixando fofo o relacionamento deles também, pelo menos eu acho isso! E dessa vez, não sei se deu para notar, tentei fazer Iruka com uma personalidade mais gatuna, enquanto Kakashi mais canina. Não sei se deu para perceber, mas eu também estava ronronando ao escrever sobre eles.

Não se preocupe com as provas, respire fundo, relaxe e aproveite o último capítulo de Youkais. Espero que nos encontremos em breve em outra fic.

Muito obrigada novamente e,

Beijos da Li.