A/N: desculpem a demora, a culpa dessa vez não foi minha. Spoiler: capitulo 51 (mangá) - mas nada muito grave ! e sem mais delongas vamos ao tema 9 !

Disclaimer: fanfics..tem como ser mais claro que isso ? ... FMA não me pertence...mas o final dessa fic sim XD !


# 9 – Unknow past / Before we know each other

Quando sua mãe morreu, ela era nova demais para entender o porque. Por mais que as explicações fossem repetidas e esmiuçadas para que uma criança as entendesse, ela não entendia.

Ela se recusava a entender. A única coisa a qual ela compreendia era que a sua mãe não ia mais voltar, nunca mais.. E no ápice dos seus cinco anos ela tentava alcançar a verdade que ninguém conseguira alcançar.

Ela só sentia um imenso vazio.

Um vazio que ela não entendia.

Quando sua mãe morreu, ela jurou que nunca teria filhos.

A idéia, que no começo parecia uma teimosia infantil, uma magoa passageira foi crescendo e assim como a menina amadurecendo. A cada dia ela se convencia mais e mais sobre o que havia desejado.

Os anos corriam e ela assistia o que restava da sua família definhar, eram somente ela e o pai, não haviam outros parentes ou amigos da família. A vida no mausoléu que a mansão dos Hawkeye se tornara era vazia.

Até hoje ela não sabia se foi a morte da mãe, ou se ela somente não havia percebido antes, mas as poucas lembranças que restavam eram suficientes para provar que, depois do falecimento da mãe o único fiapo de vida que restava do que um dia tinha sido o seu pai tinha morrido. E não havia nada que ela pudesse fazer, antes ele era uma presença distante, enterrado em livros e manuscritos, mas depois que a casa se tornou mais vazia, os livros não interessavam-no, a alquimia não interessava, ela própria já não o interessava.

O Patriarca dos Hawkeye era um fantasma, vivendo as custas da filha, se escondendo do mundo, rabiscando formulas e círculos, falando sozinho pelos cantos.

Quando o novo aprendiz chegou, uma especie de luz nasceu nos olhos do velho, uma luz que Riza nunca havia visto depois da morte da mãe. Ela brilhou durante os meses nos quais o garoto ficou hospedado na residencia, mas um dia ele partiu, e os olhos assombrados voltaram, opacos, tristes e mortos.

A vida era como um filme que ela assistia passar, nunca fazendo parte, somente esperando, esperando algum objetivo, uma razão para ser mais além do que a menina solitária que vive para cuidar do pai, e nunca de si própria.

As vezes ela sentia raiva, esses momentos eram raros e privados e nunca ninguém presenciara algum deles, eles aconteciam a noite, quando todos os sentimentos que ela aprendera a reprimir vinham a tona e ela invejava as outras crianças, as outras jovens, as outras vidas que passavam através da sua janela. Muitas vezes ela perguntava-se a razão pela qual os seus pais, e tantos outros, faziam aquilo, sem ter certeza se estariam lá nos momentos difíceis, sem saber se estariam lá para sempre.

A resposta nunca veio.

Seu pai morreu em uma manhã de outono, nessa mesma manhã ela descobriu um novo objetivo, ela descobriu que a vida em espera, podia finalmente começar.

A casa, os bens, tudo foi vendido, dois meses depois da morte do pai ela deixava tudo que tinha sido Riza Hawkeye para seguir um caminho incerto mas que parecia mais correto do qualquer outra coisa em sua vida. Ela deixava tudo com apenas uma certeza, ela tinha um motivo, ela tinha alguém para seguir, a únicas coisas que restaram foram a "herança" do pai e o juramento repetido tantas vezes naquelas noites de solidão. Ela não viveria para uma vida normal, ela não almejava casamento ou filhos. Diferentemente das outras garotas, para ela uma vida assim só traria tristeza e dor.

A guerra só provou que tudo aquilo que ela imaginava era a mais pura verdade.

O dia em que o seu rifle matou a primeira criança foi o momento o qual ela percebeu que aqueles sentimentos eram muito mais que um juramento. Uma assasina não era digna de filhos, de amor. A sua vida serviria para proteger a vida do próximo, para que, não mais existissem meninas abandonadas em mansões vazias e crianças órfãs morrendo entre soldados e dunas de areia.


Ela acordou assustada, os olhos treinados escaneando o quarto escuro, o relógio marcava 3 horas da manhã. A cama vazia ao lado esclareceu todas as suas dúvidas. Riza levantou-se e silenciosamente se dirigiu ao quarto ao lado, onde uma luz bem fraquinha estava acesa.

Os anos como atiradora não foram em vão e ela ainda mantinha a habilidade de mover-se sem ser ouvida, chegando a porta do quarto ela apoiou-se preguiçosamente no batente da porta enquanto admirava a cena a sua frente.

Black Hayate roncava baixinho em um canto do quarto, em cima de um tapete vermelho colocado lá especialmente para ele, sem nem ao menos se incomodar com a luz ou a pessoa que passeava de um canto a outro do quarto, carregando carinhosamente um embrulho amarelo.

Riza sorriu.

Roy andava de um lado para o outro do quarto carregando o embrulho que fazia barulhos muito parecidos com uma risada enquanto apertava com força um dos dedos do Flame Alchemist, que sorria e brincava com a criança sem nem ao menos notar a presença que o observava.

"Sabe...você deveria faze-lá dormir." Riza falou enquanto tentava esconder o riso em sua voz

Olhando para sua mulher parada na porta, ele não pode deixar de sorrir enquanto respondia orgulhoso

"Ela é linda"

Riza apenas concordou enquanto assistia Roy colocar a filha no berço.

Ela tinha uma filha, eles tinham uma filha. Ela e Roy. Uma menina linda e perfeita.

O bebê finalmente dormiu, Roy apagou o abajur e na ponta dos pés saiu do quarto, voltando para o comôdo ao lado, onde mal podia esperar para cair na cama quentinha que o aguardava, até perceber que estava falando sozinho, voltando-se para ver o porque, encontrou Riza parada no mesmo lugar de antes, um olhar perdido, ele pensou seriamente se ela não estaria dormindo em pé

"Riza ?" ele chamou baixinho "Você vem ?"

Com um olhar rápido na direção da voz, ela concordou com um aceno de cabeça, enquanto olhava mais uma vez para o quarto escuro e também seguia na direção do outro quarto.

"O que foi ?" Roy perguntou enquanto deitava e puxava-a para perto se si.

"Nada" ela respondeu se aninhando nele "Só estava pensando que as vezes é muito bom estar errado"

A cara de confusão do Flame Alchemist foi, acima de tudo cômica, Riza apenas sorriu, o tipo de sorriso que diz – melhor não perguntar – enquanto beijava os lábios do alquimista e murmurava um boa noite. Sem se ater ao assunto, ele apenas sacudiu os ombros e no minuto seguinte já estava dormindo.

Riza ainda demorou um tempo para voltar a dormir, faziam anos que ela não lembrava daquela promessa, e agora, para ser sincera ela lhe parecia um tanto quanto boba, antes, se alguém dissesse que um dia ela estaria casada e com filhos, ela certamente teria ignorado o comentário dizendo que era pura besteira.

Mas agora, ela não conseguia imaginar a vida sem Roy – algo que ela nunca fez na verdade – sem o bebê que dormia no quarto ao lado.

Quebrar juramentos era uma coisa que Riza Hawkeye não fazia.

Exceto por um.

E ela estava feliz por tê-lo feito.

Fim!


Sinceros Agradecimentos à: Fabi Washu, Barbára Lee Hawkeye, Riza Potter, Lady Mary, Priscila, Pinky-chan2, Renatomik, Luh Norton, Miluka Alchemist, Dóris Bennington, Dead Lady, Chiuu, Srª Zaoldyeck e a todos que leram ! Muito obrigada !

Reviews são enormemente apreciadas !!! sugestões, criticas, comentários, elogios e etc são muito bem vindos !

Uma pequena justificativa para o atraso, parece que houve um bug no e foi impossivel postar durante a semana passada. Peço desculpas e espero que esse problemas não aconteça de novo ! Espero que gostem desse tema, o proximo já esta pronto.

Próximo Tema: #10 - Promisse