Aqui estava tudo bem: estávamos felizes, livres e seguros. O tempo estava a nosso favor, o que nos deixava uma enorme lista de coisas para fazer ou sítios para visitar. Já tínhamos estado na praia, em imensos museus, exposições e galerias de arte. Já tínhamos ido a 3 concertos: aos Kings of Leon, aos U2 e ao Van Morinson. Passadas 3 semanas, já tínhamos visitado quase todos os locais de interesse em Sidney e nos seus arredores. Íamos aproveitar estes últimos 3 dias para visitar os mercados e também para comprar o vestido e o smoking para o casamento.

Decidimos também levar algumas lembranças, a princípio apenas para os nossos pais, mas depois de pensarmos melhor decidimos incluir os nossos irmãos, os nossos sobrinhos e claro, a minha cunhada, que estava a precisar de uma grande lição.

Acordámos mais cedo na sexta-feira para começarmos à procura da roupa do casamento, das prendas e de alguns cds. Íamos apanhar o avião na segunda-feira de manhã e o tempo passava muito depressa. A primeira loja em que entrámos foi uma loja de artigos para criança, foi fácil escolher os brinquedos para os pequeninos, para a Blair comprámos uma Hello Kitty gigante em peluche e para o David um carro a bateria para ele andar. Para os nossos pais acabámos por comprar uma garrafa de whisky do bom, uma para os meus e uma para os dele. Apesar das divergências, eles eram mais parecidos do que imaginavam. Para o meu irmão encontrámos um livro muito interessante, para a irmã dele um vestido lindíssimo. E tínhamos chegado à lembrança mais divertida, a da Sophie.

Sabíamos que havia umas lojinhas muito peculiares que vendiam coisas para oferecermos a pessoas de quem não gostávamos, só tínhamos de a encontrar. Depois de vaguearmos por aquelas ruas cheias de gente durante pelo menos 2 horas vimos uma loja de esquina que tinha como nome "For my favorite sucker", achámos o nome super engraçado e quando entrámos ainda gostámos mais. Tinham lá de tudo o que se poderia imaginar dar a pessoas indesejáveis, desde peluches a bonecos de voo-doo. Foi um pouco complicado escolher, estávamos indecisos entre um peluche de uma vaca horrível que estava a agarrar um cartaz a dizer "Encontrámos a tua irmã gémea, desculpa dizer-te que é muito mais bonita que tu!" e um bonequinho de suposta magia negra que quando lhe tocávamos dizia: "Quero que saibas que alguém deseja que morras!". Pedimos o conselho da rapariga que estava ao balcão e ela disse que dada a situação, a vaquinha era ideal, pois Sophie tinha a mania da beleza.

Fomos para casa, já era tarde e estávamos muito cansados. Dormimos agarradinhos durante a noite, tínhamos combinado que no dia seguinte íamos em separado comprar o meu vestido e o fato dele. Estava com um mau pressentimento, mas decidi não lhe dizer nada. Afinal, aqui estávamos seguros, ou assim eu esperava.

Havia cerca de 4 lojas de noivas e eu já tinha estado a namorar alguns vestidos na montra. Uma delas chamava-me a atenção, visto que tinha uma linha mais moderna e leve. Entrei, por isso, nessa loja em primeiro lugar. Experimentei um vestido branco muito simples, sem alças, com um frisado invulgar na zona do peito e depois a descair (). Além de simples era muito bonito, mas a minha mãe sempre me disse que quando encontramos o vestido sentimos algo completamente mágico, e apesar de gostar dele, não me sentia assim tão eufórica. Não era o tal...

Depois experimentei um branco e rosa, mas achei demasiado "estilo barbie". (.pt/photos/live/71/8619471_1_) A senhora do balcão já devia estar farta de me trazer vestidos, mas enfim, não podia levar um qualquer. Ela trouxe-me mais dois e disse que eram os últimos exclusivos. Entrei em pânico! Tinha de ser um daqueles dois, eram ambos muito bonitos, assim como os outros. Então aventurei-me para o terceiro vestido, a parte do peito e um pouco da parte de baixo tinham uma textura floral com um tecido branco meio transparente por cima, a preencher as outras partes (.com/images/GlobalPhoto/Articles/4616440/Bridal20Dresses200041-main_). Não gostei de me ver neste, fazia-me sentir mais velha.

Então agarrei no último e repetia mentalmente "Que seja este! Que seja este!" enquanto o vestia. Este era mais sofisticado, tinha uma faixa a tapar o antebraço que atrás se unia num nó muito gracioso e a parte de baixo caía em formas triangulares (./fotostore01/fotos/36/f5/c4/2209434_). A cauda era arredondada e comprida. Tenho de ser sincera, adorei o vestido, era lindo! Olhei para mim própria antes de ver no espelho como ficava. A princípio não achei nada de especial, mas o espelho mostrou-me uma realidade diferente. Era este, assentava perfeitamente na minha silhueta e realçava as minhas curvas, que não eram assim tão exuberantes. De tanta felicidade comecei a gritar "É este! Encontrei-o!", a senhora da loja veio preocupada ver o que se passava e ao ver-me tão radiante sorriu para mim. Até me pareceu mais doce e simpática. Paguei o vestido e quando ia a sair da loja fiquei petrificada.

Estava ali o Carl, o irmão gémeo da Sophie... a espiar-me. Deixei cair a caixa do vestido e de repente tudo ficou branco. Perguntei-me se tinha morrido, mas depois ouvi uma voz familiar dizer: "Kiki, amor, acorda. Está tudo bem." . Percebi logo que era o Robert. Mas não estava tudo bem, nada estava bem!