LOUCURAS EM UM CRUZEIRO
RESUMO: Cláudia e Rebecca finalmente estão autorizadas a fazer uma viagem num cruzeiro, como sempre queriam. O que elas não esperavam era a condição para elas viajarem: teriam que ir com mais quatro pessoas junto. E o pior, o relacionamento entre eles não é muito bom. Quem serão essas pessoas? E o que isso dará? Só lendo pra saber!
Ah, para não perder a mania, Saint Seiya não nos pertence, embora quiséssemos muito! XD
AVISO:Eu comecei a escrever esse capítulo logo depois que postei o anterior... Não o terminei antes porque minha avó faleceu e eu não tinha condições de escrever algo descente. Não peço por condolências pois já superei, o problema é que isso estava afetando a minha escrita... Não quero que ninguém leia porcarias só porque não estou bem. Acho que todos (inclusive eu) merecemos algo muito bom, certo?!
Eu AMO escrever essa fic e AMO todas as pessoas que vêm aqui comentar (mesmo aquelas que não se dão o trabalho). Espero que minhas férias sejam boas pra vocês xD
Ass. Morgane Le Fay
CAPÍTULO 8
Numa sala isolada ao lado da Administração do Navio...
-Não acredito que fomos presas... O que a minha família vai dizer quando souberem que eu quase matei minha própria prima?!! - Isabel estava muito mais do que desesperada, andava de um lado para o outro.
-Deixa de dar uma de idiota Isabel... - Giovana interrompeu a "amiga". - Você tinha total consciência que isso poderia acontecer. - Falava de uma maneira calma e calculada para a situação atual das duas. Isabel sentiu seu corpo estremecer ao ouvir a voz de Giovana.
-Mentira!!! - Tentou revidar o seu argumento, mas não conseguia conter as lágrimas. - Eu só queria afastá-los!! - Isabel perdeu o último resquício de controle que tinha. - Giovana, nós seremos condenadas, estamos perdidas!!!! Eu não queria que isso tivesse acontecido!!!!
Giovana levantou-se e ficou a frente de Isabel, sacudiu-a fortemente.
-Você é uma fraca!!! Se não quisesse isso, desistisse antes! - Já não agüentava ouvir as reclamações da loira. Antes que ela se afastasse, deu-lhe um soco na boca.
-Ahhh!!! - Isabel caiu para o lado, com o corpo mole. - Meu nariz, sua desgraçada... Ahh, minha boca... - Isabel cuspiu um pouco de sangue, sentiu seus dentes moles com a queda.
Na ala da enfermaria Camus sentou-se em uma das poltronas e ficou ali a pensar na atrocidade que tinha acontecido com as amigas de infância e o que ia contar para os pais delas. Se a dona Ruth e Mauro soubessem que Camus e Milo não tomaram tanto o cuidado que deveriam... Se sentiu arrasado. Com que cara voltaria para o Brasil? E se Rebecca soubesse que ele não ficou para ajudá-la, ao invés disso, foi passear de barco com a ex enquanto ela estava mal? Suspirou e continuou a observar os quatro pacientes na sala.
Por fora, o rosto sem expressão do francês aparentava nada mais do que desconforto. Parecia que Camus não sentia absolutamente nada... Os enfermeiros passavam por ele e tinham a impressão que estava ali por obrigação. Tentaram fazer com que o ruivo fosse embora, mas ele se recusava a sair de perto da maca com as duas moças.
Marin sentia que seu corpo pedia por descanso há bastante tempo. Fez um chá forte de ervas calmantes que sempre levava consigo e obrigou que Shina e Milo também tomassem. Os dois pareciam uma pilha de nervos. Milo andava de um lado para o outro, provavelmente pensando na mesma coisa que Camus pensava naquele momento e Shina chorava baixinho, muito triste para pensar em alguém mais que Mu.
Na administração, os seguranças resolveram separar as duas brasileiras que começaram uma briga feia durante a noite. Elas discutiam, se batiam, gritavam. Uma delas tinha a cara inchada e a boca sangrava, por medida de segurança separaram as duas e deram gelo para a loira com a cara arrebentada. A noite não foi tão calma quanto esperavam... Elas ainda gritavam uma para a outra de vez em quando.
Na manhã seguinte...
Giuseppe sentiu um gosto ruim na boca, não se lembrava de muito mais do que uma gritaria logo depois da rave, não tinha a menor noção de onde estava. Quando acostumou com a claridade do quarto viu que tinha um monitor de batimentos cardíacos no seu indicador esquerdo e estava com soro direto na veia, estava com um avental típico de hospital. Se levantou lentamente, sentia a cabeça pesada, mas o estômago estava melhor. Olhou para os lados procurando alguém, quando viu Mu, Cláudia e Rebecca na mesma situação que ele, mas todos desacordados. "Catzo, que merda é essa?". Logo uma enfermeira apareceu e foi logo checando seus sinais vitais, vendo o soro...
-Ei, o que acontece aqui? - Ele gesticulou pra chamar a atenção da enfermeira meio sonolenta.
-Calma, senhor. - Suspirou. - A sua bebida alcoólica e de seus amigos foi misturada com gardenal... Sua namorada estava aqui o tempo todo, acho que ela foi deitar há algumas horas atrás.
-Mas está tudo bem com ela?! - Mask perguntou apressado.
-Sim, ela foi descansar, logo ela volta. Não se preocupe, agora fique quieto... - Ela sorriu e foi olhar os demais.
-E com eles, o que aconteceu?! E Mu?! - Mask ficou levemente preocupado, não eram todos que tinham porte atlético e um corpo preparado como o dele.
-Eles estão na mesma situação que você. Mas essa aqui, - chegou perto da morena alta... - Essa aqui não apresentou melhoras ainda. É com ela que estou mais preocupada. - A enfermeira ficou ali e checou tudo que podia, logo foi ver Rebecca, ela parecia com uma aparência melhor e Mu também, pois o ariano tinha tomado a menor quantidade de álcool dos quatro. Giuseppe reparou que Camus dormia praticamente do lado da cama de Rebecca, foi nessa hora que Milo, Shina e Marin chegaram. Os três pareciam sonolentos, tristes... Marin sorriu largamente quando viu seu parceiro acordado.
-Mask!! - Não era de exagerar, mas não conseguia se conter em vê-lo relativamente bem, abraçou-o apertado.
-Calma bambina, já estou bem... - Acariciou a cabeça da namorada com um suspiro aliviado.
-Camus, acorda. - Milo sacudiu o amigo que babava em cima da maca. - Vai deitar na sua cabine, eu vou ficar com as meninas. - Milo parecia sério, mas na verdade era pura exaustão e preocupação. "E se elas não melhorarem?".
Mu sentiu um carinho em seu braço e aos poucos abriu os olhos. Sentia a cabeça rodar, mas conseguia ver Shina e sorriu levemente. Ela sentou ao lado dele na maca e ficou falando coisas reconfortantes ao seu ouvido.
Rebeca sentiu uma pressão na sua perna direita, resmungou alguma coisa, sua cabeça rodava, pesava, ainda sentia náuseas e não conseguia abrir o olho, com tanta claridade. Camus acordou meio assustado com o chacoalho de Milo, esfregou o rosto. Sentiu o pescoço estalar e doer, por ter ficado de mal jeito. Sem falar muito, só deu uma olhada rápida em todos e saiu. Mal chegou na cabine, caiu na cama e lá ficou.
Giuseppe resolveu ir para a sua cabine ser auxiliado pela sua enfermeira privativa, obteve alta apenas sob a condição de descanso absoluto e muita hidratação. Marin arrumou uma espreguiçadeira bem confortável na sacada da cabine, com muitas frutas, água e sucos... Ficaram deitados ali praticamente o dia todo.
-Maldita!!! Maldita Giovana... - Isabel passou a noite toda reclamando da "amiga".
-Sabe o que eu vou alegar quando formos presas Isabel?!! - Giovana só fazia a situação ficar pior. - Vou alegar que eu era sua cúmplice... Porque foi você que perdeu o namorado. Eu nunca namorei o Milo. Hahahaha...
Isabel chorava compulsivamente, até cair exausta na poltrona que tinha na sala onde estava. Tinha descoberto do pior jeito que a então "amiga" não passava de uma louca desvairada.
Pela manhã um helicóptero completamente preto pousou no heliporto na parte superior do navio. Dele saiu um homem alto de terno preto. Cabelos loiros compridos, presos por um elástico, os olhos cobertos por óculos escuros. Tinha a pele levemente bronzeada e uma feição séria.
Ele desceu as escadas que o levariam a cabine com os tripulantes, e depois encaminhado a administração.
-Detetive Saga. - Shura o cumprimentou com um aperto firme de mão. - Como está?
-Tenente Shura, - Saga retribuiu a saudação. - Estou bem. Mas o que temos aqui?! Recebi uma mensagem para vir ao Navio sob extremo sigilo.
-Bom, temos uma tentativa de homicídio. Duas jovens misturaram gardenal na bebida de outros 4 passageiros. - Saga suspirou diante da gravidade do crime. - Eles ainda não estão totalmente recuperados, um deles ainda está inconsciente.
-Quero saber mais, as duas mulheres têm alguma relação com esses tripulantes? - Tirou o velho caderninho de anotações do bolso direito do paletó.
-Pelo que vi nos demais vídeos e nas fichas dos passageiros. Uma das duas é prima da moça que está inconsciente na ala da enfermaria. - Saga entortou uma de suas sobrancelhas desconfiado.
-Quero ver todas as provas agora e mais tarde vou pedir depoimento de todos envolvidos.
-Claro, siga-me até a ala de segurança. Todos os vídeos foram previamente preparados.
Aos poucos, Mu se recuperava. A cada momento sua respiração ficava mais estável, junto ao seu nível de saturação, quase no 100%, indicando uma melhora quase completa da parte respiratória. Ainda sentia o corpo mole e fraco, mas a sensação era bem melhor do que na madrugada anterior, onde não conseguia controlar quase nada do seu corpo. Perto do meio-dia pôde ser liberado e aproveitou para almoçar na cabine junto com Shina, Marin e Mask.
Milo estava sentado entre as macas das suas preciosas meninas, desde a manhã não houveram mudanças significativas para nenhuma das duas, continuavam torpes. Olhou uma foto perdida num dos compartimentos da sua carteira. Ele devia ter uns 15 anos, cercado pelas duas garotas de 13, Rebecca e Cláudia. Não pareciam ter mudado muito... A mesma cara de sapeca, brigona, meio boba. Acariciou a mão de Cláudia de leve. Talvez sempre gostasse dela, sempre gostasse de aprontar com ela, pra chamar sua atenção. Por mais que sentisse raiva da cena da madrugada anterior, acreditou no vídeo com toda a sua fé, pois jamais Cláudia poderia agir dessa forma. Por mais que ela estivesse inconsciente, sabia que ela não tomaria drogas pra se divertir em qualquer noite perdida. Pensou na irmã, tão pentelha, também jamais se drogaria... Afinal eram inteligentes demais pra cometer uma burrada dessas. Mesmo bravo queria acreditar que elas eram decentes.
Rebecca notou um silêncio fora do comum na sala onde estava. Antes conseguia ouvir os tripulantes reclamando em grego ou inglês, mas agora não ouvia absolutamente nada. Sentia o corpo ainda bem frágil e a cabeça pesada. Tentou abrir os olhos bem devagar, e viu Cláudia adormecida na maca ao lado. Milo olhava para a janela perdido em pensamentos, quando ouviu barulho de gente se mexendo na cama.
-Mi? - Rebecca chamou o irmão. Finalmente conseguia ficar acordada e não cair em um sono logo em seguida. Milo correu até Rebecca e a ajudou a ficar sentada. Ele olhava bobo para a irmã... Antes que ela pudesse falar algo, a abraçou, um pouco mais aliviado.
-O que aconteceu comigo e com a Cláudinha?! De repente eu não consigo acordar... Foi a minha pressão que caiu?
-Não, foi um pouco mais grave... - Milo nem sabia por onde começar, mas se escondesse isso da irmã, seria pior depois.
-Eu lembro da gente se divertindo na rave, e de repente eu comecei a passar muito mal. Não lembro de mais nada depois... - Rebecca tentou enumerar os fatos em ordem na cabeça.
Saga respirou fundo ao ver os vídeos de seguranças. Pensou em todas as possibilidades da causa do crime e nas perguntas que faria para cada um dos envolvidos. Resolveu começar com as duas que aparentavam ser primariamente culpadas. Chamou a segurança e pediu que Giovana entrasse primeiro, afinal o medicamento tinha sido comprado por ela.
-Boa tarde, senhorita Figueira. - Saga estava sentado num canto, já sem paletó e com as mangas da camisa branca dobradas até o cotovelo. O segurança a colocou sentada numa cadeira em frente a uma mesa isolada no meio da sala. O clima era completamente silencioso e opressivo, só se ouvia o barulho do ar condicionado e os rabiscos que o grego loiro fazia em seu caderno.
-Boa tarde. - Giovana tentou parecer confiante, mas sua voz não saiu tão altiva de dentro da sua garganta seca.
-Sou o detetive Saga Sóstenes e acredito que a senhorita sabe por que está aqui. - Ele fez uma pausa dramática, constatando pouco controle na respiração da garota. - Gostaria de saber por que a senhorita comprou uma caixa de Fenobarbitol 750mg na farmácia do Navio?
-Porque eu tenho epilepsia.
-Sei. E como é ter epilepsia?! - Ele perguntou mais para as paredes de azulejo branco do que pra ela. - Por algum acaso faz você desperdiçar o seu remédio na bebida de outras pessoas? - Giovana engoliu seco, antes que pudesse revidar, Saga continuou. - Além disso, não se pode beber quando se toma essa medicação... Não é a toa que temos quatro pessoas na enfermaria. - Saga levantou, a medida que seu corpo ficava ereto, colocou as mãos na cintura, exibindo a sua .45mm dentro do coldre. Em cima da mesa, encontravam-se alguns papéis, dos quais ele fingiu ler, em frente a ela.
-Aqui diz que a senhorita é nutricionista. - Giovana acenou positivamente, com os olhos baixos. - Acredito que saiba bem os efeitos da junção de álcool com fenobarbitol. Mas mesmo assim, durante a maioria das festas a senhorita estava sempre com um copo de bebida alcoólica na mão. –
Saga mostrou várias fotografias tiradas pelas câmeras de segurança, muitas delas podia-se ver nitidamente que Giovana segurava copos com conteúdo alcóolico. Ela olhava as fotos, onde aparecia com muitos sex on the beach, martinis e outros. Sentiu o suor descer pelo meio dos seus seios, por mais que a temperatura dentro da sala era em torno de 22ºC. As mãos ficaram trêmulas, escondidas no seu colo. Simplesmente não conseguia responder nada, contra argumentar que era só um pequeno susto nas coleguinhas. Não conseguia sequer abrir a boca.
-Isso me faz pensar se faz muito tempo desde que teve sua última crise. Alguns anos talvez, logo você pode comprar o medicamento, já que tem uma receita permanente, não?!
Diante do silêncio e dos sinais corporais, Giovana parecia petrificada de medo. Era exatamente onde Saga queria chegar.
-Eu sou detetive da cidade de Athenas. E sei que você tem direito a um advogado. - Ele ficou a frente dela, com uma feição mais calma. - Mas diante dessas provas de tentativa de homicídio culposo, você vai me responder quem jogou o medicamento na bebida. Pois eu sei que você tem conhecimento suficiente para estar completamente ciente das conseqüências dos seus atos. Conte-me tudo que você fez durante a rave, nos mínimos detalhes. Você sabe bem que as câmeras comprovam que você e sua amiguinha arrastaram a prima dela e a amiga para dentro de outra cabine, agora me conte como isso aconteceu.
-Você passou mal pois bebeu álcool com gardenal. - Milo explicou calmamente e em pedaços pois sabia que além da irmã querer uma boa explicação, se ela soubesse logo quem tinha feito a "festa", ia ficar muito furiosa.
-QUÊ?!! Como assim, Milo?!!!! Isso é SUPER perigoso!!!!!!!
-Calma, Becca, por favor. Fica calma... - Milo segurou a irmã, que parecia inconformada.
-Tudo bem que eu gosto de beber, mas isso é estupidez!!! Quantas vezes a Cláudinha me contou sobre todos os perigos de se misturar antidepressivos com álcool... - Parou de falar assim que terminou a frase, parecia mais calma.
-Tudo bem, Rebecca. Fica calma, por favor... - Milo achou estranho ela parar de falar exaltada por um momento.
-Milo, eu NUNCA tomei antidepressivo na minha vida!!! - Tapou os olhos que já começavam a ficar marejados. - Como isso aconteceu? Nada está fazendo sentido.
Milo suspirou, pela reação dela, sabia que ela não tinha tomado nada por conta. Sua irmã podia ser maluca da Silva, mas drogada e junkie, nunca.
-Eu sei que você não fez isso com si mesma. - Rebecca arregalou os olhos.
-E por algum momento você achou que eu tinha feito algo do tipo?!! Não acredito!!!! - Ela ficou mais indignada.
-Calma!! Eu te conheço Rebecca, - segurou os ombros dela, - mas por um momento achei que era só bebida demais. De repente vocês sumiram, encontramos você e Cláudia na cabine da Marin e Shina... Numa situação muito constrangedora. - Fez questão de frisar o "muito".
-Como assim, constrangedora? - Rebecca muchou a cara de indignada pensando no que seria muito constrangedor.
-Cláudia estava deitada ao lado do Mask, - comentou com raiva.- E você estava em cima do Mu... - Antes que Milo terminasse, Rebecca relaxou o corpo e se deixou cair no encosto da maca, com os olhos marejados.
-C-como?! - Mal conseguia balbuciar algo em resposta. Simplesmente imaginava se Camus tinha visto a cena. Milo a abraçou até que ela se acalmasse. Logo os enfermeiros apareceram para checar como as duas estavam.
Rebecca parecia boa o suficiente para ter uma alta, já sentia fome e desconforto na maca. Alguns outros passageiros tinham passado mal do estômago, não tinha muito espaço pra ter uma pequena UTI, apenas Cláudia ficaria sob observação intensa, provavelmente ela ficaria bem, mas caso outros sinais de alguma falência de algum órgão, os enfermeiros ativariam o helicóptero de emergência e ela seria levada para terra firme. Milo também teve que sair de lá, levando a irmã numa cadeira de rodas até a cabine.
Na verdade ela não queria ter que ver a cara de desgosto do Camus, principalmente pelo fato do seu irmão não ter terminado de contar toda a história, uma vez que ela não tinha bebido aquilo conscientemente. Antes de chegar perto da cabine, Rebecca levantou, meio bamba, aparada pelo irmão.
-Milo, você vai me contar agora, quem fez isso com a gente?! Eu não entro nessa cabine enquanto eu não souber de tudo! - Ele suspirou.
-Isabel e Giovana são as suspeitas de terem feito isso... Pois foram elas que carregaram você e a Cláudia até a cabine da Marin e Shina. Eu acredito que deva ter sido por isso que achamos que vocês... Bem, você entendeu. - Rebecca concordou com a cabeça e entrou na cabine. Sentiu vontade de chorar quando viu Camus dormindo com um livro na mão. Milo a levou para a sacada.
-E depois de ter visto a gente naquela situação... O que vocês fizeram? - Rebecca tentava já saber qual era a opinião de todos, principalmente do Camus.
-Fiquei puto da vida... Com vocês duas! - Milo bateu na perna, bravo só de lembrar. Esfregou o rosto. - Nós não ficamos aqui, fomos para um passeio de barco enquanto vocês estavam na enfermaria. - Foi aí que Milo teve outro estalo. - Aparentemente Isabel e Giovana já tinham planejado isso. Provavelmente Isabel queria voltar com Camus. - Rebecca ficou calada, afinal tinha meio que "roubado" o francês da loira falsa.
-Mas Milo, não justifica querer matar a própria prima pra fazer isso...
-Realmente, ela é doente. Ela disse que fez isso pois amava o Camus. Eu confesso que me arrependo de ter ido ao passeio. Me sinto um fantoche nas mãos das duas, fizeram de tudo pra que vocês fossem as vagabundas da vez.
-Milo... - Rebecca foi até o irmão e o abraçou. - Você é o meu irmão, eu entendo por que ficou bravo. Eu também ficaria brava se visse numa situação dessas. O que importa é que eu estou bem e a Cláudinha também vai se recuperar. Por que não vai ficar com ela agora?!
-Vou sim. - Ainda abraçado na irmã, - Sabia que você não me decepcionaria. Não fica brava com elas, não vale a pena. A administração do Navio vai tomar conta disso, ok?! - Beijou Rebecca na testa e saiu.
Ela ainda continuou ali na sacada, aproveitando o tempo sozinha pra avaliar o que estava acontecendo. Como pessoas podiam ser maravilhosas e tão detestáveis ao mesmo tempo. Entendia o fato dos dois ficarem bravos, mas onde ficava a confiança? Era tão fechada e não confiava nem na própria sombra, acabava de ter mais uma decepção pra colecionar. Não importava o que dissesse ou fizesse, aquilo que Isabel tinha não era amor, nem paixão. Ela não tinha idéia do que era amar uma pessoa... Em silêncio, por anos. Foi interrompida bruscamente pelo barulho do telefone de dentro da cabine. Saiu o mais rápido que fosse, antes que acordasse um certo ruivo.
-Estou esperando pacientemente os fatos aparecerem na sua cabecinha. - Saga lembrou do que Giovana tinha que contar.
-E-eu não tenho muito com isso, a não ser pelo remédio que ela me fez comprar... - Ela mal olhava para Saga, as palavras saíam pausadamente. - Isabel só queria voltar com o namorado...
-Se livrando da nova namorada? E a outra garota, prima de Isabel... Por que ela faria isso com a própria prima?!
-Ela sempre teve inveja da prima. - Nessa frase, Giovana não titubeou em dizer, Saga achou aquilo mais verdade do que o resto que ela se esforçava para esconder. - Ela resolveu que se isso acontecesse apenas com Rebecca, ia ficar muito na cara.
-Como se o gardenal que foi comprado com a sua receita não tivesse ficado nada na cara. - Saga foi ríspido. - Por que as arrastaram até a cabine?
-Por que Isabel queria que Rebecca traísse Camus, logo depois deles começassem a ficar juntos. - Giovana tentava controlar suas emoções o mais que podia. Sentia vontade de gritar toda a verdade e rir da cara daquele detetive filho de uma cadela.
-Que plano doentio esse... Saiu da sua cabeça? Ou da dela? Já que durante o vídeo você e ela se divertem tanto, rindo enquanto carregam os corpos das duas. - Saga mostrava essa cena no televisor que foi arrastado da outra sala. Giovana tinha a cara fechada em um misto de ódio e desprezo.
Depois de mais minutos de silêncio e tensão, Giovana não sentia mais as pernas, sua visão ficou embaçada, sentiu enjôo, seu coração batia desesperadamente rápido. Não conseguia conter suas emoções. Soltou um grito e começou a tremer na cadeira. Caiu no chão convulsionando. Os seguranças já foram em direção a ela para ampará-la. Saga os conteve com um sinal com as mãos. Segurou o corpo dela, até com que parasse de se debater. Depois fez com que os seguranças a levassem até o seu quarto e providenciassem um enfermeiro para cuidar apenas dela.
-Pode chamar a outra moça. - Saga levantou-se e fez mais anotações, enquanto via mais uma vez o vídeo da câmera de segurança do corredor.
-Alô? - Rebecca atendeu o telefone, sentou-se ao lado de onde Camus dormia. Tentou não fazer nenhum movimento para acordá-lo. Sabia que ele detestava ser acordado.
-Aqui é da Administração do Aegian Coast. A presença de todos os passageiros ocupantes dessa cabine é solicitada na área de segurança da Administração.
-Bom, meu irmão está na Ala de Enfermagem, com minha amiga Cláudia. Ela ainda está desacordada. - Só de pensar na melhor amiga o estômago de Rebecca se revoltou e lágrimas começaram a sair dos olhos, sem controle. - Por que estamos sendo chamados?
-As senhoritas Figueira e dos Santos estão sendo interrogadas nesse momento e, de acordo com o investigador Saga Sóstenes, a presença dos outros ocupantes da cabine são imprescindíveis nessa investigação.
Rebecca não tinha reparado que a sua voz tinha acordado o francês ao seu lado. Por mais que tivesse ficado bravo, triste, Camus queria acreditar que não tinha entregue sua confiança em vão. Pelas lágrimas ao falar da amiga ou a voz sussurrada para não lhe acordar.
-Claro, senhor. Eu entendo perfeitamente e irei para a Administração imediatamente. - Ela tentou manter a compostura, mas assim que colocou o telefone no gancho sentiu seu corpo estremecer por causa do choro contido. Camus continuou imóvel, com os olhos fechados. Sentiu as mãos trêmulas da garota acariciarem seus cabelos vermelhos. Ela tirou as mãos dele e levantou, se recriminando pelo ato impensado de tocar no francês. Foi até o banheiro se vestir de forma mais apropriada para o que seria um interrogatório (se é que tal coisa existe).
Isabel ainda tinha o rosto inchado pelo soco que Giovana tinha lhe dado. Mal prestou atenção para onde era guiada pelo segurança que tinha lhe chamado a pouco, quando se viu sentada numa sala com apenas uma cadeira, uma mesa, um rack com uma TV e um aparelho de DVD. Saga ficava na penumbra do outro canto, praticamente imóvel. Isabel sentiu os pelos do braço se arrepiarem com o choque da temperatura do exterior... Quando viu Saga se aproximar.
-Senhorita dos Santos, certo?! - Diante do aceno de cabeça, ele continuou. - Saga Sóstenes, detetive da cidade de Athenas. - Fez uma pausa dramática diante do rosto alheio da loira. - Acredito que saiba por que foi chamada... Afinal, quatro pessoas foram quase mortas. - Isabel ficou chocada com as palavras, por mais que soubesse onde tinha chegado na noite da rave. À frente do silêncio e da expressão da mulher, o grego loiro continuou.
-Me diga... Ele valia tanto assim?! Ou ser trocada foi muito mais humilhante? - A cara de ódio puro que Isabel fez ao ouvir a última frase deixou claro para Saga o que estava se passando na cena.
-Seu desgraçado...!! Eu tenho direito a um advogado pra responder por mim!! - Isabel perdeu o controle e levantou-se da cadeira, exaltada.
-E terá. Mas diante dessas provas que tenho, - fingiu ver as fotos que tinha na mesa -, é imperativo que a senhorita tenha a decência de ajudar a polícia. Mas então, voltando ao assunto. A senhorita chegou a pensar que ninguém iria reparar nesse sustinho que resolveu dar na sua prima e na amiguinha que roubou seu namorado?
-E-eu não tinha intenç...
-Mas fez mesmo assim!!! - Foi interrompida brutalmente por Saga. - Mesmo sabendo das conseqüências!! Ou o curso de nutrição que você freqüentou era tão deficiente a esse ponto?
Isabel começou a chorar copiosamente, implorando pela sua inocência. Atitude que irritou Saga profundamente.
-Pare de chorar agora e me conte como tudo aconteceu. Como as coisas aconteceram entre vocês. - A voz autoritária de Saga fez com que o grunhido de choro terminasse, Isabel respirou fundo e viu que não tinha muito pra onde correr.
Ao abrir a porta do banheiro, Rebecca deu de cara com Camus. Não chegou a falar nenhuma palavra, mas estava claro que tinha se assustado.
-Quem era no telefone. - A voz dura não tinha nem entonação de pergunta. Rebecca estremeceu, mas dessa vez foi de medo da voz que saía da boca do ruivo.
-A administração do navio nos chamou para que fizéssemos nosso depoimento sobre o ocorrido na rave. - Rebecca olhou dentro dos olhos de Camus, não teria medo de encará-lo se não tinha feito nada errado.
-Espere um momento, irei com você. - Ele entrou no banheiro e começou a lavar o rosto. Rebecca foi sentar-se na beirada da cama ansiosa pra saber realmente o que tinha acontecido.
Não conseguia começar uma conversa com ele, não sabia nem o que perguntar, mas estava preocupada com a cara de quem não tinha dormido muitas horas que Camus tinha.
-Aconteceu alguma coisa com você? - Ela perguntou, já com receio da resposta.
-Não. - Sabia que Camus não era de conversa mole, mas a frieza da resposta fez com que Rebecca só balançasse a cabeça em resposta, mesmo sentindo-se menos preocupada.
-Aonde está indo? - Camus perguntou quando viu Rebecca virar para a direção oposta da Administração.
-Vou avisar Milo que ele tem que ir depor, e aproveitar pra saber se Cláudinha tá melhor. - Não estava muito afim de se justificar, mas tinha que ver como a amiga estava antes de qualquer coisa. - Não precisa entrar se não quiser. - Rebecca entrou na Ala de Enfermagem procurando pelo que deveria ser a maca onde Cláudinha deveria estar deitada.
-Onde está minha amiga?! - Perguntou a um dos enfermeiros, que não sabia do que estava acontecendo. - Cadê a Cláudia?!! - Ninguém ousaria dizer que a voz altiva e autoritária vinha de uma criatura tão pequena.
-Calma, Becca. - Milo apareceu de outra sala. - Estão examinando-a, e pela cara deles, ela está melhorando.
-Ah que bom!! - Abraçou o irmão, muito mais aliviada.
-Vim antes que você quebrasse tudo aqui... Acredito que você já está muito bem! - Milo já começou a tirar sarro... - Ai!! - Ele esfregou o braço do tapa ardido da irmã.
-Já estou muito bem sim. - O semblante ficou completamente sério. - A Administração quer falar conosco. Comigo, com você, com a Cláudinha e Camus.
-Tudo bem, assim que eu falar com os enfermeiros eu vou pra lá, tá?!
-Ok.
Rebecca saiu e deu de cara com Camus novamente, parecia que ele estava vigiando as ações dela. Fingiu que não se importou e que não tinha vontade de abraçá-lo para procurar por conforto. Mais alguns passos e estavam de frente à sala. O comandante estava lá em pessoa, junto com os demais seguranças. Um homem bem alto e de aparência dócil veio em direção dos recém chegados.
-Por favor, sentem-se aqui nessas cadeiras, - ele apontou uma espécie de sala de espera. - Logo o detetive Sóstenes vai chamá-los. - Camus e Rebecca sentaram-se lado a lado. Cada minuto pareciam horas.
-Então, você estava feliz com seu namorado quando essa outra moça resolveu roubá-lo de você?
-Sim... Não era justo!! Nós íamos nos casar... - Isabel chorava ainda mais, depois de ter contado parte do que aconteceu durante a viagem. Nunca chegou a admitir que tinha colocado gardenal na bebida das garotas, isso Isabel contou que quem arquitetou foi a "colega" Giovana. O resto, deu-se como na fita de segurança, onde ela alegou que tinha bebido muito, por isso que a noite tinha terminado daquele jeito. Mais embalada pelo medo de ser presa do que por arrependimento, Saga mandou que ela saísse, antes que inventasse outra estória. Não agüentava mais ouvi-la fingir que chorava.
Rebecca suspirou quando viu Isabel ser levada para outra sala. O segurança garantiu que ela saísse de uma forma que não visse Camus e Rebecca. Mesmo não ficando com Camus ela tinha conseguido separá-los... Sempre foi tão boa de botar caraminholas na cabeça dele, até que dessa vez tinha até convencido que ela era uma qualquer. Assim que viu um grego loiro majestoso sair da sala, ela se prontificou a ficar de pé pra terminar logo com aquela angústia. Antes de ir olhou bem nos olhos de Camus.
-Pelo visto ela conseguiu te convencer que eu sou uma vagabunda não é?! Mesmo quase me matando pra isso. Mesmo eu nem lembrando do que aconteceu... - Ela desviou os olhos dele, virou-se e entrou na sala com o loiro, que a fechou logo que ela entrou. Camus ficou ali meio boquiaberto... Se sentiu um palhaço.
-Detetive Saga Sóstenes, sente-se. - Não tinha mais paciência pra tratar nenhuma pessoa de maneira cordial. Giovana e Isabel tinham esgotado qualquer pavio que ele pudesse ter.
-Rebecca Petri de Albuquerque. - Ela fungou e respondeu encarando o grego.
-Faz tempo que a senhorita acordou?
-Algumas horas. - Ela engoliu seco quando viu a tela de TV atrás do detetive. - Mas minha amiga ainda não acordou. - Pela voz entrando no limite do choroso, ela se importava com a amiga.
-Você pode me contar como foi a noite da rave? - Saga foi direto ao ponto. Ela não aparentava alguém que tinha algo a esconder.
-Claro. Fui à cabine de Marin e Shina me vestir, junto com Cláudia. A festa estava ótima, até o ponto que todos começaram a passar mal... De repente minha bebida ficou estranha, eu comecei a soar muito, fui ao banheiro tentar vomitar pra ver se passava, mas não me lembro de mais nada até chegar à porta... Depois disso eu não faço mais nenhuma idéia. - Rebecca contava a história gesticulando bastante e olhando na cara de Saga, como se isso fosse lhe dar mais apoio.
-E o seu relacionamento com Marin, Shina e os namorados delas? - Saga preferiu não ser irônico, já que ela acreditava não saber o que tinha acontecido.
-Era muito legal, apesar de ter conhecido todos há pouco tempo. São muito simpáticos e divertidos, não tivemos nenhum atrito... A não ser com Isabel e Giovana.
-Hum, o que tem elas? - Saga viu descaso no momento que ela falou das duas.
-São duas encrenqueiras, toda hora arranjavam motivo pra brigar. Não era possível manter uma conversa civilizada perto delas. É verdade que elas colocaram gardenal na nossa bebida?
-Sou eu quem faz as perguntas aqui, mocinha.
-Ok, desculpe-me. É que estou muito revoltada com isso!!
-E quanto ao namorado que você roubou? - Saga foi ríspido, mas não viu raiva na expressão facial dela. Viu constrangimento e bochechas vermelhas.
-Bem... Eu não sei como explicar. - Ela deu um leve sorriso, muito bem percebido por Saga. - Nós ficamos juntos na Noite do Comandante. Ele terminou com ela depois de uma briga que eles tiveram. Eu nem acreditei...
-Por que não acreditou? - Saga não entendia o enrosco.
-É que sempre nos detestamos quando crianças... Daí de repente, as coisas mudam, você quer brigar porque é uma forma de ter contato com essa pessoa. Foi aí que descobri que gostava muito dele... Desde adolescente.
-Entendo. Agora tem esse vídeo, da noite da rave. Quero que assista, pra ter certeza que você não lembra de nada. - O sorriso sinistro de Saga se formou assim que ele apertou a tecla "play" no DVD.
-Oi Camus, cadê a Becca? - Milo chegou minutos depois que sua irmã tinha desaparecido na sala à frente.
-Está dentro da sala... - Camus bufou. - É verdade que a Rebecca não lembra de nada que aconteceu?
-Foi o que ela me disse assim que acordou... Só lembra de ter passado mal e depois nada. - Milo fitou a cara de confusão de Camus. - Pelo jeito que ela reagiu as notícias, ela não lembrava de nada mesmo. Mas por quê a pergunta?
-Nada. - Se sentiu ainda mais palhaço.
Depois de alguns minutos, Camus e Milo ouviram o choro alto de Rebecca dentro da sala. Instintivamente bateram na porta, que se abriu com ela correndo em direção aos braços do irmão aos prantos.
-O que aconteceu? - Camus já se colocou à frente, espumando de raiva.
-Ela assistiu a fita de segurança. Apenas isso. - Saga não quis machucar a garota, mas ficou levemente chocado com a reação dela. - Agora, entre, por favor. - Camus obedeceu, desconfiado.
-Eu já assisti à fita da segurança. - Ele comentou seco. - O que mais o senhor quer ouvir?
-Sou o detetive Saga Sóstenes, mas acredito que não está muito para conversa. É bom se sentar. - Camus sentou-se sem tirar os olhos do grego arrogante.
-Albert Camus Petrárc.
-Senhor Petrárc, como era o seu relacionamento com a senhorita dos Santos para trocá-la tão rápido pela sua amiguinha de infância? - Camus gelou diante da pergunta, sentiu-se um canalha, egoísta e completamente a par dos seus sentimentos. Mas não podia mentir...
-Já não estava bem por algum tempo. Mas não a via muito, por isso não notei até chegar aqui. Era a nossa primeira viagem longa juntos.
-Pelo visto foi um fracasso... Mas porque ela me disse que pretendia se casar com você? - Saga ficou surpreso com a expressão ainda mais surpresa de Camus.
-Como?
-Ela disse que vocês pretendiam se casar.
-Eu não acredito que tenha dito isso em sã consciência.
-Mas não podia ter separado após a viagem... - Saga percebeu que por mais que Camus fosse excelente em não demonstrar que nada de mais se passava, sempre quando tocava no assunto dele e de Rebecca, o francês suava frio.
-E-eu... Aconteceu. - Camus gaguejou. - Não previ que isso pudesse acontecer entre nós.
-E encontrá-la na cabine em cima de outro deve ter sido bem chocante, afinal.
-Não acredito que ela se drogaria ou faria aquilo... Ela não teria ficado tão debilitada por isso. - O semblante de Camus se fechou, numa expressão séria.
-Como pode ter tanta certeza?
-Rebecca é física, ama o próprio cérebro. Jamais se drogaria por diversão, ela é muito mais responsável que gente mais velha que ela. - Saga analisou o jeito que ele se referia a ela, pela maneira de falar, tinha muita certeza ou conhecia-a muito bem.
-E você, como é o seu relacionamento com Rebecca e Cláudia antes da viagem?
-Nós crescemos juntos, mas ultimamente não tínhamos muito contato. A viagem foi o que nos juntou novamente. - Pelo jeito que ele falava dos amigos não tinha razão para colocar a vida das amigas em risco. Falou muito mais deles do que da ex ou da colega dela. - Eu jamais faria algum mal a elas. Na verdade, eu vim para esse Cruzeiro pra dar certeza aos pais delas que nada de mal acontecesse...
-Entendi. E quanto aos outros? Marin, Giuseppe, Shina e Mu?
-Acabei de conhecê-los, todos são simpáticos.
-Tudo bem, pode sair. Peça ao seu amigo para entrar.
A única coisa que Rebecca implorava era para que não mostrassem a fita para Cláudinha, não queria que ela passasse pelo mesmo desespero que ela tinha passado naquela sala. Assim que Camus saiu, abraçou Rebecca tão forte, que ela ficou sem palavras. Antes que Milo entrasse, pediu ao amigo levá-la para que descansasse na cabine.
-Detetive Saga Sóstenes. Sente-se.
-Milo Petri de Albuquerque, - sentou-se. - E só não lhe encho de porrada por que seria preso por desacato. - Saga abriu seu melhor sorriso.
-E qual seria o motivo da raiva?
-Não viu o que fez com minha irmã? Ela já sofreu o bastante!! É a primeira vez que ela viaja em anos com a melhor amiga e duas malucas estragam tudo a ponto de quase matá-las!!! Como o senhor acha que eu estou me sentindo?!! - Toda a calma que Milo parecia passar tinha se esgotado naquele segundo. - O que eu vou contar para os meus pais quando voltar?! Que deixei duas imbecis encherem o copo de gardenal da minha irmã e da minha namorada?!!! Eles NUNCA mais vão confiar em mim!! Eu só vim nessa viagem pra garantir que nada de mal acontecesse com elas!!! E olha no que deu?!! - Saga ficou mais que surpreso com a reação do loiro. Pela cara vermelha e as veias, achou que ele teria uma síncope ali mesmo.
-Fique calmo, por f...
-CALMO O CACETE!!! - Milo deu um berro e bateu a mão na mesa. - O senhor vai resolver esse caso AGORA! E se mostrar essa fita pra minha irmã novamente ou para minha namorada eu acabo com você! Entendeu?! Eu não tenho nenhuma declaração a fazer além do que tem nessa maldita fita e no que minha irmã e meu amigo já lhe falaram. - Milo respirou fundo e passou as mãos nos cabelos. - Mais alguma coisa, detetive. - Saga resolveu deixá-lo ir, antes que ele fizesse estragos. A irmã e namorada em coma por quase um dia inteiro não era pra qualquer um agüentar com toda a calma do mundo.
-Pode ir. Assim que sua namorada acordar, me informe, pois irei pessoalmente falar com ela. - Milo simplesmente virou e saiu da sala.
Quando voltou para a cabine, Cláudia já estava acordada e deitada na cama da cabine. Tinha acabado de saber o que tinha acontecido para ficar internada por intermédio da amiga. E não tinha uma cara nenhum pouco feliz.
CONTINUA
N/M: FELIZ 2009!!! xD
Enfim... Cap novo. Eu fiquei num impasse tão grande porque não queria que essa fic acabasse num clichê como tantas outras (nem preciso citar, né?). Veremos o que acontece. (É óbvio que eu gosto mais de escrever suspense do que romance XD). Eu comecei a escrever há bem mais tempo, mas tive que parar por outros motivos além do citado acima.
