Capítulo VIII
Por Que Me Abandonaram?
A mente de Pan estava em turbilhão. Sua avó tinha acabado de dizer aquilo? Teria ela, esposa de Kakarotto e mãe de Gohan, dito mesmo aquilo?
"Mas, vovó, a senhora permitiria que eu amasse alguém como ele? Um assassino implacável que matou o seu marido e o seu filho? Que eu me tornasse a esposa dele?"
"Sim. Estou furiosa que ele os matou, mas quando seu coração e seu corpo escolhem um esposo, você não pode impedir isso, e eu não vou escolher não amá-la por causa disso. Você e Goten são os únicos que são importantes para mim neste mundo. Não ligo para o que acontecer entre você e seu esposo, mesmo que este seja Trunks, porque você o ama, e ele te ama. Isso é o que importa".
"Mas o meu corpo não está me forçando a me ligar e tornar a esposa dele contra a minha vontade? Ou sou eu que permito isto?" Ela perguntou.
"Nenhum dos dois. Você o escolheu para amar, e ele escolheu você. Escute o que eu disse, Pan, não ignore. Eles querem que sejamos felizes, e o que você está fazendo é perigoso. Não quero perdê-la também", Chichi disse.
Pan estava ouvindo com a cabeça, sem prestar atenção a seu coração. Sua raiva fervia dentro dela, mas ela manteve seu ki bem baixo. Ela saiu correndo de sua casa e disparou céu acima.
Espero que escute seu coração, Pan. É sua única arma na vida, Chichi suspirou.
Pan voou e voou. Ela sabia para onde estava indo. Logo, ela estava fora dos limites da cidade, perto dos terrenos pedregosos, perto do Vale da Morte. Ela pousou perto de seu lugar preferido para pensar, e olhou para o céu. Raios cortavam pelo céu, e logo chuva caía do firmamento. Ela estremeceu sob a chuva, enquanto esta a encharcava até os ossos. Ela não ligava mais, para si mesma, sua família ou Trunks.
Ela estava com tanta raiva de si mesma, por ser fraca, uma saiyajin com tantas emoções quanto ela. Ela cerrou as mãos em punhos, e aperto com tanta força que fez emergir sangue. Seus olhos estavam cheios de ódio, e sua respiração ficou ofegante devido ao frio.
Ela olhou para o céu; este estava estrelado, mesmo com a trovoada. Ela de repente mudou o padrão de seu ki. Era uma técnica que seu pai tinha ensinado a ela, e era boa para atacar inimigos e, se estes sobrevivessem, não seriam capazes de encontrá-lo, pois seu ki tinha mudado. Ela planejava fazer isto com Trunks.
Trunks.
Uma fúria cega a consumiu, enquanto ela flutuava para o céu e deixou toda a sua energia escapar de uma vez. Ela gritou enquanto se transformava na primeira fase do supersaiyajin, e mais além do que podia ir. Ela gritou enquanto tentava levar-se até seus limites, e doía. Ela podia sentir as costas começando a se arquear, e o terreno começou a tremer.
Trunks, seu assassino desgraçado e implacável.
Foi a conta. Seu ki a engolfou, e ela gritou com a metamorfose. Ela então caiu no chão, a poeira erguendo-se em todos os cantos. Ela ofegou por ar, e suor corria por sua testa. Ela ergueu-se, e olhou para as mãos. Podia sentir sua nova energia fluindo por suas veias.
Então esse é o nível que ele falava. Estou no segundo nível, e mais um nível significará que estou igual a Trunks. Trunks...
Ela voltou a seu estado normal e relaxou sua respiração. Podia sentir a raiva correndo por suas veias, e então ela olhou para o céu. Eles sabiam quem tinha matado-os, eles sabiam – então por que eles não estavam ajudando-a, ou punindo-a por seus progressos até o momento?
"Por que me abandonaram?!"
O céu foi estremecido por raios, e o Planeta Vegeta estremeceu. Ela bateu no chão com as mãos. "Eu o desapontei, Pai. Foi o senhor quem me ensinou a ser forte, mas não sou forte".
"É sim", veio uma voz leve no vento.
Pan ergueu os olhos para o céu. Ela sabia a quem aquela voz pertencia.
"Pai... É mesmo o senhor?" Ela sussurrou.
Não veio resposta.
"Por que o senhor não está me punindo? Eu não sou forte, afinal, e não estou vingando a sua morte. Não é justo com o senhor. Eu mesma mereço morrer se sinto tais coisas por ele".
"Panny, lembre-se de quem você é: uma Son. Você está ouvindo sua cabeça, não o seu coração, e isto será a sua derrocada. Nós nos orgulhamos tanto de você. Você merece viver. Só se lembre de nós em seu coração, e pensamos o mesmo que Chichi..."
Trovões abalaram o planeta às últimas palavras dele, mas Pan tinha ouvido-o. Ela estava confusa. Agora duas pessoas que eram importantes para ela tinham dito a mesma coisa, como se não soubessem que Trunks tinha assassinado-os. Mas Pan recordou aquele dia fatal mais uma vez. O jeito com que ele os chamara de fracos.
"Eu irei vingar suas mortes, eu o farei. Mesmo se eu também morrer. Não me importo com você, Trunks. Eu o odeio, eu o odeio, eu o odeio!"
Ela ficou ali por mais um tempo, então foi para casa. Não falou uma palavra sequer com a avó, e foi direto para cama, até mesmo sem se secar da chuva. Era como se ela quisesse pegar pneumonia.
Gohan inspirou o perfume de Bra. Doce e intoxicante. Ele beijou a testa dela, enquanto ela dormia. Ela estava com a cabeça sobre o corpo dele, seus cabelos azuis em cima do peito dele. Ele lembrava muito bem das horas de paixão deles, e a beleza dela o fascinava. Ele não estava mais bêbado, mas sua cabeça doía. Ele a considerava a mais bela saiyajin que ele já tinha conhecido. Ele massageou o braço dela. A pele dela era tão macia quanto a seda.
"Amanhã, Bra, nós vamos sair juntos", ele sussurrou, e então também adormeceu, ignorante do que tinha acontecido.
