Se Você Partir
Capítulo 9: As Noites e os Dias
A companhia do rei estava limitada há poucos homens, a Valier percebeu com um sorriso em rosto. Quatro, que segundo Éomer era um número excelente. O rei de Rohan escolhera a dedo, apenas cavaleiros de sua confiança, acima de tudo cada um dos que o acompanhava era também seu amigo e leal ao rei de Gondor.
Aquele reino prosperara graças à mão firme e gentil de Elessar e sua capacidade de semear amizades ao invés de discórdia, mas o mal sempre nos aguarda, de uma forma ou de outra.
Ela deixou de lado os pensamentos e as conversas sobre os novos desafios que o jovem rei de Gondor enfrentaria, Manwë em sua sabedoria alegava que cada ato de beleza ou dor estava gravado na Música magnífica do início dos tempos, e ela sabia que ele estava certo, contudo parte de si, ansiava pelas noites e pelos dias em que acreditou que a Música magnífica seria repleta apenas de felicidade.
Ao olhar o governante da Cidade Branca, a Valier foi capaz de perceber sua preocupação e soube que ele logo a notaria.
O momento de preocupação retirou sua vida dos planos de avanço para o reino, aqueles abençoados anos não foram apenas de paz, houve problemas, contudo, ele não sentiu em nenhum momento o que sentia agora: a ameaça tangível, capaz de alterar cada célula.
O rei ouvia o silêncio dos homens que o acompanhavam: Éomer, seu amigo e irmão de Éowyn, o rei de Rohan, não era um homem de muitas palavras e sim de ação, desde o nascer da amizade, Aragorn encontrou no cavaleiro rohirrim, uma pessoa direta e honesta, apenas ao lado de sua bela esposa, Lothíriel, um observador mais atento podia perceber a gentileza que havia nele.
Aragorn soltou o ar com tristeza, ele conhecia bem o respeito que Éomer sentia por Faramir e também dos temores por sua irmã, mas ele não estava sozinho naqueles sentimentos, na companhia havia dois outros homens de Rohan e Elessar se surpreendeu mais uma vez com a passagem dos tempos, Frélafáf e Léofa eram apenas jovens de dezesseis anos durante a Guerra do Anel, e uma vez ambos confessaram a Aragorn que várias noites, a Batalha do Abismo de Helm cobrava o seu preço e retirava o seu sono. E percebeu o choque e a emoção quando o rei de Gondor compartilhou com eles que o mesmo ocorria com ele. Naquele momento, em particular, Aragorn sentiu o companheirismo da Sociedade, algo que ele sentia saudades. Foi um período de guerra, mas também um período de amizade. E a amizade salvou a vida de todos.
Ao pensar naqueles anos de guerra, Elessar sentiu uma dúvida agitar seu coração, como um inimigo entrou sem ser percebido e aplicou um grave tão duro, capaz de ferir amigos tão queridos ao mesmo tempo.
Sua felicidade o teria cegado para sentir o perigo? Seus amigos estariam pagando pela sua distração? Como gostaria que Lorde Elrond estivesse perto, ele o orientaria, apontaria seus erros e suas opções, agora ele tinha que fazer esse caminha sozinho...
Ele olhou para sua companhia mais uma vez... não ele não estava sozinho!
Seus pensamentos foram interrompidos pela presença de uma jovem, seus olhos percorreram o ambiente vasto e aberto, como ela podia ter surgido se não possuía nenhum cavalo, nada que o indicasse, quando virou e olhou para seus amigos, viu algo incomum, algo que não poderia ter acontecido, eles estavam dormindo! Todos eles.
-Olá, Estel, não se preocupe com seus amigos, eles estão bem, mas não precisavam presenciar nossa conversa, pelo menos ainda não... Eu realmente estava ansiosa por conhecê-lo e ela sorriu um sorriso incrível.
E Aragorn se sentiu invadido por uma sensação que há muitos anos o abandonara... o sabor da primeira vez, quando você abre os olhos para o mundo e tudo nele é novo e fascinante, ele se sentiu renovado pela sensação e suas mágoas e cicatrizes simplesmente desapareceram, sim, Estel lembrava de tudo mas sem dor e essa ausência da dor só o fez ter certeza que a mulher bela a sua frente, não podia ser uma mulher, ela era uma Valier, a renovação só era mais uma pista.
Novo... criação...
Yavanna...
Ele se curvou, encantado, fascinado e incapaz de acreditar em seus olhos
Ela abriu um sorriso largo.
- Elessar. – Yavanna amava a criação e o rei viu o ambiente se transformar a sua presença, não se tratava de coisas novas, mas de um brilho extraordinário, um vislumbre sensacional de um universo sem máculas.
As cores adquiriram de alguma forma mais vida e os perfumes espalhados pelo ar tornaram-se distintos como uma sinfonia de alegria, um chamamento à vida, fascinante, orgânico, ele era um garoto novamente e ao mesmo tempo, um homem com suas glórias e conquistas, mas especialmente tocado pelo amor. Um amor poderoso. O amor por Arwen, pelos filhos, pelos amigos. Ele nunca o sentiu dessa forma. Tangível, no entanto, ele sabia que era essa a verdadeira força que ardia dentro de si. Ele simplesmente não sentia com toda a sua potência. Claro, como poderia? Apenas na presença de uma Valier...
- Sim, Estel. Nós podemos provocar todas essas sensações e despertar vários sentimentos nos homens, elfos, anões e hobbits, mas poucos podem me perceber como um curador e um guerreiro. A Guerra do Um foi vencida, contudo as almas ainda estão feridas, Estel, mas do que um reino economicamente sadio e protegido cabe ao rei de Gondor, curar essas almas.
Aragorn franziu o semblante.
- Como posso fazer isso se não fui capaz de impedir que um amigo fosse raptado do seu próprio domínio? Faramir foi afastado por uma força que ainda não consegui explicar e nós estamos há dias tentando rastrear seu caminho, seu sucesso. – O semblante sério, tocado pela responsabilidade e pelo afeto impressionou a Valier.
Yavanna sentiu a brisa acariciar seus cabelos e afastou o cacho rebelde com delicadeza, ela saboreou o momento e a companhia de Estel, ele era apenas uma nota daquela canção, mas era uma nota maravilhosa, gentil e firme.
- Majestade, não posso lhe oferecer respostas para suas perguntas, exceto essa, uma nova fase do seu reino começou com o desaparecimento de seu amigo, e mais uma vez, você poderá curar essa terra ainda ferida por Sauron ou ser vencido pelo cansaço e ser apenas o rei de Gondor. Essa escolha é sua.
Os olhos brilharam como as estrelas de Elbereth, e ele sentiu a chama arder dentro de si.
- A escolha já foi feita, um amigo não será abandonado a própria sorte, eu farei tudo o que estiver em meu poder para impedir a morada da tristeza em uma irmã tão querida quanto Éowyn e ao amigo de meu filho. – a voz de Estel era firme e cheia de promessas, se ele tivesse de perecer na empreitada, ele pereceria, mas não abandonaria seus amigos.
Yavanna tocou a planta e a via germinar, ah quanta saudade das Duas Árvores! Elas lhe trouxeram tantas alegrias e contemplou um mundo sem igual!
- Estel, vejo a grandeza do seu destino, e dessa forma, os grandes desafios, em sua peregrinação, nós o visitaremos e tentaremos auxiliar no que for possível, saiba que seu amigo, esposo dessa que você considera irmã também está sendo acompanhado por um Vala, o passado se revela a ele e ligará a todos no futuro. Uma nova demanda se inicia, mas agora não se trate da destruição do Um e sim, do consolo da terra, essa terra tão ferida e que amo. Você irá me ajudar, Elessar ?
- Sim, milady. – e curvou-se em reverência.
Yavanna desapareceu em um encanto e deixou o vento a suspirar...
... Lembre-se da ruína de Durín
Aragorn sentiu a tensão no maxilar, ele sabia onde Faramir estava, e ele não podia estar em lugar pior.
Ela foi deixada para trás, mais uma vez, mas a Senhora Branca de Rohan jurou a si mesma que aquela seria a última vez. Seu tio e rei partiu, seu irmão, Éomer partiu e finalmente Aragorn e sua companhia destinados a cair no limbo, pois isso era o que Senda dos Mortos era... um limbo.
E no final das contas, eles tinham sorte, pois ao menos se dirigiam a algum lugar, homens dignos, com certeza, cheios de caráter e nobreza, mas eles a deixavam para trás, sempre. Sim, seria a última vez.
Mesmo que lhe custasse a vida, ela nunca mais seria abandonada.
Sua mente traiçoeira a levou de volta as Casas de Cura, onde conheceu Faramir, ela estava tomada pela dor, e inexplicavelmente, sentiu seu coração bater em seu peito conquistado pela gentileza e pelo afeto que brilhava nos olhos do regente.
Aqueles dias viveriam para sempre na sua memória, pois sua alma se curou ao toque de Faramir, e ele jurou que não buscaria mais glórias em batalha.
Éowyn despertou, sua mente estava clara e seus olhos atentos.
Sim, lá estava ela, observou a gentileza e o trato da rainha com os doentes, por aquela doença e nefasta que atacava as almas. O filho de Beregond também parecia melhor, finalmente, que fardo pesado, a rainha carregava!
Aquelas semanas nas Casas de Cura obrigaram Éowyn a observar a vida de Gondor enquanto aguardava sua melhora e seus planos. E permitiu conhecer a rainha da Cidade Branca e seu fardo.
Curar tantos feridos, enquanto estes não queriam a cura e apenas alimentavam a tristeza.
Governar Gondor, nesse momento, era um grande desafio! E pela primeira vez, Éowyn enxergou a dama élfica, Arwen.
Mulheres podiam se tornar uma rainha, mas Úndomiel nascera uma. Eles se completavam, percebeu Éowyn, com o sol encontrando o mar, eles se completavam.
A Dama Branca movimentou o pescoço tentando espantar aquela tensão presente em seus músculos, mesmo aquela tensão passageira a fez pensar em Faramir, e sua habilidade em percebê-la ansiosa e acariciar seu pescoço e fazê-la esquecer dos problemas, sentiu o gosto salgado das lágrimas, não era o momento de tristezas ou lembranças, ela tinha que manifestar garra e serenidade ( esse último seria muito difícil, pois nunca fora dada a essas delicadezas), mas Éowyn tinha uma missão agora, e ela precisava marcar uma audiência com a rainha.
Arwen Úndomiel estava cercada de conselheiros e de amigos, mas sentia falta de seu pai, sua incrível sabedoria, seus irmãos. Gondor era esplendorosa, mas o mundo dos homens era diferente do elfos, a cada palavra havia uma outra escondida, presa na garganta, temerosa, aquela que eles realmente queriam dizer. E não diziam.
Homens honestos, com certeza, mas aconselhados pela razão, e muitos guardavam seus instintos, um dos poucos realmente diretos era Éomer de Rohan, Arwen desconfiava que este deveria ser um dos motivos pelo qual seu rei contava com sua companhia e opiniões.
Foi dessa forma que Arwen viu a irmã de Éomer entrar naquele salão, ela parecia restabelecida, e a rainha de Gondor viu além, nos olhos dela brilhavam uma vontade férrea.
Vestida como um cavaleiro, a esposa do príncipe de Ithilien retirou suspiros de contida indignação.
Aproximou-se e fez delicada mesura.
- Majestade, - inclinou-se Éowyn.- sinto perturbar seus salões, senhora, mas meu assunto tem grande urgência.
De alguma forma, Arwen adivinhou os pensamentos de Éowyn e se viu preocupada na atitude que devia tomar. Sim, sabia dos sentimentos que a jovem nutriu por Aragorn. Como ela podia culpa-la? E os bons ventos trouxeram vida nova e esperança para ambas. Arwen a viu com o regente, a chama que ambos compartilhavam era intensa e brilhava nos olhos de ambos.
- Quero sua permissão para buscar meu marido e meu filho! – ela era direta, como o irmão, Arwen admirava alguém assim.
- Senhora Éowyn, muitos dos nossos melhores soldados procuram o príncipe Faramir, o rei enviou uma mensagem, ele acredita estar na pista correta.
Não há necessidade. – disse um dos conselheiros da rainha.
Os olhos de Arwen faiscaram, aquele era um bom argumento, para um homem.
- Minha rainha, eu não duvido da capacidade de nosso rei ou meu irmão, mas esse assunto compete a mim. Ele não partiu para uma viagem. Ele foi tirado de mim! E vou retomar o que é meu! Minha alma, minha carne. – os conselheiros voltarem a sua atenção para rainha. A bela rainha. Até então todos observavam o profundo respeito que sentia pelos conselhos de Úndomiel.
Minha alma, minha carne. – Se alguém tentasse retirar o que lhe pertencia, ela não faria o mesmo? Os olhos de Éowyn brilhavam em chamas e aço, e Arwen sentiu-se tocada por aquelas emoções. Emoções que apenas uma mulher apaixonada podia compreender. Além da razão, eles eram ela, ela era eles. Não era dessa forma que sentia com Estel, aquela loucura cheia de paz, capaz de mudar seu mundo e ao mesmo tempo acalentá-la?
Arwen em um fechar de olhos sentiu a mesma corrente elétrica que sentia quando Estel estava próximo, paz e loucura juntos.
- Lady Éowyn, meus conselheiros são a voz da razão, há anos atrás, você caminhou em direção a morte, junto com seu povo. E triunfou. Naquele dia todos nós fomos surpreendidos pela graças de Eru. Se algo lhe acontecer, o rei e seu irmão não me perdoaram, pois a amam e a estimam. – Éowyn fechou os olhos com medo do que estava por vir. – Mas se eu não permitir sua busca, não me perdoarei, pois compartilho de seus sentimentos, e entendo o que significa esperar quando aquele que amamos parte por motivos diversos e cabe a nós esperar. Então, pronunciou que Éowyn de Rohan, princesa de Ithilien irá nos deixar, acompanhada por escudeiros de sua escolha, sua missão é buscar o que é seu, pois ninguém tem direito de roubar de uma mulher a sua vida.
Éowyn sentiu as lágrimas nos olhos, sim, e sorriu pela primeira vez em dias, e jurou ver uma luz brilhando envolta da rainha. Ela se aproximou ainda em mesura. E emocionada, retirou sua espada.
- Majestade, essa é a minha espada, eu a ofereço, de hoje em diante, serei sua vassala, com coração e alma, não me importo de curvar diante de uma Grande Rainha.
Arwen sentiu a força daquelas palavras.
- Quero apenas sua amizade, milady. Mas aceito a ambas e oro para Erú protege-la em sua busca. Estel não me perdoaria se algo te acontecer, e eu não me perdoaria se fosse privada de sua amizade agora que finalmente a conquistei.
Éowyn sorriu, mas uma vez quebrando a maldição daqueles últimos dias,
- Minha rainha, por favor perdoe-me se antes fui arredia, nunca convivi entre mulheres nobres, e o pouco que sei aprendi com a esposa de meu irmão e devo confessar que uma pirraça infantil ainda dominava o meu espírito. Hoje, concedeu-me algo que nenhum homem jamais teve a capacidade de compreender.
Foi Arwen que completou:
- Que nossa liberdade está onde o nosso coração vive. E sem nossa liberdade, nosso corpo é apenas uma casca vazia.
Entre ambas no silêncio houve um pacto de amizade. Sementes de um laço que o tempo faria germinar e crescer.
Os murmúrios dos conselheiros foram abafados com o olhar firme do príncipe Imrahil, escolhido pelo rei para auxiliar sua rainha. Desde a batalha do Anel e especialmente com o casamento de Lothíriel e Éomer, a admiração de Imrahil cresceu pelo rei e sua bela rainha. Agora na ausência do rei, o príncipe jurou que Lady Arwen seria protegida e respeitada.
O Sol e sua esposa, sim, ele sentia falta de ambos, o sol o aquecia e trazia esperança capaz de erguer e alimentar sua alma.
Éowyn, a soma de suas esperanças, a justificativa que ele acalentou durante tanto tempo, mas surpreendeu-se ao finalmente encontra-la em sua vida.
E novamente o desafio estava presente, mais uma vez a vida cobrava seu preço pela felicidade.
Faramir sorriu ao ver seu filho brincando com as outras crianças, os pequenos haradhrins. Que fascinante a alma de uma criança, capazes de lidar com a dor e enfrenta-la com uma coragem que adultos temeriam.
Um mês. Eles estavam aprisionados nesse tempo, quatro luas, ele observou as luas se sucederem, da minguante em que suas esperanças rareavam em seu peito, da nova quando novos elementos, um Denethor desconhecido foi relatado por seu novo amigo haradrim, cheia, preenchidas por novos sonhos e descobertas e finalmente a crescente, sabia que seus amigos buscavam por ele, sabia que Éowyn clamava por ele. E de alguma forma, eles iriam se reencontrar.
Doriath, seu antigo inimigo e carrasco o esquecera. Ou conforme, Faramir adivinhava, planejava um golpe mais profundo.
Os dias, no entanto, estavam repletos de informações novas, o haradhrim sem nome com lembranças sobre o seu pai. Faramir tentava visualizar aquele Denethor capaz de se um importar com um povo diferente do seu.
Sua mente racional sabia que uma vida inteira podia passar sem os filhos conhecerem seus pais como homens e mulheres capazes de ações diferentes. Seu sentimento de filho lamentava não conhecer o homem capaz de lutar pela liberdade e sem preconceitos.
Por que nunca viu aquela face? Como o amaria se o conhecesse tão generoso! – Faramir tentou eliminar a marca preta do seu próprio rosto, era um hábito, não porque visse a marca das escavações, contudo aprendera a enxergar na escuridão e via seus amigos com aquela mesma marca. O que Doriath procurava tanto?
Sim, mas não estaria ele também buscando um tesouro, um pouco a cada noite, bebeu as palavras daquele estranho sobre seu pai. E fora a força daquelas palavras e a inocência do filho que o permitiu não se desesperar.
Ecthelion...o capitão de Ithilien refletiu sobre o seu filho, não pretendia ser um desconhecido para seu próprio filho. Seria apenas pretensão sua? Seria esse destino de todos os pais e mães?
Não, pensou enquanto com agilidade movia a ferramenta de trabalho entregue pelos haradhrim, o trabalho só podia ser acompanhado pelos pensamentos em sua família, Theóden havia sido um bom pai, um pai capaz de levar sua impetuosa esposa a abrir mão da própria vida para defendê-lo.
Em suas preces para os Vala, o filho de Denethor pedia pela capacidade de saber cativar o amor de seus filhos, contudo ao perceber a própria história e sua relação com seu pai, Faramir conhecia os riscos dessa relação, uma ligação marcada pelo sangue, mas que nem por isso exigia menos cuidado ou esforços, o mesmo sangue nas veias era apenas uma promessa, o dia a dia sim, o compromisso e realização desse juramento.
Em suas noites mais felizes, Faramir confessou a sua esposa seus sentimentos, o quanto quis que seu pai o amasse com aquela admiração que ele viu nos olhos do regente de Gondor ao olhar para Boromir.
Nas noites e nos dias em que Ecthelion era apenas um bebê, ele o acalentara cheio de promessas ao ver aqueles olhos cinzentos brilharem em sua direção. O olhar repleto de amor, sem julgamentos, apenas amor.
- Levante-se, filho de Gondor, vamos treinar. – o haradhrin lançou mais um dos seus desafios.
A estratégia da luta do haradhrin era diferente dos seus treinamentos, em vários momentos a disputa era mais visceral, o combate entre os homens mais brutos, em outras palavras o treinamento dos haradhrins não esperava pela ajuda de ninguém e sim um combate mortal.
Outro movimento interessante era a luta com base na movimentação do corpo inteiro, como se fosse uma dança, onde a música era a batalha e o ápice a vitória do combatente.
Nos primeiros dias, o corpo de Faramir cobrou as diferenças de movimentos e de exercícios, ele cansava-se rápido. Contudo, seu amigo sem nome, pois o antigo regente de Gondor, pensava nele dessa forma, ofereceu o estímulo adequado para as batalhas: a história do encontro de Denethor com aquele povo que agora estava tão preso quanto ele próprio.
Finalmente, uma peça importante dos quebra-cabeças seria revelado e uma certeza crescia dentro de Faramir: a história de seu pai estava ligada a sua prisão .
Próximo capítulo: A Senhora do Mar
