ENCONTROS E DESENCONTROS

Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, mas sim a Masami Kurumada. Esta fanfic não possui fins lucrativos.

Aviso: Contém Yaoi/Lemon

Beta: Capítulo sem betagem, peço perdão por qualquer erro.

CAPÍTULO NOVE

Apesar de fazerem cursos diferentes – já que Jabu cursa design gráfico – o escorpiano e Shun se conheceram na faculdade, mais precisamente quando, devido à pressa, se trombaram em um dos corredores do campus.

De lá pra cá, já haviam se passado quase quatro anos. Era a amizade mais recente de Shun, se comparada às outras. Porém, mesmo sendo recente, poderia ser considerada a mais sólida e verdadeira. Os dois já se conheciam o suficiente para se entenderem apenas pelo olhar, a cumplicidade e o entendimento mútuo era perceptível a qualquer um que os observasse com atenção.

Justamente por conhecer tão bem o outro foi que, ao receber aquela ligação, Jabu abandonou o ficante naquele restaurante e saiu correndo ao encontro de Shun. Sabia que o virginiano não estava fazendo manha, como muitos poderiam achar. Então, sem pensar duas vezes, pediu desculpas ao acompanhante e deixou o local sem maiores explicações.

Chegando ao prédio, identificou-se ao porteiro, que já tinha sido avisado por Shun de sua visita. Tocou a campainha do apartamento, apreensivo. Esperou por uns três minutos e nada do virginiano atender. Insistiu, apertando a campainha várias vezes e acrescentando umas batidas na porta.

- Shun, sou eu. Shun?!

Nada.

Começando a desesperar-se, Jabu tentou forçar a porta. Estava disposto a arrombá-la se necessário. Mas, para sua surpresa, ela estava destrancada e se abriu com o primeiro girar da maçaneta.

Adentrando o apartamento, logo avistou Shun deitado no sofá, chorando tanto que chegava a soluçar. Jabu fechou a porta atrás de si e a trancou com a chave que estava na fechadura. Aproximou-se do garoto no sofá e se ajoelhou diante dele. Foi somente nesse momento que Shun finalmente o encarou, com seus olhos vermelhos e o rosto banhado em lágrimas.

- Oi, bebê! – Jabu sorriu para o mais novo e acariciou o seu rosto. O apelido carinhoso que usara foi inventado pelos amigos de faculdade, que justificaram a escolha ressaltando a doçura de Shun.

O virginiano nada disse, apenas deixou escapar mais um soluço. Jabu sabia que nem precisava perguntar o porquê de Shun estar daquela forma, a única pessoa capaz de fazer com que ele ficasse assim era Hyoga. Sabia também que naquele momento o mais novo não precisava de sermão e nem teria condições de conversar. O que ele precisava de verdade era de conforto e carinho. E era justamente para isso que o escorpiano se encontrava ali.

- Você não precisa dizer nada, se não quiser. Eu só quero te pedir uma coisa: você pode me dar um abraço? – disse Jabu, abrindo os braços para o outro.

Shun não pensou duas vezes, levantou-se rapidamente do sofá e ajoelhou-se diante de Jabu, abraçou sua cintura e deitou a cabeça em seu ombro, sentindo-se ser firmemente envolvido pelos braços do outro. Era tudo o que o mais novo queria, apenas um abraço.

Jabu sentou-se no chão, acomodando Shun entre suas pernas. Ainda abraçados, o mais velho passou a acariciar os cabelos castanhos do outro, enquanto depositava alguns beijos em sua testa e dizia:

- Vai ficar tudo bem, bebê, não se preocupa. Não há nada que não tenha solução... Vai dar tudo certo, garanto a você. Eu estou do seu lado e não importa o que aconteça, sempre estarei aqui quando precisar de mim.

Shun permanecia calado. Apenas chorava, soluçava e tremia, apertando Jabu com tanta força que o outro mal conseguia respirar. E foi assim que os dois permaneceram por um bom tempo, até o choro do virginiano cessar, o que demorou mais de meia hora.

- Você almoçou? – o escorpiano perguntou ao rapaz em seus braços.

- Não. – foi a primeira vez que Shun falou alguma coisa desde que Jabu chegou, o que significava que já estava mais calmo.

- Está com fome?

- Não. – extrair respostas extensas de Shun seria um pouco mais difícil do que imaginara.

- Eu não acredito em você. O dia inteiro sem comer e não está com fome? Duvido! Eu vou pedir alguma coisa pra comermos... – Jabu desvencilhou-se de Shun para pegar seu celular.

- Não precisa fazer isso, eu não quero comer. – Shun falou baixo, sem encarar o amigo.

- Me desculpe, mas em algum momento eu dei a entender que você tinha escolha? Porque isso aqui não é uma democracia, gatinho. Você vai comer e ponto final. – disse divertido, arrancando um sorriso tímido de Shun. – Pizza ou comida chinesa?

Shun mordeu o lábio inferior, pensando um pouco.

- Comida tailandesa... – sorriu mais abertamente, ao ver a expressão de espanto de Jabu.

- Sério?! – Jabu perguntou.

- Sim... – Shun assentiu.

- Ok. Se é o que quer, eu não vejo problema algum... Só tem uma dificuldade: eu não conheço nenhum delivery disso. – sorriu.

- Eu tenho o telefone de um... Deve estar por aqui... – Shun foi até a cozinha e pegou o telefone em uma agenda na gaveta do armário.

Após fazerem seus pedidos, tarefa na qual Jabu fora instruído por Shun – já que nunca havia experimentado tal culinária – os dois ficaram sentados no chão da sala, conversando amenidades.

Trinta minutos depois, a comida chegou. Os dois encaminharam-se para a cozinha e enquanto Jabu se encarregava de pegar os pratos e talheres, Shun apenas o observava, recostado no balcão.

- O que você estava fazendo quando eu te liguei? – o mais novo perguntou.

- Ah, nada demais... – Jabu disfarçou, enquanto organizava os pratos na mesa.

- E o que exatamente é 'nada demais'? – insistiu.

- Eu estava almoçando com um amigo, Shun. – abriu duas cervejas e indicou com a cabeça para que o virginiano se sentasse.

- Que amigo? Alguém que eu conheça?

- Não, você não o conhece. Ele não é do nosso círculo de amigos. Quer dizer, já é formado e não o conheci na faculdade. Pra falar a verdade, ele não é exatamente um amigo... – Jabu ficou um pouco sem graça.

Shun tomou um gole de sua cerveja, tentando ignorar o nó que se formou em sua garganta.

- Vocês estão namorando? – o virginiano perguntou.

Jabu parou de comer, tomou um gole da cerveja e disse:

- Eu não sei... Ainda não conversamos sobre isso. Eu não chamaria de namoro, estamos nos conhecendo primeiro... – voltou a comer.

- Está apaixonado por ele? – Shun não conseguiu disfarçar a irritação que sentia, apesar de nem ele mesmo entender o porquê dela.

- Por que tanto interesse, Shun? – Jabu olhou-o intrigado.

- Eu só estou perguntando. Amigos não podem se interessar pela vida amorosa uns dos outros?

- Claro que sim, é que você nunca perguntou essas coisas.

- Porque eu nunca te vi com ninguém. E então? Está apaixonado? – o virginiano insistiu.

Jabu suspirou profundamente.

- Eu não sei se apaixonado definiria bem, acho uma palavra muito forte. Mas eu gosto do Alexandre, tenho curtido muito com ele, é um cara bem legal. É o tipo de pessoa por quem eu poderia me apaixonar...

Shun não disse mais nada, apenas voltou a comer.

Depois de alguns minutos, Jabu quebrou o silêncio.

- E o seu irmão?

- O que tem ele?

- Eu pensei que vocês ficariam mais próximos, agora que ele voltou. Pelo que você me falava, parecia que vocês eram muito ligados... – foi até a geladeira e pegou mais duas cervejas.

- Ainda somos ligados. A gente se fala bastante por telefone, sempre que eu posso vou visitá-lo na mansão... Mas eu me acostumei a seguir minha vida sem ele, sabe? – pegou a cerveja que lhe foi oferecida e tomou um gole. – De certa forma, o fato de Ikki ficar tanto tempo fora me transformou numa pessoa mais independente. Eu posso fazer minhas besteiras, mas sempre faço com a consciência de que não devo esperar que o meu irmão me salve das consequências. – sorriu.

- Talvez você devesse ser independente assim no seu relacionamento... – Jabu arrependera-se do que disse no momento em que viu o sorriso abandonar o rosto de Shun. – Desculpa! Eu não queria dizer isso... Não fiz por mal.

- Não se desculpe por dizer a verdade. – Shun olhou fixamente para a sua cerveja longneck, rodeando a borda com o dedo indicador. – O que ninguém entende, incluindo você, é que não é fácil esquecer o que eu sinto pelo Hyoga. Não é fácil virar as costas e deixá-lo, porque eu sei que estando perto dele eu sofro, mas longe dele eu não sou nada. – olhou para o amigo com os olhos marejados.

- Você pensava assim em relação ao seu irmão, lembra? Eu me lembro de ter te ouvido dizer que quando o Ikki foi embora, você não se achava capaz de seguir sua vida sem o apoio dele, sem tê-lo por perto. E, no entanto, você conseguiu caminhar com as próprias pernas, não foi? Por que com o Hyoga seria diferente, Shun?

- Você pensa exatamente como os outros, não é? Também acha que o Hyoga é um capricho pra mim, um brinquedo. – Shun tomou um gole de cerveja.

- Capricho?! Não, eu sei que você o ama. O que eu acho, bebê, é que você idealizou tanto essa relação, sonhou por tanto tempo em conquistar o Hyoga, que agora não é capaz de admitir que esse namoro nunca foi como você imaginou. – segurou a mão de Shun e acariciou de leve com o polegar.

- O que quer dizer? – o virginiano olhou-o assustado.

- Você se apaixonou pelo Hyoga quando ele era proibido pra você. Ao invés de deixar pra lá, você foi cultivando aquele sentimento, aquela vontade de tê-lo para si. Você imaginava como seria estar com ele, ser amado e tocado por um homem tão lindo. Em sua cabeça, vocês dois viviam um romance de conto de fadas, daqueles em que um foi feito para o outro e uma vez em que estivessem juntos, nada poderia separá-los.

Jabu tomou o último gole de sua cerveja, antes de continuar:

- O Hyoga dos seus sonhos era perfeito, Shun: ele compreendia você, te mimava, amava, cuidava... Tudo isso sem julgar os seus erros e sempre te dando forças pra seguir o seu caminho, percorrendo-o ao seu lado... Agora me responda: em algum momento, o seu namorado revelou-se ser tudo o que você sonhou? – fitou os olhos de Shun, enquanto ainda acariciava sua mão.

- Eu acho que tem sorvete no freezer, vou pegar pra gente... – Shun levantou-se de súbito e foi até a geladeira, deixando claro que queria mudar de assunto.

Jabu resolveu não insistir. Seria difícil fazer com que Shun entendesse que o seu relacionamento estava acabado. Mas, como já estava acostumado com o virginiano, sabia que a única forma de abordá-lo era aos poucos, sem acuá-lo demais.

Shun retornou com duas taças cheias de sorvete de chocolate, ofereceu uma delas a Jabu e sentou-se novamente, saboreando a sobremesa em silêncio. Os dois ficaram assim por algum tempo, até o virginiano se pronunciar:

- Eu queimei as roupas dele. Todas elas. Não consegui falar com ele o dia todo e nem sei se volta pra casa... Sinto-me horrível pelo que fiz e sei que todos ficarão contra mim, com razão. Eu só quero te pedir uma coisa, Jabu: não pense mal de mim, não me olhe da mesma forma que os outros olham... Se quiser me passar um sermão, me chamar de infantil, de irresponsável, não tem problema. Só não me olhe com desprezo, decepção, pena. Eu não suportaria esse olhar vindo de você... – Shun falou calmamente, olhando nos olhos do amigo enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

Jabu levou suas mãos ao rosto de Shun e enxugou suas lágrimas com os dedos. Sorriu para o mais novo e acariciou sua face, antes de dizer:

- No meu primeiro porre de tequila, eu tentei beijar todos os meus amigos e amigas, dormi no chão do box do banheiro, saí correndo pela casa perguntando onde estava a minha nave espacial, fiz um streap tease no meio da rua, fui até a casa do meu ex-namorado às três horas da manhã para tentar reatar com ele e fiz um escândalo tão grande que acabei sendo preso por desordem. – Shun riu. – No dia seguinte eu estava com hematomas que não tinha nem idéia de como consegui... Você pelo menos só tem esse queimadinho aqui no dedo. – pegou a mão de Shun e tocou uma pequena queimadura que ele tinha no dedo médio.

- Eu não tinha visto... – disse o virginiano.

- Percebi já faz um tempo, mas não quis te perguntar o que tinha acontecido... Está doendo?

Shun olhou-o choroso e assentiu com a cabeça, então colocou a mão sobre o próprio peito, dando a entender que era ali que estava a dor. Jabu se levantou e puxou o mais novo para um apertado abraço.

- Não estou dizendo que a sua atitude foi correta, Shun. Mas você não precisa se crucificar por ter feito uma besteira enquanto estava bêbado. Essas coisas acontecem com todo mundo... – Jabu consolou o amigo.

- Eu estou me sentindo um lixo...

- Isso vai passar... E outra coisa: não sofra por antecipação, você nem sabe o que o Hyoga vai fazer!

- É claro que sei! Ele vai terminar comigo. – Shun choramingou.

- Você é tão dramático... – Jabu riu, deslizando uma de suas mãos até a cintura de Shun, que se sentiu estranho com o toque.

Shun apertou-se contra Jabu, buscando mais daquele calor gostoso que vinha do corpo do outro.

Depois de alguns minutos os dois se afastaram. E enquanto Jabu lavava a louça, Shun o observava sentado em uma das cadeiras.

- Você é muito folgado, sabia? – o escorpiano brincou, jogando um pouco de água no mais novo.

- Eu tenho que aproveitar, você é o único que faz essas coisas pra mim... – Shun sorriu.

- Você está muito mal acostumado, isso sim! E a culpa é toda minha...

- Adoro ser mimado por você – ao dizer isso, Shun notou que Jabu corou um pouco.

- Então está tudo certo, porque mimar você é a minha especialidade.

Shun iria retrucar alguma coisa, mas foi interrompido quando a música 'Bubbly'(Colbie Caillat) começou a tocar no recinto. Após alguns segundos de estranhamento, percebeu que o som vinha do celular de Jabu, que tirou o aparelho do bolso e atendeu prontamente.

- Oi, Alê! – cumprimentou sorrindo.

Ao saber quem estava do outro lado da linha, Shun sentiu aquele nó formar-se novamente em sua garganta, sem entender exatamente o porquê. Tentando disfarçar, foi até a pia enxugar a louça lavada, mas em momento algum deixou de prestar atenção na conversa de Jabu ao telefone.

- Eu não fugi de você, só tive que atender a uma emergência... – andou pela cozinha. – Um amigo precisava de mim. – após uma pausa, Jabu continuou: - Claro que hoje a noite ainda está de pé, ou você desistiu de cozinhar pra mim? – sorriu, debruçando-se no balcão. – Combinado, então. Eu passo em casa pra pegar algumas coisas e te encontro aí logo em seguida, ok? Um beijo, até mais tarde...

- Arruinei o seu encontro... – Shun comentou com irritação em sua voz.

- Você não arruinou nada, Shun. – sorriu.

- Pensei que você não estivesse apaixonado... – Shun provocou, não escondendo o seu desgosto.

- Eu não estou apaixonado! – respondeu imediatamente, sem entender o porquê de o outro estar tão irritado.

- Não foi o que pareceu... Conversa melosa, jantar íntimo, toque de celular personalizado... Suas atitudes te contradizem. – guardou os pratos no armário de forma bruta.

- Eu não estava meloso no telefone e o toque do celular foi uma brincadeira dele... Por que está assim, Shun?

- Só estava perguntando, não precisa ficar na defensiva... – o virginiano se afastou, caminhando até a sala e se jogando no sofá.

- Se a minha relação com ele fosse tão séria quanto você pensa, eu não o deixaria sozinho no meio de um encontro pra atender ao seu chamado... – sentou-se ao lado de Shun no sofá.

- Mas vocês dois são o que exatamente?

- Estamos curtindo juntos, Shun, apenas isso. Damo-nos muito bem, nos divertimos, ele é inteligente, engraçado e o sexo é ótimo. O Alê é bem resolvido, não existem cobranças entre nós, entende? Desde o início ficou bem claro que não tínhamos nada sério e sempre fiquei tranquilo quanto a isso... Eu gosto dele, mas não me envolvo além da conta... Desculpa, mas não consigo definir a relação que tenho com ele. Não chegamos a ser namorados e também passamos da fase de somente amizade... Provavelmente estamos no meio do caminho entre as duas coisas... – Jabu respondeu com sinceridade, sorrindo ao notar que Shun estava com ciúmes.

- Não me sinto bem, sabendo que estou te atrapalhando... – Shun novamente fez drama.

- Você não me atrapalha. Eu gosto de estar perto de você, não importa o seu humor. E particularmente adoro quando você fica assim, todo dengoso, bebê. – acariciou a face de Shun com uma de suas mãos.

- A que horas é o seu jantar? – Shun perguntou reticente.

- Quer saber? O jantar está muito longe e nesse momento eu estou aqui com você, ao seu dispor. Meu único objetivo agora, senhor Amamiya, é o seu contentamento. O que eu posso fazer por você? – Jabu falou cheio de trejeitos, arrancando risadas do virginiano.

- Já que é assim, eu quero um cafuné... – Shun sorriu, deitando-se no colo de Jabu e sentindo o outro afagar seus cabelos.

Então, um pensamento estranho passou pela cabeça do mais novo: será que o amigo tratava o 'namorado' da mesma forma? Por um momento, Shun imaginou como seria estar no lugar do tal de Alê, que recebia muito mais do que um cafuné. Ele beijava o escorpiano, transava com ele... Sentiu uma pontada de inveja, Jabu era tão carinhoso, deveria ser um amante incrível... Se apenas a carícia dele em seus cabelos já fazia com que o virginiano se arrepiasse por completo, imagina o resto...

Afastou os pensamentos ao perceber que Jabu tinha lhe feito uma pergunta.

- O que disse? Eu estava distraído... – virou-se de barriga pra cima no sofá, encarando o amigo.

- Perguntei como você está indo com a sua monografia. A formatura está chegando, o tempo está ficando curto...

- Ah! Eu não estou tão atrasado assim, vai dar tempo. Tem tantas outras coisas em que preciso pensar, como meu estágio, os outros trabalhos da faculdade e o Hyoga, que acabei deixando a monografia de lado. Mas eu vou terminá-la a tempo, você vai ver.

- Se precisar de alguma ajuda, me avise. – sorriu Jabu.

- Você é um anjo!

- E você tinha alguma dúvida disso? – riu.

- Um anjo que já foi preso por desordem! Impressionante! – gargalhou. – Obrigado, Jabu. – Shun balbuciou.

- Pelo quê?

- Por estar aqui, cuidar de mim, fazer com que eu me sentisse melhor...

- Não tem que me agradecer por isso, bebê. – sorriu. – Você é especial pra mim, eu gosto de cuidar de você.

- De qualquer forma, - Shun ergueu seu tronco do sofá e depositou um demorado beijo na face de Jabu. – obrigado, meu anjo.

oOo

Quando chegaram à mansão, Ikki já foi logo desafivelando o cinto e abrindo a porta pra descer do carro quando Hyoga segurou o seu braço, impedindo-o de sair do veículo.

- Eu não vou entrar, frango. Você dá um beijo na Ione por mim? – o russo estava estranhamente sério.

- Eu fiz algo errado, loiro? – o moreno questionou preocupado.

- Como você pode pensar isso? Você foi perfeito, Ikki, o dia todo. – desafivelou o próprio cinto de segurança - Há tempos eu não me divertia tanto na vida, você me fez esquecer todo o resto... Mas agora o sonho acabou e eu tenho que voltar a realidade, encarar as coisas como de fato são.

- Eu não gosto de te ver triste assim... – Ikki acariciou o rosto do russo com a mão direita.

- Eu vou ficar bem, não se preocupe. Esse que você está vendo é o verdadeiro Hyoga: sisudo, compenetrado, realista e inacessível.

- Não, esse não é o verdadeiro. Essa é a máscara que você utiliza pra ninguém ver que você sofre. Eu vejo você, loiro. Eu olho em seus olhos e vejo quem você é. – Ikki segurou a cabeça de Hyoga por trás, encostou sua testa na dele e seus narizes se roçaram – Não faz isso comigo, eu me esforcei o dia todo pra te fazer feliz e agora você se despede de mim desse jeito?

- Eu te disse que sou uma pessoa má... – o loiro esboçou um leve sorriso.

- E eu já te disse que você é minha pessoa favorita. – Ikki sorriu de volta e afastou-se do loiro.

- Frango, você já se sentiu vazio? – perguntou, olhando para o volante.

- Como assim? – o moreno olhou-o com interesse.

- Eu tenho uma vida boa, sabe? Tenho amigos leais, um bom emprego, belo apartamento, alguém que me ama... Por que não me sinto completo? Sempre tenho aquela sensação de que falta algo... Ou alguém... Já sentiu isso? Saber que tem tudo o que se pode querer e ao mesmo tempo sentir-se pela metade? – era a primeira vez que o russo externava esses sentimentos. Nem mesmo Milo escutara tal desabafo.

- Por mais incrível que pareça, eu sei do que você está falando. Eu me sentia assim também... – o moreno respondeu com sinceridade.

- E o que você fez a respeito? – Hyoga mordeu o lábio inferior.

- Juntei minhas coisas e viajei pelo mundo durante muitos anos. – referia-se à longa viagem da qual tinha retornado há pouco tempo.

- Isso resolveu o problema?

- É claro que não! Desde quando fugir ajuda? – Ikki riu. – Mas sei de algo que pode fazer com que você se sinta melhor... Se eu te chamar pra ir a um lugar comigo, você vem? Tem que ser agora... – perguntou divertido.

- Aonde?

- É surpresa, você vem? – o moreno sorriu.

Hyoga abriu um amplo sorriso e assentiu. Quando ia ligar novamente o carro, foi impedido por Ikki.

- Nada disso, nós vamos a pé. – abriu a porta e desceu do carro, esperando o loiro fazer o mesmo.

Ikki procurou não pensar no que estava prestes a fazer, nem nas possíveis conseqüências disso. Por mais que amasse o irmão e não quisesse magoá-lo, também não poderia ver Hyoga naquele estado e deixar pra lá. Apenas imaginar que o loiro sofria por alguma razão já provocava dor em si mesmo. Com certa dificuldade, afastou a imagem de Shun de seus pensamentos. Permitir-se-ia, apenas por hoje, cuidar do lindo russo sem pensar em ninguém mais.

O sol começava a se pôr, deixando o céu com tons de laranja. Hyoga não conseguia pensar em nada além da mão de Ikki entrelaçada a sua, guiando-o para um local desconhecido. Pararam em frente a um enorme portão de grades, ladeado por muros igualmente grandes. Olhando através do portão, o loiro avistou um belo jardim e então se deu conta, antes mesmo do moreno dizer:

- Meu lugar favorito em toda a Grécia, loiro. – Ikki sorriu para Hyoga, suas mãos ainda entrelaçadas.

- Você disse que não existia mais... – o loiro estava atônito com a beleza do lugar.

- Eu realmente pensei isso, mas ontem depois da reunião eu passei aqui em frente. E tive essa ótima surpresa, está exatamente igual à antigamente. Vem, vamos aproveitar que já trancaram e entrar... – soltou a mão do loiro e pulou o portão sem muita dificuldade, sendo seguido por Hyoga.

Caminharam um pouco pelo jardim e se sentaram embaixo de uma árvore, lado a lado. O russo sentia-se bem como em poucas vezes em sua vida. Aquele lugar era tão incrível, chegava a ser difícil acreditar que era real.

- Por que você me trouxe aqui, frango?

- Esse lugar é especial pra mim, queria dividi-lo com você. – Ikki pegou a mão de Hyoga e a entrelaçou com a sua. – Você se sente melhor?

- Muito melhor, obrigado. Você está se tornando uma espécie de herói pra mim... – riu.

- Herói?! Eu? Bem capaz. – Ikki riu alto.

Os dois mudaram de posição, ficando um de frente pro outro e com as pernas dobradas. Hyoga aproximou-se um pouco mais, deixando uma de suas pernas entre as de Ikki.

- Eu tenho uma pergunta pra você! – disse o russo.

- Manda! – o moreno sorriu.

- Seja sincero, ok? – o loiro estava um pouco sem graça.

- E desde quando eu minto pra você? – Ikki ficou um pouco apreensivo, quando o loiro ficava daquele jeito, sem conseguir olhá-lo direito, boa coisa não vinha.

- Ok, lá vai: em qual colocação eu estaria na sua lista de opções? Hipoteticamente falando, claro.

O moreno pensou um pouco antes de responder. O que faria? Responderia a verdade ou mentiria para o russo? Uma coisa era certa: se mentisse magoaria Hyoga profundamente e percebeu que não suportaria ser o causador da tristeza do loiro. Optou então pela verdade, por mais que complicasse as coisas.

- Você não está na minha lista de opções, sabe por quê? – disse o moreno, vendo o loiro negar com a cabeça.

Ikki curvou um pouco o corpo, aproximando-se mais ainda do russo. Olhou-o nos olhos por alguns instantes, antes de tirar uma mecha de cabelos loiros de seu rosto com a mão direita. Levou a boca até a orelha esquerda de Hyoga e disse:

- Porque você não é como os outros, você é especial. Loiro, eu queria tanto ter você pra mim, que se de alguma forma isso pudesse acontecer, eu não pensaria numa lista de opções nunca mais.

Hyoga arrepiou-se completamente com as palavras do outro.

- Você não tem noção do quanto eu te quero... – o russo disse no ouvido de Ikki com a voz rouca.

Os dois se afastaram um pouco, mantendo seus rostos extremamente próximos e os olhos fixos um no outro. E sem pensar em mais nada, sem se importar com o resto do mundo, fecharam os olhos e suas bocas se uniram em um beijo intenso, deleitoso. Ikki empurrou sua língua por entre os lábios de Hyoga, redescobrindo cada canto daquela boca quente com a qual tanto sonhou. Enquanto suas línguas se exploravam com sofreguidão, suas mãos passeavam por entre os corpos, alternando apertos e afagos, nos braços, tórax, abdomens e coxas. Beijaram-se por vários minutos, levando ao limite a capacidade de seus pulmões.

Quando se separaram, Ikki distribuiu beijos e mordidas pelo queixo de Hyoga, enquanto o loiro sorria. Desceu os lábios para o pescoço do russo, alternando mordidas, lambidas e beijos ali, arrancando alguns gemidos deliciados do loiro.

Hyoga segurou firmemente os cabelos do outro, erguendo sua cabeça e beijando-o novamente, com a mesma sede de antes. Ele sugava a língua de Ikki, prendia seu lábio inferior entre os dentes e logo depois voltava a invadir sua boca, fazendo-o quase perder a razão. O moreno puxou o russo ainda mais para si, escorando-se na árvore e mantendo-o entre suas pernas abertas. Interrompeu o beijo por um instante para afastar uma mecha intrometida de cabelo loiro e recomeçou a explorar aqueles lábios úmidos que imploravam pelos seus.

Os dois ficaram assim por um bom tempo, sem proferir palavra alguma, apenas se beijando lascivamente e deixando escapar um gemido ou outro após uma carícia mais ousada. Depois de muito se beijarem e acariciarem, eles passaram a observar a lua, que a essa altura já surgia solitária, bela e imponente no céu ainda sem estrelas. Ikki ainda estava escorado na árvore, Hyoga apoiando as costas em seu peito e a cabeça em seu ombro.

- Como se sente? – o moreno perguntou enquanto afagava os cabelos loiros.

- Em paz. – o loiro sorriu e começou a desenhar círculos imaginários na coxa de Ikki. – Eu poderia ficar assim pra sempre...

- A gente precisa conversar... – Ikki tinha certo pesar na voz.

- Eu sei... Mas podemos adiar essa conversa? Eu quero curtir mais um pouquinho esse sonho. – fechou os olhos.

- Sonho, é? – riu.

- É. Estar com você, podendo te tocar, te sentir... Eu tenho sonhado com isso há muito tempo. Desde muito antes da gente se reencontrar, você nem imagina...

- Ah, eu imagino sim. Desde certa madrugada quente na piscina... Acertei?

Hyoga virou o rosto para Ikki e sorriu, assentindo com a cabeça e beijando os lábios do moreno.

- Está com fome? Quer ir embora? – Ikki perguntou, mordiscando a orelha do loiro.

- Não. Vamos ficar aqui... – deu um selinho em Ikki.

- Em algum momento teremos de voltar à realidade, pato.

- Eu sei... Agora, a pergunta que não quer calar é: Qual será o seu papel na minha vida quando voltarmos à realidade? – virou a cabeça e olhou nos olhos do moreno. – Espera! Antes de você responder eu posso fazer uma coisa?

- Claro!

O russo virou-se e surpreendeu Ikki com um beijo arrebatador. Quando se afastaram, sorriram um para o outro.

- Pronto! Agora a gente pode conversar. – Hyoga riu e voltou à posição de antes. – O que faremos?

- Pensando melhor, a gente pode deixar essa conversa para amanhã. Eu não quero pensar sobre como resolver esse problema agora... – aproximou sua boca da orelha do loiro e chupou o lóbulo. – Prefiro fazer coisas mais interessantes!

- O quê, por exemplo? – o loiro virou-se para Ikki e sentou em seu colo, de frente para ele.

- Devorar essa boca gostosa... – disse, puxando Hyoga para outro beijo ardente.

As mãos de Ikki percorriam o corpo do loiro, explorando por sobre as roupas folgadas. Percorrendo lentamente as costas, pararam na cintura de Hyoga, onde o moreno apertou com força e atraiu aquele corpo quente ainda mais para si. Desceram até as nádegas e agarraram com entusiasmo, fazendo o russo arfar pela carícia ousada.

O loiro – que mantinha suas mãos agarradas firmemente aos ombros de Ikki – não conteve um gemido quando o moreno, ainda com uma das mãos em sua bunda, rompeu o beijo, levou a outra mão até seus cabelos e puxou sua cabeça para trás, passando a explorar seu pescoço com deleite.

Ikki chupava o pescoço de Hyoga com entusiasmo, sem se importar com a possibilidade de deixar marcas ali. Subiu sua boca até a orelha do loiro, mordendo e chupando o lóbulo, enfiando a língua lá dentro, fazendo o corpo do outro estremecer por completo em meio aos gemidos.

De repente Ikki parou suas carícias e levou as mãos ao rosto de Hyoga. Olhou-o nos olhos por alguns momentos antes de beijá-lo novamente, dessa vez com calma e suavidade, deliciando-se com a língua do loiro, que percorria todos os cantos de sua boca, correspondendo com avidez ao seu carinho.

- Você beija muito gostoso – disse o loiro de olhos fechados e com a voz rouca, depois que partiram o beijo.

- É porque essa sua boca é uma delícia, um tesão. Aliás, você é todo gostoso, loiro. – Ikki voltou a beijar o russo, enquanto abria os botões da camisa dele. Com o peitoral de Hyoga completamente exposto, o moreno chupou os mamilos e calmamente deu mordidinhas na pele clara, lambendo e beijando logo em seguida. Dedicou-se a essa tarefa por vários minutos, enquanto o loiro ofegava e gemia.

O russo ergueu a cabeça do moreno, atacando logo em seguida seu pescoço. Hyoga deu um beijo de língua no pomo de adão, lambeu a vontade a pele exposta e mordeu a curvatura do pescoço, enquanto as mãos de Ikki voltavam a apertar seu traseiro.

Erguendo os braços para permitir que sua camisa fosse retirada de seu corpo, Ikki notou o olhar deliciado de Hyoga para o seu peitoral desnudo. O loiro passou uma de suas mãos pelo tórax do moreno até a barriga, arranhando de leve e mordendo o lábio inferior, não escondendo o entusiasmo em finalmente poder tocar aquele corpo musculoso.

- Você gosta? – Ikki falou com a voz cheia de desejo no ouvido do loiro, mordendo e chupando o lóbulo da orelha.

- Mhmmmm – o loiro gemeu – Gosto até demais... – arranhou novamente a barriga do moreno.

- Espera só até ver o resto... – Ikki atacou a boca de Hyoga novamente, beijando-o com fúria.

As carícias de fênix estavam deixando o loiro completamente fora de si, nunca fora tocado e dominado dessa forma. Em um momento o moreno acariciava o russo com ousadia e sofreguidão, no outro o olhava nos olhos e beijava com calma e sensualidade. Essa alternância entre romance e momentos de puro desejo deixava Hyoga totalmente a mercê de Ikki, completamente entregue as sensações provocadas por aquele homem delicioso.

Ikki sorriu para o loiro e acariciou o seu rosto com a mão direita, levando sua outra mão até o botão da calça de Hyoga e abrindo com certa dificuldade. Olhando o loiro nos olhos, puxou o zíper e a cueca um pouco para baixo, libertando o membro rijo. Com o polegar, pegou uma gota de pré-gozo que jazia na glande e levou à boca, extasiando o loiro com o ato.

Rapidamente, Ikki abriu a própria bermuda e livrou seu pênis, que a essa altura já estava extremamente incomodado com o aperto da boxer que usava. Agarrando o membro do loiro novamente, o moreno passou a estimulá-lo, ora fazendo movimentos circulares na glande com o polegar, ou deslizando a mão por toda a extensão subindo e descendo.

Segurando ambos os membros em uma só mão, Ikki aumentou o ritmo da masturbação, arrancando gemidos deliciosos de Hyoga, os quais se misturavam com os seus próprios. Encostou sua testa na do loiro, ambas molhadas de suor e beijou-o com luxúria, sentindo os espasmos de prazer invadirem seu corpo, levando-o ao êxtase segundos após o russo.

Permaneceram assim por vários minutos, suas testas coladas, os olhos fechados, respirações ofegantes, o coração parecendo querer saltar do peito e suas sementes misturadas na mão de Ikki. Sorriram um pro outro, antes de se beijarem com paixão.

Aquele era um momento somente deles. Não existia absolutamente nada além daquele parque vazio e pouco iluminado. Pela primeira vez em muito tempo, eles se perderam nas próprias emoções, sem se importarem com o antes ou depois. Sem culpas ou lamentações, entregaram-se àquele sentimento que não sabiam como definir, apenas sentir.

Continua…

N/A: Que amasso, hein? Foi super difícil de escrever, espero que o resultado tenha ficado bom. Será que agora esses dois se entendem? É esperar pra ver…

Obrigada a todos que estão acompanhando, um beijão pra vocês.

E então, mereço review?