VOYEUR
Capítulo 09 – O Final?
Assim que a porta se abre para o armazém, a luz do ambiente repleto de velas transporta Omi para a terrível realidade... O altar com o punhal, o cálice e a katana, a mesa de pedra, os símbolos desenhados no chão e no teto, tudo evocando o sacrifício que será feito. Mais uma vez suas mãos estão algemadas, uma fita adesiva o mantendo calado, com certeza para evitar que atrapalhe o ritual, e na outra extremidade do local vislumbra o trono, onde o homem que o observou no hotel está sentado, totalmente nu.
– Vamos... – Vance o empurra a sua frente. – Tem alguém que quer conhecê-lo.
Logo está diante do belo homem moreno, os dois americanos as suas costas, sorrisos vitoriosos de ambas as partes, mesmo que saiba que seus captores durarão pouco depois do sacrifício feito.
– Então esse é um dos seus inimigos? – O demônio se levanta, ficando de pé, parado diante do arqueiro. – É uma alma muito suculenta... E será minha.
– Depois que nos fartarmos dele! – Ben relembra categoricamente, causando uma reação um tanto insatisfeita em Cyrus.
– Claro... – Essa troca de olhares ciumentos não passa despercebida por Asmodeus. – O tempo é relativo para alguém como eu.
Na verdade, o demônio sabe que assim que tiver o guerreiro, pode ter quem quiser e... Esses três garotos que tanto amedrontam os dois homens serão ótimos para se divertir.
– É chegada a hora da zona morta... E a lua nova já se encontra alta no céu. – A criatura não consegue esconder sua ansiedade. – Onde está o sacrifício que me prometeram?
– Ben... Faça as honras. – Vance quase não consegue falar.
Asmodeus estende os braços, nitidamente deixando claro que ele pretende segurar Omi enquanto o mercenário vai em busca do guerreiro que tanto deseja possuir. Senta-se e puxa o loirinho para si, fazendo-o acomodar em seu colo, notando com prazer como o contato com seu corpo nu o faz corar de raiva.
Mas nada se compara à entrada de Aya Fujimyia, em uma espécie de transe hipnótico, o corpo esguio completamente despido, a alvura de sua pele contrastando com os cabelos cereja. O demônio não consegue disfarçar o efeito que esta visão maravilhosa causa, levantando-se e colocando Omi a sua frente, apertando-o contra a ereção que surge quase que de imediato.
– Ele vai ser meu... – Sussurra no ouvido do garoto. – E depois disso ninguém poderá me deter.
O ex-seal faz o ruivo deitar sobre a mesa de pedra, elevando suas mãos amarradas sobre a cabeça e prendendo-o com força, fazendo o mesmo com os tornozelos, mantendo as suas pernas esguias dobradas e abertas, a fim de facilitar a ação do demônio da luxúria.
Passa então pelo trono e puxa Omi, segurando-o firme à cabeceira, ambos percebendo a respiração arrastada da vítima, ainda em transe. O garoto se debate, sentindo que precisa fazer algo para impedir, mas vendo-se incapaz de qualquer reação, sendo a testemunha do horror que tirará a vida da primeira pessoa que o fez se sentir amado. Mas a força que o mercenário imprime ao seu abraço o impede de se mover, forçando seu rosto para que encare cada detalhe do sangrento sacrifício.
E conforme Cyrus realiza a invocação do Sacrifício do Guerreiro, o transe vai passando, os olhos violeta vendo com clareza, percebendo sua própria nudez, tentando em vão soltar-se das amarras que o mantém preso sobre a mesa.
– Eu não imaginei que ainda existissem guerreiros... – O homem moreno, igualmente nu, aproxima-se. – Como você.
E o medo de Aya se torna delicioso para o demônio, pois não é aquele temor com que está acostumado a lidar, mas a apreensão natural a todos os homens tão acostumados com a morte, mas jamais corrompidos por ela. E apesar desse sentimento o guerreiro não desvia os olhos, não demonstra que será uma vítima...
– Que foi? – Aya soa desafiador. – Estava esperando alguém que chorasse e implorasse? Sinto muito.
Tais palavras são como fogo, inflamando o sangue de Asmodeus, que mal consegue se conter até o momento quando o sacrifício deve ser consumado. Sente o quanto o Weiss parece não se importar com a própria morte, uma profunda dor batalhando com o instinto de sobrevivência, mais preocupado com o destino do garoto do que com o seu próprio.
– Nós lhe entregamos agora o guerreiro para o sacrifício, para possuir seu corpo e alma, para seu total deleite. – Vance termina sua invocação com ansiedade.
O demônio então se transforma do homem lindo e sedutor, tornando-se a criatura horrenda em sua forma original, aproximando-se ainda mais da mesa, encontrando os olhos azuis de Omi antes de concluir seu desejo. Há terror neles, mas suas lágrimas são o mais delicioso presente, caindo desesperadas no centro do círculo, quando os orbes dos dois guerreiros se encontram. As ametistas nem olham seu agressor, não por medo, mas porque se fixam no garoto loiro parado na cabeceira.
– Que tocante! – A voz monstruosa ressoa pelo ambiente.
As patas se colocam nas beiradas da mesa de pedra, uma das garras penetrando a coxa do ruivo, que morde os lábios, evitando emitir até o mínimo ruído, apenas o som do choro de Omi ecoando em seus ouvidos. Isso o faz rir, impulsionando-se para se colocar sobre o corpo do guerreiro.
Mas o som de sua risada é interrompido... O estrondo da porta voando para dentro vem junto com os gritos dos invasores trazendo o caos. Nagi está à frente, seu poder jogando um Asmodeus surpreso para longe de Aya, mesmo que por instantes, enquanto os dois americanos voam pela sala, presos pela telecinese contra a parede.
– Desculpe, mas viemos estragar sua festa! – Diz com um sorriso maldoso nos lábios.
Hisoka e os outros shinigamis entram logo em seguida, usando seus feitiços, invocando seus shikigamis. Precisam enfrentar o irônico Asmodeus, que ri deles, apenas para mantê-lo sob o Selo de Salomão tempo suficiente para que o jovem guardião da morte possa mandá-lo de volta.
Cliff é o primeiro, invocando a pantera negra, que se coloca a seu lado, a boca aberta de forma ameaçadora, os dentes pontiagudos brilhando. Yasmin o segue, surgindo o enorme escorpião vermelho que a acompanha há tanto tempo. Os dois animais mágicos ameaçam o demônio, enquanto Jason recita um mantra de energia às costas dos companheiros e Hisoka se coloca a frente de todos, preparado para fazer o mais difícil, que é invocar as forças do bem que podem levá-lo de volta ao inferno.
Asmodeus não parece se incomodar com tudo isso, rindo ao ver que Omi desamarra Aya com dificuldade, estando ainda algemado, e o puxa para fora da mesa de pedra, mas na verdade seus olhos fuzilam de ódio, decidido a acabar com os insignificantes shinigamis que se atrevem a enfrentá-lo.
– Vocês não deveriam aparecer sem serem convidados! – Tenta transparecer confiança, mas a raiva é maior que tudo.
E quando ele avança sobre Hisoka, os shikigamis atacam, mordendo-o com força e lançando uma energia vermelha da cauda venenosa, mas o demônio da luxúria é forte demais para os dois... As garras de um dos pés de galo fincando-se sobre a pantera e o hálito de fogo de sua cabeça humana engolfando o escorpião até transformá-lo em cinzas. Seu contra-ataque é fulminante, lançando energia que explode diante dos shinigamis mais experientes, lançando os três contra a parede da entrada, deixando-os inconscientes. Sua fúria avassaladora então se volta para o garoto, pulando sobre ele, envolvendo seu corpo entre suas asas.
– Um shinigami também pode morrer... – Asmodeus diz maleficamente em seu ouvido. – E sua alma deixará de existir.
A boca humana do demônio crava seus dentes afiados no pescoço alvo, o gemido de dor de sua vítima o incentivando a aumentar a pressão, o gosto do sangue deliciando-o, assim como a sensação de que a vida vai se esvaindo do corpo criado para permitir que a alma de Hisoka Kurosaki vivesse fora do 'descanso das almas'.
Nagi observa aquilo desesperado, querendo salvar o guardião da morte, mas preso à promessa que fez a ele. Hisoka sabia que seria um alvo certo e que provavelmente não teria forças o suficiente para vencer o demônio, mas a posição do Schwarz seria imprescindível, pois os dois homens não podiam terminar o sacrifício ou a vida de mais ninguém valeria algo. Então, dividido, o garoto fica ali, olhando para a cena terrível, mas sem poder desviar sua energia para tentar impedi-lo.
– HISOKA! – Chama por ele, como se isso pudesse impedi-lo de partir para sempre.
E a visão do desespero do telecinético somente torna o ato ainda mais delicioso para o demônio, que bebe com incrível prazer cada gota do sangue quente, sentindo os momentos infelizes da vida que se esvai e o amor que descobriu tão tarde. Vai percebendo quando as pernas esguias vão se tornando fracas, sucumbindo à imensa hemorragia, provavelmente tendo apenas poucos minutos.
Seus olhos então se arregalam de repente, uma dor pungente se apossando de seu ser, enquanto um grito de horror sai de suas três bocas, criando em uníssono um ruído terrível. Deixa o corpo de Hisoka cair, voltando-se para constatar que Omi segura com as mãos algemadas o punhal de ouro cravado em suas costas, deixando-o ali enquanto puxa o shinigami para longe.
Asmodeus tenta alcançar a arma, colocada em um ponto quase impossível de pegar. O sangue das vítimas inocentes dos sacrifícios traz ainda mais dor, circulando por seu corpo, fazendo seus olhos queimarem de ódio puro. Ele até se esquece da queimação, furioso e desejando acabar com os dois garotos, avançando contra eles.
Neste mesmo instante irrompem pela porta uma gigantesca fênix de fogo, voando pelo ambiente, aumentando a temperatura e impedindo seu avanço com uma parede de chamas. Logo depois entra um tigre branco, seus dentes brilhando, o rugido invadindo o ambiente, sendo seguido pela serpente negra, o único shikigami com poder suficiente para matar até um shinigami. Esses animais fazem as esmeraldas brilharem, pois denunciam quem entra pela porta, a expressão altiva e forte contrastando com sua personalidade habitual.
– Tsuzuki... – Hisoka não consegue esconder o sorriso quando vê o homem entrando pela porta.
O mais poderoso dos shinigamis aparece envolvido por muita energia, branca e negra, que se entrelaçam em torno dele, enquanto chamas o envolvem em um redemoinho. Dele essa força se estende aos shikigamis, que avançam contra o demônio, que se protege lançando fogo e raios na direção das criaturas mágicas, ora ferindo-as, ora forçando-as a recuar.
Asmodeus ainda está perturbado pela dor em suas costas, mas seu poder é enorme, apesar de estar surpreso diante de um guardião da morte que possa igualar seus poderes da forma como este faz. Mas ele é um dos demônios mais poderosos e não pretende de forma alguma deixar-se vencer por um simples ser como este, um simulacro do humano que foi.
E rapidamente vai conseguindo fazer os shikigamis recuarem, Tsuzuki concentrando-se o máximo que pode, entoando feitiços antigos que apenas ele ainda conhece e utiliza. Mas mesmo isso começa a drenar suas forças, suas pernas se dobrando, até que fica de joelhos, certo de que mais um ataque irá destruí-lo junto com as criaturas que invoca.
– Ninguém me desafia. – A criatura exasperada às raias da loucura prepara-se para dar o golpe de misericórdia.
Cortando o caos um ruído se destaca de todos... O som frio de uma lâmina afiada sendo desembainhada, com nitidez o metal movimentando-se no ar, a cabeça de touro sendo decepada como manteiga e caindo aos pés do monstro, acompanhado do grito horrendo de dor extrema. E os olhos cor de sangue se voltam, mais uma vez atacado pelas costas, dessa vez vislumbrando claramente a figura esguia, de pele de porcelana e cabelos rubros, a katana em suas mãos e os braços cobertos pelo sangue do demônio.
– Você não! – Ainda não consegue acreditar que se vê vítima do guerreiro que lhe traria o poder absoluto.
Esse momento de fraqueza possibilita ao shinigami levantar, suas criaturas envolvendo o demônio com seus poderes, forçando a figura cambaleante e sangrando a se mover, em posição defensiva. Tsuzuki se mantém concentrado, novamente no comando da situação, lançando um olhar para Hisoka que lhe aponta o momento de fazer sua parte. O garoto se levanta com dificuldade, com Omi sendo incapaz de ampará-lo.
O arqueiro ainda tem as mãos algemadas, mas também se vê tomado por uma sensação de torpor que se apossa do seu corpo, algo parecendo passar por suas veias como fogo. Sente-se fraco e então olha para as mãos, o sangue do demônio tendo desaparecido completamente como se... Percebe que foi envenenado, mas Hisoka tem que cumprir sua missão e tem somente a ele pra ajudar. Procura manter-se de pé, porém, cada vez mais seu corpo parece ferver. Os dois precisam da ajuda de Nagi, mas ele ainda está ali, preso a sua função e incapaz de concentrar seu poder em dois pontos tão distintos.
– Vai lá. – A voz rouca e germânica de Schuldich se destaca, fazendo o garoto moreno se voltar para a porta. – Eu mantenho esses dois paradinhos.
A mente poderosa do Mastermind logo se infiltra na cabeça dos dois americanos, fazendo-os acreditar que são incapazes de se mover, talvez presos por uma força sobrenatural como a de Nagi, mas na verdade livres para irem onde quiserem.
Naoe corre na direção dos outros garotos, amparando Hisoka, enquanto o veneno começa a minar as forças de Omi de forma avassaladora, caindo completamente inconsciente aos pés dos dois, lançando um último olhar para Aya, que também desmaia envenenado. As esmeraldas se abrem em um brilho sobrenatural, encarando o demônio que se vê ferido e encurralado sob o Selo de Salomão.
– Eu vos conjuro forças do bem e da luz... – Hisoka tira o cristal pendurado em seu pescoço. – Para que com essa luz faça fugir os demônios.
Uma luz branca e brilhante surge no ar, envolvendo os garotos, a roupa ensangüentada de Hisoka esvoaçando diante da energia que sai de seu próprio corpo, seu coração sendo o principal catalisador da união da força dos shinigamis e das forças do bem.
– Eu vos ordeno e vos conjuro. – Suas duas mãos se juntam diante de seu peito. – Ser infernal materialize-se diante da luz.
O poderoso demônio tenta reagir, sair do selo que agora o prende, buscando dentro de si o último resquício de energia para impedir a derrota.
– Pela chave de Salomão... – A voz de Hisoka se torna alta e firme, apesar de estar de pé apenas com o amparo dos braços de Nagi. – Agion, Telegram, vaycheon stimulaton y ezpares retragramaton oryoram irion exytion existion eryona onera brasi moym messias soster Emanuel Saboot Adonai, te adoro e invoco.
Uma forte luz envolve Asmodeus, puxando-o de volta para o mundo de onde veio, mas isto não será tão fácil, pois o demônio está decidido a resistir. Exterioriza um acúmulo de todas as energias que lhe restaram, direcionando-a contra o garoto que invoca as forças que o aprisionam, mas o choque dessa com aquilo que o tenta dominar provoca uma forte explosão, derrubando todos os presentes.
E da letargia que se segue podem ver criaturas luminosas e diáfanas acorrentando o demônio derrotado e sem forças, flutuando sobre todos e se colocando diante de Vance e Ben, observando-os estranhamente.
– Não somos demônios! – Cyrus diz com convicção, sabendo o que significa a presença desses seres.
– Ninguém brinca com o inferno e sai ileso. – A voz de Cliff corta o silêncio que se formara, o shinigami ainda caído próximo à porta de entrada. – Vocês têm que pagar o preço.
As criaturas angelicais os envolvem com as correntes sobrenaturais, ignorando por completo os gritos e rogos dos dois, levando então a ponta da corrente para um dos cantos, onde então vislumbram a figura de uma entidade de manto negro, o capuz cobrindo-lhe completamente a cabeça, ocultando seu rosto. A mão esquelética segura a corrente que deixa de ser fluida, tornando-se de puro ferro em brasa, arrastando-os para um vórtice que se abre em um buraco profundo e escuro.
– NÃO! – Vance grita quando passa pelos garotos ainda caídos. – Nos ajudem!
– Abracem seu destino! – Nagi diz com frieza, fechando os olhos para não ver o momento em que os dois são tragados juntamente com o demônio e o vórtice se fecha, deixando apenas o silêncio.
Devagar vão se levantando, tirados da letargia que a cena fantasmagórica causou, mas logo se dão conta que tanto Omi quanto Aya permanecem deitados, respiração difícil, a palidez quase translúcida. O veneno do sangue demoníaco age rápido, a morte se aproximando deles, pouco tempo lhes restando, os demais sem saber o que fazer, a não ser esperar o fim.
Jason caminha por entre os demais e se ajoelha ao lado de Omi, o primeiro a ser envenenado. Nagi está sentado no chão, após libertar as mãos e a boca quase sem cor, e mantém a cabeça loira em seu colo, olhando para o jovem shinigami intrigado.
– Você tem o poder da cura? – Hisoka pergunta, sentado ao lado de Nagi.
– ... ? – O telecinético olha de um para o outro interrogativamente.
O shinigami americano apenas sorri, pede que o moreninho se afaste, coloca sua mão sobre a testa suada de Omi, curvando-se e aproximando seus lábios da boca pequena. Por entre eles flui uma energia azul-prateada, de brilho intenso, escoando dele e se insinuando para o corpo menor.
– Ahhhh... Nãoooo... – Uma dor lancinante passa por todo o ser do arqueiro que se debate no chão, o homem com a mão sobre seu peito. – Me deixa... Eu não quero...
– O que está acontecendo com ele? – Nagi se aflige com o desespero claro nos olhos azuis que se abrem, olhando o americano a espera de uma resposta.
– O sangue de um demônio é nocivo. – Fala com calma, sabendo que Omi precisa de sua tranqüilidade para sobreviver. – Quando ele o apunhalou... O atacante sempre se suja do sangue da vítima... O demônio está dentro dele... Indiretamente, mas está!
Tsuzuki se aproxima, carregando Aya e o colocando ao lado do shinigami. Vestiu seu sobretudo nele, cobrindo sua nudez, combatendo os calafrios que o fazem tremer descontroladamente.
– O espadachim está muito mal. – A natureza compassiva dele não pode esquecer que o ato heróico do guerreiro salvou sua existência. – Não sei se vai suportar você terminar de curar o garoto.
– A quantidade de sangue foi muito maior. – Jason olha para o ruivo, pensando em como poderá cuidar dos dois, sendo impossível escolher entre eles. – Não sei o que fazer!
Cliff pousa suas mãos sobre o ombro do parceiro, sabendo o quanto a morte de qualquer um deles pode fazer o jovem artista voltar à depressão da qual saiu recentemente.
– E se nos juntássemos? – O rosto do jovem loiro se ergue, encarando o homem que ama com esperança. – Isso... Somos quatro shinigamis parados aqui. Não temos seu poder, mas podemos ajudar no processo de recuperação dando força.
– Hummm... – Um sorriso surge em seus lábios bonitos. – Pode funcionar.
– Hisoka não está em condições. – Yasmin se coloca atrás do garoto. – Ele não...
O rapaz se esquiva do contato, revoltado com a idéia de não poder socorrer quem o salvou e... Quem ama. Encara os adultos, ainda pálido com o processo de recuperação.
– Eu estou bem! – Até Tsuzuki o observa taciturno. – Não me impeçam de ajudar.
– Você não pode. – O parceiro se aproxima e o abraça. – Vamos ter que tirar aquilo que Asmodeus passou pra você.
– O quê? – As esmeraldas se arregalam quando ele se afasta ligeiramente e o encara. – Eu... Não...
– Quando um demônio morde uma vítima... Mesmo um shinigami... – A secretária-geral do Departamento do Oriente Médio olha para ele com carinho. – Tenta se salvar deixando um gérmen de si...
Hisoka Kurosaki recua, assustado e cabisbaixo, temendo a verdade disso, parando ao encostar-se à mesa de pedra, levantando então os olhos verdes para observar os três shinigamis ajoelhados ao redor dos dois Weiss, Tsuzuki e Cliff junto de Aya, as mãos sobre seu peito, Yasmin com Omi. Jason permanece entre eles, curvando-se dessa vez sobre o ruivo e de sua boca saindo a mesma energia azulada. E o garoto vê horrorizado o efeito disso, os corpos dos dois se debatendo, gritos de dor cortando o silêncio.
Nagi quer pará-los, pois Omi somente parece sofrer mais ainda, como se a cura fosse pior que a doença, mas o alemão se coloca atrás dele, segurando seus braços, impedindo-o de sair do lugar.
– Me solta! – Ele sussurra, cansado demais de tudo isso. – Você não devia estar aqui.
– Eu não podia ver você ir assim. – Fala sem conseguir disfarçar certa emoção. – Me liguei a sua mente na noite anterior de sua viagem e... Quando o tal do Tsuzuki me procurou pra encontrar vocês... Foi fácil! Seu ódio foi um farol.
Resolve não responder, os olhos azul-escuros se desviando do arqueiro caído, tremendo assustadoramente e gritando, e se voltam para Hisoka. Ele está estranho, isolado, olhando Omi como se fosse a última vez.
– O que ele tem? – Nagi pergunta para o ruivo, já ficando preocupado.
– Está sentindo... Absolutamente tudo. – Schuldich tenta penetrar na difícil mente do empata. – E isso... NÃO!
O Mastermind avança, usando de toda sua força para segurar o que cresce dentro de Hisoka, o desejo de matar os shinigamis se tornando mais forte que ele. Sabe que os outros ainda lutam contra o veneno e nada podem fazer, por isso os dois travam uma batalha mental, deixando o pequeno Nagi atônito e aflito.
"Você não pode fazer isso... São seus amigos." – Não que os escrúpulos de Schul sejam tão grandes assim, mas nessa batalha luta ao lado dessas pessoas.
"Não tente me deter... Sempre vivi sozinho, não confio em ninguém." – Há uma raiva quase insana no garoto, o demônio dentro dele o dominando aos poucos, aproveitando-se exatamente de sua sensibilidade, de seu poder. – "Eles vão matá-lo!"
– AHHHHHH... – A resistência de Omi está chegando ao limite, Yasmin esforçando-se ao máximo para fortalecê-lo.
– Uhm... – Aya apenas geme, concentrando-se em conter o sofrimento, mas o veneno atua ainda mais nele, exposto muito mais ao sangue demoníaco.
Os dois shinigamis sabem disso e usam de todo seu poder para mantê-lo vivo enquanto não chegam à cura, o que não é nada fácil. Jason permanece entre eles, colocando as mãos sobre as testas dos Weiss, luz azul saindo intensa de seu corpo e caindo como uma cascata sobre os dois, até que seus corpos vão se acalmando, o ex-artista caindo entre eles, completamente exaurido.
– Conseguimos! – Tsuzuki se sente aliviado, pois temera o pior muitas vezes.
– Ei... Se vocês terminaram... Podem me dar uma ajudazinha aqui? – Schuldich já está cansado, pois manter um empata paralisado não é a tarefa que desejou toda sua vida. – A coisa dentro dele está ficando mais forte.
Tsuzuki se volta temeroso e vê seus medos realizados, pois a expressão no rosto juvenil não é a do seu parceiro.
– Não vamos poder descansar. – Yasmin diz categórica. – Senão será tarde demais.
– Pode soltá-lo. – Tsuzuki fala, tocando o alemão no ombro. – Hisoka é mais forte, não é?
O poderoso shinigami avança em sua direção, percebendo como o garoto tenta recuar, mas é impedido pela mesa onde está encostado.
– Afaste-se de mim! – A voz do garoto soa sinistra, sua expressão solitária dando lugar a uma raiva autêntica. – Posso destruir você.
– O problema é que não pode. – Tsuzuki continua a se aproximar até que fica diante dele, segurando forte em seus braços. – Somos muitos... E Hisoka é forte demais pra você dominar.
As esmeraldas se arregalam, procurando como sair do local em que se encontra encurralado, os shinigamis presentes cercando a mesa, tornando sua fuga impossível.
– Tsuzuki... Me ajuda... – Os braços pálidos se estendem para o amigo, que o abraça. – Eu confio somente em você... Sempre fui sozinho e você me deu uma razão para viver.
O homem estreita o abraço, apertando-o contra o seu peito, sabendo que estas palavras são uma realidade, mas... O demônio que cresce dentro dele é quem começa a usar suas memórias, a tentar manipular o parceiro exatamente 'sendo' Hisoka.
– Eu sinto muito pelo que vou fazer... – Segura-o com tanta força que ele não consegue se afastar ao ouvir tais palavras. – Eu sei que vai doer.
Tsuzuki se concentra nas poucas lembranças que tem de sua vida pregressa, utilizando o poder que Hisoka não pode controlar para atingir o mal que toma seu corpo.
– NÃO! – Ele se debate aflito sem conseguir se mover.
As imagens de solidão, abandono, preconceito, mesclando-se com sangue, muito sangue, exacerbado por culpa, o desejo de morrer, tudo isso e a dor de ver de perto a miséria humana e ter de ficar calado... A noite em que ele e Tatsumi foram atrás de um assassino, um que usava magia negra, os dois parados em um parque em que o vento enchia o ar de pétalas de sakura... Sendo capazes de ver apenas um homem sobre um adolescente... Seria ele? Confirmaram sua identidade apenas quando usou um feitiço poderoso sobre o garoto, desaparecendo no ar quando tentaram se aproximar. E... Seu parceiro o impediu de chegar até a criança, acudi-la... Afinal, shinigamis não deviam se envolver com problemas dos mortais.
E tais pensamentos dolorosos minam as forças do jovem shinigami, atingido por toda a dor que encerram, mesmo que o demônio não queira. O corpo pequeno amolece entre os braços fortes do parceiro, que o toma nos braços, encostando-lhe a cabeça em seu peito.
– Me perdoa... – Sussurra desanimado. – Mas preciso lutar por sua alma.
Coloca-o sobre a mesa de pedra, dentro do círculo, acomodando-o com carinho, elevando seus braços sobre a cabeça e o amarrando, temendo que de alguma forma o demônio consiga fazê-lo recuperar a consciência. Tsuzuki convoca mais uma vez Touda, a serpente negra, pois apenas ela pode destruir Hisoka se o ritual falhar, e mais do que tudo essa sua decisão é a mais dolorosa, vendo-a enrolar-se à espreita aos pés da mesa. Ele mesmo se coloca na cabeceira, sacando de um fuda de proteção que impedirá que o demônio tente tomar qualquer um deles ao deixar o corpo do garoto.
– Você fica à direita. – Apontando para Cliff, olhando em seguida para Yasmin. – E a moça a esquerda, o lado do coração. Precisamos fechar os quatro pontos cardeais, invocando também os quatro elementos. Mas o que é mais importante... Você... O shinigami com poderes curativos...
– Meu nome é Jason. – O rapaz se levanta, pois estivera sentado no chão, as mãos em contato com o solo a fim de recuperar suas energias. – O que precisa de mim? Estou pronto.
– Preciso que você fortaleça o corpo do Hisoka. – Passa a mão pelo rosto do parceiro, tirando os cabelos que lhe cobrem os olhos, como quando se conheceram. – Ele perdeu muito sangue... Ainda está muito fraco. Mas... Espere a minha ordem.
Todos se posicionam, Tsuzuki tira o cristal que seu parceiro tem no pescoço. Sabe que o pequeno terá que suportar tudo até o demônio sair, pois reforçar seu corpo antes protegeria também o invasor. Respira fundo e olha para os dois Schwarz, de pé fora do círculo e os Weiss ainda inconscientes, mas respirando tranquilamente.
– Eu vos conjuro forças do bem e da luz... Com a força dos quatro elementos representados aqui... A terra, a água, o ar e o fogo. – Coloca o cristal dependurado sobre o coração do garoto. – Para que com essa luz faça fugir os demônios.
O ambiente se ilumina, do cristal saindo uma energia que primeiro os envolve, ficando mais forte, direcionando-se então para o corpo frágil, que então parece tomado por uma eletricidade, tremendo e se debatendo como possuído completamente pelo demônio.
– Eu vos ordeno e vos conjuro. – Suas duas mãos se juntam diante de seu peito, posicionando o cristal sobre a testa suada. – Ser infernal materialize-se diante da luz.
– Vocês não vão conseguir! – Os lábios de Hisoka se movem, mas a voz não é a dele. – Se eu for o levo comigo.
O demônio se debate ainda mais, gritando de dor, todos ficando de prontidão, a serpente preparada caso ocorra o pior e eles falhem. A respiração do hospedeiro se torna mais rápida e pesada, até que pára por completo.
– Pela chave de Salomão... – Tsuzuki desespera, mas não pode parar. – Agion, Telegram, vaycheon stimulaton y ezpares retragramaton oryoram irion exytion existion eryona onera brasi moym messias soster Emanuel Saboot Adonai, te adoro e invoco.
Sangue negro escorre pelo canto da boca pálida, deixando o corpo sem vida e sendo aprisionado pelas mesmas entidades que haviam surgido antes, e que agora flutuam sobre as cabeças dos shinigamis.
– Inocência... Amor... Entrega... – A voz sobrenatural é quase como o ruído do vento. – Viemos para levá-lo também...
– Eu imploro por esta vida. – Tsuzuki não consegue desistir simplesmente. – Permita-nos socorrê-lo... Não posso perder quem eu...
Um sorriso indescritível surge no rosto sobrenatural, tornando a criatura ainda mais bela e diáfana.
– As três qualidades angelicais estão neste menino... – Olha para o lindo shinigami de olhos violeta.
O homem nem espera a permissão da criatura, chama Jason e este se posiciona ao lado da mesa, colocando a mão sobre o peito de Hisoka, constatando que seu corpo não tem mais a vida criada para manter a alma do shinigami.
– Eu não... – O rapaz teme falhar.
– Tente! – As ametistas não desviam do rosto diáfano. – Você VAI salvá-lo e ninguém pode impedir.
Um sorriso desafiador surge em seu rosto, tentando disfarçar o desespero que se apossa de seu coração.
Jason se concentra, aproximando-se da boca imóvel, deixando sair da sua a energia azul-prateada, penetrando no corpo sem vida, lutando para trazê-lo de volta, envolvendo o coração sofrido com toda a sua intensidade. E de um pulo ele sobe na mesa, ajoelhando-se sobre o garoto, as pernas uma de cada lado de seu abdômen, voltando seus braços para o alto, a energia saindo de seus dedos e descendo em grande fluxo sobre os dois, formando um vínculo que parece enfraquecer o americano, mas torna o rosto de Hisoka menos pálido, a respiração se reiniciando aos poucos, até se tornar forte e constante. O shinigami com poderes curativos cai exausto de lado, sendo amparado por seu parceiro, que o deita no chão para que possa se recuperar.
– Viu... – Tsuzuki enfrenta a entidade. – Eu não podia deixar que o levassem.
– Mas meu bravo shinigami... – A criatura se diverte com seu desafio. – Eu dizia que como ele tem as qualidades angelicais... E o seu amor... Tinha os requisitos para a salvação.
– Ah bom... – O homem se sente meio idiota, pois o parceiro sempre o acusa de não ouvir os outros. – Obrigada.
E da mesma forma que surgiram da luz, elas se desvanecem no ar, levadas pelo vento que entra pela porta destruída.
– Tsuzuki... – Aquela voz que desejava ouvir novamente o chama, rouca e fraca, os olhos verdes se abrindo devagar.
O homem deita a cabeça sobre seu peito, chorando como uma criança.
– Não fica assim, Tsuzuki... – Passa uma das mãos pelo cabelo macio. – Não vou te deixar.
E ainda com o choroso shinigami em seus braços, os orbes de esmeralda se voltam para o garoto telecinético, paralisado do lado de fora do círculo, alheio a tudo e a todos, como se ver ele e Omi quase morrendo tivesse sido demais. Mas como se os sentimentos entre eles fossem muito mais fortes do que tudo, Nagi levanta os seus oceanos profundos em sua direção, um sorriso do loiro desvanecendo toda a dor e o pequeno desaba em lágrimas. Fica desconcertado, não querendo que os outros o vejam assim tão frágil, então corre apressado para fora do armazém.
– Os garotos devem voltar ao hotel. – Yasmin procura pensar com absoluta racionalidade depois de tudo que aconteceu. – Haverão perguntas quanto ao desaparecimento do milionário. Não queremos ver os verdadeiros donos dos nomes que usam sendo presos por assassinato.
– Mas... – Tsuzuki empertiga-se ainda preocupado. – Eles precisam de cuidados.
Os shinigamis americanos concordam com ambas as partes, Jason aproximando-se dos Weiss e verificando que ainda dormem, cansados demais pelo esforço para sobreviver.
– Podemos nos registrar em um hotel e cuidar do guerreiro. – Tenta ser o mais conciliador possível. – Mas os meninos precisam ir para o hotel deles... E acredito que o telecinético possa cuidar dos dois.
– Na verdade... – Schul nem sabe por que diz isso. – Eles precisam ficar sozinhos. Essa história deles tem que ser finalizada.
ooOoo
O dia já vai alto quando os olhos verdes de Hisoka finalmente se abrem, lutando para afastar qualquer lembrança do que aconteceu na noite anterior. Apesar de tudo sente-se renovado, como se toda a energia que recebeu do shinigami de poderes curativos lhe tivesse dado um novo vigor. Está no quarto de hotel, naquele em que esteve com os outros nos últimos dias, o ruído do mar lhe parecendo tão próximo, como se todos os seus sentidos estivessem mais atentos e sensíveis. Olha então para o lado e sua expectativa é recompensada, pois desejava muito que neste instante Omi e Nagi estivessem ali, vendo-os deitados ao seu lado, o Weiss na outra extremidade do colchão e o telecinético entre eles.
Toca com carinho o rosto do Schwarz, tentando sentir se ele ainda se culpa por tudo, ficando contente por perceber que em seu coração existe um alívio, até certa paz por sentir-se livre da obsessão por vingança que lhe aprisionava a alma já tão ferida. Sorri satisfeito, levantando-se e descendo para a sala do apartamento.
Assim que sente movimento na cama, os olhos azuis de Omi se abrem, vendo Hisoka sair do quarto. Fica parado, apenas olhando a porta por onde o Shinigami saiu e então se volta para o outro que está adormecido ao seu lado, fitando o agora tranqüilo semblante de Nagi, não conseguindo evitar erguer a mão e acariciar a face do mesmo, suavemente. Tudo foi tão complicado... Tão difícil! Apesar de tudo se sente bem no momento, seu físico já recuperado, sua mente ainda lidando com tudo o que aconteceu.
No andar de baixo, o empata defronta-se com uma bandeja repleta de delícias, provavelmente um presente de Tsuzuki, deixada sobre a pequena mesa da sala. Segura-a com firmeza, subindo as escadas e voltando ao quarto, colocando-a sobre a mesinha. Caminha até a janela, o novo dia lhe parecendo finalmente bonito, depois de tanta escuridão.
– Bom dia, Hisoka! – Omi sussurra ao vê-lo entrar no quarto e se dirigir a janela, sorrindo para o mesmo, sentando-se na cama.
– Hummmm... – Nagi se vira sobre o colchão, ainda adormecido.
Aos poucos o pequeno Prodígio vai acordando, piscando os olhos repetidas vezes, sua mente entorpecida pelo sono reparador, vendo o shinigami próximo à janela.
– Hum... Hisoka? – Chama baixinho, levando à mão a boca, bocejando, olhando para trás e vendo Omi.
– Bom dia, Nagi! – Omi sorri ao pequeno telecinético.
– Hum... Bom dia. – Naoe se senta na cama.
– Acordei vocês... Desculpa. – O shinigami diz preocupado.
– Você não precisa se recriminar. – Omi sorri amigavelmente para o loiro. – Estou acostumado a acordar cedo, Hisoka!
– Dá pra acreditar que tudo acabou... Finalmente? – Encosta-se à parede e sorri para os dois.
Caminha até eles, sentando-se nos pés da cama, contente por poder ver os dois sorrindo de forma tão linda!
– Agora parece tudo parte de um pesadelo. – Joga a cabeça para trás. – Apenas isso.
– É meio difícil acreditar... Mas acho que finalmente teremos paz. – Nagi diz, apesar de, em seu íntimo, ainda sentir como se algo pudesse acontecer.
– Mas nada mais vai acontecer, Nagi. – Omi fala, pressentindo sua apreensão, erguendo a mão, afagando os cabelos chocolates, vendo os azuis escuros fitando-o em silêncio... E aquela estranha sensação entre eles volta.
Nagi apenas concorda com a cabeça e o arqueiro se levanta, avisando que vai ao banheiro, saindo do quarto, deixando os outros dois sozinhos... E o telecinético não sabe o que falar para Hisoka, ficando levemente sem jeito. Sabe que é ridículo depois de tudo o que houve entre eles, mas... Agora tudo é diferente.
– Eu sei que você também tem medo do futuro, Nagi. – O shinigami diz com certa tristeza. – E não há um para nós três... Juntos... Não é?
Nagi fita Hisoka, sentindo o coração se apertar ante aquelas palavras. Não quer se separar dele nem de Omi, mas sabe muito bem como são as coisas e... Pensar naquilo, no futuro, deixa-o melancólico, fechando os olhos e pensando em como a vida sempre lhe parece injusta.
Hisoka se aproxima, sentando ao seu lado, tocando seu rosto com a mão fina, encarando aqueles olhos tão profundos, desejando mergulhar em suas dores e arrancá-las todas para sempre.
O jovem Schwarz abre os orbes escuros apenas quando sente o toque em sua pele, mirando os verdes brilhantes de Hisoka. Mergulha nas profundezas dessa alma, na clareza de seus sentimentos, na profunda tristeza que também carrega... Os dois sempre foram desprezados por algo que a natureza lhes deu, um poder que os fez parecer aberrações, monstros que os demais deviam temer. E o saldo de tal medo foi trágico, para ambos.
– Mas o que tivemos foi a coisa mais bonita que já senti com alguém. – Seus dedos passeiam pela pele delicada. – E não teve nada a ver com desespero ou carência...
– Eu sei... – Fala, abraçando Hisoka com força, escondendo o rosto na curva do pescoço dele, ficando em silêncio por um tempo, sem nada dizer.
Omi sai do banheiro, entrando no quarto, vendo Nagi abraçado a Hisoka e ele não precisa ser empata pra saber que o garoto está sofrendo. Tal verdade faz seu coração apertar, pois não deseja mais que aquele menino que tanto sofreu continue sendo vítima de sensações ruins.
– Eu... Vou ao banheiro. – Nagi diz, afastando-se de Hisoka, passando por Omi de cabeça baixa, batendo a porta.
– Está sendo difícil... – Omi fala, sabendo que é complicado para todos eles.
– E você? – Hisoka segura à mão pequena e o puxa para si, deixando-o parado a sua frente, os olhos dos dois se encontrando. – Como está?
O shinigami precisa saber como ele se sente, tocando sua outra mão também e sentindo a tensão, o medo de enfrentar seus próprios sentimentos, sabendo que a verdade os espera do lado de fora desse quarto. Sente-se exatamente assim como ele e dói demais essa certeza da perda... Da separação.
– Eu estou bem... – Sussurra, sentindo o toque de Hisoka, fechando os olhos por um momento. – Apesar de provavelmente sentir o mesmo que você.
A porta se abre e Nagi pára na porta, olhando para os outros dois tão perto um do outro. Seu coração bate aceleradamente, não sabe o que fazer ou dizer, abaixando a cabeça, a pulsação acelerada, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, desviando o olhar momentaneamente.
– Nagi... – Sussurra Omi, vendo o pequeno fitá-los... E então ergue a mão para ele em um chamado mudo.
O Prodígio se aproxima timidamente, sentindo os braços de Omi envolvê-lo, perdendo-se na deliciosa sensação de segurança que ele lhe passa. E assim que o pequeno se aproxima, Hisoka sabe que não pode mais resistir, levantando-se e abraçando a ambos, sentindo a fragrância de cada um, a maciez dos cabelos, suas respirações ofegantes como a sua.
E os três estão ali, parados, abraçados e em silêncio por um tempo, até que a voz de Hisoka corta o ambiente.
– Como eu queria apagar tudo que houve de suas mentes... Ter esse poder. – Ele suspira sentindo-se nervoso. – Mas e se vocês se esquecessem também do que já sentimos naquele quarto... Do que estamos sentindo agora?
Nagi e Omi estremecem ante aquela possibilidade, cansados de sempre perderem tudo que amam.
– Se nossas lembranças fossem apagadas... – Omi diz, apertando mais os dois em seus braços. – Os sentimentos também seriam e não quero isso.
– Eu digo o mesmo! – Nagi fala, fitando os dois. – Eu só quero ficar assim... Mais um pouco...
Hisoka toma a boca pequena, tão doce e macia de Nagi, descendo a mão pelas costas de Omi. Quer dividir-se, demonstrar a ambos como os deseja, como precisa desse momento e das sensações que se intensificam! Sua pele parece carregada de eletricidade a cada toque, mergulhando neste ato como se perdesse qualquer consciência da realidade. Existem apenas os dois garotos, mais ninguém.
O beijo doce desperta em Nagi toda a emoção que enterrara depois de deixar aquele quarto, fingindo que apenas nutria raiva dos dois garotos que agora o abraçam, fazendo seu corpo estremecer, desejoso de entregar-se, de experimentar mais uma vez todo o êxtase de ser deles, de estar com alguém sem reservas ou desconfiança. Retribui o beijo com paixão, intensificando o de Hisoka que até então era suave, descendo sua mão pela coxa de Omi, percebendo como seu toque o excita, colando-se ao corpo dos adolescentes.
Omi suspira ao sentir a carícia em sua coxa, abrindo os olhos que nem percebeu ter fechado, fitando Hisoka, que partiu o beijo quando o ar faltou em seus pulmões. Ambos sorriem e o menino de olhos azuis toca as mãos de Nagi, puxando-o para a cama.
Quando as mãos de Omi seguram as suas Nagi estremece, percebendo qual a intenção do outro e fica nervoso pela inevitabilidade do momento. Mesmo assim deixa-se levar, deitando-se devagar sobre o colchão confortável, sendo beijado com ardor, sentindo sua boca ser invadida pela língua travessa, as mãos pequenas percorrendo seu corpo. Inicialmente fica sem ação, pouco acostumado com essa intimidade de ser tocado por outra pessoa, mas quando sua pele é tocada algo dentro dele desperta, uma energia descomunal comandando suas ações. Passa a mão por suas costas, passando dela para as nádegas, apertando-as de leve, deliciando-se com o sorrisinho maroto do loirinho.
E quando Hisoka se senta para observá-los, sente uma excitação ainda maior sendo um empata, como se ele também estivesse ali, tocando e acariciando seu corpo, mesmo que apenas os olhos produzam esse efeito.
– Hum... Tire a roupa dele, Omi! – Hisoka sussurra, sorrindo sensualmente para os garotos, sentando-se ao lado deles, apreciando as belas formas dos companheiros.
E suas palavras... A forma como pede que Omi o dispa é mais sensual para o telecinético do que qualquer outra coisa, deixando-se despir peça por peça, começando da camiseta, depois a calça, seu corpo se revelando aos poucos diante dos olhos dos dois, fazendo-o corar instintivamente.
Hisoka sorri ao vê-lo corado, mas sente que aquilo o excita... Sente cada pedacinho de sentimentos vindo dele e de Omi e saber que ambos estão gostando, apreciando aquele momento apenas aumenta sua satisfação, desejo e alegria. Leva as mãos à blusa, começando a desabotoar botão por botão, retirando-a e faz o mesmo com a calça, livrando-se dela e da peça íntima, ficando completamente nu.
– Hisoka? – Omi chama enrouquecido, sentindo o toque do empata, que o faz se sentar, retirando a blusa do loirinho, beijando-o com paixão para que Nagi possa ver.
– Vem... – Hisoka sussurra, segurando a mão de Nagi, puxando-o até que ele se sente na cama, beijando-o também... E Hisoka sorri, deitando-se na cama, observando os outros dois...
A visão daquele corpo tão delicado, de pele tão branca, quase de porcelana, deitando-se diante deles, chamando-os com os olhos, pedindo que se aproveitem da ereção que se faz presente, claramente faz Nagi tremer. Levanta-se da cama, encarando-o, esperando que Omi tome a iniciativa, pois seu nervosismo parece travá-lo, mas ambos os loiros o observam, ficando nítida a decisão de que a ação é do telecinético. Então se aproxima, subindo de joelhos na cama, curvando-se sobre Hisoka e beijando-o com paixão.
Hisoka corresponde ao beijo quente, segurando a face de Nagi entre as mãos, descendo as mesmas depois pelo corpo dele, suavemente, até chegar às coxas, puxando-as de modo que o telecinético fique com uma de cada lado do quadril dele.
– Hummm... – Nagi não consegue segurar o gemido ao sentir seu beijo correspondido, a boca macia e deliciosa devorando a sua, as mãos delicadas descendo de seu rosto, percorrendo um perigoso caminho por sua pele e posicionando-o sobre Hisoka.
Os braços os aproximam, o que faz suas ereções se tocarem, num leve ondular de corpo do shinigami contra o do menor, enlouquecendo-o, dissipando correntes elétricas por ambos.
– Ahmmmm... – Hisoka geme, apertando o mais jovem, abandonando os lábios dele apenas para voltar a respirar, atacando-lhe o pescoço com voracidade.
Omi se posta atrás de Nagi, entre as pernas de Hisoka, observando à bunda empinadinha e toca o quadril do telecinético, apertando-lhe então as nádegas, começando a beijá-las, pensando em prepará-lo para Hisoka.
Nagi teme cair, tomado por uma emoção que o priva de qualquer razão, ao sentir a aproximação de Omi, tocando suas nádegas com carinho, beijando-as e lambendo-as. Primeiro se contrai surpreso, mas logo em seguida empina ainda mais o quadril, abrindo caminho para que o Weiss possa lambê-lo intimamente, consciente de que ele o prepara para o que está para vir.
– Hum... Você é tão lindo! – Hisoka sussurra contra o ouvido de Nagi, lambendo-lhe o lóbulo, puxando entre os dentes em seguida.
Está deitado confortavelmente na cama e puxa o pequeno com mais afinco, para que fique deitado sobre si, seus membros presos entre os abdomens, o que causa uma sensação deliciosa... Para os dois.
Omi se abaixa, separando as nádegas de Nagi com as mãos, lambendo lentamente entre elas, brincando sobre a entrada pequena do telecinético, deixando todo o local úmido... E então para por um momento, lambendo os próprios dedos, introduzindo o indicador delicadamente para não machucá-lo, movendo-o com suavidade.
– Huummmm... Quente... – O Weiss sussurra, mordendo o lábio inferior.
– Ahhhhhhhhhh... – A sensação do dedo de Omi dentro de si é incontrolável, sentindo que seu interior lateja de excitação. – Que delícia... Quero mais...
Nem acredita em como sua voz sai manhosa, quase infantil, como se fosse uma criança mimada recebendo um presente, e seus movimentos o fazem se remexer dentro do abraço de Hisoka, roçando ainda mais contra sua ereção, as peles se arrepiando. Leva sua mãos ao cabelo macio do empata, descendo por seu pescoço, movendo levemente sua cabeça para que possa atacar a jugular, mordendo-o sedutoramente, para em seguida lamber o local avermelhado, segurando-se para não gemer, apesar de sentir a necessidade disso. Quer se concentrar, parecer forte e decidido, quando na verdade se sente um gatinho que se derrete aos toques dos dois.
Hisoka geme alto, ondulando o quadril contra Nagi, deliciando-se com as sensações que os movimentos dele, e agora os seus também, despertam em ambos. Arqueia e vira o rosto, dando mais espaço para que o mais novo possa tocá-lo, suas mãos apertando as coxas roliças e macias, acariciando-o, subindo uma das mãos pelo dorso, arranhando de leve a cútis alva.
– Ahm... Isso é bom! – Geme o empata, mordendo o lábio inferior. – Pode me devorar.
– Hum... E eu vou te dar mais, Nagi... – Sussurra o arqueiro, lentamente introduzindo o segundo dedo, fazendo movimentos mais longos e profundos, procurando o ponto sensível dentro do corpo menor, até encontrá-lo, passando a tocá-lo sem pressa, abaixando a cabeça, beijando e lambendo ao redor dos dedos, aumentando o ritmo.
– Vocês... – Sua voz sai trêmula e ofegante. – Vão me enlouquecer!
Movimenta seu corpo em ondas, roçando em Hisoka e forçando os dedos atrevidos a penetrarem até seu limite, sabendo que deseja mais, ansiando pelo momento em que será de um deles, seja qual for. Passa a língua sobre os lábios, levantando-se ligeiramente e tomando os mamilos de Hisoka, sugando-os com força.
– Ahmmm... Ahm... Na-Nagi... – Geme Hisoka, arqueando e mordendo o lábio inferior quando sente o ataque do pequeno em seu mamilo, contorcendo-se sob ele, perdendo o fôlego.
– Eu quero vocês... – Continua a se mover, cada vez mais excitado, já sem conter os gemidos. – Me devorem... Quero tê-los dentro de mim.
E mesmo que nunca desejasse abrir-se dessa forma, contrastando com a máscara que criou para proteger-se do mundo, não consegue deixar de mostrar-se nesse instante como o menininho que ansiava por amor, que valorizava a mínima demonstração de carinho, que confiava em quem amava acima de tudo.
– Hum... Então senta... Senta sobre o Hisoka, Nagi... – Sussurra Omi no ouvido do Prodígio.
Retira os dedos de dentro dele, puxando-o e fazendo-o se sentar sobre as coxas do empata, virando o rosto do pequeno e beijando-o longamente.
– Eu ajudo você... – Diz ofegante, segurando os quadris de Nagi com as mãos, erguendo-o e então o próprio Hisoka o firma sobre o local, enquanto Omi segura com a mão direita o membro do shinigami, guiando-o para dentro do Schwarz, gemendo ao ouvido dele.
Nagi se encaixa ainda receoso, sentindo o roçar em sua entrada, a penetração se iniciando devagar, com o controle em suas mãos. Morde os lábios com a dor inicial, mas logo vai relaxando, os beijos quentes de Omi e as mãos de Hisoka tocando sua pele com suavidade fazem com que desça de uma vez, chegando finalmente a tocar as coxas do empata com as suas ao sentar-se.
– Ahhhhhhhhhhhhhhh... – Há dor, mas um êxtase ainda maior, fazendo com que se movimente, levantando e voltando a sentar-se.
– Hum... Devagar, Nagi... – Omi sussurra, beijando os ombros de Naoe, passando a língua para então morder, suas mãos ainda segurando a cintura dele, dando-lhe apoio.
– Ahmmmm... Nagiiii... – Hisoka geme, arqueando as costas ao sentir seu membro sendo envolto pelo corpo apertado.
Olha a face do moreninho, sabendo que ele está sentindo aquele misto de dor e prazer e simplesmente leva a mão ao membro dele, começando a acariciá-lo suavemente, brincando sobre a glande...
– Hummm... – Nagi sente seu corpo todo vibrar, sua mente se perdendo em êxtase. – Me beija mais... Me toca mais...
– Eu beijo... – Omi ronrona as palavras, virando o rosto de Nagi, beijando-o na boca enquanto o ajudava a subir e descer o corpo.
– Humm... Ahhh... Delícia... – O toque de dor já desaparecendo de seu rosto, restando apenas o prazer, enquanto Omi toma sua boca com luxúria. – Mas... Você... Também precisa... De algo gostoso...
– Você é gostoso... Nagi. – O arqueiro brinca com a língua pequena, explorando sua boca quente, saindo dos lábios e descendo pelo pescoço, concentrando-se na nuca.
O pequeno olha para Hisoka, seus cabelos arrepiando-se ao sentir os beijos sedentos na nuca, seu local mais sensível, e o loiro que está sob ele sente exatamente o que passa por sua cabeça, tamanha a força de suas emoções. O telecinético nota essa percepção e sorri maldoso, sentindo que são agora cúmplices de sua travessura e que Omi nem imagina o que o espera.
– Omi... Você não vai terminar de se despir? – Nagi pergunta malicioso, gostando da expressão meio decepcionada do Weiss ao ser detido em sua carícia. – Também queremos te ver...
– Ahmm... Isso... – Hisoka sorri, sabendo muito bem o que Nagi quer fazer.
Desliza sua mão para cima, apertando-lhe os mamilos, concordando com ele, seus poderes empáticos ligando-os ainda mais e o shinigami sabe o quão delicioso tudo ficará quando o telecinético fizer o que planeja... O quão gostoso será para os três.
– Weiss... Você é lindo... – Diz ao vê-lo despir-se e beijar o shinigami.
Omi suspira e se afasta, retirando o short, lentamente, engatinhando até Hisoka, beijando-o na boca, sentindo a mão do shinigami em seus cabelos, correspondendo ao beijo com toda a sua paixão, até que o arqueiro encerra o ato, ofegante, os olhos escurecidos de desejo e então volta pra onde estava... Atrás de Nagi, sentado sobre as coxas de Hisoka, sua boca deslizando agora pelas costas do moreninho, as mãos bailando pelo abdômen, uma delas descendo até o membro, masturbando-o suavemente.
– Não!... Ahhh... Isso... Mais... – Nagi estremece quando Omi se coloca por trás, passando a mão por seu corpo e o tocando.
Cada movimento das mãos deliciosas sobre seu pênis o fazem tremer, Hisoka tocando de leve sua glande e Omi movimentando-a sobre o membro que já se encontra completamente lubrificado. Treme de excitação, mal conseguindo se controlar... Mas precisa.
Concentra-se no seu poder, com dificuldade diante de tanto estímulo externo, mas pensa em como isso elevará o prazer do momento a algo que nem ele mesmo imagina. Tenta algo novo, a energia telecinética fluindo dele e fazendo o quarto estremecer, movendo-se e se tornando algo palpável, maleável o suficiente para ser sentido, aproximando-se devagar dos três, ameaçando envolvê-los, mas sendo direcionada por Naoe.
– Relaxa, Omi. – Vira o rosto e fala no ouvido do arqueiro, fazendo neste instante com que a energia penetre Omi, sensualmente se colocando dentro dele, causando a impressão de mais alguém presente nesse ato com eles.
– Aaahhhhhhmmmmmm... – Omi geme alto quando tem a sensação de ser penetrado por alguém, abrindo os olhos e fitando Nagi, surpreso e atordoado.
Não sente dor, apenas uma sensação gostosa de ser preenchido, um calor inexplicável... E seu membro pulsa contra as costas do telecinético.
– Ahmmm... Não faz isso, Nagi... – Geme no ouvido dele.
Sente o poder dele roçar em seu ponto sensível, o prazer sendo intenso... E Omi, aperta de leve o membro do mais novo, mordendo o ombro dele.
– Ahhh... Delicioso! – Hisoka diz, sentindo o prazer de ambos... E o seu prazer é devolvido para eles, ampliando a sensação de todos.
Segura com firmeza a cintura de Nagi, erguendo-o e então descendo o corpo menor, iniciando um sobe-e-desce gostoso, ondulando seu quadril contra o dele, tocando-o fundo, o prazer se tornando grande demais.
Para Nagi é dificil manter esse nível de concentração, sentindo todo o prazer dos movimentos de Hisoka contra seu quadril e ainda assim pensar na energia dentro do arqueiro... Os movimentos que faz, imaginando cada detalhe, comandando-a, fazendo-a pulsar. Ao mesmo tempo decide trazer mais prazer ao empata, sabendo o quanto as suas ondas mentais passam para ele, mas vai aumentar isso, contraindo sua musculatura, fazendo seus músculos internos se tornarem cada vez mais apertados, aumentando a fricção.
– Ahhhhh... Eu vou enlouquecer assim... – Aumenta a intensidade de seus movimentos, pois a fricção usada para excitar Hisoka, tem efeito dobrado em si mesmo. – Não vou agüentar mais...
Hisoka está cada vez mais ofegante... O Schwarz se contraindo de uma forma que o enlouquece, seu membro pulsando dentro do canal pequeno e apertado, enquanto ele ondula cada vez mais rápido contra o corpo delicioso. A carga de prazer é cada vez mais intensa... Duplamente, pois ele sente o êxtase de Nagi e Omi.
– Ahmmm... Então não agüente... Vem... Vem comigo... – Pede Hisoka, ofegante, a face corada de prazer.
Omi geme alto, abraçando Nagi, seu quadril ondulando sem que possa evitar, sua mão pressionando o baixo-ventre de Naoe, enquanto o masturba freneticamente.
– Isso... Ahm... Vai, Nagi... – Omi mais uma vez morde o ombro dele, tentando se controlar, sua excitação elevadíssima.
Nagi sente que seu controle vai se esvaindo com a chegada do instante do êxtase, sua energia aumentando de intensidade, sentindo pelo abraço cada vez mais apertado de Omi que ela se expande no interior do arqueiro e teme machucá-lo. Decide então dissipá-la, fazendo isso aos poucos, percebendo como a pressão em seu corpo vai diminuindo.
– Ahmmmm... Na-Nagi... – Omi geme, estremecendo, sentindo a pressão em seu interior aumentar, espalhando-se, deixando-o sem fôlego, para no instante seguinte cessar, deixando-o um pouco atordoado, no entanto, nota que Nagi está quase lá.
E o momento de descontração do Prodígio traz o orgasmo, tão intenso quanto tudo que guardou dentro de si, todo o sentimento escondido, toda a vida passada com frieza. Seu sêmen espalha-se pela mão do Weiss e pela barriga de Hisoka, uma sensação gostosa de torpor tomando conta de seu ser, dominando-o como se deixasse de ser ele mesmo e passasse a ser uma pessoa normal envolvida com alguém que ama.
– Ahhhmmmm... – Seu gemido ecoa pelo quarto, mais alto do que esperava.
– Aahhhhhhh Nagiiiiiii... – Hisoka arqueia na cama, afogando-se naquela gama de sensações, seu membro sendo deliciosamente imprensado pelo corpo de Nagi, o prazer se espalhando em ondas sucessivas. O loiro não suporta, gemendo alto e se desfazendo dentro do telecinético, continuando a se mover para prolongar o êxtase de ambos, até parar, completamente ofegante.
– Quero mais... – O pedido manhoso surpreende até o próprio Nagi.
– Hum... – Omi aperta Nagi em seus braços, ainda movendo a mão sobre o membro dele, mordendo o lábio inferior, o seu latejando devido ao orgasmo não alcançado. – Então deite... Deite e eu te dou mais...
Os olhos azul-escuros se voltam em busca do rosto bonito do Weiss, tentando evitar que o seu fique corado demais, mas não conseguindo. Assim mesmo continua a encará-lo ao se erguer devagar, deixando o membro de Hisoka quase escorregar para fora dele, sentindo um grande prazer com essa sensação. Deixa-se cair sobre o colchão, percebendo como as esmeraldas acompanham seus movimentos com um sorriso... E essa imagem vale ouro para alguém não acostumado com tanto carinho!
– Ah... Como você me deu prazer... – Toca de leve o rosto do shinigami. – Te amo...
Hisoka sorri, inclinando-se sobre Nagi, tomando-lhe os lábios em um beijo quente, porém romântico e doce, deslizando a mão direita pelo abdômen do menor, fazendo um carinho suave e muito provocativo, insinuando-se sobre a virilha, enquanto sua língua brinca com a dele.
– Hummm... Você também me deu muito prazer... E ainda está me dando... – Sussurra o shinigami, suspirando enlevado. – Eu também te amo... Amo vocês dois!
Hisoka sorri, olhando então para Omi. O loirinho corresponde, sentindo o peito se aquecer ante aquelas palavras, mordendo o lábio inferior e lambendo-os. Olha o corpo bonito de Nagi deitado na cama e lentamente abre-lhe as pernas, acomodando-se entre elas, observando o prazer de Hisoka escorrendo da entrada do mais novo.
– Hummm... Perfeito! – Sussurra.
Toca o próprio membro, masturbando-se suavemente, para então parar e deitar sobre o menor, beijando-o na cama, afastando-se um pouco no intuito de se apoiar em um dos braços, guiando o próprio membro para dentro dele, iniciando a penetração bem lentamente.
Cada movimento de Omi traz a expectativa para o que vem em seguida, abrindo-se ainda mais quando ele se aproxima, fechando os olhos ao sentir a penetração, não mais dolorosa, mas carregada de um prazer elétrico. Passa os braços pelas costas do Weiss, arranhando de leve sua pele, puxando-o para si.
– Ahmm... – Omi joga a cabeça para trás quando sente as unhas do menor arranharem suas costas, aquele gesto causando um prazer ímpar em seu ser.
Continua a penetração, agora se aconchegando a ele conforme Nagi deseja, deixando o membro do menor preso entre seus abdomens, ondulando o quadril até ficar todo dentro dele.
– Humm... Omi... – Sussurra em seu ouvido. – Também te amo...
Nagi toma a boca pequena com fúria, deixando evidente como o deseja, como anseia por ele. O arqueiro corresponde ao beijo quente, perdendo-se naquele calor, não notando que Hisoka se levanta e se posta ao seu lado, sentado sobre os próprios pés, a mão no abdômen, sujando os dedos no sêmen derramado por Nagi sobre sua pele, sorrindo ao pensar sobre o que fará a seguir.
– Ahmmm... Nagi... Mexe comigo... – Pede Omi, começando um lento movimento de vai-e-vem com o quadril, suspirando com as sensações que aquilo proporciona.
Os movimentos do arqueiro intensificam as sensações que percorrem todo o corpo de Nagi, sentindo um ardor imenso por dentro, uma descarga elétrica por todos os seus neurônios, tornando sua pele sensível ao mínimo toque. E a cada estocada geme baixinho, como se com isso retivesse para si todas as reações de seu corpo, que já lateja por dentro, recebendo cada vez mais calorosamente o membro de Omi.
– Isso... Está sentindo como meu corpo te quer? – Diz rouco de tanto prazer. – Ele é seu pra fazer o que quiser... Enlouqueça em mim.
– Ahmmm... Isso... Uhm... Gostoso! – Omi geme, mordendo o lábio inferior.
Fita a face de Nagi, seus olhos mostrando o quão desejoso ele está, perdendo-se no calor do corpo do outro, adorando cada movimento que o telecinético faz consigo.
Hisoka sorri, molhando novamente os dedos no sêmen de Nagi em seu abdômen e então se aproxima mais de Omi, tocando, com a ponta dos dedos, a linha da coluna dele, vendo-o se arrepiar e ofegar, olhando-o sobre o ombro... E um sorriso sensual se desenha em seus lábios.
– Hi-Hisoka? – Indaga o loirinho, ofegante, sentindo agora os dedos do shinigami entre suas nádegas, acariciando-o.
– Hummm... Apenas relaxe, Omi... – Sussurra o empata, inserindo lentamente um dedo dentro de Omi, sentindo-o estremecer e gemer, jogando a cabeça para trás.
Começa a fazer movimentos lentos, acompanhando o menear do quadril de Tsukiyono, sentindo-o por dentro, deleitando-se com a recepção do corpo que reage a sua presença apertando seu dedo, como se o quisesse reter ali para sempre.
Nagi se delicia com a expressão de Omi, sentindo como o duplo prazer o transforma, deixando a face sempre inocente dar lugar a sua faceta mais ousada e libidinosa. Movimenta-se então com mais intensidade, levando o arqueiro a arfar ainda mais profundamente.
– Isso, Omi... Você quer mais, não é? – Nagi nunca imaginou que pudesse soar tão sensual. – Nós vamos te fazer vibrar... Gemer como um gatinho...
Omi se perde nesse prazer, fechando os olhos para poder apreciar cada detalhe, cada instante, por menor que seja, mergulhando numa vertente de sensações das mais maravilhosas. Dar e receber... Algo que jamais imaginou, mas que têm agora, com Hisoka penetrando-o deliciosamente com os dedos brincalhões e Nagi, fazendo-o entrar cada vez mais fundo em seu corpo pequeno.
– Ahmmm... Hi-Hisoka... Nagi... Uhmmm... – Omi geme, agora sentindo dois dedos em seu interior, jogando a cabeça para trás mais uma vez, um longo gemido escapando de seus lábios doces, acelerando, cada vez mais ofegante.
Hisoka o toca mais fundo com os dois dedos, procurando aquele lugar mágico dentro dele, até encontrar, tocando-o forte, ouvindo um grito rouco sair daqueles lábios, sorrindo em resposta. Excita-se cada vez mais... Com cada reação de Omi e de Nagi, seu membro se enrijecendo novamente.
O Schwarz se empolga, enlaçando a cintura de Omi com as pernas, tornando a penetração mais profunda, movimentando-se mais depressa. Sua boca se perde na pele macia do inimigo, lambendo e sugando, por vezes mordendo-a, sentindo sua textura e sabor, apreciando como ela se arrepia e os gemidos que provoca.
Mas ao mesmo tempo em que o prazer de Omi o delicia, o seu se torna quase insuportável, a fricção e o calor dos movimentos dele em seu interior o fazendo vibrar, segurando os gemidos mais uma vez. Deseja apreciar como seu interior reage, concentrando-se nisso, cada entrada e saída do assassino o forçando a segurar a respiração.
– Hummm... Como isso é bom... – Diz baixinho, temendo que os gemidos que represa saiam sem que possa impedir. – Ahhhhhh... Que droga!... AHHHHHHHH...
– Na-Nagi... Ahmmm... – Os orbes de safira fecham e abrem concentrando-se nas sensações.
Omi não está mais agüentando... Não com o corpo de Nagi a lhe imprensar daquela forma, as ondulações internas acariciando-o deliciosamente. E Hisoka também não ajuda, tocando-o fundo, roçando em seu ponto sensível.
O loiro enlaça o membro de Nagi com as mãos, massageando-o rapidamente, sabendo que não resistirá por muito tempo, estremecendo e gritando quando Hisoka o toca mais fundo e com mais força, deixando-o enlouquecido, o orgasmo chegando mais rápido.
– Uhmmm... Isso... Vai, Omi... – Sussurra Hisoka, a voz soando rouca.
– Ahmmm... Na-Nagi... Vem... – Omi começa a se descontrolar, até que não pode mais se segurar... Seu corpo se contrai com força, seu abdômen fazendo o mesmo e se desfaz dentro de Nagi em um orgasmo intenso, perdendo toda a noção do mundo ao seu redor, mas não deixando de acariciá-lo. – Aaahhhhhhhhhhhhhh...
– Seu toque... Ahhh... Mais forte... – Naoe fala alto, entre gemidos, projetando ainda mais o quadril na direção do loiro, o sêmen de Omi escorrendo suavemente de dentro dele. – Segure-o com força... Mais...
E as carícias do arqueiro em seu membro o enlouquecem, vibrando e gemendo, movimentando-se freneticamente quando se desmancha em prazer nas mãos que o seguram com firmeza.
– AHHHHH... Eu... – Nada mais consegue dizer, apenas puxando o corpo maior para que se deite sobre ele.
Omi está completamente ofegante, deitado sobre o corpo de Nagi, ainda sentindo os dedos de Hisoka se movendo lentamente em seu interior, causando mais espasmos em seus músculos, deixando-o arrepiado...
– Você quer mais? – Há uma malícia assustadora nas palavras de Nagi quando sussurra em seu ouvido.
E o modo sensual com que o Schwarz fala, instigando-o... Provocando-o... Faz o arqueiro o encarar surpreso.
– Hummm... Menino safadinho! – Sussurra contra os lábios dele, dando-lhe um selinho.
– Você não respondeu... Omi. – Hisoka diz, colocando agora três dedos dentro dele, ouvindo um gemido alto do outro loiro.
Os olhos azuis encaram o rosto de Nagi, vendo nele o reflexo do prazer que querem lhe proporcionar, respirando fundo de expectativa. Deseja demais e as carícias internas de Hisoka apenas o excitam ainda mais, mas há certo receio de entregar-se... Algo instintivo que não consegue controlar, mas que a luxúria do momento torna impossível recusar.
– Eu quero mais... – Omi geme a resposta, demonstrando puro desejo. – Sou seu...
– Então vem cá... – Sussurra Hisoka, retirando os dedos de Omi, começando a se masturbar.
Segura então na cintura dele, puxando-o levemente para trás, retirando-o de dentro de Nagi, fazendo com que Omi fique de quatro, roçando seu membro úmido, devido à excitação, entre as nádegas redondas, provocando-o até que se encaixa, começando a penetrá-lo, lentamente...
– Humm... – Sente-se preenchido pela penetração deliciosamente dolorosa no início, para ser maravilhosamente prazerosa em seguida. – É tão bom...
Move-se devagar, ondulando o quadril para sentir o membro de Hisoka tocá-lo em todas as partes que lhe dão mais prazer. Ao mesmo tempo, estando de quatro, levanta os olhos para Nagi, sorrindo maliciosamente para o pequeno, já bastante exausto.
– Ei... O que você está planejando fazer? – O telecinético pergunta um tanto surpreso.
– Oras... – Omi não quer deixá-lo de fora. – Você não quer brincar também? Sei ser safadinho quando quero.
E posicionando-se sobre o quadril do pequeno, o assassino segura-lhe o pênis, lambendo a glande, sorvendo o sêmen que ainda o mantém bastante úmido, experimentando o sabor de Nagi. Abocanha-o por inteiro, para depois mordiscá-lo de leve na ponta.
– Aahmmmm... Que delícia! – Hisoka sussurra, mordendo o lábio inferior devido à sensação deliciosa que é estar dentro de Omi, sentindo os músculos firmes dele apertando-o.
Vê o que Omi faz com Nagi e sorri, apertando mais a cintura do arqueiro, passando a língua nos lábios, ondulando o quadril contra as nádegas redondas, indo cada vez mais fundo, até colar sua pélvis no bumbum apetitoso, ficando parado por um momento, deslizando as mãos pelas costas dele, arranhando de leve.
– Você é lindo demais! – Diz roucamente Hisoka, lambendo os lábios, começando a se retirar e então volta a penetrá-lo, gemendo com o prazer que isso proporciona, repetindo de novo e de novo.
Os movimentos de Hisoka fazem o corpo menor reagir, apertando-se ainda mais, retendo-o dentro de si, provocando mais fricção quando sai, fazendo-o gemer e se mover no mesmo ritmo, ao mesmo tempo em que se delicia com Nagi, tomando-o por inteiro. Brinca com a pele macia do membro teso, passando a língua, depois os dentes, provocando leves gritinhos no garoto já muito excitado.
– Aiiiiii... Omi... Não... – Naoe já vai perdendo a razão. – Isso... Como é bom...
E as palavras o excitam ainda mais, levando o arqueiro a intensificar os movimentos de seu quadril, fazendo com que o shinigami vá ainda mais fundo.
– Ohhh... Gostoso... – Quase não consegue falar, temendo que suas pernas não suportem mantê-lo nessa posição.
– Aahmmmm... – Hisoka geme, mordendo o lábio inferior ao sentir a pressão deliciosa que aquele canal exerce sobre seu membro.
Abre os olhos de esmeralda, fitando as costas de Omi, vendo-o sugar Nagi com afinco. Segura com mais força nos quadris dele, vendo seu membro sair e entrar naquele bumbum gostoso, a visão deixando-o ainda mais excitado e acelera os movimentos.
– Ahmmm... Que delícia! – Sussurra o shinigami.
Ondula o quadril, mudando o ângulo da penetração, tocando fundo o corpo menor, roçando sempre em seu ponto sensível, descendo a mão direita, envolvendo o pênis de Omi, masturbando-o na mesma intensidade, desejando vê-lo se descontrolar.
Quando Omi sente o toque do empata, algo dentro dele desperta, aquela coisa que criou para se manter racional. Perde o controle, ondulando o quadril, tomando ainda mais o pênis de Nagi. Sente-se dividido, mas estranhamente mais inteiro do que nunca, recebendo e dando prazer com uma intensidade que faz seu mundo transformar-se! Não existem paredes ou o mundo sem esperanças de ficar juntos, uma energia parecendo expandir-se de seu peito e envolvendo todos eles. Projeta então seu quadril para trás, dando estocadas fortes, enquanto suga Nagi com força.
– Assim... Você... – O telecinético não consegue mais segurar e se desmancha na boca quente, encarando o líquido que escorre em um fino fio pelo canto da boca vermelha, retido pela língua suculenta e saboreado pelo loirinho que agora o encara, uma expressão de puro êxtase no olhar.
Hisoka está cada vez mais ofegante, o prazer sendo intenso demais, as emoções de Omi invadindo-o de um jeito maravilhoso, ao mesmo tempo em que sente o êxtase de Nagi, gemendo alto devido à sensação deliciosa que capta deles. Então se concentra no arqueiro, sentindo os movimentos fortes, indo de encontro ao corpo menor na mesma intensidade.
– Aahmmm... Vem... Vem, Omi... – Sussurra o shinigami, acelerando mais os movimentos, pressionando o membro dele entre seus dedos, incentivando-o duplamente, segurando-se para que ele alcance o êxtase antes.
– Hi-Hisoka... Ahhh... – Omi já começa a delirar, mordendo o lábio inferior para conter a onda de prazer que se apossa de todo o seu corpo. – Me possui por completo... Meu prazer é seu... Abusa do meu corpo.
Nagi percebe o estado do Weiss e se ergue o suficiente para tomar sua boca com paixão, sentindo-se correspondido, brincando com seus lábios e sua língua enquanto observa maravilhado o movimento de entra e sai de Hisoka no corpo macio e saboroso. Deixa então os lábios, descendo pelo pescoço e atacando seu ombro com voracidade.
Hisoka tenta a todo o custo se segurar, mas o prazer que sente ao ser deliciosamente apertado por aquele corpo, somado ao êxtase que vem dos outros dois, está sendo demais para ele, porém não quer vir sozinho. Abre com dificuldade os olhos, ofegante, fitando aquele pequeno anjo loiro, mordendo o lábio inferior, acelerando mais os movimentos.
– Ahmmm... Omi... Eu... Eu não estou agüentando... Ahh... – Hisoka fecha os olhos, tentando resistir, mas sentindo que está perdendo. – G-Goza pra mim... Comigo... Uhmmmmm...
– Hummm... AHHHHH... – Omi já não suporta mais, sentindo o líquido quente escorrer de seu membro e passando por sobre os dedos de Hisoka. – Eu quero... Ma-mais...
Seu corpo lateja por dentro, apertando com força o membro que o penetra com força, segurando-o, tentando evitar que o deixe. E os movimentos internos apenas eletrificam ainda mais sua pele, o toque dos dois fazendo-o gemer alto, debatendo-se entre as mãos de Nagi que agora seguram seu rosto e o beija freneticamente, e reagindo as do shinigami que seguram seu quadril fazendo-o acompanhar o ritmo de seu próprio corpo.
– Uhmmmm... – Hisoka continua estocando com força, sua mão ainda subindo e descendo pelo membro dele, as contrações do corpo menor levando-o a loucura... – Aaahhhhhhhhhhh... Omiiiiiiiiiiiii...
Hisoka se sente engolfado por todas aquelas sensações deliciosas, seu baixo-ventre se contraindo a medida que ejacula dentro de Omi, preenchendo-o por completo, não deixando de se mover naquele vai-e-vem gostoso até não ter mais forças e parar, apertando os quadris de Omi, trêmulo, sentindo-se sem forças, completamente ofegante. Retira-se de dentro dele, deitando-se de lado na cama, cansado, entorpecido... Feliz!
– Humm... Isso foi... Perfeito! – Sussurra, abrindo os olhos, levando os dedos à boca, lambendo-os.
Omi deseja falar, demonstrar a energia do que sente, mas fica absolutamente sem forças para dizer qualquer coisa, deixando-se cair entre os dois garotos, fechando os olhos a fim de guardar na mente a delícia desse momento para sempre. Move apenas as mãos, procurando as dos outros, tocando-as com carinho e segurando-as firme, sentindo como esse toque coroa o prazer, sua pele ainda eletrificada reagindo a isso.
– Não quero que esse dia acabe. – Nagi diz em um tom triste.
Hisoka segura a mão de Omi e então abre os olhos ao ouvir a voz de Nagi, erguendo a outra mão para acariciar os cabelos chocolate, sentindo a textura suave, sorrindo para ele, contente por ter compartilhado aquele momento de amor com os dois garotos de um modo que jamais achou ser possível.
– Não pense no futuro agora, Nagi... Apenas sinta o presente! – Sussurra docemente. – Aishiteru... Nagi... Omi!
– Nem sei dizer o que é isso que me aperta o peito... – O telecinético se sente estranho, como nunca antes. – Está até doendo... E pensar em vocês é tão...
– Isso se chama amor, Nagi. – Omi concorda com os dois, sentindo cada instante que ainda têm, mas desejando que nunca termine.
Abre os olhos e se senta nos pés da cama, sobre as próprias pernas, parecendo um garotinho com os cabelos desalinhados.
– Vamos fazer uma promessa... – Fala esperançoso.
– Que promessa? – Hisoka indaga com um lindo sorriso nos lábios, as pupilas verdes brilhando com genuína expectativa.
Senta-se também, uma sensação quente invadindo seu peito e ele sabe que vem de Omi, do sentimento que agora ele sente... Esperança... E o contagia de um jeito inexplicável, talvez porque já sentisse isso desde que começaram.
– No que essa cabecinha está pensando? – Nagi pensa em levantar, temendo o que vai ouvir e deixar-se envolver pela esperança, sentimento que sempre evitou.
– Hoje não podemos ficar juntos, mas... – Os orbes de safira brilham. – Não quer dizer que não temos um futuro.
Hisoka sorri ao ouvir as palavras de Omi. Ele tem razão... O fato de não poderem ficar juntos naquele momento não significa que não tenham um futuro juntos ou que não possam se reencontrar. Óbvio que não podem ficar juntos, mas... Podem pelo menos se ver por alguns instantes.
– Concordo com você. Nós temos um futuro juntos! – Diz Hisoka, erguendo a mão esquerda, pegando a direita de Omi, olhando então para Nagi, estendendo a mão livre. – Você não concorda, Nagi?
– Não sei... – Levanta-se de um pulo, levando as mãos à cabeça. – Não posso me iludir... Sempre sofro quando faço isso.
O arqueiro se levanta e o puxa para si, abraçando-o com força, olhando fixo para as esmeraldas.
– Não tema... Pode demorar, mas... – Segura-se para não chorar de emoção. – Um dia não seremos mais inimigos... Estaremos lutando um ao lado do outro... Juntos.
Hisoka sente a aflição vinda de Nagi e compreende o motivo dela... O menor sofreu tantas decepções, como não desconfiar? Como acreditar? Ele mesmo conhece bem demais esse sentimento. No entanto, não quer que aquele medo permeie a alma tão sofrida e sem pensar em mais nada, apenas abraça os dois, puxando-os para si, com força.
– Eu acredito nisso! E... No que depender de mim, lutarei para que esse futuro se torne realidade. – Diz, o coração transbordando aquela esperança... Acreditando naquele sonho. – Então... Não desista de nós... Nagi.
– Não... Juro. – Só consegue dizer isso, engolindo em seco.
O dia vai se esvaindo, o sol começando a descer, deixando claro que logo terão que se separar, mas ficam ali perdidos nessa emoção, curtindo esses últimos instantes juntos. O pôr do sol acabando com a ilusão desse quarto, ameaçando-os com a realidade que os espera no mundo lá fora. Uma realidade onde Hisoka não está vivo... Onde Omi e Nagi são inimigos e vivem da morte.
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Tóquio . Um mês depois.
O movimento da Koneko é abaixo do normal para um sábado, talvez por causa da prova de admissão que a maioria das garotas colegiais está fazendo naquele mesmo dia e isso é frustrante, já que a floricultura agitada faz o tempo passar mais depressa. Ken termina de regar as plantas, distraído em seus pensamentos e Yohji cochila com a cabeça sobre a mesa, pois a noitada com Schul acabou lá pelas seis horas da manhã, tendo vindo direto para a loja. Aya prepara alguns arranjos bonitos, com lírios brancos e orquídeas violeta, que vão enfeitar as mesas de uma festa de casamento.
Omi os observa, parado na porta, encostado ao batente. Esses rapazes tem sido sua família e foram essenciais para conseguir voltar a sua velha rotina, deixando os acontecimentos trágicos no passado. Não que vez ou outra não sonhe com o que aconteceu naquele quarto ou com a violência dos dois miseráveis naquela noite no clube.
A escola, a floricultura e as missões o ajudam a voltar a ser o Omi de antes e... Nota mais uma vez o olhar disfarçado de Aya em sua direção. Aquele olhar que agora entende, mas que ainda o aflige. Desde que retornaram de Dubai os dois jamais voltaram a falar sobre a conversa que tiveram no cativeiro e evitar o assunto não é a melhor das soluções.
– Já que está esse marasmo... – Olha para o ruivo, que entende a fuga do garoto. – Vou começar o almoço.
– Vou te ajudar. – Yohji diz com a voz mole, deixando claro que vai escapar para dormir. – Estou precisando de um café bem forte.
Os dois passam pela porta e caminham até a cozinha em silêncio, o loiro ainda pensando se sobe para o quarto direto ou realmente pára e toma um café.
– Senta aí. – Omi diz com um sorriso. – Faço pra você.
Não é preciso dizer isso mais de uma vez e logo o playboy está sentado e acendendo um cigarro. Observa o garoto se movimentando na cozinha, ligando a cafeteira e vasculhando a geladeira em busca do que fazer para o almoço. Percebe em seu jeito todo o esforço em transparecer ser o mesmo Omi de antes, mas Yohji o conhece e sabe que está longe disso.
– Como estão as coisas? – O loiro pergunta, decidido a não ouvir um dos disfarces do pequeno. – Mas trata de falar a verdade, pois sei quando você mente.
– Eu... – Volta-se, encostando-se à porta da geladeira ainda aberta. – Cada dia é uma nova luta, mas... Estou bem melhor.
Nota o frio as suas costas e fecha a porta. Pega a xícara com o líquido fumegante, coloca diante do amigo, se senta na cadeira diante dele e o encara como nunca antes.
– Posso te pedir uns conselhos sobre amor? – Omi nunca imaginou perguntar isso ao playboy avesso a compromisso.
– Claro! – Fica todo satisfeito, pois o garoto pede conselhos para ele e não para o ruivo metido a sabichão. – Sou a pessoa certa para esse tipo de conversa.
Omi não sabe se o amigo é a escolha certa, mas não pode conversar isso com Aya, com quem sempre se aconselha. Afinal, ele está envolvido no seu problema e não é justo falar com ele a esse respeito.
– Você acha que é errado alguém amar mais de uma pessoa... – Vê o olhar de Yohji deixar a xícara de café e o encarar um pouco surpreso. – Ao mesmo tempo?
O loiro fica uns instantes pensando, minutos que parecem uma eternidade para o arqueiro. Precisa admitir que esta pergunta é difícil de responder, imaginando uma forma de fazê-lo e não ser mal interpretado, como costuma acontecer.
– E por que você acha isso errado? – Responde com uma pergunta, exatamente a seu estilo.
– Ah... – Esperava uma reprimenda ou uma resposta inspirada, então a pergunta o obriga a pensar. – É que... Sei lá... Parece meio leviano, não é?
Yohji se ajeita melhor na cadeira, passando um dos braços pelo encosto, o cigarro ainda aceso esquecido entre seus dedos.
– O que você sente é amor mesmo... Ou apenas tesão? – Fixa-se no rosto completamente confuso. – Pensa nisso... Você sabe a diferença entre as duas coisas?
Os olhos azuis se perdem no vazio. Tanta coisa aconteceu nos últimos tempos e não sabe o que pensar sobre suas próprias decisões e sentimentos, as imagens daquele quarto, da tortura e de tudo sobre a vingança... Cada uma delas deixando-o ainda mais desorientado.
– Eu, por exemplo, estou envolvido em um relacionamento puramente sexual. – Kudou fala com ares de professor. – Mas também tenho uma relação de amor.
– Você? – Dessa vez a surpresa é do arqueiro. – Está amando alguém?
Tinha prometido manter segredo por algum tempo, mas precisa revelar para ajudá-lo. Sorri para o amigo, assustando-se quando o cigarro finalmente queima seu dedo. Sua reação o faz soltá-lo, mas o ajuda a despertar para a seriedade dessa conversa para o garoto.
– Eu e o Ken... Vamos dizer que... Estamos juntos. – Fica sem jeito, como nunca antes. – Estava apaixonado por ele há muito tempo e... Com você fora... Nós dois procurando o Aya...
– Mas... Você saiu com o Schuldich ontem! – Diz ainda perplexo.
– Bom... Não vou dizer que o Ken não fica mordido de ciúme por isso. Viu ele disfarçando enquanto afoga as plantas? – Um sorrisinho maldoso surge em seu rosto. – Mas eu e ele sabemos que com o Schwarz é apenas sexo... Delicioso... Mas apenas isso... Com o Ken... É amor.
– Então... Por quê? – Omi não consegue entender.
– O que faço com o maldito Schul... Não acontece entre nós dois... Entende? – Percebe que ainda há aquela expressão de dúvida. – Vamos dizer que o Ken prefere que eu faça... Puxa... Me diz que você já entendeu, senão vou ter que usar gráficos!
Omi abre um grande sorriso, contendo uma louca vontade de rir da falta de jeito do loiro. Se há algo difícil de ver, Yohji corando é uma das mais raras.
– Calma... Eu entendi. – Volta a ficar sério, analisando sua situação diante de algo tão inesperado. – E... Eu amo os três, de verdade. São diferentes e... Gosto de cada um exatamente por isso.
– O que importa é o que você sente. – Tenta não passar qualquer impressão de que o julga de alguma forma. – Então não é errado. Você está sendo honesto consigo mesmo... Está enganando algum deles dizendo que é único e exclusivo?
– De forma alguma! – Sente-se indignado pelo playboy apenas cogitar tal possibilidade.
– Um deles é o Aya, não é? – Aquela expressão maliciosa surge. – Há séculos que o ruivão está apaixonado por você, mas... Ele é teimoso demais pra admitir.
Omi se levanta de um pulo, não preparado para que as coisas ficassem tão expostas assim. Fica sem graça, abrindo a geladeira mais uma vez.
– Não precisa ficar assim... – Yohji o conhece bem demais para saber a razão de tal comportamento. – Eu sei por que sou bom nessas coisas...
– Eu sei... – Fecha a geladeira e pára ainda encostado à mesma, uma expressão triste. – Amo os três e no fim vou ficar sozinho.
– Os outros garotos eu entendo... – Teme estar se intrometendo demais em sua vida pessoal. – Mas por que não o...?
– Yotan... Ele já sofreu demais. Precisa que o amem com exclusividade... – Baixa os olhos, evitando o amigo. – Só assim pra sair da concha que criou... E eu sempre estarei dividido.
O loiro se levanta, sabendo que este é o ponto além do qual não pode ir, pois cada um decide o que fazer da própria vida. Coloca a cadeira no lugar sem dizer nada, o cansaço se apossando completamente dele, já saindo da cozinha.
– Sabe... Chibi... – Volta-se, olhando diretamente para o garoto. – Você pensa que ele é forte apenas para matar e... Esquece que ser amado é o que importa.
O loiro sai sem olhar para trás, deixando Omi aturdido diante de suas palavras. Passa pela porta e sobe as escadas, cambaleando de sono, sem notar o homem ruivo paralisado do lado de fora da cozinha.
ooOoo
O jovem arqueiro corre pelo corredor escuro, sem temer, pois ele mesmo apagou todas as luzes do prédio para tornar a ação de seus companheiros mais segura. Yohji e Ken se encarregam de colocar os explosivos e acabar de vez com esse laboratório de refino de cocaína. Com Aya está a pior parte da missão, tendo informado há poucos instantes que acabou com o gerente desse lugar, dando a ordem para Omi ir ao ponto de encontro e dar cobertura aos demais.
Sai pela porta dos fundos, caminhando concentrado até o beco onde os carros estão parados, observando qualquer movimento, cada possibilidade dos amigos serem colocados em risco. Mas quando chega ao seu objetivo se depara com a figura pequena recostada ao carro de Aya, os olhos azul-escuros o encarando irônico.
– Então vocês vão destruir mais esse negócio do seu... Do homem pra quem trabalho? – Seu rosto é frio, como em tantas outras vezes, revelando como essa sua máscara é perfeita. – Só conseguiram porque nós deixamos.
– Se vocês se sentem melhor pensando isso... – Esse desdém de Nagi o incomoda demais.
O Prodígio se move, caminhando na direção do arqueiro e parando diante dele. Os orbes dos dois garotos fixos um no outro, muitas palavras devendo ser ditas, mas apenas o silêncio reinando no beco obscuro.
– No fim sempre seremos inimigos. – O moreno diz com tristeza.
– Fizemos uma promessa. – Omi fala sem conseguir se mover. – E eu acredito que um dia estaremos lutando do mesmo lado... Afinal... Já aconteceu uma vez!
– Talvez você tenha razão. – Nagi abre um leve sorriso, quase imperceptível. – Quem sabe...
Nagi Naoe respira fundo e continua a caminhar, sem se voltar para trás, pois sabe que isso pode fazê-lo ficar e essa não é uma possibilidade. Se um dia estarão juntos defendendo as mesmas coisas, esse momento ainda não chegou e agora são inimigos. Sua garganta fica sufocada por um nó, lembrando-se do que Schuldich lhe disse sobre viver a realidade, mas nunca perder a esperança... Como ele mesmo fez há muito tempo. E... Jamais deixar o Crawford descobrir. Precisa acreditar... E como precisa.
Vê-lo se afastar é doloroso demais para Omi, mas sabe que pelo menos neste momento a realidade é esta e ambos vivem com o que têm. Abre um sorriso triste, perguntando-se se um dia podem ficar juntos de verdade. Então sente algo, voltando suas pupilas marcadas por lágrimas contidas para o telhado, vislumbrando duas esmeraldas brilhantes que o observam atentas.
O shinigami vigia a ação dos Weiss desde o início, como tem feito também com Nagi, sentindo-se mais seguro ao ver que estão bem. Encontrar os olhos brilhantes do assassino o faz estremecer.
– Você vai arranjar muita encrenca por vir ao mundo dos vivos sem permissão. – Tsuzuki surge detrás dele, claramente preocupado.
– Olha quem fala! – Tenta não parecer grosseiro com o amigo.
– Eu sei que sou um perdido! – O shinigami mais velho fica meio sem graça. – Mas assim você vai aumentar seu tempo... Como eu...
– Tsuzuki... – Não o olha, mas assim mesmo sorri, apesar de conter a tristeza que o acompanha. – Vale a pena... Nem que seja pela eternidade.
Encara Omi por um instante antes que os shinigamis desapareçam no ar. O arqueiro mais uma vez está sozinho não por opção, mas a constante de sua vida. Observa a lua alta no céu sem nuvens, pensando que o futuro se torna uma incógnita a partir dali. É então que dedos finos e longos tocam sua mão, segurando-a em seguida. Cabelos vermelhos tocam de leve a lateral de seu rosto, o corpo maior colando-se as suas costas, uma sensação boa se apossando deles, sem ser preciso que se olhem. Não estão mais sozinhos...
FIM
CARAMBA! Finalmente terminou! Nem eu acreditava que esse dia chegaria, mas aqui está o último e derradeiro capítulo dessa fic. Era pra ter terminado antes, mas minha mente elaborou essa vingança e daí a história dobrou de tamanho. Sei que ninguém vai ler, por conta da demora e do esvaziamento que aconteceu no fandom de Weiss, mas... Assim mesmo estou feliz por ter concluído um dos meus projetos mais difícil e antigo.
Dedico de coração essa fic a minha amiga querida e AMADA UKE, a doce e maravilhosa Yume Vy, que lutou contra tudo pra conseguir betá-la. Sei o quanto te custou esse esforço e isso o torna ainda mais importante. Eu jamais te substituiria como a beta, pois vc sempre foi a madrinha e inspiração dessa história. Com vc aprendi a valorizar a real personalidade dos personagens, a respeitá-los, a dissecar suas emoções e psique. Graças a vc sou a Lady Anúbis e escrevo dessa forma. TE AMO!
Agradeço a minha amiga Samantha Tiger por ter lido com carinho esses últimos capítulos, muitas vezes servindo de contraponto as minhas idéias malucas. Amei cada vez que delirou e me incentivou a continuar, quando quase desisti dessa fic antes de finalizar.
A todas as minhas amadas amigas, mesmo as que se afastaram por vários motivos, essa fic foi feita pensando em seus gostos e o seu incentivo me animou a sempre continuar.
Meu amor à minha fofa Eri-chan, não vivo sem vc, à Scheilla, Litha, Tomoe e todas as amigas que continuam ao meu lado.
Aos poucos leitores ainda existentes... Eu adoro todos vcs, corajosos leitores da autora deprimida. Mil beijos.
Espero que gostem e COMENTEM!
13 de Outubro de 2010
09:27 PM
Lady Anubis
