Capítulo oito

Enquanto Isabella conversava a sós com Antony no quarto da Casa della Nonna, Edward se sentou com os menores em volta de uma mesa para desenhar.

Sempre tinha gostado de estar com crianças e todas ali faziam de tudo para ficar com ele. Reneesme se sentou ao seu lado e, enquanto os outros lhe mostravam seus desenhos, ela apertou sua mão.

— Meu irmão fez coisa errada?

— Não, linda.

— Então por que a Bells tá brava? Ela nunca fica brava.

Através do vidro da porta, ele observou como Isabella, sentada de frente para Antony, falava com expressão séria e gesticulava muito. O jogador desviou os olhos para a menina e explicou:

— Bells não está brava. Só está preocupada com seu irmão.

Séria, Reneesme olhou para o vidro da porta, depois aproximou o rosto do ombro dele e cochichou:

— Não quero que a Bells brigue com a gente. Ela é muito boa e…

Edward se comoveu com o biquinho que a menina fez e a colocou no colo, sussurrando ao segurar seu queixo:

— Ei… não quero que minha garota chore, tá? — A criança fez que sim e ele insistiu ao ver seu rosto: — Juro que Isabella não está brava, acredite em mim, tá? — reforçou ele ao ver que ela não estava muito convencida.

— Você jura?

— Juro.

Ouvindo aquilo, a menina sorriu.

— Gosto de ser a sua garota — respondeu Reneesme, dando um beijo no rosto dele, apertando sua mão com força.

Edward ficou sem palavras, comovido pelo contato, e aceitou o beijo, sorrindo. Aquela mãozinha buscando refúgio na sua o encheu de ternura de tal forma que ficou com pena de ter que soltá-la quando Isabella terminou a conversa com Antony e tiveram que ir embora. Ao sair, Isabella prestou atenção em como Edward olhava para a menina e isso tocou seu coração. Via pena em seu olhar, uma pena que ela nunca desejou demonstrar.

Reneesme soltou Edward quando a viu e foi se enroscar em suas pernas. Isabella logo a pegou no colo.

— Edward jurou que você não estava brava com a gente. Isabella e Edward trocaram um rápido olhar e ela respondeu:

— Mas claro que não, querida, só estou preocupada, não quero que aconteça nada com vocês.

A menina olhou para o jogador, que deu uma piscadinha, e disse instantes depois:

— Sabia que sou a garota do Edward?

— Não me diga! Não sabia disso. Ipi… ipi… hurra! — respondeu Isabella, com jeito divertido.

— E sou a garota porque a namorada é você, não é?

Ouvindo aquilo, o rosto de Isabella mudou e, olhando para o jogador que tinha se surpreendido tanto quanto ela com o comentário, murmurou:

— Não, meu bem, não sou a namorada dele, sou só uma amiga.

Quinze minutos depois, por fim, puderam convencer a menina.

— O que aconteceu com Antony? — perguntou Edward quando saíram do abrigo.

Isabella apertou as chaves do carro com força e olhou Edward fixamente.

— Um imbecil do colégio se meteu com ele.

— Do que você está falando?

— Parece que hoje eles conversaram na escola sobre o que querem ser no futuro. Antony disse que queria ser médico pra curar a irmã. Pois bem, na saída, um menino com quem ele não se dá bem disse que ele nunca poderia ser médico porque era um morto de fome — respondeu Isabella, furiosa com aquele tipo de injustiça.

— Como?! — espantou-se Edward.

Entraram no carro e, colocando o cinto de segurança, Isabella continuou:

— As crianças são muito cruéis e, quer a gente goste ou não, existem alguns obstáculos que Antony e meninos como ele têm que superar. Sempre vão existir pentelhos ou filhinhos de papai para falar que eles não são ninguém pra lutar e realizar seus sonhos. Por isso Antony chegou irritado hoje do colégio. Ele se esforça pra tirar boas notas e tentar realizar seu sonho, mas então…

Edward se assustou ao ver os olhos de Isabella se enchendo de lágrimas e a abraçou, oferecendo consolo. Assim que sentiu que a respiração dela se normalizou, ele a soltou e, sem falar nada, ela deu partida no carro. Com o rosto menos tenso, Isabella dirigiu até a casa dele. Quando chegaram à porta, ela parou. Edward olhou para ela e perguntou:

— Não vai entrar?

— Não, a festinha sexual acabou. Eu te disse, esqueceu?

Ele ficou perplexo por tudo o que tinha ocorrido, mas, em especial, pela tristeza que via no olhar dela. Sem desviar os olhos, ele murmurou:

— Não estou dizendo pra você entrar e dormir comigo.

— Ah não?

— Não.

Ela deu uma grande risada e sussurrou, torcendo o nariz:

— Se você fosse o Pinóquio, seu nariz furaria o para-brisa.

Fascinado por como ela era capaz de irritá-lo e de fazê-lo rir quase ao mesmo tempo, ele a encarou.

— São sete e meia da noite. Eu só pensei que você gostaria de beber alguma coisa comigo, só isso. — Ela não disse nada e ele acrescentou: — Prometo que não encosto um dedo em você, não falo sobre nossa festinha sexual e não me insinuo. Aceita essas promessas?

Isabella finalmente sorriu e aceitou com um suspiro.

— Vamos, diga ao seu bonitão ali de Armani pra abrir o portão e eu poder guardar o carro. Mas vou embora no máximo às nove, entendeu?

Estacionaram o carro e entraram na casa. Louca lhes deu as boas-vindas do jeito de sempre: alegria, lambidas, saltos e acrobacias. Quando a cadela se tranquilizou, tiraram os casacos e os deixaram na entrada. Na cozinha, Bells percebeu que seu iogurte ainda estava ali. Pegou-o e o jogou no lixo.

— Quer uma Coca-Cola ou uma cerveja? — perguntou Edward, abrindo a geladeira.

— Uma Coca.

Isabella foi até a sala e sorriu ao ver as almofadas jogadas no chão. Edward leu seus pensamentos, mas não disse nada: tinha prometido não mencionar certas coisas, por isso se limitou a sentar no sofá. Ela se sentou na frente dele e disse, dando um gole na Coca-Cola:

— Hum… que delícia!

Edward sorriu e, admirado por tudo o que tinha acontecido naquela tarde, disse apontando para os pés dela:

— Essas botas são perigosas, sabia disso? — Isabella fez que sim e ele confessou: — Fique sabendo que hoje à tarde, na sinuca, você me surpreendeu.

— Por quê?

— Porque vi uma Isabella que não conhecia — respondeu, achando estranho ter que explicar.

— Já te disse que é melhor não me irritar, porque quando explodo, sou a pior… da pior… da pior… Posso passar de Smurfette do papai à maior bruxa do reino — sussurrou ela com um tom tentador demais e seu doce sorriso de sempre.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Claro.

— Por que você foi tão agressiva com aquele rapaz?

— O termo "rapaz" é bondoso demais para se referir àquele sem-vergonha — respondeu ela, muito séria. — Aro é uma pessoa má: usa os meninos para traficar droga. Há uns dois anos, Mikel e Teo, dois meninos da Casa della Nonna, caíram na sua rede. Tentei tirar os dois de lá de todas as formas, mas não pude competir com o dinheiro que o Aro lhes dava. E, uma noite, quando puseram fogo no meu carro…

— Puseram fogo no seu carro?! — interrompeu Edward, horrorizado.

— Sim, na frente da Casa della Nonna. Aquele episódio criou um antes e um depois e todos me obrigaram a dar o assunto por encerrado. Três dias depois, Aro estava esperando por mim fora do abrigo para continuar me intimidando. A verdade é que não consegui me conter e disse a ele que se voltasse a se aproximar de um de meus meninos, ele ia se ver comigo. O que, como você viu, aconteceu.

— Mas, Isabella, você não tem medo?

— Claro que tenho medo — respondeu com um sorriso. — Mas Antony precisa ver que alguém se preocupa com ele e, principalmente, precisa de alguém que confie nele, que acredite nele e nos sonhos dele. Hoje eu demonstrei que estava entrando na briga por ele e que, por culpa dele, poderia ter acontecido alguma coisa comigo. Sei que isso vai ficar marcado. Estou convencida de que, a partir de agora, Antony vai pensar duas vezes antes de se aproximar do Aro e de seu dinheiro fácil.

— Você está maluca, o que fez foi muito perigoso. Você sozinha não pode…

— Eu sei — interrompeu ela.

— Agora entendo por que o imbecil disse aquilo sobre queimar o carro.

— O carro é uma coisa material e não me importa. Antony é o único que me importa de verdade — disse Isabella, apertando o nariz.

Suas convicções e sua entrega deixavam Edward arrepiado. À medida que ia conhecendo-a, queria saber mais e mais sobre ela, seus princípios e seus valores. Não podia compará-la a nenhuma de suas amiguinhas ocasionais. Era impossível. Todas as outras eram umas chatas sem graça, que só pensavam em aparecer nas capas das revistas ou nas passarelas internacionais. Isabella era uma mulher que vivia com paixão e entrega, num mundo real.

— Acho sinceramente que, se as pessoas boas se ajudassem mais, o mundo seria melhor. O problema é que vivemos numa sociedade cujo slogan é "salve-se quem puder!" e podemos fazer muito pouco. E esses meninos, as crianças que ninguém quer, precisam se sentir amados. Em geral são crianças invisíveis para a grande maioria da sociedade por causa dos problemas que carregam, mas alguém tem que se ocupar deles. E, sinceramente, Edward, se posso conseguir que algum deles, no futuro, seja uma pessoa útil, vou fazer isso, porque sei muito bem do que estou falando.

— Seu pai me contou que adotou você e seu irmão Tyler.

Surpresa por aquela confidência, Isabella sorriu.

— Quando o Grande Chefe te contou isso?

— Na noite do jantar do clube ele chegou até mim e me pediu desculpas por não ter me falado antes que você era filha dele. De acordo com ele, você o proibiu.

Isabella sorriu e, depois de dar um gole na bebida, acrescentou:

— Meu irmão e eu éramos crianças como as que vivem na Casa della Nonna, crianças que ninguém quer. Vivemos com quatro famílias adotivas: casa nova, regras novas, pessoas novas… mas no fim a gente sempre voltava pro lugar de onde tinha saído.

— Por quê?

— Eu era um pouco complicada — disse Isabella de modo vago, sem querer revelar toda a verdade, nem entrar em detalhes.

— Com certeza você era uma encrenqueira e por isso te devolviam, não era? — tentou brincar Edward.

Aquelas palavras tocaram o coração de Isabella, que murmurou com um sorriso triste:

— Era sim, você tem razão, eu era uma encrenqueira que dava muitos problemas, demais, pelo visto, mas um dia conhecemos… e tudo mudou e… Não conseguiu prosseguir. Subitamente, as memórias a invadiram como uma enxurrada e ela teve que parar. Não queria chorar na frente dele, nem na de ninguém, por isso se levantou rápido e caminhou às pressas até o cabideiro.

— Preciso ir, está tarde e quero chegar em casa.

O jogador, comovido pela tristeza dos olhos encharcados de Isabella, se sentiu péssimo por ter feito o comentário. Como podia ser tão idiota? Sem demora, ele a seguiu e, quando a alcançou, pegou-a pelo braço e a abraçou. De forma dócil, ela se deixou envolver pelo abraço e agradeceu a ele. Ficaram alguns segundos sem se mover nem dizer nada, até que ele notou que ela parava de tremer e sua respiração se controlava. Sentiu culpa e vergonha por ter provocado suas lágrimas.

— Me desculpe, eu queria não ter dito essa idiotice.

— Não foi nada, não se preocupe, todos temos um passado e você não conhecia o meu.

— Sou um imbecil de marca maior, um linguarudo, não posso te ver chorando e não quero ser eu o responsável por fazer você lembrar dessas coisas tristes. Me diga que você está bem, por favor.

Isabella respirou fundo e confirmou. Engoliu o nó de emoções que travavam sua garganta e murmurou ainda sem se separar dele:

— Estou bem, é sério. Foi só uma bobagem passageira. Às vezes lembrar é doloroso demais, porque entendo tudo isso. É por isso que fico tão frustrada de pensar que outras crianças podem se sentir tão perdidas como eu me sentia na minha infância. A sensação dói tanto, que sou incapaz de esquecer.

Sem deixar de abraçá-la em nenhum momento, Edward afastou um pouco a cabeça para colocar a mão na nuca de Isabella e lhe dar um beijo carinhoso na testa. Nesse momento, ele soube que não queria deixar de tê-la por perto.

— Fique aqui esta noite.

— Não, Edward.

— Por favor, Isabella, fique comigo.

Sua voz aveludada, suas mãos ao redor dela, seu cheiro tão masculino ultrapassaram todas as barreiras que ela estava acostumada a erguer e, justo naquele dia, naquele momento, haviam desaparecido. Gostava muito daquele homem, demais, e olhandoo nos olhos, cedeu.

— Está bem, mas…

— Se não quiser, eu não te toco. Quero dormir com você.

Aquilo a fez sorrir e, apertando mais o corpo junto dele, beijou-o e acrescentou, deixando Edward sem fôlego:

— Quero que me toque e quero tocar você; quero que faça amor comigo e quero fazer com você. E por último, mas não menos importante, quero que a gente acabe com a caixa de preservativos que tem na mesinha de cabeceira.

O jogador deu uma gargalhada. Aquela era a surpreendente Isabella, a mulher que, dia a dia, estava conquistando seu coração e da qual começava a ter medo. Ela, sem imaginar em que ele pensava, pulou em seus braços para que ele a pegasse no colo.

— Ah… e quero que tire minhas botas. Você já sabe que esses coturnos são perigosos para certas partes…

Sorriram e se beijaram com paixão; seus corpos ansiando por mais proximidade. Enquanto Edward a levava nos braços até o quarto, teve uma revelação:

Isabella tinha chegado de forma inesperada, mas ele não estava disposto a deixá-la partir.

...

Isabella acordou transpirando. Aqueles suores noturnos acompanhados das câimbras a despertavam em muitas noites. Ela xingou e bateu em alguma coisa quando se mexeu. Abriu os olhos e encontrou o tórax nu e musculoso de Edward. Ficou observando-o hipnotizada na quase escuridão do quarto. Ver a tranquilidade com que ele dormia arrancou dela um sorriso cheio de ternura. Olhou no relógio da mesinha de cabeceira: 5h27. Tentou dormir, mas não conseguiu pegar no sono.

Tinha vontade de acordar Edward e continuar com a sessão de sexo. Sorriu de novo com o pensamento, mas dessa vez com malícia. Por fim, decidiu levantar e voltar para casa. Era o melhor para os dois. Sem fazer nenhum ruído, recolheu suas coisas e saiu do quarto. Vestiu-se já na sala, brincando com Louca. Colocou sua jaqueta bomber, acionou o controle para abrir o portão da rua e se enfiou no carro às pressas, dando partida para poder sair antes que o portão fechasse. Chegou em casa por volta das 6h25. Foi direto se reencontrar com sua cama: se acomodou e dormiu.

Quando Edward acordou, ficou surpreso ao perceber que estava sozinho na cama. O relógio marcava 9h50. Onde estava Isabella?

Levantou-se pelado e saiu à procura dela. Não estava na sala, nem na cozinha. Muito abalado, viu que o carro não estava estacionado do lado de fora. Mas aonde teria ido?

Pegou o celular e ligou para ela. Depois de vários toques, ela atendeu.

— Alô?

— Pode me explicar por que você saiu sem me dizer nada?

Isabella se sentou na cama, coçou o pescoço e respondeu depois de bocejar algumas vezes:

— Acordei de madrugada e não consegui mais dormir. Pensei que era hora de voltar pra minha casa.

— Mas, Isabella, pedi pra você passar a noite comigo. Você aceitou e…

Stop! — gritou, repentinamente. — Aceitei passar a noite com você, mas estou acostumada a dormir sozinha e acho que foi por isso que perdi o sono. Sabe, você se mexe muito, e…

— Eu me mexo muito? — perguntou, mal-humorado.

— É você que se mexe demais. Não parou quieta na cama nem um segundo.

— Bom, Edward, não fique assim — disse ela baixinho. — No fim das contas foi gostoso, isso que importa, não é?

Edward ficou um segundo em silêncio, sem saber o que responder. Antes que dissesse qualquer coisa, ela se adiantou:

— Olha, por regra, não fico pra dormir na casa dos homens com quem troco alguma coisa além de olhares. Não leve a mal, mas é a verdade.

Entendeu o que ela estava querendo dizer e se enfureceu. Não tinha interesse em que ela trocasse olhares com ninguém além dele, que dirá mais do que olhares. Tentando mostrar sua raiva, continuou:

— Olha, por regra, eu também não deixo que nenhum dos meus casinhos fique para passar a noite na minha cama…

— Então qual é o problema? — riu ela e, antes que ele respondesse, bocejou. — Vou indo.

— Nem pense em desligar — ameaçou.

— Tenho coisas pra fazer.

— Ei, estou conversando com você, não desligue na minha cara! Sem perder a calma, ela suspirou e disse calmamente:

— Se quiser continuar conversando, aproveite a sessão de fisioterapia da tarde, que agora tenho outras coisas pra fazer.

— Que coisas? — perguntou, irritado. Edward não estava acostumado a que mulher nenhuma batesse o telefone na sua cara e era exatamente o que ela pretendia fazer.

Espantada pela pergunta, ela respondeu:

— Coisas que não são da sua conta. Deixa de ser bisbilhoteiro!

Com raiva por sentir aquela frieza, finalmente ele mudou o tom e encerrou a conversa.

— Está bem, Isabella. Até mais. Dito isso, desligou, deixando Isabella totalmente perturbada com o interesse que ele demonstrava por sua vida. Ela foi direto para o chuveiro. Depois, enquanto secava o cabelo com o secador, se lembrou de alguns momentos da tarde/noite de sexo que teve com Edward. Sentia-se esgotada, mas feliz.

Na cozinha, preparou um café e duas torradas e abriu o móvel onde guardava os comprimidos que tinha que tomar. Leu o nome: Tamoxifeno. Pegou uma pílula e, sem pensar, tomou-a com um gole de café com leite. Quanto menos pensasse sobre o uso daquele medicamento, melhor.

Durante o resto da manhã acompanhou a mãe em alguns afazeres. À tarde, voltou para a casa do jogador. Quando estacionou, viu que ele caminhava até ela.

— Edward, o que você está fazendo sem a muleta? — repreendeu.

Mas não pôde dizer mais nada. Ele a encostou no carro e a beijou. O ímpeto daquele beijo a deixou tão maravilhada que ela fez o mínimo que podia fazer: retribuiu com paixão. Depois do ataque, ele se afastou alguns milímetros de seu rosto.

— Não volte a sair daqui sem me acordar, ouviu bem? Ela fez que sim como uma bonequinha e aceitou um novo beijo. Entraram agarrados na casa. Edward a beijou outra vez assim que fechou a porta. Suas mãos buscaram o zíper da jaqueta dela e o abriram. Incapaz de parar aquela ardente manobra, Daniela contra atacou: tirou com tanta sofreguidão a camisa vermelha que ele vestia, que lhe arranhou as costas.

Três segundos depois, estavam os dois estendidos no enorme sofá, seminus, fazendo amor. Tudo era luxúria, paixão desenfreada. Depois do segundo tempo, já mais relaxados, Daniela acariciou o cabelo dele com doçura.

— Adoro seu cabelo.

— Obrigado — respondeu, beijando-lhe a orelha. — Eu também gosto.

— Como você é convencido, principezinho! — acusou Isabella, que não evitou uma gargalhada ao ouvir a resposta dele.

— E você é a minha atacadinha — disse ele com um sorriso.

Riram juntos e ela tentou se desvencilhar:

— Vim aqui pra sua sessão de fisioterapia, Edward, não pra isso.

Ele deu um último e longo beijo, se levantou e disse, olhando-a de cima a baixo:

— Muito bem, senhorita, vamos para a academia.

— Você vai se vestir, né?

Com carinho, ele a puxou até levantá-la e murmurou perto de sua boca:

— Precisa?

Impressionada pelo rumo que as coisas tomavam, ela deu um tapa na bunda dura de Edward.

— Claro que precisa. Vamos, vista-se. Fingindo ter se ofendido, o que tornava as coisas ainda mais divertidas, ele atendeu.

— Vamos pra academia. Hora de partir pra cima do adversário. Trabalharam duro durante mais de uma hora. Estavam contentes, pois a recuperação da fratura ia às mil maravilhas e tanto ele quanto ela sabiam disso.

Edward lhe perguntou por Antony e Reneesme e ela contou tudo o que ele quis saber.

Naquela noite, quando ficou sozinho em casa, Edward ligou para seu amigo Emmett: precisava que passasse de carro para buscá-lo no dia seguinte, pois tinha uma coisa a fazer. Camuflados com bonés e óculos de sol, os dois astros do Inter de Milão chegaram a uma escola de ensino médio. Tudo estava tranquilo e Emmett, olhando para o amigo, perguntou:

— Tem certeza do que você vai fazer?

— Tenho.

— Acho que estou mais louco do que você por ter vindo até aqui. A gente não sai vivo deste lugar hoje — disse Emmett dando risada.

Edward entendeu: era uma loucura. Quando os alunos os reconhecessem seria uma algazarra só. Mas tinha algo claro: queria que todos vissem que ele, um jogador de futebol famoso, estrela titular de um clube histórico e de fama internacional, era amigo de Antony. E que, com sua ajuda ou sem ela, Antony tinha muito futuro e seria o que quisesse ser.

Cinco minutos depois, tocou o sinal e uma maré de crianças e adolescentes de idades diversas começou a sair. Edward desceu do carro com Emmett e se sentou no capô. De onde estava, embora os jovens os rodeassem, ele poderia ver Antony quando saísse. Como era de se esperar, em menos de dois minutos, uma festa se organizou quando os alunos os reconheceram.

Sorridentes, deram autógrafos e tiraram fotos com os celulares dos fãs adolescentes, até que Edward viu Antony sair. Este se surpreendeu tanto com o tumulto e a algazarra nas portas da sua escola, que ficou louco de ver que o jogador estava lhe chamando e fazendo sinal para que se aproximasse. Boquiaberto, foi até o centro da aglomeração, abrindo caminho entre seus colegas de colégio porque assim pediu Edward. Tanto ele quanto Emmett o abraçaram com naturalidade e alegria para que todos ficassem sabendo que eram seus amigos. Em seguida, os três entraram no carrão de Emmett e foram embora diante das expressões espantadas de todos.

Chegaram à Casa della Nonna, e Antony, com um sorriso enorme de satisfação, se despediu de Emmett. Quando desceu do carro, disse a Edward:

— Obrigado, cara.

Comovido pelo que lia em seus olhos, Edward sorriu e respondeu com um aperto de mão: — Quando precisar de mim é só falar, e sobre esse tal de Aro…

— Não se preocupe — interrompeu ele envergonhado. — Não vou mais chegar perto dele.

Edward aprovou com a cabeça e continuou, tirando um cartão da carteira:

— Aqui está meu telefone e meu endereço. Qualquer coisa que você precisar, me liga, tá bom?

O garoto pegou o cartão, com expressão de imensa felicidade, e depois de guardá-lo no bolso da calça jeans, disse, caminhando até o abrigo:

— Obrigado, Edward, vou lembrar disso.

O jogador entrou no carro outra vez e Emmett, brincalhão, provocou-o:

— Cara, tem um lenço de papel…? Estou tão emocionado… — E ao começar a rir, mudou o tom e continuou: — Agora posso saber o que a atacadinha está fazendo com você? Antes você me ligava pra irmos atrás das gostosas de curvas perfeitas e bocas deliciosas, agora você me chama pra ficar na porta de uma escola e levar um garoto pra casa.

— O que você disse, cara?

— O que ouviu — riu Emmett e então perguntou: — Você sabe se a atacadinha vai à festa à fantasia no sábado?

Edward ficou pensativo. Isabella não tinha voltado a falar sobre isso, mas mesmo assim, ele não estava disposto a não contar com ela.

— Ela vai. Vou obrigá-la a ir.

Emmett deu uma gargalhada. Edward se adiantou, antes que o amigo voltasse a tirar sarro:

— Vamos… me leve pra casa. Te convido pra uma cervejinha.

Naquela tarde, Isabella chegou à casa do jogador de bom humor. Antes tinha passado na Casa dela Nonna e Antony havia contado que Edward e Emmett tinham ido buscá-lo.

— Vou te encher de beijos — ameaçou Isabella assim que o viu.

— Então encha — murmurou ele contente, provocando-a com seu sorriso e chegando mais perto.

No dia seguinte, depois de uma noite de sexo maravilhosa e uma nova sessão de fisioterapia, Edward perguntou:

— Já tem fantasia pra festa de sábado? Ela o encarou surpresa.

— Que festa?

— A festa de aniversário do Emmett. Esqueceu?

— Não vou.

— Por que não?

— Já te disse que não tem nada a ver eu ir a essa festa. Além do mais, não sou muito chegada nessas festinhas de jogadores. Não é a minha praia ser objeto sexual de vocês.

Edward riu. Por que todo mundo achava que festa de jogador de futebol era só sexo, sexo e sexo? Mas estava disposto a alcançar seu objetivo.

— Eu já disse ao Emmett que você vai, ele já está te esperando.

— Como?!

Ele a puxou para mais perto e a beijou nos lábios.

— Quero que você vá — murmurou.

— Não.

— Vamos, Bells, eu quero que você vá.

— Edward, não conheço ninguém e…

— Você me conhece, que mais você quer?

Hipnotizando-a, passeou o dedo pela curva de seu rosto, e ela, com o coração a mil por hora, finalmente cedeu.

— Está bem… eu vou.


Hey meninas mais um!

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Beijos, até.