Nunca te esqueci
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 9 – Santorini
Paris, dias atuais
Kamus acabara de se sentar à mesa do restaurante em que eles sempre almoçavam, quando viu que Shaka e Mu estavam a algumas mesas de distância. Eles pareciam conversar calmamente, completamente absorvidos um pelo outro. Sim, ponto novamente para a Marin. Ela sempre falara que Mu também era a fim de Shaka! Toujours1! Como é que as mulheres sempre viam essas coisas? Claro que Shura não os deixaria em paz! Mas o que Kamus podia fazer?
Mas, estranhamente, Shura não os vira. Ele e Marin falavam somente dos dois Kyrillos mais jovens. Shura tecia os mais... óbvios elogios aos... atributos físicos de Shina. Não, ele não parecia notar que Marin era mulher e merecia respeito. E quando Marin reclamou, Shura meramente falou:
- Marin, para mim você é como um hombre!
Óbvio que eles começaram a brigar. Merveilleux2! E Kamus voltou a olhar para Shaka e Mú. Eles pareciam se entender perfeitamente. Era visível como Shaka se encontrava inteiramente absorvido pela conversa de Mú. Normalmente, Shaka os teria notado antes mesmo de passarem pela porta do restaurante. Mas, agora, ele não parecia notar mais nada além do exótico ser de cabelos lilases à sua frente. Très bien3, pensou Kamus. Shaka era seu melhor amigo e merecia toda felicidade do mundo. Que bom que ele tomara coragem e chamara Mú para almoçar. Tomara que tudo desse certo! E logo Kamus voltou a se concentrar em como Milo estivera estranho. Por que ele passara mal daquele jeito? Milo não era assim quando eles se conheceram. Ele sempre fora tão feliz! Mas Milo havia mudado. Havia algo em seus olhos. Algo que Kams não conseguia definir. E, com certeza, Kamus nunca mais o veria. Depois da forma como ele tratara Milo, era mais do que óbvio que Milo o evitaria até o final de seus dias. Mas algo que Marin falou atraiu a atenção de Kamus:
- Ah! Por que o Aioria não pode ser gentil como o Milo? Tão emburrado! Já o Milo é a simpatia em pessoa.
- O Milo?
- Bom, não só simpático... O Milo é lindíssimo, não é Kamus?
- Très beaux4 – concordou Kamus, mas ele definitivamente não estava gostando do rumo daquela conversa.
- Ele é tudo! Tipo... quase que só ele conversou comigo. O Aioria me ignorou. Você sabia que o Milo é o chefe do Aioria?
- Comment?
- É, o Aioria é um dos donos das empresas, mas ele trabalha no jurídico com o Milo. Se o escritório fechar com eles, o Milo e o Aioria vão passar uns tempos com a gente.
- Pena que a Shina não é abogada, hein, Kamus?
- Isso não importa, Shura. O que importa é que se o Aioria ficar lá eu vou dar um jeito dele nunca mais me ignorar.
Sim, finalmente a conversa voltara para o rumo certo, pensou Kamus. E o tal Aioria, quando caísse pela Marin, seria abandonado como tantos outros. Não que isso realmente importasse para Kamus. E logo Kamus parara de ouvir novamente o que Marin faria e não faria para que Aioria prestasse atenção a ela. Então Milo trabalhava nas empresas Kyrillos e tinha um caso com os acionistas majoritários! Sacré bleu! Como alguém conseguia ser tão baixo? Tudo por dinheiro. Esse parecia ser o lema de Milo. Sim, finalmente o remorso passara. E Kamus jogou para os fundos de sua cabeça a cicatriz, o pavor no olhar de Milo e seu nervosismo no elevador. Ele fizera bem em agredir Milo. Era o que alguém baixo como Milo merecia. E se um dia eles voltassem a se encontrar, Kamus faria tudo novamente. E a verdade era que isso até que seria divertido.
E, tarde demais, Kamus notou que enquanto ele se perdera em pensamentos, Shura finalmente vira Shaka e Mú e se levantara para infernizá-los. Marin fora logo atrás e Kamus, vencido, também se levantou para tentar salvar algo do encontro do amigo.
ooooooooooooooooooooooo
Desde que entrou no carro, Saga tentava convencer Milo de que eles deviam voltar para o hotel, mas Milo se recusava. Não! Kamus não devia ter o poder de alterá-lo assim. Depois de tanto tempo ele tivera outro flash back e a culpa, por óbvio, era de Kamus. Mas agora ele estava melhor, ao lado de Saga. E Milo olhou para a mão que Kamus segurara no elevador. Não! Ele tinha que esquecer Kamus. Kamus não era a pessoa que ele conhecera um dia. Ele mudara demais.
Então, Milo notou algo diferente. MdM não estava fazendo a segurança de Saga. E eles pareciam estar com menos seguranças que o normal. Realmente aquilo era estranho. Aparentemente, Kanon notou o mesmo, já que falou:
- Saga, por que não há ninguém fazendo a sua segurança? Cadê o MdM?
- Ah! Ele foi ao cemitério Père Lachaise com o Flor. O Flor queria ver o túmulo de Oscar Wilde e o MdM foi junto. O espaço é muito aberto. E você sabe como o Flor gosta do Oscar Wilde5... – era visível que Saga queria evitar aquele assunto.
- Não me interessa Saga! Quem está fazendo a sua segurança? – Kanon estava nervoso.
- Bom, o Deba e o Sorrento, já que eles fazem a segurança de vocês. E como nós três estaríamos juntos, eu achei...
- VOCÊ NÃO ACHA NADA, SAGA!
Pronto, discussão de novo! Ultimamente era uma questão de segundos antes que eles começassem a discutir. E a verdade era que Kanon tinha toda a razão. Saga, por sua vez, tentou lentamente alcançar a garrafa de água, mas acabou por desistir. Kanon, então, a alcançou e a deu para Saga, num claro indicativo que iria deixar o assunto de lado. Mas Milo não deixaria aquele assunto de lado. O que Saga estava pensando, afinal?
- Saga, todos nós precisamos ter cuidado! Você também. Você sabe que o Julian está na cidade!
- Não! Agora é você, Milo? Não basta o Kanon?
- Você sabe que o Kanon está certo, Saga! Você não pode dispensar a segurança. Eu vou falar com o MdM.
- Saco! Os dois bem que podiam sair do meu pé, não é? Há quanto tempo nada acontece?
- Não o suficiente, Saga. Acredita, vai ter que passar muito tempo antes de ser o suficiente! – disse Kanon de forma sombria.
Era mesmo impressionante como Julian Solo afetava a vida de todos! Tudo girava em torno disso. Maldito Julian Solo! Será que um dia aquilo teria fim? Mas, como sempre, eles abandonaram o assunto e começaram a discutir a reunião que acabaram de ter. Como se nada mais importasse. Realmente, com o passar do tempo, eles ficavam cada vez melhores em fingir que tudo estava bem.
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Santorini, menos de um ano atrás, 5ª. feira
Milo passara outro dia para lá de agradável em Santorini. Sim, ele sabia que aquilo não podia continuar. Ele não podia continuar a depender da família Kyrillos daquela forma. Ele tinha que voltar a trabalhar. Não é que Milo não fosse agradecido. Muito pelo contrário! Ele era extremamente agradecido. Mas ele não gostava de depender de ninguém. E ele já saíra do hospital há quatro dias. Há quatro dias ele estava hospedado na casa (não, mansão) da família Kyrillos em Santorini. Ele continuava a fazer fisioterapia duas vezes por dia, mas sua mão ainda não o obedecia totalmente.
Claro que Milo soubera que fora Saga quem cuidara de suas contas, quem decidira tudo sobre seu tratamento, quem decidira que ele devia passar esses dias em Santorini, sem voltar a trabalhar. Mas o problema era que todos pareciam sem jeito de falar sobre Saga na sua frente. Milo até ligara para Saga mais uma vez de Santorini, mas não tivera retorno novamente. Então, Milo tivera que pegar uma informação cá e outra lá. Sua secretária dissera alguma coisa. Seu chefe, quando ordenara que ele não voltasse ao trabalho, mencionara o nome de Saga. As enfermeiras, os médicos e as fisioterapeutas, normalmente, soltavam o nome de Saga entre uma instrução e outra. Milo tinha, porém, uma certeza. Ele sabia que continuava tendo pesadelos com aquela noite. E que quando isso acontecia, ele chamava por Saga. Mas Saga nunca aparecera. Então, estava resolvido. Ele tinha que voltar a viver sua vida e parar de depender dos Kyrillos. Ele precisava por um fim àquilo, voltar a Atenas e continuar com sua vida. Ele não queria ser um peso para ninguém. Oras, ele superara Kamus. Ele iria superar isso também. E talvez ele conseguisse continuar a ser amigo de Kanon. Kanon era tão mais fácil do que Saga! Mais alguns dias e tudo estará terminado!, pensou Milo sentado no veleiro para o qual eles o haviam arrastado desta vez.
Shina e Aioria conduziam o veleiro em que estavam Milo, MdM, Afrodite e Aldebaran. E Milo largara-se no sol, perdido em seus próprios pensamentos, sentindo o calor e a brisa. Mas agora as risadas chamavam a sua atenção:
- É... quando io avevo 7 anni6, o Saga prometeu que me ensinaria a velejar se eu parasse de falar em italiano alla scuola.
- Não funcionou muito, não é, Shina? Até hoje você tenta falar em italiano. – Aldebaran, sempre tirando um sarro, sorriu Milo.
- Ah! Eu nunca fui muito boa em línguas! Mas o poverino7 do Saga era convocado para se reunir com minha professoressa toda settimana8. O coitado só tinha 19 anos e vivia na mia scuola para escutar reclamações!
- Na minha ele também ia, sempre que eu me metia em brigas. – Aioria riu alto – Bom, toda semana.
- Na minha ele ia porque eu não me interessava por nada. Não que isso tenha mudado, é claro! – então Afrodite sempre fora avoado, pensou Milo.
- Ah, como il tre são parvi9 O Saga não ia a todas as reuniões. O Kanon, às vezes ia e dizia que era o Saga. E os due pegaram todas as professoras de vocês. – MdM, claro! Milo francamente fingia não prestar atenção.
- Bem que eu desconfiava de tantas reuniões...! – Aioria, sempre devagar!
– Mas eu aprendi a falar grecco e eles tiveram que me ensinar a velejar. E o Aioria virou meu parceiro.
- Tinha que ser eu, não é? O Afrodite aí, da única vez que tentou, se enrolou com as cordas.
- Ah, querido! Na Suécia não dá para velejar como aqui, não! E eu odeio trabalhar para me divertir! - ah, querido Afrodite! Tão doce e preguiçoso, pensou Milo sorrindo.
- Só jardinagem, não é belo? - por que será que MdM mudava o tom da voz quando falava com Afrodite? Ou Flor, como todos o chamavam, já que ele adorava flores.
- Mas o Aioros sabia velejar muito melhor que o Saga e o Kanon juntos! – Aioria sente muita falta do irmão! Eles sofreram muito!, pensou Milo em seu canto.
- Claro, Aioria. O Aioros fazia TUTTO melhor! – sim, a Shina era extremamente fiel a Saga e Kanon.
- Fazia mesmo, Shina, sua idiota.
- Parvo é você que não reconhece que o Saga e o Kanon fazem as coisas certas nem quando eles fazem.
- Eu acho que idiotas são os dois que vivem brigando. – Flor, claro!
Pronto! Briga de novo, pensou Milo saindo de seu lugar e indo se juntar aos outros, para ver se eles paravam logo de brigar. Impressionante! Aqueles três sempre brigavam... E, por incrível que pudesse parecer, Milo sabia que sentiria falta até das brigas dos três quando voltasse para sua vida.
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Atenas, menos de 1 ano atrás, 5ª à noite
Enquanto Saga ia para o jantar com vários funcionários para comemorar a aposentadoria do diretor jurídico das empresas Kyrillos, ele pensava no sucesso de seu esquema. Finalmente, depois de 17 dias de hospital, Milo tivera alta. E quisera voltar a trabalhar. Trabalhar! Naquele estado! Ele precisava descansar, que droga! Saga, então, ligara ao chefe de Milo no escritório e pedira (não, mandara!) que ele ligasse a Milo e o proibisse de voltar a trabalhar antes do fim do mês. E, assim, Saga arranjara para que Milo, Afrodite, Shina e Aioria fossem para Santorini. Saga realmente fizera o possível para que Milo fosse para Rhodes, já que ele lhe dissera antes de desmaiar que gostava de Rhodes. Mas em Rhodes não havia uma boa clínica de fisioterapia. E, em Santorini, além de haver uma excelente clínica, a família Kyrillos tinha uma casa. E, assim, Saga arranjara para que Milo fosse direto do hospital para Santorini, sem nem mesmo passar pela própria casa. MdM e Aldebaran foram junto, para coordenar a segurança. Afinal, Saga ainda estava receoso do que Julian dissera em seu último encontro... Ele devia ter morrido... Eu vou matar o Milo... Mas tudo parecia bem! Eles estavam em Santorini há quatro dias e, segundo os relatórios que Saga recebia, todos pareciam muito felizes e davam-se perfeitamente bem. Só mesmo o Milo para fazer com que aqueles três se dessem bem, pensou Saga sorrindo.
Saga, então, pensou no que Kanon lhe dissera. Milo aceitara bem a necessidade de depor que tentara se suicidar. E até já apresentara seu depoimento e o inquérito policial fora arquivado. Enfim, Saga desconfiava que Kanon havia minimizado o problema, mas aquele assunto era sensível... se ele e Kanon conversassem muito sobre aquilo, sem dúvida, eles iriam brigar. E Saga não queria mais brigar com Kanon.
E, assim, o jantar passou agradavelmente. Saga até mesmo fez um pequeno discurso em homenagem a seu antigo diretor (Saco! Esse era o papel de Kanon e não dele! Por que Kanon não viera?). Saga tinha quase certeza que nesta noite, após quase 3 semanas, ele finalmente iria dormir bem. Enfim, terminado o jantar, Saga estava entrando em seu carro quando aconteceu... Sorrento (seria esse o nome do novo segurança?), empurrou-o violentamente de volta ao restaurante. Saga tropeçou e caiu, entre surpreso e atordoado, batendo levemente a cabeça no chão quando alguém caiu por cima dele. Mas que diabos...? Foi quando ele ouviu um imenso estrondo, seguido por várias explosões. Quando conseguiu levantar a cabeça, Saga viu uma cena de destruição digna de um filme. Seu carro fora completamente destruído por um caminhão que batera em cheio nele. Aliás, dificilmente aquele monte de ferros retorcidos poderia ser reconhecido como um carro. Pessoas corriam para todos os lados. Gritos se faziam ouvir. Sirenes tocavam. Fumaça, muita fumaça! Destroços por todos os lados. Sons estranhos rasgavam a noite e, aparentemente, o alarme do carro ainda funcionava, pois que algo parecido tocava ininterruptamente. Georges...o motorista do carro... Pelos deuses... Ele não podia estar bem! Mas Saga não viu mais nada, pois ele foi puxado por Sorrento e mais alguém pela camisa e foi praticamente jogado no carro de trás. Dessa vez ele bateu a cabeça no vidro do carro. Sorrento entrou na frente e eles deixaram o local do acidente em grande velocidade.. Um zumbido forte ecoava em sua cabeça. E ele ainda ouvia o som do alarme ao longe. Fora tudo muito rápido!
O que foi que aconteceu?, pensou Saga enquanto o carro disparava. Ele tentava pensar em para quem ele devia ligar para saber como estava o motorista do seu carro, quando recebeu uma mensagem de texto em seu celular... "Tá vivo?"... Saga rapidamente digitou um "sim", notando que o número desconhecido era de fora da Grécia. Em poucos segundos ele recebeu outra mensagem... "Pena! Da próxima vez, então...". E seu celular tocou. Saga praticamente esperava ouvir a voz de Julian Solo, mas o que ele ouviu foi uma voz que gritava em italiano:
- Você vem para cá adesso, Saga! Adesso! Capisce10? – claro! Sorrento devia ter contado ao chefe, pensou Saga, olhando irritado para Sorrento que estava sentado na frente do automóvel.
- MdM! Está tudo bem! Não aconteceu nada comigo. Eu já saí de lá e...
- No me interessa! Já acertei tutto. O avião da empresa vai te trazer. Você vai chegar qui lá pelas 4:00hs da manhã. Adesso11 tu vai para o aeroporto de Atenas. Eu vou te pegar no aeroporto de Santorini. E anche12 Kanon. Vocês due vem para qui. E no sai da sala de espera até entrar no avião. – MdM falava rápido e aos berros. Era muito difícil compreendê-lo! E sua cabeça doía, oras!
- Mas... eu... não. O Milo... ele está aí.
- CHE NON ME NE FREGA UN CAZZO, SAGA13. Você vem para onde io possa te ver.
- E...e ... o motorista do meu carro, MdM?
- Morto, Saga. Como você podia estar neste momento. Você vem para cá! ADESSO!
E MdM bateu o telefone na cara de Saga. Ótimo! O chefe de segurança mandava nele, agora. Mas nem mesmo Saga ousava desobedecer MdM quando ele estava naquele estado. Ele era capaz de mandar todo mundo para o inferno com um dedo só. E seu telefone tocou de novo. Pelo visor, Saga viu que era Kanon. É, pelo jeito ele não dormiria naquela noite. E, resignado, Saga atendeu Kanon que imediatamente começou a gritar que iria a Santorini com Saga e que não estava nem aí para o fato de que ele não queria ver Milo. E logo Kanon perguntava se ele estava bem, se ele havia se machucado... mas Saga parara de ouvi-lo. Pelos deuses! O que acontecera?, pensou Saga novamente. Só naquele momento as coisas voltaram a entrar em foco. Alguém... não, Julian... tentara matá-lo! Seria isso? E seu motorista de tantos anos morrera. Saga sentiu um peso desconfortável em seus ombros e sentiu-se vagamente nauseado. Sua cabeça começou a latejar violentamente. Mas não dava para se entregar ao nervosismo agora! Ele precisava falar com a família de Georges, seu motorista.
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Santorini, dia seguinte, 7:00hs da manhã
Milo saíra do banho e se dirigia ao seu quarto. Cacete! Até quando aquela fraqueza iria durar? Ele estava tonto pelo esforço de lavar a cabeça e se barbear. A tal ponto que mal conseguira secar os cabelos, que caíam úmidos e revoltos por seus ombros. E o pior era ter que colocar aquele imobilizador elástico no pulso. Por isso ele acordava cedo todos os dias. Para dar tempo de tomar banho e não atrasar ninguém. Que saco! Ele odiava acordar cedo!
Milo, ofegando, entrou em seu quarto, enquanto tentava colocar o elástico sobre o pulso, mas ele teimava em lhe escapar. Sem aquilo seu pulso começaria a doer em pouco tempo. Por que ele tinha que ser tão desajeitado?
- Quer ajuda, Milo?
A voz profunda, rouca e arrastada o surpreendeu. E Milo soltou a tira elástica que voou longe. Saga! Em seu quarto e depois de tanto tempo! Milo olhou-o surpreso, sem saber o que falar. Saga estava praticamente jogado em uma poltrona perto da janela, com os cabelos soltos e despenteados, a camisa branca aberta até o meio de seu peito. Seria impressão ou a camisa de Saga estava rasgada e suja? Caramba! Milo nunca vira Saga desarrumado daquela maneira. E Milo não sabia o que falar. O que ele poderia falar depois de tanto tempo? Milo não tinha bem certeza, mas ele achava que a última vez em que vira Saga fora na noite do acidente, há mais de 3 semanas. Depois, ele só o vira em seus sonhos confusos. Mas ele sabia que havia sido Saga quem o tirara da casa de Julian Solo. Só que, desde então, Saga nunca mais aparecera. Não fora ao hospital, não ligara para saber dele, não retornara suas ligações. E agora Saga andava em sua direção, meio cambaleante, sem nada falar. E tinha um olhar indecifrável.
Milo engoliu em seco. O que ele poderia falar? Pensa, Milo, pensa. É claro! Ele tinha que agradecer. Era isso. Saga salvara sua vida. O resto era absolutamente irrelevante.
- Saga! Eu... gostaria de te agradecer. Por salvar a minha vida. Obrigado!
Saga, meio desequilibrado, abaixara-se e pegara a tira elástica no chão. Mas quando ele se levantou, Milo viu que Saga estava com fuligem no rosto. Fuligem? Saga?. Mas Saga colocava a tira no pulso de Milo, como se não tivesse ouvido o que ele falara, quando perdeu o equilíbrio. Milo foi rápido e o amparou, fazendo com que Saga sentasse em sua cama. O que teria Saga?, pensou Milo preocupado.
- Saga? Você está bem? Aconteceu alguma coisa?
- Um... um acidente, Milo. Eu ...só estou... cansado!
- Acidente? – Saga estava muito estranho, preocupou-se Milo. Sua voz estava arrastada, ele parecia confuso, cansado, e o olhava de uma forma estranha. O que podia ter acontecido a Saga?
- Eu preciso... dormir. Este...era o meu quarto,... eu acho.
- Dorme aqui, Saga. Eu mudo de quarto!
E Milo ajudava Saga a se deitar, tirando seus sapatos e aquela camisa rasgada e suja, quando Saga pegou seu pulso. Os olhos dele quase se fechavam, mas ele insistia em brigar com o sono.
- Me deixa ... ficar com você, Milo! ... Por favor!... Me desculpa...
Uma onda de emoção invadiu Milo. Saga estava estranhamente frágil, perdido e inseguro. Era como se ele estivesse bêbado, não fosse o fato de que ele não estava. Não, aquilo não combinava com Saga de forma alguma. O que teria acontecido?, pensou Milo pela centésima vez. Mas isso não importava agora! Saga não estava bem e precisava dele. E Milo faria qualquer coisa por Saga. Qualquer coisa! Ele o salvara, afinal. Tudo bem que ele sumira, mas agora precisava dele.
- Eu fico com você, Saga. Eu juro. Mas dorme agora.
Saga sorriu contente e dormiu mal fechou os olhos. Então, Shina entrou no quarto, esbaforida. Saga, por óbvio, nem se mexeu. Ele parecia ter passado do limite da exaustão.
- Ele dormiu? Eu o procurei por todos os quartos. Acho que ele não sabia bem para onde estava indo. Poverino! Devo ter colocado molto remédio para dormir no chá dele... Tomara que ele no passe mal!
- Shina! O que aconteceu com o Saga? Quando ele chegou?
- Ontem! Quer dizer... hoje. Às 5:00 da manhã, eu acho. Quando eu acordei, ele e o Kanon já estavam aqui. – Shina falava rápido e estava visivelmente transtornada.
- O Kanon também está aqui?
- Si, si! Mas eles não deixaram o Saga em paz. Eles perguntavam mil vezes sobre o acidente. E a mensagem. E depois o faziam repetir tudo de novo.
- O acidente? – mas Shina não o esclareceu, ou melhor, nem o ouviu e continuou.
- E o Aioria berrava com o Kanon e o MdM com o Aioria. E o Saga nem conseguia mais acompanhar as discussões. Ele estava cansado de dar pena. Daí eu resolvi ajudar e dei chá com remédio para o Saga.
É, a Shina tinha seus próprios meios de ajudar, considerou Milo. Por isso o Saga estava tão estranho. Ele estava dopado. Mas que acidente seria aquele? Por óbvio algo não estava bem! E Milo já ia perguntar a Shina o que acontecera, quando Kanon entrou correndo no quarto, em franco desespero. Ele andava de um lado para o outro, sem nada falar, só olhando para Saga. Ele claramente estava com dificuldade para respirar, já que era possível escutar os chiados de seu peito. Mas finalmente ele conseguiu falar alguma coisa.
- Shina! – inspira pesadamente – o que você deu para ele com o chá?
- Remédio para dormir, Kanon. Ele precisava!
- Ele – expira – está bem?
- Tá, Kanon – Milo respondeu. – Ele só está dormindo. O que aconteceu, Kanon?
- Um – inspira com dificuldade – acidente. O Julian – expira – tentou matar o Saga - inspira - ontem à noite.
- Como? – Milo falou, mas Kanon também não o ouviu. Ninguém parecia ouvi-lo naquela manhã!
- Maldito seja Julian. Ele se virou contra o Saga. Eu sabia! Eu avisei ao Saga. Eu pedi para ele não falar com o Julian... Mas o Saga acabou se expondo muito na nossa última conversa. Oh, céus!
- O Saga se expôs? – Milo não entendia, mas, por óbvio, Kanon não o ouvira novamente e continuou.
- Maldito Julian! Ele atacou as três pessoas que eu mais gosto na vida. Vocês dois e o Saga! Eu não agüento mais isso! Não agüento mais! Eu preciso fazer alguma coisa! Eu preciso! O Saga me falou, mas eu não quis ouvir! Eu sou mesmo um idiota!
A fala de Kanon estava marcada pela dificuldade em respirar que piorava consideravelmente, à medida que ele ficava mais nervoso. Mas Shina não parecia notar e olhava para Kanon, como que hipnotizada, sem nada falar. Milo, então, resolveu assumir. Fazer o que? Eles precisavam dele! Todos pareciam abalados e perdidos naquela manhã. Ele ia dar um jeito para que eles o escutassem!
- Kanon? Cadê o seu remédio?
- Eu – inspira – acho – expira – que lá – inspira – embaixo.
- Shina! Põe o Kanon para dormir! Eu já volto!
E Shina, recobrando um pouco da presença de espírito, puxou Kanon pela mão em direção a um quarto desocupado quase em frente ao de Milo. Céus! Julian tentara matar Saga? E eles continuavam a não fazer nada! Mas o que ele, Milo, podia fazer? Eles o ajudaram tanto quando ele precisara. Há algum tempo, já, Milo os considerava como sua família. Se fosse para ser assim, que fosse assim. Mas o maldito Julian parecia acabar com a vida de todos! E chegando à sala, Milo ouviu Aioria gritando com Deba... é um absurdo! E o Kanon não faz nada...E Milo viu MdM abraçado a Afrodite, como que o consolando. Ahá! Então ele tinha razão, apesar das negativas de Flor. Tinha algo lá! Mas agora ele precisava levar o remédio de Kanon. Pobre Kanon! Ficara tão nervoso que tivera outra crise de asma!
E depois ele voltaria para o lado de Saga. Saga precisava dele. Pelos deuses! E se algo tivesse acontecido ao Saga? Uma sensação desconfortável atravessou seu corpo como um raio. Não! Não com o Saga!
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Olá! Bom, para me redimir do meu desânimo recente, resolvi postar este capítulo mais cedo do que o normal! É que a Virgo-chan recebeu o impacto total da eclipse lunar em Virgem. Deve ter sido isso! Ou melhor, espero sinceramente que tenha sido isso! Bom, as histórias do passado e dos tempos atuais estão quase (quase!) se juntando.
Gostaria muito, muito mesmo de agradecer a todas que tentaram me incentivar por e. mail ou msms! Obrigada, amigas! Fico muito feliz em saber que ainda há pessoas que gostem desta fic. Enfim, desculpem meu desânimo!
Agradeço as reviews de Mussha, Boromira, Dionisiah, Litha-chan, Tsuki Torres, Lukinha, Allkiedis, Dark Ookami, Zina, Mia e Sirrah san. Muito obrigada a todas!
Beijos,
Virgo-chan
Março/07
1 sempre
2 maravilhoso
3 Muito bem
4 Muito belo
5 Por bizarro que seja, visitar o cemitério Père Lachaise é um programa turístico famoso em Paris. Entre várias celebridades, Jim Morrison, Chopin e Alan Kardec estão enterrados lá. E também Oscar Wilde, um autor considerado como o ícone gay de todos os tempos.
6 Eu tinha 7 anos
7 pobrezinho
8 semana
9 idiotas
10 Agora? Entende?
11 agora
12 também
13 Não ligo um cacete para isso, Saga.
