To com uma preguiça de digitar algo aqui, que vamos pular as notas. AUSHUAHS. Boa leitura =D


Capítulo VI

— Lady Carmem, poderíamos conversar um pouco? Gostaria de discutir meu futuro com a senhora.

— De novo? Não há nada a discutir, filha, a menos que queira falar sobre os preparativos do casamento.

O olhar de Bella estava voltado para o tapete verde da sala íntima de Carmem.

— Não tenho certeza... mas acho que não poderei me casar com Edward.

No mesmo instante, duas xícaras pousaram sobre os respectivos pires.

— Não diga bobagens. Como assim, você não poderá se casar com o duque de Masen?

— Irina tem razão, Bella. O noivado já foi anunciado nos jornais. É tarde demais para mudar de idéia.

Bella engoliu em seco.

— Talvez pudéssemos ficar noivos até o final da temporada, e então...

Irina interrompeu:

— Do jeito que as coisas estão indo, você ainda termina a temporada grávida.

— Irina!

— É a pura verdade, Carmem. Os dois já foram apanhados mais de uma vez em situação suspeita.

Carmem fitou Bella.

— Mais uma vez Irina está com a razão, Bella. Você tem permitido que meu sobrinho tome certas liberdades.

O corpo todo de Bella queimava de vergonha.

— Sinto muito. Eu nunca tive a intenção de...

— Oh, não precisa se desculpar. Tenho certeza de que Edward deve ser muito sedutor.

— Muito! — exclamou Irina.

— Irina! — Carmem olhou novamente para Bella. — Bem, o seu relacionamento com Edward não vem ao caso, querida. Mesmo que a conversa dos dois tenha sido, digamos, um pouco mais picante, você ainda está comprometida com um noivado. Desistir agora causaria um escândalo, e sua reputação estaria para sempre arruinada.

— Como se já não estivesse arruinada o suficiente com a história do Green Man! — interveio Irina.

Carmem suspirou.

— De fato isso é algo que a sociedade não vai esquecer tão facilmente, Bella. Um noivado desfeito irá manchar o seu nome e o de Edward para o resto da vida. Venha, sente-se aqui. Vamos conversar com calma. Tenho certeza de que esse seu nervosismo é comum a todas as noivas.

— Depois do que aconteceu no escritório de Edward ontem à noite, não sei por que ela ainda está tão nervosa.

— Irina, você não está ajudando em nada! — Carmem virou-se e sorriu para Bella. — É natural se sentir insegura numa hora dessas, querida.

— E agitada. Edward está tão agitado que mal consegue manter a calça abotoada.

Carmem encarou Irina e então olhou novamente para Bella.

— Realmente nunca vi meu sobrinho tão atraído por uma mulher. — Ela se apressou a continuar, antes que Irina soltasse mais um de seus comentários. — E na Inglaterra, é bem mais confortável ser uma duquesa do que uma governanta. Como esposa de Edward, você terá uma posição de prestígio e será muito rica.

— E terá muitos filhos. — Irina olhava para Bella, por cima da xícara de chá. — Pelo visto, você não o considera repulsivo. Então, qual o verdadeiro problema?

Bella estremeceu. Como poderia dizer que não queria se casar com um conquistador? As duas senhoras jamais entenderiam.

Carmem inclinou-se e tocou no braço de Bella.

— Se vocês tiveram algum desentendimento, querida, você terá de resolver. Nunca me casei, mas passei anos observando os casais e concluí que os homens nunca tomam a iniciativa de resolver as desavenças. Cabe à mulher dar o primeiro passo.

Irina assentiu com um aceno de cabeça.

— Se deixar para Edward, o problema nunca será resolvido.

— Mas...

— Não, Bella. — A voz de Carmem interveio firme. — Você tem de se casar com Edward. Portanto, se houve algum mal-entendido, fale com ele.

Irina torceu o nariz.

— Fale o quanto antes.

Bell refletiu sobre as palavras das damas. Mas como poderia abordar o tema com Edward. Certamente não era um assunto para ser tratado na mesa do café da manhã, ou durante o chá da tarde. Desde que as duas senhoras resolveram cumprir com afinco a tarefa de acompanhantes, Bella e Edward não tiveram mais nenhum minuto de sossego. E, além do mais, o que ela poderia dizer? Era esperado que os nobres ingleses se divertissem com alguma fornicação.

Mas ela não era inglesa. Não conseguia ignorar as aventuras amorosas que Edward tivera no passado e a fama de conquistador. Precisava falar com ele a respeito. Mas quando? Onde?

Todos tinham ido à ópera, com exceção de Bella e Edward. Mas ela rolava inquieta na cama, e parecia que nunca iria pegar no sono.

Cansada de virar de um lado para o outro, Bella se aninhou em uma poltrona de frente para a lareira, enrolada em um cobertor, e encarou os fatos.

Ela amava Edward. Preferia que fosse diferente, mas não era. Não imaginava mais a vida sem ele. Edward despertara nela algo que não queria adormecer novamente, e tudo que ansiava agora era pelo seu toque. Mas ansiava também por fidelidade e amor sincero.

Bella se levantou e começou a andar de um lado para o outro. A idéia de visitar o quarto de Edward causou um friozinho no estômago. Ela respirou fundo e cruzou os braços. Mas não foi o suficiente para acalmar o turbilhão de emoções.

Bella abriu a porta do quarto e espiou no corredor. Não havia sinal de viva alma. Ela respirou fundo e soltou o ar lentamente. Em algum momento, fazer uma visita ao quarto de Edward lhe parecera uma boa idéia, mas agora já não parecia tão boa assim. Por outro lado, esconder-se na cama não iria resolver os problemas.

Deu mais uma olhada no corredor. A distância entre seu quarto e o de Edward parecia enorme. Na verdade, era logo no final do corredor.

Bella se encheu de coragem e saiu. Ainda bem que as portas dos outros quartos estavam fechadas, pois o que menos queria era topar com alguém àquela hora da noite.

A maçaneta fez um leve estalo ao girar. Bella entrou na ponta dos pés. Graças ao bom Deus, não havia nenhum sinal do criado pessoal de Edward. A sombra da lareira acesa brilhava à esquerda; de frente para ela, a luz do luar se infiltrava através da janela. A cama, imensa e alta como a cama de um rei medieval, estava logo abaixo da janela; as cortinas que desciam do dossel estavam abaixadas. Na penumbra, não dava para saber ao certo se Edward estava no quarto.

Ela se aproximou da cama. Sim, ele estava lá, deitado, coberto até a cintura.

As sombras do luar brincavam sobre o belo rosto, as sobrancelhas, a linha do maxilar. Edward estava sem camisa. Era possível ver a sombra dos pêlos que encobriam o peito. Eles eram bronzeados, ela se lembrou. Será que eram macios? No Green Man ela sentira um imenso desejo de passar a mão naquele peito forte, descer sobre o abdômen e escorregar para debaixo dos lençóis. Será que poderia fazê-lo agora? Edward estava dormindo. Se fosse cuidadosa, ele nem perceberia.

Lentamente, Bella se inclinou para tocá-lo. Mas Edward levantou a mão de repente, segurando o braço de Bella. Em seguida ela estava imobilizada, de costas, com o peso dele sobre o corpo.

— Ahh! — Bella gritou, e ele a soltou.

— Bella?

— S... Sim... s... sou eu. — Ela o olhava, assustada. Mas não dava para ver nitidamente o rosto na penumbra. Será que ele estava bravo?

— Só um momento.

E no minuto seguinte, Edard acendia uma vela.

A pele dele brilhava sob a luz suave. E havia tanta pele exposta! Ombros largos e maravilhosos, costas amplas e musculosas, mas o restante, infelizmente, ainda estava escondido embaixo das cobertas.

Edward tornou a virar-se e Bella viu o peito novamente. Era incrível o que a camisa e várias camadas de roupas escondiam no dia-a-dia. Seus olhos traçaram a linha do pescoço, descendo sobre os ombros, até parar nos músculos dos braços.

— Gosta do que está vendo?

— O quê? — Bella desviou o olhar para o rosto de Edward.

— Não sabia que o simples olhar de uma mulher fosse capaz de torturar um homem.

— O quê? — Ela meneou a cabeça, tentando clarear a mente.

— Pode tocar, querida. Por favor. Sinto seu olhar em mim, mas adoraria sentir suas mãos, ou melhor, seus lábios macios.

Seria maravilhoso poder tocar naqueles pelos bronzeados e sentir a força dos músculos. Suas mãos imploravam por isso, mas Bella franziu a testa e se sentou no outro extremo da cama, distante de Edward.

De alguma maneira, porém, ele conseguiu diminuir o espaço entre ambos, e agora seu rosto estava a apenas alguns centímetros do de Bella.

— Edward, pare com isso.

— Com o quê?

— Pare de me olhar dessa maneira... Precisamos conversar.

—Tem certeza? Acho que temos coisas bem mais interessantes para fazer.

Edward se inclinou para frente e Bella recuou. Mais um pouco e cairia da cama.

— E de qualquer maneira, é você que está olhando para mim, meu amor. Não que eu me importe de mostrar qualquer parte do meu corpo que você queira ver.

Bella umedeceu os lábios, e os olhos de Edward acompanharam o movimento da língua. Ela refletiu que seria bem mais interessante se deixar seduzir e esquecer o propósito da inesperada visita íntima.

— Precisamos conversar sobre o nosso futuro — sussurrou.

— Ah. Eu adoraria falar sobre esse assunto, meu amor. Por que você não entra aqui embaixo das cobertas para ficar mais confortável?

— É melhor não. — Bella olhou para as cobertas. — Você está de calça?

Ele sorriu.

— Quer ver?

— Não, obrigada. Acho melhor eu continuar aqui mesmo.

— Mas você não está com frio?

— Na verdade, estou com calor.

— É mesmo? Então não deveria estar com a camisola abotoada até o pescoço, amor.

Edward desabotoou o primeiro botão. Bella ainda ergueu a mão para impedi-lo, mas acabou parando nas curvas dos músculos dos braços fortes. Ele sorriu, e, sem jeito, ela abaixou a mão e o segundo botão foi aberto.

Edward tocou na ponta da trança de Bella.

— Eu me lembro dos seus cabelos soltos, naquela noite, no Green Man. Castanhos e sedosos.

Bella corou.

— Estavam desarrumados. Eu estava cansada demais para fazer uma trança antes de dormir.

— Hum? — Ele soltou a trança e percorreu os dedos entres os fios macios. — Ficam lindos assim, soltos.

Em seguida, tocou no rosto de Bella e sua mão foi descendo lentamente pelo pescoço até desabotoar mais um botão da camisola. Ela o segurou pelo pulso. Não podia se esquecer que estava na cama de um conquistador. Um libertino.

Aparentemente, muito bem-sucedido, pois a estava enlouquecendo.

— Edward, você faz todas as mulheres se sentirem assim?

Mais um botão.

— Assim como, meu amor?

— Assim... quente e... inquieta.

— Esses me parecem ser os sintomas de febre. — Mais um botão. — Mas vou lhe contar um segredo. — Edward se aproximou do ouvido de Bella. — Você me faz sentir quente e inquieto, também. Talvez estejamos com a mesma doença. - Os lábios roçaram então levemente a pele macia. — Quem sabe, não tenhamos a cura um para o outro. — Ele deu um beijo na parte mais sensível do pescoço, causando um arrepio.

— Mas, Edward...

Cada vez que os lábios dele tocavam um novo ponto, uma nova onda de calor se espalhava pelo corpo de Bella. Mesmo assim, ela ainda tinha uma vaga lembrança do que a trouxera àquele quarto.

— Edward. Oh! — Dessa vez os lábios tocaram o ponto entre o ombro e o pescoço, onde a ponta da língua brincou, fazendo círculos. — Edward, sobre as outras mulheres...

Ele abriu outro botão. Só mais um e os seios estariam ao alcance das mãos dele, e todas as esperanças de Bella de ter uma conversa racional estariam perdidas. Ela o afastou com as duas mãos.

— Pensei sobre isso, Edward. Sei que o passado não pode ser alterado. Mas sou americana, não inglesa. Eu morreria se soubesse que você continua saindo com outras mulheres depois de casado comigo. Não quero dividir você.

Havia um leve sorriso nos cantos da boca de Edward.

— E eu não quero ser compartilhado.

— Não? — Bella fez o possível para conter as expectativas e o entusiasmo. — Então você desiste das outras mulheres? Dos bordéis?

— Dos bordéis? — Edward parecia chocado. — Das outras mulheres?

Ele recuou, e Bella franziu o cenho. Será que tinha entendido mal?

— Sei que estou pedindo muito e que as coisas são diferentes aqui na Inglaterra. Mas prometo recompensá-lo, Edward Só preciso que me mostre como. Não sei muito, mas estou disposta a aprender. Apenas me mostre o que você gosta. Quero satisfazê-lo.

— Isso me parece ótimo, querida, mas não estou entendendo. De onde você tirou a idéia de que eu ando com um bando de mulheres?

Bella estudava o rosto do duque com cuidado. Ele parecia confuso, não bravo.

— Não é por isso que o chamam de Monge?

Edward franziu a testa e teria dito algo, mas Bella disparou na frente.

— Riley me contou primeiro, mas até mesmo sua tia e lady Irina sabem do apelido. Lady Tânia disse que você é um famoso freqüentador de bordéis. — Bella corou. — Ela disse que você não consegue manter uma amante porque gosta de variedade.

Edward olhava, pasmado, com a mão na boca.

— Tânia disse que eu gosto de variedade? — Bella assentiu e ele cobriu o rosto com as mãos.

— Não posso dividi-lo com ninguém, Edward. — E o tocou no ombro. Ele estava trêmulo. — Sinto muito, mas não posso.

Então um barulhinho estranho escapou por entre os dedos dele.

— Você está rindo de mim?

— De você, de mim, de toda a situação. Bella, é verdade que algumas pessoas me chamam de Monge. Riley me deu esse apelido na época da universidade. Percebi que você não tinha gostado, mas imaginei que soubesse o significado.

— O significado é outro, então?

— Sim. Pensei que as pessoas tivessem até se esquecido disso. Ninguém mais me chama assim. — Ele sorriu. — Eu nem imaginava que tia Carmem e lady Irina soubessem.

— E lady Charlotte. Ela pensou que nós... que já tivéssemos dormido juntos.

Edward sorriu.

— Bem, nós já dormimos.

— Sei o que ela pensou! E acho que ela queria que eu contasse algo a respeito. — Edward assobiou.

— Talvez lady Tãnia não seja tão fria como todos imaginam! — Bella o segurou pelo punho novamente.

— Deixe lady Tânia em paz!

— Deixarei, querida, prometo. Mas é estranho descobrir que todos pensavam que eu fosse um conquistador insaciável.

— E você não é?

— De forma alguma. Sou tão virgem quanto você, meu amor. — Foi a vez de Bella se espantar.

— Você? — Edward assentiu.

— Meu lamentável apelido significa exatamente o que sugere. — Bella o encarava, atônita. Ele tinha um meio sorriso nos lábios e parecia um pouco embaraçado.

— Mas eu pensei que significasse que... Bem, pelo que todos disseram, toda a sociedade imagina o mesmo.

— Posso lhe garantir que eu talvez seja o único duque com mais de catorze anos que ainda é virgem.

— Mas como pode ser? Você parece saber muito bem como... hum... você sabe.

— Pareço? Acho que você me inspira. E certamente estou muito inspirado, agora. Você, não? — Edward se aproximou e tocou em um dos seios de Bella.

— Oh... — Ela certamente se sentia quente e inspirada. Edward ergueu-lhe a mão e beijou o pulso. Nesse instante, um raio de luz refletiu nas pedras do anel de noivado.

— Antes de comprometê-la... — Ele sorriu. — Antes de realmente comprometê-la, preciso ter certeza de uma coisa. Você ainda tem alguma dúvida com relação ao nosso casamento?

— Sim, Edward. Eu gostaria de saber por que você quer se casar comigo.

— Porque não acho que tê-la em minha cama seja o suficiente. E não quero me casar apenas por causa daquele episódio do Green Man ou porque preciso de uma esposa que possa me dar um herdeiro. — Mais uma vez ele a beijou no pulso. — Deus, não tenho dormido desde a primeira vez que a vi. Mas não é apenas por isso. — Ele a olhou diretamente nos olhos. — Preciso de você, Bella. De alguma maneira você conseguiu penetrar no meu coração e na minha alma. Não posso imaginar a vida sem você a meu lado, em minha cama, sim, mas junto de mim à mesa do café da manhã, na sala de jantar, em Masen.

— É mesmo? — Bella avaliava o rosto do duque, e tudo que via eram aqueles belos olhos cor de topázio, brilhando de sinceridade.

— Sim, é isso mesmo. Diga que quer se casar comigo, Bella. — Ela suspirou. Toda a agonia e racionalidade passaram como uma chuva de verão, intensa, mas esquecida aos primeiros raios de sol que surgiam no horizonte.

— Sim, Edward.

O belo rosto dele se iluminou.

— Então, meu amor, eu adoraria perder minha virgindade com você. — Ele a beijou, e seus dedos deslizaram para abrir o último botão. — Você não acha que se sentiria mais confortável sem essa camisola?

Bella não sabia ao certo se ficaria ou não mais confortável. Afinal, conforto não era a questão, mas sim, sobreviver. Se não sentisse o contato direto com aquele homem o quanto antes, ela pegaria fogo.

Edward tocou as pernas de Bella, e suas mãos foram subindo dos tornozelos até pararem um pouco acima dos joelhos.

Bella se contorceu. Tudo que queria era que as mãos subissem uns poucos centímetros a mais. Ela tocou nos ombros fortes de Edward e sussurrou:

— Por favor.

— Por favor? Faço qualquer coisa que você quiser, meu amor.

E suas mãos se moveram e tocaram o local que ardia por ele. Então, ele finalmente tirou a camisola, atirando-a sem destino, num canto qualquer.

— Bella, você é linda...

Edward tomou-a em seus braços e a trouxe para perto de seu corpo nu, embaixo das cobertas. Ondas de um calor ardente percorriam o corpo dela, enquanto seus seios eram tocados por mãos gentis.

Bella arqueou. De repente sentia-se selvagem, sem vergonha de mais nada. Ela o desejava mais que tudo. Arfante, suas mãos tocaram então nos cabelos, nos músculos das costas, das nádegas de Edward.

Um dos dedos dele tocou o ponto úmido e quente entre as pernas de Bella, e ela se entregou, abraçando-o com fúria. Sucessivas ondas perpassavam seu corpo, espalhando fogo em seu sangue, até finalmente tudo se acalmar e restar apenas uma sensação de paz e tranqüilidade.

Bella fitou o rosto de Edward e sentiu a tensão do corpo másculo quando ele se deitou sobre ela. Então, algo quente e sólido a tocou no exato local onde os dedos de Edward haviam estado, e logo em seguida a penetrou. Ela se contraiu por um instante, e depois relaxou os músculos devagar, conforme o prazer retornava, substituindo a dor aguda e breve.

— Bella. — A voz não passou de um sussurro rouco. — Você é doce... Muito doce.

O suor deixava as costas de Edward escorregadias, e as mãos de Bella deslizaram pela espinha, descendo. Ele ficou cada vez mais ofegante e começou a ir e vir, em movimentos ritmados, até que algo quente fluiu para o interior de seu ventre, antes de ela sentir o peso do corpo de Edward relaxando sobre o seu.

Bella mal conseguia compreender o que tinha acontecido, mas se sentia profundamente feliz. Não queria que Edward se movesse. Quando ele o fez, o ar ficou frio sobre sua pele suada, e ele a abraçou, trazendo-a para perto de si.

— Desculpe se a machuquei.

— Não foi nada. — Seus dedos acariciavam os pelos do peito dele.

— Rompi a sua virgindade. Da próxima vez prometo que não vai doer mais. — Fez um afago nos cabelos de Bella. — Ainda hoje conseguirei uma licença especial para nos casarmos. Quero me casar com você o mais rápido possível.

Bella sentiu o rubor subindo.

— Por que a pressa?

— Existem pelo menos três razões para apressarmos o casamento. A primeira é que não planejo dormir sozinho novamente e tia Carmem pode não gostar da idéia de você se mudar para o meu quarto sem a bênção divina. E eu não vou me esconder pelos corredores de minha própria casa.

Bella se mexeu.

— Eu é que deveria estar me movendo no corredor para voltar ao meu quarto, Edward. Que horas são? — Edward a puxou para mais perto de si.

— Você não vai a lugar algum.

— Mas já deve estar amanhecendo. Logo os empregados estarão andando pela casa.

— Os empregados ficarão muito contentes se a encontrarem em minha cama, Bella. Eles não querem que Riley se torne o duque.

— Bem, acho melhor eu vestir minha camisola, pelo menos.

— Você está muito bem assim. Vá se acostumando a dormir sem roupa.

— Edward!

— O segundo motivo para nos apressarmos — ele prosseguiu, ignorando os protestos de Bella —, é muito mais importante. Lembra-se de quando você me perguntou se poderia estar grávida por causa daquela noite no Green Man?

— Eu não sabia muito sobre o assunto. — Edward riu e tocou no ventre de Bella.

— Bem, é possível que agora você esteja grávida.

— É mesmo? — Bella não sentia nada de diferente.

— Sim.

— Após uma vez, apenas?

— É raro, mas pode acontecer. Riley sabe disso, também, assim como tenho certeza de que ele sabe que não pretendo me limitar a uma única vez. E esse é o terceiro motivo pelo qual precisamos nos casar. Não sei o que Riley será capaz de fazer. Se algo me acontecer, quero que você assuma tudo. Se estiver grávida, quero que nosso filho seja reconhecido como meu herdeiro.

Bella supôs que deveria se sentir alarmada, mas na verdade sentia-se segura e aquecida nos braços de Edward. Era difícil raciocinar com clareza numa situação como aquela. Apenas algumas horas antes ela estava em seu quarto, criando coragem para enfrentar Edward, e agora estava nua com ele na cama, depois de ter passado por uma experiência maravilhosa.

Ela, que tinha levado uma vida solitária, estava prestes a ter um marido, uma irmã, uma tia, e, quem sabe, um bebê. Uma nova vida que ela e Edward iriam construir juntos.

Após muita insistência, carícias e beijos, Bella conseguiu convencer Edward de que seria melhor ela retornar para o seu quarto e no dia seguinte eles dariam a boa nova a todos.

Sua cama parecia pequena agora, e dormir sozinha parecia algo impossível.

Bella entrou embaixo das cobertas e recostou a cabeça sobre o travesseiro, e em minutos, acabou fechando os olhos e adormecendo. Na verdade, estava muito mais cansada do que imaginava.

— Oh, senhorita, espero não tê-la acordado!

Bella ergueu a cabeça do travesseiro e apertou os olhos para a luz do sol que penetrava pela janela. Certamente era bem mais tarde do que estava acostumada a levantar.

— Que horas são, Angela?

— Quase meio-dia, senhorita. A casa está uma confusão, e ninguém sabe o motivo além de Ben, o criado pessoal do duque, mas esse não vai contar nada.

Bella se espreguiçou. Sentia uma dorzinha num ponto exato entre as pernas, mas, fora isso, sentia-se a mesma de sempre. A mesma, mas um pouco diferente.

— Trouxe um chá com biscoitos para a senhorita.

Bella se sentou. Será que Angela teria como perceber que ela não era mais virgem?

Aparentemente, não. A criada continuou tagarelando como costumava fazer todas as manhãs.

— Tem flores pela casa toda, senhorita, e todo tipo de comida está chegando. Tive de impedir a srta. Alice duas vezes de bater à sua porta. Ela estava ansiosa para lhe perguntar se a senhorita sabia o motivo de toda a confusão. Nem mesmo lady Carmem e lady Irina sabem. Sua Graça está fazendo tudo sozinho.

— O duque está em casa? — Bella sentiu um friozinho no estômago ao pensar em Edward.

— Não. Se estivesse, pode ter certeza de que as senhoras já teriam descoberto o que está se passando.

Bella tomou um gole de chá. Estava quase certa de que sabia o motivo de toda a confusão, mas achou melhor esperar por Edward para encarar a todos.

— Eu gostaria de tomar um banho, Angela. — A criada sorriu.

— Sua Graça deixou ordens para prepararmos o banho assim que a senhorita acordasse. Mandarei trazer a água.

Bella permaneceu na cama, mordiscando um bolinho enquanto as criadas preparavam o banho.

— A senhorita precisa de ajuda?

— Não obrigada, Angela — Bella respondeu assim que as outras saíram.

Ela esperou Angela sair e só então se levantou. A camisola tinha uma mancha de sangue nas costas. Talvez, quando recolhessem a roupa para lavar, pudessem confundir com o ciclo mensal, mas Edward teria problemas para explicar a mancha no lençol. Por outro lado, se casassem naquele mesmo dia, nada mais teria importância.

Bella enxaguou os cabelos e torceu-os para a água escorrer, então enrolou uma toalha na cabeça, vestiu um robe e foi se sentar numa poltrona junto à lareira.

Só de pensar em Edward todo o seu corpo se aquecia. Quando ele a penetrou, quando ela o sentiu dentro de si, quando sentiu um jato quente no interior do ventre, ela se sentiu conectada a ele de uma maneira totalmente nova e inusitada. Bella pousou as mãos sobre o ventre. Será que estava esperando um filho?

A porta do quarto se abriu.

— Aí está você! — exclamou Alice. Bella riu.

— Onde mais eu poderia estar?

— Em qualquer outro lugar! Já passa do meio-dia, sabia, e você ainda está secando os cabelos. — Alice se sentou na outra poltrona perto do fogo. — Eu estava louca para entrar aqui para lhe perguntar o que está acontecendo, mas Angela não me deixou passar até que você acordasse. Ela disse que Edward tinha dado ordens para que ninguém a incomodasse. Mas por que Edward disse isso?

Bella corou e se virou para o fogo rapidamente, na esperança de que Alice pudesse atribuir o rubor ao calor da lareira.

— Não faço a menor idéia.

—Pois eu acho que você faz, sim. Edward estava muito ocupado para me acompanhar à ópera, ontem, e hoje de manhã ele deixou ordens para não incomodá-la e para prepararem um banho assim que você despertasse. Somando as flores que invadiram a casa toda aos entregadores de comida e tudo que se pode imaginar, eu diria que algo muito significativo aconteceu esta noite.

— Por que não pergunta a Benjamim?

— Já perguntei. Tia Carmem já perguntou. Até mesmo lady Irina. Mas Benjamim só diz que "Sua Graça logo voltará para explicar o que está acontecendo". Ele não diz nem para onde meu irmão foi nem a que horas voltará. Por isso vim lhe perguntar, Bella. Vamos, conte para nós. O que aconteceu entre você e meu irmão?

— Hum... — Bella sorriu para Alice. — Logo o duque estará em casa.

Alice jogou um travesseiro, e Bella riu, agarrando-o no ar.

— Estou interrompendo algo?

Bella virou-se para ver Edward recostado no batente da porta, sorrindo.

— Finalmente! — Alice se ajoelhou na poltrona e se inclinou sobre o espaldar para olhar para o irmão. — Por onde você andou?

— Aqui e acolá.

O olhar de Edward estava fixo em Bella, deixando-a sem fôlego.

— Isso não é resposta — protestou Alice. — Conte-nos qual é o motivo de tantas flores e a comida que está sendo entregue.

— Oh, acho que Bella sabe o motivo. — Edward sorriu.

— Mas eu não sei, portanto me conte logo, Edward! — Ele riu.

— Paciência, irmãzinha! Por que não desce e se junta à tia Carmem e lady Irina, na sala de estar? Bella e eu desceremos em um minuto e então contaremos o que está se passando. — Edward olhou para Bella e abriu outro de seus belos sorrisos. — Bem, talvez não tudo.

Bella sentiu o rosto arder.

— Não vou deixá-lo aqui sozinho com Bella — disse Alice. — Ela está usando um robe apenas, Edward. Não seria decente.

— Eu percebi.

Alice se levantou e segurou o irmão pelo braço.

— Vamos. — Saiu, puxando-o para fora do quarto. — Se o levar para baixo, tenho certeza de que Bella descerá logo. Não demore, Bella — ela falou por sobre o ombro —, ou tia Carmem, lady Irina e eu seremos capazes de torturar o pobre Edward até que ele nos conte tudo.

— Prometo não demorar — Bella respondeu, rindo ao fechar a porta.

Ao descer, Bella ficou espantada ao ver como a casa toda estava diferente. De fato, havia flores por todos os lados, no hall de entrada, sobre os balaústres, sobre as mesas. Ela respirou fundo. O ar tinha um agradável perfume de verão.

Carmem estava sentada ao lado de um enorme vaso de rosas, na sala de estar.

— Finalmente. Talvez agora saibamos por que Edward esvaziou todas as floriculturas de Londres.

— Pensei que a senhora já tivesse adivinhado, tia. — Edward moveu um vaso de violetas sobre o aparador da lareira.

— Tantas flores só podem significar duas coisas: um funeral ou um casamento — interveio Irina.

— Precisamente. E uma vez que, apesar da vontade de Riley, não planejo morrer tão cedo, a conclusão é óbvia.

— Nem tanto. — Carmem franziu a testa. — Com quem exatamente você irá se casar? Quando saímos para a ópera ontem à noite... não preciso lembrá-lo que você não nos acompanhou... acho que Bella ainda estava com a idéia fixa de se tornar governanta, não duquesa.

Edward removeu um fiozinho da manga do paletó.

— Bem, acabamos resolvendo nossas diferenças.

— Não vejo como isso pode ter acontecido. Bella esteve na cama todo o tempo, não esteve?

— Acho que a pergunta, Carmem, é "na cama de quem?" — observou Irina, perspicaz como sempre.

— Hum. — Carmem olhou para Edwars e em seguida para Bella, que fez o que pôde para ficar de cabeça erguida, apesar de sentir o rubor lhe subindo pelo rosto.

— Bem, não importa como aconteceu, acho simplesmente maravilhoso! — Alice quebrou o gelo, abraçando primeiro o irmão e depois Bella. — Quando será o casamento?

— Hoje à noite. — Edward sorriu.

Foi uma cerimônia simples, que agradou, e muito, a Bella. Somente pessoas da família e amigos íntimos foram convidados: Carmem, Irina, Alice, Jasper e Emmett. Bella se lembrava de alguns detalhes com clareza: de Mike sorrindo ao abrir a porta da sala de estar para ela entrar de braço dado com Jasper; de Edward tomando sua mão em seguida, e do anel de noivado brilhando em seu dedo; do rosto de tia Carmem com os olhos marejados e um sorriso nos lábios; e dos cabelos bronzes de Edward refletindo à luz das velas, do brilho dos olhos cor de topázio, emanando amor.

Bella tentou prestar atenção às palavras do sacerdote, mas sua mente só queria pensar em Edward. Ela sentia o perfume do homem ao seu lado, o calor emanado pelo corpo juntinho ao seu. Se olhasse pelo canto dos olhos, poderia vê-lo, vestido elegantemente, prestando atenção a tudo que estava sendo dito. Mas se fechasse os olhos, o veria de outra maneira bem menos civilizada, sem todas aquelas roupas. Pois agora ela sabia como Edward era ainda mais belo quando estava nu. Sabia como era sentir o calor do corpo dele junto ao seu. Seus joelhos bambearam quando ele pegou sua mão. O toque suave significava tanto uma segurança como uma promessa.

Na sala de estar, após o jantar, tia Carmem sorriu e se inclinou na direção de Bella.

— Edward parece muito feliz, querida. Nunca o vi tão contente.

Bella olhou para o marido, que conversava com Emmett, perto da lareira. Ele parecia feliz, de fato. Toda a tensão que estivera em seu rosto nos últimos dias tinha desaparecido. Ele devia ter percebido que estava sendo observado, pois deu uma olhadinha e sorriu. Bella baixou o olhar, encabulada.

— Para mim ele parece muito mais do que feliz, Carmem — Irina comentou. — Acho que nesta noite você não vai querer se demorar muito aqui embaixo, não é mesmo, Bella?

Bella se safou de responder à pergunta mais que indiscreta com a chegada do chá.

— Riley não vai gostar nada de ler nos jornais de amanhã a notícia do seu casamento, Edward — Emmett disse ao aceitar a xícara que Bella lhe oferecia. — Presumo que tenha mandado colocar nos jornais.

— Nem é preciso. — Jasper recostou na poltrona e esticou as pernas. — Somente um cego e surdo não teria percebido a movimentação por aqui.

— É verdade. Mas ainda que ele saiba algo, ler a notícia no jornal da manhã será um tanto indigesto — Edward estava ao lado de Bella enquanto ela terminava de se despedir — Se isso colocasse um fim a esta história, eu não me importaria, mas temo que a novidade leve meu primo a tomar uma atitude desesperada.

— Certamente Riley irá se dar conta de que não pode fazer mais nada — Carmem interveio. — Vocês estão casados. O que mais ele pode fazer?

— Essa é a grande questão — respondeu Edward.

— Pois eu sugiro que você o encoste na parede, Edward, e coloque um ponto final — Emmett opinou. — Arme uma cilada, como costumávamos fazer com algum soldado suspeito de traição. Apanhe o sujeito no ato. Você consegue. Basta colocar a isca certa.

— Não sei se isso funcionará, Emmett. Riley já tentou me matar várias vezes, mas sempre contratou alguém para fazer o serviço.

— Talvez, agora, ele esteja desesperado o suficiente para fazer ele mesmo, especialmente depois do sumiço de Black. O homem já deve estar na América a uma altura destas.

— Não sei, não. — Jasper balançou a cabeça. — Concordo com Edward. Não acho que Riley irá se expor.

— Talvez... — Bella tomou um gole de chá na ânsia de molhar a garganta seca. — Talvez haja outra isca além de Edward que possa ser usada para atrair Riley.

Emmett franziu a testa.

— O que você quer dizer?

Bella ouviu o som da respiração profunda de Edward antes mesmo de ela continuar.

— Riley não tem medo de mim.

— Absolutamente, não! — Edward quase gritou as palavras.

— Mas isso pode funcionar. Não represento uma ameaça física para Riley.

— Não permitirei que você arrisque sua vida.

— Não sei, Edward — Emmett interveio. — Se tomarmos as devidas precauções...

— Nem pensar. Essa hipótese está totalmente fora de questão. — Edward colocou a xícara de chá sobre a mesa. — Agora se nos derem licença, acho que já é hora de nos recolhermos.

Edward conduziu Bella escada acima. A idéia de expô-la às garras de Riley o fazia sentir vontade de sair do próprio corpo.

— Edward, podemos ir mais devagar? Estou com medo de tropeçar.

Edwdar parou.

— Desculpe. Estou um pouco aborrecido.

— Percebi. — Ela acariciou o rosto do marido. — Vamos dormir e, quem sabe, amanhã, tenhamos uma solução melhor.

— Ótima idéia. — Edward subiu mais um degrau. — Só tem um detalhe. Não pretendo dormir esta noite.

— Não?

— Não.

Continua no Capítulo 7 ...


P.S: A fic ta na reta final :( Faltam pouquíssimos capítulos para o final.