Capítulo 08 - Rin
"Eu não acredito que estou aqui de novo."
Rin suspirou longamente ao parar em frente ao prédio.
A última vez que encarou aquela placa de bem-vindos ele estava indo embora, pisando forte e praguejando em japonês e inglês enquanto se dirigia para o apartamento de Nagisa. Retornar para aquele lugar o fazia sentir-se parcialmente derrotado, como alguém que não fosse capaz de manter suas promessas. Eu disse que não queria voltar a vê-lo mais e cá estou. Eu não deveria ter dado ouvidos ao Makoto. Ele sempre coloca aquele sorriso e pisca aqueles olhos verdes e ninguém consegue dizer não. Rin coçou a cabeça, bagunçando os já bagunçados cabelos ruivos e caminhando na direção da entrada.
Aqueles passos, ao contrário dos anteriores, foram curtos e bem vagarosos. Ele havia ligado no caminho para avisar que gostaria de conversar, então sua companhia tinha conhecimento de sua chegada. Sousuke vai me olhar de cima, sentar e ouvir a tudo como se fosse detentor de uma verdade óbvia, enquanto eu vou parecer um idiota me estressando com cada pequena pausa. A imagem mental o fez apertar as mãos, soltando vários tsks e ponderando se não teria sido melhor deixar essa conversa para o final de semana. Algumas pessoas o cumprimentaram pelo caminho e quando chegou ao corredor que procurava ele precisou ser forte para simplesmente não dar meia-volta.
Sousuke abriu a porta e os olhos que o encararam foram exatamente os mesmos. O ruivo entrou pedindo licença e engolindo seco por ver o cômodo que havia abrigado muitas de suas lembranças favoritas. Antes daquela discussão tudo estava perfeito. Aquelas semanas foram como um sonho. O barulho da porta sendo fechada o trouxe de volta à realidade. Os dois se encararam e o moreno fez sinal para que ele se sentasse na cama, à medida que ele se acomodava na cadeira da escrivaninha. Rin sentou-se e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, escondendo o rosto nas mãos e respirando fundo. Só havia uma maneira de começar aquela conversa e seria com a mesma pergunta que iniciou todo o problema.
"Eu vou ter de perguntar novamente, Sousuke," ele ergueu os olhos e tentou não se irritar, "você vê um futuro para nós? Quando você pensa em como será sua vida em cinco, dez anos, você me vê ao seu lado?"
A primeira vez que aquelas palavras deixaram seus lábios foi no final da tarde da última sexta-feira. O contexto, claro, era bem diferente e ele não estava sentado e desconfortável naquela cama, mas deitado e seminu, um fino lençol cobrindo seu quadril e as marcas dos dedos do amante. Eles haviam acabado de fazer sexo pela segunda vez e seu corpo pedia uma relaxante ducha. Sousuke estava sentado no chão, vestindo aquela sensual roupa de baixo preta que Rin adorava, por marcar suas curvas e deixá-lo ainda mais estonteante. A conversa iniciou-se trivial, os dois falaram inicialmente sobre natação e um assunto levou a outro, até o ruivo comentar que gostaria de nadar ao seu lado, como membros de uma equipe.
"Você já está 100% e seria uma excelente adição, Sousuke."
O moreno nada disse, dando um longo gole em sua garrafa de água e encarando o outro lado do quarto.
"Eu não pretendo ir para a Austrália. Se eu nadar profissionalmente será aqui no Japão."
"Nadar internacionalmente te dará mais visibilidade, mas não precisa ser na Austrália," Rin compreendia, mas não se referia unicamente à profissão, "se nadássemos juntos poderíamos nos ver sempre e não algumas vezes por ano."
"Eu realmente não me importo," Sousuke ficou em pé e o olhou de cima, "se não nos vermos com frequência."
E estava feito.
Aquelas poucas palavras foram o estopim de uma discussão curta, porém, acalorada e que foi capaz de expor como ambos pensavam de maneiras diferentes sobre o mesmo assunto. Algo que eu vinha martelando há meses na minha cabeça simplesmente não teve a menor importância para ele. Eu sempre questionei o que faria, o que eu precisaria sacrificar para poder vê-lo mais do que meras semanas por ano e de repente Sousuke jogou no lixo todos os meus sentimentos. Eles discutiram, gritaram e com uma velocidade impressionante Rin vestiu-se, enfiou as roupas dentro das malas e deixou o dormitório sem olhar para trás ou deixar qualquer aviso. Ele estava irritado, bravo e decepcionado. Então por isso ele nunca fez questão de me visitar na Austrália...
A resposta anterior de Sousuke foi um irônico "Você realmente se via comigo em dez anos, Rin?", que não se repetiu pela segunda vez. A pergunta foi feita sem a irritação de outrora, no entanto, a escolha das palavras foi igual. Ambos se encararam e o ruivo permaneceu imóvel, sabendo que aquela conversa poderia decidir o rumo daquela relação. Eu passei um bom tempo pensando nisso e de nada adianta manter algo que está fadado ao fracasso. Dependendo da resposta que ele me der eu colocarei um fim em tudo. Seu coração se tornava apertado ao imaginar-se tomando aquela decisão, contudo, Rin havia prometido seguir sempre em frente e estar com alguém que não via um futuro ao seu lado era a melhor definição que ele conhecia para perda de tempo.
"Eu não sei," Sousuke desviou os olhos e encarou as próprias mãos, "muita coisa pode acontecer em cinco anos."
"Eu sei e não foi isso o que eu perguntei," ele manteve a voz séria. Rin não estava ali para brincadeiras e meias-respostas. "Eu quero uma resposta sincera, Sousuke. Você não precisa se preocupar em magoar meus sentimentos, porque você já fez isso."
Os olhos verdes se ergueram e Rin viu claramente quando o moreno engoliu seco. Sua postura mudou e o olhar distante transformou-se na ternura que ele tanto amava.
"Desculpe..." o amante quase sussurrava, "por te machucar, não foi minha intenção. A verdade é que aquela conversa me pegou de surpresa e eu me senti pressionado."
"Em nenhum momento eu tive a intenção de te pressionar, Sousuke. Eu estava genuinamente querendo saber a sua opinião sobre nós, já que nunca falamos sobre isso."
"Eu sei, mas você começou a fazer planos e de repente foi como se voltássemos àquele último ano." Sousuke cobriu o rosto com uma das mãos. "Eu senti como se nunca fosse capaz de te alcançar, assistindo você se afastar e sem poder fazer nada além de encarar suas costas. Você foi para a Austrália e eu te apoiei, como te apoio em tudo o que faz, mas eu não quero ir para lá porque sentirei como se estivesse mais uma vez seguindo os seus passos quando tudo o que eu mais quero é caminhar ao seu lado."
"Sousuke..." Os olhos escarlates se arregalaram e o arrependimento por ter perdido a cabeça no meio da discussão o atingiu fundo. "Eu não sabia que você se sentia dessa forma, você nunca disse nada."
"Claro que eu não diria, é um segredo." ele esforçou-se para sorrir. "Como eu poderia dizer ao meu amante que me sinto inferior?"
"Você não é inferior!"
"Mas é assim que eu me senti quando você começou a planejar o nosso futuro."
"Desculpe..." Rin ouviu a voz de Makoto em sua mente afirmando que tudo se resolveria se conversassem. "Mas eu não sabia como tocar no assunto. Eu queria falar sobre nós, mas achei que fosse o único que pensasse nessas coisas. Eu me enfureci por acreditar que você não se importava."
"Se eu não me importasse eu não estaria aqui hoje," Sousuke suspirou. "E claro que eu penso sobre nós ou eu não me sentiria inseguro. Eu sou apaixonado por você desde que éramos crianças. Não é algo que eu possa desligar dentro de mim."
Ele corou tão intensamente que sentiu como se seus neurônios houvessem evaporado. Aquela confissão tão direta, e depois de uma discussão em que sentimentos foram colocados à prova, foi totalmente inesperada. Rin gaguejou, moveu as mãos e tentou entrar novamente no assunto, entretanto, tudo o que conseguiu foi esconder o rosto e esperar que seu pobre coração se acalmasse. Ele não ouviu o amante levantar-se, mas percebeu quando ganhou companhia na cama.
"Desculpe, está bem?" Um forte braço passou por seus ombros, trazendo-o para perto. "Por ter te magoado. Era a última coisa que eu queria."
"Você é bom nisso," ele o espiou pelas frestas entre seus dedos, ainda sem coragem para encará-lo diretamente.
O moreno era e sempre seria um mistério. Normalmente ele vivia sem expressão (não tanto quando Haru, claro) e seus olhos pareciam apenas observar. Sua comunicação não era das melhores, todavia, quando menos se esperava ele se mostrava a pessoa mais gentil e atenciosa do mundo, que te surpreendia e, como naquele momento, fazia-o sentir-se idiota por não ter conseguido ler suas entrelinhas.
"Agora eu me sinto mal por termos brigado, sendo que poderíamos ter resolvido tudo como fizemos agora."
"Foi você quem saiu sem dizer nada." Sousuke tornou-se sério. "Eu liguei para sua irmã e ela disse que você não estava lá e para piorar você não atendia minhas ligações..." Os olhos verdes se tornaram pequeninos. "Nanase me avisou que você ficaria no apartamento de Hazuki."
"Haru te ligou?" Aquilo era novidade.
"Não, ele me enviou uma mensagem." Aquela parte foi dita a contragosto. "Você poderia ter me avisado pelo menos. Eu fiquei preocupado e soube do seu paradeiro justamente através de Nanase..."
"Desculpe..."
"Onde você tem dormido?"
"Em um futon." Rin juntou as sobrancelhas. Aquele interrogatório batia de frente com seu senso de liberdade, mas por que ele não se importava? Por que o questionamento de Sousuke o fazia sentir-se tão amado?
"Hm... e Nanase?"
"Ao lado."
A informação obviamente não o agradou e o moreno o encarou como se procurasse por algo em seu rosto.
"Alguma coisa aconteceu nesses dias?"
"Eu acho que Haru finalmente está se entendendo com Makoto," O ruivo sorriu ao lembrar-se do beijo que viu ao acordar naquela manhã. Seu corpo havia se virado no futon e ao perceber que estava dormindo sozinho ele ergueu um pouco a cabeça e viu os amigos trocando um longo beijo na sacada. Não que ver outras pessoas se beijando, especialmente seus melhores amigos, seja a melhor coisa do mundo...
"Finalmente," ele pareceu aliviado, "Nanase voltou a nadar?"
"Ainda não, mas depois que retornarmos para casa será uma questão de tempo. O que quer que esteja impedindo Haru de nadar tem relação com Makoto." Ele recordou-se imediatamente das palavras de Nagisa. "Mas por que você não me contou sobre a garota que mora com o Makoto? Por que não me disse que ela tinha namorada?"
"O quê?" Os olhos se abriram um pouco mais e pela expressão em seu rosto Sousuke não fazia ideia do que ele falava. "Você disse namorada?"
"Sim, aparentemente a moça que vive com Makoto está em um relacionamento com outra garota. Aquela que vimos no Mc Donald's."
"Hanna-chan?" A expressão tornou-se ainda mais confusa. "Você fala sério? Eu dou aula de natação para Hanna-chan uma vez por semana."
Hanna-chan... Rin sentiu a veia em uma testa tremer. Sousuke raramente adicionada honoríficos, com exceção de pessoas mais velhas, e ouvi-lo chamar uma garota de maneira tão íntima o incomodava.
"Talvez não estejamos falando da mesma pessoa."
"A Hanna-chan que eu conheço é baixa, cabelos castanhos claros, sardas e seios grandes."
"Você parece conhecer bem essa garota..." Outra veia brotou em sua testa e sua perna direita começou a pisar no chão freneticamente. Desculpe por não ter seios!
"Um pouco. Ela é capitã do time de vôlei e começou a frequentar as aulas no último semestre."
"Pois bem, ela e a amiga do Makoto são um casal." Rin deu ênfase à palavra para não dar margem para dúvidas. "Nagisa contou tudo e Haru já sabe que a situação do Makoto não passou de um mal-entendido. Se esse era o único obstáculo separando aqueles dois, então não há nada a temer."
"Talvez você esteja certo sobre Iwatobi. Nanase e Tachibana são vizinhos e será inevitável que tenham contato." O moreno coçou o queixo e ponderou. "Kou não voltará com você?"
"Não, ela vai viajar com algumas amigas para Kyoto." Ele só notou a proximidade ao perceber que estariam completamente sozinhos em Iwatobi. Suas bochechas se tornaram vermelhas e foi impossível encará-lo ao imaginar todas as coisas que fariam no apartamento.
"Você está pensando em sexo, Rin?"
"O-O quê?" Ele levantou-se como se houvessem formigas na cama. Seu rosto estava mais vermelho do que seus cabelos.
Sousuke sorriu e fez sinal para que ele voltasse a se sentar, o que foi feito quase em câmera lenta. Rin sabia que não conseguiria vencer aquela pessoa, que o moreno sempre encontraria um modo de entrar debaixo de sua pele, o que provava o quanto ele estava envolvido naquela relação. Reencontrar Sousuke depois de todos aqueles anos só o fez lembrar-se daqueles mornos e infantis sentimentos que habitavam seu coração quando eram crianças. Às vezes, na Austrália, nas noites frias e solitárias, o ruivo gostava de fantasiar como teria sido sua vida se ele e Sousuke nunca houvessem se afastado. Nós teríamos acabado como Makoto e Haru... menos a parte do mal-entendido, dos sentimentos confusos e da teimosia. O sono geralmente chegava na metade da projeção mental e aquele final feliz sempre ficava em aberto.
"Por que você não trouxe suas coisas?"
"Eu prometi que voltaria para o jantar. Nagisa não anda muito bem e decidimos ficar com ele até o retorno para casa." Rin ergueu os olhos. Aquele seria um passo arriscado, mas ele sabia que se não o desse correria o risco de fazer com que Sousuke se sentisse excluído. "Eu te chamaria para me acompanhar, mas com Makoto no apartamento não há espaço para mais ninguém. Ele precisou até dividir a cama com Nagisa."
As sobrancelhas negras se juntaram e Sousuke riu alto. O amante não era dado a demonstrações claras de sentimentos ou emoções, o que fez Rin se surpreender.
"Nanase viu isso? Quero dizer, ele viu Tachibana e Hazuki na mesma cama?"
"Sim, por quê?"
O moreno sorriu e cobriu o rosto, mas não respondeu.
"Obrigado pelo convite, mas eu prefiro me encontrar com você na estação de trem ou em Iwatobi. Sousuke tocou sua cabeça e bagunçou seus cabelos enquanto sorria. "O que deseja fazer até a hora de ir? A piscina está aberta e você deixou algumas roupas de banho aqui."
Rin ficou em pé e espreguiçou-se, observando-o se afastar e abrir o guarda-roupa. O amante ofereceu uma das calças de natação e avisou que se trocaria no banheiro.
"Você pode se trocar aqui. Eu não me importo." Ele retirou a regata branca que usava e seus dedos tocaram o alto da bermuda prontos para retirá-la.
"Mas eu me importo." Os olhos esmeraldas o fitaram de cima a baixo e o olhar que recebeu o arrepiou. "Se eu me trocar aqui definitivamente não vamos passar a tarde nadando."
O ruivo conservou-se imóvel até ouvir a porta do banheiro ser fechada. Suas pernas cederam e ele se ajoelhou, cobrindo o rosto com as mãos e tentando esconder não somente a timidez, mas o quanto amava aquela pessoa.
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Ele retornou ao apartamento de Nagisa na hora do jantar, mas esquecendo-se totalmente da sobremesa.
Sousuke o acompanhou até metade do caminho e os dois se despediram com a promessa de se encontrarem na sexta-feira na estação de trem. A tarde ao lado do amante foi muito bem aproveitada dentro da piscina, com posteriores minutos extras em seu quarto para alguns longos e passionais beijos, que infelizmente não foram tão longe quanto ele gostaria. Nós ficaremos sozinhos no apartamento de Iwatobi e teremos tempo suficiente para continuarmos. O ruivo deixou os tênis na entrada, encontrando Haru e Makoto na cozinha. Teremos mackerel para o jantar, aposto...
"Não é mackerel..." Haru o olhou de canto e respondeu desanimado ao vê-lo entrar, com direito a um suspiro triste, "infelizmente."
"Está calor então estamos fazendo soumen," Makoto complementou, retirando o avental azul-bebê e cheio de ursos sorridentes. "Na verdade, está pronto."
"Rin-chan!" Nagisa apareceu pouco depois e apesar da voz energética o ruivo percebeu que havia alguma coisa errada assim que o viu. Os olhos rosados que sempre brilhavam com vida e alegrias pareciam opacos e tristes. "Você falou com Sou-chan?"
Os seis pares de olhos pousaram sobre eles.
"Sim, está tudo bem agora." Ele corou e passou pelos amigos, entrando melhor no apartamento e aproveitando o delicioso ar condicionado.
Os quatro se serviram e se ajeitaram pela sala, degustando o delicioso e frio jantar. Há anos eu não como soumen. Rin permitiu-se observar os amigos enquanto comia, não percebendo nenhuma diferença entre a postura de Haru e Makoto. Eles provavelmente conversarão em Iwatobi. Seu olhar foi para Nagisa e ele precisaria estar sozinho com um dos amigos para conseguir qualquer informação.
A oportunidade chegou depois que o soumen foi repetido duas vezes. Nagisa teve a ideia de comprar sorvetes na loja de conveniência do bairro e Haru se prontificou a acompanhá-lo, mas não sem antes lembrar Rin de que a sobremesa era sua responsabilidade e que ele estava fazendo um favor. Ficou a cargo do ruivo e de Makoto cuidarem da louça e aquela chance de ouro não poderia ser desperdiçada.
"O que aconteceu?" Ele foi direto ao ponto.
"Eu não sei os detalhes, mas Nagisa disse que ele e Rei terminaram." Makoto mantinha os olhos no que fazia. "Foi a primeira vez que ele falou sobre o relacionamento deles. Quero dizer, todos sabíamos, mas foi triste ouvi-lo falar. Nagisa sempre foi o mais sensível com relação à distância e acho que temos um pouco de culpa por isso."
Os dois se encararam e Rin engoliu seco, entendendo perfeitamente o que aquilo queria dizer.
"Rei voltará para Iwatobi, não é? Eles poderão conversar direito pessoalmente."
"Eu não sei, Nagisa disse que ele talvez não venha e não tive coragem de entrar em contato com Rei."
"Por que não?" Rin juntou as sobrancelhas e deixou o pano de prato em cima da pia, retirando o celular do bolso e começando a digitar uma mensagem. "Esse é o seu problema, Makoto. Você pensa demais."
"R-Rin, talvez não devêssemos nos meter nisso." O amigo parecia preocupado.
"Ou talvez Nagisa precise de ajuda, mas não tenha coragem de pedir."
A mensagem para Rei foi curta e direta, e dizia ao final que todos o esperavam em Iwatobi para o festival de verão.
Nagisa e Haru retornaram com os sorvetes e nenhum deles mencionou a conversa ou a mensagem. Os amigos degustaram a sobremesa lado a lado na sacada, admirando o céu estrelado, embora a noite estivesse abafada. A conversa tornou-se animada com os planos para o retorno para casa e eles combinaram de que fariam o possível para se encontrarem antes do festival, que aconteceria no final de julho.
Ao contrário da noite anterior, em que Makoto ajeitou-se na cama para consolar o louro, dessa vez todos estavam bem acordados e seria necessário decidir onde cada um dormiria. Os dois futon ao chão comportariam três pessoas e Nagisa sugeriu que Makoto ficasse com a cama, por ser o maior entre eles.
"Tem certeza? Eu não me importo de dormir no futon, Nagisa."
"Eu sei, mas você ocuparia mais espaço do que o necessário, Mako-chan." Nagisa havia decidido que dormiria entre Haru e Rin. "Você é muito grande!"
"D-Desculpe por ser grande..."
Haru reivindicou a ponta do futon ao lado da cama e ninguém se opôs à ideia.
Os rapazes permaneceram acordados até pouco mais de 22h assistindo séries na tv e algum tempo depois das luzes se apagarem Rin recebeu uma mensagem de boa noite que foi respondida com um sorriso, já que o silêncio do cômodo só era quebrado pelo som baixo do ar condicionado.
Ele não dormiu com facilidade, encarando o seu lado da parede e pensando sobre a situação do amigo. Eu falarei com Rei quando ele chegar. Ninguém faz Nagisa chorar! Não houve resposta à mensagem enviada, mas Rin tinha certeza de que o rapaz viria. Todos voltaremos para Iwatobi e não será mais possível viver com assuntos inacabados. Nenhum de nós tem mais quinze anos.
Seus olhos se fecharam e ele sabia que não era o único naquele cômodo que se sentia daquela forma.
Continua...
- Os capítulos 09 e 10 serão postados, excepcionalmente, nos dias 26/12 e 02/01.
