Capítulo VII - Bella Ebriedade
- Hey, baby? – Chamei por Rosalie enquanto abotoava minha camisa.
- Hum... – Respondeu-me sem um pingo de entusiasmo.
Ela estava agindo assim há algum tempo, meio fria e distante, e eu realmente não sabia o porquê.
No feriado de 4 de Julho, o qual passamos na casa do meu chefe, ela agira normalmente, como uma noiva educada, prestativa e, principalmente, apaixonada. Aquele lapso de normalidade me dera a leve impressão de que Rosalie era muito mais capaz de disfarçar do que eu havia imaginado.
- Faz um bom tempo que não conversamos sobre o nosso casamento. Não acha que devíamos acelerar os preparativos? – Toquei em um assunto que eu tinha certeza que a agradaria e melhoraria seu humor.
- Alice está cuidando de quase tudo. A decoração, as flores, os vestidos das madrinhas e o cardápio já foram decididos – Disse indiferentemente.
- Er... Como assim? Já está quase tudo pronto? Você não achou que seria interessante me deixar a par da situação? – Perguntei em tom levemente ofendido e irritado.
Com isso, Rose, que até então estava colocando algumas coisas em sua bolsa de trabalho, parou e virou-se para mim, sua expressão séria e impassível.
- Desculpe-me, querido, – Sarcasmo tingia sua voz – mas você não me parecia muito interessado.
Eu não queria e não iria começar uma discussão sobre aquilo, pois estava ciente que sairia perdendo de qualquer jeito. Mesmo porque, não é como se eu estivesse com a razão naquele mérito.
Então eu fiz o que eu sabia que iria remediar a situação.
Após um profundo suspiro, larguei minha gravata sobre a cama e fui até ela.
Rose ignorou minha presença ao seu lado, então eu segurei seus ombros e delicadamente virei seu corpo até que estivesse de frente ao meu.
Ainda assim sua atenção ficou no processo de fechamento de uma pulseira em seu pulso, e não em mim.
Colocando uma mecha de seu sedoso cabelo atrás de sua orelha, levei meus lábios até o espaço em seu pescoço bem embaixo de seu lóbulo. Antes de dizer qualquer coisa, postei um longo beijo no local, o que, claramente contra a sua vontade, provocou-lhe um arrepio.
- Baby... Eu sinto muito por parecer estar desinteressado – Outro beijo – Eu estou interessado, acredite. – Mais um – Me perdoa? – Pedi com uma voz melosa e sedutora.
Dessa vez foi ela quem suspirou, finalmente fechando a bendita pulseira e voltando sua atenção para mim.
Fitei-a em seus olhos turquesa e levei uma mão até sua nuca, massageando sua pele com a ponta dos dedos.
- Você não presta, não é, Edward? – Inquiriu, um meio sorriso brincando em seus lábios.
Aquilo me deu esperanças de ter conseguido acalmar a fera.
- Eu? Por quê? – Dei-lhe meu melhor sorriso torto.
- Porque você joga baixo... E sabe exatamente o que está fazendo.
- Bem, um homem tem que saber usar suas melhores armas quando se trata de uma mulher como você.
- Uma mulher como eu?
- Hum... Como posso explicar... Como é que dizem hoje em dia mesmo? Ah, sim, fodona – Brinquei.
Vamos apenas dizer que, naquela manhã, ambos chegamos com um grande atraso aos nossos respectivos trabalhos.
Já fazia um tempo desde que eu e Bella nos havíamos visto pela última vez.
Desde a minha descoberta – a de que o meu próprio casamento estava sendo planejado pelas minhas costas – eu estava me esforçando para participar da organização.
O problema é que, mais cedo ou mais tarde, os detalhes sobre o bolo tiveram que ser discutidos, e eu estava fugindo da situação como o diabo foge da cruz. Se eu encontrasse Bella na presença de Rosalie, a situação seria, no mínimo, estranha.
Rose não fazia idéia das minhas recentes interações com Bella, a qual, por sua vez, era ignorante sobre o fato de que nossos encontros eram segredo para a minha noiva.
Eu estava dividido entre: a) Tratar Bella indiferentemente, o que certamente a deixaria meio chateada ou, no mínimo, intrigada, mas, por outro lado, meu noivado permaneceria intacto; ou b) Deixar a minha amizade/relacionamento com Bella explícito e implantar uma enorme pulga atrás da orelha de Rosalie.
Então eu optei pela secreta opção c, que consistia em: c) Nenhuma das alternativas acima. Ou seja, não haveria situação alguma.
Por isso eu cortei meu contato com Bella, no caso de ela mencionar alguma coisa para Rose, que estava tratando dos negócios sobre o bolo com o auxílio de Alice.
E, assim, mais de um mês se passou. Mas não sem que eu - correndo o risco de soar completamente piegas - tivesse pensado em Bella todos os dias, mesmo que por uma fração de segundo.
O meu recente alto grau de atenção e devoção à Rosalie e ao nosso relacionamento, no entanto, havia melhorado meu noivado em 150%. Eu apenas não conseguiadecidir se estava contente ou insatisfeito com isso.
Azazel e eu estávamos tendo um momento.
Ele, após chegar sorrateiramente na sala de TV, alertando-me para a sua presença apenas quando começou a se esfregar nas minhas pernas ao pé do sofá, estava agora deitado no meu colo.
O gato me encarava com duas enormes e dilatadas pupilas negras que escondiam o amarelo macabro de seus olhos, já que a iluminação estava baixa, apenas a televisão fornecendo luz para o cômodo.
Quando eu não dei sinal de reação alguma, ele levantou-se e, ao invés de ir embora, como eu imaginava que ele faria, ficou sobre suas patas traseiras e apoiou as dianteiras em meu peito, trazendo seu focinho ao nível do meu rosto.
- Er... Azazel? O que raios você está fazendo?
E lá estava eu tentando interagir com um felino novamente.
Enquanto eu o encarava sem entender, o bichano começou a esfregar sua cabeça no meu ombro, como se pedisse carinho.
Hesitantemente, levei minha mão até ele e acariciei atrás de sua orelha.
Então ele começou a ronronar.
Será que Azazel estava tentando fazer as pazes comigo?
Quando me cansei daquela palhaçada, deixei minha mão cair ao meu lado e voltei a assistir American Idol. Deus! Até eu cantava melhor que aquele coitado.
Azazel saiu do meu colo e eu pensei "Ótimo, agora sim ele vai embora".
Mas eu estava enganado. Ele apenas se moveu até ficar deitado ao meu lado no sofá, e então começou a forçar sua cabeça sob a minha mão que ali descansava. Aquele gato estava carente ou o quê? Fiz uma nota mental de sugerir à Rosalie que encontrasse uma gatinha – no sentido literal da palavra – para o pobrezinho.
Ou talvez ele apenas estivesse com fome, mas de jeito nenhum que eu iria alimentá-lo. Da última vez que eu ousei fazê-lo, Rose ficou tão nervosa que eu tive que dormir na sala. Aparentemente eu havia dado a quantidade errada da ração errada na hora errada.
O problema é que aquele barulhinho de ronronar era como um calmante instantâneo, e eu acabei caindo no sono com a cabeça escorada nas costas do sofá e a mão sobre o motorzinho sobre patas.
Minha mente estava metade no sonolento mundo subconsciente e metade no processo de emergência ao consciente. Essa última parte estava lentamente ficando desconfiada de que eu estava sendo observado.
Uma luz ofuscante passou pelas minhas pálpebras fechadas, despertando-me.
Fui abrindo os olhos, fechando-os bruscamente quando outro raio daquela mesma luz os atingiu.
- Oh, essa definitivamente vai para o Facebook...
Quando finalmente consegui abrir os olhos e deixá-los abertos, vi Rosalie com um sorriso malicioso nos lábios enquanto observava a tela da câmera fotográfica digital.
- O quê... – Devaneei meio atordoado.
Só fui entender direito o que estava acontecendo quando, imediatamente ao ouvir a voz de Rose, Azazel acordou e se desvencilhou do peso da minha mão, correndo para as pernas da "mãe", como minha noiva se autodenominava.
- Oi bebê! Sentiu saudades da mamãe? – Rose fez uma voz infantil enquanto largava suas coisas no chão e se abaixava para cumprimentar seu gato. Esse que, por sua vez, fez um barulho muito similar ao de uma pomba* e começou a ronronar, fechando os olhos por contentamento.
Pigarreei para chamar a atenção, interrompendo a cena maternal à minha frente.
- Ooown, olha só quem está com ciúmes – Disse Rosalie em tom jocoso enquanto vinha em minha direção – E olha que fui eu quem peguei o meu noivo dormindo todo aconchegado com o meu gato!
Puxei-a pelos quadris, sentando-a de lado no meu colo enquanto ríamos.
- Alguém está de bom humor hoje! – Comentei.
- Oh, baby, de fato – Disse após me dar um selinho – A editora está abrindo uma sessão masculina na revista, e eu consegui um modelo ótimo para a campanha de lançamento. Eu vou supervisionar uma sessão de fotos dele que vai ser exibida na inauguração e, se der tudo certo, eu vou coordenar essa parte e ganhar um aumento! – Explicou-me, animada.
- Uau! isso é ótimo, querida – Parabenizei-a – Mas por que a revista teria uma ala masculina, sendo que é sobre moda feminina?
- Ah, foi uma ideia que eu mesma propus. Será como um guia do mundo masculino, só que feito pelos próprios homens; diferente da maioria, que são de autoria de mulheres que pensam entender sobre o assunto. Eles darão suas opiniões sobre a moda feminina, no sentido de revelarem o que gostam e o que não gostam de ver as mulheres usando. Também darão dicas sobre o que os atrai e o que os repele, tanto no quesito comportamento quanto no físico.
- Hum... Interessante. Mas onde esse tal modelo entra nisso tudo?
- Ele vai ser a "cara" dessa nossa novidade. Vai aparecer nos outdoors, nos comerciais de TV e até nos anúncios da própria revista; nós vamos investir muito na divulgação. E, se ele for interessante e hétero o bastante, talvez venha a participar dos artigos.
- Isso é ótimo, Rose... Mesmo. Mas... É só impressão minha ou eu ouvi algo sobre uma festa?
Os próximos dias se passaram sem nenhum acontecimento especial.
Eu mal me encontrava com Rosalie, pois ela estava sempre ocupada com o seu novo empreendimento. Isso também significava que os preparativos para o casamento foram colocados em espera. Tal fato, no entanto, ainda não me permitiu contatar Bella.
Eu só podia imaginar o que ela estava achando desse meu sumiço repentino, já que antes eu parecia viver procurando-a. No mínimo ela devia estar pensando que eu era um oportunista, indo atrás dela apenas quando me fosse necessário algum tipo de ajuda.
Na data da tal festa de inauguração, numa sexta-feira, Rose estava impossivelmente nervosa.
Durante todo o decorrer do dia, eu recebera mensagens de texto no celular, alertando e certificando sempre sobre as mesmas coisas: o horário no qual eu devia estar pronto, impecável e a postos em seu apartamento, os trajes que devia estar usando e uma meia dúzia de tarefas que eu deveria cumprir nesse meio tempo, como, por exemplo, pegar seu vestido na lavanderia.
Quando chegou a hora de irmos, eu estava, como recomendado, pronto, impecável, a postos, porém portando nem um pingo de entusiasmo para enfrentar uma festa, ainda por cima aquele tipo de festa.
Eu já sabia mais ou menos como seria; não era a primeira vez que eu acompanhava Rosalie a um evento do gênero. Eu já podia até ver: jogos de luzes por todos os cantos, inúmeros telões exibindo fotos de modelos sem graça, música típica de desfiles de moda ressoando na maior altura e diversos tipos de drinks coloridos e decorados.
Ao entrarmos no salão da festa, deparei-me com uma cena praticamente idêntica à que eu havia imaginado.
A pior parte era o começo: cumprimentar trezentas pessoas que eu não fazia a menor ideia de quem eram, mas tinha que ser educado e cordial com elas, pois eram amigos e colegas de Rosalie. E assim eu era obrigado a rodar pelos grupinhos ali presentes, ouvindo sobre coisas de moda e jornalismo que, por um acaso, eu não entendia bulhufas, mas acenava e concordava como se compartilhasse de suas opiniões.
- Hum... Baby? – Chamei por Rose quando estávamos basicamente no último aglomerado de pessoas que ela devia cumprimentar – Vou pegar algo mais forte para beber, ok?
Ela estava engajada em uma conversa entusiasmada com uma senhora que, eu acho, era sua superiora. E, por isso, eu pressenti que aquele papo ainda iria longe.
Sendo assim, dei aquela desculpa – que não deixava de ser verdadeira - e me retirei.
- Whisky, puro – Pedi ao bartender ao me sentar em frente à bancada do bar.
Virei o banco parcialmente para a esquerda, apoiando o braço sobre o mármore e bebericando minha bebida enquanto observava a festa, que parecia estar apenas começando.
Entediado e já cansado, suspirei e suportei o peso de minha cabeça em meu punho fechado. Eu devia ser um perfeito exemplo de animação.
Estava concentrando minhas atenções no esforço de não cochilar quando, de repente, meus olhos captaram algo de seu interesse e se puseram em alerta.
O que raios ela poderia estar fazendo ali?
Eu me sentia dividido entre ficar eufórico por vê-la novamente, ou ficar apavorado, pois o encontro que eu tanto tentara evitar era agora praticamente iminente.
Passei os olhos sobre o local à procura de Rosalie e a encontrei, graças a Deus, ainda entretida com sua conversa.
Estando seguro, pelo menos por hora, voltei-me novamente para a direção em que Bella se encontrava.
Ela estava de tirar o fôlego... Vestia um vestido que, na minha opinião, devia ser proibido por lei devido ao seu comprimento indecentemente tentador, que deixava à mostra aquelas longas pernas que eu tanto admirava. O decote era, se não mais, tão quão cruel quanto o tamanho do traje; era tomara-que-caia - e eu, vergonhosamente e secretamente, realmente queria que caísse eventualmente – e empurrava seus seios para cima, espremendo-os e deixando o topo das saliências à vista.
Jesus Cristinho.
E, para completar, ela estava dançando sensualmente, balançando seus quadris no ritmo da música.
Eu só parei de babar quando notei que ela não estava sozinha.
À sua frente, dançando com ela, estava um cara que podia se encaixar na famosa descrição: alto, moreno e sensual. Ok, eu não sabia quanto à última parte, então substituirei por: moreno, alto e forte. Porque o miserável devia usar anabolizantes, não é possível!
Quando seu rosto ficou visível para mim, notei, com ligeira surpresa, que ele era, na verdade, o modelo que Rosalie havia contratado; seu rosto e peitoral nu estampados nas fotos passando pelos telões.
Esse negócio de barriga tanquinho é tão superestimado!
Os dois estavam dançando e rindo, aparentemente se divertindo a valer e blá blá blá.
Aliás, eu parecia ser o único entediado e desanimado ali.
Com uma expressão de desdém, voltei-me novamente para o bar e pedi outra dose.
Um bom tempo depois, eu ainda estava no mesmo local, só que bebendo água ao invés de whisky. Fizera essa troca após procurar pelo meu celular e acabar esbarrando na minha chave do carro dentro do bolso do paletó, lembrando-me que estava dirigindo.
De repente ouvi alguém bufando atrás de mim e, ao virar-me para ver de quem se tratava, deparei-me com uma Rosalie soltando fogo pelas ventas.
Merda, isso não pode ser bom.
- Você estava no bar durante todo esse tempo? – Perguntou-me, irritada.
- Hum... sim?
- Você disse que iria apenas pegar outra bebida, Edward! Ao invés disso, você sumiu e me deixou sozinha com a minha chefe, a qual, devido à sua longa ausência, não parava de insinuar que eu não conseguia segurar meu homem. E eu nem podia responder!
- Desculpe, amor, eu...
- Não me venha com amor! – Interrompeu-me – Você sabe como essa é uma noite importante para mim; eu preciso causar uma boa impressão. Quando é você quem precisa, eu faço tudo para te ajudar com o seu chefe insuportável, mas se sou eu quem necessita de ajuda...
Ela estava nervosa ao extremo e parecia à beira das lágrimas.
Oh não, em que dia do mês estávamos mesmo?
- Rose, você está... de TPM? – Perguntei, receoso.
A pergunta pareceu pressionar o proibido botão vermelho, liberando toda a sua ira. Suas íris radiavam raiva e um de seus olhos repuxava na parte de baixo.
- Vai pro inferno, Edward!
E com isso ela saiu pisando forte.
As pessoas que estavam nas proximidades agora me encaravam espantadas. As mulheres, principalmente, me lançavam olhares acusadores.
- Que é? Nunca viram um casal discutindo, não? – Cuspi as palavras com grosseria.
- Cara, como você pergunta a uma mulher irada se ela está de TPM? Isso é universalmente conhecido como suicídio – Um infeliz desconhecido que estava sentado ao meu lado disse para mim.
Lancei um olhar fuzilador em sua direção, bem parecido com o que eu havia recebido de Rosalie há apenas alguns instantes.
- Por que não vai você pra porra do inferno, huh? – Praticamente gritei com o cara antes de me levantar e sair andando em direção ao banheiro.
Após ter me aliviado e basicamente completado o processo de desintoxicação alcoólica, fui à procura de Rosalie.
Ao não conseguir encontrá-la, saí perguntando para as pessoas se elas sabiam por onde andava a minha noiva, e descobri que a miserável havia ido embora sem mim.
Aquilo me irritou ainda mais e eu decidi que não tinha mais nada para fazer naquela maldita festa.
Porém, quando passei pelo bar, avistei Bella sentada em um dos bancos, cabeça deitada nos braços apoiados na bancada e segurando um copo cheio de um líquido transparente.
Não resisti e fui até ela.
- Bella? – Chamei.
Lentamente ela levantou a cabeça e me surpreendeu ao mostrar-me seus olhos inchados e vermelhos.
- Bella, você está chorando? – Perguntei, preocupado, apressando-me para sentar ao seu lado.
- Não mais... – Respondeu simplesmente.
Então virou goela abaixo o conteúdo do copo que tinha em sua mão, fazendo uma careta ao terminar de engolir.
- Isso é água? – Questionei.
- Não, vodka.
- Você está bêbada?
- No processo para chegar lá – Disse enquanto acenava para o bartender encher seu copo novamente.
- Bella, o que houve?
Assim que sua dose foi reposta, tornou a tomar a bebida de uma vez só, e, só então, virou-se para me responder após um suspiro.
- Nada.
Foi a minha vez de suspirar; no meu caso por frustração. Era óbvio que havia algo de errado e era inútil que ela negasse.
Quando percebi seu braço se movendo para pedir outro refil, segurei-o para impedi-la.
- É melhor eu te levar pra casa – Falei com convicção – Você veio de táxi?
- Não, vim de carona. E posso muito bem ir embora sozinha.
-Ainda acho mais sensato que eu me assegure de que você chegue em casa sã e salva.
Por alguns instantes ela me encarou com os olhos estreitados, mas eu segurei seu olhar com o meu e, quando percebeu que eu não iria ceder, rendeu-se.
- Que seja... Essa festa está um porre mesmo, posso continuar bebendo em casa – Declarou, levantando-se desajeitadamente.
Fiquei de pé ao seu lado, ajudando-a a firmar seu corpo ligeiramente cambaleante.
- Acho que você já bebeu o bastante, Bella.
- Eu apenas me levantei rápido demais. Sou perfeitamente capaz de andar sozinha – Afirmou com teimosia.
Bufei, meio irritado, mas também entretido por sua cabeça dura.
- Então... Você vai me contar o que tanto te chateou? – Perguntei após alguns momentos de silêncio reinando no meu carro que eu dirigia na direção da casa de Bella.
- Hum... Acho que hoje é seu dia de sorte... – Respondeu-me olhando para fora da sua janela.
- Por quê?
- Porque quando bebo, mesmo que pouco, eu fico totalmente tagarela. Conhece aquele ditado: A bebida entra e a verdade sai?
Sua declaração me fez rir levemente.
- Ok, revele-me seus segredos, então – Falei jocosamente.
- É Jacob... – Disse após um profundo suspiro – Ele sempre me dá esperanças, só para massacrá-las depois.
Uma onda de nervosismo me atacou ao considerar o que ela estava me contando. Estaria ela apaixonada por esse tal de Jacob? Suas esperanças eram de ficar com ele? E o idiota a estava recusando?
- Hum... Se importa de elaborar? – Pedi.
- Toda vez que ele dá sinais de que está melhorando, eu sou surpreendida por uma recaída.
Me senti aliviado por ter minhas preocupações negadas, mas ainda não entendia o que ela estava querendo me dizer.
- Ok, você vai ter que ser mais explicativa – Disse, sem graça.
- Jacob é... viciado em cocaína – Confessou e fez uma pequena pausa antes de continuar – Hoje era o seu grande dia, sua grande oportunidade, mas eu devia ter adivinhado que aquilo iria acontecer. Nesse mundo dos modelos, o que não falta é oferta de drogas. Então, quando ele sumiu no meio da festa, eu sabia que iria encontrá-lo caído, alucinando em algum canto. E foi o que aconteceu.
- Oh... – Eu estava sem palavras.
- Aquele dia que você me levou para ver as casas... Aquela foi outra recaída dele. O dia da mudança também.
Aí sim eu fui surpreendido.
- Eu pensei que... Eu pensei que ele fosse seu namorado.
Com isso, Bella virou sua cabeça abruptamente na minha direção, olhos surpresos e incrédulos.
- Namorado? O que poderia te levar a supor isso?
- Er... É... Bem, naquela primeira vez, você estava na casa dele e saiu de cabelos molhados e vestindo uma camisa que claramente pertencia a um homem – Confessei timidamente.
- Oh... Eu vejo agora o que aquilo fez parecer... Se você soubesse o que realmente aconteceu...
- E o que foi que aconteceu? – Perguntei, morrendo de curiosidade.
- Ele ia me levar para olhar os imóveis. Combinamos que eu iria de táxi até o seu apartamento, e de lá partiríamos juntos em sua camionete. Mas, quando eu cheguei lá, ele não atendia a porta, então eu usei a chave escondida debaixo do tapete e o encontrei tendo uma overdose no chão da sala. Não sei como, mas na hora do desespero eu consegui arrastá-lo até o banheiro e colocá-lo debaixo da água fria. Mas, é claro, até eu conseguir essa proeza, eu tive que me debater com o peso dele e acabei molhando toda a metade de cima do meu corpo. Por isso a camiseta não era minha e meu cabelo estava úmido. Depois que a ambulância chegou e eu pude acalmar um pouco os nervos, eu fiquei tão irritada e decepcionada que não quis acompanhá-lo. Então eu dei o telefone da mãe dele para um dos paramédicos e deixei que o levassem. Foi então que eu te liguei, não do meu celular, porque no meio da bagunça o deixei molhar e foi assim que ele pifou. Já no dia da mudança, o Jake me ajudou com as caixas e tal, mas, quando estávamos descarregando-as, ele recebeu uma ligação de um traficante e saiu às pressas, me deixando sozinha para fazer o resto.
Senti-me mal por tê-la julgado, principalmente considerando a gravidade dos fatos que eu agora sabia serem os verdadeiros.
- Eu... Sinto muito – Falei após um instante.
- É, eu também.
- E me desculpe por ter julgado antes de procurar saber a verdade.
- Tudo bem... Ele não é meu namorado, mas eu me importo muito com ele. Me importo até demais. Nós crescemos juntos e ele é como um irmão e um melhor amigo em uma pessoa só. E quando esse tipo de coisa acontece, me parte o coração, pois não posso fazer nada...
Eu simplesmente não sabia o que dizer, como consolá-la, então o silêncio tomou o ambiente outra vez.
Bem então eu virei o carro em sua rua e estacionei em frente à sua casa, aliviado pois o assunto pesado teria uma desculpa para ser posto de lado.
- Aqui estamos – Declarei.
- Obrigada, Edward – Sorriu agradecida e começou a alcançar a maçaneta.
- Espera, deixa isso comigo – Falei, saindo do carro e rapidamente atravessando até a sua porta para abri-la.
- Uau, que cavalheiro – Brincou, ainda um pouco entristecida.
Acompanhei-a até sua porta, mas quando Bella começou a procurar em sua bolsa por suas chaves, eu percebi que não estava pronto para me despedir.
- Então, Bella... Você acha que vai ficar bem? Tendo bebido e tal...
Cessou sua procura e olhou para mim.
- Eu não sou tão fraca assim, Edward. Não bebi a ponto de passar mal.
- Hum... – Uma pausa ocorreu enquanto ela voltava a remexer em sua bolsa – Você acha que bebeu o bastante para se esquecer dessa nossa conversa ao acordar?
- Claro que não.
- E... Bebeu o suficiente para fazer algo que, na verdade, não iria querer fazer?
Novamente sua atenção voltou-se para mim, suas sobrancelhas franzidas em dúvida.
- Aonde você está querendo chegar com isso, Edward?
- Está ou não está? – Insisti.
- Não, não estou. Acho que sei muito bem distinguir o que eu quero ou não, mesmo tendo bebido um pouco.
- Bom... Muito bom – Murmurei mais para mim mesmo.
Lentamente me aproximei dela, seu olhar ficando cada vez mais desentendido.
Quando nossos corpos estavam a meros centímetros de distância, aninhei seu rosto em minhas mãos, repetindo o que havia feito naquela madrugada em sua cozinha.
Sua respiração se acelerou e eu tinha certeza que ela já sabia o que estava para acontecer.
Aqueles olhos profundos me olhavam, meio espantados, meio ansiosos, mas ainda com um leve vestígio de ebriedade.
Talvez ela não estivesse bêbada o bastante para fazer algo que não queria – o que era bom, pois eu não queria fazer nada contra a sua vontade -, mas ela com certeza tinha álcool suficiente em seu metabolismo para deixar de lado suas possíveis inibições. E essa era a minha deixa.
Naquele momento eu me esqueci de qualquer outra coisa que não fosse Bella e o estranho magnetismo que me atraía para ela desde o primeiro instante do nosso reencontro. A única preocupação que passava leve e ligeiramente pela minha mente era a possibilidade de a minha seguinte ação ser rechaçada. Mas não iria. Eu sabia que não iria; eu podia ver essa verdade estampada no abismo de seus olhos, do qual eu estava à beira e prestes a me jogar.
Então eu me deixei cair, sem ter medo do que eu poderia encontrar quando alcançasse o fundo.
- Eu realmente espero que você não tenha nada assando no seu forno – Brinquei, meu hálito soprando e se misturando com o seu, tamanha a proximidade em que nos encontrávamos.
Eu não lhe dei tempo para pegar a minha piada, pois ataquei seus lábios com os meus assim que proferi a última palavra.
Era como se uma avalanche de sentimentos estivesse desabando sobre a minha cabeça. Era excitação, realização, alívio, adrenalina, calor, catarse... Por um segundo, minha respiração ficou presa em minha garganta por estar tão maravilhado com a grandeza daquele momento.
Seus lábios eram tão quentes e tão macios... Senti a urgência de prová-los, sentir seu gosto, deleitar-me em seu sabor...
E assim o fiz, passando a ponta da minha língua pela extensão de seu lábio inferior, saboreando e pedindo passagem ao mesmo tempo.
Seu gosto era tão delicioso quanto eu havia imaginado e até fantasiado. Eu não queria privar-me daquilo nunca mais.
O que eu não estava preparado, porém, era para a sensação de sua língua tocando a minha quando Bella abriu sua boca, me convidando para entrar.
Um gemido involuntário me escapou ao sentir a ardência, a suavidade, a doçura...
Minha mão moveu-se até sua nuca, pegando um chumaço de cabelos e segurando fortemente. Foi a sua vez de gemer.
Minha outra mão desceu acariciando seu braço, encontrando o caminho por sua cintura, onde a enlacei e puxei seu corpo colado no meu. Eu podia sentir cada milímetro de contato, cada terminação nervosa reagindo ao toque.
Suas mãos encontraram os meus cabelos, onde ela penetrou seus pequenos dedos e puxou os fios com força.
Um sentimento de urgência me tomou por completo, e eu não conseguia beijá-la com vigor suficiente; não conseguia explorar seu corpo com agilidade suficiente...
Virei seu corpo e pressionei-o contra a porta, maximizando o contato entre nós. Agora eu podia realmente senti-la por toda a parte.
Eu estava duro, tão duro que chegava a doer.
Meus quadris moveram-se instintivamente, empurrando-se contra os dela e ambos gememos, pois a fricção era simplesmente maravilhosa.
Descendo minha mão de sua cintura até sua coxa, puxei sua perna, segurando-a em meu quadril. Tal movimento abriu espaço para ainda mais contato onde eu mais desejava.
Senti-me encorajado, pois ela retribuía meus movimentos – tanto os do corpo, quanto os dos lábios e língua – com a mesma paixão que eu empregava ao fazê-los.
Aquele beijo estava se tornando desesperado e ambos respirávamos pelo nariz como se estivéssemos correndo uma maratona com obstáculos.
Nós estávamos praticamente dry humping¹, e aquilo estava quase me enlouquecendo. Se não parássemos logo, eu não iria era parar de jeito nenhum. Mas eu simplesmente não conseguia reunir forças suficientes para interromper algo que eu havia desejado por tanto tempo.
Nós continuamos naquele amasso explicitamente gráfico por alguns instantes até que, ironicamente, já que ela era a alcoolizada da situação, Bella encerrou nosso beijo.
Ainda assim permanecemos conectados na prévia posição, mais ofegantes do que nunca, olhos fechados e testas encostadas.
Era muito para absorver, para processar.
Ficamos daquele jeito por alguns minutos e então, com a respiração regulada, e muita, muita hesitação, desgrudei-me de seu corpo e dei um passo para trás.
Era como sair de uma sauna e pular em uma piscina de águas glaciais. Era devastador o sentimento de perder todas aquelas sensações que aquela série de toques e carícias havia proporcionado. Mas, antes que eu pudesse atacá-la novamente, Bella achou sua chave e virou-se para colocá-la na fechadura.
Após destrancar a porta, voltou-se novamente para mim e, com um olhar cheio de vergonha, despediu-se.
- Obrigada pela carona. Hum... É, obrigada – Disse sem olhar-me nos olhos.
Acho que meu coração partiu-se um pouco com a neutralidade, ainda que tímido, de seu tom.
Mas de uma coisa eu tinha certeza: depois daquilo, não havia a menor possibilidade de eu desistir de Bella.
¹dry humping = é uma expressão que, até onde eu sei, é inexistente em português. É quando duas pessoas ficam, literalmente, trepando (desculpem a expressão chula, mas é a única que encontrei para descrever) uma na outra, porém sem penetração. Normalmente ambas estão vestidas, mas não é essencial que assim seja.
N/A: Caso alguém nunca tenha ouvido esse barulho peculiar que o gato Azazel fez, aqui tem um exemplo de como é: http : / www (ponto) youtube (ponto) com / watch?v=CYAjwYZBMiw
Vestido da Bella: http: /www2 (ponto)pictures(ponto)zimbio(ponto)com/pc/Kristen+Stewart+rocks+up+New+York+premiere+NutiJ9HGedIl(ponto)jpg?38710PCN_Runaway06
http:/ cutekristenstewart(ponto)com/userfiles/2010/3/19/images/Kristen-Stewart-Hair-Photos(ponto)jpg
(para abrir os links, elimine os espaços e substitua os (ponto)'s por .
