UM FEEELIIIIIIIIIIIIZ NATAL PARA VOCÊS!
Meu persente para vocês, mis cariños, é esse capítuluzãaao no padrão de tamanho de CdE rrsrsrs
Deu um trabaaaalho para escrever, e ficou corrido, então ELE NÃO FOI REVISADO, por favor desculpem os erros grosseiros.
E eu só responderei os comentários do cap 8, e deste no cap 10, ainda assim agradeço de coração à Ju, nossa mais nova leitora, Carol e Brigadeiro de Caqui! Porque vocês me ajudaram a terminar este aqui.
UM BOM PRESENTE PARA VOCÊS!
Crônicas de Estados
Parte II - Crônicas de UNS Estados
Capítulo 9 - Um conto de natal
Aquela sensação que...Apesar de tudo estar indo mal, ainda há a esperança que as coisas melhorem.
Rio Grande do Norte não era um homem muito tolerante. Não é que ele fosse alguém ruim, mas parecia que todo o mundo havia feito um pacto para abolir a moral e os bons costumes, e ele estava completamente contra esta decisão.
Alto, cabelo negro como seus olhos, rosto quadrado, olhos redondos e atentos, uma barba fechada que vinha como costeletas e fechava-lhe o queixo, não possuía bigode porém. De um ar responsável e sério, convicto, mente fechada para suas próprias ideias de mundo e de um coração do tamanho desse Brasil, autografado e dedicado a uma doce nordestina de nome Maranhão, e um cantinho especial para seu meio irmão Piauí, que tratava como um filho. E ainda sobrava espaço para todos os seus outros irmãos!
...Alguns mais, outros menos...Mas todos no geral.
Havia saído cedo de casa porque Maranhão não tinha suficientes ingredientes em casa para fazer o café da manhã antes de pegarem um ônibus para o Pará, tinha que ser um café robusto e bem preparado, e como homem seu dever era sempre colocar boa comida em sua cozinha, para que Maranhão, como exemplo de mulher, colocasse bem feita na mesa. Era assim que funcionava, era assim que deveria ser. Esses eram os papéis do homem e da mulher na sociedade, não fora ele que os inventou, ele era apenas um seguidor e concordante. Observou a sacola analisando se faltava algo, chegaria em casa com Maranhão recentemente levantada preparando um café para beberem, chamariam Pia e logo iriam para a bendita festa. Apesar de ter que aturar as brincadeiras sem qualquer graça de Ceará, seria uma noite divertida, afinal, também seria seu aniversário! ...Apesar da grande maioria nunca lembrar-se disso...
Os males de nascer num dia de festas..
Andava tranquilamente em direção à sua casa, quando notou algo que lhe chamou a atenção...Um casal, alguns passos antes da porta do casarão de sua Mah.
O fato de um casal estar se pegando quase na porta da casa de sua família, a essa hora da manhã, já era suficiente para fartar-lhe...Mas vendo melhor...Notou que eram...Dois homens...
- ÊEEE BOY!Mas que poca vergonha!- Berrou assustando-os, ambos viraram para ver - Cês não tem vergonha não?! FAZENDU ISSO FRENTE A CASA DE PESSOAS DE BEM?! Mas qui vergonha!Tirem esse fogu du rabo de vocês, tomar vergonha na cara e vão arranjar mulhê!
Os dois mostraram-se ofendidos, e o maior levantou-se para encará-lo.
-Qual seu problema Tio?!
-Meu problema é vocês! Imaginu o disgosto de suas famílias tendo os filhos fazendu isso! Vão-se daqui antes qui eu chame a polícia! Aproveite que estou de bom humor por ser dia de natal!
O maior hesitou, mas o menor levantou-se e o puxou pelo braço, implorante.
-Homofobico - Cuspi-o
-Sem vergonhas! - Respirou fundo, acalmando-se - Existe tanta mulher nessa mundo, e esse povo fica com essa sem vergonhisse! - Resmungava para si mesmo - Isso é biologicamente errado! Nojento! Uma falta de-
Parou, no primeiro degrau que levava a porta, vendo Piauí no topo, com a mão na maçaneta e boca aberta
-Aconteceu alguma coisa Pia...?
-Não...E -eu só...Só...
-Ah, cê viu a cena não é? Uma pouca vergonha esses bitolas aí parecendo dois cachorros no ci-
TUM
Piauí bateu a porta com um estralo, com o coração na mão, subindo correndo para seu quarto, amaldiçoando sua vida, sentindo-se doente, sujo... Enjoado...
E com uma absurda vontade de desaparecer do mundo
-.-.-.-.-.-.-.-.-.
"É dia de natal...E todos nós, Estados, nos reuniremos na casa de Pará...Confesso que estou um pouco nervoso...Tenso... Quero aproveitar essa festa para averiguar em primeiro plano como está a relação do anfritrião e a amazonense...Ah, também tenho que ficar de olho em Tocantins e Piauí...
Liguei para Bahia para saber como ela iria para a festa, mas
ela estava em São Paulo fazendo compras com...São Paulo...
Que fique anotado aqui que isso de uma cidade ter o mesmo nome que o Estado é muito estranho. Principalmente nesses momentos"
Espírito Santo suspirou guardando seu diário e olhando para a a janela do avião de forma sonhadora, distante. Estava a caminho de Belém, e por uma questão de preço acabou optando por um vôo com escala em Brasília, estava mais de uma tendo como vista nada mais do que a asa da aeronave, e o ócio começava a fazer-lhe arrepender-se de sua escolha.
Se ao menos Minas estivesse com ele...Depois da intriga que tiveram ele e o paraense, Espi havia ido ver como estava o mineiro, mas ele parecia estar dormindo, lê-se fingia estar dormindo para evitar conversar, e sem mais escolhas Santo acatou o silêncio pedido, porém...Quando acordou o menor não estava mais lá, e ao seu lado havia apenas um bilhete...
"Vou para a casa de Paraná, parto de lá para a casa do Pará...Eu tranquei sua porta por via das dúvidas e disse ao porteiro para não deixar NINGUÉM subir...Tem pão de queijo no forno.
Ps. Espero que você tenha uma chave extra..."
Não, não tinha uma chave extra...E o chaveiro entrava na lista de "ninguém"...E , mesmo apesar de suas súplicas, seu José, o porteiro, recusou-se rotundamente a deixá-lo subir...E acabou tendo que arrombar sua própria porta. Essa era a razão pela qual havia se atrasado tanto, e acabou ficando sem muitas opções de vôo...
Mas os pães de queijo estavam deliciosos.
Suspirou mais uma vez, observando o horário em seu celular...
Pelo que havia entendido estavam aguardando a entrada de alguns passageiros que fariam apenas o trecho Brasília-Belém. Por alguns instantes até pensou na casualidade de encontrar o brasiliense nessa viagem, mas logo a discartou.
Brasília estava doente, provavelmente não viria, e os demais Estados partiriam de suas próprias casa, então ninguém estaria...
- Tu tem MESMO que levar ele assim. ...Tão agarrado?!
-...Ah não... -Resmungou baixinho encolhendo-se em sua poltrona.
Calma, pensava para si mesmo, não é como se cariocas fossem assim uma raridade em Brasília.
-...Sério Sebastião, já conversamos sobre isso...
...Cariocas que chamam-se Sebastião são muito comuns...
-Não me chame de Sebastião!
...E que não gostem de seu nome...
-E como cê quer que eu te chame aqui?!
E conseguiu ouvir, quando o grupo passou ao seu lado...
-Pode me chamar momozão ~
TUM
-SENHORES! - Gritou repentinamente uma das aeromoças - Não briguem dentro do avião!
Pode ver como o paulistano prensou o carioca duas poltronas a frente, destruindo qualquer expectativa restante de que fosse outro casal São-minense escandaloso, e com muito esforço conseguiu entre ouvir parte do que diziam.
-...Saberia o que fazer se algo acontecesse..?! Matt não saberia, Sul tampouco, e se ele...
E um homem alto sentou ao seu lado impedindo-o de escutar o resto.
Um homem bem alto e barbudo sentou ao seu lado, tirando inclusive uma garrafinha de um líquido rosa para beber...Tentou voltar a atenção aos outros dois mais uma vez, conseguindo inclusive levantar-se para vê-los uma vez que o gigante praticamente o ocultava.
São Paulo estava de pé, meio curvado, levando o brasiliense pendurado pelos braços em seu pescoço, e com as mãos lhe sustentava pelos glúteos mesmo. Mais parecia um pai levando o filho pequeno que acabou dormindo em meio a viagem.
-...Cê é um péssimo tutor, e sabe disso.
- ...Pelo menos EU fiquei do lado dele quando você misteriosamente sumiu na calada da noite, para simplesmente fazer compras na sua casa! E ainda por cima acompanhado de outra pessoa!
- Oxii! E que prova cê tem disso?!
-Seu 'oxi' é resposta mais do que suficiente!
Notou o rubor nas bochechas do mais velho.
- D-de todas as formas, eu vou ficar com Brasília, nunca se sabe o que pode acontecer com ele nessa situação. Se ele por exemplo sangrar, sua ajuda seria completamente invalidada.
Foi a vez de Rio ruborizar com comentario.
Viu os dois afastarem-se então, Rio ainda algo transtornado, o paulista sentou duas poltronas a sua frente, e o carioca, na terceira poltrona do lado esquerdo, ambos não estavam sequer no mesmo corredor.
Encolheu-se no seu lugar, respirando fundo
Inclinou-se tentando ver o paulista melhor, este sentou-se e acomodou a capital ao seu lado, que logo inclinou-se que caiu no seu colo, tentou arrumá-lo, mas o mesmo voltou a acontecer, até que o paulistano desistiu, deixando-se usar de apoio.
E ali, naquele momento, em que São Paulo acreditava que não estava sendo visto por ninguém, uma vez que o carioca agora se ocupava de discutir o lugar para sentar com uma mulher gorda, ele afagou Brasília em seus cabelos, tirou alguns fios de seu rosto, e beijou com suavidade a testa do jovem, como uma mãe que observa zelosa o sonho de seu filho.
E nesse delicado instante, foi que o capixaba conseguiu voltar a respirar com tranquilidade...Podia ser o espírito natalino...Mas não havia ninguém para quem o paulistano pudesse estar atuando nesse instante.
Sorriu de lado, observando como o brasiliense encolhia-se, e se escondia meio bolinha sobre o mais velho, imaginando qual seria a reação de Brasília acordando agora e vendo o que estava fazendo, e com quem estava fazendo.
!
Começaram a decolar, e por um instante de terror o capixaba buscou o carioca temendo pela segurança do voo, mas ele tinha deixado de brigar com a mulher gorda e estava agora colado entre ela e a janela do avião, completamente esmagado, e incapaz re ver algo além da janela grudada na sua cara. Suspirou ainda mais aliviad, fechando os olhos e permitindose dormir
Suspirou ainda mais aliviado, fechando os olhos e permitindo-se dormir.
Teve um sonho muito estranho, estava em um lugar negro...Sem luz, sem som, sem temperaturas...Sem sensações em geral...Tentou andar, falar, mas nada tinha resultado.
-...É inútil... -Ouviu uma voz distante retumbar naquele ambiente.
Tentou procurar de onde vinha, mas a voz tinha razão, era inútil...Não havia nada ali...
Até aquele instante...
Uma figura começou a surgir a sua frente, como uma imagem que começa a surgir da água da turbulenta à sua calmaria. Uma pessoa, de praticamente a mesma altura que a sua... Cabelo castanho penteado para trás... E então o reconheceu, Brasília.
Estava de pé, de olhos fechados, como se dormisse.
Tentou chamá-lo...Mas sua boca sequer abriu-se. Começou a agoniar-se.
-...Segues com isso? Que não te disse que és inútil...? – A voz tornou a comentar, com algo de graça – Ele não ouviras
"...Mas...Por que...?" –Tentou perguntar mentalmente.
- Haha! Pois, porque não estás falando com ele... – Outra figura muito mais difusa começou a surgir às costas da capital, de maior estatura e um grande sorriso.
"...Que...?"
-Tu gostas do natal?
"O que tem isso haver?"
-Pois... A ele gosta... Vejas
E algo branco começou a cair naquele ambiente desolado.
-Imagino que...Isso deve de ser o que chamam de...Neve... – A figura pegou um fragmento branco e o analisou em sua palma distorcida -... Como se sente...A neve...?
"Er...Gelado...?"
-Não neva no Brasil... - Uma segunda voz juntou-se, esta imediatamente reconheceu como sendo de Brasília. - ...Não, neva as vezes... No sul... Eu vi pouquíssimas vezes a neve...Mas ela é muito bonita...Quando Goiás me explicou pela primeira vez o que era natal..Ela me mostrou desenhos...Enfeites...E eu não entendia... O porquê da neve...
Enfeites...E eu não entendia... O porquê da neve...
-Aaah sim, isso és culpa de Lisboa creio eu, nunca estive no centro da pátria...Creio que lá há de nevar...
Espírito Santo ouvia a conversa completamente confuso, sem saber porque ele era o único que não conseguia expressar-se.
-Aah...Mas há muito que conheço esta celebração... Não deveriam de ser nascidos naquele tempo então...
"Mesmo com a neve, este lugar não lembra nada o natal...É muito desolador...Agoniado...E triste..." Pensou, e o difuso ser riu, balançando sua cabeça concordando.
-Tens razão irmão!
Só então Brasília virou-se em sua direção, aparentemente vendo-o, e tentando-o reconhecer.
Porém, uma dor aguda o tirou daquela escuridão de forma repentina e arfante.
- Sorr-..Deskyupa...
Estava dentro do avião, tinha acabado de levar uma cotovelada na cabeça do gigantesco homem ao seu lado e estava algo mareado. Demorou um pouco para conseguir lembrar onde estava, ou aonde estava indo...Massageando os olhos, e devido ao despertar repentino...Esquecendo-se completamente do sonho que tivera.
Observou os demais, quando recordou-se também que não estava sozinho naquela aeronave. São Paulo seguia sustentando a Capital em seu colo, enquanto ouvia música com um par te fones gigantescos escritos "I S2 music" e balançando a cabeça distraidamente, Rio por outro lado seguia tentando arranjar uma pose minimamente cômoda...Ambos plenamente acordados...
Mas Brasília não, seguia dormindo..No que parecia um sono muito profundo...
Resolveu virar-se e encarar a janela, sem esperanças de conseguir voltar a dormir, ou sonhar...
E assim foi.
-.-.-.-.-.-.
-...Onde ele foi...?
-...Creio que ele acordou...Sabias quem eras...?
-...Hmm...Acho que sim...
-Vaya...Que grande capital eres, hã?
Envergonhar-se-ia naquele instante a capital, se ali fosse capaz de algo sentir.
-...E você...?Quem é? E porque fala desse jeito...Estranho...?
-Acabas de pensar que vossa senhoria também falas estranho para parecer-te mais formal e sério
-É capaz de ler meus pensamentos?
-O que são pensamentos senão palavras ditas a si mesmo? Pois, por isso posso ouvi-las.
-...Não faz sentido...
-És porque vossa senhoria és uma pessoa muito confusa consigo mesma... De veras não consegues criar um lugar mais agradável de este que estamos? Santo sim que tinhas razão, este lugar é demasiado desolador...
-...Eu...? ...Criar...?..E por que sua imagem é tão confusa...?
-É porque tu não estás olhando para mim.
-...É claro que estou, esta justa na minha frente...Mas... – A imagem não tinha forma muito definida, parecia humano, era alto, e sua voz delatava que era homem...Isso era tudo... – Então diga-me o que fazemos aqui...
-...Eu que deveria perguntar-te isso, apenas estou aqui porque vossa senhoria parece estar perdido, eu fui chamado por ti, ou quiçá por sua companhia.
-...Minha companhia...? E...Se você não está aqui na minha frente, onde está?
-Aaaah! Finalmente perguntou! – Alegrou-se o ser capaz de sentir – Estou aqui... –Apontou para o coração da Capital- Não me conheceras se não olhar para aí...
-...Assim? – Abaixou a cabeça e literalmente olhou para seu peito.
-...Vaya que Rio o entendia muito mais fácil - Suspirou – Tudo isso és vossa senhoria... Se nada há aqui, és porque sente-te vazio... Agora, se poder olhar para dentro de si mesmo, serás capaz de ver-me com clareza...Mesmo que nunca nos tenhamos conhecido.
-...É que eu não sei fazer isso...
-Tão fortes são os agarres que te prendem ao mundo físico? São como correntes que te agarram ao chão, como pesos sólidos que crês que terás que levar pela eternidade a fio...Ah, que lastima de ser és...Sim que tens minha pena...Mas descuida, vim aqui ajudar-te.
O vulto aproximou-se e tocou a testa da capital , que tremeu com o gesto.
-...És isto que te liga ao mundo dos vivos... O último sentir que carregas antes de entrar aqui...Isso desencadeará os demais...-Pode sentir um toque frio sobre sua pele, um toque quente - ...És um gesto de zelo...Aaah, um nostálgico gesto...
Pode distinguir um sorriso naquela forma.
E agora aberto a poder sentir, começou a entrar em pânico, por não saber onde estava, ou o que deveria fazer...
O ser aproximou-se mais, e aproximou sua forma unindo-a com o brasiliense, colocando parte de si sobre seu coração.
-...O- o que?! Mundo dos vivos?! Q-quer dizer q-que eu morri?! E-eu...! M-mas eu...M-mas...
-Permitir-me-ia ajudar-te?
-E-eu... ...E-eu nem...T-te conheço...-Respirou fundo, engoliu em seco - ...C-certo...Se for ajudar a sair daqui eu...Aceito...AAAAH!
Curvou-se de imediato, sentindo uma pulsada forte em seu peito, e de lá uma pequena luz sair, deixando-o arfante...Como se de uma parte de sua própria vida fosse...
E o era.
Ia cair de joelhos, mas algo...Alguém, o segurou.
Observou cansado a figura de um homem alto em sua comparação...Não mais que 1,70, cabelos castanhos desgrenhados, olhos negros e vibrantes, um grande sorriso e uma pele de tom amorenado. E nada mais que uma capa branca lhe cobria.
-És um prazer Brasília! – Sorriu radiante - Podes chamar-me Pedro se assim queiras.
-.-.-.-.-.-.-.-
-...Mah...? – Rio Grande do Norte entrava procurava a mais velha.
- FELIZ ANIVERSÁRIIIO! –Levou um susto quando a encontrou na cozinha, como não.
-...Ah...Obrigado Mah! E...Pará...? ...Que faz aqui...?
-Olá! – Cumprimentou o nortista sentado numa mesa de canto tomando calmamente o café da maranhense - ...Ué, eu vim buscá-los. Imaginei que iriam querer ir de ônibus ou algo assim. E demorariam demaaais, então consegui um aviãozinho de um produtor amigo meu, e vim.
- Não é legal Norte?
-...Eu não posso aceitar algo assim... – Colocou as compras na mesa, pensativo.
- Considere meu presente de aniversário para ti! Além do que eu...Precisava falar um assunto de...Família com Mah.
-...De família...? – Pegou um pouco de café – Iara dando trabalho de novo?
-Sempre... Mas vim falar sobre Piauí...E...Tocantins... – A nordestina fez um pedido silencioso com o olhar - ...Mas sobre isso falamos outro dia...Afinal, hoje é seu dia!
-...Ah sim, faz tempo que não vejo a pequena Tocantins por aqui, uma pena, gosto muito dela.
-...Sim...Dela...Claro...Hmm
- E falando nisso, Piauí saiu correndo quando cheguei... Perguntei se estava tudo bem, ele disse que ia fazer a mala...Parece muito transtornado... Ele anda muito estranho ultimamente – Deu um sorrisinho malicioso para o nortista - ...Tô achando que Tocantins está mexendo com o coração do meu menino.
Maranhão sorriu amarelo, Pará apenas balançou a cabeça, conformado.
-Tu não faz ideia irmão, não faz ideia...
-.-.-.-.-.-.-.-
-A-a-a-aonde e-e-estamos indooo?! – Berrava Brasília agarrando-se firme do homem que mal conhecera...
Mas o que mais podia fazer se ambos estavam simplesmente voando pelos céus?
- Vooar és tãaao incríveeel ! – Dava giros, mergulhava e voltava a subir.
-E-e-então siga você so-sozinho e deixe-me no chão!
-Baah...Não poderias fazer isso... Vossa senhoria que estás voando, não fui eu que o fiz fazer...Talvez o esteja fazendo em vida e...Waaa! Que são toodas estas coisas pontudas e altas? Que coisas tãao raras tens aqui, no?
Sobrevoava uma cidade, que Brasília no momento não sabia precisamente qual era. Uma das razões era que não conseguia ficar de olhos abertos por mais que três segundos...
-...Se não vais a olhar por aonde vamos, vou assumir a localização para algo que conheças...Te importas?
-N-n-nãaao! C-contanto q-que me p-ponha n-no chão!
-Vaaya! Que capital assustadiça és vossa senhoria!
E para completo horror do brasiliense começaram a mergulhar, e pior...O tal Pedro o fazia de olhos fechados...E PIOR, porque era possível ser pior nessa situação, os prédios e construções que eram vistos à distancia simplesmente começavam a sumir, e as árvores começam a tomar tudo, primeiro os grandes prédios trocados por casas, casarões, plantações e logo a pura floresta.
-M-ma-ma-maas...
-Que não te ensinaram a falar o português direito Hã? – Ria Pedro. E mergulharam ainda mais fundo.
- VAMOS BAAAATEEER! – Também fechou os olhos.
- UHUUUUU!
E nada aconteceu.
-...Ei, podes soltar-me agora...
Brasília abriu devagar os olhos, e de fato...Estavam em terra firme. Caiu de joelhos pensando seriamente em beijá-la...
- Aaah! Quantos séculos fazem que não vejo este lugar?! Se vê melhor assim sem todas aquelas estranhas coisas pontiagudas...
Estavam frente a um casarão de estilo completamente português. Carruagens e pessoas a cavalo vinham num sincronismo quase musical em direção a casa grande, isso e os trajes fizeram o queixo do cinquentão quase ir ao chão, era como entrar em um daqueles filmes históricos antigos... Os vestidos cheios, os fracs longos, as carruagens...Lamparinas!
-...Minha...Nossa...-Foi o mais decente que conseguiu dizer – Antes de ser completamente arrastado para dentro -...I-isso...É-é...
-Um baile! – Anunciou feliz abrindo os braços indicando um salão gigantesco repleto de pessoas- O primeiro natal que passamos juntos!
E indicou ainda, para completar o trauma do brasiliense, a si mesmo...Outro Pedro, que ria e bebia distraidamente enquanto falava com outro homem de costas, de cabelos negros presos num rabo-de-cavalo
-Q-quem...O-ou...O-o que é você? - Perguntou a Capital assustada, olhando de um para o outro.
-...Eu...? Hmmm... -Resmungou pensativo observando a si mesmo rir e apontar outras pessoas daquela festa -... Um fantasma do que já fui...Apenas um espírito a observar os natais que já passaram...-Sorriu melancólico.
- E-então isso... -Olhou para o grande salão - ...É...Um natal...Que já passou?
- Ora! Estás começando a entender pequeno! - Bagunçou os cabelos do brasiliense.
-...É...Um passado muito antigo? - Embora sentia que a pergunta era obvia. -...O seu passado?
- Duzentos, trezentos anos... Não és como se eu soubesse ao certo. E este és o nosso passado.
-...Então...Você ...Morreu...? E por isso é um fantasma - Continuava tentando entender pensando porque essas coisas sobrenaturais sempre aconteciam com ele...
- Não. Eu só não existo mais.
-...E não é o mesmo...?
- Não.
- M-mas isso... - E ao notar que alguém aproximava-se tentou esconder-se atrás das enormes cortinas que iam do teto até o chão.
- Descuida pequeno, ninguém pode nos ver.
- ...Essas pessoas...Me parecem familiar... -
O homem que quase atravessou-os era alto, pele de um sutil moreno. cabelos curtos e bem claros...Quase num tom loiro escuro, e olhos muito verdes.
Atrás dele havia uma criança, loira de olhos azuis perolados... Era pequena e muito magra, e via tudo com uma expressão de curiosidade.
- Ah sim, vossa senhoria os conhece... O Mais alto é Pernambuco
- NÃO ME DIGA QUE A CRIANÇA É CEARÁ?! - Colocou em choque.
- Franceses - Colocou como explicação única - E holandeses no caso de Pernambuco...Esses europeus disputavam muito com nossa pátria nesses tempos... Mudávamos de aparência muitas vezes...
- ...Minha...Nossa...
Procurou mais pessoas "conhecidas". Outra loira ao fundo, de cabelos ondulados deduziu ser Maranhão, além da cor dos cabelos não tinha mudado muito mais... Pará tampouco, que andava junto a uma pequena Amazonas, ambos estavam praticamente iguais, exceto que o tom de pele de ambos era mais amarelado, e a nortista possuía muito mais cabelo, trançado quase chegando aos seus pés
Não havia sinal de nenhum dos gêmeos, Tocantins ou Goiás... Mas então lembrou-se que sua região era mais nova...E que talvez ou fossem muito crianças...Ou ainda não existissem...
E essa segunda opção o incomodava muito...Dando-lhe um vazio indescritível no peito.
Decidiu então procurar pelos mais velhos que conhecia e ainda tinha certo contato...Mas nenhum sinal de Bahia ou de Rio de Janeiro...E pensando nesse segundo...Tampouco tinha visto São Paulo por qualquer lado...
-...Que saudades... - Pedro comentou observando todos com o olhar entrecerrado aproximando-se de si mesmo e observando atentamente o homem de cabelo preso, tentando tocar-lhe...E no entanto, sua mão atravessou-o - ...As vezes eu puxava sua bochecha para tentar fazê-lo sorrir...Mas de nada me valia...
Por alguma razão, o brasiliense colocou a mão em sua própria bochecha ao ver o gesto.
-Por que me trouxe aqui para ver tudo isso?
O mais velho voltou-se e sorriu sutilmente.
-Estás aqui porque te sentes deslocado...Sentes como se não fizeste parte de tudo isso...Como se foste tudo um passado distante demais... E não te diz respeito...
-...Claro que não...Eu não estava vivo.
O fantasma abriu a boca para argumentar, mas foi interrompido por um adolescente que correu na direção dos dois, muito animado.
-Por que não posso dançar?! Se vê muito divertidooo!
-Se tu sequer sabes! Só vás a passar vergonha!
Era um jovem de aspecto infantil, cabelos castanhos bem curtos e excessivamente arrumados, roupas das mais formais e gravata bufante. Brasília não o reconheceu, mas algo em seu olhar mostrava-se familiar...
-...E quê se passo vergonha?! És Natal! Tão somente me quero divertir!
- Não digas estupidezes! Eres uma futura Capital! Porta-te como tal!
Então abriu os olhos e a boca do mesmo tamanho.
-R-rio..?!
- O próprio...Embora, não exatamente em carne e osso...
- E que tens haver eu ser Capital com não poder divertir-me?!
-Tuudo! - Gritou o homem barbudo de aspecto severo - Tens que sabe portar-te de acordo coma importância que tens!
-...Também te proibiam de fazer coisas por sua posição..?
-Proíbem... Mas então...- Sorriu de lado - Se queria ir ao show, Matt me levava escondido em sua caminhonete ...Embora ele realmente não goste muito de rock...Claro que depois eu tinha que ir num de sertanejo...Mas até valia... Goiás sempre aliviava a barra quando éramos descobertos, e Sul sempre nos acobertava...
-...Ah...- Comentou simplesmente Pedro, sem entender completamente o que Brasília dizia.
-...Ademais, já disse que não sabes dançar!
-Pois, se não sabe dançar, só o tens que ensinar, não crês?
Brasília e os outros dois sobressaltaram ao ouvir uma terceira voz intrometer-se na o homem alto de cabelo preso...De frente pode ver seu olhar severo, olhos negros como uma noite sem estrelas, um sorriso ladeado sem felicidade, e suas roupas não eram iguais a dos demais...Usava calças bufantes e uma espécie de colete até os joelhos, além de botas longas.
-A-a-ah! - Gaguejou o homem barbudo afastando-se ao ver, ao mesmo tempo que o brasiliense que o recém chegado carregava uma espingarda em suas costas.
O homem fez uma minúscula curvatura com a cabeça e logo ofereceu sua mão ao carioca.
-Eu posso ensinar-te se desejes, mas já aviso-te que não sou um professor muito paciente.
-...Mas quem é ess-
-São Paulo! - Exclamou o menor - Sabes dançar?!
-São Paulo?! Só pode estar brincando!
E talvez o carioca fosse um dos únicos naquele salão que atuasse assim frente àquele homem.
-Quem crês que Lisboa usava-se para ser par de Bahia? -Pôs com suficiência, e sem esperar resposta aproximou o menor contra si - Suba-te em minhas botas, eres demasiado anão...
-Não sou anão! - Ainda assim obedeceu a contra gosto.
A atual capital observava a cena de boca aberta, sem saber se devia impressionar-se mais pela aparência que levava paulista naquele tempo, ou pelo que fazia...
-Da mesma forma que tu não estavas sozinho, ele tampouco...
-...Tens razão Pedro -Uma mulher de pele clara e cabelos negros trançados observava a cena também, vestia um vestido longo amarelo de volumosa cintura, característico de sua época, de mangas volumosas, luvas e ombro exposto. - Creia que não voltaria a falar com ele...Mas veja-os!
De fato, a cena impressionava todos, muitos pararam de dançar para observar...
Até uma criança de cabelos castanhos e olhos verdes que até instantes dava voltas em circulo pela mesa de baquete se dispôs a passar correndo pelos dois chorando, sendo perseguida por um menino negro de cabelos cacheados de idade e estatura um pouco maior. Ainda na perseguição uma jovem negra de vestido branco muito simples tentava pará-los, mulher que de alguma forma lembrava muito Bahia...
Foi instaurado o caos. São Paulo largou o carioca e este foi ao chão, para que pudesse ajudar a moça, Pedro ria quase ao ponto de cair também, a moça de amarelo tampava o rosto com as mãos, descrente...E quando a jovem esbarrou num homem que parecia nobre e este gritou algo como "Saia escrava suja!"...O tiroteio começou.
Quando a atual capital viu um terceiro menino de cabelos castanhos claros pegando o menino negro pela orelha e o puxando... Pode imaginar quem eram aquelas crianças.
-...Bem...- Começou Brasília não conseguindo evitar de desviar das pessoas e objetos lançados - ...Ao menos isso não mudou...Por isso proibimos armas dentro das reuniões na década passada...
-Como assim proibiram arma?! - Exaltou-se Pedro. Só então percebeu que sua figura no passado, igualmente que o paulista, andava armada...
E olhando bem...Estava conversando com a figura passada, que ria da situação, e também desviada das pessoas, até receber ordens da mulher de amarelo e adiantar-se para deter o Bandeirante.
Agora sim sentia-se completamente perdido, e sozinho.
O menor que fugia, que deduziu ser Matt agora escondia-se atrás das pernas da jovem negra, e esta ocultava-se assustada e tremula junto ao paulista...O qual era detido como podia por Pedro, que parecia estar usando de todas as suas forças...E ainda assim ria! Ao tempo que quem imaginava ser Paraná e Minas discutiam embaixo da mesa.
Então tudo começou a escurecer, e as imagens a se dissiparem... A última coisa que pode ver foi São Paulo soltando-se do agarre, dando-lhe um soco no Pedro e este indo ao chão...E por alguma razão o brasiliense sentiu uma dormência no rosto...Perdendo também a consciência...
E tudo tornou-se negro...
-.-.-.-.-.-.-.-
-Ele se mexeu! -Exclamou São Paulo -...E me chutou!
-...Mas parece uma gravida falando do feto - Resmungou o carioca ainda irritado.
Acabavam de descer do avião, e encaminhavam-se aos portões de desembarque para encontrar-se com Paraná e Matt, que por alguma razão sabiam onde ficava a casa do paraense.
-...Quando cê vai parar com essa crise...?
-Quando tu vai soltá-lo?
Espírito Santo, mais afastado, seguia os dois em silêncio ouvindo sua conversa.
-...Rio...Você sabe que como ele é a Capital, ele é pesado, você sequer conseguiria levantá-lo do chão! E o que eu queria dizer Sr. Ciumes, é que se ele se mexeu, significa que voltou a respirar e o coração a bater!
-...Ou isso, ou ele é um zumbi
-Não faça essa brincadeira com Zumbiis! - Escandalizou o paulista aterrorizado
-Agora só precisamos achar os dois.
-Maaamaaaa! - Os três Estados viram ao longe dois olhos verdes de um saltitante Mato Grosso que segurava uma placa escrito "Família Sudeste ".
São Paulo assumiu o mesmo tom vermelho fosforescente que o Paraense, que não sabia se surrava seu meio irmão, ou se escondia atrás de algum pilar.
-...Achamos.
-Oooi! - Cumprimentou o do centro-oeste feliz sem precatar-se do constrangimento. - Como ocês estão? Brasília tá melhôr? - Tentou Vê-lo sobre os ombros paulistanos e cutucar sua bochecha.
-Não cutuque ele assim Matt!
-...Oi...- Paraná ainda sem saber o que fazer, amaldiçoando o caçula.
-E aí? - Rio, já acostumado com essa família doida.
-...Hmmm...- Resmungou Brasília ao ser tocado, agarrando-se mais de Sampa - ...Papa...
Rio resmungou, Matt afastou-se observando a cena curioso, e Paraná... Fechou a cara de imediato.
-...O que ELE está fazendo ae? -Apontou o sulista a contra-gosto.
-Ele não está andando - Explicou Sampa - Trouxemos uma cadeira de rodas, está junto com a bagagem, mas achei que seria mais fácil achar um taxi se eu continuasse a levá-lo.
Paraná não parecia muito satisfeito com isso, olhando, por alguma razão, acusatoriamente para Rio de Janeiro.
-...E só eu consigo levá-lo -Completou sorrindo de lado vendo as bochechas infladas e insatisfeitas do sulista.
-Háhá! Maninho está com ciuuumeees~
-Cale a boca Matt!
-...Ai, ai...Estou cercado de ciumentos - O paulista balançou a cabeça negativamente, e PR pisou no pé de seu irmão caçula, evidentemente irritado e envergonhado.
-...Não estou com ceumes...
E seguiram caminhando em direção à saída.
-Minas está lá fora, ele e Rio do Sul foram procurar um Táxi pra gente! - Explicava MT feliz.
-Rio Grande do Sul veio também? E quando Minas chegou?
-Sul está me seguindo por alguma razão - Anunciou paraná irritado - E Minas veio comigo, ele estava em minha casa...
-...Hmmm...
-Aaah! Oláa Espi! - Repentinamente Matt exclamou chamando a atenção dos outros três.- Cê também estava no voo?
Espírito Santo, que tentava passar despercebido atrás do homem gigante foi pego porque deixou sua garrafinha de bebida cair ao chão.
-ESPI!
-Brother!
-...Er...Oi...? - Sorriu sem graça.
-Como é que vocês me pegam o mesmo aveão que eles e não percebem?! - O sulista exasperado.
Um silêncio incomodo formou-se.
-Chegaram! - Porém a voz do gaúcho quebrou o silêncio incomodo - Até que enfim! Creia que esperaria até o próximo natal!
-Ninguém mandou você vir!
-Paahziiinho todo nervoooso~~ Aaai! Maaamaa! Ele me bateu!
-EI! Por que bateste em mim também?! Que fiz?!
-PARANÁ! Pare de brigar com seu irmão! Mas pode continuar batendo no gaúcho.
-EI!
-...Que família buscapé... -Comentou descontraído o carioca colocando as mãos no bolso e sentindo uma necessidade incrível de fumar...
-Tu deverias ter avisado que estava junto Santo! Agora vamos mesmo precisar de outro táxi.
-Nem ferrandu qui iamos caber todos num só táxi mesmo...
-Eu posso levar Brasília no meu colo se ajudar - Sugeriu São Paulo.
-NÃAAO! - Berraram Rio e Paraná ao mesmo tempo.
-Se for assim, melhor alugarmos um carro e eu derejo - Sugeriu o paranaense.
-NÃO! - Berraram o gaúcho e Matt juntos.
-...Hmm... - Começou Espi sem saber se ria ou sentir-se nervoso...Ou os dois. E mesmo caminhando em direção ao último Táxi da fila que o mineiro conseguira, os presentes viraram-se para ouvi-lo, fazendo-o incomodar-se com tanta atenção - Desculpa não avisar que estava no mesmo voo...Eu...Só não queria incomodar.
E algo que jamais imaginou que aconteceria na sua vida...Passou, ao encontrar olhares com o paulistano... Sentiu-se tenso pelos últimos acontecimentos, mas tentou sorrir.
Porém o paulista logo desviou o olhar envergonhado, e acelerou o passo em direção ao transporte. Espi não foi capaz de esconder a surpresa pelo ato, e só o gaúcho que saiu para buscar outro carro - e salvar a vida de todos de uma carona paranaense- não notou o desconforto.
Rio de Janeiro suspirou passando a mão pelos cabelos para trás, Matt entristeceu-se e Paraná ficou ainda mais nervoso.
-O que foe agora?!- Exaltou-se Paraná sem já um pingo de paciência, encarando o capixaba com irritação.
Instintivamente Santo deu um passo para trás, convenientemente escondendo-se atrás de seu fratello.
-...Ei Pah...Fica calmu...
- Santo num tem culpa de nada aqui - Outra voz se uniu a conversa. Minas - Eu expliquei pá ocê Pah, i si ocê num cadin de cabelo dele, eu qui vô ti quebra a fuça!
Rio de Janeiro abriu os olhos como pratos com a conversa, virando-se padz seu irmão mais velho impressionado, o qual também estava de boca aberta.
-Quero ver você tentar!
-Ocê tem qui aprende a si controlá quandu tá nervosu!
- E-eii! Cês dois! -Tentava intrometer-se Mato Grosso apreensivo.
- O que está acontecendo aqui?! - São Paulo voltava sozinho, deixando Brasília com o gaúcho em um dos táxis - Eu não posso virar as costas um segundo?! Será que vocês não podem evitar de brigar PELO MENOS na noite de natal?!Agora separados, JÁ, E EU NÃO QUERO DISCUSSÃO!
Minas e Paraná trocaram um último olhar desafiador, e foi cada um para um táxi diferente.
Foi a vez do carioca receber um olhar repreendedor.
-E por que você não brigou com eles? !
- Quem?! Eu?! - surpreendeu-se, ES tornou a esconder-se atrás do maior, ficando fora de vista.
-É claro!
-...E eu posso fazer isso...? - Sempre pensou que o Brasil explodiria se qualquer se atravesse a levantar a voz a alguma das crias de Sampa
-Mas é claro! Se você ver que eles estão se comportando mal!
Respirou fundo abstendo-se de responder que nenhum deles era mais criança.
-Eles não me escutariam de todas as formas...
-Eu te escuto -Contestou Matt inflando as bochechas.
-Viu?! - Apontou para o caçula - Matt, pequeno, vá no táxi junto com Pah e Brasília.
-Tudo beeem!- E o de olhos verdes agarrou Santo de seu esconderijo e o arrastou junto.
...Certo, talvez ainda um pouco crianças.
- E eu vou onde?- Aproximou-se e questionou com inocência o gaúcho
Pobre sulista caçula, militar noivo de nordestiva, pobre Cabra acostumado a receber ordens de todos os lados.
-Aaah...Ehh...Pode vir com a gente Gaúcho.
Confirmou com a cabeça e seguiu para o outro com Minas.
-Eeer...Eu tenho outra cria e não sabia? - Questinou com graça un pouco mais relaxado.
São Paulo sentiu dois braços fortes envolver sua cintura, e uma respiração pesada sobre seu cangote, sentiu as pernas tremerem, e a coluna arrepiar-se
-Hmmm...Rio?
-Eu te amo.
-...Por que isso agora...?
-É só pra tu lembrar - E o sorriso idiotizado paulistano era digno de uma foto,
Inclinou o rosto e o beijou, profundo, lento, uma mão bagunçando seu cabelo, tentando soltá-lo, e a outra mão acariciando sua cintura.
-Eiiiii, vocês! - Era a voz do sulista - Sabiam que pagamos por tempo parado também?! Vocês não vão a ficar com isto no caminho não é.
-Sua nova cria está atrapalhando - Comentou o carioca sobre os lábios contrários.
- Quando estão irritando, são suas crias - E deu outro beijo.
- Aaaah vamos! Por favor!
Os amantes cederam, e encaminharam-se até o veículo, e não é necessário dizer que São Paulo ruborizou-se a ter a mão tomada pelo mais novo.
-Mas que gay...
-CALA A BOCA VEADO!
-E QUE MORAL TU TENS PARA ME DIZER ISSO?!
-Ei, ei, nada de brigas heim? Cadê o espírito de natal, hã?
-.-.-.-.-.-.-
-...Papa...
Estava completamente assustado, em um lugar completamente escuro...Onde não havia luz, saídas, ou qualquer coisa pela qual aferrar-se.
Não sabia se ainda era natal, ou quantas horas haviam passado... Não sentia fome, nem sono...mas ainda sentia a cabeça dolorida, como se tivesse sido ele que recebera o golpe do paulista, em vez de Pedro.
-...Porque tão nervoso criança...? - Uma voz feminina surgiu em meio ao escuridão, e só então começou a dissipar-se...Revelando as paredes tão conhecidas de seu próprio quarto.
Levantou-se algo tremulo e tonto, notando uma forte luz dourada por de baixo da porta de seu quarto.
-Que esperas menino? Não te acanhes
Inseguro, atravessou o piso...E abriu a porta.
A mulher de vestido amarelo ouro estava numa sala que não era sua... Grande, e luxuosa... A jovem sorriu com sua pele clara...Não era branca, mas também não era morena...Mestiça, de olhos negros muito familiares, e grandes lábios.
-Vamos! Sente-se, vamos conversar...
-...Aonde foi Pedro...?
-Pedro não faz parte deste tempo... -Respondeu com uma expressão misteriosa no rosto.
-...Que tempo...? A última coisa que me lembro é Sampa o acertar e então...
-E por que te enfocas tanto no passado? - E fez um sinal com a mão para que se aproximasse, e para seu espanto uma rica poltrona de veludo vermelho a par com a da jovem apareceu a sua frente.
-...Hã...? - Estava realmente ficando confuso - ...Mas aconteceu agorinha...
-O que aconteceu a um segundo já é passado. Então, por que te prendes ao passado?
-Eu...Só estou preocupado com Pedro...Sabe, ele me ajudou então...-Sentou-se.
-Este não és o tempo dele, não o voltarás a ver. - respondeu com a mesma expressão - Mas ele pediu que o agradecesse de sua parte.
-...Agradecer...? Mas por...
-Por dar-lhe outra oportunidade de vê-los... A ele que está preso ao passado, mas tu não o estás... Embora também faça parte dele...
-É isso que não entendo! Como posso fazer parte de um passado que não estava vivo? Como posso tê-lo ajudado se nada fiz?!
E para seu completo desconserto, a mulher começou a rir.
-...De quê você está rindo?!
-De ti claro! -Seguiu entre risos - Eres tão inocente... - Levantou- Tu sabes o que eres?
-...O que sou?
-Eu, e meus irmãos...Todos nós, fazemos parte de ti...Deve ser difícil para você entender...Mas todos nós sempre estaremos aqui, contigo...Por onde quer que vá.
-...Por que eu sou a Capital...?
-Tu es muito mais do que isso, tu foste criado para sê-lo... Isso é realmente muito especial...Único.
-...É só uma forma diferente de dizer que sou sozinho...Não existe nenhuma capital igual a mim...E nada do gênero no último século!
-Mesmo quem já morreu, quem tu nem conheceste, estás contigo...São um só contigo.
-Por que vocês dois tem que falar em metáforas?! Eu não entendo nada...E afinal quem é você...?
-Eu vou mostrar-te que tenho razão, venhas, levanta-te e segura-se em mim.
-Aaaah! Nãaao! Voar de novo não!
Tornou a rir.
-E você tampouco me respondeu sobre quem é!- Ainda assim segurou na barra de seu vestido.
Deu um grito quando o chão simplesmente desapareceu, e agarrou-se ainda mais da jovem desconhecida.
-Quem sou? Estou nos seus natais presentes, embora aqui seja só um espírito...Um fragmento do que sou em terra, que não me reconheces? Pois...- E se o vazio embaixo de seus pés que ia ganhando uma coloração azulada como o céu, já não fosse impressionante o suficiente...
Um puxão o fez olhar para cima, a jovem que já não era muito baixa, cresceu mais alguns centímetros, sua pele, como a tinta que cai sobre um papel branco, começou a escurecer-se até o negro, seus lábios tornaram-se mais vividos, e sua face menos jovem. Abriu a boca em choque ao reconhecê-la, ao tempo que o vestido amarelo de época ia assumindo um ar mais leve como se fosse feito de cetim.
-Melhô agora, meu rei?
-BAHIA!
E a imagem de uma casa tomou forma aos pés dos dois.
-.-.-.-.-.-.-.-
Era uma casa gigantesca, com até mesmo pilares circulares em sua entrada, que embora não fossem de mármore o imitavam muito bem. De uma cor pastel com detalhes azuis de contorno, que lhe davam uma aparência aportuguesada. Imagem que se completava com os desenhos do mar em azulejo lusitano que recebiam a porta.
Dentro dela, porém, era algo vazia, de moveis simples de boa madeira, muitos feitos pelo próprio dono da casa, outros feitos de palha, todos muito bem trabalhados nos ambientes espaçosos.
A predominância da madeira e os tons da palha lhe davam um ar muito aconchegante e praieiro.
Algo diferente naquela casa, e alvo da atual discussão que acontecia, era uma grande árvore, uma espécie de pinheiro de verdade enfeitado com os mais diversos enfeites e luzes natalinas, amarrado a menos de dez passos da entrada.
-Tu simplesmente não respeita a natureza!
-És só UM pinheiro! E es natal!
-O natal é desculpa para tu desmatar as minhas terras?!
-E quem disse que ele veio de TUAS terras?
-Eu reconheço cada uma das árvores da minha terra, como se fossem fios do meu cabelo - Alegou colocando as mãos na cintura.
-...É...Tinha esquecido disso...
-Então tu admite!
-Mas foi só uma árvore!
-SÓ UMA ÁRVORES?!
Certo, tinha dito as palavras erradas...
Aos poucos, carros e táxis iam chegando, deixando os Estados para aquela grande festa de natal que estava por começar.
-...Eles começaram cedo - Ceará que saíra de um dos táxis dividido com aperto por ele, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Alagoas... Observava a briga bem interessado.
-...Francamente, esses dois não tem solução... - resmungou o pernambucano - Alagoas tenha cuidado co-...Visse! Aonde ela foi?!
-Ela já arrastou Sergipe para dentro - Respondeu Paraíba.
Literalmente arrastou.
O mais velho levava uma camisa vermelha e calças jeans, nada demais, Ceará vestia azul e preto...E uma guirlanda de natal no pescoço... Como o menor levou 6 horas fazendo-a, o pernambucano perdeu a coragem de proibi-lo de usá-la...E a coisa brilhava e tudo!
E Paraíba, incrivelmente, usava um vestido curto e igualmente vermelho.
-...Eu NUM acredito que cê me fez vesti essa coisa...
-Cê é mulhê, tem qui vestir essas coisas.
-Má como eu vou abrir as pernas assim?!
-PRA QUE CÊ QUER ABRIR AS PERNAS?! - Gritou exasperado o nordestino, assustando Rondônia, Roraima e Amapá que chegavam juntos.
-Prá andar, pra correr, viver sabe não?!
-Uma mulhê num precisa ficar correndu pur aí! E cê pode, e DEVI andá cum as pernas fechadas.
-Queria ver cê tentar!
-Eu não sou mulhê
-...Não, mas gosta du mês-
-CALA A BOCA E ENTRA AGORA NA PORRA DA CASA!
-NÃO CHAMA MINHA CASA DE PORRA! - Virou repentinamente Pará ignorando o chilique da amazonense.
O nortista e seu dom de brigar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
-Eu estou falando contigo Pará!
-Eu chamu ela du que eu quiser!
-Perna, respeita u homi, a gente samos convidados - Interveio o cearense tranquilo - Bichinho, cê uma casa muito bonita.
Ceará, o conciliador.
-...Hmm...Obrigado...-Fulminou o mais velho nordestino com o olhar, e voltar a brigar com a amazonense.
-Hunf!- E o PE caminhou para dentro contrariado.
-Íba - Chamou o cearense a irmã que também estava a ponto de entrar irritado - Eu trouxe um short pra'cê cumigo, depois que eu embebedar Perna um teco eu te dô.
-Aaaah! Cê é o melhôo! -E abraçados eles entraram também.
Então chegou o sudeste/sul/Centro-oeste, o carro com Paraná e Brasília foi o primeiro a chegar, e assim que pisaram no terreno, Goiás como se fosse materializada do chão, surgiu maternalmente para saber como estava Brasília, e com a ajuda do sulista e Matt - completamente enciumado - entraram com a capital na companhia da goiana.
Espírito Santo ficou do lado de fora, vendo a briga de Paraense, sem saber se deveria interromper ou esperar...
Nesse meio tempo, o outro táxi chegou, no ápice da briga.
-Porque tu não me respeita! Não respeita as minhas terras! Se acha no direito de tudo! Só porque é mais velho!
-Só porque eu sei o que é melhor para ti, não quer dizer que eu tento de controlar!
-Quer dizer sim!E tu deveria me ajudar com o desmatamento, e não intensificá-lo tipo...ELE! Que é o desmatador número um!
Apontou diretamente para São Paulo, que saia bocejando do veículo pois dormiu todo o caminho no ombro de seu amante. Porém mesmo sonolento sempre era ágil quando tratava-se de discussões.
-Desmato mesmo, se não gostou, me processa. - Colocou com suficiência - Bom natal pra vocês.
E se encaminhou a entrada, sem dar atenção a expressão inconformada dos dois.
Rio, esfregando os olhos, logo o seguiu sussurrando um "desculpa" para os nortistas. Rio do Sul correu atrás de ambos, logo depois saiu o mineiro, com cara de poucos amigos. Espi foi ao seu encontro.
-Hmmmm...Tudo bem...?
-Não.
-...Eu posso ajudar pra melhorar...?
-Ocê tem uma panela? Di preferencia bem pesada? - Questionou o mineiro assassinando Pará com o olhar pensando em como poderia lesioná-lo devagar e lentamente com uma boa e pesada panela de barro.
-...Hã...Não... - Respondeu o capixaba estranhado. - Mas eu tenho pão de queijo!
-Pão de queijo?! - E toda a aura maligna simplesmente sumiu, e os dois também entraram.
Lá dentro...
-Por que tu insiste em ser assim com os outros Estados?! - Questionava o carioca irritado ao paulista. Rio Grande do Sul seguindo-os de perto.
-Assim como?
-Ignorante, esnobe, grosseiro.
-Eu sou assim, não posso fazer nada.
-Não! Tu não é! -Puxou seu braço forçando-o aparar e virar-se - Se tu não gosta de alguns Estados, simplesmente ignore-os, e não fique tratando-os mal assim!
-Eu tento ignorar todos eles! Mas eles vem falar comigo - Deu de ombros, forçando para soltar-se do menor.
Rio de Janeiro suspirou exasperado, vendo seu amante com reprovação.
-Por que você se importa com isso agora?!Por que se preocupa?
-Porque eu te amo, e tudo que possa te machucar, é sim da minha preocupação!
Dizia isso com tanta convicção e sem um pisco de vergonha, fazendo o mais velho ruborizar-se e gaguejar um "A-ah" e alguma outra coisa incompreensível em mandarim. E o gaúcho erguer as sobrancelhas.
E ao ver que mais gente entrava, no caso Minas e Espi, Sampa acelerou para dentro a fim de esconder-se até seu rosto atingir um tom normal...E humano.
-Entendes por que toda essa situação começou? - Reiniciou o gaúcho - Eu até entendo essa necessidade dele de ser assim comigo, tratando-se de toda uma rixa antiga, e por que ele simplesmente não consegue aceitar que eu sou melhor - Rio girou os olhos com esse comentários - Mas com todos?! É por isso que agora, como te falei ao táxi, tenho que evitar que Paraná cometa um assassinato! Mas não tens como outros Estados pensarem bem deve se ages assim!
-...Quem vai cometer um assassinato...? -Meteu-se Espírito Santo.
-Cometeria com muita razão - Resmungou o mineiro enquanto comia seu pão de queijo.
-Por que tenho a impressão que tudo isso é culpa sua Minas? - Voltou aos dois o carioca.
-Intão podi deixar de achá, qui fui eu mesmu qui falei com Paraná.
-...Se vocês vão brigar, eu vou-me indo, tenho que ficar de olho no meu irmão - O sulista lançou um olhar ferido ao mineiro, e correu para o salão onde a festa ocorria.
-...Do que vocês estão falando...?
-Sabe Minas, as vezes eu tenho vontade de pegar seu pescoço e - Fez um movimento de torção com as mãos.
-Rio!
-Eu queru só vê ocê tentar fazê algo comigu, namorando cum Sampa. Du lado di quem ocê acha qui ele iria di ficar?
O fluminense grunhiu. Espírito Santo ficou ainda mais perdido, olhando de um para o outro.
-Embora tu não acredite, mineiro, eu me importo com Sampa, e quando soube que alguém estava difamando -o por ai, eu também fiquei irritado. Mas tenho o mínimo de bom senso como para saber que cortar a cabeça de Pará não resolverá o problema.
-CORTAR A CABEÇA DE PARÁ?!
-E u qui ocê fez quandu descobriu?!
-Eu fiquei do lado do MEU namorado, em vez de ir caçar quem fez isso. Porque eu sei, e tu também, que infelizmente a difamação não é sem sentido...Sampa fez por merecer, e por nunca tentar mudar isso, agora paga as consequências.
-...M-mas...! -Apertou o pacote em suas mãos - Ele não mereci isso!
-É lógico que não! Mas tu acha que atentar contra Pará vai fazer alguém nesse País mudar de opinião?!
Minas não tornou a responder agachando a cabeça contrariado.
-...E eu estou tremendamente desapontado contigo Espi.
-...EU?! - Questionou surpreendendo-se, porque realmente pensou que tivessem esquecido de sua presença ali.
-Claro! Eu achei que tu tivesse convivido conosco, com Sampa, o suficiente para ter uma ideia clara dele, e não deixar-se levar pelo primeiro contra que escutasse.
-Mas...- Encolheu os ombros completamente repreendido.
-Num é culpa dele! -Meteu-se Minas, entrando inclusive na frente do capixaba - Pará fala di um jeito terrível! Qualqué um ia ficá na dúvida assim! E Santo num conviveu tanto com Sampa como a gente.
O carioca abriu os olhos como pratos, realmente impressionado. Não só era a segunda vez em menos de duas horas que o mineiro defendia abertamente o capixaba, como ainda havia incluído os dois no seleto grupo dos "Nós conhecemos Sampa".
-Bem...
-Eu nãao acredito no que aqueles dois ingratos me fizeram!
A conversa interrompeu-se quando Bahia e Santa Catarina começaram a entrar pelo corredor, seguidas por Pará e Amazonas que seguiam discutindo sobre desmatamento.
-...Eu já entendi Santa, eles vieram sem você - Repetia a baiana calmamente.
-OS DOIS! Que eu não estou valendo nada mais agora, é?!
-Deve ter sido terrível, todos irem e te deixarem para trás.
-Claro! Tu também sente-se assim?!
-Não, adoro vir sozinha, assim posso chegar a hora qui eu quiser.
A mais novo encarou desentendida a baiana, mas ambos pararam ao ver o grupo a frente. Bahia instantaneamente entrecerrou o olhar com seu instinto de "Tem treta aí" apitando.
-U qui aconteceu?
-Por que estão todos aqui?
-Na verdade isso...- Começou Rio.
-É TUDO CULPA DELE! - Apontou Minas quando os dois nortistas finalmente entraram.
Todos os olhares, inclusive o de Amazonas, voltaram-se para Pará.
-...O quê...? - Questionou confuso.
A amazonense ao ver o capixaba, o observou com ódio, fazendo-o estremecer. O mineiro por sua vez fizera o mesmo com o paraense. A catarinense estava irritada com todos. Bahia se pós em alerta, deduzindo rapidamente que Pará era o Estado que Santo andava falando, e Rio...Rio bateu a mão na testa imaginando a merda que tinha se formado.
-U qui todos vocês estão fazendo aí?! - Repentinamente Paraíba, de shorts, apareceu no fim do corredor chamando a atenção do grupo - Ceará vai começar um jogo natalino! Vem todo mundo pra cá!
E sem esperar resposta ao aprovação, ela correu em direção a eles, e começou a empurrá-los em direção ao grande salão.
-.-.-.-.-.-.-.-
-...Que lugar é esse...? - O brasiliense perguntava tenso, segurando-se com força do vestido da protótipo de baiana.
Aos seus pés era possível ver um grande salão, os moveis afastados e nos cantos, uma grande mesa lateral cheia de comida, entre natalinas e comidas típicas do norte os quais vários Estados não faziam ideia do que eram, e ao lado um rádio de chão, que anteriormente tocava músicas paraense, e agora estava sendo usado junto com um microfone por Ceará.
Pseudo-Bahia fez um sutil movimento com as mãos, e a visão horizontalizou, como se os dois também estivesse naquele cômodo.
-A festa de natal que está acontecendu agora.
- Oiii minha gente bunita - Recomeçou o nordestino quando tornou-se o centro das atenções - Eu proponho à cês jogar um jogo.
- Se for jogos mortais eu topo - Surrurrou Sampa para o carioca que recém entrava na sala e ai encaminhou-se para seu lado.
Rio balançou a cabeça e deu uma cotovelada no maior, pensando que até ele as vezes custa lembrar que o paulistano não é um psicopata.
- ...É apenas uma brincadeira, mas vai valer um graaandi de um prêmio! - Apontou para o rádio - As regras são simples, a pessôa tem di dança cum outros dez Estados, quem fizê isso ganha... - Respirou fundo - UM PRÊMIO DE 100 MILZÃO!
A sala encheu-se de vibrações, e quando Ceará perguntou animadamente"quem quer jogar?" Vários Estados levantaram a mão.
-Mas quem vai pagar esse prêmio? - Desconfiou São Paulo - Você?
-Bixiiinho! Claro qui não! Vai sê o organizador da festa!
-COMO É?!
-E vejam! Já temus a aprovação de Brasília! -Apontou para a capital.
- É isso aí! - Declamou, de olhos fechados e erguendo a mão.
- Tá aprovado então - Sorriu com malícia o nordestino.
Pernambuco, o mestre na manipulação de bonecos, suspirou cansado soltando Brasília, e perguntando-se por que sempre acabava ajudando CE e seus planos sem eira nem beira.
-Mas que caras-de-pau! -Exaltava-se o espírito da Capital - Como eles se atravem a me manipular assim?!
E sua companhia apenas rio da cena.
-Muito bem! Então estando todos de acordu!
-EU NÃO ESTOU DE ACORDO! - Exasperava-se Pará.
-Háaa, está com medo é?! - Provocava Amazonas.
-Medo?! Eu não tenho todo este dinheiro! Eu não concordei com nada assim!
-Então quem fô participá levanta a mãozooonaa!
A grande maioria dos Estados levantou a mão, até alguns da região norte, apesar dos olhares assassinos do paraense.
Minas olhava com tons de vitória para o nortista, também levantando a mão...
-...Ai... -Resmungou tampando os olhos com as mãos, e a amazonense que levantara a mão apenas por burla...Resolveu abaixar por piedade.
-Não acredito que tu também?! - Irritou-se Rio ao ver seu namorado também de braço levantado.
-Vaaamos, é só uma dancinha!
-Mas tu odeia dançar
-Sim, mas amo dinheiro.
E assim todos posicionaram-se de forma aleatória no salão.
-...Hmmm...Para mim parece que eles se divertem bem sem mim...-Comentou o brasiliense desanimado.
-Sim, na verdade, geralmente elis só fazem esse tipu de coisa quandu cê não está.
-...Obrigada pela sinceridade.
-De nada.
A primeira música tinha começado a tocar, e os Estados mal começaram a dançar com seu primeiro par quando...
-Aaah! Esqueci de falah de uma pequeniiina regrinha. -Apontou para o teto - eu coloquei alguns visgos qui nem di uns anos atrás ai no teto, se o par dançante ficá baixu uma delas, tem qui si beijá também o num vale!
-QUEEEEEEEEEEEEE?!
-E Brasília concorda não é?!
-É isso aiiiii!
-Quando eu voltar para meu corpo, eu MATOOO esse cearsense!
-Então...Continuem dançando!
São Paulo foi o primeiro a hesitar, sentindo o olhar assassino do carioca, que sequer havia entrado na brincadeira, sentado numa das cadeiras da lateral.
Tinha acabado de fazer uma surpresa Alagoas rodopiar, quando parou justamente sobre um visgo... O qual o Cearense teve a coragem de anunciar no microfone. E na sua frente estava Santa Catarina, Rondônia e Roraima em outra plantinha.
Os nortistas trocaram um beijo na bochecha, já o paulista prevendo o caos, fez uma sutil reverencia tomou a mão da atônita sulista e deferiu-lhe um beijo. E de cara fechada abandonou a brincadeira antes que alguém saísse ferido. Mas mesmo esse beijo foi suficiente para o carioca virar-lhe a cara.
São Paulo 1/10
Rio Grande do Sul foi o segundo a sair ao anuncio dessa regra, dançando apenas com Bahia, que apenas para não fazer desfeita saiu também.
Rio do Sul 1/10
Bahia 1/10
Alagoas ao ver Sergipe dançando com Paraíba, o arrastou sem explicação e os dois desapareceram.
Sergipe 1/10
Alagoas 2/10
Pernambuco também logo deu um jeito de tirar sua irmã dali.
Paraíba 3/10
Maranhão e Rio do Norte só dançaram entre eles, logo, foram desclassificados.
Matt dançou com Goiás, mas não conseguiu levá-la para o visgo, depois com Santa, e entediou-se com aquela musiquinha lenta e chata que não era sertanejo. Desistiu, Sul acabou saindo também, aproveitando a brecha.
Gêmeos 3/10
-...Por que eu tenho que ver isso? -Questionava a capital entediada. - Só para ter a certeza que tudo vai melhor quando eu não participo?! Nem que eu fosse um velhinho sovina e mal encarado que odeia o natal...Eu não impediria os Estados de dançarem...Tá, isso do beijo é um pouco demais... Mas...
-Eu estou te dando a oportunidade de ver o que seus olhos não enxergam.
-...Podia pelo menos falar de forma mais clara...
Santa Catarina estava já cogitando sair quando parou com Rondônia baixo um trevo, e esta desesperada fugiu... Roraima a seguiu, ignorando Paraná.
Rondônia 4/10
Roraima 5/10
Não restavam muitas pessoas agora. Minas também levou Espirito Santo da pista assim que ele tentou dançar com a catarinense, alegando que tinha fome. Nenhum dos dois chegou a dançar com ninguém.
Paraná estava procurando Pará com o olhar, localizando-o a um canto dançando com Tocantins...Ou sendo consolado pelo menos. Amazonas dançava alegremente com Piauí, de tempos em tempos vendo como estava o mais velho.
-...Eu terei que vender minha casa para pagar algo assim...!
-C-calma Pá...Vai dar tudo certu...
Goiás, ao ver que os gêmeos estavam cutucando Brasília abandonou a disputa para repreendê-los de forma bem maternal.
Goiás 6/10
A capital flutuante não pode deixar de sorrir ao ouvir a explicação de Matt de que queria que ele dançasse um pouco também, que mesmo sendo chato, irritante, crianção, estraga prazeres, e metido a responsável ainda era seu irmão...Sorriu, e sentiu vontade em bater no mato-grossense.
E então, num descuido e numa troca de pares...
Pará se viu frente a Amazonas, Piauí frente a Tocantins, e o sulista ainda não notará que sua irmã estava justamente a sua frente.
-A-a-ah...E-eu... -Gaguejou incerto o piauiense, buscando MA e RN com o olhar, e relaxando minimamente ao notar como seguiam distraídos dançando.
-...Oi...A...Quanto tempo.
-...É...
-...Como tem...Passado?
-...Bem...Eu acho...E cê?
-Mal.
-...A-ah...Por- Parou...Não sabia se queria ouvir a resposta.
-...Por que a pessoa que eu amo tem nojo de mim...
-Eu não tenho nojo! -Exaltou-se, e logo notou que havia dito isso alto demais... Pará e Amazonas começaram a prestar atenção na conversa.
-...Mas me evitou no último ano...Desde que...Descobriu quem eu sou...Que sou homem.
-Por que nunca me disse?!
-Supõem-se que esse é o tipo de coisa que as pessoas notam, e que não precisam ser ditas.
O nordestino abriu a boca para argumentar, mas tornou a fecha-la...Envergonhado.
Iniciou-se então uma valsa.
-...Páhzinho...? - Tentava chamar a catarinense, mas o sulista havia definitivamente parado de dançar, olhando fixamente para Pará que sem graça colava o corpo com a amazonense.
-...Faz tempo...Que não dançamos assim... -Colocou a nortista entrecerrando os olhos.
-...É verdade...- Respondia conseguindo esquecer-se um pouco da possível crise financeira.
Tocantins tampouco esperou permissão para unir mais ambos para uma nova dança.
-M-m-mas... Cê devia ter-me...
-...Eu acreditava... Que cê gostava de mim...Não do meu corpo... - Encarou-o nos olhos, fazendo o mais velho petrificar, aqueles olhos brilhantes...Sempre lhe tiravam o fôlego...
E mesmo depois desse ano de ausência... Continuavam surgindo o mesmo efeito..
-Há há... Tu ficou até pálido com isso do dinheiro -Passou a mão sutil na bochecha do mais alto - ...Sempre preocupando-se demais com seus bens materiais...
-...Eu sou um Estado depois de tudo, não é...? -Tocou sobre a mão da pequena.
-...Sim...
-Odiaria ter de vender esta casa...Aqui...Onde todos vocês cresceram...Tu adoravas sair correndo por essa sala.
-...SIm... -Sorriu de lado - Lembro-me bem disso - ...Seria uma pena...Perdê-la...
Santa estava ficando realmente irritada, mas não era a única...Paraná não estava gostando nada de ver todo feliz quem ele deveria já ter feito sofrer dolorosamente.
Ela então resolveu aproximar-se e dançar com ele de uma vez, quer queira, quer não. Páh cedeu, ainda sem prestar muita atenção no que fazia.
-...N-não é seu corpo...! A-afinal nós nunca...E-eu nunca te vi...Sem roupas... -Acrescentou sentindo o pânico crescendo dentro de si, observando a cada segundo Maranhão e Rio do Norte, como uma criança que apronta e tem medo de ser descoberta.
-...Quer ver...?
-Q-q-q-q-que?!
-...Eu não...Me importo mais...Assim você descobre de uma vez...Se tem nojo de mim ou não.
-N-não é uma questão de nojo! E-eu só...É di-dífícil! Não é algo...Algo natural sabe...? Tipo uma..Uma...
-...Doença...?
-É...! - E ao ver a expressão dolorida do menor - N-não! E-eu quero dizer que é...é...
-Um visgo.
-Um visgo...?
-Sim, olha - Apontou para o teto.
-Páhzinho...Dá para fazer-me o fazer de ao menos olhar-me no rosto...?
-...Hã...? - E quase teve uma parada cardíaca ao ver a irritada ruiva a sua frente - M-m-m-mas q-q-quando...?!
-Tu foste o único que restou para eu dançar, então faz-me o favor de fazê-lo! Apesar de eu n-não parecer valer mais nada para vocês! Vieram sem mim, todos que dançaram perto de mim, evitaram-me...Acaso tenho algum problema?!
-...Eu posso te ajudar...A pagar...
-C-como?
-...Essa divida... Assim, tu fica com a casa...No final das contas...Essa casa por muito tempo foi...Nossa não é?
-Mas é claro que não! Eu...!
-Não me venha falar que tu é homem e tens que honrar suas dividas sozinho!
-Mas és verdade! AIII! -Levou um pisão no pé.
-...Seu idiota...Eu te odeio...- E apenas disso apoiou o rosto em seu ombros.
Piauí simplesmente virou pedra quando notou que o tocantinense fechava os olhos e aproximava-se com os olhos entrecerrados.
-Pois eu te amo...- Apertou os ombros do mais velho.
-...Mentiroso...
- Eu queria ter dançado com São Paulo, quase consegui dar um beijo nele essa noite! Então, ao menos, o mínimo que eu deveria ter é dançar com meu irmão mais velho. É melhor do que nada.
Essas palavras fizeram algo na mente do paranaense explodir, ele começou a tremer ligeiramente e ranger os dentes.
-...Eu te amo...Pi...
-...O que está acontecendo...? - Questionava o flutuante brasiliense, incapaz de ouvir os sussurros, mas sentindo que algo estava muito, muito errado...
-Apenas veja.
-Por que mentiroso...?
-...Eu sei...O que tu vem fazendo... E se... Tu acredita que...Pode ser...Feliz com...Outro homem...Eu...Nós...Ainda podemos ser...Amigos?
-QUÊ?!
E ao tempo que Pará observava chocado como a Amazonense separava-se de si. Ao seu redor tudo aconteceu muito rápido.
Tocantins conseguiu beijar o piauiense, envolvendo seu pescoço, os ombros do nordestino começaram a cair, e sua resistência a ceder.
Paraná num afã de fúria, jogou as costas da catarinense contra um de seus braços, fazendo-a inclinar-se e quase cair, e ao exclamar assustada o sulista aproveitou a brecha para roubar-lhe a boca, e apalpar seu corpo.
Matt que brincava com Brasília enquanto comia uvas, engasgou-se.
Minas que se empanturrava de rabanada, engasgou também.
Rio do Sul, que fora o primeiro a ver a cena pois vigiava o irmão, abriu a boca formando um perfeito "o" maiúsculo.
A Capital estava igual de chocada, vendo os dois casais.
Rio, que notou ao ouvir o assobia de Ceará, congelou. Estava de pé, em direção ao corredor de entrada ainda discutindo com Sampa sobre ciúmes, mas agilmente quando notou que São Paulo ia virar-se para ver também, o tomou pelo queixo dando-lhe um beijo também para distraí-lo.
O que sempre funcionava muito bem.
Não impôs resistência alguma quando o paulistano tentou tomar pose daquele beijo, e foi ele que ainda estava observando a cena, que acabou cedendo e distraindo-se completamente do que estava acontecendo, entrando de vez no corredor. Mato Grosso que procurava Sampa com a vista aliviou-se ao vê-los sair.
Amazonas e Pará afastaram-se, e o nortista não foi atrás dela.
Apenar de completamente mexido, Piauí separou-se tampando a boca transtornado, e fugiu, esbarrando em RN e MA na fuga.
PLAFT
Santa Catarina deu-lhe um tapa na cara do paranaense, completamente sem fôlego, levantando as alças da camisa.
Rio suspirou enamorado quando separaram-se, recebendo um doce sorriso do mais velho.
- Então você me perdoa...?
-Pelo quê..? - Perguntou embobado nos olhos paulistas.
Sampa riu, abraçando o menor, porém mantendo uma certa distância entre os dois.
-Lembra aquele natal...Na casa de Paraná...?
Só então Rio lembrou-se do paranaense, preocupado, tentando vê-lo por cima do ombro.
Ele estava sendo assessorado por Matt e Minas, ao tempo que Santa sumira de vista. Respirou mais aliviado, recordando a si mesmo de conversar com o sulista depois.
- Naquele natal, ficamos embaixo de um visgo na sacada...- Conduziu o menor para fora daquela casa, caminhando até o pinheiro - lembra disso...?
- ...Claro, tu me deu um beijo na testa...Mas, me desorientou tanto quanto um na boca...Merda Sampa, por que demoramos tanto para nos dar uma chance?
São Paulo colocou a mão no bolso e de lá tirou um visguinho, prendendo em um dos ramos da árvore.
Os dois esqueceram-se de tudo, quando o paulistano aproximou-se, deferindo um beijo no topo da cabeça contrária, e uma das mãos deslizou por seu rosto, num roce, num carinho, chegando até o queixo e brincando com seu cavanhaque.
O carioca, como da primeira, fechou os olhos completamente envolvido, sentindo nítido os lábios e os dedos que lhe tocavam, seu coração vibrar, suas pernas falhar. Era mágico.
O mineiro foi o primeiro a expressar-se, quando Paraná conseguiu sentar-se sob os murmúrios dos demais Estados que tinham presenciado a cena.
- U qui deu em ocê...?
-Eu não sei! Eu só...Estou farto - Cobriu o rosto com as mãos - Eu estou me sentindo mal desde que você me contou sobre Pará... Eu não queria que papa reavê-se aquelas lembranças agora, justo agora que parece estar tão resolvido consigo mesmo... Não é justo..Então eu estava vigiando Pará para ver se conseguia pegá-lo sozinho para...Conversarmos...Quando dei por mim... Santa encontrava-se donçando comigo e! - bufou frustrado - Começou falar que preferia dançar com Sampa, que queria be-be...Aí me descontrolei...
-... Eu sempre te disse qui num fazia bem ocê ficá si segurandu assim - Opinou Mato Grosso, sentado ao seu lado - Qui um dia ocê ia explodir
- ...O que você queria que eu fizesse?! - Exaltou-se assustando o mato-grossense, mas logo abaixou a cabeça ruborizado -... Eu não posso simplesmente virar para Santa e dizer o que sinto por ela...
-Por que não?!
- Matt, deixa pra lá - Colocou Minas - Ele tem suas razões
- Mas por quê?
-Você é novo demais para entender...
-Não me venham de novo com essa! - aborreceu-se.
- O que cê vai fazer...? – Questionou Bahia docemente, colocando a mão no ombro do gaúcho.
-...Fingir que nada vi – Ela o observou surpresa, quase desapontada - ...Ele não sabe que eu...Sei
-...Que ele gosta dela?
-...Sim... –Suspirou pesadamente
-...Então... Qual o problema?
-...É mais complicado do que parece...Mas outro dia eu te conto Bah...Hoje...Hoje não.
E aproximou-se do grupo.
-...O que aconteceu? – Pará saiu do choque que as palavras de Amazonas lhe causaram, ao ver a fuga de Piauí- Ele fez algo contigo?!
-...Eu...- Tocava os lábios sonhador - ...Acho...Não...Tenho certeza...Que ele me ama também...
-Eu vou atrás dele – Anunciou Rio Grande do Norte, soltando sua companheira – Eu já volto
Piauí, que já conhecia de cor aquela casa de tantas visitas que fizera ao tocantinense, subiu as escadas e trancou-se em um dos quartos, deslizando as costas contra a porta, tampando as orelhas. Não demorou para uma mão demandante bater contra a madeira.
-Pi, o que aconteceu?!
-Vá embora!
-...`Piauí, cê não é disso...
-...Me deixe em paz...-Disse segurando o máximo que podia suas lágrimas, tremendo da cabeça aos pés.
-...Estado do Piauí, você é homem, largue de frescura, abra essa porta e me diga o que aconteceu!
-...Eu tou doente, não estava me sentindo bem...Intão subi. Tentei ficar lá embaixo, mas num deu...Vou cochilah um teco, não diga nada para Mah, não queru estragar a noite de vocês...Seu aniversário...
-...Tem certeza que não quer que eu entre...? O que cê tá sentindo?
-...Enjôo...- Observou os próprios braços, cobertos de arranhões causados por ele mesmo -...Dor...
-...Hmm...Deve ser algo que cê pós na boca.
-...Sim...- Sentiu como seus lábios tremiam, como se queimassem, exatamente onde TO o beijara - ...Com certeza foi isso...
Rio de Janeiro, morto de vergonha, teve que subir sobre os sapatos do paulistano para poder nivelar as alturas e alcançar sua boca quando os beijos evoluíam para um nível bem menos castos. E se dependesse de São Paulo, e o rumo que as mãos dele iam tomando...Os dois acabariam fazendo dentro do pinheiro mesmo...
-Por favooor, me digam que papa não viu nada disso – Exasperou-se o paranaense ignorando as reclamações do mato-grossense referente a sua idade.
-Ele não viu – Respondeu Matt com cara de criança reganhada – Rio notou antes, e o tirou daqui.
- Por que ele faria isso...? - Questionou o mineiro desconfiado.
- Porque, apesar de ocês num acreditá em mim, ele não tá contra nós, e mais importante, ele faz Sampa feliz.
Minas não parecia muito convencido.
- ...O que aconteceu Paraná? Eu estava a comer quando ouvi um baque e Catarina a correr nervosa. Acaso pisaste em seu pé a dançar ou algo assim? - Mentiu o gaúcho sorrindo de lado.
O mais velho do sul sorriu fracamente igual.
- ...Sabe como é, sou tímido demais para dançar...
Bahia apenas observou aquele teatro, entristecida.
Ao tempo que a outra baiana.
-...E-eu não posso a-acreditar nisso... -Soltava Brasília caindo de joelhos sob o chão que lhe mostrou as últimas cenas, e que até mesmo lhe ajudou a ouvir suas respectivas conversas. - ...Eu não quero acreditar nisso... - Voltou-se exasperado para sua acompanhante - Espírito, por que me mostra essas coisas?! A mim que como Capital tenho o dever de...De proibir que isso aconteça?! Por acaso quer que eu mude essa situação?!
- ...E por que este dever te incomoda?
- TO é meu irmão! Rio é meu tutor! Eles falam de amor! - Tampou as orelhas e tudo ao seu redor voltou a escurecer devagar, os Estados a desaparecerem - Eu prefiria ficar na ignorância, do que ser eu a... a..
Tocantins sorria com lágrimas nos olhos.
-Ele me ama Pará! Ele realmente me ama!
-EU NÃO QUERO VER! NÃO QUERO SABER!
São Paulo sorriu calorosamente da envergonhada posição do fluminense sobre seus pés, puxando-lhe da bochecha para forçá-lo a sorrir.
-De nada adianta fugir. - E o fantasma se desfazia com um vento forte que começava a destruir tudo como uma superfície de vidro.
Nunca vira São Paulo sorrir assim, Tocantins há mais de um ano estava tão coberto de tristeza...
- PAREEE! - E o chão quebrou-se e a Capital caiu, e caiu, num grito aterrador.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.
A escuridão tomava conta de tudo.
Voltava àquela sensação de vazio, de insensibilidade. E surgindo das trevas, como o nanquim a gotejar, uma nova figura formou-se a sua frente, cinza, de longa capa.
Brasília estava preocupado demais com a situação que vira instantes antes, para notar com clareza a nova criatura.
Tentava lembrar-se por que Estados não podiam relacionar-se... Lembrava que sempre lhe disseram que gerava instabilidade, mas que tipo de instabilidade...?
Como a responder sua pergunta, o encapuzado deu um passo a frente, chamando a atenção da Capital, abriu seu manto e dentro dele era possível ver uma imagem formando-se
-Quem é você...?
E como esperado, não houve resposta. Mas no tecido conseguia começar a identificar um rosto, uma criança...
- ...Eu n-não o e-encontro- Uma de olhos azuis vividos, e o cabelo de um castanho quase loiro. - Pedro, onde...Onde ele...
A sua frente uma figura maior, mas também juvenil lhe observava com pesar. Apesar da tenra idade, e os cabelos de tom parecido aos do menor, Brasília reconheceu-o da primeira festa que presenciara como sendo Paraná.
O paranaense ajoelhou-se frente ao pequeno, limpando suas lágrimas com o polegar.
- ...Rio...Pedro... Foi fazer uma grande viagem...
-Mas ele sempre vem a falar-me quando sai assim! E ele dormiste comigo ontem...Estava do meu lado e...Só encontrei o lenço que usavas quando acordei... - As gotas salgadas retomavam sua face -...ONDE ELE FOSTE?!
Foi a vez do paranaense cair em prantos, puxando o menor para um grande abraço.
-...Ele não vai mais voltar Rio...Eu sinto muito, eu sinto muito...
A figura de uma jovem de cabelos avermelhados observava a cena com também lágrimas nos olhos, ao vê-la o atual sulista fez um sinal com as mãos e os três juntaram-se naquele abraço.
A cena mudou
A figura da criança aparecia maior, um adolescente, encontrava-se deitada num leito, cercado por outras quatro.
Uma versão mais velha de Paraná, uma também da jovem de avermelhadas madeixas debruçada sobre o corpo, em prantos, das outras duas reconheceu São Paulo Bandeira, e o carioca de cabelos curtos e somente castanhos.
-...E-ele vai... - Tentou falar o sulista, mas não conseguiu completar sua ideia.
- Esperamos que não, se ele desaparecesse nos causaria muitos problemas.
Paraná multilou o carioca com o olhar pelo frio comentário.
-...Pedro, seu idiota... - Os dois voltaram-se para o paulistano, e calaram-se imediatamente ao ver a lágrima solitária que escoria de seu olho direito - ... Se estivesses vivo, nada disso estaria passando...
Só então notou o grande corte, quase um buraco que tomava o pescoço do adolescente, como se um objeto pontudo tivesse perfurado-o.
Outra cena.
Minas gritava e chorava durante a execução de um homem de cabelos desgrenhados.
- JOAQUIM!
Outra
Pernambuco, em trajes de cangaço, carregava nas costas a duras penas o cearense coberto de sangue e de feridas, saindo principalmente de sej pescoço.
- Aguente firme...Por favor...
- P-Pe...
- Pa-pare... - E o brasiliense notou então que também chorava.
- Esta é a Acre, creio que já a conhecem bem.
-Mucho gusto!
Mais uma cena.
São Paulo, bem mais velho e de cabelos curtos, corria por entre construções, o som de explosões nítidos as suas costas. E ao virar uma esquina uma explosão lhe atingiu, os estilhados voaram em direção ao seu peito jogando-o longe.
E outra mais...
Rio sobre o leito do ensanguentado paulistano.
- A guerra acabou! - Santa Catarina a correr para o abraço quando o gaúcho de trajes militares abriu a porta dando esta notícia.
São Paulo, de óculos, servindo café a um exasperado carioca.
-...Criar uma capital! ...Eu não sei o que serás de mim agora...
- Uma marcha para o oeste..? - Isso vai nos trazer mais irmãos, não vai?
- É uma forma muito otimista de ver Matt
-... Isso não é um governo, é uma ditadura! - Bahia batendo numa grande mesa.
- Estamos em crise Pará, quer aceite isso ou não!
- Se tu tivesses aceitado trabalhar sob minhas instruções nada disso estaria acontecendo!
- OUVIU MENINOS?! Brasília disse meu nome!
-...Goiás, pra mim soou mais um "go baba"
- Tocantins, a partir de agora... Vas a morar comigo!
- Uma crise! Novidade, vivemos em crise a uns 500 anos!
- he he, pior que tu tem razão Sampa...
- Te odeio Pará!
-...Mas eu te amo Iara...
- Te amo Maranhão
- Também te amo meu Rio Grande
- Eu te amo Bahia...
- Eu te amo meu xamego.
- Te amo Pernudo~ E sei que você me ama também!
-Eu venho te amando a muito tempo Rio...
-...Te amo Sampa...Demais.
E o manto voltou ao cinza, e o que coloriu-se dessa vez foi os seus arredores. Colorindo-se com o vermelho do fogo.
Arregalou os olhos como pratos.
Estava de volta as manifestações? Não...Isso não havia acontecido em tempo nenhum.
A esplanada dos ministérios estava em chamas.
- O Brasil está louco!
-...I-isso é...Uma visão do futuro...?
Não obteve resposta, mas ao tentar afastar-se o ser encapuzado agarrou-lhe o pulso com uma risada fria, e onde tocava começava a tornar-se pedra...
- N-não! - Forçava o braço - ME SOLTA!
E seus dedos começavam a desmanchar-se junto com as construções ao fundo.
- NÃO, NÃO! - Gritava em desespero - ME LARGAAA!
E de tanto forçar, o capuz caiu, revelando os cabelos negros e olhos acinzentados do paulistano. E das vestes tirou um revólver, e os olhos tornaram-se vermelhos ao refletir as chamas, segurou o gatilho, e começou a gargalhar.
- NÃO! TENHA PIEDADEE! POR FAVOR!
E o gatilho soltou-se, Brasília prendeu a respiração.
- Já chega...
E tudo desmoronou.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
"Foi um natal no mínimo estranho, não que eu espera-se algo diferente... Apenas queria ter tido a oportunidade de dançar com Minas...Ou beijá-lo embaixo de um visgo... Maaaas naaaaaão, estou aqui, em standy by cuidando de Brasília enquanto o trio de irmãos parada dura estão conversando porque Paraná resolveu chutar o pau da barraca...Fala sério...E como imaginei, nessa altura que a festa está quase no fim, Rio e Sampa já estão aproveitando a noitadaaada...Esperto eles... Escrevendo isso me lembra a reação que o paulista teve quando me viu...Acho que fui mesmo muito precipitado em julgá-lo assim...Vou precisar me sentar e conversar sério com ele...Mas vou esperar as festas acabarem...E se me sentir muito corajoso vou conversar com Paraná também, o novo garanhão do Sul, quem o viu, quem o vê. "
Espírito Santo guardou seu precioso diário, suspirando conformado enquanto observava Rio Grande do Sul conversar com o paranaense.
- NAAAAÃOOO!
O berro repentino chamou a atenção de todos, e o capixaba quase teve um infarto quando o brasiliense acordou de um berro.
Como no momento em que chegaram àquela festa, Goiás pareceu simplesmente materializar-se do nada e envolver a Capital trémula em um forte e sufocante abraço, seguida de perto pelos gêmeos e Tocantins que aproximou-se também, deixando Pará para trás perdido em seus próprios pensamentos.
- Está tudo bem - O brasiliense com a vista perdida conseguiu distinguir a figura de São Pedro entre os demais Estados que o cercavam e o chamavam - Apenas lembre-se que...Somos melhores juntos do que separados...
Brasília era o centro das atenções, até mesmo São Paulo e Rio voltavam para dentro por ouvir os murmúrios.
-...Foi tudo um sonho...?! Nada foi real...?
- É claro que foi um sonho - Riu - Mas po que isso significaria que não foi real...?
E virou-se sorrindo triste para São Paulo e Bahia que aproximavam-se da Capital.
-...Eles mudaram tanto...- E a voz do São Pedro começava a soar distante.
Aproximou-se de ambos, olhando-os de frente.
-...Veja! São Paulo tornou a ter olhos azuis! Vê-se melhor assim...Ahh, Bahia está tão bonita...Pareces tão tranquila...Também vê-se mais bela com a pele mais escura...Que saudades...
- ...O que aconteceu Bah..?
- Parece que Brasília acordou de um pesadelo...
Tentou tocar-lhes os ombros, e em sincronia com esta ação, duas mãos reais tocaram o ombro dos dois. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
- Parece que foi um pesadelo e tanto...
- Pobre capital...
E os olhos de Pedro focaram-se nos do gaúcho, lágrimas surgiram em sua face a cada instante mais transparente, automaticamente as mesmas gotas salgadas refletiam-se nos olhos do brasiliense.
-...Ed você...Cresceu tanto...Tanto... - Cada vez mais distante, sem cor -... Eu te amo, te amo de verdade... Me pordoe por não ter... Ficado mais...Tempo...Contigo... -Tentou abraçar os três, mas era inútil...
E Brasília a par apertava Goiás, porque ele podia...Ele podia...
Porém, alguém abraçou repentinamente os três, surpreendendo-os
Minas observava São Pedro nos olhos, mesmo que o espírito estivesse a pongo de se disipar.
- ...Ei! O que tu está fazendo?!
-...Minas...?
-... Realizando um desejo de natal...
-...Obrigado...-Voltou-se para a Capital -...Muito obrigado... Que Deus abençoe todos vocês...
E desapareceu...
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
- Brasília chorou bastante, não é...?
-... Me pergunto com o que será que ele sonhou...
-... Quem sabe...
Minas e Espírito Santo caminhavam pelo segundo piso da casa da casa do paraense, a festa tinha chegado O fim, e os Estados que moravam mais longe iriam dormir ali.
-...Mas o que deu em você Mih? Parece que viu um fantasma!
-...Um amigo...
Espi achou estranho, mas melhor não comentar.
-Aproposito...Vamos dividir o quarto.
-QUEEEEÊ-O mineiro quase caiu com tudo no chão.
- Siiiiiim~~ aproposito, eu ainda não te dei seu presente.
-M-mas eu não comprei nada pra ocê...- Minas, o pão duro
- Não tem problema! - E do bolso tirou um visgo que comprara de Ceará, colocando o mais alto que podia e sorrindo dom malícia.
E agora a noite pertencia...A um outroooo espírito. ...
NOVAMENTE UM FELIZ NATAL! E UM PROSPERO ANO NOVO À TOOOODOOOOOS!
MUUUITOOO OBRIGADA POR TUDO NESSE ANO QUE SE PASSOU!
Espero ainda ver muuuito vocês nesse ano que se vem!
Até ano que vem ;D (Falar assim parece que está tão longe...)
