Capítulo 8 – Caindo aos Pedaços
N/A-1: Só uma sugestão, esse capítulo foi inspirado na música, Fall to Pieces, da Avril Lavigne, então, seria interessante que quem pudesse escutar ela durante a leitura do capítulo.
Verônica estava sentada na mesa do café da manhã. Era sexta feira, mas naquele dia as aulas haviam sido canceladas por que no dia seguinte seria Dia dos Namorados e Dumbledore havia achado interessante liberar os alunos para que eles pudessem se preparar para a comemoração. Por trás daquela decisão também estava o fato de mudar um pouco os ares dos alunos, devido ao cada vez mais constantes ataques dos comensais.
Ela quase não comia, já não sentia mais fome e se não fosse Lílian e Dorcas a lembrando de que devia comer, ela nem aparecia mais no Salão Principal.
Havia perdido peso, as roupas tinham ficado mais largas, o rosto magro, e a expressão do rosto perdera o ar de ingenuidade e se transformara numa expressão triste.
Ela se sentia deprimida, sentia a falta de Sirius e o arrependimento a consumia por ter o pressionado para ganhar a aposta.
Ela nunca havia se sentido daquele jeito, não havia felicidade em sequer acordar, em olhar para o céu, em estar com os amigos. Não havia felicidade em viver.
Havia dor, apenas dor. Uma noite eterna dentro dela. Um desespero profundo, um arrependimento. A falta de Sirius, um buraco que parecia crescer, englobando sua vontade, a transformando num corpo com vida, mas sem vontade.
E havia o velho canivete. Escondido no fundo das roupas, sem uso, mas que parecia clamar por ela naqueles últimos dias. E ela se sentia tentada a usá-lo, mas parecia não ter força nem para aquilo.
Levantou a cabeça de modo que conseguisse olhar para o céu do Salão Principal, e permaneceu por um tempo, que ele não soube dizer quanto, mas aquilo não importava, apenas olhando. Quando baixou a cabeça de volta para a mesa, viu que Sirius entrava no salão principal.
Seus olhares se cruzaram, num rápido lampejo, enaltecendo as sensações esquecidas. Aquele breve segundo despertou sensações perdidas, desejadas, necessárias.
Sirius tentou abrir a boca para falar alguma coisa, mas o olhar de Verônica o deixou sem palavras. Era um olhar cheio de mágoa, carregado de desespero. Ela levantou da mesa, deixando no prato metade da torrada e meio copo do suco de abóbora.
Caminhou em passos firmes, até a porta, passando por ele e sentindo o olhar dele sobre ela, observando, cada passo, cada pequeno movimento.
Se ela pudesse, se tivesse a oportunidade de escolher, se houvesse como trilhar seu caminho de novo, ela nunca teria se deixado envolver, ou então, nunca o teria pressionada quando ele lhe contou da aposta.
E agora ela pedia, pedia todo o dia, que ela conseguisse superar aquilo. Nem que para superar fosse necessário perder, fosse preciso sofrer. Nem que ela tivesse que cair, ou tivesse que se machucar, se aquilo fizesse as coisas melhorarem, tudo seria mais fácil. Se ela ao menos conseguisse juntar os pedaços.
"I looked away
Then I looked back at you
You tried to say
Things that you can't undo
If I had my way
I'd never get over you
Today's the day
I pray that we make it through
Make it through the fall
Make it through it all"
Ela caminhou em passos rápidos, sem olhar pra trás, sem saber pra onde ia. Só queria ir, ir, ir sem caminho, sem desculpas, sem preocupações. Ir para o fim? Ela ainda não sabia.
Sentiu-se sufocada pelos próprios pensamentos, por querer acabar, acabar com tudo, mexeu pelos bolsos nervosa, atrás do canivete. Ela sabia que o havia posto lá. E no seu nervosismo, não viu que havia entrado em uma sala e que Sirius Black entrara em seguida, tendo fechado a porta.
Quando sentiu o canivete em sua mão, ainda dentro do bolso da capa da escola, ouviu a voz de Sirius entrando em sua mente de novo, quase como uma repetição, deja vu.
Nós precisamos conversar. – e dessa vez o tom não era de sugestão, era uma ordem. Se não havia conseguido do jeito correto, conseguiria a força.
Verônica virou-se devagar, deixando o canivete cair no fundo do bolso novamente, os olhos estavam sem vida, totalmente decifráveis, tão escuros que a íris se confundia a pupila. A mão dentro do bolso estava apertada, e a outra, arranhava sua própria palma com as unhas compridas e malfeitas, numa demonstração de nervosismo. O corpo inquietou-se ao ficar frente a frente com Sirius, o coração disparou, dando a impressão que iria saltar ao peito e o rosto se contraiu, numa expressão de puro medo.
Medo de cair aos pedaços. Medo daquela conversa, medo de ter que admitir que o queria mais que tudo e que naquele momento, só ele lhe importava. Que nem os amigos a conseguiam deixar feliz e que somente ele o poderia fazer. E medo de admitir que sem ele nada mais tinha sentido e ela sentia que não valia a pena continuar. Sim, não valia a pena... por que sem ele, ela já não era nada.
Ela não queria conversar, não queria que as palavras saíssem, queria apenas sentar e chorar, pois já sentia as lágrimas formando-se em torno dos olhos, preparando-se para cair num turbilhão de autopiedade.
Sirius observou atento a transformação no rosto e no corpo de Verônica, amedrontou-se ao vê-la arranhar a palma, sem parecer sentir dor. E surpreendeu-se quando viu que foi quando os olhos dela se encheram de lágrimas, que ela pareceu ganhar vida.
A imagem de dor que ela transmitia, que obviamente não tinha nada a ver com o machucado na palma, ficaria marcada na lembrança dele para sempre. Ele poderia reconstituir aquele momento na cabeça e a veria sempre da mesma maneira, envolta numa aura de dor, o rosto sem expressão, os olhos cheios d'água com uma vivacidade inexplicável, pequenas gotículas de sangue caindo da mão, sem que ela fizesse nada para impedir.
E a vibração de dor, que atingiu-o em cheio, fazendo com que ele maldissesse a sai mesmo, pois ele soube, naquele momento, que ela estava daquele jeito por causa dele. E sentiu-se invadir por um sentimento inexplicável, que se confundiu ao desespero, ao arrependimento e depois se alastrou pelo corpo rapidamente, como que fazendo tudo dentro dele morrer e por fim fazendo-o sentir um nada, por que ele sabia que a havia perdido. Havia perdido a única mulher que realmente quisera.
A surpresa maior, entretanto, veio quando ela, em passos fracos, que davam a impressão de que ela cairia a qualquer momento, sentou numa cadeira bem a frente de onde ele estava e finalmente deixou as lágrimas caírem pelos olhos.
As lágrimas caiam lentamente, emoldurando o rosto numa moldura de cristal, e ela ficou lá, sentada na frente dele, impotente, numa tentativa de mostrar que não queria conversar. Queria apenas chorar, chorar pra mostrar que ele a havia feito sofrer, chorar pra mostrar que ela só era aquilo, lágrimas, compaixão e autopiedade sem ele.
Por que ela estava apaixonada. E sabia, e saber aquilo a estava matando por dentro, matando suas esperanças, seus sonhos. Tirando dela a vontade de viver e a levando para um mundo cada vez mais obscuro.
E aquilo o atingiu em cheio, fazendo-o sentir impotente perante ela. Tornando-o nada, apenas um destruidor, alguém sem virtude, sem motivo, que transformara Verônica naquilo.
Levantou-se sem permitir palavras, caminhou até a porta, abrindo-a e deixou a sala, sem olhar pra trás.
Ela estava apaixonada e ele começava a crer que não conseguiria mais ser o mesmo se não a tivesse em seus braços, se não pudesse beijá-la, se não pudesse ao menos dizer que não conseguia mais viver sem ela.
"I don't want to fall to pieces
I just want to sit and stare at you
I don't want to talk about it
And I don't want a conversation
I just want to cry in front of you
I don't want to talk about it
'Cause I'm in love with you"
Verônica curvou o corpo para frente quando Sirius saiu, num movimento de dor. Por que tudo tinha que ser tão complicado com os dois?
Por que ela não queria ouvi-lo? Desesperava-se quando ficavam a sós e parecia esquecer que estivera sofrendo, pois parecia esquecer-se de dar uma chance para ele, talvez, consertar tudo? Por que ela fazia aquilo? Por que todo aquele interesse em... manter a pose?
Era tão difícil se render? Dar o beneficio da palavra a ele e ouvi-lo? A sensação que ela tinha era de que fazer aquilo a faria novamente submissa a ele, submissa aos garotos...
Ela gostava de ser forte, de ter a situação em suas mãos, de poder lidar com ela, de comandá-la. Mas sabia o que estava perdendo, estava perdendo Sirius. O único com quem ela ficaria até sua morte, por quem ela faria tudo, tudo...
Ele quem a trazia de volta quando tudo parecia se acabar, ele que a tirava da escuridão, a jogava em seus braços e depois a jogava para o nada de novo.
O maldito circulo vicioso a que ela estava conseguindo pôr fim... ela sempre acabava voltando a ele, mas tinha que ser diferente, pelo menos uma vez, daquela vez...
Mas ela queria os braços dele, sonhava em voltar para os braços dele. Confundia-se na postura de forte e decidida que queria manter com a vontade de se atirar nos braços dele e beijá-lo.
Ela sabia que aquilo tinha que acabar. Estava doendo demais, machucando demais e ela já não estava agüentando. Já não queria mais agüentar...
E aquele sensação era horrível, ela se sentia derrotada, sentia que tinha falhado e só queria parar de sentir aquilo.
Tinha que haver um jeito, ela precisava encontrar um jeito...
Levantou da cadeira e caminhou até a janela, colocando metade do corpo para fora dela, aspirando o ar com vontade.
Estava se sentindo sufocada e não era por falta de ar. Estava sufocada pela dor, pelo desespero e só queria que tudo aquilo acabasse.
Dar um fim, pôr um fim no sofrimento, na dor, desespero...
Ela era fraco, covarde, fracassada, já não queria mais viver, precisava pensar, achar um jeito.
Ainda com o corpo fora da janela, ela deu um suspiro profundo e lançou um rápido olhar para a torre de Astronomia. Retirou o corpo da janela e começou a caminhar em direção a porta, até que pareceu ter uma idéia.
Ela sabia como acabar com tudo agora, só faltava decidir quando fazer isso. Sim... agora ela não estaria mais sufocada, poderia finalmente respirar...
"You're the only one
I'd be with 'til the end
When I come undone
You bring me back again
Back under the stars
Back into your arms"
Sirius caminhou sozinho e rápido pelos corredores. Uma das mãos mexia compulsivamente no cabelo, evidenciando nervosismo.
Ele estava nervoso. Preocupado com Verônica, com o olhar vazio e cheio de lágrimas dela e com o desespero que ele havia lhe passado.
Estava odiando ver que ela estava sofrendo e que a culpa era dele. Se sentia o completo cafajeste e descobrira ter sido um grande parte da sua vida. Ter sido, em muitas coisas, alguém que ele discriminara várias vezes. Ter sido, em pequenas semelhanças, exatamente como alguns membros da sua família. Sido como as pessoas que ele criticava acima de tudo.
E o pior de tudo, era que ele sentia uma farsa. Havia sido tudo o que não queria ser, e agira como se não fosse, criticando os que eram como ele.
Doía saber daquilo, odiava estar daquele jeito, perdido, de um jeito que nunca se encontrara antes.
Sem compreender os próprios sentimentos, que ele achava que não existiam. Sem entender como o destino havia pregado aquela peça nele, de fazê-lo precisar tanto de uma garota, que ele nem sabia que nome dar aquela sensação.
E como era horrível querer falar e não conseguir, querer dizer à ela o que sentia, uma decisão que ele nunca teria tomado se ela não significasse realmente alguma coisa.
E como o torturava saber que ela estava em frangalhos, que o coração dela estava quebrado e que ele fizera aquilo. Hoje, ele se considerava um monstro por ter feito aquilo. Por ter feito com ela chorasse.
Ele tinha algo a mais por ela, algo sem nome, mas por que a necessidade do nome? O importante é que ele sabia que sentia algo. Ele não queria, mas de certa fora já começara, a admitir que gostava de Verônica.
E no momento, tudo o que ele queria era poder abraçá-la, dizer pra ela toda aquela confusão de sentimentos, esperando que ela entedesse melhor que ele e depois beijá-la, e beijá-la, e beijá-la, sem parar, pra sempre, por querer, com vontade, no escuro, num armário, em todos os lugares.
E se dependesse dele, ele nunca iria deixá-la ir novamente. Ele a queria ao seu lado, sua, um pedaço dele, sua outra metade.
Cheio de nomes, expressões, palavras, que não conseguiam traduzir direito o que ele sentia. Mas aquilo já não importava, palavras não bastavam. Bastava a certeza, Verônica era o que ele queria.
"I don't want to fall to pieces
I just want to sit and stare at you
I don't want to talk about it
And I don't want a conversation
I just want to cry in front of you
I don't want to talk about it
'Cause I'm in love with you."
Verônica entrou no dormitório feminino em silêncio, vasculhando com os olhos para ver se não havia ninguém lá. Era perfeito para parar, pensar, isso pensar, programar tudo.
Parou, organizando os passos que daria em seguida na própria mente, observando seu objetos pessoais. Organizou-os rapidamente, não queria que tudo estivesse uma bagunça.
Sentiu um pouco de frio e colocou a capa de Hogwarts sobre a roupa. Sentou na cama respirando fundo, ainda pensando sobre o que iria fazer.
Era aquilo que era queria, não podia se deixar enganar. Queria aquilo, mas parecia sentir medo, tanto medo...
Queria ter podido começar algo sério com Sirius, ter podido conhecê-lo melhor. Ter sido dele de todas as formas, e descontentava-a o fato de não ter passado de uma aposta, de não ter sido dele a mulher ideal.
Teria se entregado completamente, por que era o que ela queria. Queria ter sido dele, ter deixado sua marca.
Mas agora já não mais aconteceria aquilo, agora seria o fim? Se é que existia fim... Ela não acreditava em fim.
Não acreditava mais na vida, a realidade era cruel e se confundia aos sentimentos, se confundia as pessoas...
Ela queria poder sentir mais uma vez, os beijos dele, os braços dele, os dedos dele dedilhando em seu corpo, quase como se quisessem guardar seu formato, numa lembrança aterradora e diferente.
Mas aquilo não iria mais acontecer. Ela tinha que tomar a sua decisão. Mas será que aquilo era certo? Mas de que importava certo ou errado, ela estava sofrendo e o mais lógico era por fim a tudo aquilo.
Fim... fim... fim... A palavra derradeira, a palavra final...
Levantou, deu um último olhar para o quarto e saiu. Ela precisava ser forte. Ela tinha que ir, até o fim...
/-/-/-/-/-/-
Sirius estava confuso. Queria entender o que sentia, mas era tudo uma bagunça, sua mente, seu coração, desorganizados, perdidos.
Queria conhecê-la no seu íntimo, queria beijá-la, tocá-la, para que ela nunca mais esquecesse. Iria trazê-la para ele, nem que fosse a força, por que agora ele tinha certeza, sabia que não podia mais ficar sem ela.
E iria ser naquele dia. Pois ele já não agüentava mais e supunha que ela também não agüentasse.
Iria segurá-la firme, olhar dentro dos olhos dela e diria tudo o que estava pensando. Já não importava que ela não quisesse conversar, não haveria nada nem ninguém que o impediria de conversar com ela naquele dia.
Seria o dia, o dia do começo, ou talvez o dia do fim de todas as suas esperanças, mas ele já não ligava. Se ele tivesse apenas uma chance, uma última oportunidade, já seria o suficiente para pelo pedir desculpas.
Agora conhecia seus erros e doía conhecê-los. Mas havia a chance de consertar tudo, não podia se apagar tudo, mas podia-se começar de novo.
Ele só tinha que fazer com que ela soubesse. Soubesse de tudo, dos seus sentimentos, medos, temores, confusões, ela tinha que saber. Tudo.
E daí eles poderiam saber, juntos, o que era real em toda aquela história aparentemente insana.
E ele poderia saber o que significava o bater mais forte do seu coração quando ela estava perto.
"Want to know who you are
Want to know where to start
I want know what this means
Want to know how to feel
Want to know what is real
I want to know everything
Everything"
Verônica entrou na sala de astronomia com falta de ar. A subida das escadas da torre a haviam deixado daquele jeito.
Observou a sala, vazia, e as enormes janelas por onde os alunos faziam as observações do céu.
Era seu destino final. A última coisa que iria ver. O céu. Sirius. Sirius em estrela.
Esperou a respiração voltar ao compasso normal, enquanto lutava contra a idéia que tentava se formar em sua mente. A idéia de parar com aquilo, de não consumar o ato.
Mas ela tinha que cometê-lo. Seria seu último ato, a ação de libertação. A alma poderia então vagar, longe das tristezas do mundo real.
Caminhou até a janela, que abriu com delicadeza, ela tinha tempo, não precisava correr. Tudo ao seu devido tempo...
Mediu, com os palmos das mãos, a largura do parapeito da janela, sentindo uma lufada de vento gelado em seu rosto. Estava frio.
Mas já não havia mais neve, os prenúncios da primavera estavam promovendo o degelo, tirando a camada branca sobre os terrenos da escola.
Visualizou a descida do corpo, caindo, caindo, caindo. Como numa experiência trouxa para comprovar a tal gravidade, como Lílian havia lhe dito um dia desses.
Ela sentiria falta dos amigos, de Lily, Dorcas e de Remo. Remo, o irmão que não era seu sangue, mas era mais irmão que o de sangue. Eles talvez fossem sentir sua falta, mas ela precisava fazer aquilo.
Não podia desistir, não agora que estava tão perto...
Fez um esforço para subir no parapeito da janela, sentindo o vento em seu corpo.
Ela não podia olhar para baixo, ainda não. Não era a hora...
/-/-/-/-/-/-/-
Sirius balançava a cabeça enquanto pensava em como achar Verônica. Ele não tinha tempo para sair procurando-a por Hogwarts inteira. Era muito espaço e pouco tempo.
Sentia que o tempo se acabava e não entendia por que. Tinha que correr, que ser rápido. Não iria perder, não daquela vez.
Andando de um passo para o outro, ele começava a ficar desesperado. Do fundo de seu peito, ele sentia que algo estava se acabando.
Verônica, seus dois lados da moeda, sua perdição e sua realização. Ele a via assim, e precisava encontrá-la. O mais rápido possível.
Chutou com raiva a cadeira ao seu lado, deixando a mochila de Tiago, colocada sobre ela cair no chão. Espalhando pergaminhos. Bufando, ajoelhou-se no chão, recolhendo os pergaminhos e socando-os de qualquer jeito na mochila. Até perceber um deles.
O Mapa do Maroto! Como ele não havia pensando naquilo antes, foi seu próprio questionamento. Sorriu, calmo, e executou o mapa. Ansioso, viu as linhas se formarem no mapa, procurando atento por Verônica.
Ela não estava no salão principal, nem na biblioteca, cozinha ou salas de aula. Olhou então para as torres e sentiu um arrepio percorrer-lhe a coluna quando finalmente a encontrou. Torre de Astronomia, era lá que estava e aquilo não lhe parecia nada bom.
Sem pensar em mais nada, saiu correndo do quarto. Ele precisava encontrá-la, senão acabaria em pedaços.
"I don't want to fall to pieces
I just want to sit and stare at you
I don't want to talk about it
And I don't want a conversation
I just want to cry in front of you
I don't want to talk about it"
Verônica sentia a brisa noturna contra o corpo e o movimento de sua capa. Respirava fundo, equilibrada sobre o parapeito da janela.
Faltava pouco, muito pouco. Apenas alguns segundos e... adeus... seria o fim.
Triste fim, ela sabia. Mas seu fim, planejado e executado, sua liberdade.
As estrelas no céu pareciam brilhar somente para ela, como se a estivessem tentando convencer a não fazer o que ela desejava fazer.
Sirius, a mais brilhando estrela, parecia pedir desesperadamente que ela não pulasse. Mas ela não iria desistir naquele momento, ela não podia desistir. Não agora que chegara tão perto.
Estava começando a ficar nervosa, pois sentia que o momento estava se aproximando.
Analisava os momentos que a levavam a fazer aquilo. E sabia exatamente o principal deles, ela estava apaixonada.
Amar doía, machucava, dilacerava. Era um ato insano, sem explicações, que a deixava a mercê de Sirius e dos desejos dele. E agora ela tinha força pra resistir aquilo e iria usar aquela força para pôr fim aos sentimentos ruins que aquela resistência estava causando.
Resistir doía, por que antes do que ela iria fazer, estava o sonho, de ainda poder voltar aos braços dele. Entretanto, ela tinha que mostrar que ele não tinha o direito de entrar e sair da vida dele como estivera fazendo. Ela merecia respeito. Merecia um homem que a tratasse bem, mas não tinha aquilo.
Ela tinha Sirius. Ou tivera,mas não importava mais. Não havia mais sentido em pensar naquilo, tinha ou tivera, agora já não teria mais.
Iria fazer aquilo por amor. Seu sacrifício amoroso. Por que ela estava apaixonada... E não consegui lidar com aquilo.
/-/-/-/-/-/-/-
Sirius correu até a torre, subiu as escadas acelerado, e apenas quando estava a poucos metros da sala usada para as aulas, diminuiu o ritmo, para evitar ser percebido.
Quando viu Verônica da porta, parada no parapeito da janela, o corpo ameaçando balançar-se para a frente, conseguiu entender o que sentira que estava se acabando.
A ligação entre os dois, se ela pusesse fim a própria vida, acabaria com a ligação. E ele estava sentindo que ela se rompia.
Tinha que impedi-la, não sabia o que seria dele sem ela. Agora não conseguia mais se imaginar sem ela.
Não podia gritar, ela podia se atirar por causa do susto. Tinha que ser silencioso. Avaliou a situação rapidamente, a capa de Hogwarts dela voava por causa das rajadas de vento, ele podia puxá-la pela capa. Era sua única chance.
Caminhou devagar, sem fazer barulho, até perto do parapeito e no momento em que ela movia o corpo para frente com vontade, segurou pela cintura, através da capa, ouvindo um grito libertar-se da garganta dela e com a força feita por ela para frente, e sua força para puxá-la para trás, acabou indo ao chão, suas mãos ainda a mantendo segura, e seu corpo, diminuindo o impacto do corpo dela.
Ela pareceu não ter se dado conta do que acontecera e deixou escapar algumas palavras:
Eu vou fazer isso por que estou apaixonada...
N/A: Acabei! Bom, esse capítulo é meu xodó. Foi realmente emocionante escrever ele, além de diferente. Foi um capítulo introspectivo e descritivo, tendo apenas uma fala no final. Além disso, foi o capítulo em que eu me senti mais Verônica.
Reviews:
Lily Dragon: Deve ser a nossa maldição particular... hauahuahauaahaua. O Remo vai ficar feliz de novo em breve. E Pedro não deve levar mais socos tão cedo. Beijos!
Juliana Montez: Que bom que o capítulo pode ajudar você. T/L de novo só no capítulo 11. Já Remo e Dorcas, capítulo 11 também. A confusão acaba aqui. Espero que tenha gostado. Beijos!
Mariana-fan-sister: Ele ta apaixonado e ela também. As coisas começaram a se resolver. Beijos!
Silverghost: Lu, que bom que você gostou do capítulo. A confusão do Sirius foi ótima de escrever. Esteja a postos, o próximo capítulo é dia dos namorados. Beijão!
Thaís: Nem eu sei como construo os personagens. Eu me baseio em pessoas reais, mas eles acabam se tornando tão independentes das pessoas em quem inspirei. Beijos pra fã número 1 de DO AMOR!
FranKC: Eu acho que devia ta confundindo as coisas em relação ao 1 ano. E que bom que você gostou do fora do Black. Beijos...
Bru Malfoy Black: Bru, adorei teu review. E fico feliz que tu esteja gostando. Os casais se ajeitam nos próximos capítulos. Beijos!
