Capítulo 9: "Hogsmeade e o fim de tudo que importava"

– Você vai para casa de Snape – disse seu pai, simplesmente.

– Como assim? – perguntou Draco, encarando-o durante o almoço.

Lúcio olhou seu filho brevemente e bebeu um gole de seu vinho.

– Apenas por uns dias – concluiu ele. – Você vai hoje e depois que voltar de Hogsmeade vai continuar lá...

– Por que diabos? – interrompeu o garoto, incrédulo.

– Draco – repreendeu sua mãe, baixinho.

– Por agora, não precisa ficar sabendo – disse Lúcio.

Draco bufou o mais discretamente que pode. Não fazia sentido nenhum ir pra casa de Snape e simplesmente ficar lá.

– Por quanto tempo? – perguntou.

– Depois, Draco – disse Lúcio, usando um tom que encerrava o assunto. – Os elfos já estão arrumando suas malas. E não se esqueça de apagar esses machucados.

O filho apenas assentiu irritado, achando muito estranho aquilo tudo.

– Não acredito que me deixou sozinho com a Eleonor – reclamou Colin, enquanto voltavam da janta, no dia seguinte ao que Ginny tinha ido ao lago. – Sabe que ainda não fui com a cara dela cem por cento.

– Ai Colin – suspirou ela, não dando muita bola para o amigo. – Pára de ser implicante.

– Não estou sendo implicante – ele cruzou os braços.

– Ela só estuda – falou Ginny. – E vamos parar de falar nisso, faz favor, temos assuntos mais importantes pra tratar...

– E quais seriam? – sorriu ele.

– Que roupa vou usar amanhã! O que fazer com meu cabelo... – lamentou-se Ginny, pegando a ponta de uma mecha e analisando.

– Oh, querida, ta nervosa? – Colin segurou sua mão.

– Muito – confessou, indisposta. – Não sei por que, mas estou com um mau pressentimento...

Mau pressentimento? – exclamou o amigo. – Não viaja, Kiddo!

Ela o encarou, mal-humorada.

– Relaxa – disse ele, passando o braço pelos ombros de Ginny. – Ta tudo bem, não tem com o que se preocupar! Vocês são o casal mais fofo que eu já vi...

A ruiva sorriu boba.

- Certo – disse. – Mas por Merlin, me ajuda amanhã, está bem?

- Claro, Kiddo!

– Você vai a Hogsmeade ou não?

– Acho que não pra falar a verdade – disse ele. – Não vou ter com quem passear, já que pretendo deixar os pombinhos a sós...

Ginny riu alto.

– Ai, Colin... Você pode ir com Luna e Eleonor.

O amigo ergue a sobrancelha.

– Olha bem pra minha cara.

Ela não conteve o riso de novo. Sentiu-se mais segura agora e resolveu se distrair de suas preocupações em relação à Hogsmeade.


As paredes da casa de Snape eram cobertas de livro. Estava ali sentado em um sofá encardido fazia alguns minutos, desde que chegara. Não se atrevera a andar muito. Sua mala estava no chão. Apenas uma luz fraca que vinha de uma lamparina no teto iluminava o ambiente. Era para ele esperar o professor, que apareceria quando pudesse. Não entendia porque tinha que ir para lá. Não fazia sentido nenhum. Bufou, entediado. Resolveu pegar um dos livros para se distrair.

Passado algum tempo, as chamas da lareira no canto da sala ficaram verdes e o professor apareceu. Draco fechou o livro, deixando-o de lado no sofá e levantou-se, nervosismo e expectativa aumentando.

– Professor – ele cumprimentou.

– Malfoy – disse Snape parecendo entediado, enquanto limpava as vestes.

Draco engoliu em seco.

– O que diabos eu to fazendo aqui? – perguntou, não agüentando o breve silêncio.

– Como seu pai deve ter lhe dito, mais tarde ficará sabendo.

O garoto amarrou a cara.

– Soube que amanhã irá a Hogsmeade – comentou o professor. Draco apenas assentiu. – Deverá voltar para cá depois disso...

– Já me falaram isso – contou, ainda não entendo qual o sentido.

– Virei falar com você quando chegar – disse Snape. – Assim que puder.

– Certo.

– Fique a vontade – disse ele, soando estranhamente educado. – O quarto é para lá e a cozinha para cá – apontou. – Tem passagens por trás das estantes.

O loiro olhou em volta.

– Tente não meter o nariz onde não deve – disse o professor.

– Não precisa se preocupar – disse, demonstrando que não tinha curiosidade nenhuma de ficar andando pela casa que parecia assombrada.

– Tenho que voltar para Hogwarts agora – anunciou ele. – Aulas particulares... – pareceu distrair-se quando disse isso sem pretexto. Snape balançou a cabeça de leve. – Até amanhã.

E assim desapareceu nas chamas verdes, deixando um Draco ainda cheio de dúvidas para trás. Agora só restava dormir e esperar até o dia seguinte, que tudo se explicaria. E que cumpriria a tarefa mais difícil que alguém já havia lhe passado na vida: terminar com Virgínia Kiddo Weasley.

Acordou tarde. Lá fora o céu estava em um tom claro de cinza, fazendo com que uma luz esquisita entrasse no quarto em que Draco dormira. Vestiu-se com calças pretas, suéter cinza e casaco sobretudo também preto. Pendurou seu velho cachecol da Sonserina no pescoço, colocou luvas pretas sem dedo e sua touca – que agora virara sua companheira fiel.

Respirou fundo. O encontro estava marcado para as duas da tarde, em frente à Dedosdemel. Desceu as escadas e foi até onde pensou ser a cozinha. Lá viu que o relógio marcava uma e quinze. Tentou preparar alguma coisa para comer naquele tempo, mas não obteve muito sucesso. Então sentou na sala e esperou até o momento de aparatar.

Seu coração estava acelerado e o vento cortante batia nas faces de Draco, enquanto ele aguardava Ginny no lugar combinado. Tinha as mãos nos bolsos de seu casaco. Observou vários grupos de alunos chegando à cidade, todos parecendo alegres e contentes. Ficava mais ansioso a cada minuto. Tudo que conseguia pensar naquele momento era em tocar a pele macia de Ginny.

Foi então que viu um grupo de alunos da Grifinória. Procurou rapidamente com os olhos enquanto eles se separavam em grupos menores. Foi então que reconheceu os cabelos ruivos de longe. Ela estava com Lovegood e Niels. Ele começou a caminhar até ela, suas pernas movendo-se sem sua permissão ou consentimento. Percebeu quando ela o avistou. Conseguiu ver um sorriso largo abrir-se em seus lábios rosados. Ela vestida um casaco longo e preto, que era apertado na cintura por um cinto, estava de botas pretas e touca vermelha.

Cada passo que deu até ela fez seu coração escalar um pouquinho até sua garganta. Sentiu as mãos tremendo e não era de frio. Lá estava ela, agora vinha em sua direção.

Foi no instante que ele tirou as mãos dos bolsos e colocou ao redor do corpo de Ginny que sentiu algo inexplicável. Seu rosto escondeu-se nos cabelos dela, enquanto a garota passava os braços em volta da cintura dele. Apertou a ruiva o mais forte que conseguiu. Sentiu a bochecha macia dela no seu pescoço, assim como seus cílios. Draco fechou os olhos, sentindo um aperto no peito e na garganta. Por um momento achou que fosse começar a chorar, mas ela o distraiu.

– Senti sua falta – disse num sussurro.

Ele respirou fundo, constatando como sentira falta de sua voz.

– Eu também – sussurrou o mais baixo que pode.

Não queria soltar ela. Queria congelar o tempo naquele instante e nunca mais voltar para a casa de Snape ou para a Rússia. Mas teve que soltar, porque achou que podia estar a sufocando, tamanha era a força que fazia. Quando encarou seu rosto, viu o sorriso. Aquele sorriso que o perseguia. Ele pôs as mãos nas suas bochechas e capturou seus lábios, um desejo de meses se realizando com aquele toque. Em alguns segundos, estavam beijando-se intensamente, sem conseguir parar nem para pegar fôlego. Não conseguia largar.

Foi ela quem parou o beijo, afastando-se lentamente, puxando grandes quantidades de ar. Por um momento, os dois apenas se encaram em silêncio. "Dois jovens contra o mundo", pensou ele, lembrando o que sua mãe havia dito.

– Desculpe não ter escrito para você – disse ela, mordendo o lábio inferior.

– Tudo bem – disse Draco, acariciando seu rosto. – Não tem problema.

– Eu fiquei tão distraída com as aulas e com as tarefas que...

Ele pousou o dedo em sua boca, depois a beijou levemente.

– Vamos pro Três Vassouras – disse Draco. – Está muito frio aqui fora.

Ela sorriu e ele retribuiu finalmente, como não fazia há meses. Sentiu-se estranho sorrindo daquele jeito, mas não se importou, porque parecia certo. O loiro passou o braço pelos ombros de Ginny e os dois andaram juntos até o bar.

O plano dele era o seguinte: pedir cervejas amanteigadas e manter Ginny falando o máximo de tempo que pudesse. Evitaria que ela fizesse perguntas para ele, pois não pretendia enrolar. Sabia que quando chegasse ao assunto "Draco", teria que contar que sua suposta mudança aos Estados Unidos.

– Então agora Eleonor está tendo aulas particulares com Snape – contou, descontraída.

– Uau – fez ele. – Está irreconhecível.

– Colin acha que eles estão tendo um caso – riu ela, corada por causa do calor que a bebida proporcionava.

– Ta brincando... Snape e Eleonor? – ele riu.

– Sim – ela afirmou. – Claro que ele só suspeita, mas Colin tem um sexto sentido pra essas coisas... Ele disse que uma noite Eleonor chegou muito tarde à sala comunal, eu já tinha ido dormir, mas ele estava lá porque tinha acabado de chegar da aula de Astronomia – ela deu outro gole. – Segundo Colin, ela estava com a roupa toda amarrotada, os cabelos muito bagunçados e um ar bobo...

Eles riram juntos e depois Draco inclinou-se para beijá-la demoradamente.

– Vou pedir mais – disse ele, pegando os canecos. Quando voltou, Ginny segurou sua mão.

– E você? – ela disse sorrindo. – Passamos horas só falando de mim e Hogwarts.

Draco sorriu sem jeito. "Droga" pensou ele. Tinha chegado a hora.

– Bom eu tenho feito algumas coisas – disse ele vagamente. – Várias coisas.

– Tipo? – perguntou ela.

– Eu precisava falar sobre isso com você – disse Draco. – Esse é um dos motivos que eu vim até aqui te ver.

– Ah, é? – riu ela.

– Sim – disse ele. – Vamos terminar isso aqui e ir pra um lugar onde possamos ficar a sós? – sugeriu.

– Claro – ela respondeu sem hesitar.

Draco pagou a conta e eles saíram de mãos dadas, caminhando entre a multidão. Pretendia levar ela para perto da Casa dos Gritos, onde ninguém poderia ouvir ou vê-los. Chegando lá, Ginny sentou-se em uma pedra e mirou a paisagem por alguns momentos. Ele admirou seus cabelos ruivos remexerem-se com vento. Depois sentiu um peso estranho em seu estômago. Chegara a hora.

Ela sorriu para ele, depois o chamou com os dedos. Draco não resistiu e se aproximou. A garota passou os braços ao redor do pescoço dele, beijando-o calorosamente. O loiro não conseguiu deixar de ceder àquilo. Ele aproximou seus corpos, colocando a mão por baixo da blusa de Ginny sem conseguir se conter. Acariciou a pele macia das costas da garota, enquanto a excitação começava a entorpecê-lo e enevoar sua cabeça. Ela o atiçou, puxando seus quadris contra os dela. Tinha que parar aquilo antes que começasse a tirar as roupas da garota. Ginny parecia estar interessada justamente em tirar as roupas.

"Droga" pensou ele, enquanto Ginny entrelaçava seus dedos no cabelo dele. A vontade de tê-la ali mesmo estava ficando descontrolada. Era tudo que ele precisava. Fazê-la sua antes que ela nunca mais o olhasse na cara. Mas isso seria se aproveitar dela. Provavelmente ela se sentiria usada e enganada depois. Não queria tornar as coisas mais difíceis. Então, fazendo todo o esforço mental que podia, afastou-se e segurou um dos pulsos dela.

– Ginny – chamou. – Preciso conversar com você sobre uma coisa...

Draco deu uns passos para trás, tentando segurar o fôlego e desesperadamente broxar antes que pulasse nela outra vez. Ginny o encarou.

– Sim, você disse que precisava – ela sorriu sem jeito. – Pode falar.

Ele respirou fundo e pôs as mãos que começavam a tremer dentro dos bolsos.

– Nesse tempo que a gente ficou sem se ver – começou, sentindo o aperto no peito e na garganta voltar, dificultando sua fala. – Eu conheci uma pessoa.

O semblante dela, que antes estava pacífico e divertido, endureceu-se em segundos.

– E essa pessoa me ajudou a arranjar um emprego – mentiu. Por um momento, viu as feições de Ginny relaxarem. – Nos Estados Unidos.

A testa dela enrugou-se levemente. Draco não conseguia fitá-la nos olhos por muito tempo, ele vacilava entre o chão, os lados e a face de Ginny.

– O que? – ela perguntou, pedindo explicações. A ruiva encarava o garoto sem vacilar, fazendo com que ele se sentisse bem pior.

– É isso mesmo – ele ergueu o rosto. – E eu vou.

Seu coração acelerou naquele instante, sob o olhar dela. Ginny levantou-se da pedra e deu alguns passos em direção a ele.

– Como assim? Você vai embora? – ela estava incrédula. – Por que Estados Unidos se você pode arranjar um emprego aqui?

– Essa pessoa que me conseguiu o trabalho mora lá – continuou mentindo, tentando se manter firme. Tentou fechar sua mente para não sentir nada. – E eu quero ficar com ela.

Draco viu nos olhos castanhos de Ginny que ela havia entendido naquele instante o que aquela conversa significava.


– Você achou outra pessoa?

Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Tinha perdido os sentidos.

– Sim – respondeu Draco, a fazendo sentir como se uma garra a rasgasse por dentro.

– Como? – perguntou, agora já sentindo os olhos teimarem em começar a se encher de lágrimas. – É por isso que você não me escreveu? Você estava com outra pessoa?

– Sim – disse ele cabisbaixo. – Ela estava aqui a passeio e...

– Todo esse tempo que a gente tava junto hoje você já pretendia me dizer isso? – exclamou, voz embargada. – Por que você me beijou? Por que me abraçou?

Ele não respondeu, mantendo o olhar no chão.

– Isso é algum tipo de brincadeira pra você?

– Eu me apaixonei, Virgínia – disse ele. – A distância esfriou nossa relação...

– Não me venha com essas desculpas! – exclamou ela, olhos molhados. – Eu tava aqui esperando por você e você tava lá com outra! – continuou ela, não segurando o choro. – Há dois minutos você tava me agarrando e agora diz que ta apaixonado por outra!

Ginny deu as costas para ele, não agüentando encará-lo mais.

– Me desculpa – disse ele simplesmente. – Nós pertencemos a mundos diferentes – a voz dele foi morrendo.

– Vai pro inferno, Draco! – gritou ela, virando-se para ele novamente. – Você é um mesquinho idiota como sempre foi!

Os dois se encararam. Ela, com lágrimas nos olhos; Ele, com os olhos cinza, secos e vazios.

– Não acredito que você tenha feito isso – ela murmurou.

– Não tem nada a ver com nossas famílias – disse ele rapidamente. – Essa garota e oportunidade apareceram e...

PAF. Ginny meteu uma tapa na cara dele.

– Eu te odeio – ela murmurou. – Espero nunca mais ver essa sua cara! – berrou, dando as costas para ele. – Fuja pros Estados Unidos e nunca mais volte, Malfoy!

Assim, saiu com o passo apressado, sem olhar pra trás. Suas lágrimas abundantes embaçaram completamente sua visão. Há essa altura, já estava tomada pelos soluços. Uma dor tão grande apoderou-se do seu corpo, tão grande que transbordava. Depois, um desespero enorme aliado a uma vontade de voltar até onde estava Draco e perguntar se era mesmo verdade, se ele não estava brincando, se ele queria mesmo aquilo. Mas não voltou. Sentia-se completamente humilhada. Começou a correr como pode, a neve dificultou seu trajeto até a estrada que dava para Hogwarts.

Não entendia. Ele tinha a beijado e abraçado, vira em seus olhos prateados que ele sentira saudades. O jeito que ele a abraçou tão forte... Como ele podia ter fingido tudo aquilo? Ou vai ver tava apenas enrolando ela para poder dar uns pegas. Irritou-se com esse pensamento e pôs as mãos no rosto, punhos fechados. Continuou sem parar até ver o castelo, ignorando completamente a exaustão.

Agradeceu pela escola estar vazia quando cruzou os corredores, aos prantos. Alguns quadros a olharam assustados. Correu até a Torre da Grifinória e teve a sorte de dar de cara com Colin saindo pelo retrato. Ela jogou-se nos braços do amigo, chorando mais forte do que nunca.

– Por Merlin, Kiddo, o que houve? – perguntou ele, assustado.

– D-Dr-Draco, ele... – soluçou ela.

Colin apertou a amiga mais forte, enquanto ela molhava as roupas dele rapidamente.

– Ele achou outra garota, ele ta indo embora... – murmurou tristemente. – Ele vai pros Estados Unidos...

– Draco terminou o namoro? – o amigo parecia incrédulo.

– S-sim... ele vai embora – Ginny continuou soluçando compulsivamente, enquanto Colin a carregava para dentro do dormitório da Grifinória. – Eu não quero ir pro dormitório das garotas, elas vão ficar fazendo perguntas quando chegarem... – murmurou.

– Não tem problema, vamos para o meu.

Subiram até o dormitório de Colin que estava vazio. Ele correu para o banheiro e pegou papel para a garota limpar as lágrimas. Ginny ficou sentada na cama, agora chorando mais silenciosamente.

– Tudo bem, querida, calma – disse ele, entregando um pedaço de papel para ela. – Não acredito que isso ta acontecendo...

– Nem eu – ela chorou. – Mas ta, acabou... Ele disse que a distância esfriou nossa relação, aquele idiota!

– Vem cá – disse Colin, oferecendo colo para Ginny deitar a cabeça.

Ela continuou chorando baixinho, enquanto o amigo fazia cafuné na sua cabeça. Ficou assim por tanto tempo que adormeceu. Sentiu Colin tirar suas botas, seu casaco e a colocar debaixo das cobertas, então caiu num sono sem sonhos, desejando não acordar no dia seguinte.


Ginny virou as costas e foi embora. Pode ver que ela estava aos prantos. Draco pousou as mãos no rosto, sentindo ondas de terror percorrem seu corpo inteiro. Deu as costas para a figura que se afastava rapidamente. Ele queria ter parado ela com um feitiço. Ter seqüestrado Ginny e levado para longe. Mas não podia fazer isso. Se contasse para ela o que seu pai faria com a família Weasley, Ginny nunca aceitaria ficar com ele e ver seus parentes sofrendo. Assim seria melhor...

Mesmo assim, era difícil. Não conseguia se convencer que aquilo estava acontecendo. Que era isso, que era o fim. Ela tinha ido embora pra sempre. Ele lançou um último olhar em volta e aparatou para a casa de Snape. Sentou-se no sofá, apoiando a cabeça nas mãos, cotovelos nos joelhos. Estivera reprimindo os sentimentos com tanta força naquele momento e agora eles vinham como uma avalanche sobre sua cabeça. Sentiu os olhos ficarem embaçados e não viu mais nada. Agarrou os cabelos com força.

and you are the dark on my soul

and it's your love that i steal

and you're my cuts that won't close

and this i'm certain

and this i'm certain

and this i'm certain

Draco jogou a garrafa de vinho que estava na mesa de centro contra a parede, assim como os copos foram para o chão, ao virar a mesa com um chute, e estava pronto para destruir o sofá, quando Snape o agarrou por trás, prendendo seus braços.

and you're the dark of our home

but still the home that i feel won't let up

or let go

and this i'm certain

and this i'm certain