Capítulo 9
Trick or Threat
As caras de Hermione e Gina ao verem Clarisse carregada por Snape eram dignas de primeira página do Profeta Diário. A senhora Weasley censurava, com um olhar de desaprovação, a reação das duas garotas, enquanto Clarisse permanecia calada e protegia seu rosto, não dos olhares das meninas, mas do provável olhar de fúria de Snape encolhendo-se no ombro do próprio.
Finjo ser invisível pra não ter que te encarar
Afogo na piscina pra você me salvar
Tropeço na escada pra você me pegar
Crio mil feitiços pra tentar te conquistar
Snape depositou a bruxa ferida com cuidado em sua cama. As outras jovens ao verem melhor o ferimento tentaram esconder as suas caras de pavor e piedade, as quais não passaram despercebidas por Clarisse:
- Está tão horrível assim? – e tentou levantar-se para ver melhor a ferida.
- Não me faça imobilizá-la! – ameaçou autoritariamente Snape.
- Severo! Não vou deixar que trate a pobre menina desse jeito! – esbravejou a Sra. Weasley.
Snape ficou indiferente e novamente começou a examinar a ferida. Dumbledore aproximou-se também. O quarto mergulhou em silêncio absoluto, todas observavam Snape e Dumbledore e esperavam que a qualquer momento eles anunciassem a morte de Clarisse. Após tensos minutos o diretor finalmente dirigiu-se a Sra. Weasley:
- Molly por favor, verifique como Remo está.
Quando a Sra Weasley abriu a porta Dumbledore continuou:
- Senhoritas, creio que será melhor se acompanharem Molly para o caso dela precisar de auxilio.
Gina e Hermione se levantaram e quando a porta se fechou Snape se dirigiu a Clarisse sem nenhum esforço em ser amigável:
- Não vou dizer que foi muita irresponsabilidade sua ter saído com aqueles brincos hoje, porque muito provavelmente se lembrará disso por todas as noites de lua cheia.
Os olhos de Clarisse ficaram rasos d'água, mas ela não queria que ele os visse e virou o rosto:
- Só espero que se for assim... Encontrem a tempo um substituto para o meu lugar no plano de hoje à noite. – disse em voz firme.
Snape não continuou seu sermão, porém Clarisse prosseguiu:
- Sei que serei inútil agora para a Ordem. – Clarisse olhou de relance para Dumbledore como quem pedisse desculpas - Portanto Sr. Snape... me faça o favor de curar essa ferida o mais rápido que puder para que eu possa arrumar minhas coisas para sair daqui e deixar todos em paz, já que pelo visto eu pareço um peso morto aqui. Eu cumprirei minha promessa sozinha mesmo, sem a ajuda de ninguém...
- De que promessa está falando, garota? – perguntou Snape
- Você não vai sair da Ordem.
Os dois viraram-se um pouco sobressaltados pelo tom sério da voz. Finalmente Dumbledore decidira participar da discussão.
- E você não é nenhum peso. – afirmou em um tom bondoso - Quanto a sua promessa nós já conversamos sobre isso, não é? – ele havia retomado seu tom bondoso - Agora Severo, tenha a bondade de me passar os brincos da Srta. Sunshine.
Snape obedeceu. O diretor analisou e disse sorridente como quem comentasse o bom tempo que fazia:
- Uma invenção esplêndida eu diria. São realmente de pedras da lua! Nunca vi um desses antes... Muito me engano, minha criança ou eles são...
- Detectores de Magia Negra. Exatamente diretor.
- Onde você os conseguiu?
Clarisse corou e, tentando olhar para qualquer lugar que não fosse próximo a Snape, respondeu:
- Ganhei do meu... – e pensando no que dizer, devido a vergonha acabou dizendo – de um amigo.
- Foi realmente um belo presente o dele. – afirmou Dumbledore e Snape soltou um muxoxo - Mas agora temos que ver essa sua ferida. – O diretor aproximou-se, analisou e continuou decidido– só há um jeito de descobrir.
Dumbledore colocou um dos brincos bem próximo ao rosto de Clarisse:
- Olhe para ele, por favor.
Clarisse olhou. Viu a lua. Sentiu algo explodir em suas entranhas, seu coração bater mais forte, seus instintos se aguçarem; mas aparentemente nada aconteceu, ela ainda tinha a pele muito branca, o porte pequeno, o cabelo castanho escuro quase preto e muito liso e os amendoados olhos sensacionalmente verde-vivos.
- Acho que poderei ocupar meu lugar no plano de hoje. – disse aliviada.
- Acalme-se, nada é tão simples assim. Primeiro é preciso que se recupere e segundo é necessário que arranje um disfarce, já que os Comensais ainda estão te procurando.
- O disfarce eu consigo diretor.
- Certamente que sim. Mas ainda temos alguns testes a fazer. Por favor, produza seu patrono.
- Ela consegue produzir um Patrono?
- Você ficaria admirado em ver, Severo. – disse Dumbledore sorrindo abertamente.
- Expecto Patronum
A corça prateada de Clarisse irrompeu de sua varinha cavalgando livremente por todo o quarto e, parando em frente aos bruxos, abaixou-se fazendo uma espécie de reverência e se desfez no ar.
Dumbledore aplaudia alegremente enquanto Snape foi para a porta do quarto e permaneceu de costas.
A porta se abriu e um Lupin de volta a forma humana adentrou o quarto, seguido pela Senhora Weasley, Gina e Hermione que trazia consigo um frasco contendo um líquido púrpura. Lupin, um tanto quanto envergonhado, olhou para Clarisse na cama e a sua ferida aberta. E desabando-se em uma cadeira próximo a porta pôs-se a derramar lágrimas e a culpar-se:
– Foi minha culpa! Eu não quis... juro que não quis... O que eu fiz a ela? Eu amaldiçoei a vida dessa menina...
- Acalme-se Remo. – consolou o diretor – Tudo está bem, ela não terá seqüelas muito graves... não chegará a ter transformações.
Lupin acalmou-se com as palavras do diretor e este continuou:
- Bem, o que você sentiu quando viu a lua?
Clarisse respondeu e Dumbledore pediu gentilmente:
- Quero pedir que só fiquem nesse quarto Severo e Remo.
Após os demais saírem, Dumbledore prosseguiu:
- Pelo que você me descreveu, a ferida atingiu algum lugar de sua alma... já sabemos que não a ponto de uma mutação e também que não modifica a linda forma de corça prata de seu patrono. Agora a questão é: Onde ela se reflete?
Clarisse na mesma hora lembrou-se, mas não... não queria acreditar... tinha medo que houvesse acontecido algo com... ah, tinha tido tanto sacrifício para conseguir. Decidiu guardar segredo por enquanto, apenas pediu que fosse curado o seu ferimento.
-Ah, claro. Severo, a poção púrpura.
Snape abriu a poção cicatrizante e deixou cair todo o frasco no local do corte. A ferida queimou e latejou, e para Clarisse até ferveu, por alguns instantes e depois se fechou.
- Agora descanse. Mais tarde Severo virá para ver como está.
- Obrigada. – e olhando para Snape complementou – Por tudo.
CREC!
- Um truque – disse Fred
CREC!
- Ou um trato! – completou Jorge
- Por que será que vindo de vocês eu acharia melhor o truque? – disse uma Clarisse sorridente enquanto abria os olhos.
Eu só quero brincar com você
Eu só quero brincar com você...
- É, por que será? Você faz alguma idéia, Fred?
- Não, Jorge.
Clarisse riu da cara de fingidos inocentes deles e disse:
- Então... Não vão me mostrar o truque?
- Quer fazer as honras, Fred?
- Com muito prazer, Jorge – disse enquanto tirava algo do bolso – Esta é uma "poção de transformação capilar".
- Que nome mais pomposo. – riu-se Clarisse enquanto observava a poção multicolor fosforescente que estava no frasco com Fred – Não parece nome de poção das Gemialidades.
- É, realmente não. Até parece que foi nomeada pelo Percy – concordou Fred olhando bem de perto para o frasco – Mas se você concordar com o que vamos propor podemos colocar o seu nome na poção. Imagine só... – e ficando em pé na cadeira em que Lupin havia desabado em lágrimas, estufou o peito e começou a fazer largos e longos gestos como se fosse anunciar algo muito importante – "Poção Sunshine". Use-a e fique com o penteado de sua mãe! – e voltando-se para Clarisse – Combina não acha?
- É aí que entra o trato. – concluiu Jorge
- O que? Como assim? Se eu usar isso vou ficar com o cabelo da minha mãe?
- Da mesma cor – disse Fred
- Com mesma textura – complementou Jorge
- Mas não sei se vai funcionar porque... porque eu não conheço a minha mãe.
Os gêmeos olharam entre si sérios e Clarisse continuou:
- Sou filha adotiva. Não conheço a minha mãe de sangue.
Os gêmeos apertaram-se as mãos sorrindo:
- Rebatemos dois balaços com um só bastão! – disseram em coro.
- Façam o favor de me explicarem o que estão tramando. – pediu Clarisse desconfiada.
- Calminha, Clara. – disse Fred que a esta altura já tinha intimidade o suficiente para chamá-la assim - O plano, digo, o trato é o seguinte: Nós estamos trabalhando há meses nessa belezinha aqui – disse dando um beijo no frasco – E estávamos esperando um momento... adequado para utilizá-la. Até que ouvimos Dumbledore falando hoje de amanhã que você precisava de um disfarce...
- E aí está ele! – interrompeu Jorge – A poção é segura, concluímos isso quando testamos.
- Porém, precisamos de um segundo teste para saber se funciona. – disse Fred
- Como vocês sabem que é seguro, mas não tem certeza se funciona?
- Testamos na Gina. – disseram os dois ao mesmo tempo.
Os três não se agüentaram e caíram na maior risada.
- Nossa! Minha barriga tá doendo de mais – disse Clarisse quanto tentava parar de rir – Ok. Malfeito feito!
- Você é das nossas, Clara! – disseram os dois novamente juntos
- Sabe... eu poderia me casar com você, se você aceitasse – disse Fred com um sorriso maroto.
Tenho todos que quero, mas perco o ar quando te vejo
Saio com seus vizinhos só pra você... me notar
Clarisse inicialmente corou, mas depois respondeu sorridente:
- Não se apresse Fred. Um pedido e um trato de cada vez. - E estendendo a mão a ele disse – Agora vamos ver se essa poção funciona. Pode fazer as honras, como disse o Jorge.
Tropeço na escada pra você me pegar, crio mil feitiços pra tentar te conquistar
Eu só quero brincar com você
Eu só quero brincar com você...
Eu só quero... quero... brincar com você
Eu só quero brincar com você...
Fred derramou todo o conteúdo do frasco na cabeça de Clarisse. Imediatamente os cabelos da jovem começaram a transformar-se e torando-se espessos, mas ainda assim tão lisos como os dela e ruivos:
- Tem certeza que você não é da nossa família? – riu-se Jorge – Se for assim, acabou-se o sonho de casamento pra você irmãozinho.
E pela vez que Clarisse havia perdido as contas, os gêmeos e ela desabaram na gargalhada, mesmo com um Fred um pouco contrariado. Assim que os gêmeos se foram, Clarisse não conseguiu mais dormir. Ela finalmente sabia alguma coisa sobre sua mãe verdadeira. Porém, não sabia se o que a mantinha acordada era a novidade ou pensar que teria que ver Snape a alguns minutos:
- Ele que não me venha com sermões novamente que vai conhecer quem é realmente Clarisse Sunshine! – pensou enraivecida enquanto seu coração batia forte, talvez mais do que quando viu a lua – Quando quero posso realmente ser perigosa.
Eu só quero brincar com você
Eu só quero brincar com você...
Eu só quero...quero... brincar com você
Eu só quero brincar com você...
Não me despreze... eu sou pior que você, não tenha medo eu só quero brincar
Música deste Capítulo: Te Procuro - Leela
