A LUA DO LOBO
Capítulo VIII – Reencontros.
Aqueles olhos azuis... Faria qualquer coisa para vê-los brilhando como antes! Até mesmo... Morrer. Começa a descer o punhal e em segundos a lâmina se enterra em seu coração e uma dor aguda percorre suas células, mas ainda assim sorri... Sorri por saber que o traria de volta. Esta perspectiva o inunda de felicidade, mas ele não consegue se manter de pé por muito tempo... Está perdendo muito sangue e logo seu corpo desfalece.
- Você não devia ter feito isso. – Ele escuta as palavras sendo pronunciadas entre soluços, mas elas parecem longe demais.
"Não... Não chore." – Sua visão está turva. Quer falar muitas coisas, mas está tão difícil pensar...
- Eu faria qualquer coisa pra ver novamente estas lágrimas... O seu sorriso... – Sussurra com dificuldade, vendo um suave sorriso infantil adornar os lábios róseos de seu amado e então tem a certeza de que seu ato valeu a pena. – ... E o amor por mim no fundo destas duas safiras.
Aya ouve sussurros... Seu nome parece ter sido pronunciado, mas não consegue mais manter os olhos abertos. Quer beijá-lo, abraçá-lo, dizer que terminará tudo bem, mas... Ele sabe que não é assim que funciona! Sua mente se torna turva e tudo agora é escuridão... Uma escuridão imensa e tudo que sente é que está caindo num abismo...
"Omi... Aishiteru..." – As palavras ressoam apenas mentalmente... É o fim!
Sente algo quente o envolvendo, mas não sabe o que é... Sua mente parece despertar aos poucos depois de um tempo indefinido e ele sabe... Precisa ver o que está acontecendo. Com esforço, lentamente... Ele abre os olhos violeta... Tenta clarear a vista e focar em alguém que o observa e percebe então, aos poucos, aqueles olhos azuis que brilham diante de seu rosto e sente o leve toque daqueles lábios deliciosos. Fica então atônito, recordando o que acontecera... Move-se e ainda sente uma fina dor em seu peito. Será que está morto?
"Claro que estou morto!" – Conclui, mas então... O que Omi faz ali a sua frente? Por que ele sorri?
- Você demorou a acordar. – O rapaz o abraça, colocando a cabeça sobre seu peito. – Pensei que tinha te perdido pra sempre.
"O que? Por quê? Por que Omi..." – Sente-se confuso.
Aya fica completamente consciente, tendo certeza de tudo o que fez e novamente pensa que, se está morto... O que Omi faz ali? O desespero o toma de assalto e segura o rapaz pelos braços. Senta-se na cama, o afasta de si e encara-o diretamente nos olhos surpresos.
- Que bobagem você fez? – Há tristeza em sua voz.
O loiro então sorri novamente. Seu olhar é divertido, como se soubesse de algo que o espadachim desconhece, o que apenas intriga ainda mais o belo ruivo de olho violetas, que procura respostas dentro dos azuis de Omi.
- Por que está me olhando assim? Não me sacrifiquei pra você desistir de viver. – Fala repreensivo, apesar de sua voz ainda sair fraca.
O ex-arqueiro o abraça forte e mordisca o lóbulo de sua orelha.
- Omi...
- Seu bobo! Você não está morto. – Sussurra no ouvido do ruivo, fazendo-o ficar arrepiado.
Aya custa a acreditar no que o rapaz lhe diz. Tenta entender melhor, procurando nas lembranças do que aconteceu uma explicação para aquilo. Tenta se concentrar, mas não consegue. O calor daquele abraço... O perfume dos cabelos dourados e o toque daquela pele que desejara por tanto tempo eram perturbadores demais! Retribui o abraço e procura curtir ao máximo aquele momento.
- Senti tanto a sua falta! – A voz do ruivo quase não sai, embargada pela emoção.
- O que me fez sofrer mais é que pensava em você, mas não conseguia encontrar o amor em nenhum lugar do meu coração. E eu procurei muito. Juro! Lutei contra esse vazio o quanto pude, mas um dia percebi que ele se apossara de mim. – As lágrimas escorrem por seu rosto, trazendo a tona uma sensação de profunda solidão.
- Mas agora acabou! Eu estou aqui com você. – Aperta ainda mais o abraço.
Ficam ali perdidos na delícia daquele momento, apenas sentindo o calor um do outro como se o mundo exterior não fosse nada importante... Aos poucos o espadachim começa a reparar no quarto em que estão e só então se afasta um pouco de seu garoto.
- Onde estamos? – Olha ao redor e analisa o local... Vem da janela uma luz forte, mas esta é diferente do normal.
- É um hospital, mas no mundo dos mortos. – Omi explica.
- Mas... – A dúvida novamente paira na cabeça ruiva.
- Tsuzuki e Hisoka tiveram a permissão de nos trazer e cuidar do seu ferimento. – Omi toca o rosto dele, como se ainda temesse perdê-lo. – Estiveram aqui até há pouco tempo. Devem voltar logo.
- E como fizeram? Como eu não morri? – Queria entender o que aconteceu.
- Eles explicam. Quero te abraçar mais e mais. Tenho que tirar o atraso de sete anos! – O abraça com força, sorrindo.
Os dois são interrompidos pela chegada dos dois shinigamis. Tsuzuki entra com um largo sorriso, seguido de Hisoka, que fecha a porta em seguida e se volta para os dois convidados especiais.
- É bom vê-lo novamente, Weiss. Está com uma aparência boa. – Tsuzuki diz animadamente.
Os outros três o olham. Só mesmo Tsuzuki para agir como se nada tivesse acontecido. Ele nem percebe... Afinal, aquilo faz parte do seu charme. O ruivo olha para Hisoka, que sorri discretamente.
- Você deve estar querendo saber como não morreu, não é?
- Pra começar. – Diz sério, mas sem agressividade.
- Eu realmente fui ajudá-los por conta própria. Mas o Tsuzuki me ensinou uns truques. Você percebeu como fiquei sussurrando no carro a caminho do encontro? – Pergunta o jovem de olhos esmeralda, fazendo o ruivo se recordar.
- Percebi sim, mas pensei que estava se preparando.
- E estava. Invoquei um feitiço de proteção pra você, pois imaginei que algo assim poderia acontecer. Só que não pude finalizá-lo ou o Muraki poderia sentir quando chegamos. Por isso, precisei ativá-lo somente quando ele já confiasse em mim. – Hisoka sente orgulho de si mesmo por ter conseguido enganar o maldito Doutor.
- E quando você fez isso? – Aya pisca os olhos repetidas vezes e tenta se lembrar.
- Quando te beijei! – Ele sorri, divertindo-se com a reação do ex-arqueiro.
"Como assim beijou o Aya?!" – Omi se agita, não gostando daquela descoberta.
- Então naquele momento você... – Está começando a entender.
- Sim. Finalizei o feitiço e entreguei o Omi, assim ele sequer percebeu o meu embuste. – Explica calmo, mas é possível notar a satisfação em sua voz.
- Mas... Eu não precisava morrer pra dar certo? – Questiona, lembrando que Muraki citou 'um sacrifício de amor'...
- A intenção do sacrifício é que conta.
Omi enlaça seu amado pela cintura e aconchega a cabeça em seu ombro. Não ficara nada satisfeito com a história do beijo e o olhar malicioso que Hisoka lhe lançara. Teria que conversar com ele depois... A sós sobre isso.
- Desculpe se fiz parecer que estava traindo vocês, mas Muraki precisava acreditar. E havia uma possibilidade muito grande dele desconfiar de mim.
Os olhos azuis encaram os olhos verdes.
- Como você conseguiu fazê-lo revelar o segredo? – Omi questiona, curioso quanto a este fato.
- Me inspirei em você, Omi. – Hisoka sorri para o ex-Weiss.
- Em mim? – Pisca os olhos algumas vezes, vendo o shinigami fazer um 'sim' com a cabeça.
- A única forma de enganá-lo é fazer o mesmo jogo. Então analisei quais as fraquezas do inimigo e as usei contra ele. – Respira fundo ao lembrar do medo que sentira naquele momento. – Ele tem um defeito, do qual já havia lhe falado. Muraki se gaba dos seus feitos, de sua inteligência, de sua esperteza. Ele assim se sente superior!
- Hum... Verdade. – Omi diz e sabe que as palavras de Hisoka estão certas.
- Sabia que ele acabaria contando como fora esperto ao esconder a reversão nisso ou naquilo, que agora seria impossível conseguir. Além disso, ele usa muito da sensualidade pra manipular ou perturbar as pessoas. – Passa a mão pelos fios claros, enquanto continua contando.
- Então você fez o mesmo?! – Já chega à conclusão correta dos fatos, abraçando com força o seu ruivo.
- Isso! Sabia que minha maldade o excitaria e fiz de tudo pra provocá-lo. Neguei aquilo que ele desejava, beijei o Aya na frente dele e te entreguei como uma oferenda. Sabia que Muraki ficaria extremamente excitado e isso o desconcentrou.
Os dois ex-Weiss olham para Hisoka ainda sem acreditar que aquele garoto conseguira vencer o lobo em seu próprio jogo. Muraki, o homem que o perturbava há treze anos, fora manipulado da mesma forma que manipulava as suas vítimas. Aquele pequeno, de brilhantes olhos verdes, de rosto tão inocente, realmente não é uma criança.
- Certo que ensaiei por todos esses anos. Arquitetei um plano minucioso de como...
- Eu ajudei! Foi minha a idéia de beijar o Weiss. – Tsuzuki o interrompe indignado por ter sido esquecido. – Sabia que ele ficaria tentado pelos olhos violeta, ele sempre adorou os meus! Diz que são muito raros e tem algo de demoníaco.
Hisoka o olha com reprovação. Odeia ser interrompido quando está contando algo... Perde completamente o ritmo e custa a se encontrar novamente. E seu parceiro é especialista nisso.
- Muito bem! Com a ajuda do Tsuzuki. Satisfeito? – Olha para o moreno que sabe muito bem que o deixou nervoso. – Bom... Pronto! Agora não sei mais o que ia falar.
Aya então se levanta, ainda com alguma dificuldade e se apóia em seu garoto, que o segura com cuidado como se temesse que sentisse dor por se levantar tão cedo, mas ele realmente não sente nada. Suspira e encara o jovem shinigami, mas seu olhar é reprovador.
- E por que não me contaram o que acontecera naquela noite? Eu teria movido céus e terras pra ter o Omi de volta! Pelo menos eu entenderia o que aconteceu. – Há certa raiva na voz do espadachim.
Os olhos verdes baixam envergonhados. Sabia que esta questão viria à tona, na verdade, esta o perseguira por todos estes anos. Tinha consciência que o ruivo sofria muito, mas não lhe fora permitido se envolver. Em alguns casos que investigaram em Tóquio, muitas vezes ficara parado diante do prédio onde Aya morava... Às vezes até vira-o sair e tentara criar coragem de lhe contar, mas não conseguira.
- Eu sei disso, me perdoe. Eu... – Sua voz sai fraca.
- Eu fui o culpado! – Tsuzuki o corta dessa vez premeditadamente. Não pode vê-lo assumir mais uma culpa. – Apesar do meu parceiro ser mais responsável que eu, sou super protetor demais. Naquela noite ele tentou me contar, mas como estava muito fraco, eu não deixei que falasse.
- E depois não puderam me contar? – Aya é quase sarcástico.
- Quando chegamos aqui, Hisoka contou aos nossos superiores, mas... Ele já contou qual foi a reação deles e meu parceiro é disciplinado demais pra desobedecer a uma ordem direta. Assim mesmo pediu a oportunidade de ajudá-los.
- Espere, Tsuzuki. A culpa não foi só sua. – O jovem shinigami toca o braço de seu amado.
- Mas eu contribuí. – Não quer que Hisoka fique se culpando.
- Mais do que fraco, eu me senti muito envergonhado quando deixamos vocês naquele porão. Prometi que não deixaria acontecer nada com o Omi e falhei.
- Hisoka... – Omi vê a dor do shinigami presente nos olhos esmeralda e na voz.
- Você se arriscou por mim e só pude ficar ali olhando. Aya, na hora eu não consegui dizer que o seu garoto já não existia mais... E por minha culpa! Depois nada mais pude fazer. – Olha para Omi, entristecido.
Aya se aproxima dele com passos lentos e coloca a mão sobre seu ombro. O jovem loiro levanta o rosto e encara os olhos violeta do espadachim, mas ambos permanecem em silêncio por algum tempo, até que o ruivo resolve falar.
- A culpa só existe se você não faz nada pra mudar o que fez. Não é o caso. Você não podia impedi-lo, mas, se não fosse você, eu não o teria de volta.
O sorriso do garoto vai se abrindo devagar. Percebe a sinceridade nas palavras dele e se sente confortado com isso. Olha então para Omi novamente e seus olhos se cruzam mais uma vez. Há entre eles algo que poucos podem entender! Não é preciso palavras. Seus olhos dizem tudo um para o outro... Já não há culpa entre eles.
- Vocês podem partir quando desejarem, mas... – O jovem guardião da morte sente-se constrangido, mas precisa fazer o pedido. – Gostaria de duelar comigo antes de partir, espadachim?
- Será uma honra. – Aya faz uma reverência ao jovem oponente.
ooOoo
Algum tempo depois, os dois se encontram no jardim do prédio da Enmacho. Uma brisa suave percorre o local, tocando os corpos de todos. Aya e Hisoka se posicionam de frente um para o outro, empunhando suas katanas, Tsuzuki e Omi os observam orgulhosos.
Os dois oponentes se encaram. O ruivo se preocupa em não subestimar o garoto a sua frente. Já o vira em ação, mesmo que não tenha sido com uma espada, mas sabe muito bem que ele pode ser perigoso. O rapaz também procura ficar atento, pois a habilidade do assassino é muito bem conhecida.
Os dois cruzam as katanas, prontos para iniciar o duelo. Aya tenta o primeiro ataque, a fim de acertá-lo por cima, mas o garoto rapidamente se defende e faz um contra-ataque. A espada do loirinho tenta acertá-lo no peito, mas o ruivo cruza a espada e impede o ataque. E assim os dois ficam travando uma luta equilibrada, que, mais do que um duelo, mostra um empate de habilidades. A experiência prática do ruivo acaba levando a melhor e Hisoka é derrubado... A katana do oponente em sua garganta. O vencedor guarda a espada e oferece a mão para ajudar o garoto. Ao levantar os dois ficam muito próximos.
- Como sabia que eu sou um espadachim? Esteve me vigiando? – Aya sussurra praticamente no seu ouvido.
- Eu vi nos pensamentos do Omi. – Sorri quase maliciosamente, percebendo a confusão nos olhos dele. – Depois ele te conta.
O jovem shinigami também guarda a espada e os dois andam na direção dos outros.
- Pronto, amigo! Estou devolvendo o seu ruivo. – Hisoka sorri para Omi.
Quando o shinigami toca no braço do arqueiro ele estremece e sente algo estranho, como se os pensamentos de Hisoka estivessem em sua cabeça. Este também percebe isso e afasta a mão depressa. Olha para o amigo com surpresa. Não há ligação entre seus poderes e o feitiço de Muraki, mas algo acontecera com o outro loiro. Seus olhares se cruzam e há confusão nos dois.
Omi sentira algo de especial entre ele e o amigo, algo mais profundo que apenas uma simples amizade. Abraça seu ruivo, cansado pelo bom duelo, mas não tira os olhos do garoto. Tsuzuki festeja seu amado, mas este não consegue tirar os olhos das duas safiras que o observam.
ooOoo
Os dois Weiss começam a preparar-se para deixarem o mundo dos mortos. Enquanto Aya conversa com Tatsumi, secretário geral do Enmacho, que decidira ajudá-los a esconder-se quando voltassem ao mundo dos vivos, os dois loiros se encontram no jardim.
O sol, as plantas e os pássaros até parecem com os existentes no Chijou, o mundo dos vivos, mas há neles algo de especial. Uma aura mais brilhante e tons diferentes no canto das aves, que emprestam àquele lugar certa magia. Eles ficam de pé ali, em silêncio, por algum tempo. É difícil começar a falar. Apesar deles estarem tão unidos, as palavras parecem difíceis.
- Omi, você também sentiu, não é? – Hisoka evita olhar para o amigo, mantendo suas íris perdidas em algum lugar entre as árvores.
- Sim. Não sei bem o que era, mas... O que aconteceu comigo? – Ele também evita o olhar do garoto.
- Não sei. – Desta vez as esmeraldas olham para ele. – Você sente isso com outras pessoas?
- Não. Só com você! Foi uma surpresa muito grande. – Vira-se e encara os olhos verdes. – Ainda não consigo entender.
- Sei lá! Talvez tenha a ver com tudo que passamos juntos ou com a ligação que estabelecemos para sobreviver. Talvez até tenha relação com o Muraki. Não sei dizer.
- Mas eu senti algo muito especial entre nós. Muito especial! Como se houvesse algo que transcende amor ou sexo. Algo altamente profundo. Um desejo de intimidade, como se fôssemos um. – Omi tenta explicar... Ou achar uma explicação para o que sente.
- É isso. Senti o mesmo. É como se eu fosse você e vice-versa. Senti um profundo desejo quando beijei o seu ruivo, mas não era meu. É como se naquele beijo no porão você tivesse... Nossa! Como não pensei nisso? – Hisoka quase sorri ao perceber o que houve, dando um pequeno tapa na própria testa.
- Não pensou em quê? – Omi pergunta, confuso.
- Por isso eu queria tanto me aproximar dele, o seguia, o vigiava! Você me beijou para me consolar. – Olha o loirinho quase empolgado, não acreditando que algo assim pudesse ter acontecido, mas sabe que sua conclusão é verdadeira.
- Tá, mas... O que isso tem a ver? – Omi ainda não entende a linha de raciocínio de Hisoka.
- Omi... Não percebeu? Ao me beijar doou um pouco de você pra mim e isto esteve comigo por todos esses anos. Você salvou todo o seu amor e desejo pelo espadachim em mim.
- O... O quê? – O jovem Weiss gagueja. – Mas o Muraki não tinha tirado tudo isso de mim?
- Não sei dizer como aconteceu. Mas o doutor não pareceu sentir qualquer atração pelo ruivo e isso aconteceria se ele tivesse o seu amor e desejo dentro dele. Mas eu senti. – Fala com convicção.
- ...! – Omi ainda não tem palavras.
- O seu beijo protegeu os sentimentos por ele dentro de mim, pois inconscientemente sabíamos que Muraki macularia um sentimento tão puro! – Hisoka ainda tenta entender o fenômeno do qual ainda não ouvira falar. - Nunca vi isso. Talvez tenha sido o sentimento profundo que estabelecemos naquela noite que permitiu que eu guardasse o que pra você era mais precioso.
Omi sorri e percebe que o que fora dito é verdade.
Hisoka se aproxima de Omi devagar, ficando tão próximo que os dois podem sentir a respiração descompassada um do outro. O jovem shinigami segura o queixo do Weiss e levanta seu rosto... Os olhos verdes e os azuis se encontrando. Hisoka aproxima seus lábios e toca os de Omi com delicadeza e os dois se beijam... Aquela sensação fica mais forte, uma energia emanando de sua ligação. Há então uma comunhão de pensamentos e sentimentos. Eles sentindo todo o ser um do outro.
Eles se vêem em suas mentes, nus, enlaçados por uma luz dourada que se expande, subindo e se expandindo a todo o jardim. Ao longe eles notam que duas pessoas se aproximam. Os homens de olhos violeta andam em sua direção, cheios de amor e paixão. Cada um dos loiros começa então a se desligar daquela união. Ambos tomam a mão de seus respectivos parceiros, abraçando-os com força.
Vagarosamente a ligação entre os dois vai se desfazendo, os corpos passando a voltar todo o seu desejo para o ser amado. Então eles se afastam. Os lábios se separando bem devagar e os olhos se abrindo, os azuis e os verdes se encarando e logo voltam à realidade, saindo do plano astral.
- Obrigado por tudo. Você vai sempre ter um lugar especial no meu coração. – Os olhos de Omi se enchem de lágrimas.
- Digo o mesmo! – Lutando para disfarçar a voz embargada, Hisoka tira do bolso um papel e coloca em sua mão. – Quero que você leve esse fuda. Quando estiver precisando muito de ajuda, segure-o forte e pense em mim. A ligação entre nós vai me levar até você.
- Mas seus superiores...
- Não importa. No final o Tsuzuki está certo! Não podemos obedecer cegamente às ordens, devemos usar o nosso coração. E você agora faz parte de mim e eu de você. – Sorri ao jovem de olhos azuis.
Os dois se abraçam. Um sentimento puro ligando-os para sempre. Eles se afastam e Omi corre para dentro. O jovem shinigami o observa partindo, reprimindo uma sensação de perda. Sente um toque em seu braço e olha para os orbes violeta que o encaram com preocupação.
- Você está bem? – Há muito carinho nessas palavras.
- Agora sim. – Abraça com força o ser amado. – Como se um pesadelo tivesse acabado pra mim.
- Pena que pra eles não está nem na metade. – Olha para os dois humanos que se afastam da sede da Enmacho acompanhados por Tatsumi, fazendo com que também o garoto os observe partindo.
- Pelo menos agora eles estão juntos. – O rosto juvenil brilhando sob a luminosidade sobrenatural.
- Tem razão. – Lança um olhar malicioso para o garoto. – Vamos juntos para a minha casa?
Hisoka sorri para aquele adulto maroto que está a sua frente e segura em sua mão com delicadeza. Abraça o homem mais alto e o beija delicadamente no pescoço. O moreno estremece, fica surpreso, pois o extremamente sério jovem raramente é atrevido! Tsuzuki o beija ardentemente, sem se preocupar se alguém os observa do prédio. Sem demora, deita-o na grama e percorre o seu pescoço com os lábios, vendo o loiro tentando impedi-lo.
- Tsuzuki... Não... Os outros podem estar ob... – Nada mais consegue dizer, pois as mãos do shinigami já descem pelo seu corpo e enquanto o homem abre gradativamente sua camisa, seus quentes lábios tocam em seus mamilos provocando-os.
Ele levanta os olhos e encara o jovem, que já não consegue disfarçar a profunda excitação.
- Não me importo com ninguém. Que vejam! Agora só me importa você. – Sussurra isso, deixando o garoto ainda mais excitado.
Sua respiração fica cada vez mais ofegante. Agora é só Tsuzuki que povoa sua excitação, a imagem do ruivo tendo desaparecido completamente. Puxa o rosto do homem e beija ardentemente seus lábios, deixando-o maluco de desejo. O garoto nunca o beijara dessa forma, nunca o fizera sentir tanto tesão.
O moreno então começa a despi-lo delicadamente, evitando afastar-se de seus lábios por muito tempo. O contato com sua pele macia o faz desejá-lo ainda mais, mordendo seu pescoço com avidez. Ao vê-lo totalmente despido, maravilha-se com sua beleza, como sempre o faz, sentindo-se privilegiado por ter aquele ser eternamente jovem.
- Eu te quero, Tsuzuki! – Ele já não sussurra, a voz soa firme, o corpo tremendo de excitação.
O novo comportamento de seu jovem amante o deixa ainda mais louco que o normal. Tsuzuki despe-se totalmente, colocando-se entre as pernas do garoto. Delicadamente ele toma o pênis excitado do jovem e o toca com os lábios, fazendo-o gemer de prazer. Ao mesmo tempo seus dedos o penetram, fazendo-o delirar como nunca, soltando pequenos gritos, chamando seu nome como se pedisse mais e mais.
- Ahhmmm... Tsuzuki... – Geme Hisoka, que o fita e seus olhos simplesmente pedem para que fosse possuído.
Ao ver aquelas duas esmeraldas brilhantes, Tsuzuki não pode se conter mais e sem demora, retira os dedos de dentro dele, posicionando-se e o penetra extremamente excitado, porém com lentidão para não feri-lo, seu coração saltando no peito e a respiração ficando cada vez mais pesada. Aquele é o seu Hisoka, agora mais solto, como se não carregasse mais todo o peso que o oprimia.
Os movimentos dos dois em sincronia, acompanhando o mesmo compasso de seus corações, violetas fixos nos verdes, nunca perdendo o contato visual, fazendo daquele ato algo belo, que transcendia tudo o que já viveram juntos. Os lábios se encontram e o ritmo se acelera... Cada vez mais... Sem parar... E os leva a um profundo êxtase, gozando ao mesmo tempo, e mesmo depois do gozo ainda não conseguem controlar a excitação que continua a movê-los.
Novamente o moreno se movimenta dentro dele e procura seus lábios com profundo fervor, desejando ficar ali para sempre. O gozo vem mais uma vez de forma ainda mais intensa, envolvendo-os em algo que jamais sentiram, alcançando um estágio do sexo que poucos conhecem. Ainda excitado, mas muito cansado, o moreno se deixa relaxar sobre o garoto, sem sequer sair de dentro dele, continuando a sentir a suave pulsação do corpo do loiro em torno de seu pênis, o calor subindo por seu corpo, tomando seus deliciosos lábios, os beijando, mordiscando a ponto de fazê-los sangrar.
Tsuzuki sente então o gozo varrê-lo novamente, mesmo sem se mexer, apenas provocado pelos movimentos do corpo do jovem, que o provoca, sob ele, de um jeito que têm o dom de levá-lo à total loucura, percebendo que seu menino também havia alcançado o ápice junto dele e sorri. Exaustos, os dois se deitam, um ao lado do outro, frente a frente, se olhando com carinho.
- Onde você aprendeu tudo isso? Nunca o vi agir assim.
- É que eu te amo de verdade e não quero te perder. E aprendi alguns truques... – Solta uma risadinha sarcástica.
O homem toca seu rosto delicadamente.
- Vamos pra minha casa. Quero mais! – Sorri o homem de olhos violetas, que brilham com a perspectiva de tê-lo mais e mais para si.
- Pra que precisamos da sua casa? – O jovem avança ardorosamente em seus lábios.
Das janelas do prédio da Enmacho todos observam, inclusive o chefe.
ooOoo
Como é de se esperar de Tatsumi e sua famosa "economia", os dois ex-Weiss chegam para se hospedar em um hotel barato no submundo de Tóquio. Omi até acha bom, pois sabe muito bem que neste momento os Schwarz já foram acionados por seu avô para encontrá-lo. Para todos parece um seqüestro e toda a máquina da Kritiker deve estar empenhada em achar e executar o raptor. Sabe muito bem que o velho sempre tem o que quer.
Eles entram no quarto um tanto quanto constrangidos. Afinal, foram sete anos de separação. Andam pelo cômodo e Aya vai até a janela, fixando sua atenção na rua... Nas luzes noturnas... No céu negro pontilhado de estrelas. Ainda há um sentimento estranho entre eles, mesmo com a revelação, mas o coração não segue a lógica e é preciso lutar contra toda a mágoa que existiu por todos esses anos.
Omi liga um dos botões no painel ao lado do bar, acionando um canal de música ambiente. Aumenta um pouco mais o volume, pensando em tudo o que aconteceu com ele e Aya. A música invade o quarto e nesse momento, uma voz rouca soa pelo ambiente acompanhada pela melodia. A mesma música que Aya ouviu tantas vezes na solidão do seu quarto, quando pensava no loiro...
Este tempo... Este lugar... Desperdícios... Erros!
Tão demorado... Tão tarde... Quem era eu para lhe fazer esperar?
Apenas mais uma chance...Apenas mais uma respiração...
Apenas um caso que foi deixado de lado.
Porque você sabe... Você sabe... Você sabe...
Aya volta-se para ele e o observa. Seu rosto mudara pouco. Está mais velho, é claro, mas os traços delicados que o fascinavam ainda estão ali. O cabelo parece mais dourado, em um corte que lhe empresta um ar moderno. É a imagem do jovem que imaginou que Omi se tornaria.
Omi emagrecera, mas isso não lhe deixa com um aspecto doentio. Na verdade, está ligeiramente mais alto, talvez isso o fazendo parecer mais esguio. Atraente? Sim, muito. Não é mais um garoto, agora é um homem. Alguém que tem toda a sua devoção e amor! Como conseguira sobreviver tanto tempo longe de seu amor?
Que eu te amo!!! Eu te amei o tempo todo.
E eu sinto sua falta... Estive afastado por muito tempo!
Eu continuo sonhando que você ficará comigo!
E você nunca irá embora.
Paro de respirar se... Eu não ver você de novo!
O ruivo continua olhando para seu corpo com um crescente desejo. Sim, ele é muito atraente! Na essência ainda sente o mesmo de antes, quando ficava minutos intermináveis olhando para o pequeno no trabalho.
Podia observá-lo por horas... Horas intermináveis sem nunca se cansar! Gostava de reparar nos detalhes, em cada pequeno gesto. Omi é tão lindo! É belo de todas as formas... Por fora, mas principalmente... Por dentro!
De joelhos eu pedirei... Uma última chance para uma última dança!
Porque com você eu resistiria... A todo o inferno para segurar sua mão.
Eu daria tudo... Eu daria tudo por nós!
Eu daria qualquer coisa... Mas eu não desistiria!
Porque você sabe... Você sabe... Você sabe...
Adorava o jeito dele tratar as pessoas, de ser cuidadoso com suas coisas, de cozinhar com um prazer que fazia a todos acreditarem que aquilo era uma diversão, seu bom humor o tornando ainda mais belo.
Compreendia bem o encanto que ele exercia nos outros e sabe... Ele ainda exerce! Ninguém seria capaz de rejeitá-lo e às vezes tinha ciúmes, daquela atração que se desprendia do corpo de Omi... E delirava por saber ser o único que o tinha de verdade!
Que eu te amo!!! Eu te amei o tempo todo.
E eu sinto sua falta... Estive afastado por muito tempo!
Eu continuo sonhando que você ficará comigo!
E você nunca irá embora.
Paro de respirar se... Eu não ver você de novo!
Omi senta-se na cama. Sente essa atenção e também se volta para o espadachim. Seus olhos se encontram. Não consegue definir o que sente. Ainda vê naqueles olhos violeta toda a profundidade de antes, mas procura a paixão escondida nas barreiras que ele voltara a criar.
Deseja ver através daquela alma... Captar novamente cada vestígio... Cada desejo! Mergulha dentro dos olhos violeta, procurando aquela paixão, a luxúria e o amor. Quer senti-lo de novo... Anseia pelo toque de Aya... Mas não sabe como se aproximar, o que é ilógico.
Tão longe... Estive afastado por muito tempo!
Tão longe... Estive afastado por muito tempo!
Mas você sabe... Você sabe... Você sabe...
Eu quis... Eu quis que você esperasse.
Porque eu precisava... Porque eu preciso te ouvir dizer...
Aya não mudara nada. Continua lindo, sexy e quente sob toda aquela aura de frieza. E está vestido de preto, a cor que o faz ainda mais misterioso. Os olhos de safira continuam a procurar nele o calor que o inflamava antes. Como aquele homem pode parecer tão frio e ser tão intenso em todos os seus sentimentos?
Quer ouvi-lo dizer tudo aquilo de novo... Que o ama, que o deseja... Todas as palavras que Aya costumava dizer quando faziam amor e Omi sabe que seu espadachim espera pela mesma coisa. Só precisam começar... Só é preciso uma palavra...
- Aya... – Sussurra o nome dele baixo, seu coração batendo forte.
- Omi... – Eles olham agora diretamente em seus olhos, procurando tudo o que mais ansiaram por todos esses anos.
Eu te amo!!! Eu te amei o tempo todo!
E eu perdôo você... Por ficar longe tanto tempo.
Então continue respirando... Porque eu não te deixarei mais.
Acredite em mim! Me abrace e nunca me deixe ir.
Me abrace e nunca me deixe ir.
Omi sorri. Sente-se o mesmo garoto que amava aquele ruivo com paixão, mas ao mesmo tempo sente-se tímido, como se nunca o tivesse tido em seus braços. Seu sorriso enternece o espadachim, vendo nele o mesmo menino meigo que o levava à insanidade.
Continue respirando...
Me abrace e nunca me deixe ir!
Continue respirando...
Me abrace e nunca me deixe ir!
Aya se aproxima do rapaz, tocando seu rosto com delicadeza. O loiro reage a esse toque e ergue o rosto, fechando os olhos para sentir com toda intensidade o tremor que aquele toque lhe causa. O ruivo se aproxima ainda mais e beija delicadamente seu pescoço. Sente o cheiro doce de sua pele, trazendo de volta sensações há muito guardadas no mais profundo de seu coração.
Isso o deixa excitado, finalmente sentindo que seu garoto está ali a seu lado. Desabotoa devagar a camisa preta dele, revelando aos poucos o tórax subindo e descendo ofegante, seu contorno mais definido. Senta-se ao seu lado, passa as mãos por sua pele e se arrepia com a sua maciez.
A paixão do ruivo se acende ainda mais, os lábios acompanhando os dedos em carícias leves, deslizando o tecido negro pelos braços do rapaz. Este mal se move, gemendo baixinho com cada toque. Aya roça lábios nos lábios, atentando, e o beija, os braços enlaçando-o pela cintura, mãos firmes subindo pelas suas costas.
O beijo vai se tornando cada vez mais intenso, bebendo da doçura daqueles lábios, tomando-os alucinadamente. Mas, apesar do fogo que o move, tenta conter seu ímpeto. Há tanto tempo espera por esse momento que deseja que ele seja especial. Se seguisse somente seu desejo teria rasgado sua roupa e o tomado para si. Mas quer amá-lo por muito tempo, para poder redescobrir aquele corpo tão adorado.
Passa a mão entre as mechas loiras, segura seu queixo, delicadamente tocando seus lábios e percebe que a pele dele se arrepia cada vez que seus lábios se aproximam. Os olhos azuis se abrem, encarando-o com ardor. O ruivo aproxima-se novamente, bem devagar... Beija então todo seu rosto... Seus olhos... A boca... Tudo isso com uma leveza que arrepia ainda mais o jovem.
As mãos pequenas acariciam o peito sobre a roupa, tocando então os botões do casaco preto, abrindo um a um com muito cuidado, pois não deseja em absoluto que o ruivo pare. Logo o casaco desliza até o chão, mãos pequenas e delicadas puxam a camisa soltando-a do cós da calça, entrando por baixo do tecido, provocando a pele e, em seguida, soltam os botões, abrindo-a, expondo o peito nu do seu amado, descendo-a pelos braços, prendendo-lhes os movimentos.
Omi suspira ante a visão, não se contendo e acariciando seus mamilos com os lábios, sugando-os de forma vigorosa. Dessa vez é o espadachim que pára e se deixa absorver por toda a eletricidade que percorre seu corpo ao toque dos macios lábios.
- Uhmm... Omi... – Geme baixo o nome de seu amado, suspirando ante os toques deliciosos que o mesmo emprega em si.
Ele então deita o jovem sobre a cama, percorrendo-o inteirinho com a língua, redescobrindo cada detalhe daquele corpo que completa o seu. Seu controle vai se esvaindo, à medida que sente a excitação aumentando.
Os dois já se beijam ardentemente, o corpo de Aya sobre o de Omi. O ruivo então se ergue, despindo seu amor como tanto deseja. Pode então vê-lo por inteiro, o que ainda consegue deixar o jovem corado. Ele próprio livra-se das peças de roupas que ainda lhe restam. Enquanto a calça de couro preta desce, o rapaz o observa, o desejo aumentando cada vez mais.
Então, sem aviso, o loiro envolve com a boca todo o pênis ereto que se revela. O homem, ainda em pé, é tomado de surpresa pela ousadia do rapaz. Os lábios macios percorrendo todo o membro, delicadamente passando a língua na glande, os movimentos levando pouco a pouco a sua sanidade.
Aya não pode mais suportar tanta espera, quer dar prazer ao seu garoto. Chega mais perto, segurando seu rosto com ternura, empurrando-o de volta para a cama, uma das mãos brincando em seu peito, a outra tomando o pênis do jovem, expondo-o para a boca faminta. Excita-se ainda mais com os gemidos cada vez mais fortes de Omi e delicadamente o penetra com os dedos, um de cada vez para não machucá-lo, a fim de prepará-lo para recebê-lo. A respiração do rapaz fica cada vez mais pesada e seus olhos brilhantes curiosamente encaram o amante deliciando-se. Puxa-o sobre si, antes que o faça gozar e beija novamente seus lábios, os dois agora totalmente nus, as peles arrepiadas de desejo se tocando completamente.
- Eu te quero... Muito! Mais do que tudo. – Aya fala em seu ouvido, sua voz pouco mais que um sussurro.
- Eu sempre fui e sempre serei só seu... – Um gemido interrompendo-o.
O ruivo então o penetra delicadamente, o prazer dos dois aumentando mais a cada movimento. Param de vez em quando, presos no olhar um do outro, deliciosos beijos prolongando aquele momento, como se fosse interminável, para logo voltarem a movimentar-se em um ritmo que os entorpece. Já não sabem mais onde começa um e termina o outro, concentrados apenas naquilo que estão sentindo.
É a hora de apenas amar e amar e nada mais! Não existem mais inimigos, nem problemas, nem o tempo, somente eles dois ligados por algo muito maior, por um sentimento extremamente profundo, prolongando o máximo possível a doce sensação de serem um, de corpo e alma.
- Uhmmm... Ahmm... Aya... – Omi geme enquanto sente os movimentos ritmados de Aya, seu corpo treme ante cada onda de prazer intenso que o percorre.
- Omi... Humm... – O ruivo diz rouco, aumentando a cadência dos movimentos, indo mais rápido e forte dentro do corpo menor, tocando profundamente e ouve os gemidos de Omi se tornarem gritos ao tocar no ponto mais sensível dele repetidas vezes.
- Aya... Eu... Ahmmm...
- Uhmmm... Omi... – Aya sabe que tanto quanto ele, Omi não quer que aquele momento se acabe, mas é impossível resistir...
Gozam, depois de um longo ato de amor, exaustos pela energia que se desprendera de tanta ânsia e saudade. Os dois deitam-se um ao lado do outro, abraçados por um bom tempo, em silêncio, ainda tentando acalmar o ritmo acelerado de seus corações. Eles então se olham ternamente. Um brilho no olhar que revela toda a intensidade do que sentem um pelo outro.
- Te amo demais! – Aya tem lágrimas nos olhos. – Nunca mais quero te perder.
- Ran... Não chore, por favor, não! – Diz emocionado. - Você é a minha fortaleza, meu porto seguro. Amo você mais do que tudo!!!
- Omi... – Aya o fita e acaricia os fios loiros.
- Quero envelhecer a seu lado, nunca mais nos separaremos, estamos juntos para sempre. – Omi começa a chorar também, comovido demais por ver lágrimas nos lindos olhos violeta.
O rapaz sabe muito bem o quanto aquele homem lindo sofrera por ele. Quantas noites deve ter ficado acordado tentando entender o porquê de tudo que acontecera. Pode perceber em seus olhos que há um alívio, como um náufrago que encontra terra firme e então percebe que a respiração do seu adorado espadachim se torna mais calma e o ruivo adormece.
Pensa, então, em tudo que fez e como se envergonha de muitas coisas. Deseja contar ao ruivo todos os relacionamentos que tivera, se pode chamar seus casos desta forma. Na verdade, eram casos apenas sexuais, sem fundo sentimental. Pensando bem, usara todos os caras com quem estivera, sempre demonstrando no sexo quem tinha o dinheiro, quem mandava. Odeia se lembrar de quem fora nestes últimos sete anos. Um dia terá a coragem de contar ao seu amante o que fizera, mas não será tão cedo.
"Agora, tudo o que desejo... É te amar! Te amar e... Nada mais!" – Pensa e se aconchega ao corpo maior até que por fim... Entrega-se a seu primeiro sono pacífico em muitos anos.
Continua...
ooOoo
Esse capítulo veio trazer alívio para algumas aflitas leitoras, que quase roeram o pouco de unhas que lhes restavam com a morte de Aya, no final do capítulo anterior. E para quem gosta de lemons, aqui há uma overdose delas, temperatura subindo e o sangue fervendo. Ventilador ligado, pois vão precisar.
A música ouvida por Aya e Omi é "Far Away", do grupo Nickelback, e retrata muito bem os sentimentos que assolaram o ruivo ao longo de sete anos de separação.
Agradeço de coração a minhas corajosas betas Samantha Tiger e Yume Vy, que estão enfrentando a empreitada dessa fic gigante. Nos momentos tristes e felizes que tenho passado, minha única certeza que tenho é ter amigas tão dedicadas. Desculpa por colocar esse mega trabalho em suas mãos.
Agradeço as minhas fiéis leitoras, que tem acompanhado desde o início, assim como as novas leitoras, que descobriram essa minha primeira fic. Para Kiara Salkys, Yue-chan, Ana Paula-Mitos e Paty M.R., agradeço de coração seus reviews e espero que continuem gostando dessa fic, pois há muita coisa ainda pela frente. E, sugestão, leiam mais coisas minhas, pois lancei recentemente uma fic de capítulo único e estou para lançar mais três. Tudo na mão das betas, formiguinhas trabalhadoras.
Espero que gostem! COMENTEM!!!!!!!
28 de Março de 2007
07:51 PM
Lady Anúbis
