OS MAROTOS

Capítulo IX

Aviso: Esta história é baseada em personagens e situações criadas por JK Rowling. Os direitos autorais pertencem a editoras como Bloomsbury Books, Scholastic Books e Raincoast Books, e Warner Bros., Inc. Não há intenção nenhuma de arrecadar dinheiro com essa prática ou violar leis. O principal objetivo deste fic é somente a divulgação de idéias e liberdade de imaginação. Respeito e admiro totalmente as obras de JK Rowling, não pretendendo de forma alguma roubar ou marginalizar seus personagens.

Sumário: O retorno ao passado dos "Marotos" e aos sentimentos confusos daqueles dias.
A adolescência é mesmo uma coisa XD

Casais: Remus Lupin/ Sirius Black; James Potter/Sirius Black; Remus Lupin/ James Potter; Remus Lupin/ Snape

Categoria: Angst/Romance/Slash

Notas:Por favor, não encarem esta história com uma visão ofensiva ou julguem seu conteúdo apenas erótico. Há aqui a presença de sentimentos e emoções que obviamente não cabem num cenário pornô, onde a única preocupação é a prática desenfreada de sexo. Se por um acaso você é menor de idade ou possui algum trauma ou preconceito contra homossexualismo (relacionamento entre homens) não a leia. Não há necessidade de entupirem minha caixa de e- mail com comentários baixos sobre yaoi ou críticas ofensivas. Somos adultos e vivemos num país livre, por isso, vamos nos comportar e nos respeitar.

Notas2:

Eu sei que vocês leitores estão ansiosos por Sirius e Remus. Eu tmbm estou. A hora deles chegará. E quando chegar, será histórica. Espero que vcs gostem. Mas, adianto logo que demorará ainda um pouquinho. Para os impacientes, mil desculpas. :/

Tmbm sei que os leitores devem me achar uma pilantra pelo tempo que demora a atualização. Mas, os capítulos são sempre bem grandes e eu demoro um tempão pra bolar eles. :/

Sei que não interessa a ninguém, mas postei com mais freqüência nesses dias só por causa das férias. Agora que as aulas começaram, vou continuar tentando postar sempre, mas as dificuldades do quotidiano são de matar.

Eu toh tentando, ok pessoal:)

Meu sonho é ser escritora e tudo que escrevo levo muito a sério. E isso para mim é mais do que uma fic.

Então, vou terminar essa fic e a outra que tenho nem que seja a última coisa que faça.

Para vcs, boa leitura e muito obrigada pelas Reviews. Elas são um grande incentivo.

Beijos

B.G .

TASTE IN MEN
By: Placebo

Come back to me awhile
Change your style again
Come back to me awhile
Change your taste in men
It's been this way since Christmas Day
Dazzled, doused in gin
Change your taste in men
Come back to me awhile
Change your style again
Come back to me awhile
Change your taste in men
I'm killing time on Valentine's
Waiting for the day to end
Change your taste in men

CAPÍTULO IX

"Paira no arquétipo de minha consciência,

um Encanto que atende pela Dor

Rompendo ainda minhas veias, Turbulência

Adorada Turbulência, meu amor"

Remus encontrava-se isolado no Grande Salão. Alguns poucos alunos permaneciam ali durante o sábado.

Escrevia, ele, em pergaminhos que haviam sido esquecidos sobre a mesa. Escrevia suas mágoas. Perpetuava-as através daquela nanquim barata.

Borrava-lhe, ela, a caligrafia. Umedecia-lhe os dedos.

Que ficassem, seus pensamentos incrustados naquelas folhas ásperas e secas. Secas como sua alma.

Alguém leria suas poesias mal escritas e riria. Faria pouco de sua falta de habilidade. Prováveis delírios de uma garotinha do primeiro ano pretensa à escritora, pensariam. De uma garotinha apaixonada e insignificante. Mais uma...Apenas, uma.

Estava feito! Remus deixaria os pergaminhos sobre a mesa como os havia encontrado. Porém, estariam eles agora manchados de tinta e melancolia. Se não possuíssem utilidade, que alimentassem o fogo. Que fossem jogados no interior de alguma lareira. E virassem pó. Mas, Remus não seria quem os jogaria. Que outro o fizesse. Deixaria-nos ali. Abandonados. Quietos. Ásperos.

O garoto de cabelos castanhos era de uma fragilidade preocupante. Evidente. Estava em seu sangue. Fora passada para ele. Passada pelas limitações de seus avós trouxas. Pelos pulsos trêmulos de seu pai. Pela doçura complacente de sua mãe.

Sua sensibilidade não possuía forma. Apenas eclodia. Eclodia em seu espírito. Em seus dedos. Em seus olhos.

Eclodia em seu rosto sério de garotinho inteligente. Daqueles que lê livros densos em poucas horas. Que escreve sobre sentimentos confusos em minutos. Que pensa mais rápido do que deseja. E que em tais pensamentos, perde-se em questões de segundos.

Remus ergueu a cabeça ao ver seus amigos retornando do treino de Quadribol. Aquilo inspirava-lhe. A beleza inspirava. Tal qual a dor. Mas, os pergaminhos já haviam sido deixados de lado. Não escreveria sobre eles. Não agora.

"Olá, Remus..." murmurou James aproximando-se do amigo "O que faz aqui sozinho? Onde está o Pedro?"

O garoto de cabelos castanhos fixou por um breve momento seu olhar em Sirius, antes que desse atenção ao outro amigo. A franja mal cortada cobria-lhe os olhos. Mas, por detrás daquelas melenas, Remus compreendia com uma certeza intuitiva que Sirius o observava. Observava-o em um tom cinza angustiante. Sentava-se em uma cadeira que puxara, sem ruídos. Fazia-se ausente.

Por quê, Sirius? Por que faz esforços para não ser notado, pensava Remus. Será que ele não sabia que era impossível sua presença fazer-se desapercebida? Tinha sua atenção nele desde antes de chegar e a teria mesmo que saísse.

"Estou aqui apenas matando o tempo. Pedro está com o pessoal da Grifinória. Devem estar jogando xadrez."

Um silêncio incômodo enrijeceu o ar. Sirius servia-se de suco de abóbora sem olhar para os lados.

Desde o dia em que haviam brigado no dormitório, o garoto de cabelos compridos e Remus se falavam ainda menos que outrora. Estavam distantes diante das percepções alheias.

James olhava de um garoto para o outro, desconfiado o suficiente para arriscar.

"Vocês estão brigados novamente!? Ora, não me digam que andaram discutindo por bobagens! Por que os gênios de vocês dois têm que ser tão difíceis!?"

Remus antecipou-se com voz nervosa.

"Não, James! Não estamos brigados!"

"Sério, Remus? Sério, mesmo? Então, por que vocês mal se cumprimentam ultimamente!? Deixem de ser crianças e resolvam de uma vez por todas essa maldita diferença!"

Sirius pronunciou-se pela primeira vez desde que chegara, com uma expressão impassível em seu rosto.

"Não estamos brigados, James. Acredite e pronto!"

O garoto de cabelos rebeldes mirou com olhar incrédulo os dois amigos.

Levantando-se e tomando em suas mãos o copo de suco de abóbora do qual Sirius servira-se, James murmurou com frieza.

"Não vou ficar aqui servindo de ponte para os dois idiotas se comunicarem. Vou procurar o Pedro e chamá-lo para vir jantar. Quando eu voltar, espero ver os dois se falando direito."

Sirius e Remus chamaram em uníssono o nome do amigo que afastava-se sem olhar para trás. James desapareceu na saída, engolido por uma massa de alunos corvinenses que começavam a descer para jantar.

Os dois garotos remanescentes se entreolharam por um breve momento. Um silêncio glacial os paralisava. Remus sentia-se enlouquecer. Ansiava para que aquele véu que os separava fosse ultrapassado. Aquela maldita friagem! Sempre estava frio!

Por que não podiam permanecer próximos? Por que Sirius deveria continuar tentando adivinhar suas verdades até finalmente acertar? Acertara! Remexera em seus segredos e as conseqüências os machucava ainda agora.

Remus tinha sua mão sobre a mesa. Seus dedos muito alvos estavam enegrecidos pela tinta que usara há pouco. O frio arroxeava-lhe as unhas. Arroxeava-lhe como as mãos de um cadáver.

Aquela situação estava matando ambos os garotos. Enterrava-nos em uma melancolia absurda.

Um calor suave eclodiu no espírito de Remus. Seus olhos miraram o garoto ao lado quando sentiu a mão deste sobre a sua. Sentiu os dedos longos tocando os seus. As palmas ásperas dos treinos excessivos de Quadribol. A pele macia dos pulsos firmes. O peso tépido que era agradável e reconfortante.

Sirius murmurou, dirigindo-se a Remus com voz hesitante.

"Ainda estamos brigados?"

Remus pressionou a mão de Sirius com seus dedos ossudos. Estudava-na inconscientemente. Decorava seus caminhos suaves. Familiar... Ela lhe era familiar. Lembrava-se quando Sirius tocara seu rosto com as mãos. Tocara-lhe as costas. Excitara-lhe com elas.

Guardava a emoção de senti-las, de sua textura, de seu calor em uma memória corporal. As mãos de Sirius ainda habitavam seu corpo.

"Acho que precisamos pedir desculpas um ao outro." redargüiu Remus olhando diretamente para Sirius.

"Perdão, Remus. Perdão por sempre prometer não te ferir e acabar te ferindo de um jeito ou de outro. As coisas tornam-se confusas muito rápido ultimamente. Estou tentando parar de entendê-las. Podemos colocar uma pedra em todos assuntos que ficaram para trás?"

Remus sentia-se deliciosamente tépido. O fio tênue da fragilidade com que Sirius desculpava-se inspirava-lhe encanto.

"Estou ficando cansado, Sirius. Estou ficando cansado de nossas brigas e do nosso medo de falarmos de certas coisas. Não devemos falar delas e pronto. Desculpe-me por estar também perdendo a medida e a paciência, mas... por Merlin, vamos esquecer qualquer coisa que tenha ficado..."

Sirius curvou-se e beijou suavemente as mãos de Remus. O garoto de cabelos castanhos olhou nervosamente ao seu redor, sentindo os olhares dos poucos outros alunos em si.

"Eu não vou me esquecer nunca daquela tarde, querido Remus. Compreendo que queira esquecer, mas com sinceridade, duvido que o consiga... Recordarei daquela imprudência como uma desmedida juvenil. Superaremos isso. A amizade que temos um pelo outro será mais forte do que isso."

Remus tinha olhos velados ao contemplar aquela serenidade sublime.

"É assim que deve ser, Sirius. É só assim que pode ser..."

O garoto de cabelos castanhos foi puxado com suavidade por Sirius. Abraçou-lhe com ternura. Permaneceu com a cabeça apoiada em seu ombro por incontáveis minutos, em silêncio. Ambos sentiam aquele aproximamento de uma maneira pura. Há dias, haviam beijado-se sob a árvore. Porém, aquilo não daria-se de novo ali. Estavam conscientes. Suas mãos ainda estavam dadas.

Haviam cruzado fronteiras cruciais. Contudo, naquele momento, apenas o toque de suas mãos possuía uma força própria. Aquela força seria sentida. Porém, não seria dita. Sirius afastaria seus pensamentos. Aprendera naquela última semana sobre os perigos caóticos da mente. Preferia crer na realidade. Preferia crer na pele extremamente pálida de Remus que sentia sob seus dedos. No perfume daqueles cabelos que sempre fora um de seus favoritos. Na tranqüilidade dos olhos de Remus. Aqueles olhos indevassáveis...

Ambos garotos finalmente afastaram-se. Sirius deteve seus olhos na porta de entrada do Grande Salão com uma expressão de desgosto. Sua voz, ao falar, foi ríspida.

"Seu Carlson está bem ali."

Remus ergueu os olhos para Michael Carlson da Corvinal que entrava no Grande Salão. Estava acompanhado de alguns amigos do seu time. Ao passar pela mesa da Grifinória, o monitor lançou um olhar meio desajeitado para o garoto de cabelos castanhos.

Este encolheu-se. O corvinense subitamente parecia mais franzino. Ao chegar à mesa de sua Casa, tinha os olhos fixos no chão. Os ombros, ligeiramente curvados. Ombros de insegurança. Remus a reconheceria sob qualquer forma.

Com uma pontada de culpa, Remus recordara-se que havia prometido dar uma resposta a Carlson há mais de um mês atrás. A resposta de que se aceitava sair com ele ou não. Desde aquele dia, mal dirigia-lhe a palavra. Ao encontrarem-se por acaso em meio aos corredores, apenas cumprimentavam-se, sem estender o diálogo.

Michael esperava ainda pela resposta. Esperava sem esperanças, mas esperava. Buscava-a no olhar de Remus. Desejava ardentemente que ele respondesse-lhe logo. Jovens não são resistentes à paciência.

Não fora por maldade. Remus apenas tivera seus próprios problemas em meio aqueles dias. Mas, agora, conscientizava-se do infortúnio que causara. O infortúnio que causava àquele garoto que reunira coragem o suficiente para declararar-se a sua pessoa. Àquele garoto que não fora um covarde como ele e tudo que esperava era uma resposta.

Naquele momento, Remus lembrara-se que não pensara ainda no que diria. Encantara-se com o modo como Carlson o abordara, mas não decidira.

O garoto de cabelos castanhos procurou os olhos muito azuis de Michael, mas não os encontrou. Entretera-se, ele em uma conversa com seus amigos. Ou ao menos, tentava fazê-lo.

"Quando vocês vão sair?" perguntou Sirius com os olhos também fixos no capitão do outro time.

"O que, Sirius?"

"Você não havia dito que Carlson havia te convidado para sair? Quando vocês vão...?"

Uma segunda má lembrança assolou Remus. Não bastava aprisionar Michael na dor da dúvida, ainda o envolvera em seus problemas. Sirius agora acreditava que seu amigo estivesse apaixonado pelo garoto corvinense.

Remus possuía um tom nervoso na voz ao falar.

"Ainda não respondi a ele se vou ou não..."

Sirius parecia falar com certo incômodo no assunto. Porém, também era inevitável um profundo tom de sarcasmo.

"Deveria fazê-lo logo. Deveria dizê-lo tudo que disse a mim no dormitório naquele dia."

O garoto de cabelos castanhos enrubesceu. A tensão foi quebrada apenas pela chegada de Potter e Pettigrew que sentaram-se próximos aos dois garotos.

James riu-se com gosto quando viu Remus e Sirius falando-se agora normalmente. Há muito tempo aprendera a lidar com aqueles dois.

Os quatro amigos serviram-se e iniciaram uma conversa animada enquanto jantavam. Remus sentia-se envolto por uma paz invejável. Fazia bastante tempo que não permanecia ao lado de seus amigos tal qual gostava. Aprendera a bloquear certos pensamentos. Conseguia permanecer ao lado de Sirius sem trazer a todo o momento o episódio da Floresta em suas lembranças.

Remus soltou um lamento quando serviu-se de sobremesa.

"Qual é o problema, Remus?" perguntou Pedro vendo a cara de desânimo do amigo.

"Doces de morango! Que grande droga! Onde estão os doces de chocolate?"

Sirius sorriu com cumplicidade para James.

"Sabe, Remus? Os morangos não estão envenenados..."

"Não importa! É como se estivessem. Não gosto de doces de morango. Quero os de chocolate..."

Remus olhou com um fio de esperança para James.

"Desculpe, amigo. Meus sapos de chocolate acabaram ontem." murmurou o garoto de cabelos rebeldes, sem levantar a cabeça.

Remus largou seu garfo sobre a mesa com uma expressão emburrada. Comportava-se como um menino mimado.

"Você deveria experimentar os morangos, Remus. Estão deliciosos. Por que só come doces quando são de chocolate? Você é muito certinho. As coisas para você são sempre iguais. Se forem diferentes, você logo as rejeita..." redargüiu James com severidade.

"Eu não rejeito o que é novo. Apenas, prefiro o que já experimentei..."

"Tente o que é novo e ele se tornará uma coisa que você já experimentou. Talvez, possa gostar dele também..."

"E se eu não gostar do que é novo, James?"

"Ao menos, você tentou..."

Remus sentiu-se observado enquanto tentava considerar os morangos a sua frente. Conferiu os olhos de Michael fixos em seu rosto novamente. Notou que o garoto parecia travar uma batalha até levantar-se e vir em sua direção.

Em sua direção! Por um momento, Remus sentiu-se atônito. Viu quando o garoto muito alto desviou de um grupo de alunos sonserinos que atravessava o Salão. Viu-o contornar a mesa da Grifinória. Viu-o aproximar-se mais e finalmente parar diante de si.

Não apenas ele, mas também os seus amigos fitaram Carlson.

"Lupin, poderia falar a sós com você um minuto?"

O garoto de cabelos castanhos viu um questionamento refletido nas lentes dos óculos de James. Viu Sirius exibir o habitual desprezo pelo corvinense em seu rosto. Pedro parecia achar tudo muito estranho.

"Claro..." murmurou Remus, levantando-se com pressa. Seu coração acelerava-se. Sabia o que estaria por vir.

Seguiu Carlson até o hall vazio. O garoto evitava olhá-lo.

"Lupin, eu... Desculpe-me por voltar ao assunto. Não quero parecer insistente ou incômodo, mas... gostaria de saber a sua resposta... logo."

Remus procurou encontrar palavras que corrigissem a sua falta. Sentia-se envergonhado por parecer cruel.

"Perdoe-me, Carlson. Eu sei que estou em falta com você. Eu tive uns problemas... graves. Desculpe-me..."

O corvinense possuía uma ligeira mágoa em sua voz.

"Está tudo bem, Remus. Não há necessidade de desculpar-se. Mas, poderia responder-me agora...?"

Remus sentiu-se sob uma pressão enjoativa. Não sabia o que responder. Não poderia fugir.

Um lampejo atravessou sua mente. Certa vez, ouvira em algum lugar que o melhor modo de fugir das mentiras seria torná-las verdadeiras. Mentira para Sirius. Dissera-lhe que era interessado em Carlson.

"Lupin, por favor, se você quiser dizer não, eu compreendo. Apenas, responda..."

Se tentasse fazer sua mentira tornar-se verdade, sua culpa seria diminuída. Tinha aquele garoto tão bonito diante de si, exigindo apenas atenção. Remus recordara-se ainda como fizera-lhe feliz no dia em que o abordara. Devia-lhe isso também...

"Não, Carlson... Eu quero. Eu quero sair com você. "

O garoto de cabelos escuros sorriu com nervosismo.

"Sério, Lupin...?"

"A próxima ida a Hogsmeade é no sábado que vem. Ainda pretende me levar até lá...?"

Carlson possuía um brilho intenso em seus olhos.

"Oh, Lupin. Eu te levo até onde você quiser... Que horas podemos nos encontrar?"

Remus surpreendia-se com sua própria naturalidade.

"Nos falaremos durante a semana. Podemos combinar melhor."

Carlson aproximou-se de Remus com alguns passos.

"Eu estava louco achando que você não queria sair comigo. Já estava preparado para o pior. Mas, agora..."

O garoto de cabelos castanhos sorriu-lhe. Os dois ficaram olhando-se em silêncio por algum momento antes que uma algazarra de alunos do primeiro ano descesse as escadas.

"Bom, Lupin, então, nos falaremos..."

"Eu vou te procurar durante a semana para marcarmos o local onde nos encontraremos."

"Está bem... Mas, por favor, só não me deixe esperando muito de novo..."

"Eu não vou deixar, Michael. Eu juro."

O garoto corvinense acenou-lhe enquanto afastava-se. Parecia ter recuperado sua firmeza e altivez.

Remus achou-lhe bonito mais uma vez. Carlson possuía uma beleza precisa. Seria louco se dissesse que aquela beleza não atraía-lhe. Sempre fora atraído por garotos. E a beleza deles sensibilizava-lhe os sentidos, tal qual deveria ser.

Sairia com aquele garoto mais velho. Onde estava com a cabeça?

Remus sentiu-se enlaçado em um novo problema. Mas, esse problema o fazia sentir uma sensação curiosa. Possuía simpatia pelos sentimentos de Carlson.

Talvez, estivesse experimentando agora aquilo que não prevera.

Aquele garoto dizia-se apaixonado. O mínimo que poderia fazer seria ouvi-lo.

Sirius, James e Pedro mantiveram os olhos grudados em Remus quando ele voltou a sentar-se entre eles. Sirius parecia irritado com algo que Remus não conseguiu adivinhar o que era. James e Pedro não perguntaram-lhe o que Carlson queria. Suas expressões denunciavam que Sirius já contara-lhes sobre o interesse do corvinense no amigo.

Remus puxou a sobremesa que abandonara, para si. Começou a degustá-la em silêncio.

Estava ela muito longe do prazer de amêndoas de cacau torradas. Mas, possuía também seu sabor próprio. Deliciosa. Ela era deliciosa.

cut

Sirius e James encontravam-se em uma sala vazia sob a luz do lampião. A madrugada ia alta.

O garoto de cabelos rebeldes estava sentado em uma carteira com um pesado livro diante de seus olhos. Sirius permanecia sentado no chão a mirá-lo.

Havia noites em que aqueles dois amantes conversavam muito. Havia noites em que beijavam-se. Havia noites em que apenas ficavam juntos.

James lia em voz alta o conteúdo do livro que afanara na biblioteca. Sua excitação por ter encontrado um material dedicado somente à arte de tornar-se Animago dava-se de maneira evidente. Clara. Sirius o escutava em silêncio. Vez ou outra, levantava-se e beijava o outro garoto. Outras vezes, simplesmente comentava a respeito de algum tópico que James abordava.

Era a terceira noite na semana que aquela literatura dava-se. O garoto de cabelos compridos mirava agora o outro com disfarçada impaciência.

Nunca revelaria a ninguém seus sentimentos. Porém, desde a vez em que permanecera com Remus na Floresta, seu desejo apresentava-se ainda mais letal. Firme. Subitamente, sentia-se negando algo fabuloso ao seu próprio corpo. Sentia-se gritando por algo que apenas vislumbrara.

James finalizara mais um capítulo de seu adorado livro enquanto murmurava ainda maravilhado.

"É uma leitura fascinante..."

Seus olhos detiveram-se em Sirius que acariciou levemente seu joelho.

"É interessante. É agradável. Mas, todas as noites me pergunto se você finalmente chegará ao fim. Sinto curiosidade em saber como o autor disso finalizará sua obra..."

Uma luz de compreensão atravessou os olhos de James. E subitamente, aquele comentário pareceu-lhe intimamente claro.

Entendia o significado implícito naquelas palavras.

Sirius ao notar a percepção do outro garoto, prosseguiu firmemente.

"Estou cansado do celibato, James. Sabe o que quero dizer...?"

James fechou o livro e sentou-se no chão diante de Sirius.

"Você está querendo fazer...?"

Sirius assentiu com os olhos fixos em James.

"Estou. No inicio eu tinha receio... No inicio, eu poderia te beijar a noite toda e viver só com isso. Mas, agora... Estou só prevenindo-lhe que acabarei avançando o sinal a qualquer momento. Estou constantemente fazendo forças para me controlar... Não quero fazer algo que não queira."

"É natural. Ficamos juntos todas as noites há algum tempo. É natural que você sinta desejo. Sente-o por mim?"

A pergunta de James atordoou visivelmente Sirius.

"Como pergunta se é por você, Potter? O que quer dizer...?"

"Quero saber se sente desejo por mim ou se apenas sente desejo. É comum ficarmos excitados o tempo todo."

James falava com uma segurança que surpreendia Sirius.

"O que você quer, James?"

"Evitar que façamos algo apenas por fazer. Não sei se você me deseja ou se deseja qualquer coisa que tenha à mão..."

"Esta me ofendendo, James!"

"Não, Sirius não estou. Estou apenas sendo racional. Essas coisas são eternas. Não haverá volta se formos adiante. Você vai ficar pra sempre com uma parte minha e eu, com uma parte sua..."

Sirius assustava-se com a maturidade de James. Aquele garoto por vezes o surpreendia. Possuía visão das coisas tal qual um adulto. Parecia possuir um compromisso com sua racionalidade, tal qual com sua impulsividade. Era tão contraditório. Os opostos em um mesmo tempo...

"... Eu também sinto vontade, Sirius. No inicio estávamos com medo. Mas, agora conseguimos pensar na idéia. Sabe de uma coisa, Sirius? Eu gostaria de certezas..."

"Você duvida do que sinto? Duvida do que sente?"

"Não. Eu gosto de você. Te amo mais do que imagina e sei que você também me ama. Mas, nunca fizemos com ninguém. Namorávamos garotas. Sentíamos também atração por elas..."

"E daí...?"

"Eu quero que você faça com garotas, antes de fazermos..."

Sirius por um momento assumiu uma palidez assustadora. Sua boca abriu-se para dizer algo, mas fechou-se novamente. James prosseguiu.

"Não quero que façamos e duas semanas depois não nos toleremos mais. Se nos amamos, tudo está perfeito. Mas, desejo é corpóreo. Não quero que me tome, fingindo em sua mente que sou uma garota, vez ou outra. Descobrimos realmente nossa coisa com garotos apenas quando nos beijamos..."

"Está louco, James? Está me mandando trepar com meninas para poder tocar em você?"

"Estou mandando provar que realmente deseja a mim. Pois, se você voltar para mim, mesmo depois disso, eu sei o que faremos..."

"PARE, JAMES! TEM IDÉIA DO QUE ESTÁ PEDINDO? O QUE PENSA? VOCÊ EXIGE PROVAS DE QUE REALMENTE TE QUERO SEM SE IMPORTAR COM MEUS SENTIMENTOS! FALA COM NATURALIDADE PARA EU TER EXPERIÊNCIAS COM MENINAS E VOLTAR CORRENDO PARA SEUS CALCANHARES, COM UM ATESTADO DE QUE PASSEI POR SEUS TESTES ABSURDOS!"Sirius vociferava, tomado por uma imensa raiva.

"Não grite, Sirius! Você diz que não estou pensando nos seus sentimentos, mas penso neles mais do que nos meus. Quero evitar um erro. Somos impulsivos, Sirius. Só que isso não é como as outras coisas! Isso merece respeito! Imagine se trepamos aqui, agora, nesse exato minuto e você descobre que tudo foi apenas uma impulsividade? Você se magoaria. Culparia a si mesmo. Até agora só trocamos beijos! Fizemos o que garotos e garotas fazem. Mas, sexo, é diferente. Droga, Sirius, eu quero evitar o pior. Se você me ama e sente desejo por mim, é uma coisa natural. Mas, e se você me ama e sente desejo por garotas!? E se tiver sentindo-se na obrigação de fazer comigo só por estarmos juntos?"

"Isso é impossível! A gente deseja o que ama. Eu te amo e só posso desejar a você. Você não sente ciúmes do que pede?"

"Sinto! Apesar de não ser habituado com ciúmes! Mas, sinto-o! Estou também pagando meu preço pela certeza das coisas... Amar é querer ver a pessoa amada feliz, Sirius. Eu quero ver você feliz. Mesmo que em mim algo doa. E quero ter nossa proximidade para sempre. Não quero te perder. Não quero perder nossa grande amizade. Prefiro que experimente garotas e volte dizendo que foi tudo um engano. Que não quer tocar em mim. Que apenas há essa amizade. Essa maravilhosa amizade. Prefiro isso a fazermos tudo agora e você dizer que ela foi esvaída pelo erro..."

"E se eu te pedisse para sair daqui e ir dormir com todos garotos e todas garotas de Hogwarts para provar que gosta de mim?"

"Isso te faria feliz? Te traria alivio quando eu voltasse, após ter todos que pudesse, dizendo que só você ocupava meu pensamento? É isso que você quer? Se é o que te tranqüiliza e faz feliz é também o que me faz..."

Sirius mirava James. Seus argumentos pareciam intransponíveis. Seus olhos agora estavam vermelhos.

"Estou te jogando ao mundo para ter certeza de que voltará. Desculpe, pedi-lo isso..."

Sirius o abraçara agora com desespero e raiva.

"Se essa é sua vontade, Potter, eu vou cumpri-la. Eu vou te provar. Vou dormir com garotas só para te provar. Provar que esse desejo louco é por você. Mas, não vou te colocar a prova. Prefiro arriscar. Dane-se se me trocar por uma pirralha qualquer no futuro. Não vou te dividir com ninguém agora."

James o fitava com uma seriedade adulta.

"...Mas, se eu passar nessa sua prova cretina, James, eu vou querer ir até o fim com você. Eu vou fazer com você todas as coisas que vem em minha mente e roubam-me o sono. Não me importa que você e eu sejamos jovens!"

James tomou as mãos de Sirius e beijou-as com um olhar malicioso. A malicia fez-se mais presente quando ele levou os dedos do outro garoto a boca e chupou-os.

Sirius sentiu-se delirar. Ansiava agarrar o outro garoto.

"Vou fazer tudo que você me mandar, Sirius... E farei também tudo o que quero..."

O garoto de cabelos compridos compreendeu em sua mente que o outro talvez sentisse um prazer mórbido naquilo tudo. Compreendeu a fragilidade e a maldade que torna cada um humano.

Compreendeu a sinceridade das explicações de James. Contudo, compreendeu também o prazer da disputa que sentia ao travar aquela competição com qualquer que fosse a menina que Sirius tomasse. Compreendeu o prazer que James sentia em prolongar o seu martírio. Compreendeu a excitação que deveria sentir e por um breve momento, também a sentiu.

Mais uma vez, questionava-se se James possuía noção de seus atos. Se eram intencionais ou então, meros desdobramentos da sordidez humana.

Sirius também sentiu-se sórdido. Imaginou-se pondo em prática seus delírios com James.

"E o que você quer fazer, Potter?"

James sorriu antes de aproximar-se do outro garoto e sussurrar-lhe sua própria lascívia. Sirius sentiu-se enrubescer. Sentiu-se subir pelas paredes. Aquela voz aveludada descrevia-lhe coisas libidinosas. Prometia usar mãos, boca e corpo de uma maneira desinibida e ousada.

Por um momento, Sirius perguntou-se onde James adquirira aquele poder. Era um manipulador de prazeres. Sua mente produzia desejos vorazes. Desejos, os quais Sirius tomava conhecimento agora.

Ao voltarem ao amanhecer para a Sala Comunal, James revelara a Sirius que sua prudência por vezes media forças com a impulsividade. Que de tempos em tempos, cumpria a façanha de vencê-la. Nutria malicia e ternura.

Explicara-lhe calmamente que o ser humano nunca era um só. E nem nunca seria. Que Sirius não deveria angustiar-se. Aprenderia a conviver com isso. Todos por fim aprendiam.

Haveria de encontrá-la com freqüência. Encontraria-na em todas as circunstâncias da vida. Sempre ela. Aquela assustadora dualidade.

cut

Sirius ouvira dizer que algumas garotas eram fáceis como aulas de vôo. Bastava-lhes sentirem o impulso extenuante de suas juventudes para deixarem-se guiar por arrebatamentos ilícitos. O frescor da pouca idade soprava-lhes nos rostos de boneca como brisas outonais. E formigas invisíveis haveriam de dançar em suas virilhas desejáveis, dia e noite.

O garoto de cabelos negros estudou as meninas. Observava aquelas sonsas que sorriam-lhe por detrás dos livros. As intocáveis que obedeciam a uma conduta própria. Por fim, demonstrou interesse nas que estavam ao alcance da mão. Naquelas que sempre convidaram-lhe com os olhos. As suas admiradoras acessíveis.

Bastava-lhe escolher uma. Pensou em Hélene Nïn da Corvinal que era bela como poucas. Possuía uma exuberância que chegava a cegar. Possuía a elegância que a França lhe ensinara. Possuía a inteligência acadêmica apreciada por Ravenclaw.

Contudo, nutria também a insensibilidade que deveria haver na mente dos trolls. E isso não era agradável... Sirius a descartou.

O grifinório possuía um respeito pessoal extremo. Que levasse apenas pela vontade de James, uma garota. Que ela existisse em sua vida apenas por duas horas. Entretanto, que não deformasse seu prazer com palavras idiotas.

James por fim decidiu que escolheria por Sirius. Escolheria alguém ao seu próprio gosto. Faria por ele o que não era capaz de fazer.

Sirius assentiu. Não possuía vontade de desatar-se do nó em que o outro aprisionara-lhe.

Na quarta, os dois garotos encontraram-se na sala vazia como de costume. James deu-lhe a notícia. Encontrara algo que o deixaria satisfeito. Encontrara uma garota perfeita. Estaria a sua espera no dia seguinte. Esperaria-no na torre de Astronomia. Seu nome não importava. Não a conhecia.

Na noite seguinte, Sirius beijou pela última vez James no corredor quando este o deixou.

"Estou com medo, James... Estou com medo da sua maldita dualidade..." murmurou o garoto de cabelos compridos quando despediu-se.

A sala de Astronomia estava sendo iluminada por três lampiões. A primeira coisa que Sirius sentiu foi um perfume que amava pairando no ar abafado do ambiente.

Na luz bruxuleante amarela, o garoto de cabelos negros conseguiu destacar não apenas uma pessoa, mas duas. Duas figuras pequenas e mirradas.

Mais tarde, o garoto haveria de lembrar-se como em um sonho distante, das paredes pintadas de branco, das cortinas de veludo verde que protegiam-no do frio, dos mapas confusos e dos planetas artificiais. Lembraria-se de suas meninas. Catorze anos e meio. Os corpos ainda retos como tábuas. Os olhos profundos como covas. As palidezes anêmicas.

Sirius sentiu-se gelar. Sentiu-se temeroso pela insensatez de seus pensamentos. Eram quase da mesma estatura. Ambas usavam óculos. Ambas tremiam de frio.

Uma delas possuía o cabelo negro como ébano. Havia uma rebeldia em sua franja incerta. A malícia brincava em seus lábios. Em seu corpo insinuante. A outra mirava o assoalho. Os cabelos e olhos castanhos. Cabelos alinhados. Vestes alinhadas. Uma timidez indevassável. Um espírito indevassável.

Sirius compreendeu imediatamente que eram irmãs. Compreendeu por uma intuição que acreditava não possuir. E compreendeu com um misto de terror e excitação a semelhança delas com eles. Não sabia até que ponto sua mente pregava-lhe peças. Não possuía a certeza do quanto seu desejo procurava ilusões. Mas encontrou-os naquelas meninas.

Uma era parecida com James. A outra, era semelhante a Remus.

Seu coração disparava. Perguntava-se se James procurara meticulosamente em um truque sórdido, o que o coração do outro garoto procurava. Perguntava-se se James sabia sobre seus desejos, sentimentos e emoções mais do que ele próprio sabia. Perguntava-se o verdadeiro motivo de seu amigo trancar-lhe na torre com aquelas imitações assustadoras. Talvez, a estranha igualdade fosse sua razão trabalhando em sentido anti-horário. Talvez, ela não existisse.

Por fim, Sirius não perguntou-se mais nada. A luz dos lampiões afastou-no do mundo.

Eram meninas com seios de garotos. Sirius sentiu seu corpo responder quando deitou os olhos neles. Houve poucas palavras.

cut

As peles são de uma fragilidade doentia. E os corpos pequenos quebrariam-se em suas mãos se utilizasse a força. A de cabelos castanhos parece temer. Teme o poder das mãos sob sua saia. Olha para a outra pedindo que a anime.

E a outra, como se emprestasse-lhe sua própria força, seu próprio desejo a abraça para que não desanime. Para que continue. Para que sinta.

Sirius toma primeiro a mais ousada. Sente-se enlouquecer com o corpo pequeno sob o seu. Beija-a. Geme. Sente como se tivesse James em seus braços. Tem arrancado de si, o prazer enlouquecedor. E após o ato, ainda sente desejo. Ainda quer mais...

O garoto de cabelos escuros procura a outra menina na pouca luz com seus dedos. Toca a mão frágil que encolhe-se sob a sua. Estuda seus contornos suaves e tépidos. Quer beijá-la também.

A menina de cabelos castanhos possui um desejo hesitante. Encolhe-se sob o corpo do garoto. Pede com olhos velados que perdoe sua conduta. E anima-se com as sensações que atravessam sua libido.

Sirius sente a malícia daqueles genes serem despidos por suas mãos. Sente uma malícia mais verdadeira aflorar em ondas turbulentas. Perde o controle quando aquele espelho de Remus também o perde. E tem Remus em sua mente quando o prazer derradeiro o alcança.

A sordidez volta ao coração de Sirius. Não faz nada com aquelas garotas. Nelas, nunca tocou. Toca em James. Toca em Remus.

Procura seus amigos outras vezes naqueles corpos. Apenas as cortinas os protegem do mundo. O veludo é grosso o suficiente para separar-lhes do frio. Da realidade. Da culpa.

Ambas irmãs durante a madrugada vestem-se com mãos lânguidas. Extenuadas e românticas perguntam ao garoto se gostaria de encontrá-las novamente.

Sirius pensa. Não! Não as procuraria novamente. Estava louco!

"Eu quero vê-las. Mas apenas mais uma vez e separadas Será a última vez. Você, me espere amanhã na sala abandonada de Aritmancia e você..."

O garoto de cabelos escuros olhou profundamente para a criança cabisbaixa de cabelos castanhos.

"Nos veremos nos jardins de Hogwarts à tarde. Você... viria comigo até a Floresta Proibida...?"

A menina procura apoio nos olhos da irmã. Nega-se. Teme a Floresta habitada por centauros. Por fim cede. Sirius procura se lembrar da árvore exata onde estivera com Remus. Lembra-se.

As duas garotas permanecem após Sirius sair. Não é seguro todos saírem ao mesmo tempo.

O garoto já está na porta de saída. Tem os dedos no corrimão metálico da escada. Um lampejo atravessa-lhe a coerência. Definitivamente, está louco. Talvez, o desejo ainda dance em seu corpo. Um último desejo. Um absurdo desejo.

"Posso pedir algo a vocês duas?"

As meninas entreolham-se com expressões hesitantes.

"Claro..."

"Beijem-se na minha frente..."

As duas irmãs parecem atônitas. Negam-se. Não podem. Sirius insiste. Insiste, insiste...

Beijam-se. E Sirius sente cada fibra de êxtase explodindo em suas têmporas. Não compreende suas emoções. Sente umedecer-se por Remus e James.

Aquela cena poderia ter ocorrido há algumas semanas atrás.

Sirius pressiona os dedos no corrimão gélido. Sente-se como se fosse desmaiar. Mas, não quer perder os sentidos. Quer contemplar. Contemplar a dança bela dos lábios. Quer ver sus amigos tocando-se como desejava tocar-lhes.

Naquele momento, o garoto de cabelos compridos sentiu um amor louco. Sentiu-se enfraquecido pela ternura. Compreendeu em seu sentido mais íntimo, a dualidade da qual James falara-lhe. Aquela dualidade que causava-lhe dor e prazer. E descobriu que ela sempre estivera presente. Em todas as circunstâncias de sua vida.

Pairava no arquétipo e sua alma um encanto que atendia pela dor. Rompendo ainda suas veias, a adorada Turbulência. Turbulência, seu amor...