Capitulo nove – Volta
Já estavam juntos há quase quatro semanas. Toda vez que Suzannah ia à sua casa pegar alguma coisa, havia uma carta enfiada embaixo da porta. Ela não entendia por que o porteiro estava fazendo aquilo. Tinha impressão que Paul poderia estar fazendo isso, mas como? Ele ainda estava na França. As cartas dele adiavam a sua chegada.
Jesse voltou ao trabalho, e para a surpresa de ambos, uma das clinicas em que Suzannah conseguiu emprego Jesse trabalhava. Ela só ia nela as terças de manhã, e Jesse trabalhava nela terça a tarde e nas quintas. Mas sempre se encontravam.
Era uma quarta. Assim que saiu da clinica de psicologia infantil, onde tinha conseguido confirmar que uma garota chamada Ana de 7 anos era mediadora, e tinha desconfianças sobre dois gêmeos de 9 anos chamados Matheus e Matt.
-oi.
Jesse estava parado encostado no carro, esperando-a. Paul nunca "perdia tempo" com ela.
-ola, querida.
Deram um leve beijo.
-recebi um e-mail de Paul.
-o que ele queria?
-saber por que eu não tinha respondido as cartas e os e-mails dele. E falando que ia chegar em uma semana. Mas provavelmente não.
-o que será que ele está fazendo? Já deve ter conseguido a transferência.
-provavelmente está com uma...
Ela abaixou a vista.
-não fique assim, querida. Ele não te merece, meu amor.
-hoje nos vamos ao teatro, não é?
-é.
Eles já tinham chegado ao apartamento.
-está certo. Eu vou tomar um banho.
Jesse foi atrás dela...
Passaram se alguns dias e Paul ainda não voltou.
Naquele dia era folga de Suzannah, mas Jesse tinha plantão no hospital.
Os dois se despediram, e Suzannah resolveu voltar ao apartamento para pegar o resto de suas coisas. Tinha conversado com Jesse e os dois combinaram que, se Paul não voltasse em uma semana, Suzannah ia morar com Jesse e ia começar o processo de divorcio dos dois.
Ela destrancou o apartamento, e não havia nenhuma carta. Foi até o quarto, mas quando entrou lá, teve uma surpresa...
-se
não é minha querida esposa!
Paul estava lá.
-o que está fazendo aqui?
- Não sei se lembra, mas eu sou seu marido e compramos essa casa!
- Há um grande equivoco: eu comprei esta casa, com o dinheiro que ganhei durante todos meus anos de trabalho! – ela falou irritada.
- Ah, foi mesmo... Você e seu maldito orgulho! – Paul debochou, até aquele momento permaneciam bem distantes um do outro – Eu não havia entendido o porquê de querer comprar uma casa sozinha, afinal somos casados, mas acho que já entendi...
- O que quer dizer?
- Aqui deve ser o lugar que trás seus amantes, não é? – Paul disse secamente, sem se alterar.
- Oras, seu... – Suzannah teve vontade de xingá-lo e esbofeteá-lo, mas se controlou – Eu não vou me rebaixar,Paul. Não sou igual a você!
- Ah, claro... Diferente de mim você só tem um amante – aquelas palavras a machucaram, como tinha coragem de confessar que tinha amantes? – Deixe-me adivinhar... Silva? É com ele que está tendo um caso? É ele quem a vizinha disse que vê junto com você? RESPONDA!
- Desde quando você se interessa por mim? Não entendo por que isso agora, sempre me ignorou! –Paul começou a se enfurecer, mas Suzannah mantinha-se calma. Ele se aproximou e segurou o braço dela.
- Eu não vou deixar você me fazer de imbecil! – ele apertou o braço dela com força.
- Por que não? Não quer sentir o mesmo que eu sentia quando você chegava com o cheiro das outras? Não quer ficar imaginando por que eu o preferi a você? – Suzannah despejava aquelas palavras com mágoa. Conseguira, mesmo que sem intenção, fazer Paul provar do próprio veneno – Se hoje estou com Jesse a culpa é apenas sua!
- Então admite? – naquele momento Suzannah ficou com medo dele, uma raiva pareceu invadi-lo, e ela imaginou que fora porque comprovara que era Jesse o "amante" de Suzannah. – Minha culpa? MINHA CULPA?
- Você está me machucando! – ela falou olhando para o braço, o qual já estava bastante vermelho. Paul não se importou, não a deixaria ir, ela era dele...
- Eu vou deixar uma coisa bem clara, Suze... Você é minha... MINHA! – ela fez uma careta de dor ao sentir mais pressão das mãos dele em seus braços.
- Me larga! Eu não sou sua, não sou de ninguém! Jesse não me trata como objeto, Jesse me ama, me dá valor... – Paul fechou os olhos em cólera. Suzannah tentava se soltar, mas ele era mais forte – E eu o amo! EU O AMO!
- Cala a boca! Cala essa boca AGORA! – Paul soltou um dos braços dela e com uma das mãos deu uma bofetada em Suzannah. Um silêncio invadiu o quarto. Ela levou a mão livre ao rosto, a bochecha esquerda doía e provavelmente estava vermelha.
- Como você pôde? – seus olhos agora estavam marejados.
- Suze... – ele ficou pálido, como se estivesse tão atordoado quanto ela – Me perdoe...
- Você é um monstro – ele ainda a segurava – Tire as mãos de mim... TIRE AS MÃOS DE MIM! – ele obedeceu.
- Por favor, eu... Eu não sei o que deu em mim...
- Eu te odeio Paul! Eu não acredito que acreditei em você!
- Espere – ele pediu – Eu te amo, por favor...
- Você não me ama, você se ama –ela ainda com uma das mãos sobre a face começou a andar em direção a porta do quarto.
- Suze espere - ele foi atrás dela – Você não pode fazer isso comigo, não pode me deixar...
- Me esqueça – ela parou perto das escadas da porta das escadas do prédio e abriu. Estava descendo quando...
- Já disse que você é minha – ele a encarou – Eu não vou perder pra ele!
- Me larga! Suzannah tentou se soltar dele. – Já disse para você me largar...
- Eu não vou deixar, você é minha, só minha – ele estava fora de controle, Suzannah se debateu, mas quando conseguiu se livrar das mãos de Paul perdeu o equilíbrio. Ela saiu rolando a escada abaixo...
penúltimo capitulo!
